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Estatísticas do setor externo



NOTA PARA A IMPRENSA - 27.11.2018
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 Ajuda
1. Balanço de pagamentos

Em outubro de 2018, as transações correntes foram superavitárias em US$329 milhões, comparativamente ao saldo negativo de US$686 milhões ocorrido no mês correspondente de 2017. O resultado em transações correntes foi favorecido pelo superávit comercial de US$5,4 bilhões (ante US$4,9 bilhões em outubro de 2017). O déficit em transações correntes acumulado nos doze meses encerrados em outubro situou-se em US$15,4 bilhões (0,80% do PIB).


O resultado da balança comercial de bens refletiu as expansões interanuais das importações, 18,7%, e das exportações, 16,6%. Em outubro, não ocorreram transações ao amparo do Repetro. No acumulado deste ano até outubro, ante mesmo período de 2017, as exportações cresceram 8,5% e as importações, 22,0%, explicando a redução no saldo comercial.


O déficit da conta de serviços atingiu US$3,1bilhões no mês, 16,2% acima do resultado observado em outubro de 2017. Destaque-se o aumento interanual de 3,8% nos gastos líquidos de aluguel de equipamento e de 11,2% em transportes, em oposição à redução de 2,2% em viagens, refletindo ainda a influência da depreciação cambial. No acumulado do ano até outubro, o déficit em serviços aumentou 3,4% relativamente ao mesmo período de 2017.

Em outubro de 2018, o déficit em renda primária recuou 26,5% na comparação interanual, atingindo US$3,1 bilhões. Os gastos líquidos com juros somaram US$1,1 bilhão no mês, comparativamente a US$1,3 bilhão em outubro de 2017, em função da expansão de 80,8% nas receitas de juros, que totalizaram US$778 milhões, afetadas pela elevação das taxas de juros internacionais e seus efeitos na remuneração das reservas internacionais. As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$1,2 bilhão no mês, redução de 36,1% ante o mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, houve redução de 21,9% no déficit em renda primária, para US$15,1 bilhões, destacando-se as expansões das receitas de juros, 41,2%, e receitas de lucros e dividendos, 13,6%.

Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$10,4 bilhões em outubro, atingindo US$75,0 bilhões no acumulado em doze meses, equivalentes a 3,89% do PIB. No período de janeiro a outubro de 2018, os ingressos líquidos de IDP somaram US$67,5 bilhões, volume 10,6% superior ao observado em mesmo período de 2017.


Em outubro de 2018, os ingressos líquidos de investimentos em ações, fundos de investimento e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico somaram US$2,1 bilhões, mantendo tendência de volatilidade desde o início do ano. No acumulado em 12 meses, ocorreram saídas líquidas de US$4,7 bilhões.



2. Reservas internacionais

O estoque de reservas internacionais atingiu US$380,3 bilhões em outubro de 2018, correspondendo a 403,6% da dívida externa de curto prazo residual (exceto operações intercompanhia e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico). O estoque de reservas internacionais recuou US$448 milhões em relação a setembro de 2018, com destaque para as variações negativas por preço, US$243 milhões, e paridade, US$651 milhões, e a contribuição positiva da receita de juros, US$659 milhões.


3. Revisões

3.1 Balança comercial

O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) revisou os dados exportação de agosto de 2018, que recuaram US$2,7 bilhões. O anúncio dessa revisão ocorreu no início de novembro, quando da divulgação dos resultados da balança comercial de outubro. A balança comercial do balanço de pagamentos tem como fonte principal os dados apurados pelo MDIC e, portanto, suas estatísticas foram revisadas para incorporar essa atualização feita pelo MDIC.


3.2 Lucros de investimento direto

Os lucros de investimento direto são compostos por dividendos distribuídos e lucros reinvestidos. Os dividendos distribuídos refletem a decisão das empresas residentes de destinar parcela do lucro total, auferido em período corrente ou anteriores, aos seus investidores diretos. Os lucros reinvestidos representam a parcela dos lucros retidos (e, portanto, não distribuídos), atribuída aos investimentos diretos. Lucros reinvestidos figuram simultaneamente na conta de renda primária, das transações correntes, e na de investimento direto, da conta financeira, como aumento em participação no capital.


No Brasil, os dividendos distribuídos sempre foram compilados a partir dos contratos de câmbio, principal fonte de dados para a elaboração do balanço de pagamentos. A metodologia para apuração dos lucros de investimento direto foi alterada, passando a ter como fonte as informações constantes nas pesquisas Censo de Capitais Estrangeiros no País (Censo) e Capitais Brasileiros no Exterior (CBE). Dessa forma, foram revisadas as estatísticas para a conta de lucros de investimento direto do balanço de pagamentos, de 2010 a 2017. A revisão incorpora, ainda, aprimoramentos nos processos de extrapolação de lucros de IDP para os anos em que o Censo é respondido de forma obrigatória apenas por empresas de grande porte.


As estimativas dos lucros de investimento direto referentes aos meses de 2018 (a coleta dessas informações no Censo e no CBE ocorrerá em 2019) foram aprimoradas. As novas estimativas partem dos resultados do Censo e do CBE para 2017, e consideram a evolução de índices setoriais de faturamento e atividade em 2018.



3.3 Posição de IDP

Na Posição de Investimento Internacional (PII), o estoque de IDP para 2017 foi revisado, e a estimativa da modalidade participação no capital foi substituída pelo resultado obtido no Censo. A posição total, antes estimada em US$778,3 bilhões, passou a US$767,8 bilhões. Esta e outras estatísticas mais detalhadas estão disponíveis no Relatório de Investimento Direto, que compreende fluxos (principal e renda) e posições de passivos e ativos de investimento direto, nas formas de participação no capital das empresas, principal foco da publicação, e de operações intercompanhia.