Sumário
Data: 10 e 11/03/2009
Local: Sala de reuniões do 8º andar (10/03) e do
20º andar (11/03) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h00 (10/03) e 17h (11/03)
Horário de término: 18h00 (10/03) e 18h50
(11/03)
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos
Meirelles – Presidente
Alexandre Antonio
Tombini
Alvir
Alberto Hoffmann
Anthero
de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos
do Vale
Maria Celina
Berardinelli Arraes
Mario Gomes Torós
Mário Magalhães
Carvalho Mesquita
Chefes de Departamento (presentes no dia 10)
Adriana
Soares Sales – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de
Pagamentos
Altamir Lopes –
Departamento Econômico
Carlos Hamilton
Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no
dia 11)
João Henrique de
Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio
Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek
– Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
Demais participantes (presentes no dia 10)
Alexandre Pundek
Rocha – Assessor da Diretoria
Eduardo José Araújo
Lima – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Flávio Pinheiro de
Melo – Consultor da Diretoria
Katherine Hennings –
Consultora da Diretoria
Valderez
Caetano Paes de Almeida – Assessora de Imprensa
Os membros do Copom
analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e
para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária,
cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução recente da
economia
1. A
inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de
0,28% em dezembro para 0,48% em janeiro e 0,55% em fevereiro. Com isso,
a inflação acumulada no primeiro bimestre de 2009 alcançou 1,03%, patamar
equivalente àquele observado em igual período do ano anterior. Sob o critério
da variação acumulada em doze meses, a inflação, após recuar de 5,90% para
5,84% entre dezembro e janeiro, voltou a aumentar, atingindo 5,90% em fevereiro
(4,61% em fevereiro de 2008). A elevação da inflação, sob esse critério, nos
primeiros dois meses do ano, refletiu o comportamento dos itens administrados,
visto que não houve variação dos preços livres. Note-se também que, em doze
meses, tanto os preços de bens comercializáveis quanto os de itens não
comercializáveis mostraram desaceleração, com variação de 6,51% e 6,90%, respectivamente,
frente a 6,99% e 7,10% em dezembro de 2008, embora com aceleração em relação
aos patamares observados no mesmo mês do ano anterior. No caso dos preços de
serviços, cuja dinâmica tende a exibir mais persistência do que a dos preços de
bens, como evidenciado pela intensa elevação dos custos educacionais em
fevereiro deste ano, a inflação acumulada em doze meses avançou de 6,39% em
dezembro para 6,63% em janeiro e 7,09% em fevereiro (5,19% em fevereiro de
2008). Evidências preliminares relativas a março apontam inflação ao consumidor
em patamar inferior ao observado em fevereiro. Em síntese, o conjunto das informações
disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado nos últimos trimestres
tende a ser superado, gradativamente, em processo que deve ser liderado pelo
comportamento dos preços livres, uma vez que a inflação dos preços administrados
deve mostrar maior persistência.
2. As
três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central
exibiram comportamento heterogêneo nos primeiros meses do ano. O núcleo por
exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio recuou de 0,33% em dezembro
para 0,27% em janeiro e depois avançou para 0,88% em fevereiro, refletindo
fatores sazonais. Já as medidas de núcleo pelos critérios de médias aparadas
com suavização e sem suavização mostraram menor oscilação, com taxas de 0,33%
em dezembro, 0,42% e 0,44% em janeiro e 0,29% e 0,27% em fevereiro,
respectivamente. As taxas de variação acumuladas em doze meses deslocaram-se de
6,09%, 4,82% e 4,92% em dezembro para 6,14%, 4,89% e 4,85% em fevereiro, para o
índice por exclusão, médias aparadas com e sem suavização, respectivamente,
permanecendo em patamares superiores ao valor central da meta. Cabe notar,
adicionalmente, que o índice de difusão do IPCA, que havia mostrado elevação
substancial em janeiro, ante dezembro, e continuava apontando para um processo
inflacionário relativamente disseminado, recuou em fevereiro (de 66,2% em
janeiro para 58,1% em fevereiro, ante 56,5% em fevereiro de 2008).
3. A
inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI)
deslocou-se de -0,44% em dezembro para 0,01% em janeiro e -0,13% em fevereiro. No
acumulado em doze meses, a variação do IGP-DI recuou de 9,10% em dezembro para
8,05% em janeiro e 7,50% em fevereiro, ante 8,65% em fevereiro de 2008. A desaceleração do
IGP-DI tem refletido o comportamento de seu principal componente, o Índice de
Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), que recuou de 9,80% em
dezembro para 7,39% em fevereiro, no acumulado em doze meses (10,62% em
fevereiro de 2008). Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil
(IPC-Br) variou 6,15% (4,55% em fevereiro de 2008) e, na mesma base de
comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 11,67% (6,28%
em fevereiro de 2008). No que se refere ao IPA-DI, a desaceleração inflacionária,
sob esse critério de comparação, deriva basicamente do comportamento dos preços
agrícolas. A variação do IPA agrícola atingiu 1,94% (23,89% em fevereiro de
2008), visto que a elevação dos preços industriais no atacado chegou a 9,49%
(6,20% em fevereiro de 2008). Note-se que, não obstante os efeitos da
depreciação cambial ocorrida desde o terceiro trimestre do ano passado, os
preços industriais seguem registrando deflação na margem. Conforme destacado em
Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento
dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das
condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de
preços em relação à trajetória futura da inflação.
4. O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações
sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2008. Os dados
mostram desaceleração do crescimento, quer sob o critério da variação acumulada
no ano (5,1%, ante a taxa acumulada de 6,4% nos primeiros três trimestres),
quer no que se refere à comparação interanual (1,3%, ante 6,8% no trimestre
anterior). Sob a ótica da demanda agregada, a expansão foi liderada pelo
consumo da administração pública, que cresceu 5,5% ante o quarto trimestre de 2007. A formação bruta de
capital fixo (FBCF) teve expansão de 3,8% e o crescimento do consumo das
famílias alcançou 2,2%, na mesma base de comparação, sustentado pela massa
salarial real. A contribuição da absorção doméstica para o crescimento do
produto atingiu 3,2 p.p. no quarto trimestre de 2008, comparativamente ao
quarto trimestre do ano anterior, sobrepondo-se ao impacto negativo de 1,9 p.p.
exercido pelo setor externo. Do ponto de vista da oferta agregada, ainda na
base interanual, o setor de serviços teve o melhor desempenho, com crescimento
de 2,5%, seguido pela agropecuária (2,2%) e pela indústria, com contração de
2,1% frente a igual período de 2007. O deflator do PIB a preços de mercado, na
comparação interanual, deslocou-se de 6,8% no terceiro trimestre de 2008 para
7,4% no quarto trimestre.
5. A
média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados
dessazonalizados pelo IBGE, recuou 6,2% em janeiro, após queda de 6,9% no mês
anterior. Ainda considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês,
após o recuo de 12,7% verificado em dezembro, a produção física da indústria
cresceu 2,3% em janeiro.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção
industrial exibiu recuo de 17,2% em janeiro, com queda de 18,4% para a
indústria extrativa e de 17,2% na de transformação. Informações disponíveis
referentes aos últimos meses apontam, em suma, para interrupção do ciclo de
expansão da produção industrial desde o último trimestre de 2008. A atividade
industrial vem sendo influenciada pela crise internacional, tanto por seus
efeitos sobre as exportações e as condições de crédito, quanto sobre as
expectativas das empresas e das famílias. Nesse contexto, diversos segmentos
industriais têm sido levados a ajustar estoques e a reduzir a produção,
destacando-se mais recentemente a indústria de bens intermediários.
6. Entre
as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de
bens de capital recuou 23,3% em dezembro, mas teve elevação de 8,4% em janeiro. No que se
refere às demais categorias, a produção de bens intermediários recuou 12,4% em
dezembro e cresceu 0,8% em janeiro; a de semiduráveis teve queda de 3,9% em
dezembro e 0,6% em janeiro; ao passo em que a produção de bens de consumo
duráveis, fortemente influenciada pelo setor automotivo, teve redução de 32,9%
em dezembro, seguida por elevação de 38,6% em janeiro. A perda de
dinamismo da produção de bens de capital reflete a persistência da turbulência
financeira internacional e suas conseqüências sobre a confiança empresarial.
Por sua vez, o arrefecimento no ritmo de expansão da produção de bens duráveis
reflete, em grande parte, o aperto nas condições de crédito, a deterioração das
expectativas dos consumidores e o processo de redução de estoques acima citado.
Tais desenvolvimentos devem continuar a ser evidenciados pelos dados relativos
aos primeiros meses do corrente ano, ainda que com recuperação na margem.
7. O
mercado de trabalho passou a registrar indicadores ambíguos, combinando
aspectos favoráveis com expressiva acomodação da geração de empregos formais na
margem. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela
Pesquisa Mensal de Emprego (PME) deslocou-se de 7,6% em novembro para 6,8% em
dezembro (mínimo da série histórica), mas subiu para 8,2% em janeiro, ante 8,0%
em janeiro de 2008. Na série dessazonalizada, a taxa manteve-se estável em 7,8%
entre novembro e dezembro, mas elevou-se para 8,6% em janeiro. O rendimento
médio habitual registrou alta de 3,6% em dezembro, comparativamente ao mesmo
mês de 2007, mas registrou elevação de 5,9%, sob esse critério de comparação,
em janeiro, voltando a acelerar após três meses de queda da taxa de expansão. O
emprego, por sua vez, teve elevação de 3,0% em dezembro e 1,9% em janeiro,
contra os mesmos meses dos anos anteriores. Em conseqüência, a expansão da
massa salarial real atingiu 6,7% em dezembro e 7,8% em janeiro, continuando a
constituir fator-chave para a sustentação da demanda doméstica. Por sua vez, o
emprego na indústria de transformação caiu 1,1% em janeiro, após quedas de 0,5%
em dezembro e de 0,7% em novembro, segundo dados da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo
mês do ano anterior, houve queda de 0,1% no pessoal empregado. Segundo dados do
IBGE, o pessoal ocupado na indústria caiu 1,9% em dezembro, após quedas de 0,6%
em novembro e de 0,1% em outubro, na série com ajuste sazonal, acumulando alta
de 2,1% em 2008 e queda de 1,2%, comparativamente a dezembro de 2007. Ainda
sobre o mercado de trabalho, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE) indicam substancial perda de dinamismo da geração de vagas no
setor formal desde o final de 2008. Em janeiro, foram fechados 101.748 postos
de trabalho (ante saldo negativo de 654.946 em dezembro). O setor que mais
demitiu no mês foi a Indústria de Transformação, que fechou 55.130 postos,
seguido pelo Comércio, que habitualmente demite nesse período, com o fechamento
de 50.781 vagas. Por outro lado, a Construção Civil e o setor de Serviços
abriram vagas no mês: 11.324 e 2.452 postos, respectivamente.
8. O
volume de vendas do comércio ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados
pelo IBGE, teve redução de 1,0% em dezembro, após queda de 3,1% em novembro. Na
comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve elevação de 1,3%, resultando
em crescimento de 9,9% no ano. A média móvel trimestral da taxa de crescimento
do comércio ampliado recuou 8,7% em dezembro, comparativamente ao trimestre
encerrado em setembro, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mês
anterior, pela série com ajuste sazonal, os destaques positivos foram vendas de
equipamentos e material para escritório (11,9%) e veículos, motos, partes e
peças (3,5%). Os negativos, material de construção (-7,3%) e móveis e
eletrodomésticos (-3,7%). No ano, o crescimento acumulado foi maior nos
segmentos de equipamentos e material para escritório (33,5%) e outros artigos
de uso pessoal e doméstico (15,6%). Após quedas em outubro, novembro e
dezembro, os dados do comércio ampliado para janeiro e fevereiro devem
evidenciar recuperação influenciada, principalmente, pela alta nas vendas de
veículos, em resposta a incentivos setoriais concedidos pelo governo. Essa
recuperação foi captada pelas estatísticas da Federação Nacional da
Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Nos próximos trimestres, a
trajetória do comércio continuará sendo sustentada pelas transferências
governamentais e pelo crescimento da massa salarial real, cuja evolução deve ser
beneficiada pela redução da inflação, mas será também afetada pela evolução nas
condições de acesso ao crédito e pelo comportamento da confiança dos
consumidores.
9. O
Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de
transformação atingiu 78,07% em janeiro, abaixo do patamar observado em
dezembro, segundo dados da CNI dessazonalizados pelo Banco Central. A série
dessazonalizada pela própria CNI também mostra redução, tendo atingido 78,4% em
janeiro, ante 79,4% em dezembro. Considerando a série sem ajuste
sazonal, em janeiro o Nuci situou-se 5,1 p.p. abaixo do patamar registrado no
mesmo mês de 2008. Por sua vez, o Nuci mensal sem ajuste sazonal, calculado
pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou de forma expressiva em fevereiro,
para 76,9%, 7,8 p.p. abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2008. Essa
redução da taxa de utilização da capacidade, na comparação interanual, também
se verifica nas indústrias de bens de consumo (-4,7 p.p.), de bens
intermediários (-9,7 p.p.), de bens de capital (-15,2 p.p.), e de material de
construção (-5,9 p.p.). A redução dos indicadores de utilização compilados pela
CNI e pela FGV parece resultar de combinação da maturação de projetos de
investimento com a acomodação da atividade e sinaliza sensível ampliação da
margem de ociosidade da indústria. Por outro lado, dados sobre a absorção de
bens de capital indicam continuidade da retração do investimento. A absorção de
bens de capital apresentou queda de 1% em janeiro, segundo dados
dessazonalizados, e de 19,6% na comparação com janeiro de 2008, no que se
refere a dados observados. Por sua vez, a produção de insumos para a construção
civil subiu 0,8% na margem em janeiro, após registrar queda de 5,8% em
dezembro, caindo 9,7% em relação a janeiro do ano anterior. Em síntese, as
evidências sugerem que ocorre redução das pressões de demanda sobre a
capacidade produtiva da indústria. A propósito, como assinalado em Notas
anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita
relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação
da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento à demanda.
10. O
saldo da balança comercial acumulado em doze meses vem mostrando estabilidade
na margem. Sob esse critério, o saldo totalizou US$24,7 bilhões em dezembro,
caiu para US$23,3 bilhões em janeiro e elevou-se para US$24,2 bilhões em fevereiro. Esse
resultado adveio de US$191,2 bilhões em exportações e US$167,0 bilhões em
importações, com crescimento de 15,5% e 29,2%, respectivamente, em relação a
fevereiro de 2008. O ajuste de preços relativos e a acomodação do ritmo de
expansão da demanda doméstica contribuem para a recuperação do superávit
comercial, mas a piora dos termos de intercâmbio atua na direção oposta. Já a
redução das remessas de lucros e dividendos vem atuando no sentido de conter o
déficit em transações correntes, que atingiu US$28,3 bilhões em dezembro de
2008, recuando para US$27,0 bilhões em janeiro, equivalente a 1,8% do PIB. Por
sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até
janeiro, a US$42,2 bilhões, equivalentes a 2,7% do PIB.
11. O
período desde a reunião anterior do Copom foi marcado pela continuidade do
estresse nos mercados financeiros internacionais, com origem nos Estados Unidos
da América (EUA) e na Europa, mas cujas repercussões sobre as economias
emergentes continuam sendo significativas. A despeito de ações governamentais
inéditas por parte de autoridades americanas e europeias,
utilizando ampla gama de instrumentos, com vistas a assegurar condições mínimas
de funcionamento e liquidez nos mercados monetários, a percepção de risco
sistêmico continua evidente. A contração da liquidez internacional continuou
contribuindo para um processo de desalavancagem por parte de administradores de
recursos, o que, por sua vez, vem exercendo influência baixista sobre os preços
de ativos. Em ambiente de mais aversão ao risco e de fluxos de capitais mais
escassos, a volatilidade das moedas de economias emergentes continua, ainda que
sem a tendência generalizada de depreciação ante o dólar americano observada
nos meses finais de 2008.
12. No
que se refere ao cenário macroeconômico global, tendências contracionistas
prevalecem sobre as pressões inflacionárias. A visão atualmente dominante
aponta para contração da economia mundial em 2009, com recuperação apenas em
2010. As projeções consensuais apontam para retração intensa da atividade nos
EUA, Europa e Japão, que não seria totalmente compensada pelos bolsões de
dinamismo econômico existentes entre as economias emergentes, mormente na Ásia.
Há evidências de que a debilidade mais pronunciada da atividade econômica na
Europa e em partes da Ásia devia-se, em importante medida, ao choque negativo
de termos de troca ocasionado pela elevação dos preços de commodities em 2008, que foi revertido, propiciando incrementos de
renda disponível nessas regiões. Por outro lado, os problemas do sistema
financeiro internacional continuam sendo agravados por uma deterioração cíclica
na qualidade do crédito, centrada nos EUA e na Europa, o que tende a reforçar a
contração das condições financeiras e, por conseguinte, o risco de
intensificação da desaceleração. Nas economias maduras, em que a ancoragem das
expectativas de inflação é mais forte e a atividade econômica vem se enfraquecendo
consideravelmente e há mais tempo, as pressões inflacionárias têm mostrado
redução rápida. Nas economias emergentes, em que os efeitos secundários da
elevação dos preços de matérias-primas sobre os preços ao consumidor e as
pressões da demanda aquecida sobre a capacidade de expansão da oferta vinham
sendo mais intensos, as pressões inflacionárias também têm declinado, embora
mostrem, em diversos casos, maior persistência. Nesse contexto, ao mesmo tempo
em que as políticas monetárias adquiriram caráter fortemente expansionista nas
economias maduras, nas economias emergentes, que, além dos fatores citados
acima, têm sido influenciadas pela tendência de depreciação cambial, a postura
expansionista tem sido mais moderada. Paralelamente, as autoridades nos EUA,
Europa ocidental e Ásia vêm anunciando uma série importante de iniciativas
voltadas a sustentar a atividade por meio de estímulos fiscais, o que poderia
contribuir para uma gradual retomada econômica. Note-se, contudo, que as
estimativas sobre os custos fiscais dos pacotes de estímulo macroeconômico e de
apoio ao setor financeiro vêm se elevando, o que tem suscitado pressões sobre a
classificação de risco de diversos créditos soberanos, até mesmo em economias
avançadas.
13. Os
preços do petróleo continuam voláteis, a despeito de atualmente se encontrarem
em patamares próximos àqueles observados por ocasião da última reunião deste
Comitê. As cotações nos mercados futuros também têm, em linhas gerais, mostrado
volatilidade, sem tendência definida. A incerteza que envolve essas cotações
segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da
demanda, especialmente nas economias emergentes, da perspectiva de evolução da
oferta global, em cenário de incerteza quanto à implementação e maturação de
investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os
preços dessa mercadoria. Não obstante, o cenário central de trabalho adotado
pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2009,
permanece plausível. Contudo, a persistir o quadro atual do mercado de
petróleo, não parece prudente descartar por completo a hipótese de que ocorra
redução de preços. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do
comportamento dos preços domésticos da gasolina, a redução dos preços
internacionais do petróleo verificada desde o segundo semestre de 2008 pode
eventualmente se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias
produtivas, como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as
expectativas de inflação. Note-se, também, que os preços de commodities agrícolas que têm impacto
particularmente importante para a evolução dos custos alimentares, como trigo,
soja e milho, registraram redução desde a última reunião do Copom, reagindo às
perspectivas de redução da demanda e à acumulação de estoques.
Avaliação
prospectiva das tendências da inflação
14.
Os
choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo
conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações
contempla as seguintes hipóteses:
a)
do
mesmo modo que na reunião do Copom de janeiro, projeta-se reajuste de 0% no
preço da gasolina, bem como no do gás de bujão, para o acumulado de 2009;
b)
no
tocante às projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de
eletricidade, para o acumulado em 2009, a primeira foi mantida em 5,0% – mesmo
percentual considerado na reunião de janeiro – enquanto a segunda reduziu-se
para 7,6%;
c)
a
projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços
administrados para o acumulado de 2009 manteve-se em 5,5%, conforme considerado
na reunião de janeiro. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados
publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,64% do total do IPCA de fevereiro;
d)
a
projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para
2010 encontra-se em 4,8%, assim como na reunião de janeiro. Essa projeção
baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que
consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de
preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e)
a
trajetória estimada para a taxa do swap
de 360 dias indica spread sobre a
taxa Selic, no cenário de referência, de 29 p.b. no quarto trimestre de 2009 e
de 37 p.b. no último trimestre de 2010. Os choques identificados e seus
impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis.
15. Em
relação à política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de trabalho do
cumprimento da meta legal de superávit primário de 3,8% do PIB em 2009. As
demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.
16. Desde
a última reunião do Copom, houve redução na mediana das expectativas coletadas
pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a
variação do IPCA em 2009, que passou de 4,80% para 4,57%. Para 2010, as
expectativas de inflação mantiveram-se em 4,50%, mesmo patamar observado na
reunião de janeiro.
17. Considerando
as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa
de câmbio em 2,40 R$/US$ e da taxa Selic em 12,75% a.a. em todo o horizonte, a
projeção para a inflação em 2009 recuou em relação ao valor considerado na
reunião do Copom de janeiro e encontra-se abaixo do valor central de 4,50% para
a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado,
que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto
a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de
inflação para 2009 também recuou em relação ao valor considerado na última
reunião do Copom e encontra-se abaixo do valor central para a meta de inflação.
Para 2010, a
projeção de inflação, segundo o cenário de referência, recuou ligeiramente em relação
ao valor considerado na última reunião do Copom e encontra-se sensivelmente
abaixo do valor central de 4,50% e, no cenário de mercado, também diminuiu e posiciona-se
abaixo do valor central de 4,50%.
Implementação da
política monetária
18.
O
Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um
ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Os dados
disponíveis referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de expansão da
demanda arrefeceu consideravelmente a partir dos meses finais de 2008, em meio
ao substancial e generalizado desaquecimento da atividade em outras economias,
avançadas e emergentes. Por sua vez, o aumento da aversão ao risco e o aperto,
inédito nas últimas décadas, das condições de liquidez prevalentes nos mercados
internacionais continuam impondo ajuste no balanço de pagamentos. Assim, em
linhas gerais, a influência do cenário externo sobre a trajetória prospectiva
da inflação brasileira continua sujeita a efeitos, a princípio contraditórios,
que podem atuar com intensidade distinta ao longo do tempo, e envolta em
considerável incerteza. Por um lado, o desaquecimento econômico tem ocasionado
aumento da aversão ao risco, afetando a demanda por ativos brasileiros e
ocasionando depreciação de seus preços. Por outro lado, a desaceleração mais
generalizada da atividade observada nos últimos meses, que, sem ser permanente,
tende a persistir nos próximos trimestres, vem ocasionando arrefecimento tanto
dos preços de commodities quanto da
demanda externa, influenciando negativamente também as condições financeiras
locais. Note-se, adicionalmente, que a trajetória dos índices de preços
evidencia significativa redução das pressões inflacionárias externas, especialmente
nas economias maduras, mas também em algumas emergentes. Dessa forma, o efeito
líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica vem
sendo, até o momento, predominantemente benigno. O Copom enfatiza que o
principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os
resultados favoráveis obtidos nos últimos anos, quando as metas para a inflação
foram sistematicamente cumpridas, sejam preservados.
19.
O
Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente
localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação segue
diminuindo. Os sinais de substancial acomodação da demanda doméstica e de
moderação de pressões sobre o mercado de fatores, ainda que permaneçam sujeitos
a incertezas, devem ensejar redução do risco de repasse de pressões altistas,
identificadas até o final de 2008, sobre preços no atacado (que, de resto, vêm
mostrando deflação nos últimos meses) para os preços ao consumidor. O Comitê
avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões
inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma
crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação. Em particular,
as expectativas de inflação para 2009 permanecem em patamares superiores à
meta, embora tenham recuado desde a última reunião do Copom, e continuam sendo
monitoradas com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, segundo
indicadores disponíveis, o comportamento da demanda doméstica deve exercer menos
pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, por exemplo, os
serviços, nos próximos trimestres. De qualquer modo, o Comitê reafirma que
continuará conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no
combate à inflação em anos recentes sejam permanentes.
20.
O
Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens
importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto
sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões
alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na
análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados,
em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável. Tais
considerações ganham ainda mais relevância em momentos cercados por mais
incerteza.
21.
As
perspectivas para a evolução da atividade econômica continuaram se deteriorando
desde a última reunião do Copom, ainda que os dados sobre a indústria venham em
parte refletindo processo de redução de estoques, que tende a se esgotar ao
longo do tempo. Note-se particularmente que, diante dos efeitos da crise
internacional sobre as condições financeiras internas, a contribuição do
crédito para a sustentação da demanda doméstica arrefeceu de forma intensa.
Adicionalmente, a intensificação da crise internacional segue exercendo
influência negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários.
Nessas circunstâncias, o dinamismo da atividade passa a depender crescentemente
da expansão da massa salarial real e dos efeitos das transferências
governamentais, possivelmente incrementadas, que devem ocorrer neste ano.
Note-se, por outro lado, que as influências contracionistas da crise financeira
internacional sobre o dinamismo da economia doméstica e, consequentemente,
sobre o contexto no qual tem atuado a política monetária, ainda que não
permanentes, podem se mostrar persistentes. Essas ponderações tornam-se ainda
mais relevantes quando se leva em conta que as decisões correntes de política
monetária terão impactos concentrados nos trimestres à frente.
22.
O
Copom avalia que a perda de dinamismo da demanda doméstica deve ocasionar
redução das pressões inflacionárias. Por outro lado, os riscos remanescentes
para a dinâmica inflacionária derivam da trajetória dos preços de ativos
brasileiros, em meio a um processo de estreitamento das fontes de financiamento
externo, e de mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar no tempo
pressões inflacionárias observadas no passado, como evidencia o comportamento
dos preços dos serviços e de itens monitorados neste início de ano. O balanço
dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental
na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política
monetária.
23.
A
evidência internacional, bem como a experiência brasileira, indica que taxas de
inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o
financiamento privado quanto para o público, ao encurtamento dos horizontes de
planejamento e, consequentemente, à redução do potencial de crescimento da
economia, além de ter efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Assim
sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar que a inflação retorne à
meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN, em 2009, e mantê-la em patamar
consistente com a trajetória de metas em 2010. Tal estratégia, que terá seus
resultados evidenciados ao longo do tempo, leva em conta as defasagens do
mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente
ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
24.
O
Copom avalia que, diante dos sinais de arrefecimento do ritmo de atividade
econômica, no que se refere, por exemplo, aos indicadores de produção
industrial (exacerbados por um ciclo de estoques), certos dados disponíveis
sobre o mercado de trabalho e as taxas de utilização da capacidade na
indústria, bem como sobre confiança de empresários e consumidores, e do recuo
das expectativas de inflação para horizontes relevantes, continuaram ampliando-se
de forma importante as perspectivas de concretização de um cenário
inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente
com a trajetória das metas. A propósito, essa evolução do cenário prospectivo
manifesta-se nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê. Ainda assim, a
despeito de haver margem para um processo de flexibilização, a política
monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da
inflação para a trajetória de metas.
25.
O
Comitê entende que o desaquecimento da demanda, motivado pelo aperto das
condições financeiras, pela deterioração da confiança dos agentes e pela
contração da atividade econômica global, criou importante margem de ociosidade
dos fatores de produção. Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as
pressões inflacionárias, mesmo diante das consequências do processo de ajuste
do balanço de pagamentos e da presença de mecanismos de realimentação
inflacionária na economia, abrindo espaço para flexibilização da política
monetária. Por outro lado, além do fato de que mudanças da taxa básica de juros
têm efeitos sobre a atividade e a inflação que se acumulam ao longo do tempo, a
avaliação do Copom sobre o espaço para flexibilização monetária adicional também
leva em conta aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que
subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional.
26.
Nesse
contexto, avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu, neste momento,
reduzir a taxa Selic para 11,25% a.a., sem viés, por unanimidade. O Comitê
acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua
próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa
básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir
os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
27. No regime de metas
para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores
projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a
evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos
preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. Há sinais de que,
depois de um longo período de expansão, a demanda doméstica teria passado a
exercer influência contracionista sobre a atividade econômica, a despeito da
persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda.
Adicionalmente, cabe registrar que as expectativas inflacionárias para 2009
mostraram recuo desde a última reunião do Comitê. Por outro lado, a
desaceleração da economia global tem gerado pressões baixistas sobre os preços
no atacado, a despeito do ajuste cambial. Nesse ambiente, a política monetária
pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a
trajetória de metas. Evidentemente, na eventualidade de se verificar
deterioração no perfil de riscos que implique modificação do cenário
prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura
da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.
28. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará
a se reunir em 28 de abril de 2009, para as apresentações técnicas, e no dia
seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo
Comunicado 17.327, de 27/8/2008.
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO
COPOM
29. O
IPCA variou 0,55% em fevereiro, indicando recuo diante do IPCA-15 (0,63%), e
aceleração relativamente ao IPCA de janeiro (0,48%). Em doze meses, até
fevereiro, o IPCA somou alta de 5,90%, ante 5,84% até janeiro, acumulando, no
ano, 1,03%. O resultado de fevereiro foi influenciado pela alta do grupo
Educação, 4,77%, cuja contribuição de 0,33 p.p. representou 60% da variação do
IPCA no mês, reflexo dos reajustes típicos desse grupo no início do ano.
30. Os
preços livres registraram aceleração, como reflexo da alta em Educação,
variando 0,67% no mês, ante 0,37% em janeiro, enquanto os preços monitorados
passaram de 0,75% para 0,28% no mesmo período. Em doze meses, os preços livres
acumularam variação de 6,71%, mesma variação de janeiro, enquanto nos
monitorados a alta atingiu 4,02%, ante 3,83% no mês anterior. O índice de
difusão situou-se em 58,07%, ante 66,15% em janeiro, registrando o menor
patamar desde março de 2008.
31. O
núcleo por exclusão de alimentos no domicílio e de preços monitorados variou
0,88% em fevereiro, ante 0,27% em janeiro, acumulando alta de 6,14% em doze
meses, ante 5,95% no mês anterior. O núcleo pelo critério de médias aparadas
com suavização registrou taxa de 0,29%, ante 0,42% em janeiro, acumulando alta
de 4,89% em doze meses, ante 4,88% no mês anterior. Pelo critério de médias
aparadas sem suavização, o indicador variou 0,27% em fevereiro, ante 0,44%, e acumulou
em doze meses, 4,85%, ante 4,95% no mês anterior.
32. O
IGP-DI recuou 0,13% em fevereiro, ante a elevação de 0,01% em janeiro,
acumulando queda de 0,11% no ano e alta de 7,5% em doze meses. O Índice de
Preços por Atacado (IPA) registrou variação negativa de 0,31% em fevereiro,
refletindo os menores preços tanto dos produtos agropecuários, -0,36%, quanto
dos industriais, -0,29%. Em doze meses, o IPA cresceu 7,39%, com aumentos de
9,49% nos produtos industriais e de 1,94% nos produtos agrícolas. Ressalte-se a
expressiva desaceleração do IPA, consideradas as variações acumuladas em doze
meses concluídos em outubro, novembro, dezembro e janeiro, 14,72%, 12,88%,
9,80% e 8,27%, respectivamente. O IPC-Br apresentou desaceleração, ao passar de
0,83% em janeiro para 0,21% em fevereiro, acumulando alta de 6,15% em doze meses.
O INCC variou 0,27% em fevereiro, ante 0,33% em janeiro, acumulando 11,67% em
doze meses. O núcleo do IPC-Br situou-se em 0,33% no mês, ante 0,35% em
janeiro, acumulando 4,25% em doze meses.
33. Considerando
o IPA por estágios de processamento, os preços dos bens finais aumentaram 0,85%
em fevereiro, enquanto os preços dos bens intermediários e de matérias-primas
brutas recuaram 1,03% e 0,55%, respectivamente. No acumulado em doze meses, até
fevereiro, esses três segmentos registraram elevações de 4,78%, 9,05% e 8,02%,
mantida a mesma ordem.
34. A
variação do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) situou-se em 0,35%
na primeira semana de março, ante 0,21% no encerramento de fevereiro.
35. Segundo
dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o volume
de vendas apresentou queda de 1% em dezembro, em relação ao mês anterior,
considerado o conceito ampliado, que incorpora os segmentos de material de
construção e de veículos e motos, partes e peças, após recuos consecutivos de
3,1% em novembro e de 8,4% em outubro. Quatro dos dez segmentos do indicador
registraram expansão no mês, com destaque para as maiores vendas de
equipamentos e materiais para escritório, 11,9%, e de veículos e motos, partes
e peças, 3,5%, favorecidas pela redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI). Em outubro e novembro, as vendas do setor automotivo haviam registrado
retrações respectivas de 18,8% e 7,1%, em comparação com os meses imediatamente
anteriores. Entre os segmentos que registraram recuo das vendas em dezembro,
destacou-se material para construção, com declínio de 7,3% em relação a
novembro, ampliando o ritmo de retração observado nos dois meses anteriores.
36. Considerando
as comparações entre idênticos períodos de 2008 e 2007, a elevação das vendas
alcançou 1,3% em dezembro, no conceito ampliado, totalizando alta de 9,9% em
2008, comparativamente ao ano anterior. Em dezembro, na comparação com igual
mês de 2007, foram registrados recuos nas vendas de tecidos, vestuários e
calçados, 6,3%; veículos, motos, partes e peças, 4,5%; e material de
construção, 3,6%. Entre os setores com acréscimos de vendas, o melhor
desempenho foi registrado pelo setor de equipamentos e material para escritório,
alta de 35,6% relativamente a dezembro de 2007. Em 2008, verificou-se
crescimento em todos os segmentos, com destaque, mais uma vez, para
equipamentos e material para escritório, com elevação de 33,5% em relação a
2007.
37. Dados
da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referentes à capital paulista,
mostraram redução de 3,3% nas consultas ao Serviço Central de Proteção ao
Crédito (SCPC) em fevereiro, relativamente a janeiro, após ajuste sazonal pelo
Banco Central. Contrariamente, as consultas ao Sistema Usecheque apresentaram
elevação de 2,8%. Na comparação com igual mês do ano anterior, esses
indicadores registraram quedas de 12,8% e 5,5%, respectivamente, enquanto no
primeiro bimestre de 2009 as reduções atingiram 9,2% e 5,3%, na mesma ordem,
ante igual período de 2008.
38. As
vendas de autoveículos pelas concessionárias, que incluem automóveis,
comerciais leves, caminhões e ônibus, declinaram 0,8% em fevereiro, em relação
ao mesmo mês de 2008, segundo informações da Fenabrave. Não obstante, esse foi
o segundo maior volume de vendas para meses de fevereiro em toda a série
histórica. Na série com ajuste sazonal, o resultado representou aumento de 4%
relativamente a janeiro, quando registrou alta de 36,5% na mesma base de
comparação. No trimestre encerrado em fevereiro, houve recuo de 4,6% ante o
trimestre anterior.
39. Em
relação aos indicadores de investimento, a produção de bens de capital aumentou
8,4% em janeiro e a de insumos típicos da construção civil, 0,8%,
comparativamente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Em comparação
com janeiro de 2008, esses indicadores diminuíram 13,3% e 9,7%,
respectivamente. Relativamente à produção de bens de capital, a evolução
positiva na margem refletiu, principalmente, a expansão dos segmentos de
equipamentos de transportes (9,6%) e de uso misto (7,8%).
40. A
sondagem industrial realizada pela CNI indica que 89% das empresas industriais
consultadas planejam investir em 2009, ainda que em proporção inferior a 2008, a despeito de 67% dos
empresários terem respondido que a capacidade produtiva de suas empresas está
adequada à demanda prevista para 2009. Os investimentos planejados buscam
melhorar a qualidade e ampliar a produção, com foco no mercado interno.
41. As
importações de bens de capital recuaram 18,4% em janeiro, em relação a
dezembro, de acordo com os índices de quantum
da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados
pelo Banco Central. O indicador de janeiro acusou recuo de 12,4% em relação ao
do mesmo mês de 2008, ante o crescimento acumulado, em doze meses, de 28,5%,
sinalizando forte reversão no desempenho apresentado até recentemente.
42. Segundo
a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção física da indústria
cresceu 2,3% em janeiro, considerando a
série dessazonalizada, em comparação com o mês anterior, após três meses
consecutivos de queda. Doze das 27 atividades pesquisadas registraram declínio
na produção mensal, com destaque para os desempenhos negativos nos segmentos de
máquinas, aparelhos e materiais elétricos, -9,5%, e diversos, -10,7%. Por
categorias de uso, mantida a base de comparação, registrou-se queda apenas na
produção de bens de consumo semi e não duráveis, -0,6%; bens de capital, bens
intermediários e bens de consumo duráveis cresceram, respectivamente, 8,4%,
0,8% e 38,6%.
43. Em
comparação com janeiro de 2008,
a produção industrial diminuiu 17,2%, a maior queda
nessa base de comparação desde o início da série em 1991. Todas as categorias
de uso registraram retração: bens de capital, -13,3%; bens intermediários,
-20,4%; bens de consumo duráveis, -30,9%; e bens de consumo semi e não
duráveis, -8,3%. A expansão da atividade industrial, acumulada em doze meses,
alcançou 3,1% em dezembro e 1% em janeiro, evidenciando a desaceleração na
margem.
44. A
produção de autoveículos alcançou 201,7 mil unidades em fevereiro, segundo a
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
resultado 20,6% menor que o observado no mesmo mês de 2008. Considerando dados
dessazonalizados pelo Banco Central, a produção de autoveículos apresentou
aumento de 7,2% em fevereiro, comparativamente a janeiro, enquanto a média do
último trimestre foi 27,8% inferior à do trimestre terminado em novembro. No
acumulado em doze meses, até fevereiro, a produção de autoveículos e de
máquinas agrícolas foi ampliada em, respectivamente, 0,9% e 16,1%. As vendas de
autoveículos no mercado interno declinaram 13,2% em relação a fevereiro de 2008
e, no acumulado em doze meses, aumentaram 4,1%, enquanto as exportações
apresentaram retrações de 52,3% na comparação interanual e de 15,5% no
acumulado em doze meses.
45. Indicadores
da CNI apontaram que a atividade industrial continuou em retração em janeiro,
com queda de 3,5% no faturamento real e de 2,1 p.p. na utilização da capacidade
instalada, conforme dados dessazonalizados pelo Banco Central. O número de
horas trabalhadas, de acordo com dados dessazonalizados, foi a única variável
que registrou crescimento frente ao mês anterior. Em comparação com janeiro de
2008, todas as variáveis apresentaram quedas: faturamento real, -13,4%; horas
trabalhadas na produção, -6,5%; e utilização da capacidade instalada, -5,1 p.p.
46. O
Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de fevereiro estimou a
safra de grãos de 2009 em 135,3 milhões de toneladas, ante 134,7 milhões de
toneladas previstas em
janeiro. A nova estimativa representa uma queda de 7,3% em
relação à produção de 2008. Foram projetadas retrações de 12,7% e de 3,9% nas
produções de milho e de soja, respectivamente. Produtos relacionados
diretamente com a cesta básica, como arroz e feijão, devem ter suas produções
ampliadas em 3,7% e 11,1%, na ordem.
47. O
IBGE divulgou informações sobre o PIB do quarto trimestre de 2008. Os dados
mostram desaceleração tanto sob o
critério da variação acumulada no ano (5,1%, ante 6,4% no trimestre anterior),
quanto no que se refere à comparação interanual (1,3%, ante 6,8% no trimestre
anterior). Em relação ao trimestre imediatamente anterior, observou-se queda de
3,6%, dados dessazonalizados. Na comparação interanual, dentre os setores da
oferta, apenas a indústria registrou queda (-2,1%). Agropecuária e serviços
cresceram, respectivamente, 2,2% e 2,5%. Dentre os componentes da demanda,
houve expansão do consumo das famílias, do governo e da FBCF de, respectivamente,
2,2%, 5,5% e 3,8%. Adicionalmente, as exportações recuaram 7% e as importações
aumentaram 7,6%, resultando no 12º trimestre consecutivo em que o crescimento
foi ditado exclusivamente pelo mercado interno – da alta de 1,3% do PIB, ante o
quarto trimestre de 2007, a
demanda doméstica contribuiu com 3,2 p.p., enquanto o setor externo contribuiu
com -1,9 p.p.
48. Segundo
a pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio
SP), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou, em março, queda de
3,5% em relação a fevereiro, refletindo queda de 10,1% no Índice das Condições
Econômicas Atuais (Icea) e alta de 0,6% no Índice das Expectativas do
Consumidor (IEC). Em relação a março de 2008, o ICC apresentou redução de
13,3%, motivada, principalmente, pela retração de 24,8% do Icea.
49. A
Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV registrou queda de 4% no índice
de confiança do consumidor, em fevereiro, em relação ao mês anterior, atingindo
o menor nível da série iniciada em setembro de 2005. A retração ocorreu em
decorrência dos recuos de 5,6% no índice da situação presente (ISP) e de 3,2%
no índice de expectativas (IE). Quando comparado a fevereiro de 2008,
observa-se diminuição de 17,5% no ICC, resultado das quedas de 15,5% no ISP e
de 18,6% no IE.
50. Ainda
segundo a FGV, a confiança dos empresários da indústria manteve-se praticamente
estável nos dois primeiros meses de 2009, após queda no último trimestre do ano
passado, permanecendo em patamar inferior a 80 pontos. O Índice de Confiança da
Indústria (ICI) alcançou 76,3 pontos em fevereiro, após ajuste sazonal, com
elevação de 1 ponto em relação a janeiro. Pelo segundo mês consecutivo, o
índice com ajuste sazonal apresentou crescimento, indicando recuperação nas
expectativas positivas do empresariado em relação à atividade industrial.
Dentre seus componentes, também após ajuste sazonal, o índice de situação atual
(ISA) registrou 77,4 pontos, decréscimo de 0,9% em relação a janeiro, enquanto
o IE apresentou expansão de 3,7%, atingindo 75,2 pontos. Por categorias de uso,
todos os indicadores apresentaram elevação no mês, mas se mantiveram abaixo de
100 pontos. Bens de consumo destacaram-se por continuar sendo a categoria de uso
com maior nível de confiança e maior recuperação no mês, de 12,9 pontos, ante
4,1 pontos registrados pela indústria geral. Por gêneros industriais, o
segmento de material de transporte registrou a recuperação mais expressiva no ICI,
34,1 pontos, alcançando 83 pontos em fevereiro. Os setores de mecânica, papel e
celulose e outros produtos atingiram o menor patamar histórico da série. Em
relação a fevereiro de 2008, produtos alimentares e farmacêuticos apresentaram
as menores quedas no índice de confiança, de 11,3 pontos e 14,3 pontos,
respectivamente, enquanto a indústria geral apresentou retração de 24,6
pontos.
51. Conforme
a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pela FGV, o
Nuci atingiu 76,9% em fevereiro, 7,8 p.p. abaixo do registrado para o mesmo mês
do ano anterior, percentual equivalente a 77,5% na série dessazonalizada, 0,5
p.p. menor que o do mês anterior, tendo atingido, por esse último critério, o
menor índice da série histórica. Todas as categorias de uso apresentam queda em
relação a fevereiro do ano anterior, com destaque para a retração em bens de
capital, 15,2 p.p. Por gêneros industriais, apenas os índices relativos a
produtos alimentícios e produtos farmacêuticos e veterinários apresentaram
expansão em comparação com igual período do ano anterior, 0,6 p.p. e 0,4 p.p.,
respectivamente. Entre os setores com retrações no Nuci, destacaram-se
metalurgia (25,6 p.p.) e mecânica (20,4 p.p.), para o mesmo tipo de
comparação.
52. Segundo
o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, 101,7 mil postos
de trabalho formais foram eliminados em janeiro. Os dados dessazonalizados mostraram
declínio mensal de 0,2% no nível de emprego. Entre as atividades, a indústria
de transformação registrou o maior número de redução de postos de trabalho,
55,1 mil, seguida pelo comércio, com fechamento de 50,8 mil vagas. Os setores
de serviços e construção civil aumentaram o número de empregos no período em
0,08% e 0,06%, respectivamente, considerando dados dessazonalizados. Houve
aumento de 4,1% no número de postos de trabalho criados em doze meses até
janeiro, liderado pela construção civil, 10,8%, seguida pelos segmentos de
comércio, 5,4%, e serviços, 5,2%.
53. Conforme
a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa
de desemprego aberto em janeiro alcançou 8,2% da População Economicamente Ativa
(PEA), representando alta de 1,4 p.p. em relação ao mês anterior. Em relação a
janeiro de 2008, a
taxa registrou elevação de 0,2 p.p., primeiro crescimento na comparação
interanual desde outubro de 2006. Na série dessazonalizada, a taxa passou de
7,8% em dezembro para 8,6% em janeiro, refletindo quedas de 1,6% na ocupação e
de 0,1% na PEA.
54. A
ocupação, comparativamente a igual mês do ano anterior, cresceu 1,9%,
representando desaceleração em relação à média de expansão observada no ano
passado, 3,4%. A PEA registrou crescimento de 2,1% em relação a janeiro do ano
passado, pouco acima da taxa média de 1,8% verificada em 2008. O emprego com
carteira assinada diminuiu 1,3% entre dezembro e janeiro, significando 129 mil
postos de trabalho; o número de trabalhadores sem carteira e dos que trabalham
por conta própria diminuiu 127 mil (4,5%) e 88 mil (2,2%), respectivamente.
55. De
acordo com a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido
aumentou 2,2% em janeiro, ante dezembro, e 5,9% comparativamente ao mesmo mês
do ano anterior. A massa salarial real apresentou alta de 0,5% em janeiro, ante
o mês anterior, e 7,8% relativamente a janeiro de 2008.
56. Segundo
dados da CNI, o contingente de pessoal empregado na indústria de transformação
caiu 1,1% em janeiro, após queda de 0,5% em dezembro, o que resultou em
decréscimo de 1,1% no trimestre terminado em janeiro, relativamente ao
trimestre anterior, segundo a série dessazonalizada pelo Banco Central. Em
comparação com janeiro de 2008, o pessoal empregado caiu 0,1%, enquanto a massa
salarial real paga pelo setor industrial cresceu 2,1%.
57. O
saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.230 bilhões em
janeiro, com crescimento de 0,2% no mês e 30,1% em doze meses. Esse volume
representou 41,2% do PIB, ante 41,1% em dezembro e 34,2% em janeiro de 2008. As
operações com recursos livres declinaram 0,2% no mês e, em doze meses,
aumentaram 30,4%. Entre as operações de crédito com recursos livres, que
representam 70,8% do total do sistema financeiro, o saldo das operações com
pessoas físicas cresceu 1,3% no mês e 23,2% em doze meses, enquanto aquelas
realizadas com pessoas jurídicas recuaram 1,4% em janeiro, mantendo expansão de
37,2% em relação ao mesmo mês de 2008. As operações com recursos direcionados
registraram expansões de 1,1% no mês e de 29,5% em doze meses, com destaque
para os aumentos mensais de 1,9% nos financiamentos habitacionais e de 1,2% nos
financiamentos efetuados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES).
58. As
operações de arrendamento mercantil, no segmento pessoas físicas, continuam
perdendo dinamismo na margem, com a expansão em doze meses declinando de 116,3%
em outubro para 84,1% em janeiro. Considerada a segmentação por atividade
econômica, o saldo dos empréstimos à indústria registrou retração de 0,8% no
mês e expansão de 36,5% em doze meses.
59. A
taxa média de juros ativa, incidente sobre as operações de crédito
referenciais, situou-se em 42,4% a.a. em janeiro, ante 43,3% a.a. em dezembro e
37,3% a.a. janeiro de 2008.
A taxa média das operações com pessoas físicas decresceu
3 p.p. em relação a dezembro e atingiu 55,1%. Nos empréstimos contratados com
pessoas jurídicas, houve crescimento de 0,3 p.p. ante dezembro, alcançando 31%,
mas ainda inferior aos patamares observados em outubro e novembro, de 31,8% e
31,4%, respectivamente. Em janeiro de 2008, as taxas médias encontravam-se nos
níveis de 48,8% e 24,7%, respectivamente.
60. O
prazo médio das operações de crédito referenciais situou-se em 375 dias em
janeiro, ante 379 dias no mês anterior e 371 dias em janeiro de 2008. Nas
operações com pessoas jurídicas, o prazo médio atingiu 297 dias, enquanto nas
operações realizadas com pessoas físicas, 484 dias, ante 308 dias e 445 dias,
respectivamente, em janeiro de 2008.
61. A
taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais, correspondente a
atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 4,6% em janeiro, 0,2 p.p. maior
em relação ao mês correspondente de 2008. Por segmentos, as taxas relativas a
operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas alcançaram, respectivamente,
2% e 8,3%, comparativamente a 2% e 7,1% em janeiro de 2008.
62. A
taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, alcançou 7,8%
em fevereiro, ante 6,4% no mesmo mês do ano anterior.
63. O
cenário econômico mundial continua refletindo o agravamento da crise financeira
internacional, com impactos sobre o crédito e a atividade econômica global.
Nesse contexto, dados econômicos recentes apontam para contrações do consumo e
do investimento privado, aprofundamento da perda de dinamismo no comércio
internacional, aumento das taxas de desemprego e ampliação do hiato do produto.
A debilidade da demanda agregada nas economias maduras passou a contaminar,
também, as economias emergentes que ainda mostravam relativa resiliência. As
atuais condições de falta de liquidez e de degradação adicional das
perspectivas de crescimento configuram-se como o cenário mais provável para o
curto e médio prazo, o que contribui para que o sistema financeiro global
permaneça sob severo estresse.
64. Como
expressão desse quadro de recessão global, os preços da energia e das commodities mantiveram-se em patamares
baixos, o que se traduziu em reduções importantes nos índices de inflação. Nos
EUA, apesar de pequena alta na margem, o recuo dos preços da energia continuou
contribuindo para a diminuição da inflação que, de 5,6% nos doze meses
encerrados em julho de 2008, registrou 0,03% em janeiro de 2009. Não menos
expressivos são os recuos de preços nas demais economias maduras. Para o
período, as variações de preços recuaram de 2,3% para 0,0% no Japão, de 4,0%
para 1,1% na Área do Euro e de 5,2% para 3,0% no Reino Unido, nesse caso entre
setembro e janeiro.
65. Diante
do aprofundamento das restrições ao crédito, da crise nos sistemas financeiros
e do atual comportamento da inflação, os bancos centrais, tanto das economias
maduras quanto das economias emergentes, foram instados a aumentar o volume de
recursos injetados em seus sistemas financeiros e a aprofundar a flexibilização
de suas políticas monetárias, de modo a mitigar o risco de deflação, em
especial nas economias maduras e na China. Essa flexibilização também é
perceptível na América Latina, onde os bancos centrais de Colômbia, Chile,
México, Brasil e Peru têm dado prosseguimento aos ciclos de redução de juros.
Destaque-se que, nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Canadá, Suécia e
Suíça, onde os juros estão muito próximos a zero, os bancos centrais começaram
ou estudam começar compras diretas de títulos públicos ou privados de longo
prazo. Adicionalmente, diversas medidas de estímulo fiscal e monetário foram
editadas ou prorrogadas objetivando a normalização do consumo, do mercado
imobiliário e dos mercados financeiros globais. Por exemplo, nos EUA, foram
anunciados ou lançados programas de empréstimos a bancos para estimular o
consumo privado e a atividade de pequenas empresas, o que se soma a novos
planos tanto de estímulo fiscal quanto de apoio ao sistema financeiro.
Comércio exterior e reservas internacionais
66. A
balança comercial alcançou superávit de US$1,8 bilhão em fevereiro, totalizando
US$1,2 bilhão no primeiro bimestre de 2009. No mês, as exportações somaram
US$9,6 bilhões e as importações, US$7,8 bilhões, com retrações respectivas de
20,9% e 30,9%, comparativamente a fevereiro de 2008, consideradas as médias
diárias. A corrente de comércio atingiu US$17,4 bilhões em fevereiro, com
declínio de 25,8% pelas médias diárias, em relação a igual mês do ano anterior.
67. Os
recuos nas exportações e nas importações no primeiro bimestre, 21,9% e 21,6%,
respectivamente, refletem o arrefecimento da atividade econômica mundial e
doméstica, que supera os prognósticos iniciais, trazendo preocupações quanto ao
desempenho do comércio mundial para 2009.
68. As
reservas internacionais, no conceito de liquidez, somaram US$199,4 bilhões em
fevereiro, com diminuição de US$1,4 bilhão em relação ao mês anterior. No
conceito caixa, totalizaram US$186,9 bilhões, com redução de US$1,2 bilhão em
relação à posição do final de janeiro.
Mercado monetário e operações de mercado
aberto
69. No
período posterior à reunião do Copom de janeiro e até o início do mês de março,
as taxas de juros futuros para prazos de até um ano apresentaram recuo
expressivo. Esse movimento foi influenciado, no âmbito doméstico, pela
divulgação de dados indicando forte retração da atividade econômica e
enfraquecimento do mercado de trabalho, bem como pela melhora dos índices de inflação
corrente e das expectativas inflacionárias. As taxas de longo prazo encerraram
o período apresentando redução menos intensa, influenciadas principalmente pela
manutenção das incertezas quanto aos rumos da economia global. Entre 19 de
janeiro e 9 de março, as taxas de juros de um, de três e de seis meses
recuaram, respectivamente, 1,43 p.p., 1,54 p.p. e 1,48 p.p. As taxas para os
prazos de um, dois e três anos cederam 1,16 p.p., 0,88 p.p. e 0,45 p.p.,
respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa
nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze
meses, caiu de 6,25% em 19 de janeiro, para 5,51% em 9 de março.
70. Na
administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central
realizou, no período de 20 de janeiro a 9 de março, operações compromissadas
longas, tomando recursos por prazos de cinco e de sete meses. O saldo diário
médio do estoque dessas operações foi de R$41,1 bilhões, dos quais R$26,2
bilhões em operações de sete meses. No mesmo período, foram realizadas
operações compromissadas de 33 e de dezesseis dias úteis em 22 de janeiro, de
26 dias úteis em 2 de fevereiro, de 21 dias úteis em 9 de fevereiro e de dezesseis
dias úteis em 16 de fevereiro. Essas operações retiraram do mercado R$207,1
bilhões, R$23,9 bilhões, R$2,5 bilhões, R$11,4 bilhões e R$20,9 bilhões,
respectivamente, levando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto
prazo ao montante de R$237,9 bilhões. O Banco Central atuou ainda em 33
oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de
curtíssimo prazo; e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com
prazos de um e de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas
as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$105,3 bilhões no
período considerado.
71. No
período de 20 de janeiro a 9 de março, o Banco Central realizou leilões de swap cambial tradicional destinados à
rolagem dos vencimentos de 2 de fevereiro e 2 de março. O total dessas operações
alcançou o montante equivalente a US$13,8 bilhões.
72. Entre
20 de janeiro e 9 de março, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos
leilões tradicionais somaram R$37,4 bilhões. A colocação de títulos de
remuneração prefixada alcançou R$20,0 bilhões, sendo R$19,0 bilhões em Letras
do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2009, 2010 e 2011 e R$1,0 bilhão em
Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2013 e 2017. As
vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$14,3 bilhões, com a
emissão de títulos de vencimento em 2012, 2013 e 2015. Nos leilões de Notas do
Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos de vencimento em
2011, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$3,1 bilhões.
73. No
mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN com vencimento em
outubro de 2009 e abril de 2010 conjugada à compra de LTN de vencimento em
abril de 2009, em um total de R$1,5 bilhão; e leilões de venda de LFT de
vencimento em setembro de 2013 conjugada à compra de LFT de vencimento em março
e em junho de 2009, que somaram R$1,0 bilhão. As vendas de NTN-B liquidadas
mediante a entrega de outros títulos somaram R$3,4 bilhões e envolveram títulos
de vencimento em 2011, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou,
também, leilões de compra de LTN, de NTN-B e de NTN-F que alcançaram R$1,0
bilhão, R$0,4 bilhão e R$83 mil, respectivamente.