Ata da 217ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central do Brasil
18 e 19 de setembro de 2018
Banco Central do Brasil
217ª Reunião do Copom
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Data: 18 e 19/9/2018
Local: Salas de reuniões do andar (18/9) e do 20º andar (19/9) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início e de término das sessões: 18/9: 10h08 11h59; 14h33 17h09
19/9: 14h 18h
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Carlos Viana de Carvalho
Carolina de Assis Barros
Maurício Costa de Moura
Otávio Ribeiro Damaso
Paulo Sérgio Neves de Souza
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 18/9)
Alan da Silva Andrade Mendes Departamento das Reservas Internacionais
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 19/9)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 18/9)
Daniela Pires Ramos de Alcântara Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão
de Riscos Corporativos
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secretário do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da
Diretoria
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabia Aparecida de Carvalho Chefe Adjunta do Departamento de Estudos e Pesquisas
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe do Departamento de Estatísticas
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Presidente
Ricardo Eyer Harris Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação
Rogério Antônio Lucca Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. Indicadores recentes da atividade econômica
evidenciam recuperação da economia brasileira, em
ritmo mais gradual que o vislumbrado no início do ano.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da indústria
e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo permanece desafiador, com
redução do apetite ao risco em relação a economias
emergentes. Os principais riscos seguem associados à
normalização das taxas de juros em algumas economias
avançadas e a incertezas referentes ao comércio global.
4. Diversas medidas de inflação subjacente se
encontram em níveis apropriados, inclusive os
componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à
política monetária.
5. As expectativas de inflação para 2018 e 2019
apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno
de 4,1%. As expectativas para 2020 e 2021 situam-se
em torno de 4,0% e 3,9%, respectivamente.
6. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do
Copom situam-se em torno de 4,1% para 2018 e de
4,0% para 2019. Esse cenário supõe, entre outras
hipóteses, trajetória de juros que encerra 2018 em
6,50% a.a. e 2019 em 8,0% a.a. e de taxa de câmbio que
termina 2018 e 2019 em R$3,83/US$ e R$3,75/US$,
respectivamente. Nesse cenário, as projeções para a
inflação de preços administrados são de 7,7% para
2018 e de 5,4% para 2019.
7. No cenário com taxa de juros constante em 6,50%
a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,15/US$
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, as
projeções para a inflação do Copom situam-se em torno
de 4,4% para 2018 e 4,5% para 2019. Nesse cenário, as
projeções para a inflação de preços administrados são
de 8,3% para 2018 e de 5,7% para 2019.
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A menos de menção explícita em contrário, esta atualização
leva em conta as mudanças ocorridas desde a reunião do
Copom em agosto (216ª reunião).
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
8. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
9. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode
produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado.
10. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas
sobre a continuidade das reformas e ajustes
necessários na economia brasileira pode afetar prêmios
de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte
relevante para a política monetária. Esse risco se
intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário
externo para economias emergentes. O Comitê julga
que esses últimos riscos se elevaram.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
11. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações disponíveis.
Após o impacto da paralisação no setor de transportes
ocorrida no final de maio, os indicadores e informações
disponíveis apontam para continuidade do processo de
recuperação da economia brasileira. Esse cenário
contempla continuidade do referido processo, em
ritmo mais gradual que o antecipado no início do ano.
12. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê ponderaram que o cenário se
mantém desafiador para economias emergentes. O
cenário básico do Comitê contempla normalização
gradual da política monetária nos países centrais. Os
membros do Copom mencionaram também os riscos
associados à continuidade da expansão do comércio
internacional, com possíveis impactos sobre o
crescimento global. Nesse contexto, os membros do
Copom voltaram a destacar a capacidade que a
economia brasileira apresenta de absorver revés no
cenário internacional, devido à situação robusta de seu
balanço de pagamentos e ao ambiente com
expectativas de inflação ancoradas e perspectiva de
recuperação econômica. Não obstante, os membros do
Copom ponderaram sobre os riscos associados a
possível deterioração do cenário para economias
emergentes num contexto de frustração das
expectativas sobre as reformas e ajustes necessários na
economia brasileira.
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Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a
cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco
dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do
Copom.
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13. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação no curto prazo. Todos concordaram que a
inflação nos meses de julho e agosto e as projeções
para os meses seguintes corroboram a visão de que os
efeitos da paralisação no setor de transportes de
cargas ocorrida em maio foram temporários.
14. Os membros do Comitê pontuaram que nos últimos
meses as diversas medidas de inflação subjacente se
elevaram a partir de níveis julgados baixos, atingindo
níveis apropriados ou seja, de modo geral
consistentes com as metas para a inflação. É possível
que os ajustes de preços relativos ocorridos
recentemente, em contexto com expectativas
ancoradas, tenham contribuído para elevar a inflação
para níveis compatíveis com as metas, sem constituir
risco para a manutenção nesses níveis após concluídos
os referidos ajustes. Entretanto, os membros do
Comitê reforçaram a importância de acompanhar a
evolução da trajetória prospectiva da inflação no médio
e longo prazos, além da ancoragem das expectativas de
inflação, visando avaliar o possível impacto mais perene
de choques sobre a inflação (i.e., seus efeitos
secundários).
15. O Comitê reiterou o entendimento de que, com
expectativas de inflação ancoradas, eventuais choques
que produzam ajustes de preços relativos devem ter
apenas seus efeitos secundários combatidos pela
política monetária. Destacou, também, que sua reação
a possíveis mudanças de preços relativos será simétrica,
ou seja, a política monetária seguirá os mesmos
princípios tanto diante de choques inflacionários (como
no caso de choques que produzam depreciação
cambial) quanto desinflacionários (como no caso de um
choque favorável nos preços de alimentos). O Copom
enfatiza que essa prescrição requer manutenção do
ambiente com expectativas ancoradas.
16. Reiterado de que forma a política monetária deve
reagir a choques que produzam ajustes de preços
relativos, os membros do Comitê discutiram o grau de
repasse cambial na economia brasileira. Avaliaram que,
com exceção de alguns preços administrados, o nível de
repasse tem se mostrado contido. Ponderaram,
entretanto, que a intensidade do repasse de
movimentos no câmbio para a inflação depende de
vários fatores, como, por exemplo, do nível de
ociosidade da economia e da ancoragem das
expectativas de inflação. O Comitê continuará
acompanhando diferentes medidas de repasse cambial,
inclusive para medidas de inflação subjacente.
17. Os membros do Comitê avaliaram que a conjuntura
econômica com expectativas de inflação ancoradas,
medidas de inflação subjacente em níveis apropriados,
projeções de inflação próximas da meta para 2019 e
elevado grau de ociosidade na economia ainda
prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com
taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Embora
estimativas dessa taxa envolvam elevado grau de
incerteza, os membros do Comitê manifestaram
entendimento de que as atuais taxas de juros reais ex-
ante têm efeito estimulativo sobre a economia.
18. Os membros do Copom debateram também as
condicionalidades que prescreveriam política
monetária estimulativa. Todos concordaram que o grau
de estímulo adequado depende das condições da
conjuntura, em particular, das expectativas de inflação,
da capacidade ociosa na economia, do balanço de riscos
e das projeções de inflação. Em especial, a provisão de
estímulo monetário requer ambiente com expectativas
de inflação ancoradas. O Comitê avaliou que esse
estímulo deve ser removido gradualmente caso o
cenário prospectivo para a inflação no horizonte
relevante para a política monetária e/ou seu balanço de
riscos apresentem piora.
19. O Copom reitera sua visão de que a continuidade do
processo de reformas e ajustes necessários na
economia brasileira é essencial para a queda da sua
taxa de juros estrutural, cujas estimativas serão
continuamente reavaliadas pelo Comitê.
20. Na sequência, os membros do Copom avaliaram a
evolução do cenário básico e do balanço de riscos desde
sua reunião em agosto (216ª reunião) e a decisão de
política monetária adequada tendo em vista essa
evolução.
21. Julgaram que a conjuntura evoluiu em linha com
seu cenário básico. Em relação ao balanço de riscos para
a inflação, por um lado, avaliou-se que o risco baixista
decorrente da inércia do nível baixo de inflação no
passado recente se dissipou. Não obstante,
ponderaram que a manutenção de elevado grau de
ociosidade na economia constitui risco baixista para a
inflação prospectiva. Por outro lado, discutiu-se a
importância da continuidade do processo de ajustes e
reformas na economia brasileira e o risco associado a
deterioração do cenário para economias emergentes.
Contemplando os dois lados do balanço de riscos, os
membros do Copom concluíram que o balanço mostra-
se assimétrico, tendo em vista que os últimos riscos
destacados se elevaram.
22. Ao fim das avaliações, todos os membros do Copom
concordaram com a decisão de manter a taxa Selic em
6,50% a.a.
23. O Copom debateu, então, a conveniência de
sinalização sobre a evolução futura da política
monetária. Todos avaliaram que o nível de incerteza da
atual conjuntura gera necessidade de maior
flexibilidade para condução da política monetária, o
que recomenda abster-se de fornecer indicações sobre
seus próximos passos. Os membros do Copom
ponderaram, entretanto, que se torna importante
reforçar o seu compromisso de conduzir a política
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217ª Reunião do Copom
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monetária visando manter a trajetória da inflação em
linha com as metas. Isso requer a flexibilidade para
ajustar gradualmente a condução da política monetária
quando e se houver necessidade. Essa capacidade de
resposta a distintas circunstâncias contribui para a
manutenção do ambiente com expectativas ancoradas,
o que é fundamental para garantir que a conquista da
inflação baixa perdure, mesmo diante de choques
adversos.
24. Os membros do Copom reiteraram a importância
de reafirmar a atuação da política monetária
exclusivamente com foco na evolução das projeções e
expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da
atividade econômica. Choques de preços relativos
devem ser combatidos apenas no impacto secundário
que poderão ter na inflação prospectiva. Em particular,
reiteraram a importância de insistir na comunicação de
que não há relação mecânica entre choques recentes e
a política monetária.
25. Os membros do Comitê voltaram a afirmar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor transmite
a racionalidade econômica que guia suas decisões. Isso
contribui para aumentar a transparência e melhorar a
comunicação do Copom. Nesse contexto, voltaram a
ressaltar que os próximos passos na condução da
política monetária continuarão dependendo da
evolução da atividade econômica, do balanço de riscos
e das projeções e expectativas de inflação.
26. Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar
que a aprovação e implementação das reformas,
notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na
economia brasileira são fundamentais para a
sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros estrutural
da economia, com amplos benefícios para a sociedade.
O Comitê ressalta ainda que a percepção de
continuidade da agenda de reformas afeta as
expectativas e projeções macroeconômicas correntes.
27. Os membros do Copom destacaram também a
importância de outras iniciativas que visam aumento de
produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade
da economia e melhoria do ambiente de negócios.
Esses esforços são fundamentais para a retomada da
atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
28. Considerando o cenário básico, o balanço de riscos
e o amplo conjunto de informações disponíveis, o
Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da
taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende
que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço
de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com
a convergência da inflação para a meta no horizonte
relevante para a condução da política monetária, que
inclui o ano-calendário de 2019.
29. O Comitê enfatiza que a continuidade do processo
de reformas e ajustes necessários na economia
brasileira é essencial para a manutenção da inflação
baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de
juros estrutural e para a recuperação sustentável da
economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de
continuidade da agenda de reformas afeta as
expectativas e projeções macroeconômicas correntes.
30. O Copom entende que deve pautar sua atuação
com foco na evolução das projeções e expectativas de
inflação, do seu balanço de riscos e da atividade
econômica. Choques que produzam ajustes de preços
relativos devem ser combatidos apenas no impacto
secundário que poderão ter na inflação prospectiva
(i.e., na propagação a preços da economia não
diretamente afetados pelo choque). É por meio desses
efeitos secundários que esses choques podem afetar as
projeções e expectativas de inflação e alterar o balanço
de riscos. Esses efeitos podem ser mitigados pelo grau
de ociosidade na economia e pelas expectativas de
inflação ancoradas nas metas. Portanto, não há relação
mecânica entre choques recentes e a política
monetária.
31. O Copom reitera que a conjuntura econômica ainda
prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com
taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Esse estímulo
começará a ser removido gradualmente caso o cenário
prospectivo para a inflação no horizonte relevante para
a política monetária e/ou seu balanço de riscos
apresentem piora.
32. Na avaliação do Copom, a evolução do cenário
básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da
taxa Selic no nível vigente. O Copom ressalta que os
próximos passos da política monetária continuarão
dependendo da evolução da atividade econômica, do
balanço de riscos e das projeções e expectativas de
inflação.
33. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de
Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de
Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de
Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e
Tiago Couto Berriel.