Ata da 216ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central do Brasil
31 de julho e de agosto de 2018
Banco Central do Brasil
216ª Reunião do Copom
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Data: 31/7/2018 e 1/8/2018
Local: Salas de reuniões do andar (31/7) e do 20º andar (1/8) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início e de término das sessões: 31/7: 10h16 12h00; 14h34 17h36
1/8: 14h 18h
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Carlos Viana de Carvalho
Carolina de Assis Barros
Maurício Costa de Moura
Otávio Ribeiro Damaso
Paulo Sérgio Neves de Souza
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 31/7)
Alan da Silva Andrade Mendes Departamento das Reservas Internacionais
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 1/8)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 31/7)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
André Luiz Caccavo Miguel Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabia Aparecida de Carvalho Chefe Adjunta do Departamento de Estudos e Pesquisas
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Presidente
Renato Baldini Junior Chefe do Departamento de Estatísticas
Ricardo Eyer Harris Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação
Rogério Antônio Lucca Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. Indicadores recentes da atividade econômica
refletem os efeitos da paralisação no setor de
transporte de cargas, mas há evidências de recuperação
subsequente. O cenário básico contempla continuidade
do processo de recuperação da economia brasileira, em
ritmo mais gradual do que aquele esperado antes da
paralisação.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da indústria
e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo apresentou certa acomodação no
período recente, mas segue mais desafiador. Os
principais riscos estão associados à normalização das
taxas de juros em algumas economias avançadas e a
incertezas referentes ao comércio global. O apetite ao
risco em relação a economias emergentes manteve-se
relativamente estável, em nível aquém do observado
no início do ano.
4. A inflação do mês de junho refletiu os efeitos altistas
significativos da paralisação no setor de transporte de
cargas e de outros ajustes de preços relativos. Dados
recentes corroboram a visão de que esses efeitos
devem ser temporários. As medidas de inflação
subjacente ainda seguem em níveis baixos, inclusive os
componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à
política monetária.
5. As expectativas de inflação para 2018 e 2019
apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno
de 4,1%. As expectativas para 2020 e 2021 situam-se
em torno de 4,0%.
6. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do
Copom situam-se em torno de 4,2% para 2018 e de
3,8% para 2019. Esse cenário supõe, entre outras
hipóteses, trajetória de juros que encerra 2018 em
6,50% a.a. e 2019 em 8,0% a.a. e de taxa de câmbio que
termina 2018 e 2019 em R$3,70/US$. Nesse cenário, as
projeções para a inflação de preços administrados são
de 7,2% para 2018 e de 4,8% para 2019.
7. No cenário com taxa de juros constante em 6,50%
a.a. e taxa de câmbio constante a R$3,75/US$
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, as
projeções para a inflação do Copom situam-se em torno
1
A menos de menção explícita em contrário, esta atualização
leva em conta as mudanças ocorridas desde a reunião do
Copom em junho (215ª reunião).
de 4,2% para 2018 e 4,1% para 2019. Nesse cenário, as
projeções para a inflação de preços administrados são
de 7,4% para 2018 e de 5,0% para 2019.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
8. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
9. Por um lado, a (i) a possível propagação, por
mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação
passada e o nível de ociosidade ainda elevado podem
produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado.
10. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas
sobre a continuidade das reformas e ajustes
necessários na economia brasileira pode afetar prêmios
de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte
relevante para a política monetária. Esse risco se
intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário
externo para economias emergentes. O Comitê julga
que esses últimos riscos permanecem em níveis mais
elevados.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
11. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações disponíveis.
Dados referentes ao mês de maio refletem os efeitos
da paralisação no setor de transportes ocorrida no final
daquele mês. Indicadores disponíveis desde então
apontam para recuperação subsequente, embora
alguns indicadores referentes a junho ainda possam
sofrer influência da referida paralisação. O cenário
básico do Copom contempla continuidade do processo
de recuperação da economia brasileira, embora em
ritmo mais gradual que o estimado antes da referida
paralisação.
12. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê ponderaram que houve certa
acomodação das condições financeiras nos mercados
internacionais, mas o cenário se mantém mais
desafiador. O cenário básico do Comitê contempla
normalização gradual da política monetária nos países
centrais. risco de um impacto adicional desse
processo sobre economias emergentes, o que poderá
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Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a
cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco
dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do
Copom.
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reforçar os ajustes em preços de ativos e a volatilidade
nas condições financeiras no mercado internacional. Os
membros do Comitê mencionaram também a
intensificação dos riscos associados à continuidade da
expansão do comércio internacional, com possíveis
impactos sobre o crescimento global. Nesse contexto,
os membros do Copom voltaram a destacar a
capacidade que a economia brasileira apresenta de
absorver revés no cenário internacional, devido à
situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao
ambiente com inflação baixa no passado recente,
expectativas de inflação ancoradas e perspectiva de
recuperação econômica. Não obstante, os membros do
Copom ponderaram sobre os riscos gerados por
possível deterioração adicional do cenário para
economias emergentes num contexto de frustração
das expectativas sobre as reformas e ajustes
necessários na economia brasileira.
13. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação no curto prazo. Todos concordaram que a
inflação no mês de junho refletiu os efeitos altistas
significativos da paralisação no setor de transportes e
outros ajustes de preços relativos. Projeções de
inflação para julho e agosto corroboram a visão de que
os efeitos desses choques devem ser temporários.
14. Os membros do Comitê pontuaram que as diversas
medidas de inflação subjacente se situavam em níveis
baixos antes da ocorrência desses choques e que um
ajuste de preços relativos em contexto com
expectativas ancoradas poderá contribuir para a
convergência da inflação para as metas, sem constituir
risco para a manutenção de sua dinâmica favorável
após concluídos esses ajustes. Entretanto, julgaram
que cabe acompanhar a evolução da trajetória
prospectiva da inflação no médio e longo prazos, além
da ancoragem das expectativas de inflação, visando
avaliar o possível impacto mais perene de choques
tanto ocorridos quanto outros que porventura
possam vir a ocorrer sobre a inflação (i.e., seus efeitos
secundários).
15. O Comitê reiterou o entendimento de que, com
expectativas de inflação ancoradas, eventuais choques
que produzam ajustes de preços relativos devem ter
apenas seus efeitos secundários combatidos pela
política monetária. Destacou, também, que sua reação
a possíveis mudanças de preços relativos será simétrica,
ou seja, a política monetária seguirá os mesmos
princípios tanto diante de choques inflacionários (como
no caso de um choque externo que produza
depreciação cambial) quanto desinflacionários (como
no caso de um choque favorável nos preços de
alimentos). O Copom enfatiza que essa prescrição
requer manutenção do ambiente com expectativas
ancoradas.
16. Reiterado de que forma a política monetária deve
reagir a choques que produzam ajustes de preços
relativos, os membros do Comitê discutiram o grau de
repasse cambial na economia brasileira. Concluíram
que a intensidade do repasse depende de vários
fatores, como, por exemplo, do nível de ociosidade da
economia e da ancoragem das expectativas de inflação.
O Comitê acompanhará as diferentes medidas de
repasse cambial, tanto para a inflação quanto para
medidas de inflação subjacente.
17. Os membros do Comitê avaliaram que a conjuntura
econômica com expectativas de inflação ancoradas,
medidas de inflação subjacente em níveis baixos,
projeções de inflação ligeiramente abaixo da meta para
2019 e elevado grau de ociosidade na economia
prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com
taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Embora
estimativas dessa taxa envolvam elevado grau de
incerteza, os membros do Comitê manifestaram
entendimento de que as atuais taxas de juros reais ex-
ante têm efeito estimulativo sobre a economia.
18. Os membros do Copom debateram também as
condicionalidades que prescreveriam política
monetária estimulativa. Todos concordaram que o grau
de estímulo adequado depende das condições da
conjuntura, em particular, das expectativas de inflação,
da capacidade ociosa na economia, do balanço de riscos
e das projeções de inflação.
19. O Copom enfatiza que a continuidade do processo
de reformas e ajustes necessários na economia
brasileira é essencial para a queda da sua taxa de juros
estrutural, cujas estimativas serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
20. Na sequência, os membros do Copom avaliaram a
evolução do cenário básico e do balanço de riscos desde
sua reunião em junho (215ª reunião) e a decisão de
política monetária adequada tendo em vista essa
evolução.
21. Contemplaram os efeitos da paralisação no setor
de transporte de cargas sobre a conjuntura.
Concordaram que esses efeitos estão se revelando
temporários. Não obstante, discutiram possíveis
efeitos mais perenes dos choques enfrentados pela
economia brasileira. Nesse contexto, reforçaram a
importância de acompanhar ao longo do tempo a
evolução do cenário básico e seus riscos e de avaliar a
perenidade dos efeitos dos choques sobre a inflação
(i.e., seus efeitos secundários) de forma a garantir que
a conquista da inflação baixa perdure, mesmo diante de
choques adversos.
22. Em relação ao balanço de riscos para a inflação, por
um lado, avaliou-se que diminuiu o risco baixista
decorrente do nível baixo de inflação no passado
recente. Não obstante, a manutenção de elevado grau
de ociosidade na economia também constitui risco
baixista para a inflação. Por outro lado, discutiu-se a
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216ª Reunião do Copom
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importância da continuidade do processo de ajustes e
reformas na economia brasileira e o risco associado a
deterioração do cenário para economias emergentes. O
Copom avalia que esses últimos riscos permanecem em
níveis mais elevados.
23. Ao fim das avaliações, todos os membros do Copom
concordaram com a decisão de manter a taxa Selic em
6,50% a.a.
24. O Copom debateu, então, a conveniência de
sinalização sobre a evolução futura da política
monetária. Todos avaliaram que, na ausência de
choques adicionais, o cenário inflacionário deve
revelar-se confortável. Entretanto, o maior nível de
incerteza da atual conjuntura gera necessidade de
maior flexibilidade para condução da política
monetária, o que recomenda abster-se de fornecer
indicações sobre os próximos passos da política
monetária.
25. Os membros do Copom reiteraram a importância
de reafirmar a atuação da política monetária
exclusivamente com foco na evolução das projeções e
expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da
atividade econômica. Choques de preços relativos
devem ser combatidos apenas no impacto secundário
que poderão ter na inflação prospectiva. Em particular,
reiteraram a importância de insistir na comunicação de
que não há relação mecânica entre choques recentes e
a política monetária.
26. Os membros do Comitê voltaram a afirmar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor transmite
a racionalidade econômica que guia suas decisões. Isso
contribui para aumentar a transparência e melhorar a
comunicação do Copom. Nesse contexto, voltaram a
ressaltar que os próximos passos na condução da
política monetária continuarão dependendo da
evolução da atividade econômica, do balanço de riscos
e das projeções e expectativas de inflação.
27. Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar
que a aprovação e implementação das reformas,
notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na
economia brasileira são fundamentais para a
sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros estrutural
da economia, com amplos benefícios para a sociedade.
O Comitê ressalta ainda que a percepção de
continuidade da agenda de reformas afeta as
expectativas e projeções macroeconômicas correntes.
28. Os membros do Copom destacaram também a
importância de outras iniciativas que visam aumento de
produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade
da economia e melhoria do ambiente de negócios.
Esses esforços são fundamentais para a retomada da
atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
29. Considerando o cenário básico, o balanço de riscos
e o amplo conjunto de informações disponíveis, o
Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da
taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende
que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço
de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com
a convergência da inflação para a meta no horizonte
relevante para a condução da política monetária, que
inclui o ano-calendário de 2019.
30. O Copom reitera que a conjuntura econômica
prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com
taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
31. O Comitê enfatiza que a continuidade do processo
de reformas e ajustes necessários na economia
brasileira é essencial para a manutenção da inflação
baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de
juros estrutural e para a recuperação sustentável da
economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de
continuidade da agenda de reformas afeta as
expectativas e projeções macroeconômicas correntes.
32. O Copom entende que deve pautar sua atuação
com foco na evolução das projeções e expectativas de
inflação, do seu balanço de riscos e da atividade
econômica. Choques que produzam ajustes de preços
relativos devem ser combatidos apenas no impacto
secundário que poderão ter na inflação prospectiva
(i.e., na propagação a preços da economia não
diretamente afetados pelo choque). É por meio desses
efeitos secundários que esses choques podem afetar as
projeções e expectativas de inflação e alterar o balanço
de riscos. Esses efeitos podem ser mitigados pelo grau
de ociosidade na economia e pelas expectativas de
inflação ancoradas nas metas. Portanto, não há relação
mecânica entre choques recentes e a política
monetária.
33. O Comitê considera que os efeitos dos choques
recentes sobre a inflação estão se revelando
temporários, mas é importante acompanhar ao longo
do tempo o cenário básico e seus riscos e avaliar o
possível impacto mais perene de choques sobre a
inflação (i.e., seus efeitos secundários).
34. Na avaliação do Copom, a evolução do cenário
básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da
taxa Selic no nível vigente. O Copom ressalta que os
próximos passos da política monetária continuarão
dependendo da evolução da atividade econômica, do
Banco Central do Brasil
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6
balanço de riscos e das projeções e expectativas de
inflação.
35. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de
Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de
Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de
Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e
Tiago Couto Berriel.