{"conteudo":[{"titulo":"Copom reduz a taxa Selic para  13,75% a.a.","Id":21261,"urlImg":{"Description":"Copom reduz a taxa Selic para  13,75% a.a.","Url":"https://www.bcb.gov.br/content/home/notas-img/manchete/MANCHETE_SITE_EXTERNO_copom_META_selic_09_set_2026.jpg"},"dataPublicacao":"2026-09-16T21:32:02Z","ultimaAtualizacao":"2026-09-16T22:03:38Z","corpo":"<div class=\"ExternalClassF35B12AAC5054C578C032D0BBD411FC9\"><p>​O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e <em>commodities</em>.</p><p>Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta. </p><p>As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,3%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência (Tabela 1).</p><p>Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das <em>commodities</em> com efeitos desinflacionários.</p><p>O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação.</p><p>Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.</p><p>O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.</p><p>&#160;O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.</p><p>Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê&#58; Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Tabela 1</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Projeções de inflação no cenário de referência</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)</p><table cellspacing=\"0\" width=\"100%\" class=\"ms-rteTable-default\"><tbody><tr><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">Índice de preços</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">2026</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">2027</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">1º tri 2028</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA</td><td class=\"ms-rteTable-default\">5,2</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,9</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,2</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA livres</td><td class=\"ms-rteTable-default\">5,2</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,1</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,2</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA administrados</td><td class=\"ms-rteTable-default\">5,3</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,5</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,2</td></tr></tbody></table><p style=\"text-align&#58;justify;\">&#160;</p><p><sub>No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,15/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela&quot; em dezembro de 2026 e de 2027. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.</sub></p><p><br></p></div>"}]}