{"conteudo":[{"nro_reuniao":276,"dataReferencia":"2026-01-28","titulo":"Copom mantém a taxa Selic em 15,00% a.a.","textoComunicado":"<div class=\"ExternalClass9442208121454FA5A6215E6A06D0CEA1\"><p style=\"text-align&#58;justify;\">O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica. </p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação. </p><p style=\"text-align&#58;justify;\">As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência (Tabela 1).</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das <em>commodities</em> com efeitos desinflacionários.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê&#58; Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Tabela 1</strong></p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Projeções de inflação no cenário de referência</strong></p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)</strong></p><table cellspacing=\"0\" width=\"100%\" class=\"ms-rteTable-default\"><tbody><tr><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;33.3333%;\">Índice de preços</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;33.3333%;\">2026</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;33.3333%;\">3º tri 2027</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,4</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,2</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA livres</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,5</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,1</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA administrados</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,0</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,3</td></tr></tbody></table><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>​&#160;</strong></p><p><sub>No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,35/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela&quot; em dezembro de 2026 e de 2027. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.&#160;</sub></p><p><br></p></div>"}]}