{"conteudo":[{"nro_reuniao":269,"dataReferencia":"2025-03-19","titulo":"Copom eleva a taxa Selic para 14,25% a.a.","textoComunicado":"<div class=\"ExternalClassAE4A4113CD704413AF90A342CE3ED605\"><p style=\"text-align&#58;justify;\">​O ambiente externo permanece desafiador em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente pela incerteza acerca de sua política comercial e de seus efeitos. Esse contexto tem gerado ainda mais dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed e acerca do ritmo de crescimento nos demais países. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário externo segue exigindo cautela por parte de países emergentes.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem apresentado dinamismo, ainda que sinais sugiram uma incipiente moderação no crescimento. A inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação e novamente apresentaram elevação nas divulgações mais recentes.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus elevaram-se de forma relevante e situam-se em 5,7% e 4,5%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,9% no cenário de referência (Tabela 1).</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Persiste uma assimetria altista no balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) impactos sobre o cenário de inflação de uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada; e (ii) um cenário menos inflacionário para economias emergentes decorrente de choques sobre o comércio internacional e sobre as condições financeiras globais.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O Comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida segue impactando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes. </p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O cenário mais recente é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, o que exige uma política monetária mais contracionista. </p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O Copom então decidiu elevar a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 14,25% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Diante da continuidade do cenário adverso para a convergência da inflação, da elevada incerteza e das defasagens inerentes ao ciclo de aperto monetário em curso, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de menor magnitude na próxima reunião. Para além da próxima reunião, o Comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê&#58; Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">&#160;</p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Tabela 1</strong></p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Projeções de inflação no cenário de referência</strong></p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)</strong></p><table cellspacing=\"0\" width=\"100%\" class=\"ms-rteTable-default\"><tbody><tr><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;33.3333%;\">Índice de preços</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;33.3333%;\">2025</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;33.3333%;\">3º tri 2026</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA</td><td class=\"ms-rteTable-default\">5,1</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,9</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA livres</td><td class=\"ms-rteTable-default\">5,4</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,8</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA administrados</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,3</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,2</td></tr></tbody></table><p style=\"text-align&#58;justify;\"><sub>No</sub><sub> cenário de referência, </sub><sub>a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,80/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “verde&quot; em dezembro de 2025. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.&#160;</sub></p><p><br></p></div>"}]}