{"conteudo":[{"nro_reuniao":267,"dataReferencia":"2024-12-11","titulo":"Copom eleva a taxa Selic para 12,25% a.a.","textoComunicado":"<div class=\"ExternalClassEE64962C35814FC880A548926AED95D2\"><p style=\"text-align&#58;justify;\">O ambiente externo permanece desafiador, em função, principalmente, da conjuntura econômica nos Estados Unidos, o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário externo segue exigindo cautela por parte de países emergentes.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho segue apresentando dinamismo, com destaque para a divulgação do PIB do terceiro trimestre, que indicou abertura adicional do hiato. A inflação cheia e as medidas subjacentes têm se situado acima da meta para a inflação e apresentaram elevação nas divulgações mais recentes.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">As expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus elevaram-se de forma relevante e encontram-se em torno de 4,8% e 4,6%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 4,0% no cenário de referência (Tabela 1).</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Em função da materialização de riscos, o Comitê avalia que o cenário se mostra menos incerto e mais adverso do que na reunião anterior. Persiste, no entanto, uma assimetria altista no balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e (ii) os impactos do aperto monetário sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O Comitê tem acompanhado com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o recente anúncio fiscal afetou, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio. Avaliou-se que tais impactos contribuem para uma dinâmica inflacionária mais adversa. </p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O cenário mais recente é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, elevação das projeções de inflação, dinamismo acima do esperado na atividade e maior abertura do hiato do produto, o que exige uma política monetária ainda mais contracionista. </p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O Copom então decidiu realizar um ajuste de maior magnitude, elevando a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 12,25% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Diante de um cenário mais adverso para a convergência da inflação, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões. A magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos. </p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê&#58; Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Gabriel Muricca Galípolo, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">&#160;</p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Tabela 1</strong></p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Projeções de inflação no cenário de referência</strong></p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)</strong></p><table cellspacing=\"0\" width=\"100%\" class=\"ms-rteTable-default\"><tbody><tr><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">Índice de preços</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">2024</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">2025</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">2º tri 2026</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,9</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,5</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,0</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA livres</td><td class=\"ms-rteTable-default\">5,0</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,5</td><td class=\"ms-rteTable-default\">3,8</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA administrados</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,6</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,5</td><td class=\"ms-rteTable-default\">4,6</td></tr></tbody></table><p style=\"text-align&#58;justify;\"><sub>No</sub><sub> cenário de referência, </sub><sub>a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,95/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “verde&quot; em dezembro de 2024 e de 2025. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.</sub>&#160;</p><p><br></p></div>"}]}