{"conteudo":[{"nro_reuniao":265,"dataReferencia":"2024-09-18","titulo":"Copom eleva a taxa Selic para 10,75% a.a.","textoComunicado":"<div class=\"ExternalClass4FC6AAF4B4464C75B128D37C03F181F5\"><p style=\"text-align&#58;justify;\">O ambiente externo permanece desafiador, em função do momento de inflexão do ciclo econômico nos Estados Unidos, o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário externo, também marcado por menor sincronia nos ciclos de política monetária entre os países, segue exigindo cautela por parte de países emergentes.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem apresentado dinamismo maior do que o esperado, o que levou a uma reavaliação do hiato para o campo positivo. A inflação medida pelo IPCA cheio assim como medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">As expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,4% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5% no cenário de referência (Tabela 1).</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O Comitê avalia que há uma assimetria altista em seu balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e (ii) os impactos do aperto monetário sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O Comitê monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal, junto com outros fatores, tem impactado os preços de ativos e as expectativas dos agentes. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O cenário, marcado por resiliência na atividade, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas, demanda uma política monetária mais contracionista. Considerando a evolução do processo de desinflação, os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 10,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">O ritmo de ajustes futuros na taxa de juros e a magnitude total do ciclo ora iniciado serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerão da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê&#58; Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Gabriel Muricca Galípolo, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.</p><p style=\"text-align&#58;justify;\">&#160;</p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Tabela 1</strong></p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Projeções de inflação no cenário de referência</strong></p><p style=\"text-align&#58;justify;\"><strong>Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)</strong></p><table cellspacing=\"0\" width=\"100%\" class=\"ms-rteTable-default\"><tbody><tr><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;\">Índice de preços</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;text-align&#58;center;\">&#160; &#160; &#160; 2024&#160; &#160; &#160;&#160;<br></td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;text-align&#58;center;\">&#160; &#160; &#160; &#160;2025&#160; &#160; &#160;&#160;<br></td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"width&#58;25%;text-align&#58;center;\">1º tri 2026</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">4,3</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">3,7</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">3,5</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA livres</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">4,4</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">3,6</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">3,4</td></tr><tr><td class=\"ms-rteTable-default\">IPCA administrados</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">4,2</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">4,0</td><td class=\"ms-rteTable-default\" style=\"text-align&#58;center;\">3,9</td></tr></tbody></table><p style=\"text-align&#58;justify;\"><sub>No</sub><sub> cenário de referência, </sub><sub>a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,60/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária &quot;amarela&quot; em dezembro de 2024 e de 2025. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.</sub></p></div>"}]}