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119ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 30 e 31/05/2006
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (30/05) e do 20º andar (31/05) do Edifício-Sede do Banco Central – Brasília – DF
 
Horário de início: 16h30 (30/05) e 16h30 (31/05)
Horário de término: 19h30 (30/05) e 18h30 (31/05)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Afonso Sant’Anna Bevilaqua
Alexandre Antonio Tombini
Antonio Gustavo Matos do Vale
João Antônio Fleury Teixeira
Paulo Sérgio Cavalheiro
Rodrigo Telles da Rocha Azevedo
 
Chefes de Departamento (todos presentes no dia 30)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 31)
Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Ivan Luís Gonçalves de Oliveira Lima – Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antonio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
José Pedro Ramos Fachada – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
 
Demais participantes (presentes no dia 30)
Alexandre Pinheiro de Moraes Rego – Assessor Especial do Presidente
Alexandre Pundek Rocha – Consultor da Diretoria
André Minella – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da Diretoria
Jocimar Nastari – Assessor de Imprensa
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) permanece em trajetória de convergência para as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), confirmando avaliações contidas em Notas de reuniões anteriores do Copom, no sentido de que se desenhava um cenário benigno para a variação dos preços ao consumidor. Após apresentar certa estabilidade em fevereiro (0,41%) e em março (0,43%), a inflação reduziu-se significativamente em abril, para 0,21%, fazendo com que o valor acumulado no ano alcance apenas 1,65%, ante 2,68% no primeiro quadrimestre de 2005. Por sua vez, o valor acumulado em doze meses se reduziu de 5,70% em janeiro para 4,63% em abril, o menor nível desde julho de 1999. O recuo da inflação em abril se deveu principalmente ao comportamento dos preços livres, que se mantiveram estáveis, muito embora a ligeira desaceleração dos monitorados e administrados por contrato também tenha se constituído num fator positivo. Cabe destacar a reversão do comportamento dos preços do álcool combustível, que diminuíram 0,11% no mês, após apresentar elevação de 27,56% no acumulado do primeiro trimestre, e a continuidade da queda dos preços dos alimentos, que provavelmente deverão apresentar reversão nos próximos meses. De maneira geral, continua se consolidando um cenário benigno para a inflação, com perspectivas cada vez mais favoráveis para o cumprimento da meta em 2006 e com potenciais repercussões sobre o comportamento dos preços nos anos posteriores.
 
2. O recuo da inflação plena em abril refletiu-se também nas medidas de núcleo calculadas pelo Banco Central. O núcleo por exclusão de administrados e de alimentos no domicílio reduziu-se de maneira intensa, de 0,53% em março para 0,22% em abril, a menor taxa desde julho de 2002. Similarmente, nesse período, o núcleo por médias aparadas sem suavização de itens preestabelecidos caiu de 0,30% para 0,19%, o menor nível desde novembro de 2000. Por sua vez, o núcleo por médias aparadas com suavização de itens preestabelecidos reduziu-se apenas marginalmente, de 0,45% em março para 0,41% em abril. Vale registrar que essas medidas de inflação subjacente vêm apresentando trajetória decrescente desde janeiro, com reduções superiores a 60 p.b. nas variações acumuladas em doze meses. Em 2006, os núcleos por exclusão e por médias aparadas sem e com suavização registram variações de 2,35%, 1,53% e 1,97%, respectivamente, ante 2,64%, 2,23% e 2,60% no primeiro quadrimestre de 2005.
 
3. Depois de registrar deflação por dois meses, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) mostrou estabilidade em abril, com elevação de 0,02%, acumulando variação positiva de 0,23% em 2006, ante os 2,25% verificados no mesmo período do ano passado. Em doze meses até abril, o IGP-DI recuou 0,77%, o menor valor da série histórica iniciada em 1944. Assim como ocorrido em fevereiro e em março, a baixa variação do índice geral se deveu essencialmente ao Índice de Preços por Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), que recuou 0,15% em abril. Por sua vez, esse movimento refletiu, em grande medida, a excepcional continuidade da redução dos preços agrícolas, que registraram deflação de 0,85%, mesmo após o recuo de 3,24% verificado em março. O IPA-DI e o IPA agrícola recuaram, respectivamente, 0,29% e 4,18% neste ano e 3,14% e 12,52% no período de doze meses encerrado em abril. Tanto no curto quanto no médio prazo, a despeito da evolução recente dos preços internacionais de algumas importantes commodities, os preços no atacado poderão continuar contribuindo favoravelmente para uma acomodação dos preços ao consumidor. Conforme destacado nas Notas de reuniões recentes do Copom, a intensidade de tais efeitos, bem como sua própria continuidade, dependerá das condições prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado cresceu 3,4% no primeiro trimestre de 2006, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a maior taxa, nessa base de comparação, desde o primeiro trimestre de 2005. Além disso, na comparação com o trimestre anterior, de acordo com a série dessazonalizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB aumentou 1,4% no primeiro trimestre de 2006, resultado que se configura como a maior taxa de crescimento, nessa base de comparação, desde o último trimestre de 2004, ano no qual a expansão da economia foi de 4,9%. Do lado da oferta, comparativamente ao primeiro trimestre de 2005, cabe destacar o desempenho da indústria, com expansão de 12,6% na extrativa mineral, de 7% na construção civil e de 5% na indústria geral. Por sua vez, os serviços cresceram 2,8%, e a agropecuária recuou 0,5%.
 
5. Sob a ótica da demanda, todos os componentes apresentaram crescimento em relação a igual período do ano anterior, processo que foi liderado pela absorção doméstica. Destaque-se o forte incremento na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que registrou expansão de 9%, e das importações, que cresceram 15,9%. A contribuição da demanda externa foi negativa no período em 0,4 p.p., fato que, por sua vez, ratifica a robustez e a importância do mercado interno para a performance do PIB. Note-se, também, a contribuição negativa de 0,5 p.p. da variação dos estoques naquele trimestre, fato que confirma o processo de ajuste de estoques iniciado no segundo semestre de 2005, como mencionado em Notas anteriores. Cabe ressaltar, ainda, o aumento robusto de 4% no consumo das famílias, que responde por aproximadamente 55% do PIB.
 
6. A produção industrial, segundo dados dessazonalizados do IBGE, diminuiu ligeiramente em março, tanto na comparação mês a mês quanto pelo critério das médias móveis trimestrais, mas se expandiu 5,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Dessa forma, o crescimento ao longo do primeiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançou 4,6%, confirmando a recuperação iniciada no último trimestre de 2005. Essa performance ratifica avaliação contida em Notas de reuniões anteriores do Copom, de que em 2006 a produção industrial cresceria a taxas mais elevadas do que aquelas observadas em 2005. A retomada também pode ser verificada ao se analisar o crescimento da produção industrial em doze meses, pois, de acordo com esse critério, após onze meses com declínio nas taxas de expansão, em fevereiro houve inversão de tendência, confirmada pelos dados relativos a março. A recuperação da produção industrial observada nos últimos meses era esperada, tendo em vista que os efeitos da flexibilização da política monetária, iniciada em setembro de 2005, começam a se fazer sentir com maior intensidade. Além disso, o processo de ajuste de estoques iniciado no segundo semestre do ano passado parece ter se esgotado. Para abril, os indicadores antecedentes e coincidentes da produção industrial sinalizam elevação moderada em relação a março, na série de médias móveis trimestrais.
 
7. Quando se analisam os dados referentes às categorias de uso, destaca-se o desempenho da produção de bens de capital e de bens de consumo duráveis, que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, cresceram 10,1% e 11,4%, respectivamente. Além disso, quando se analisa a evolução ao longo dos últimos doze meses, verifica-se que, pelo segundo mês, houve aceleração da taxa de crescimento da produção de bens de capital, após dezesseis meses de desaceleração. Essa evidência está em linha com as informações constantes da última Sondagem Conjuntural da Fundação Getulio Vargas (FGV), segundo a qual mais da metade dos entrevistados pretende investir mais em 2006 do que no ano anterior. De fato, até março, a produção de bens de capital cresceu significativos 9,2%, em relação ao mesmo período do ano passado. Por sua vez, a produção de bens de consumo duráveis cresceu ainda mais, 14,9%, refletindo, entre outros fatores, a recuperação da renda real e a expansão do volume de crédito na economia.
 
8. A taxa de desemprego permaneceu estável em abril, em 10,4%, de acordo com o IBGE. Não obstante, note-se que, para meses de abril, esse é o menor patamar da série histórica iniciada em 2001, e, no confronto com abril de 2005, houve redução de 0,4 p.p., a despeito de a População Economicamente Ativa (PEA) haver crescido 1,0%. Sob esse mesmo critério de comparação, observou-se aumento de 1,4% no número de ocupados. Dessa forma, as evidências sugerem a continuidade do processo de melhoria do mercado de trabalho, em parte refletindo o cenário macroeconômico favorável. De fato, em abril, o poder de compra dos trabalhadores aumentou 0,4% em relação a março, e 4,7% frente ao mesmo mês do ano anterior, sendo beneficiado pela desaceleração da inflação observada no período. Na indústria de transformação, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o nível de emprego cresceu 0,88% em março, comparativamente ao mesmo mês do ano passado, de modo a fixar a expansão do emprego em 0,85% no primeiro trimestre, sobre igual período do ano anterior. Dados sobre o emprego formal divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam aceleração no ritmo de expansão do emprego formal celetista no início de 2006. Em março, o nível do emprego formal cresceu 0,34% em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal, enquanto em abril o incremento foi de 0,42%. No acumulado em doze meses, a taxa de expansão do emprego formal situou-se em 5,23% em abril.
 
9. Em março, as vendas no comércio varejista cresceram 3,0%, na comparação com o mesmo mês de 2005, indicando que houve desaceleração, após a performance positiva do primeiro bimestre. De fato, ao se analisar o crescimento acumulado no ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, verifica-se que janeiro e fevereiro destoaram do padrão que se delineava desde maio de 2005. Ao que tudo indica, a desaceleração observada em março, fazendo com que o crescimento no primeiro trimestre alcançasse 5,0%, em relação ao mesmo período de 2005, apenas recolocou a série na trajetória que vinha sendo observada desde maio do ano passado. Novas informações serão necessárias para que se possa avaliar com precisão essa conjectura. De qualquer maneira, cabe destacar a evolução, ao longo dos últimos meses, das vendas associadas a itens mais sensíveis à renda e ao emprego, cuja performance positiva complementa uma dinâmica também favorável dos itens mais sensíveis ao crédito, os quais também parecem responder aos desenvolvimentos positivos do lado da massa salarial. Para o resto do ano, espera-se a continuidade e o fortalecimento desse movimento, que deverá ser impulsionado pela expansão dos níveis de emprego e da renda, pelo crescimento do crédito e pelo processo de flexibilização da política monetária, aliados à própria recuperação da confiança do consumidor e aos impactos do aumento do salário mínimo. De fato, os primeiros indicadores divulgados para abril–maio parecem confirmar essas expectativas.
 
10. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) na indústria de transformação se manteve praticamente estável em março, em 81,1% ante 81,2% em fevereiro, de acordo com a série dessazonalizada pela CNI. Quando se compara a média do primeiro trimestre com a do mesmo período do ano anterior, verifica-se redução de 1,36 p.p. A redução do nível de utilização da capacidade instalada vis-à-vis o ano anterior reflete, ao menos parcialmente, incrementos na capacidade produtiva. De fato, dados recentes relativos à produção e à absorção de bens de capital, bem como a produção de insumos para a construção civil, sugerem a aceleração dos investimentos. Por exemplo, no primeiro trimestre a absorção de bens de capital acumulou expansão de 13,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Para esse resultado, contribuíram fortemente o aumento das importações de bens de capital, que registraram crescimento de 33,6% em volume, na mesma base de comparação; e a produção de insumos para a construção civil, que registrou expansão de 6,9% nos primeiros três meses do ano contra o mesmo período do ano passado. Dessa forma, a despeito das evidências de aceleração do crescimento da demanda agregada, não se antecipam descompassos relevantes no que se refere à evolução da oferta agregada ao longo dos próximos trimestres. Como ressaltado em Notas das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento à demanda.
 
11. Em relação ao desempenho do comércio exterior, a balança comercial continua apresentando um desempenho robusto em 2006, corroborando avaliações expressas em Notas de reuniões anteriores do Copom acerca de mudanças estruturais importantes no relacionamento comercial do Brasil com o resto do mundo. Até abril, o saldo da balança atingiu US$12,4 bilhões, cifra 2,16% superior àquela observada no mesmo período do ano passado. Não obstante, pela primeira vez desde agosto de 2001, o superávit acumulado em doze meses apresentou redução em relação ao mês anterior. Esse processo já era esperado e sugere o início de uma nova dinâmica — de ajustamento — para os fluxos comerciais. Mesmo assim, deve-se ressaltar a continuidade da expansão das exportações, que atingiram US$123,8 bilhões nos doze meses findos em abril, um novo recorde para a série histórica. Por sua vez, as importações também continuam mostrando vigor e também registraram novo recorde em abril, sob o mesmo critério, quando atingiram US$78,8 bilhões. Dessa forma, espera-se para 2006 a continuidade da geração de vultosos saldos comercial. Já o saldo em transações correntes registrou superávit de US$241 milhões em abril, acumulando US$12,8 bilhões em doze meses, o equivalente a 1,54% do PIB.
 
12. As mudanças mais significativas desde a reunião de abril do Copom ocorreram no cenário externo, que recentemente apresentou volatilidade expressiva, em função do reordenamento abrupto de carteiras de investimento provocado pelo recrudescimento da incerteza em relação à duração e à intensidade do ciclo de elevação da taxa de juros norte-americana. Essa instabilidade de curto prazo se refletiu no preço, em relação ao dólar norte-americano, de diversas moedas nacionais e nos prêmios de risco dos países emergentes. Em particular, entre as duas últimas reuniões do Copom, a taxa de câmbio passou de R$2,11 para R$2,30 por dólar norte-americano, e o risco‑Brasil medido pelo Emerging Markets Bond Index Plus (Embi+) do JP Morgan aumentou de 225 p.b. para 267 p.b. Na avaliação do Copom, essa instabilidade não configura um quadro de crise, tanto devido ao caráter potencialmente transitório de suas causas principais, quanto graças aos sólidos fundamentos da economia brasileira. A redução consistente da inflação, os vultosos e persistentes superávits comerciais, a geração de superávits primários adequados, a recomposição das reservas internacionais, a melhora do perfil da dívida pública interna e a recompra de títulos soberanos no mercado internacional têm tornado o País cada vez mais resistente a choques. Esse aumento da resistência a choques refletiu-se, sobretudo, na constatação de que a economia doméstica tem mantido sua trajetória de crescimento em meio ao longo processo de ajuste das taxas de juros nos EUA. Dessa forma, o Copom continua atribuindo baixa probabilidade a um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros internacionais, ou seja, suficiente para comprometer as condições de financiamento do País.
 
13. Outra fonte de preocupação no que diz respeito ao ambiente internacional são os preços do petróleo. Apesar de haverem recuado em relação aos valores observados por ocasião da última reunião do Copom, esses preços permanecem em patamares elevados e excessivamente voláteis. A evolução recente reforça temores de que os preços internacionais do petróleo sustentem-se por mais tempo em um nível acima do que vinha sendo antecipado. Como em meses anteriores, as previsões sobre a trajetória futura dos preços do petróleo continuam marcadas por grande incerteza. Por outro lado, conforme destacado nas Notas da última reunião do Copom, o cenário central de trabalho tornou-se progressivamente menos plausível e, portanto, aumentaram significativamente os riscos à sua concretização. Além disso, independentemente do que ocorra com os preços domésticos da gasolina, deve-se reconhecer que a elevação dos preços internacionais do petróleo se transmite de qualquer forma à economia doméstica, em parte, por meio de cadeias produtivas como a petroquímica, e também pela deterioração que termina produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
14. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
 
a) Comparadas com os valores considerados na reunião do Copom de abril, as projeções de reajustes nos preços da gasolina foram mantidas em 0% para o acumulado de 2006. Também foram mantidas em 0% as projeções de reajustes para o gás de bujão;
 
b) Foram modificadas, na comparação com a reunião do Copom de abril, as projeções de preços da telefonia fixa e da eletricidade para o acumulado de 2006: o reajuste esperado para eletricidade apresentou leve crescimento, passando de 3,6% para 3,7%; por sua vez, o reajuste projetado para a telefonia fixa passou de 3,1% para 2,6%;
 
c) O Copom manteve em 4,6% a projeção de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2006. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 33,41% do total do IPCA de abril;
 
d) De acordo com o modelo de determinação endógena de preços administrados, mantém-se em 6,2% a projeção de reajuste para o conjunto desses preços em 2007. A projeção leva em conta os efeitos da inflação de preços livres, da inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP) e da variação cambial, além de componentes sazonais;
 
e) O modelo VAR, baseado nos níveis da taxa Selic e do swap de 180 dias, estima um spread, no cenário de referência, de -70 p.b. no segundo trimestre de 2006. A trajetória do swap indica, ainda, que os spreads atingem 18 p.b. no último trimestre de 2006 e 57 p.b. no último de 2007.
 
15. Em relação à política fiscal, as projeções consideram o cumprimento da meta de superávit primário de 4,25% do PIB em 2006 e em 2007. São mantidas as demais hipóteses consideradas na reunião anterior.
 
16. Desde a reunião de março do Copom, houve redução na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2006, que passou de 4,43% em abril para 4,32% em maio. Persiste, portanto, o movimento observado entre as reuniões de março e de abril. A redução deve-se, em grande medida, à revisão feita pelos analistas para a inflação esperada para o segundo trimestre. Para 2007, as expectativas de inflação permaneceram alinhadas com a meta de 4,50% estabelecida pelo CMN, e as expectativas para doze meses à frente se deslocaram de 4,14% para 4,17%. Como mencionado em Notas de reuniões anteriores do Copom, esses desenvolvimentos sugerem que as decisões de política monetária dos últimos meses, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, estão contribuindo de forma importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico cada vez mais favorável, em horizontes mais longos.
 
17. Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em R$2,30 e da taxa Selic em 15,75% em todo o horizonte de previsão, a projeção para o IPCA em 2006 elevou-se em relação ao do valor considerado na reunião do Copom de abril. Ainda assim, o valor central projetado encontra-se abaixo da meta de 4,50% estipulada pelo CMN para este ano. O cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e juros apuradas junto a analistas pela Gerin, apresentou valor central abaixo do considerado na reunião do Copom de abril e abaixo da meta de inflação para 2006. Para 2007, a trajetória estimada para o cenário de referência mostrou elevação em relação ao valor estimado em abril, porém, permaneceu abaixo da meta de 4,50% para aquele ano. Já a estimativa do cenário de mercado para 2007 reduziu-se, mas permanece acima da meta estipulada pelo CMN.
 
Implementação da política monetária
 
18. O Copom reafirma o diagnóstico, expresso nas Notas das últimas reuniões, de que tanto os resultados recentes da inflação como as projeções de inflação realizadas pelo Banco Central e pelos analistas do setor privado sugerem que, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, a postura de política monetária adotada desde setembro de 2004 vem contribuindo de maneira importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico cada vez mais favorável em horizontes mais longos. Os dados referentes à atividade econômica sugerem a consolidação progressiva de uma trajetória de expansão em ritmo condizente com as condições de oferta, de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação. Além disso, a despeito da volatilidade significativa observada nos mercados financeiros internacionais nas últimas semanas, em virtude da maior incerteza quanto à trajetória das taxas de juros nas economias industrializadas, e do fato de os preços de petróleo terem se mantido em níveis historicamente elevados, o cenário externo permanece favorável, particularmente no que diz respeito às perspectivas de financiamento para a economia brasileira. Assim, ainda que se leve em conta que uma parcela dos resultados favoráveis para a inflação de curto prazo responde a fatores pontuais, que tendem a apresentar alguma reversão no futuro, e que a recente elevação nos preços internacionais de commodities importantes introduz um risco adicional para a evolução dos preços domésticos, continua se configurando um cenário benigno para a trajetória da inflação. Tal como na reunião de abril, o Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir a consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se antecipam para o futuro.
 
19. A convergência ininterrupta da inflação para a trajetória de metas e a resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura contribuirão para a manutenção do processo de redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O espaço para que observemos juros reais menores no futuro continuará se consolidando de forma natural como conseqüência dessa melhora de percepção. O Copom avalia que a atuação cautelosa da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de convergência da inflação para a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade continue se traduzindo em resultados efetivos, entretanto, é preciso que os indicadores prospectivos de inflação sigam apresentando elementos compatíveis com o cenário benigno que tem se configurado nos últimos meses.
 
20. O Copom considera relevante ressaltar, uma vez mais, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre o nível de atividade e sobre a inflação. Desde o início do ciclo de flexibilização da política monetária, em setembro de 2005, a taxa de juros básica já foi reduzida em um total de 400 p.b. Boa parte dos efeitos desse corte de juros ainda não se refletiu no nível de atividade, assim como os efeitos da recente retomada da atividade sobre a inflação também não tiveram tempo de se materializar.
 
21. Ao longo dos próximos meses, a expansão do nível de emprego e da renda e o crescimento do crédito continuarão impulsionando a atividade econômica. Como mencionado nas Notas da reunião de abril do Copom, a esses fatores devem ser acrescidos os efeitos da expansão das transferências em função do novo valor do salário mínimo e dos impulsos fiscais ocorridos no último trimestre do ano passado e esperados para o primeiro semestre deste ano. Dessa forma, os efeitos sobre a demanda agregada dos cortes de juros se somarão a outros fatores que também contribuirão para a sua expansão.
 
22. Tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária e a menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo, o Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real, requer que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com parcimônia. Essa ponderação se torna ainda mais relevante quando se leva em conta que as próximas decisões de política monetária terão impactos progressivamente mais concentrados em 2007.
 
23. À luz dessas considerações, o Copom decidiu, por unanimidade, dar continuidade ao processo de flexibilização da política monetária iniciado na reunião de setembro de 2005 e reduzir a meta para a taxa Selic para 15,25% ao ano, sem viés, e acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até a sua próxima reunião para, então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
 
24. No regime de metas para a inflação, a autoridade monetária orienta suas decisões de acordo com os valores futuros projetados para a inflação, analisando diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. Mesmo levando-se em conta que o aumento recente na volatilidade nos mercados financeiros internacionais poderá ter um caráter transitório, é forçoso reconhecer que ele gerou uma elevação na incerteza em relação ao comportamento futuro da inflação, que poderá acabar dificultando tanto a avaliação de cenários pela autoridade monetária quanto a coordenação de expectativas dos agentes privados. Nesse ambiente, cabe à política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos. Evidentemente, na eventualidade de se verificar uma exacerbação de riscos que implique alteração do cenário prospectivo traçado para a inflação neste momento pelo Comitê, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.
 
25. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltaria a se reunir em 18 de julho de 2006, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 13.821, de 31.10.2005.
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
26. A variação do IPCA atingiu 0,21% em abril, desacelerando em relação aos resultados observados no primeiro trimestre do ano. Para esse comportamento contribuíram, sobretudo, o esgotamento das altas dos preços dos combustíveis e a continuidade da queda dos preços dos alimentos. A maior contribuição individual para a composição da taxa do IPCA em abril decorreu dos reajustes nos preços dos remédios, com 0,08 p.p., seguidos pelos itens vestuário e energia elétrica, ambos com 0,06 p.p. Com o resultado, o IPCA acumulou aumentos de 1,65% no primeiro quadrimestre de 2006 e de 4,63% nos últimos doze meses.
 
27. Os preços monitorados cresceram 0,54% em abril e 8,02% nos últimos doze meses, enquanto os preços livres registraram altas de 0,04% e 3,16%, em igual ordem. Entre os livres, observou-se que os preços dos produtos comercializáveis recuaram 0,17% em abril, enquanto os preços dos itens não comercializáveis aumentaram 0,28%. Nas variações acumuladas em doze meses, os preços desses segmentos registraram elevações de 1,41% e 5,28%, na mesma ordem, refletindo, entre outros fatores, os efeitos da evolução cambial.
 
28. O IGP-DI variou 0,02% em abril, acumulando elevação de 0,23% no primeiro quadrimestre de 2006 e queda de 0,77% no acumulado dos últimos doze meses, o menor resultado nessa base de comparação desde o início da série, em 1944. Considerados os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) cresceu 0,34% no mês, ante 0,22% em março, destacando-se a reversão da tendência de queda dos preços do grupo alimentação, cuja taxa situou-se em 0,36% em abril, após as quedas de 0,32% em março e de 0,3% em fevereiro. Também contribuíram de modo destacado para a aceleração do IPC-Br as altas registradas nos preços dos itens vestuário e saúde e cuidados pessoais. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) cresceu 0,36%, ante 0,2% em março. O IPA, componente de maior peso no IGP-DI, registrou queda de 0,15%, após recuo de 0,82% em março, acumulando variações negativas de 0,29% no ano e de 3,14% em doze meses.
 
29. Em abril, a queda de 0,15% nos preços no atacado decorreu do recuo dos preços agrícolas. A taxa mensal do IPA agrícola atingiu -0,85%, sobretudo pelas quedas nos preços do arroz, feijão, milho, soja, mandioca, aves e suínos. O menor recuo dos preços agrícolas em abril, comparativamente à variação de -3,24% observada em março, refletiu, principalmente, o arrefecimento na queda dos preços do milho e a reversão na tendência dos preços dos bovinos, após sucessivas quedas, além da maior alta no preço da cana-de-açúcar. A média dos preços industriais continuou tendendo à estabilidade, com variação de 0,06% em abril, comparativamente a -0,05% em março. Considerando o IPA segundo os três estágios de processamento, apenas os preços dos bens finais registraram alta, embora em desaceleração, 0,12% em abril ante 0,44% em março. Os preços dos bens intermediários e das matérias-primas brutas apresentaram variações negativas de 0,01% e 0,85% no mês, respectivamente, após as quedas de 0,34% e 3,52% em março, na mesma ordem.
 
30. As medidas de núcleo do IPCA recuaram novamente em abril. Pelo método das médias aparadas com suavização de itens preestabelecidos, o núcleo situou-se em 0,41%, ante 0,45% em março, e totalizou 6,10% em doze meses. A mesma medida para o núcleo calculada sem o procedimento de suavização passou de 0,30% em março para 0,19% em abril, com aumento acumulado de 4,58% em doze meses. O núcleo calculado pela exclusão dos grupos de alimentação no domicílio e monitorados atingiu 0,22%, ante 0,53% no mês anterior, com variação de 5,27% em doze meses.
 
31. O núcleo de inflação para o IPC-Br, calculado pela FGV pelo método das médias aparadas simétricas, atingiu 0,32% em abril, ante 0,25% em março, acumulando altas de 1,30% no ano e de 4,23% nos últimos doze meses.
 
32. O índice de difusão do IPCA, indicador da proporção de itens com variações positivas no resultado do mês, situou-se em 54,9% em abril, ante 56,1% em março.
 
33. A evolução recente dos preços ao consumidor sinaliza perspectivas favoráveis para a variação do IPCA em maio. Destaque-se a continuidade da queda dos preços dos combustíveis, particularmente do álcool, cujos efeitos tendem a compensar o esgotamento da queda dos preços da alimentação.
 
Atividade econômica
 
34. O PIB seguiu em expansão no primeiro trimestre de 2006, tendo registrado crescimento de 1,4% em relação ao trimestre anterior, após ajuste sazonal, a maior taxa de variação trimestral desde o quarto trimestre de 2004, quando cresceu 1,6%. Em relação ao primeiro trimestre de 2005, o PIB variou 3,4%, resultado dos crescimentos de 5% na indústria e de 2,8% nos serviços. A agropecuária registrou queda de 0,5%. Pela ótica da demanda, mantendo a mesma base de comparação, a desagregação por componentes revelou expansão generalizada, com acréscimos de 4% no consumo das famílias, 1,6% no consumo do governo, 9% na FBCF, 9,3% nas exportações e 15,9% nas importações. A demanda interna contribuiu com 3,8 p.p para a expansão do PIB no período e a demanda externa, com -0,4 p.p.
 
35. Conforme a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista em março registrou queda de 0,1% em relação ao verificado em fevereiro, após ajustamento sazonal. Com o resultado, as vendas no varejo aumentaram 5% no primeiro trimestre do ano, com destaque para os acréscimos apresentados pelos segmentos móveis e eletrodomésticos, 11,1%, e hipermercados e supermercados, 4,4%.
 
36. Os indicadores do comércio varejista na capital paulista, divulgados pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e ajustados sazonalmente pelo Banco Central, apontaram, em abril, comparativamente ao mês anterior, acréscimo de 0,3% no número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e queda de 0,3% relativa ao serviço Usecheque. No primeiro quadrimestre do ano, esses indicadores registraram taxas de expansão de 2,5% e de 6,1%, respectivamente, ante os do mesmo período de 2005.
 
37. Em relação aos indicadores de investimento, a produção doméstica de bens de capital e a fabricação de insumos para a construção civil recuaram 2,2% e 1,1%, respectivamente, em março, em comparação aos níveis observados no mês anterior, após ajuste sazonal. As importações de bens de capital aumentaram 8,1%, conforme o índice de quantum calculado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), também com ajuste sazonal. No primeiro trimestre do ano, esses indicadores revelaram acréscimos respectivos de 9,2%, 6,9% e 33,6%, em relação a igual período do ano anterior. Nesse período, a produção de bens de capital para energia aumentou 45,2%, 21,4% para construção e 17,3% para uso misto, enquanto a produção de bens de capital para a agricultura diminuiu 17,5%. O crescimento na fabricação de bens de capital para a indústria situou-se abaixo da média, 0,4%, refletindo, em parte, a elevada expansão das importações desses equipamentos no mesmo período.
 
38. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção da indústria brasileira recuou 0,3% em março, em relação à do mês anterior, após ajuste sazonal, e aumentou 5,2% em relação à de março de 2005. No primeiro trimestre do ano, a atividade industrial cresceu 4,6%. A indústria de transformação apresentou queda de 1,1%, e a extrativa aumentou 0,9% em março, nas séries dessazonalizadas, acumulando acréscimos respectivos de 4,1% e 13,2% no primeiro trimestre de 2006, contra o mesmo período de 2005.
 
39. Por categorias de uso, três dos quatro segmentos pesquisados registraram quedas no mês, nas séries com ajuste sazonal, destacando-se a de bens de consumo durável, com diminuição de 5,1%. A produção de bens intermediários subiu 0,2% em março, após recuo de 0,6% no mês anterior. No primeiro trimestre do ano, todas as categorias registraram expansão relativamente ao mesmo período de 2005. A produção de bens de consumo cresceu 6,4%, sobretudo pelo acréscimo de 14,9% na produção de bens duráveis; a de bens de capital aumentou 9,2%; e a de bens intermediários, 2,8%. 
 
40. A análise desagregada da produção industrial, considerando as séries sazonalmente ajustadas, revelou que seis das 23 atividades mostraram aumento de produção em março. O percentual de atividades com crescimento na comparação mensal recuou para 26% em março, após atingir 43% em janeiro e 61% em fevereiro.
 
41. Com o resultado de março, a média móvel trimestral do índice de produção industrial recuou 0,2%, após três meses consecutivos de crescimento. O resultado no mês refletiu as quedas em três das quatro categorias de uso, nessa forma de comparação, cujos efeitos foram atenuados pela evolução da produção de bens intermediários, de maior peso na composição do produto industrial, que se manteve estável no período.
 
42. Estatísticas da CNI também repercutiram o arrefecimento da atividade da indústria de transformação em março. As horas trabalhadas na produção e as vendas industriais reais diminuíram 0,8% e 1,3%, respectivamente, em relação aos níveis observados no mês anterior, nas séries ajustadas sazonalmente pelo Banco Central. No primeiro trimestre do ano, esses dois indicadores da atividade industrial registraram acréscimos de 2,6% e 2,1%, respectivamente, sobre igual período de 2005. O nível de utilização da capacidade instalada alcançou 81,2% em março, na série dessazonalizada, mostrando estabilidade em relação ao observado no mês anterior. Considerando a série sem ajuste sazonal, o nível de utilização de 82,1% alcançado no mês situou-se 0,9 p.p. abaixo do nível observado em março de 2005.
 
43. A produção de autoveículos recuou 1,1% em abril, relativamente à do mês anterior, conforme dados dessazonalizados pelo Banco Central, acumulando, no ano, crescimento de 5% comparativamente ao primeiro quadrimestre de 2005. As vendas internas apresentaram retração de 6,7%, enquanto as externas, retração de 1,8%. No ano, até abril, as vendas internas e externas registraram acréscimos respectivos de 7,7% e 1,7%, em relação às registradas em igual período do ano anterior.
 
44. Indicadores referentes ao desempenho industrial em abril sinalizaram arrefecimento da atividade no período. Nesse sentido, o número de pedágios de veículos pesados (índice ABCR) e a expedição de papel ondulado mostraram variações negativas no mês, após ajustamento sazonal das séries.
 
Expectativas e sondagens
 
45. A pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) registrou elevação de 4,2% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em maio, em comparação ao observado em abril. Os dois componentes do ICC apresentaram resultados positivos no mês: o Índice de Condições Econômicas Atuais (Icea) aumentou 1,7%, atingindo o maior nível da série iniciada em março de 1999, enquanto as expectativas, captadas pelo Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), cresceram 5,9%. No estado do Rio de Janeiro, a pesquisa da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomercio RJ) apontou que o Índice de Expectativa do Consumidor (IEC) recuou em março, 2,3% na comparação com o de fevereiro, e 1,1% na comparação com o índice do mesmo mês de 2005.
 
46. Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV, que abrangeu 2.000 domicílios das sete principais capitais do país, o ICC recuou 3,4% em abril, em relação ao do mês anterior. No mês, houve piora de 3,4% na avaliação da situação presente e de 3,3% nas expectativas para os próximos meses.
 
Mercado de trabalho
 
47. O nível de emprego formal registrou a criação de 229.803 novos postos de trabalho em abril, distribuídos em praticamente todos os grandes setores de atividade, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE. Após a dessazonalização da série, o índice de emprego mostrou elevação de 0,4% em abril, com destaque para a expansão de 0,6% nas contratações do setor da indústria de transformação. No primeiro quadrimestre do ano, foram criados 569,5 mil novos postos de trabalho, superando os 558,3 mil observados em igual período de 2005.
 
48. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas do País, a taxa de desemprego atingiu 10,4% em abril, a mesma taxa apurada no mês anterior, situando-se 0,4 p.p. abaixo da taxa de abril de 2005. A estabilidade da taxa de desemprego em abril refletiu as retrações da PEA, de 84 mil pessoas, e do número de desocupados, de 17 mil pessoas. A ocupação também registrou queda de 67 mil postos de trabalho no mês. Comparativamente a abril de 2005, a PEA, os números de ocupados e de desocupados variaram 1%, 1,4% e ‑2,8%, respectivamente. 
 
49. Ainda segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$1.012,50 em abril, com altas de 0,4% na comparação mensal e de 4,7% em relação ao valor observado em abril de 2005. A massa salarial real, definida pelo produto entre o rendimento médio real habitual e o número de ocupados, aumentou 0,1% no mês e 4,9% em doze meses.
 
50. No setor industrial, segundo o índice da CNI, ajustado sazonalmente pelo Banco Central, o contingente de pessoal empregado cresceu 0,2% em março, acumulando expansões de 0,8% no primeiro trimestre e de 2,9% em doze meses.
 
Crédito e inadimplência
 
51. Em abril, o saldo das operações de crédito com recursos livres, referencial para as taxas de juros, aumentou 2,4%. Nas operações com pessoas físicas, o saldo cresceu 2,1%, enquanto nas carteiras destinadas a pessoas jurídicas observou-se acréscimo de 2,6%, reflexo do incremento de 2,5% nas operações com recursos domésticos e aumento de 3,1% naquelas vinculadas a recursos externos.
 
52. A taxa média ativa de juros incidente sobre as operações de crédito recuou 0,7 p.p. em abril. Nas operações com pessoas físicas, a taxa média diminuiu 1,3 p.p., para 57,7% a.a., enquanto naquelas contratadas com pessoas jurídicas houve queda de 0,1 p.p., para 30,6% a.a.
 
53. No sistema financeiro, a taxa de inadimplência alcançou 4,7% em abril, considerando-se as operações de crédito com recursos livres com atraso superior a noventa dias. Nas operações com pessoas jurídicas, essa proporção atingiu 2,3%, enquanto naquelas realizadas com pessoas físicas atingiu 7,4%. 
 
54. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, situou-se em 6,9% em abril, ante 7,3% em março, resultado que decorreu da queda de 10,1% em novos registros e da variação de 4,2% no número de registros cancelados no período. No primeiro quadrimestre de 2006, a taxa média de inadimplência atingiu 6,3%, comparativamente a 6,4% no mesmo período de 2005.
 
Ambiente externo
 
55. Os fatores que vinham sendo apontados nos últimos meses como principais riscos à evolução benigna do ambiente econômico mundial – a trajetória das taxas de juros norte-americana e o comportamento dos preços do petróleo – ganharam relevância nas últimas semanas. A intensificação das incertezas relativas à evolução futura dos juros nos Estados Unidos, após a última reunião do Federal Reserve (Fed), em dez de maio, associada ao comportamento desfavorável da inflação, em resposta à elevação no preço do petróleo, provocou deterioração dos ativos nos mercados internacionais e volatilidade nos mercados financeiros. No período de maior turbulência, entre 10 e 23 de maio, as principais bolsas acionárias registraram perdas expressivas. Nos EUA, os índices Dow Jones e Nasdaq variaram -2,2% e -6,3%, enquanto na Europa os índices referentes à Alemanha, Reino Unido e Espanha assinalaram quedas de 5,5%, 5,7% e 6,2%, respectivamente. No mesmo período, os efeitos sobre os mercados acionários emergentes foram mais intensos. Os índices correspondentes às bolsas do Brasil, México, Argentina e Rússia mostraram quedas de 10,5%, 7,6%, 15,3% e 15,7%, respectivamente.
 
56. Em relação aos preços de petróleo, as cotações mostraram-se relativamente estáveis desde meados de abril mantendo, entretanto, patamar elevado, acima de US$70 o barril do óleo WTI. O principal fator de sustentação da commodity tem sido atribuído aos riscos advindos com o início da temporada de furacões sobre a área produtiva do Golfo do México. Além do fator climático, as cotações têm sido influenciadas pelo comportamento dos estoques de derivados nos Estados Unidos e pelas perspectivas dos agentes relacionadas ao próximo encontro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), em junho, na Venezuela.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
57. No primeiro quadrimestre de 2006, o comércio exterior brasileiro continuou em expansão, e todos os resultados acumulados no período constituem-se em recordes históricos. O superávit comercial atingiu US$12,4 bilhões e a corrente de comércio, US$65,9 bilhões, acumulando em doze meses US$45 bilhões e US$202,7 bilhões, respectivamente. Emmaio, até a quarta semana (dezenove dias úteis), o saldo comercial atingiu US$2,8 bilhões, resultado de US$9 bilhões de exportações e US$6,2 bilhões de importações.
 
58. Em abril, as exportações alcançaram US$9,8 bilhões, com média diária recorde de US$544,7 milhões, 18,4% superior à observada em abril de 2005. Os valores das médias diárias das exportações de produtos manufaturados, semimanufaturados e básicos atingiram US$302 milhões, US$70 milhões e US$157 milhões, respectivamente, com acréscimos de 21,7%, 12,9% e 10,9% nas mesmas bases de comparação. Dentre os produtos básicos, sobressaíram as exportações de soja em grão, principal item da pauta de exportação em abril. Houve crescimento das quantidades embarcadas, ao mesmo tempo em que ocorreram significativos aumentos de preços externos de importantes produtos da pauta de exportação, destacando-se açúcar bruto e refinado, fumo em folhas, suco de laranja, óleos combustíveis e alumínio, entre outros. Esse comportamento tem sido acompanhado pelo processo de ampliação de mercados de destino e de itens com pequena participação, consolidando a diversificação da pauta das exportações brasileiras.
 
59. As importações somaram US$6,7 bilhões, com média diária também recorde de US$372,6 milhões, 39,8% acima da registrada em abril de 2005. Pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de crescimento das importações, na comparação com os meses correspondentes do ano anterior, superou a das exportações. Todas as categorias de produtos importados registraram expansão no período, com destaque para combustíveis e lubrificantes, 90,6%; bens de consumo, 52,4%; e bens de capital, 39,3%, considerando-se as médias diárias. As importações conjuntas de matérias-primas e bens intermediários, que representam cerca de metade das compras externas brasileiras, cresceram 25,1% em abril e 15,9% no primeiro quadrimestre, comparativamente às do mesmo período de 2005.
 
60. Ao final de abril, as reservas internacionais situaram-se em US$56,6 bilhões, com redução de US$3,3 bilhões em relação ao saldo do mês anterior. Essa diminuição foi ocasionada, fundamentalmente, pelo exercício da opção de call dos bônus Bradies, no valor de US$ 5,8 bilhões.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
61. Após a reunião do Copom de abril, a curva de juros futuros apresentou uma pequena queda na parte curta e uma forte elevação no trecho longo.Os índices de inflação corrente, bem como o comportamento das expectativas de inflação, influenciaram as taxas de curto prazo. A partir de meados de maio, as taxas de juros passaram a apresentar maior volatilidade, principalmente as de prazo mais longo, acompanhando o cenário externo. As incertezas em relação à trajetória da inflação nos EUA e à continuidade do ciclo de elevação das taxas de juros naquele país desencadearam um aumento da aversão ao risco, o que levou à desvalorização tanto das principais bolsas de valores quanto dos títulos da dívida e das moedas dos países emergentes. Entre 17 de abril e 29 de maio, as taxas de juros futuros de um e de três meses cederam 0,43 p.p. e 0,11 p.p., respectivamente. Já as taxas de seis meses e de um, de dois e de três anos elevaram-se 0,31 p.p., 0,69 p.p., 1,06 p.p. e 1,12 p.p., respectivamente. A taxa real de juros medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses aumentou de 10,09%, em 17 de abril, para 10,72%, em 29 de maio.
 
62. Em 19 de abril, o Banco Central realizou leilão de swap cambial reverso, no qual assumiu posição ativa em variação cambial e passiva em taxa de juros doméstica. Com essa operação, que alcançou um montante financeiro equivalente a US$604,2 milhões, o Banco Central efetuou a rolagem parcial dos contratos de swap reverso vincendos em 2 de maio. Em 2006, o resgate líquido de instrumentos cambiais totaliza US$12,5 bilhões até 29 de maio.
 
63. Na administração da liquidez corrente no mercado de reservas bancárias, o Banco Central manteve as operações compromissadas semanais de prazos de três e de cinco meses e rentabilidade prefixada, assim como as operações de nivelamento ao final do dia, com prazo de até dois dias úteis. Além disso, entre 18 de abril e 29 de maio, atuou em 25 oportunidades por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo, dezenove delas destinadas a tomar recursos. No período, o saldo diário médio das operações de prazo de três e de cinco meses alcançou R$65,2 bilhões, sendo R$54,9 bilhões em operações de cinco meses. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$10,8 bilhões.
 
64. Dando prosseguimento à estratégia de administração do estoque de liquidez bancária previsto para o terceiro trimestre de 2006, o Banco Central realizou seis leilões de venda de LTN de vencimento em outubro de 2006, de sua carteira, conjugada a compra de LTN de vencimento em julho de 2006. O volume financeiro total dessas operações foi de R$4,2 bilhões.
 
65. Entre 18 de abril e 29 de maio, o Tesouro Nacional captou R$24,2 bilhões com a venda de títulos de remuneração prefixada, sendo R$22,1 bilhões com LTN de vencimento em 2007, 2008 e 2009, e R$2,1 bilhões com Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2010, 2012 e 2014. As vendas de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) nos leilões tradicionais alcançaram R$6,5 bilhões, com a emissão de títulos de vencimento em 2008, 2009, 2010, 2011, 2015, 2024, 2035 e 2045. Diante do aumento da volatilidade dos mercados, o Tesouro realizou também leilões simultâneos de compra e de venda de NTN-B em 24, 25 e 26 de maio, com o objetivo de auxiliar a formação de preços no mercado secundário desses títulos. No conjunto desses eventos, as vendas totalizaram R$2,3 bilhões, e as compras, R$4,0 bilhões.