SPB 2 - Modernização dos Instrumentos de Pagamento
SPB 2 - Modernização dos Instrumentos de Pagamento
A primeira fase da reestruturação do Sistema de Pagamentos
Brasileiro - SPB cuidou fundamentalmente do aperfeiçoamento da estrutura de
liquidação financeira das transações envolvendo transferências de fundos e
ativos, tendo como foco o risco sistêmico originado de possíveis falhas na
cadeia de pagamentos.
A segunda etapa do SPB estará concentrada na modernização
dos instrumentos de pagamento, sobretudo os de varejo, com foco na segurança e
na eficiência. No Brasil, a utilização
em grande escala de instrumentos de pagamento baseados em papel (cheque e
dinheiro), a baixa interoperabilidade entre redes e a ausência de padronização
dos protocolos de comunicação de sistemas gera ineficiências que refletem, em
geral, no custo social do nosso modelo para pagamentos interbancários de
varejo. O cheque apresenta elevados
custos de transporte e de processamento, tanto para o setor bancário como para
o setor não bancário, associados à alta exposição a fraudes e inadimplência. Para o numerário (dinheiro), a situação é
semelhante, pois também envolve elevados custos de transporte, estocagem,
seguros etc.
O aspecto mais importante associado à ineficiência dos
sistemas de pagamentos de varejo é a baixa interoperabilidade entre as redes
dos bancos, dos prestadores de serviços de compensação e de liquidação e do
setor não financeiro. Com isso, o que temos no Brasil é
uma situação de baixa utilização da capacidade instalada para o uso dos
instrumentos eletrônicos de pagamento, tais como cartões de débito e de
crédito, transferências eletrônicas, internet, home banking e terminais de
auto-atendimento.
A modernização dos instrumentos de pagamento está, portanto,
associada à redução da utilização dos instrumentos em papel e ao estímulo do
uso dos instrumentos eletrônicos. Nesse
sentido, a mudança que se espera nessa etapa do SPB se refere fundamentalmente
a:
-
padronização dos protocolos de comunicação de sistemas que
cursam instrumentos de pagamento
-
integração de redes
-
truncagem de cheques - não remessa física
-
maior utilização de instrumentos eletrônicos
-
segurança dos instrumentos eletrônicos de pagamento
Os benefícios esperados para o sistema
bancário e para os clientes estão
relacionados sobretudo ao potencial de redução de custos que a integração de
redes e a padronização trazem no médio e longo prazo.
O papel do Banco Central na modernização dos instrumentos de
pagamento é, principalmente, o de fomentador da cooperação entre os agentes
econômicos que participam dos sistemas de pagamentos de varejo, estabelecendo
metas, recomendações e princípios que induzam a promoção da eficiência e da
segurança dos instrumentos de pagamento.
O desafio da mudança se resume, fundamentalmente, na
capacidade desse sistema em estabelecer a cooperação necessária ao desenho de
um novo modelo baseado na integração e na padronização como forma de ampliar o
uso dos instrumentos eletrônicos existentes e permitir a criação de novas
soluções de pagamento adequadas às necessidades dos agentes econômicos.