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Informações Econômicas

 
NOTA PARA A IMPRENSA - 25.9.2001
Juros e Spread Bancário
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As operações de crédito, em agosto, continuaram refletindo as expectativas dos agentes frente às repercussões dos fatores adversos a que tem sido submetida a economia brasileira nos últimos meses. Em conseqüência, ao mesmo tempo em que se observa a redução da demanda por recursos para consumo e investimentos, constata-se a elevação do custo do crédito e a maior seletividade das instituições financeiras em suas operações ativas.

Nesse sentido, o aumento do saldo das carteiras deve ser associado, principalmente, à incorporação de encargos financeiros sobre os contratos em curso, tendo em vista que a demanda por novos recursos continuou em retração. Ao final de agosto, o volume das operações ativas realizadas com recursos livres atingiu R$192,4 bilhões, com variação de 2,4% no mês.

O total de crédito destinado a pessoas jurídicas atingiu R$124,5 bilhões, com variação de 2,6% no mês, comparando-se com os dados do mês anterior. Nas modalidades lastreadas em recursos internos, foram registrados acréscimos nos saldos de conta garantida e capital de giro, 3,6% e 2,4% no mês, respectivamente. Nas operações com recursos captados no exterior, destaca-se o desempenho dos repasses externos, crescimento de 6,2% em agosto, como resultado do impacto da variação cambial sobre o saldo e também do aumento das concessões no mês.

O saldo das operações com pessoas físicas atingiu R$67,9 bilhões em agosto, com variação de 2,1% em relação ao mês anterior, o que indica menor ritmo de expansão, comparando-se com a taxa média mensal de crescimento dos primeiros sete meses do ano, 3,8%. Os aumentos mais significativos do período referiram-se aos financiamentos para aquisição de bens (exceto veículos) e ao crédito pessoal, com 3,1% e 2,9% no mês, respectivamente.

Com respeito às concessões de crédito, ressalta-se que, em agosto, o desempenho das novas contratações demonstrou a contenção da demanda, tanto por parte das empresas como das famílias. Como resultado, a média diária do total de concessões decresceu 4,5% no mês, atingindo R$3 bilhões. O movimento mostrou-se mais acentuado no segmento de pessoas jurídicas, sinalizando a adequação das atividades das empresas às perspectivas da economia. O fluxo médio diário dessas operações diminuiu 6,1% no mês, registrando R$2 bilhões em agosto.

Nas modalidades destinadas a pessoas jurídicas e lastreadas em recursos internos, destaca-se, no mês, os decréscimos de 25,9% e 11,7%, respectivamente, nas contratações de capital de giro e aquisição de bens. Deve-se esclarecer que, no caso de capital de giro, a variação negativa decorreu da comparação com os dados de julho, que situaram-se em níveis elevados, devido a operações não usuais de financiamento ao setor petroquímico, no valor de R$1,5 bilhão. Comparando-se com a média do primeiro semestre, as concessões médias de agosto dessa modalidade reduziram-se 4%.

Relativamente às linhas de crédito vinculadas a recursos externos, ressalta-se que as concessões médias diárias decresceram 9% no mês, verificando-se queda nos adiantamentos sobre contratos de câmbio e aumento nos repasses externos. Esse resultado decorre da redução de 21% na procura por recursos oriundos de operações de Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC) para financiamento de exportações, face às incertezas vinculadas ao cenário externo, enquanto a demanda para repasses externos aumentou 29,2%.

As concessões a pessoas físicas encerraram o mês de agosto com valor médio diário de R$982 milhões, diminuição de 1,3% no mês. A redução em agosto, entretanto, mostrou-se menos intensa do que aquela registrada no mês precedente, 6,7%, no qual as principais modalidades do segmento tiveram quedas pronunciadas. O crédito pessoal mostrou discreta recuperação nas concessões médias, que atingiram R$137 milhões em agosto, aumentando 5,3% no mês. Esse valor, no entanto, ainda é inferior à média registrada no ano, R$144 milhões. Adicionalmente, as operações com cartão de crédito também apresentaram expansão no seu fluxo médio, com variação de 9,4%.

As taxas médias de juros praticadas nas operações de crédito do segmento livre mantiveram a trajetória de elevação iniciada em junho, devendo-se associar esse comportamento à maior percepção de risco nas operações de crédito, em função das incertezas do mercado financeiro e da inadimplência, notadamente para pessoas físicas.

O aumento das taxas ativas foi registrado em quase todas as modalidades dos segmentos de pessoas jurídicas e físicas. Como resultado, a taxa média geral variou 3,8 p.p. no período, alcançando 62% a.a. em agosto. Em decorrência desse acréscimo e considerando que o custo de captação, representado pelas taxas de Certificado de Depósito Bancário (CDB), manteve-se praticamente no mesmo patamar do período anterior, o spread geral subiu 3,7 p.p.

Nas operações com pessoas jurídicas, a taxa média alcançou 44,3% a.a., em agosto, registrando acréscimo de 2,3 p.p. em relação ao mês anterior. Os aumentos mais expressivos ocorreram no custo das modalidades de conta garantida e capital de giro, cujas taxas variaram, respectivamente, 3,8 p.p. e 3,4 p.p. no período.

Nas operações com pessoas físicas, a taxa média aumentou 4,6 p.p. em agosto, atingindo 74,4% a.a. As variações mais significativas foram registradas nas taxas de cheque especial e crédito pessoal, que subiram 8,8 p.p. e 4,5 p.p., respectivamente. Cabe ressaltar que essas operações tradicionalmente apresentam taxas mais elevadas, dentre as modalidades destinadas a pessoas físicas, devido à inexistência de garantias reais, característica que afeta seu nível de risco. Destaca-se, ainda, que o aumento da inadimplência verificado desde junho contribuiu para a elevação das taxas de crédito pessoal e cheque especial.

Com relação ao prazo das operações, observa-se que não ocorreram alterações relevantes em agosto, conforme esperado, em virtude das condições menos favoráveis do mercado de crédito. Nesse sentido, no segmento de pessoas jurídicas, o prazo médio manteve-se no mesmo patamar de julho, situando-se em 95 dias. Nas operações com pessoas físicas verificou-se ligeira diminuição nos prazos, principalmente para o crédito pessoal, de 199 dias em julho para 187 dias em agosto.

A inadimplência, em termos gerais, manteve-se estável, após o aumento verificado nos dois meses anteriores. Nas operações com pessoas jurídicas, os atrasos de 15 a 90 dias decresceram de 2,4%, em julho, para 2,1%, em agosto, enquanto que a faixa acima de 90 dias mostrou discreto incremento, passando de 3,3% em julho para 3,4% em agosto, cabendo destacar o aumento nas operações de desconto de duplicatas e notas promissórias. Nas operações com pessoas físicas, os atrasos de 15 a 90 dias permaneceram nos mesmos níveis de julho, 6,7%, e os percentuais acima de 90 dias expandiram-se de 5,7%, em julho, para 6% em agosto. A deterioração das carteiras mostrou-se mais significativa para o crédito pessoal, cujo percentual médio de atrasos de 15 a 90 dias subiu de 6,1% em julho para 6,8% em agosto, e o percentual acima de 90 dias passou de 5,8% para 6,6%, no mesmo período.

Com respeito às medidas adotadas visando a melhoria das condições do mercado de crédito e, consequentemente, a redução dos níveis das taxas de juros e do spread bancário, cabe destacar a divulgação das Medidas Provisórias 2.221 e 2.223, ambas de 4.9.2001, relacionadas às operações de financiamento imobiliário.

A Medida Provisória 2.221 teve como objetivo diminuir os riscos dos mutuários e dos financiadores imobiliários, instituindo o patrimônio de afetação, que separa os valores relativos a terrenos e suas incorporações imobiliárias e benfeitorias, bem como os bens e direitos a elas vinculados.

A Medida Provisória 2.223, que ampliou os instrumentos de captação de recursos destinados ao financiamento imobiliário, com a criação da Letra de Câmbio Imobiliária (LCI) e da Cédula de Crédito Imobiliário (CCI). A LCI possibilita o uso de outras garantias reais, como a alienação fiduciária, além da hipoteca, prevista na Letra Hipotecária (LH). A CCI constitui instrumento voltado para o mercado secundário de títulos, que apresenta a faculdade de ser integral, quando representar a totalidade do crédito, ou fracionária, quando representar parte dele, não podendo a soma das CCI fracionárias emitidas em relação a cada crédito exceder o valor total do crédito que elas representam. A CCI pode ser emitida sob a forma escritural, podendo contar com garantia real ou fiduciária, o que aumenta sua liquidez. Outra alteração importante em relação à liquidez desses títulos foi a introdução da atualização mensal, por índices de preços, em contratos imobiliários com prazo acima de 36 meses.



Estatísticas complementares às divulgadas nesta Nota podem ser obtidas na página do Banco Central, na internet: Sistema Financeiro Nacional - Informações sobre operações bancárias - Taxas de operações de crédito - Dados Consolidados (mensal).