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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 24.11.2016

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo total das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$3.095 bilhões em outubro, após declínios de 0,5% no mês e 2% em doze meses (variações respectivas de -0,2% e -1,7% no mês anterior). Nas operações com pessoas jurídicas, saldo de R$1.556 bilhões, registraram-se reduções de 0,8% no mês e de 6,7% em doze meses, enquanto na carteira com pessoas físicas, R$1.539 bilhões, computaram-se variações de -0,2% e +3,3%, nos mesmos períodos. A relação crédito/PIB alcançou 50,3%, ante 50,8% em setembro e 53,8% em outubro de 2015.

A carteira com recursos livres somou R$1.544 bilhões, refletindo contrações de 0,2% no mês e de 3,7% em doze meses. No mês, o crédito às famílias aumentou 0,2%, para R$802 bilhões, com destaque para as operações com cartão de crédito à vista. Em sentido inverso, a carteira das pessoas jurídicas registrou declínio de 0,6%, totalizando R$741 bilhões, com reduções mais significativas em financiamentos às exportações, repasses externos e outros créditos.

Os financiamentos com recursos direcionados atingiram saldo de R$1.552 bilhões (-0,7% no mês e -0,2% em doze meses). No segmento de pessoas jurídicas, o saldo de R$815 bilhões declinou 0,9% no mês, ressaltando-se os recuos nos financiamentos para investimentos com recursos do BNDES, como resultado da variação cambial e da liquidação de contratos. As operações com pessoas físicas somaram R$737 bilhões (-0,6% no mês), refletindo redução de 0,6% na carteira imobiliária.

Entre os setores de atividade econômica, os saldos destinados à indústria situaram-se em R$759 bilhões (-1,1% no mês), com destaque para as retrações de 1,3% no setor de transformação e de 8% no extrativo. Os empréstimos ao setor de serviços declinaram 0,4%, para R$741 bilhões, com reduções em comércio (-0,7%) e transportes (-0,6%).

Nas estatísticas de crédito regionais, consideradas as operações acima de R$1 mil, a carteira contratada apresentou retração em todas as regiões: Sudeste (R$1.660 bilhões, -0,7%), Sul (R$544 bilhões, -0,4%), Nordeste (R$396 bilhões, -0,3%), Centro-Oeste (R$324 bilhões, -0,2%) e Norte (R$116 bilhões, -0,4%).


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, consideradas as operações com recursos livres e direcionados, alcançou 33,3% a.a. em outubro, após aumentos de 0,3 p.p. no mês e de 2,8 p.p. em doze meses. O custo médio aumentou no crédito livre, atingindo 54% a.a. (+0,6 p.p. no mês e +6,1 p.p. em doze meses). No crédito direcionado, a taxa variou -0,1 p.p. e +0,5 p.p., nos mesmos períodos, situando-se em 11% a.a.

No crédito às pessoas físicas, a taxa média de juros elevou-se 0,2 p.p. no mês e 4,0 p.p. em doze meses, atingindo 42,7% a.a. Nas contratações com recursos livres, o indicador alcançou 73,7% a.a. (+0,5 p.p. no mês), com destaque para cheque especial (+4 p.p.) e crédito pessoal não consignado (+1,5 p.p.). No crédito direcionado, o custo médio às famílias declinou 0,2 p.p. no mês, para 10,2% a.a., influenciado pela redução de 0,4 p.p. nos financiamentos imobiliários.

Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros situou-se em 21,7% a.a. (+0,3 p.p. no mês e 0,2 p.p. em doze meses). Nas operações com recursos livres, a taxa aumentou 0,6 p.p. no mês, para 30,4% a.a. (conta garantida: +2,7 p.p., desconto de duplicatas: +2,0 p.p.). No crédito direcionado, o custo médio permaneceu estável em 12% a.a. em outubro.

O spread bancário referente às contratações com recursos livres e direcionados aumentou 0,5 p.p. no mês e 4,4 p.p. em doze meses, para 23,9 p.p. em outubro. Os indicadores relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas aumentaram 0,5 p.p. no mês, atingindo 33,3 p.p. e 12,4 p.p., respectivamente. No crédito livre, o spread aumentou 1,0 p.p., para 42,2 p.p., enquanto no direcionado, manteve-se estável em 4,3 p.p.

A taxa de inadimplência da carteira de crédito do sistema financeiro, referente a atrasos superiores a noventa dias, alcançou 3,9% (+0,2 p.p. no mês e +0,7 p.p. em doze meses). Nas operações com famílias, o nível de atrasos permaneceu em 4,2%, enquanto, no crédito às empresas, alcançou 3,6%, após aumento de 0,3 p.p. no mês. No segmento livre, a inadimplência não registrou variação, situando-se em 5,9%, enquanto no direcionado, aumentou 0,3 p.p., para 1,9% em outubro.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária atingiu R$244,1 bilhões em outubro, com acréscimos de 0,4% no mês e 2,8% em doze meses. A evolução mensal refletiu crescimento de 0,4% no papel-moeda emitido e redução de 0,2% nas reservas bancárias.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se as operações do Tesouro Nacional, com impacto contracionista de R$34,2 bilhões, e as operações com títulos públicos federais, que implicaram expansão de R$35,2 bilhões, a partir de resgates líquidos de R$36,9 bilhões no mercado primário e vendas líquidas de R$1,7 bilhão no mercado secundário.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) somou R$311,4 bilhões em outubro, com aumento mensal de 1,2%, decorrente da evolução positiva de 3,1% nos depósitos à vista e da retração de 0,2% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 cresceu 2,9%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos emitidos por instituições financeiras, aumentou 0,6% em outubro, totalizando R$2,3 trilhões. Esse resultado refletiu o crescimento de 1% no saldo de títulos, que atingiu 1,3 trilhão, embora com resgates líquidos de R$3,5 bilhões em depósitos a prazo. O saldo dos depósitos de poupança, R$645,6 bilhões, apresentou estabilidade em relação ao mês anterior, com resgates líquidos de R$2,7 bilhões, compensados pela remuneração dos depósitos.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, cresceu 1,1% no mês, totalizando R$5,1 trilhões, reflexo do crescimento de 1,8% nas quotas de fundos, cujo saldo somou R$2,6 trilhões. O M4, conceito que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou elevação de 0,5% no mês, apesar da redução de 3,3% no saldo dos títulos federais, que alcançou R$831,2 bilhões. Em doze meses, o M4 cresceu 11%, atingindo R$6 trilhões.