Logomarca BCB

Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 25.08.2016

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
 ZIP - 217 Kb

 Ajuda


I - Operações de crédito do sistema financeiro

O crédito total do sistema financeiro, incluindo operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.116 bilhões em julho, com retração de 0,4% no mês e expansão de 0,2% em doze meses (-0,6% e +0,9%, respectivamente, em junho). O recuo mensal resultou do declínio de 0,9% no crédito a pessoas jurídicas, saldo de R$1.586 bilhões, e do aumento de 0,1% na carteira de pessoas físicas, que somou R$1.530 bilhões. A relação crédito/PIB situou-se em 51,4%, ante 51,9% em junho e 53,3% em julho do ano anterior.

O crédito livre atingiu R$1.554 bilhões, após reduções de 1% no mês e de 2,5% em doze meses. A carteira de pessoas jurídicas declinou 1,8% no mês, totalizando R$755 bilhões, destacando-se os declínios em capital de giro e outros créditos livres (principalmente, aquisição de recebíveis). No crédito às famílias, o saldo situou-se em R$799 bilhões (-0,1% no mês), destacando-se a expansão do crédito pessoal consignado e o declínio nos financiamentos de veículos.

O crédito direcionado alcançou R$1.562 bilhões, com expansões de 0,1% no mês e 3% em doze meses. O saldo das operações com pessoas físicas cresceu 0,2%, atingindo R$732 bilhões, com aumento de 0,8% no crédito imobiliário. Os financiamentos às empresas permaneceram estáveis em R$830 bilhões.

Entre os setores de atividade econômica, destacaram-se retrações mensais em comércio (-2%, saldo de R$274 bilhões), outros serviços (-1,6%, para R$193 bilhões) e indústria de transformação (-0,7%, saldo de R$433 bilhões). O crédito ao setor privado declinou 0,5%, situando-se em R$2.861 bilhões, enquanto o saldo dos financiamentos ao setor público aumentou 0,2%, somando R$255 bilhões.

O saldo das operações de crédito acima de R$1 mil se manteve estável no Nordeste (R$399 bilhões) e recuou nas demais regiões: Sul (-0,5%, R$543 bilhões), Sudeste (-0,4%, R$1.674 bilhões), Centro-Oeste (-0,4%, R$324 bilhões) e Norte (-0,4%, R$116 bilhões).


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, incluindo as contratações com recursos livres e direcionados, atingiu 33% a.a. em julho, com aumentos de 0,4 p.p no mês e 4,6 p.p. em doze meses. No segmento livre, a taxa atingiu 52,7% a.a. (+0,5 p.p no mês e +8,5 p.p. em doze meses) e, no direcionado, 11,5% a.a. (+0,5 p.p. e +1,4 p.p., nas mesmas bases de comparação).

A taxa média de juros no crédito às famílias situou-se em 42% a.a., com elevações de 0,2 p.p. no mês e de 5,7 p.p. em doze meses. No mês, a taxa situou-se em 71,9% a.a. no crédito livre, após aumento de 0,5 p.p. (crédito não consignado, +3,9 p.p.; cheque especial, +2,7 p.p.; cartão de crédito parcelado, +2,3 p.p.). No crédito direcionado, a taxa média subiu 0,1 p.p., atingindo 10,6% a.a.

A taxa de juros do crédito às empresas atingiu 22,1% a.a., elevando-se 0,4 p.p. no mês e 2,3 p.p. em doze meses. No segmento livre, alta de 0,1 p.p. e taxa média de 30,4% a.a. (desconto de duplicatas, +3 p.p.; financiamentos a exportações, +1,6 p.p.; conta garantida, +1,3 p.p.). No segmento direcionado, o custo médio subiu 1 p.p. no mês, para 12,7% a.a. (financiamentos para investimento do BNDES, +1,4 p.p.).

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados situou-se em 23,2 p.p. em julho, após aumentos de 0,5 p.p. no mês e 4,8 p.p. em doze meses. O aumento mensal refletiu elevações respectivas de 0,5 p.p. e 0,2 p.p. nos créditos às empresas e às famílias.

A taxa de inadimplência das operações de crédito, correspondente aos atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 3,6% em julho (+0,1 p.p. no mês e +0,6 p.p. em doze meses), alcançando 4,1% no crédito às famílias (+0,1%) e 3% no crédito às empresas (estável). No crédito livre, a inadimplência alcançou 5,7% (+0,1 p.p.), enquanto no segmento direcionado, permaneceu em 1,4%.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária totalizou R$237,5 bilhões em julho, com expansões de 0,4% no mês e de 1,5% em doze meses. A variação mensal refletiu o aumento de 0,5% no papel-moeda emitido e a queda de 0,2% nas reservas bancárias.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se as operações do Tesouro Nacional e as compras líquidas de divisas no mercado interbancário, com impactos expansionistas de R$30,2 bilhões e R$19,2 bilhões, respectivamente. Em contrapartida, as operações com títulos públicos federais implicaram contração de R$48,4 bilhões, a partir de vendas líquidas de R$81,7 bilhões no mercado secundário e resgates líquidos de R$33,3 bilhões no mercado primário.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) alcançou R$304,1 bilhões em julho, com acréscimo mensal de 1,7%, decorrente dos avanços de 3,2% nos depósitos à vista e de 0,6% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 recuou 0,5%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, cresceu 0,3% em julho, totalizando R$2,3 trilhões. Essa variação refletiu o aumento de 0,4% nos depósitos de poupança, cujo saldo situou-se em R$642,4 bilhões, apesar do resgate líquido de R$1,1 bilhão. O saldo de títulos privados elevou-se 0,5%, somando R$1,3 trilhão, com captações líquidas de R$3,4 bilhões em depósitos a prazo.

O M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, cresceu 1,1% no mês, atingindo R$5 trilhões, após aumento de 1,8% nas quotas de fundos de renda fixa, que somaram R$2,5 trilhões. O M4, conceito que agrega ao M3 os títulos públicos de detentores não financeiros, cresceu 0,7% no mês e 11,3% nos últimos doze meses, totalizando R$5,9 trilhões.