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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 24.8.2017

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$3.062 bilhões em julho, após reduções de 0,6% no mês e 1,7% em doze meses (ante variações respectivas de +0,4% e -1,6% em junho). A carteira das empresas, saldo de R$1.463 bilhões, reduziu-se em 1,4% no mês, enquanto o crédito a pessoas físicas cresceu 0,2%, alcançando R$1.598 bilhões. A relação crédito/PIB declinou 0,4 p.p., situando-se em 47,8% (50,7% em julho de 2016).

O crédito com recursos livres totalizou R$1.521 bilhões (-0,7% no mês e -2,1% em doze meses). O saldo dos empréstimos a pessoas físicas manteve crescimento na ordem de 0,5% no mês, para R$822 bilhões, destacando-se o crédito consignado e o cartão à vista. A carteira com o segmento corporativo totalizou R$699 bilhões (-2,1% no mês), sobressaindo as reduções em desconto de duplicatas e recebíveis e capital de giro.

O crédito direcionado somou R$1.541 bilhões (-0,4% no mês e -1,3% em doze meses). Os financiamentos a famílias registraram redução de 0,1% no mês, para R$776 bilhões, com a queda de 2,8% no rural contrapondo ao crescimento de 0,7% no imobiliário. No segmento corporativo, redução de 0,6% no saldo, para R$765 bilhões, refletindo a contração das operações com recursos do BNDES.

Considerados os segmentos de atividade econômica dos tomadores de crédito, as principais retrações ocorreram no comércio (-3,1%, R$248 bilhões), na indústria de transformação (-0,9%, R$381 bilhões) e na indústria de construção (-1,8%, R$92 bilhões). Regionalmente, incluídas as operações acima de R$1 mil, apenas a carteira do Nordeste permaneceu estável (R$398 bilhões), ocorrendo retração no saldo de crédito das demais regiões, principalmente Sul (-0,8%, R$547 bilhões) e Sudeste (-0,4%, R$1.615 bilhões).


Taxas de juros e inadimplência

O custo médio de todas as operações de crédito ativas - Indicador de Custo do Crédito (ICC)-, não apresentou variação em julho, mantendo-se em 22,2% a.a. (-0,6 p.p. em doze meses). Nas transações com recursos livres, o indicador permaneceu estável em relação ao mês anterior, 37,1%. No crédito direcionado, o ICC alcançou 8,9% (-0,1 p.p. no mês).

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, que reflete as contratações efetuadas no mês, com recursos livres e direcionados, alcançou 29% a.a. em julho (+0,2 p.p. no mês e -4,0 p.p. em doze meses). No segmento livre, o custo médio apresentou acréscimo de 0,4 p.p. no mês, para 46,6%, enquanto no direcionado, permaneceu em 10,2% a.a.

No crédito às famílias, a taxa média permaneceu em 36,5% a.a. (-5,6 p.p. em doze meses). Nas contratações livres, ocorreu elevação de 0,4 p.p. no mês, para 63,8% a.a., destacando-se crédito pessoal não consignado (+7,2 p.p.) e cartão rotativo não regular (+39,3 p.p). No direcionado, o custo médio declinou 0,2 p.p., para 9,0% a.a. (crédito rural: -0,6 p.p.).

Nas operações com empresas, a taxa média de juros atingiu 19% a.a. (+0,3 p.p. no mês e -3,1 p.p. em doze meses). No segmento livre, a taxa situou-se em 25,3% a.a. ( +0,5 p.p. no mês), destacando-se desconto de duplicatas e recebíveis (+2,3 p.p.) e capital de giro (+0,5 p.p.). No crédito direcionado, a taxa aumentou 0,1 p.p. no mês, para 11,8% a.a.

O spread médio das contratações com recursos livres e direcionados situou-se em 21,5 p.p. (+0,5 p.p. no mês e -1,6 p.p. em doze meses), com aumento mensal tanto nas operações com famílias (+0,2 p.p, para 29 p.p.) quanto com empresas (+0,7 p.p., para 11,5 p.p.). O indicador alcançou 37,6 p.p. no crédito livre (+1,0 p.p.) e 4,3 p.p. no direcionado (-0,1 p.p.).

A taxa de inadimplência, correspondente à participação dos saldos com atrasos superiores a noventa dias, permaneceu estável em 3,8% em julho (+0,2 p.p. em doze meses). O nível de atrasos não se alterou tanto nas operações com famílias (3,9%) quanto no segmento corporativo (3,6%). A inadimplência também permaneceu estável no crédito livre (5,6%) e aumentou 0,1 p.p. no direcionado, para 2,0% em julho.


II - Evolução dos agregados monetários

A base monetária registrou saldo médio diário de R$251,4 bilhões em julho, após elevações de 0,3% no mês e de 5,8% em doze meses. A variação mensal refletiu o acréscimo de 1% no saldo do papel-moeda emitido e a redução de 3,2% na posição das reservas bancárias.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se as operações com títulos públicos federais, com impacto contracionista de R$32,5 bilhões (vendas líquidas de R$70,8 bilhões no mercado secundário e resgates líquidos de R$38,3 bilhões no mercado primário) e as operações do Tesouro Nacional, que implicaram expansão de R$27,7 bilhões.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) situou-se em R$319,6 bilhões em julho, crescimento de 1,5% no mês, correspondente às evoluções positivas de 1,8% nos depósitos à vista e de 1,3% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 aumentou 5,1%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 acrescido de depósitos de poupança e títulos privados emitidos por instituições financeiras, registrou queda de 0,4% em julho, totalizando R$2,4 trilhões. Essa variação foi determinada pela retração de 1% nos títulos privados, saldo de R$1,4 trilhão, apesar do crescimento de 0,8% nos depósitos de poupança, que somaram R$683,9 bilhões. No mês, ocorreram captações líquidas de R$9,6 bilhões na poupança e resgates líquidos de R$10,2 bilhões em depósitos a prazo.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, expandiu-se 0,8% no mês, totalizando R$5,6 trilhões. O saldo das quotas de fundos alcançou R$3,1 trilhões (+2,3% no mês), enquanto o estoque das operações compromissadas com títulos públicos federais recuou 12,2%. O M4, conceito que acrescenta ao M3 os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou elevação de 0,6% no mês e de 8,3% em 12 meses, atingindo R$6,4 trilhões.