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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 29.3.2017

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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 Ajuda


I - Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$3.070 bilhões em fevereiro (-0,1% no mês e -3,5% em doze meses). As operações com pessoas jurídicas, saldo de R$1.504 bilhões, decresceram 0,3% no mês, enquanto a carteira de pessoas físicas permaneceu estável em R$1.567 bilhões. A relação crédito/PIB declinou 0,2 p.p, para 48,7%, ante 52,7% em fevereiro de 2016.

A carteira com recursos livres totalizou R$1.530 bilhões (-0,2% no mês e -4,6% em doze meses). O saldo com pessoas físicas diminuiu 0,5% no mês, para R$805 bilhões, destacando-se as retrações em cheque especial e cartão de crédito à vista, e o crescimento no crédito consignado. Na carteira de empresas, o saldo cresceu 0,1%, alcançando R$724 bilhões, com destaque para financiamento às exportações, conta garantida e adiantamentos sobre contratos de câmbio.

Nas operações com recursos direcionados, o saldo alcançou R$1.541 bilhões, reduções de 0,1% no mês e de 2,5% em doze meses. Na carteira das empresas, observou-se declínio de 0,7%, para R$779 bilhões, com destaque para liquidações em financiamentos de investimentos com recursos do BNDES. Em sentido inverso, o saldo registrou crescimento no segmento de pessoas físicas, para R$761 bilhões (+0,6%), com aumentos em crédito rural e imobiliário.

Na segmentação por atividade econômica, o crédito para a indústria registrou queda mensal de 0,4%, totalizando R$732 bilhões, refletindo reduções nos segmentos de transformação (-0,5%, para R$398 bilhões) e de construção (-0,9%, para R$98 bilhões). No setor de serviços, contração de 0,2%, para R$719 bilhões, com reduções em comércio (-0,5%, R$259 bilhões) e transportes (-0,6%, R$138 bilhões).

Consideradas as operações acima de R$1 mil, a carteira de crédito não registrou alteração nas regiões Sudeste (R$1.629 bilhões), Sul (R$550 bilhões) e Norte (R$115 bilhões). Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, expansões de 0,2% no mês, alcançando R$397 bilhões e R$329 bilhões, respectivamente.


Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, consideradas as contratações com recursos livres e direcionados, situou-se em 32,2% a.a. em fevereiro, com redução de 0,6 p.p. no mês (+0,4 p.p. em doze meses). O custo médio atingiu 53,2% a.a. no crédito livre (+0,3 p.p. no mês) e 9,9% a.a. no direcionado (-1.4 p.p. no mês).

A taxa média alcançou 41,4% a.a. nas operações com pessoas físicas (-0,5 p.p. no mês e + 1,4 p.p. em doze meses). No crédito livre, a taxa registrou aumento de 0,5 p.p. no mês, para 73,2% a.a. A despeito dessa alta, destacou-se a retração de 5,2 p.p. da taxa de juros do cartão de crédito rotativo no mês, primeira queda desde outubro. A taxa média do cartão de crédito total, contudo, se elevou refletindo o efeito composição, isto é, a diminuição no mês (por razões sazonais) da participação das operações à vista, nas quais não incidem taxas de juros. Nas contratações do crédito direcionado, a taxa recuou para 9,1% (-1,3 p.p.), com redução de 1,9 p.p. nos financiamentos imobiliários com taxas reguladas.

No segmento de pessoas jurídicas, a taxa média atingiu 20,3% a.a. (-0,8 p.p. no mês e -2,3 p.p. em doze meses). No crédito livre, o custo médio alcançou 28,7% (-0,1 p.p. no mês), com reduções em capital de giro (-0,7 p.p.), desconto de duplicatas (-4,3 p.p.) e financiamento a exportações (-1,8 p.p.). No crédito direcionado, a taxa situou-se em 10,9% a.a (-1,6 p.p.), com destaque para financiamentos de investimentos do BNDES (-1,8 p.p).

O spread médio das operações com recursos livres e direcionados situou-se em 23,9 p.p. (+0,1 p.p. no mês e +3,1 p.p. em doze meses), alcançando 42,5 p.p. no crédito livre (+0,7 p.p. no mês) e 4,1 p.p. no direcionado (-0,5 p.p.). O indicador aumentou 0,5 p.p. no segmento das famílias, para 33,3 p.p., e diminuiu 0,6 p.p. nas contratações com empresas, para 11,7 p.p.

A taxa de inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, correspondente à participação dos saldos com atrasos superiores a noventa dias, manteve-se estável pelo terceiro mês consecutivo em 3,7%, mas com variação de +0,2 p.p. em doze meses. No mês, o nível de atrasos permaneceu inalterado nas operações com famílias (4,0%) e empresas (3,5%). A inadimplência alcançou 5,6% na carteira livre (-0,1 p.p.) e 1,9% no crédito direcionado (+0,1 p.p.).


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária totalizou R$251,6 bilhões em fevereiro, refletindo decréscimo de 3,4% no mês, decorrente da redução de 11,8% nas reservas bancárias e de 1,8% no saldo do papel-moeda emitido. Em doze meses, o saldo da base monetária cresceu 3%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se as operações do Tesouro Nacional e as do setor externo, com impactos expansionistas respectivos de R$17,2 bilhões e R$3,2 bilhões. Em contraposição, as operações com títulos públicos federais provocaram contração de R$17 bilhões, resultante de colocações líquidas de R$56,5 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$39,5 bilhões no mercado secundário.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$315,7 bilhões em fevereiro, após declínio mensal de 2,9%, correspondente às variações negativas de 4,1% nos depósitos à vista e de 2,1% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 avançou 1,7%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 acrescido de depósitos de poupança e títulos privados, registrou crescimento mensal de 0,3% em fevereiro, somando R$2,3 trilhões. Esse resultado traduziu o aumento de 2,1% no M1 e de 0,3% nos depósitos de poupança, cujo saldo alcançou R$664 bilhões. O saldo dos títulos emitidos por instituições financeiras permaneceu estável em R$1,3 trilhão. No mês, ocorreram resgates líquidos de R$1,7 bilhão em depósitos de poupança e captações líquidas de R$2,4 bilhões em depósitos a prazo.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, apresentou expansão de 0,8% no mês, atingindo R$5,4 trilhões, resultado das elevações de 1,7% nas quotas de fundos e da retração de 8,9% nas compromissadas, que somaram, respectivamente, R$2,9 trilhões e R$168,9 bilhões. O M4, conceito que acrescenta ao M3 os títulos públicos de detentores não financeiros, cresceu 0,5% no mês e 9,7% nos últimos 12 meses, totalizando R$6,2 trilhões.