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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 28.09.2016

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo total das operações de crédito do sistema financeiro, com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.115 bilhões em agosto, registrando estabilidade no mês e declínio de 0,6% em doze meses (-0,4% e +0,2% em julho, nos mesmos períodos). No mês, a retração de 0,6% na carteira de pessoas jurídicas, saldo de R$1.575 bilhões, contrabalançou elevação equivalente no segmento de pessoas físicas, que totalizou R$1.540 bilhões. A relação crédito/PIB atingiu 51,1%, ante 53,6% em agosto de 2015.

O crédito com recursos livres somou R$1.550 bilhões, após retrações de 0,3% no mês e de 3,2% em doze meses. Nos empréstimos às empresas, saldo de R$747 bilhões (-1,1% no mês), destacaram-se os declínios em capital de giro (-1,6%) e nas operações vinculadas ao comércio exterior, especialmente adiantamentos de contrato de câmbio (-1,9%). Em sentido oposto, o crédito livre às famílias cresceu 0,5% no mês, alcançando R$803 bilhões, sobressaindo as contratações de crédito consignado para beneficiários do INSS (+1,3%) e as operações com cartão de crédito à vista (+3,3%).

Os financiamentos com recursos direcionados alcançaram saldo de R$1.565 bilhões, com aumentos de 0,2% no mês e de 2% em doze meses, sustentados pelos créditos às pessoas físicas, que somaram R$736 bilhões (+0,6% no mês), sobressaindo o crédito imobiliário com expansão de 0,8%. No segmento corporativo, saldo de R$828 bilhões, contração de 0,2%, refletindo, principalmente, o recuo de 0,7% nas operações para investimentos com recursos do BNDES.

Entre os setores de atividade econômica, os créditos destinados à indústria, saldo de R$777 bilhões, diminuíram 0,8% no mês, embora com expansão de 0,2% no ramo extrativo. Os empréstimos ao setor de serviços recuaram 0,4%, totalizando R$740 bilhões, apesar do crescimento de 2,3% nos créditos para a administração pública.

Na abertura dos dados de crédito por região, consideradas as operações de crédito acima de R$1 mil, permaneceram estáveis os saldos referentes ao Sul (R$543 bilhões), ao Nordeste (R$399 bilhões) e ao Norte (R$116 bilhões). Registraram declínio as carteiras das regiões Centro-Oeste (-0,3%, R$324 bilhões) e Sudeste (-0,1%, R$1.674 bilhões).


I.1 - Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro atingiu 32,9% a.a. em agosto (-0,1 p.p. no mês e +3,9 p.p. em doze meses). No crédito livre, a taxa prosseguiu em elevação, alcançando 53% a.a. (+0,3 p.p. no mês e +7,6 p.p. em doze meses), enquanto nas contratações com recursos direcionados, o custo médio situou-se em 11,3% a.a. (-0,3 p.p. no mês e +1,1 p.p. em doze meses).

No segmento de pessoas físicas, a taxa média declinou 0,2 p.p. no mês, para 41,9% a.a., porém com elevação de 4,9 p.p. em doze meses. Nas contratações com recursos livres, o custo médio atingiu 71,9% a.a. (-0,1 p.p. no mês), com destaque para o crédito renegociado (-2 p.p.). No crédito direcionado, a taxa recuou 0,2 p.p. no mês, situando-se em 10,4% a.a.

Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros situou-se em 22% a.a. (-0,1 p.p. no mês e +1,6 p.p. em doze meses). Nas operações com recursos livres, o custo médio aumentou 0,3 p.p. no mês, para 30,7% a.a., destacando-se elevações em adiantamentos sobre contratos de câmbio (+0,4 p.p.) e repasses externos (+5,8 p.p.). Nas contratações com recursos direcionados, a taxa atingiu 12,3% a.a. (-0,5 p.p. no mês), refletindo declínio de 0,4 p.p. nos financiamentos para investimentos com recursos do BNDES.

O spread bancário geral situou-se em 23,2 p.p. em agosto, mantendo-se estável no mês, com elevação de 4,4 p.p. em doze meses. Os indicadores relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas alcançaram 32,1 p.p. (estabilidade no mês) e 12,4 p.p. (-0,1 p.p.), respectivamente. No crédito livre, o spread aumentou 0,3 p.p., para 40,7 p.p., declinando 0,1 p.p. no direcionado, para 4,4 p.p.

A taxa de inadimplência das operações de crédito, correspondente aos atrasos superiores a noventa dias, permaneceu estável em 3,6% em agosto, com crescimento de 0,5 p.p. em doze meses. No crédito às famílias, o indicador manteve-se em 4,1%, elevando-se 0,1 p.p. no crédito às empresas, para 3,1%. No crédito livre, a inadimplência permaneceu estável em 5,7%, aumentando 0,1 p.p. no direcionado, para 1,5%.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária totalizou R$237,2 bilhões em agosto, com variações de -0,1% no mês e de 3,4% em doze meses. A evolução mensal refletiu redução de 0,2% no papel-moeda emitido e crescimento de 0,5% nas reservas bancárias.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se os depósitos de instituições financeiras, que compreendem as variações nos saldos de recolhimentos compulsórios, e as operações com títulos públicos federais, com impactos contracionistas de R$5,1 bilhões e R$5,8 bilhões, respectivamente. Em contrapartida, as operações do Tesouro Nacional implicaram expansão de R$5,5 bilhões.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) alcançou R$301,4 bilhões em agosto, com retração mensal de 0,9%, decorrente dos recuos de 1,3% nos depósitos à vista e de 0,6% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 cresceu 0,6%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, expandiu-se 0,5% em agosto, somando R$2,3 trilhões. O saldo das cadernetas de poupança, R$643,7 bilhões, manteve-se estável na comparação com o mês anterior, com resgates líquidos de R$4,5 bilhões compensados pela incorporação da remuneração dos depósitos. O saldo dos títulos privados cresceu 0,9%, atingindo R$1,3 trilhão, após captações líquidas de R$6,8 bilhões nos depósitos a prazo.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, elevou-se 1,2% no mês, totalizando R$5,1 trilhões. O saldo das quotas de fundos de renda fixa cresceu 2%, situando-se em R$2,6 trilhões, enquanto as operações compromissadas, saldo de R$210 bilhões, recuaram 1% em relação a julho. O M4, que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, apresentou contração de 0,5% no mês e expansão de 11,5% em doze meses, somando R$5,9 trilhões.