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Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

NOTA PARA A IMPRENSA - 23.2.2017

Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
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I - Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$3.074 bilhões em janeiro, com reduções de 1% no mês e de 3,9% em doze meses. A evolução mensal foi influenciada pela sazonalidade do crédito às empresas, saldo de R$1.508 bilhões, que recuaram 2,4%, enquanto as operações com pessoas físicas cresceram 0,3%, alcançando R$1.565 bilhões. A relação crédito/PIB decresceu para 48,7%, ante 53,2% em janeiro de 2016.

A carteira de crédito com recursos livres, após dois meses de expansão mensal, recuou 1,5% em janeiro e 5,1% em doze meses, situando-se em R$1.532 bilhões. O crédito a pessoas jurídicas declinou 3,2% no mês, para R$723 bilhões, destacando-se as reduções em desconto de duplicatas, outros créditos e capital de giro. Na carteira livre de pessoas físicas, o saldo permaneceu estável em R$809 bilhões, com declínio nas contratações de cartão de crédito à vista e expansão no crédito consignado.

O crédito direcionado totalizou R$1.541 bilhões (-0,5% no mês e -2,7% em doze meses), destacando-se a contração mensal de 1,6% na carteira de empresas (saldo de R$785 bilhões), com ênfase nas liquidações de créditos com recursos do BNDES. No segmento de pessoas físicas, saldo de R$757 bilhões, ocorreu aumento de 0,6% no mês, com crescimento nas carteiras de crédito rural e financiamentos imobiliários.

Na segmentação por atividade econômica, o saldo apresentou queda em todos os setores, com retrações mais significativas em comércio (-5%, para R$261 bilhões), indústria de transformação (-2,4%, para R$400 bilhões), construção (-1,8%, para R$99 bilhões) e transportes (-1,4%, para R$139 bilhões).

Consideradas as operações acima de R$1 mil, a carteira de crédito apresentou contração em todas as regiões no mês de janeiro: Sudeste (-1,2%, saldo de R$1.630 bilhões), Norte (-0,9%, R$115 bilhões), Sul (-0,7%, R$549 bilhões), Nordeste (-0,3%, R$397 bilhões) e Centro-Oeste (-0,1%, R$329 bilhões).


Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, consideradas as contratações com recursos livres e direcionados, situou-se em 32,8% a.a. em janeiro, com elevações de 0,8 p.p. no mês e de 1,5 p.p. em doze meses. O custo médio atingiu 52,8% a.a. no crédito livre (+1,2 p.p. no mês) e 11,3% a.a. no direcionado (+0,7 p.p. no mês).

A taxa média situou-se em 41,9% a.a. nas contratações com pessoas físicas, elevações de 0,3 p.p. no mês e de 2,5 p.p. em doze meses. No mês, a trajetória foi determinada pela taxa de juros com recursos livres, cujos encargos subiram 1 p.p., para 72,7%, com destaque para aumentos em crédito pessoal não consignado (+1,1 p.p.) e consignado (+0,2 p.p.). No crédito direcionado às famílias, a taxa média de juros manteve-se em 10,4% a.a.

No segmento de pessoas jurídicas, a taxa média atingiu 21,1% a.a., avançando 1,2 p.p. no mês (-1,4 p.p. em doze meses). A taxa aumentou 1 p.p. nas contratações com recursos livres, alcançando 28,8% a.a., destacando-se elevações em desconto de duplicatas (+3,4 p.p.), capital de giro (+0,7 p.p.) e financiamentos a exportações (+2,8 p.p.). No crédito direcionado, a elevação de 1,6 p.p. na taxa média, para 12,5% a.a., esteve concentrada nas operações com recursos do BNDES.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados situou-se em 23,8 p.p. em janeiro (+1,3 p.p. no mês e +3,8 p.p. em doze meses), atingindo 41,7 p.p. nas operações livres (+2 p.p. no mês) e 4,6 p.p. nas operações com recursos direcionados (+0,9 p.p.). O indicador alcançou 32,8 p.p. no segmento de pessoas físicas e 12,3 p.p. no de pessoas jurídicas, aumentando 0,8 p.p. e 1,7 p.p. no mês, respectivamente.

A taxa de inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, que corresponde à participação dos saldos com atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 3,7% em janeiro, estabilidade no mês e crescimento de 0,2 p.p. em doze meses. O nível de atrasos alcançou 4,0% no segmento de pessoas físicas (+0,1 p.p. no mês) e manteve-se em 3,5% no de pessoas jurídicas. A inadimplência permaneceu estável em 5,7% na carteira livre e em 1,8% no crédito direcionado.


II - Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária totalizou R$260,4 bilhões em janeiro, com declínio de 1,9% no mês e acréscimo de 3,5% em doze meses. A variação mensal repercutiu a redução de 3,6% no saldo do papel-moeda emitido e o crescimento de 8,4% nas reservas bancárias, que ainda refletem o aumento sazonal da demanda por moeda em dezembro.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, sobressaíram os impactos contracionistas das operações com títulos públicos federais (R$6,4 bilhões), dos depósitos de instituições financeiras, que incluem as variações nos saldos de recolhimentos compulsórios (R$5,8 bilhões), e dos ajustes nas operações com derivativos (R$5,1 bilhões). Em contraponto, as operações do Tesouro Nacional foram expansionistas em R$8,1 bilhões.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) situou-se em R$325,3 bilhões em janeiro, refletindo declínio mensal de 4,6%, correspondente aos recuos de 6% nos depósitos à vista e de 3,5% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 cresceu 2,1%.

Os meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 acrescido de depósitos de poupança e títulos privados, registraram retração mensal de 2,3% em janeiro, totalizando R$2,3 trilhões. Esse resultado traduziu os declínios de 10,4% no M1, de 1% nos depósitos de poupança (saldo de R$665 bilhões) e de 0,8% nos títulos emitidos por instituições financeiras (saldo de R$1,3 trilhão). No mês, ocorreram resgates líquidos de R$10,7 bilhões em depósitos de poupança e de R$9,4 bilhões em depósitos a prazo.

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, apresentou expansão de 0,7% no mês, atingindo R$5,3 trilhões, reflexo das elevações de 3% nas quotas de fundos de renda fixa e de 6% no saldo das operações compromissadas, que somaram, respectivamente, R$2,8 trilhões e R$185,4 bilhões. O M4, conceito que acrescenta ao M3 os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou elevação de 0,2% no mês e de 10,4% nos últimos 12 meses, totalizando R$6,2 trilhões.