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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 26.7.2016

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I - Balanço de pagamentos - Junho de 2016

Em junho, as transações correntes apresentaram deficit de US$2,5 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, deficit de US$29,4 bilhões, equivalente a 1,67% do PIB. Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$2,2 bilhões, destacando-se os ingressos líquidos de US$3,9 bilhões em investimento direto no país.

A conta de serviços registrou despesas líquidas de US$3,6 bilhões no mês, aumento de 5,5% comparativamente ao resultado de junho de 2015, em decorrência de recuos nas receitas e nas despesas brutas de 11,1% e 2,0%, respectivamente. As despesas líquidas com serviços de propriedade intelectual e com serviços culturais, pessoais e recreativos cresceram, na ordem, 23,2% e 114,4%, enquanto as relativas a transportes reduziram 27,7%, em relação ao ocorrido em mesmo mês do ano anterior. A conta de viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$970 milhões, recuo de 19,4%, no período comparativo, resultado de decréscimos de 9,8% nas receitas referentes a viajantes estrangeiros no Brasil, e de 16,8% nas despesas de turistas brasileiros no exterior. As despesas líquidas de aluguel de equipamentos mantiveram-se estáveis em comparação a junho do ano anterior, somando US$1,8 bilhão.

As despesas líquidas de renda primária somaram US$2,9 bilhões em junho de 2016, redução de 23,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As despesas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$1,4 bilhão, recuo de 44,4% ante mês correspondente em 2015, resultado de expansão de 23,1% nas receitas e retração de 34,2% nas despesas. As despesas líquidas de juros somaram US$1,5 bilhão, aumento de 18,6%, na mesma base de comparação. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$1,8 bilhão, 26,8% inferior ao observado em mês equivalente do ano anterior. As despesas líquidas de renda de investimentos em carteira totalizaram US$348 milhões, compostas por despesas líquidas de lucros e dividendos, US$145 milhões, e de juros de títulos negociados no mercado externo, US$203 milhões. A despesa líquida de renda de outros investimentos atingiu US$1 bilhão, aumento de 31,5% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a receita de juros gerada pela carteira de reservas internacionais cresceu 23,1%, em igual período comparativo.

A conta de renda secundária registrou ingressos líquidos de US$234 milhões em junho de 2016. As receitas líquidas de transferências pessoais alcançaram US$85 milhões no mês, 14,6% acima do registrado no mesmo mês do ano anterior.

Os investimentos diretos no exterior expandiram US$437 milhões no mês, concentrados em participação no capital e incluído o reinvestimento de lucros, ante aplicações líquidas no exterior de US$1,5 bilhão ocorridas em período correspondente do ano anterior.

Os investimentos diretos no país somaram ingressos líquidos de US$3,9 bilhões, dos quais US$4,9 bilhões em participação no capital, incluídos US$766 milhões decorrentes de lucros reinvestidos, e amortizações líquidas de US$1 bilhão em operações intercompanhia. Em doze meses, os ingressos líquidos dos investimentos diretos no país totalizaram US$78 bilhões, equivalentes a 4,42% do PIB.

Os investimentos em carteira passivos registraram ingressos líquidos de US$3 bilhões em junho, compostos por receitas líquidas em ações, US$1,6 bilhão, em fundos de investimentos, US$539 milhões, em títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico, US$1,1 bilhão; e despesas líquidas de US$266 milhões em títulos de renda fixa negociados no mercado externo.

Os outros investimentos ativos cresceram US$9 bilhões, compreendendo elevações de US$6,3 bilhões em depósitos de bancos brasileiros mantidos no exterior, US$291 milhões em depósitos de propriedade de empresas não financeiras, e de US$2,4 bilhões em créditos comerciais e adiantamentos.

Os outros investimentos passivos apresentaram ingressos líquidos de US$3 bilhões. Os créditos comerciais e adiantamentos cresceram US$3,4 bilhões, fundamentalmente em operações de curto prazo. As amortizações líquidas de empréstimos de longo prazo atingiram US$91 milhões, enquanto as amortizações líquidas de empréstimos de curto prazo totalizaram US$120 milhões em junho.


II - Reservas internacionais

Em junho, as reservas internacionais totalizaram US$376,7 bilhões no conceito liquidez, aumento de US$2,1 bilhões em relação ao mês anterior. O estoque de linhas com recompra atingiu US$12,6 bilhões, aumento de US$1,4 bilhões em relação à posição de maio de 2016. A receita de remuneração das reservas somou US$251 milhões no mesmo período. As variações por preços contribuíram para elevar o estoque de reservas internacionais em US$1,8 bilhão. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$364,2 bilhões em maio, aumento de US$705 milhões em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para junho de 2016 totalizou US$332,6 bilhões, redução de US$2 bilhões em relação ao montante apurado em março de 2016. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$272,2 bilhões, recuo de US$1,1 bilhão, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$60,5 bilhões, decréscimo de US$882 milhões no mesmo período.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo no período, destacam-se as amortizações de empréstimos de bancos e de títulos de dívida em US$1,5 bilhão e US$1,2 bilhão; além da redução provocada pela variação cambial de US$1,1 bilhão e aumento de preço dos títulos do governo de US$2,9 bilhões. A variação da dívida externa de curto prazo no período é explicada principalmente pelas amortizações de empréstimos pelos setores financeiro e não financeiro, US$1,3 bilhão e US$471 milhões, respectivamente, e pelo aumento do passivo em moeda e depósitos do setor financeiro, US$736 milhões.