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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 24.3.2017

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I - Balanço de pagamentos - Fevereiro de 2017

Em fevereiro, as transações correntes registraram deficit de US$935 milhões, totalizando deficit de US$22,8 bilhões nos últimos doze meses, equivalente a 1,24% do PIB. Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$557 milhões, destacando-se ingressos líquidos de investimentos diretos no país, US$5,3 bilhões e saídas líquidas de US$1,8 bilhão em passivos de investimentos em carteira - títulos de renda fixa. No acumulado de doze meses, os ingressos líquidos em investimento direto no país atingiram US$84,4 bilhões, resultado equivalente a 4,59% do PIB.

A conta de serviços apresentou deficit de US$2,4 bilhões no mês, aumento de 25,8% em relação a fevereiro de 2016. As despesas líquidas com viagens internacionais somaram US$824 milhões no mês, resultado bastante superior ao observado em fevereiro do ano anterior, decorrente principalmente de aumento nas despesas brutas, relativamente ao mesmo mês do ano anterior. A conta de aluguel de equipamentos registrou deficit de US$1,3 bilhão no mês, diminuição de 12,8% comparativamente a fevereiro de 2016. As despesas líquidas de transportes atingiram US$261 milhões, aumento de 23,6% sobre o ocorrido no último mês de fevereiro.

As despesas líquidas de renda primária atingiram US$3,1 bilhões no mês, resultado 2,7% inferior ao observado em fevereiro de 2016. As despesas líquidas de juros atingiram US$629 milhões no mês, redução de 9,8% com relação ao mesmo mês do ano anterior. As remessas líquidas de lucros e dividendos somaram US$2,5 bilhões, estáveis em relação a fevereiro de 2016.

A conta de renda secundária registrou ingressos líquidos de US$166 milhões, redução de 39,4% comparada ao resultado de fevereiro de 2016. As despesas brutas em transferências pessoais totalizaram US$140 milhões no mês, ante remessas de US$75 milhões ocorridas no mesmo mês do ano anterior.

A conta de investimentos diretos no exterior apresentou aplicações líquidas de US$580 milhões, influenciadas pelo aumento de 89,6% nas aplicações no exterior na modalidade participação de capital, relativamente a fevereiro de 2016.

Os investimentos diretos no país somaram ingressos líquidos de US$5,3 bilhões, redução de 10,4% em relação ao observado no mesmo mês do ano anterior, com recuos nos ingressos líquidos em operação relativas a participação no capital e nos lucros reinvestidos. Os ingressos líquidos em operações de passivos de empréstimo intercompanhia, por outro lado, expandiram 63,9%, na mesma base de comparação totalizando US$3,1 bilhões no mês.

Os passivos de investimento em carteira registraram saídas líquidas de US$1,1 bilhão, com destaque para fluxos líquidos negativos em títulos negociados no mercado doméstico, US$1,6 bilhão, e ingressos líquidos de US$652 milhões em ações e fundos de investimento.

Os outros investimentos ativos apresentaram fluxos líquidos de retorno de US$67 milhões no mês, destacando-se desconstituição de depósitos no exterior, US$6,0 bilhões, e concessão de US$5,9 bilhões em créditos comerciais e adiantamentos, também ao exterior.

Houve saídas líquidas de US$1,3 bilhão em passivos de outros investimentos em fevereiro, compostas por saídas líquidas de US$2,5 bilhões em empréstimos, e ingressos líquidos de US$1,3 bilhão em créditos comerciais e adiantamentos, concentrados em operações de curto prazo.


II - Reservas internacionais

Em fevereiro de 2017, as reservas internacionais totalizaram US$375,3 bilhões no conceito liquidez, aumento de US$423 milhões em relação ao mês anterior. O estoque de linhas com recompra recuou US$850 milhões, comparado à posição do mês anterior. Contribuíram para a elevação do estoque no mês, as receitas de remuneração das reservas, US$238 milhões, e as variações por preços, US$420 milhões. A variação por paridades reduziu o estoque de reservas em US$333 milhões. O estoque de reservas no conceito caixa somou US$369 bilhões, elevação de US$1,3 bilhão em relação a janeiro.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para fevereiro de 2017 totalizou US$315,1 bilhões, redução de US$6,2 bilhões em relação à posição de dezembro de 2016. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$262,8 bilhões, decréscimo de US$2,2 bilhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$52,3 bilhões, redução de US$4 bilhões no mesmo período.

Dentre os determinantes de variação da dívida externa de longo prazo, destacaram-se as amortizações de US$2 bilhões de títulos soberanos, e as amortizações de US$1,7 bilhão de empréstimos de outros setores. Adicionalmente, o estoque cresceu US$647 milhões devido a variações cambiais, e US$1,4 bilhão por elevação de preço dos títulos soberanos. A retração da dívida externa de curto prazo, no mesmo período, é explicada, principalmente, por amortizações de US$4,1 bilhões em empréstimos tomados pelo setor financeiro.