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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 26.9.2016

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I - Balanço de pagamentos - Agosto de 2016

Em agosto, as transações correntes registraram deficit de US$579 milhões, acumulando, nos últimos doze meses, deficit de US$25,8 bilhões, equivalente a 1,46% do PIB. Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$116 milhões, destacando-se os ingressos líquidos de US$7,2 bilhões em investimentos diretos no país e redução de US$5,7 bilhões nos passivos de investimentos em carteira.

A conta de serviços apresentou despesas líquidas de US$2,2 bilhões no mês, redução de 16,1% comparativamente ao resultado de agosto de 2015, em decorrência de aumentos nas receitas e despesas brutas de 16,7% e 0,3%, na ordem. No mesmo período comparativo, ocorreram reduções nas despesas líquidas de serviços de propriedade intelectual, aluguel de equipamentos e telecomunicação, computação e informações, respectivamente, 18,7%, 10,7% e 5,3%. A conta de viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$690 milhões, recuo de 16,5%, na mesma base de comparação. As receitas com viagens cresceram US$166 milhões, incremento de 38,1%, impactadas pelos gastos dos turistas estrangeiros durante as olimpíadas do Rio de Janeiro, enquanto as despesas de turistas brasileiros no exterior avançaram 2,3%.

As despesas líquidas de renda primária totalizaram US$2,5 bilhões em agosto de 2016, recuo de 2,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As despesas líquidas de lucros e dividendos alcançaram US$1,8 bilhão, decorrente de retração nas receitas de 34,1% e relativa estabilidade nas despesas. As despesas líquidas de juros atingiram US$770 milhões, recuo de 26,8% em relação a mês correspondente do ano anterior.

A conta de renda secundária apresentou ingressos líquidos de US$214 milhões em agosto de 2016. As receitas líquidas de transferências pessoais alcançaram US$84 milhões no mês, 26,3% inferiores ao observado em período correspondente do ano anterior.

As aplicações líquidas em investimentos diretos no exterior alcançaram US$306 milhões no mês, concentradas em participação no capital, e em patamar semelhante ao ocorrido em agosto de 2015.

Os investimentos diretos no país somaram ingressos líquidos de US$7,2 bilhões, repercutindo ingressos líquidos de US$5,5 bilhões em participação no capital, incluídas as entradas líquidas de US$803 milhões decorrentes de lucros reinvestidos, e créditos líquidos recebidos do exterior de US$1,7 bilhão em operações intercompanhia. Em doze meses, os ingressos líquidos dos investimentos diretos no país totalizaram US$74,0 bilhões, equivalentes a 4,17% do PIB.

Os investimentos em carteira passivos registraram saídas líquidas de US$5,7 bilhões em agosto, compostos por saídas líquidas em ações, US$1,6 bilhão, e em títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico, US$3,8 bilhões, dentre outros.

Os outros investimentos ativos aumentaram US$3,4 bilhões, compreendendo concessão de US$4,0 bilhões em créditos comerciais e adiantamentos, redução de US$1,1 bilhão em depósitos de bancos brasileiros mantidos no exterior, e ampliação de US$536 milhões em depósitos de propriedade de empresas não financeiras.

Os outros investimentos passivos registraram ingressos líquidos de US$3,1 bilhões. Os créditos comerciais e adiantamentos cresceram US$2,5 bilhões, essencialmente em operações de curto prazo. Os ingressos líquidos de empréstimos de longo prazo atingiram US$1,7 bilhão, e as amortizações líquidas de empréstimos de curto prazo, US$1,1 bilhão, no mês.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez totalizaram US$376,9 bilhões em agosto, recuo de US$609 milhões em relação ao mês anterior. O estoque de linhas com recompra atingiu US$7,4 bilhões, diminuição de US$810 milhões em relação à posição de julho de 2016. Em agosto, a receita de remuneração das reservas somou US$258 milhões, enquanto as variações por preços e por paridades contribuíram para reduzir o estoque em US$498 milhões e US$511 milhões, na ordem. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$369,5 bilhões em agosto, aumento de US$201 milhões em relação a julho.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para agosto de 2016 totalizou US$338,8 bilhões, aumento de US$2,4 bilhões em relação ao montante apurado para junho de 2016. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$275 bilhões, elevação de US$2,3 bilhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$63,8 bilhões, praticamente estável.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo, destacam-se as amortizações de empréstimos de US$2 bilhões realizadas pelo setor não financeiro; desembolsos de empréstimos do setor financeiro, US$2,7 bilhões, e emissão de título de dívida do governo, US$1,5 bilhão.