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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 23.8.2016

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I - Balanço de pagamentos - Julho de 2016

Em julho, as transações correntes apresentaram deficit de US$4,1 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, deficit de US$27,9 bilhões, equivalente a 1,57% do PIB. Na conta financeira, as captações líquidas superaram as concessões líquidas em US$3,6 bilhões, destacando-se os ingressos líquidos de US$3,4 bilhões em passivos de investimentos em carteira.

A conta de serviços registrou despesas líquidas de US$2,3 bilhões no mês, redução de 30,4% comparativamente ao resultado de julho de 2015, em decorrência de recuos nas receitas e nas despesas brutas de 4,2% e 18,0%, respectivamente. As despesas líquidas com serviços de transportes e de aluguel de equipamentos reduziram, na ordem, 46,2% e 13,8%, em relação ao ocorrido em mesmo mês do ano anterior. A conta de viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$895 milhões, recuo de 25,9%, na mesma base de comparação, resultado de relativa estabilidade nas receitas referentes a turistas estrangeiros no Brasil, e recuo de 18,8% nas despesas de turistas brasileiros no exterior.

As despesas líquidas de renda primária somaram US$6,3 bilhões em julho de 2016, aumento de 20,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As despesas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$1,6 bilhão, decorrente de retração de 24,0% nas receitas e expansão de 75,1% nas despesas. As despesas líquidas de juros somaram US$4,7 bilhões, comparativamente a US$4,6 bilhões ocorridos em mês correspondente do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$1,9 bilhão, ante saídas líquidas de US$671 milhões observadas em mês equivalente do ano anterior. As despesas líquidas de renda de investimentos em carteira totalizaram US$4,2 bilhões, compostas por despesas líquidas de lucros e dividendos, US$223 milhões, de juros de títulos negociados no mercado externo, US$1,1 bilhão, e de juros de títulos negociados no mercado doméstico, US$2,8 bilhões. A despesa líquida de renda de outros investimentos atingiu US$474 milhões, aumento de 10,2% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a receita de juros gerada pela carteira de reservas internacionais cresceu 21,3%, em igual período comparativo.

A conta de renda secundária registrou ingressos líquidos de US$226 milhões em julho de 2016. As receitas líquidas de transferências pessoais alcançaram US$83 milhões no mês, 27,4% inferiores ao observado em período correspondente do ano anterior.

Os investimentos diretos no exterior expandiram US$178 milhões no mês, concentrados em participação no capital e incluído o reinvestimento de lucros, ante aplicações líquidas no exterior de US$1,5 bilhão ocorridas no mesmo mês do ano anterior.

Os investimentos diretos no país somaram ingressos líquidos de US$78 milhões, resultado de saídas líquidas de US$2,0 bilhões em participação no capital, incluídos os ingressos líquidos de US$758 milhões decorrentes de lucros reinvestidos, e créditos recebidos do exterior de US$2,1 bilhões em operações intercompanhia. Em doze meses, os ingressos líquidos dos investimentos diretos no país totalizaram US$72,0 bilhões, equivalentes a 4,06% do PIB.

Os investimentos em carteira passivos registraram ingressos líquidos de US$3,4 bilhões em julho, compostos por receitas líquidas em ações, US$2,3 bilhões, em fundos de investimentos, US$611 milhões, e em títulos de renda fixa negociados no mercado externo, US$756 milhões, incluída a emissão do Global 47, realizada pela República, no valor de US$1,5 bilhão. As saídas líquidas em títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico totalizaram US$328 milhões.

Os outros investimentos ativos cresceram US$3,9 bilhões, compreendendo redução de US$9,0 bilhões em depósitos de bancos brasileiros mantidos no exterior, concessão de US$4,1 bilhões em créditos comerciais e adiantamentos, e ampliação de US$1,0 bilhão em depósitos de propriedade de empresas não financeiras.

Os outros investimentos passivos apresentaram ingressos líquidos de US$1,6 bilhão. Os créditos comerciais e adiantamentos cresceram US$2,8 bilhões, fundamentalmente em operações de curto prazo. As amortizações líquidas de empréstimos de longo e de curto prazo atingiram, respectivamente, US$1,0 bilhão e US$31 milhões, no mês.


II - Reservas internacionais

Em julho, o estoque de reservas internacionais no conceito liquidez totalizou US$377,5 bilhões, aumento de US$809 milhões em relação ao mês anterior. O estoque de linhas com recompra atingiu US$8,2 bilhões, diminuição de US$4,4 bilhões em relação à posição de junho de 2016. A receita de remuneração das reservas somou US$257 milhões. O estoque de reservas recuou US$119 milhões em função das variações de preços dos ativos que compõem a carteira, e aumentou US$487 milhões por variações de paridade. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$369,3 bilhões em junho, aumento de US$5,2 bilhões em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para julho de 2016 totalizou US$338,1 bilhões, aumento de US$3,4 bilhões em relação ao montante apurado em março de 2016. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$274,1 bilhões, aumento de US$815 milhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$64 bilhões, incremento de US$2,6 bilhões, no mesmo período.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo no período, destacam-se as amortizações de empréstimos e de títulos de dívida do setor financeiro, US$3,6 bilhões; o aumento de preço dos títulos da República, US$2,9 bilhões, e variações por paridade, que aumentaram o estoque em US$885 milhões. A elevação do estoque de dívida externa de curto prazo no período é explicada, principalmente, pelas amortizações de empréstimos pelo setor financeiro de US$2,5 bilhões.