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Estatísticas do setor externo



NOTA PARA A IMPRENSA - 25.6.2018

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1. Balanço de pagamentos

Em maio de 2018, as transações correntes foram superavitárias em US$729 milhões, resultado inferior ao superávit de maio de 2017, US$2,8 bilhões, em função dos impactos da paralisação no setor de transporte de cargas. O déficit em transações correntes acumulado em 12 meses atingiu US$13,0 bilhões até maio, equivalente a 0,65% do PIB (US$11,0 bilhões até abril, 0,55% do PIB). O resultado das transações correntes incorpora revisão nas estatísticas de importações de bens, para o mês de fevereiro de 2018, elevação de US$2,0 bilhões, realizada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).


O superávit comercial alcançou US$5,6 bilhões em maio de 2018, US$1,8 bilhão abaixo do superávit de maio de 2017. O decréscimo do superávit comercial foi influenciado pela paralisação no setor de transporte de cargas. A exportação de maio de 2018 (US$19,2 bilhões) foi inferior à de maio 2017 (US$19,7 bilhões), primeira contração na comparação interanual desde dezembro de 2016. As importações de maio de 2018 mantiveram tendência de expansão observada ao longo do ano. O déficit total na conta de serviços atingiu US$2,7 bilhões no mês, incremento de 10,6% comparativamente a maio de 2017. As despesas líquidas de transportes e viagens permaneceram em crescimento, enquanto os gastos líquidos com aluguel de equipamentos recuaram (reduções de 10,5% e 14,1% nas comparações interanuais para maio e janeiro a maio, respectivamente). Na conta de renda primária, os gastos líquidos com juros somaram US$797 milhões no mês, retração de 23,0% em relação ao observado em maio do ano anterior, e as receitas de juros mostraram-se mais sensíveis à alta das taxas de juros internacionais. As despesas líquidas de lucros totalizaram US$1,6 bilhão em maio, incremento de 13,2% na mesma base de comparação.


Os investimentos diretos no país (IDP) somaram ingressos líquidos de US$3,0 bilhões em maio, acumulando US$61,8 bilhões (3,07% do PIB) nos últimos 12 meses, estabilidade em relação a abril (US$61,7 bilhões e 3,06% do PIB). Apesar da redução observada em 2018, o IDP permanece como principal fonte de financiamento do balanço de pagamentos.


Em maio de 2018, as saídas líquidas de ações, fundos de investimento e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico somaram US$6,4 bilhões. Os resultados mensais tem apresentado volatilidade e os fluxos acumulados em doze meses apontam ingressos líquidos de US$2,5 bilhões, até maio.


A taxa de rolagem - definida como o percentual dos desembolsos dividido pelas amortizações, considerados empréstimos e títulos de longo prazo colocados no mercado internacional - situou-se em 115% em maio, e em 90% no período de janeiro a maio de 2018, resultados superiores ao observado em abril (95% e 79%, respectivamente).

O hiato financeiro foi positivo em US$1,1 bilhão no mês, representando superávit do balanço de pagamentos. No mês, houve o pagamento de US$2,0 bilhões em linhas com recompra terminando o estoque dessas operação. No ano, até maio, o hiato financeiro é positivo em US$19,1 bilhões (US$8 bilhões destinados ao pagamento de linhas com recompra e US$11,1 bilhões de incremento dos ativos externos dos bancos).


2. Reservas internacionais

O estoque de reservas internacionais atingiu US$382,5 bilhões em maio de 2018, correspondendo a 350,8% da dívida externa de curto prazo residual (exceto operações intercompanhia e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico). Quanto à elevação de US$2,6 bilhões no estoque de reservas em relação ao mês anterior, destacaram-se as variações positivas nos seguintes itens: operações de linhas com recompra, US$2,0 bilhões; variações por preço, US$1,0 bilhão; e receita de juros, de US$486 milhões. As variações por paridades contribuíram para reduzir o estoque de reservas em US$1,0 bilhão.


3. Posição de Investimento Internacional (PII)

A Posição de Investimento Internacional (PII) representa os estoques de ativos e passivos financeiros entre residentes e não residentes. A PII líquida, resultado da diferença entre ativos e passivos, no Brasil é negativa, indicando que o país é devedor líquido em relação ao resto do mundo. Os passivos da PII incluem os investimentos diretos no país (IDP) - Participação no capital, ações e instrumentos de dívida (empréstimos, títulos, créditos comerciais, dentre outros). Os ativos da PII incluem, além de todos esses instrumentos, os ativos de reservas.

Na posição de março de 2018 os ativos da PII somaram US$877,6 bilhões, destacando-se reservas internacionais (US$379,6 bilhões) e Investimento Direto no Exterior (US$361,3 bilhões). Os passivos da PII atingiram US$1,6 trilhão, dos quais o IDP representou praticamente metade (US$809,2 milhões). A PII líquida, portanto, foi devedora em US$749,0 bilhões, equivalentes a 36,9% do PIB.


A PII líquida estimada para maio de 2018 somou US$572,8 bilhões (28,5% do PIB), expressivo recuo de US$176,1 bilhões na comparação com a posição de março do mesmo ano. Enquanto o estoque de ativos apresentou elevação moderada, US$9,1 bilhões, a redução da posição devedora decorreu da variação no estoque de passivos, que contraiu US$167,1 bilhões no período.

Apesar dos ingressos líquidos positivos, houve redução nos estoques de passivos de IDP-Participação no capital, US$77,3 bilhões; ações, US$73,9 bilhões; e títulos de dívida negociados no mercado doméstico, US$11,1 bilhões, que, juntos, explicaram mais de 97% do recuo total do estoque de passivos da PII. Essas três categorias de passivo refletem investimentos realizados no país e são, portanto, denominadas em moeda doméstica. Dessa forma, seus estoques são afetados pela variação cambial, quando expressos em moeda estrangeira. A redução desses estoque se deveu à depreciação do real de março à maio, data de referência para as posições. A denominação de passivos externos em moeda doméstica implica transferência de risco cambial ao investidor não residente.