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Setor Externo

NOTA PARA A IMPRENSA - 24.3.2014

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I - Balanço de pagamentos - Fevereiro de 2014

O balanço de pagamentos registrou superavit de US$222 milhões em fevereiro. As transações correntes foram deficitárias em US$7,4 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, saldo negativo de US$82,5 bilhões, equivalente a 3,69% do PIB. A conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$7,6 bilhões, destacando-se os investimentos estrangeiros diretos, US$4,1 bilhões, e os investimentos estrangeiros em carteira, US$2,2 bilhões.

A conta de serviços apresentou deficit de US$3,5 bilhões em fevereiro, 11,1% acima do registrado no mesmo mês de 2013. As despesas líquidas com transportes somaram US$690 milhões, expansão de 13% na mesma base de comparação. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$1,3 bilhão, aumento de 6,9%, comparativamente ao ocorrido em fevereiro do ano anterior. O resultado foi influenciado pelo crescimento de 2,9% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior e recuo de 5,2% nos gastos de viajantes estrangeiros ao Brasil. Destacaram-se as elevações nas despesas líquidas com aluguel de equipamentos, 15,8%, royalties e licenças, 62,7% e seguros, 69,1%. Os demais itens da conta de serviços apresentaram recuo, 20,4% em despesas líquidas em computação e informações; e 69,2% em receitas líquidas de serviços financeiros.

As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$2 bilhões no mês, retração de 26,7% na comparação com fevereiro de 2013. As despesas líquidas totais de lucros e dividendos atingiram US$1,3 bilhão, ante US$2,2 bilhões no mesmo mês do ano anterior, enquanto as despesas líquidas de juros somaram US$701 milhões, aumento de 34,3% no período comparativo. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$1,2 bilhão, 31,9% inferiores ao observado em fevereiro de 2013. As remessas líquidas de renda de investimentos em carteira somaram US$429 milhões, resultantes de despesas líquidas de lucros e dividendos, US$336 milhões, e de juros de títulos de renda fixa, US$93 milhões. A despesa líquida de renda de outros investimentos somou US$351 milhões, recuo de 0,7% comparado ao mês equivalente do ano anterior.

As transferências unilaterais registram ingressos líquidos de US$114 milhões, redução de 77,2% em relação a fevereiro de 2013. O ingresso bruto de manutenção de residentes somou US$134 milhões, recuo de 5,2% no mesmo período comparativo.

Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram retornos líquidos de US$582 milhões, compreendendo aplicações líquidas de US$723 milhões em aquisição de participação no capital de empresas no exterior, enquanto os ingressos líquidos provenientes de empréstimos intercompanhias de filiais no exterior às matrizes brasileiras somaram US$1,3 bilhão.

Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$4,1 bilhões. Os ingressos líquidos em participação no capital de empresas no País atingiram US$3,3 bilhões, enquanto os desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias totalizaram US$868 milhões. Em doze meses, os ingressos líquidos de IED somaram US$65,8 bilhões, equivalentes a 2,94% do PIB.

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram entradas líquidas de US$2,2 bilhões em fevereiro, compostos por saídas líquidas de US$393 milhões em ações e ingressos líquidos de US$2,6 bilhões em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no País somaram ingressos líquidos de US$3,2 bilhões. As amortizações líquidas de bônus públicos negociados no exterior, incluindo recompras em mercado secundário, somaram US$620 milhões. As amortizações líquidas de notes e commercial papers atingiram US$53 milhões no mês. Não houve operações em títulos de renda fixa de curto prazo negociados no exterior.

Os outros investimentos brasileiros no exterior apresentaram aplicações líquidas de US$2,2 bilhões, compreendendo, dentre outros, redução de US$2,5 bilhões no saldo de depósitos mantidos por bancos brasileiros no exterior e expansão de US$1,4 bilhão em depósitos de empresas não financeiras. As amortizações líquidas de empréstimos e créditos comerciais de curto prazo concedidos ao exterior somaram US$3,2 bilhões no mês.

Os outros investimentos estrangeiros no País registraram ingressos líquidos de US$2,8 bilhões. O crédito comercial de fornecedores somou desembolsos líquidos de US$946 milhões, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos de médio e longo prazos somaram ingressos líquidos de US$2,1 bilhões, influenciados por desembolsos líquidos de empréstimos diretos, US$1,5 bilhão; e de compradores, US$508 milhões.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez totalizaram US$377,2 bilhões em fevereiro, aumento de US$1,8 bilhão em relação ao estoque do mês anterior. Em fevereiro, o estoque de linhas de recompra permaneceu em US$14,5 bilhões. A receita de remuneração das reservas somou US$227 milhões. As variações por preços e paridades aumentaram o estoque em US$8 milhões e US$1,5 bilhão, respectivamente. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$362,7 bilhões em fevereiro, aumento de US$1,8 bilhão em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para fevereiro totalizou US$311,8 bilhões, acréscimo de US$3,2 bilhões em relação ao montante apurado para dezembro de 2013. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$279,2 bilhões, elevação de US$3,1 bilhões, enquanto o estoque de curto prazo permaneceu estável em US$32,6 bilhões.

A variação da dívida externa de longo prazo no período decorreu de captações líquidas de títulos e empréstimos tomados pelo setor financeiro, US$1,4 bilhão, respectivamente; e de empréstimos tomados pelo setor não financeiro, US$1,7 bilhão. Adicionalmente, a variação por paridades aumentou o estoque em US$219 milhões.