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Pepitas de Ouro

 
GARIMPO DE SERRA PELADA

Localização e Acesso

O garimpo de Serra Pelada localiza-se no Município de Marabá, no Sul do Estado do Pará, distando 85 km em linha reta da cidade sede do município ( Figura 1). São as seguintes as coordenadas geográficas do garimpo: 05° 66’ 19" de latitude sul e 49° 39’ 55" de longitude oeste.

O acesso rodoviário é feito inicialmente pela rodovia PA-150 , e após percorridos 72 km, toma-se a PA-275 até o km 16, quando então o acesso passa a ser feito por estrada vicinal a direita que demanda ao garimpo.

Por via aérea o acesso é feito por aviões mono ou bimotores com duração média de vôo de 20 minutos a partir de Marabá.

Marabá dispõe de aeroporto servido de linhas aéreas regionais , bem como acha-se interligado ao sistema rodoviário nacional.

O clima da região é quente e úmido, com a estação de chuvas mais intensas ocorrendo de novembro a abril, com a pluviosidade alcançando a média de 1.465 mm, e a umidade nunca é inferior a 80% em todos os meses do ano

 

A Descoberta

Existem duas versões para a descoberta de ouro em Serra Pelada, fato este ocorrido em janeiro de 1980. A primeira relata que garimpeiros subiram o Rio Vermelho e seus afluentes acabando por atingir a fazenda Três Barras, localizada na referida serra e encontraram ouro nas aluviões do córrego que denominaram de "Grota Rica". A segunda, atribui a descoberta a um técnico que realizava trabalhos de topografia para um fazendeiro da região. Qualquer que seja a verdadeira, o fato é que a notícia espalhou-se feito rastilho de pólvora e pessoas de todo o país, das mais diferentes ocupações, como médicos, engenheiros, advogados, deslocaram-se para a serra, dando início aos trabalhos de garimpagem.

A princípio deu-se pouco crédito à descoberta, mas apesar disso o Governo Federal começou a enviar funcionários de seus órgãos de segurança com a finalidade de manter a ordem. Em março de 1980, com a descoberta de enormes pepitas de ouro no local denominado Morro da Babilônia; com destaque para a maior pepita de ouro em exposição no mundo, com peso de 62,1 quilos e que pode ser vista no Museu de Valores do Banco Central, a população garimpeira chegaria a 30.000 pessoas, direta ou indiretamente envolvidas com o garimpo, havendo a partir daí flutuações nessa população em função das variações climáticas. Ao término de 1981, mais de 10 toneladas de ouro haviam sido retiradas do garimpo.

 

Aspectos Geológicos de Serra Pelada

A seqüência sedimentar é composta, na sua porção basal por arenitos conglomeráticos, conglomerados e arenitos na base, os quais gradam em direção ao topo para siltitos vermelhos e argilitos.

A mineralização de ouro apresenta controle litológico e estrutural, sendo que a maior concentração de ouro está relacionada ao controle estrutural (Figura 2 ).

A extração de ouro de Serra Pelada era efetuada nas aluviões, e na rocha primária. As aluviões encontradas nas grotas da região eram explorados com abertura de poços e trincheiras até atingir o cascalho aurífero de onde o ouro era recuperado manualmente com auxílio de uma bateia ou eram levados até rudimentares aparelhos concentradores. Já na rocha primária, o desmonte era feito sob a forma de bancadas para evitar desmoronamentos. Apesar disso, as frentes de trabalho dos garimpeiros, por eles denominadas de Babilônia I e Babilônia 2 , foram diversas vezes interditadas para que se fizessem rebaixamentos

Uma característica peculiar do ouro de Serra Pelada é a quantidade de paládio – um elemento do grupo da Platina - que ocorre junto com o ouro e que determinava as variedades comercializadas no garimpo, e que eram respectivamente o ouro amarelo, com 1 a 2% de Paládio: o ouro fino, com 6 a 7% de Paládio e o ouro bombril, com teores superiores a 9% de Paládio.

Mais raramente ocorriam variedades com 25 a 55% de Paládio. Os outros componentes comuns associados ao ouro são: a Prata (Ag) com 0,5% o Ferro com teores variando entre 0,5 a 1,0% e o Cobre (Cu) entre 0,2 a 0,5%.

 

Aspectos Sócio-econômicos de Serra Pelada

O garimpo de Serra Pelada era dotado de privilegiadas condições sócio-econômicas. Este privilégio decorreu da necessidade do governo de ordenar e até criar condições de vida para a enorme multidão de pessoas que diariamente chegava ao local em busca do seu eldorado. Já em 1980 o garimpo possuía instalações da COBAL- Cia. Brasileira de Alimentação, que instalou um armazém inflável na Serra; CEF- Caixa Econômica Federal ; EBCT- Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Polícia Federal; Polícia Militar; DNPM- Departamento Nacional da Produção Mineral, e a DOCEGEO - Rio Doce Geologia e Mineração , uma subsidiária da Vale do Rio Doce.

Esta última empresa era, juntamente com a CEF, a responsável pela compra, purificação e repassagem do ouro para o Banco Central.

Face às características de Serra Pelada, uma ocorrência de ouro na superfície da terra, que de morro transformou-se em um enorme buraco os desmoronamentos das frentes de lavra eram freqüentes, trazendo consigo a morte de garimpeiros.

Uma verdadeira cidade surgiu em Serra Pelada e que veio a receber o nome de Curionópolis. Hoje existe no local uma pequena favela com pouco mais de mil habitantes.


Produção e comercialização

A região de Serra Pelada, alcançou sua maior produção de ouro no ano de sua descoberta, qual seja, em 1980, quando somente de maio a novembro; período em que os garimpeiros podiam exercer suas atividades, foram retiradas cerca de 7 toneladas de ouro. Todavia, já em 1981, quando as atividades garimpeiras foram se tornando mais difíceis e perigosas; em função das grandes profundidades alcançadas, a produção caiu para 2,5 toneladas de ouro. Ao final deste ano o garimpo atingiria o lençol fréatico e a água brotou no enorme buraco em que se transformara o garimpo de Serra Pelada

Ao final de 1984, a profundidade do buraco de Serra Pelada já era de quase 200 metros. A produção de ouro passou a declinar violentamente de sorte que em 1990 somente 600 quilos de ouro foi retirado. Esta cifra caiu para 13 quilos em 1991, ano em que através de portaria ministerial, os direitos de lavra de Serra Pelada foram repassados para a Cia. Vale do Rio Doce, a detentora original dos direitos minerários da região de Serra Pelada

 

BIBLIOGRAFIA
MEIRELLES, E.M.: TEIXEIRA, J. T.; MEDEIROS FILHO, C.A – 1982 - Geologia preliminar do depósito de ouro de Serra Pelada. In: Anais do I Simpósio de Geologia da Amazônia. Belém. Sociedade Brasileira de Geologia 74-80

JORGE JOÂO, X.S.; NEVES, A. P.: LEAL, J.W.L. – 1982 – Ouro de Serra Pelada- Aspectos da Geologia e Garimpagem. In: Anais do I Simpósio de Geologia da Amazônia. Belém, Pará – Sociedade Brasileira de Geologia 52-60

FERREIRA, A.; HORITA, N; - 1995 – A redescoberta do ouro: como se formou o mercado moderno de ouro no Brasil. – São Paulo -ANORO –Associação Nacional de Ouro e Câmbio.