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Pepitas de Ouro

 

GARIMPO DE MARACAÇUMÉ

(SERRA DO PIROCAUA)

 

INTRODUÇÃO

A descoberta de ouro na porção norte do estado do Maranhão, na região localizada entre os rios Gurupi e Maracaçumé, remonta ao ano de 1624, quando das primeiras incursões de aventureiros europeus em território brasileiro. Segundo relatos da época os primitivos índios que viviam na região já conheciam o metal considerando-o todavia de pouca importância. Os primeiros a explorarem o ouro foram os padres jesuítas que se utilizaram de índios e escravos africanos para retirar o metal das aluviões. No início do século XIX. Estes jesuítas se estabeleceram em uma área próxima a Serra do Pirocaua onde hoje é a Vila Aurizona, no município de Godofredo Viana. A busca do ouro espalhou-se para além das bacias dos Turiaçu e Maracaçumé, alcançando a cidade de Bragança no estado do Pará. Ao final do século uma firma inglesa denominada Companhia de Mineração de Ouro Montes Áureos, montou escritório na região. Nesta época o governo brasileiro começou a regularizar as atividades mineiras na região.

No início do século XX ocorreu a primeira invasão de garimpeiros na região, que passaram a batear as aluviões do rio Maracaçumé. Em 1954 a Companhia de Mineração Maranhense tentou o emprego de lavra mecanizada, não vindo a alcançar todavia o resultado esperado.

Além do ouro aluvionar foram identificadas ocorrências de ouro primário em veios de quartzo na Mina Nova, porém os teores revelaram-se antieconômicos.

 

LOCALIZAÇÃO E ACESSO

A área com ocorrência de ouro situa-se na porção norte-noroeste do Estado do Maranhão (Figura 1), abrangendo os municípios de Turiaçu, Carutapera, Cândido Mendes, Godofredo Viana e Luís Domingues. As vilas de Aurizona e Redondo, esta última situada às margens do rio Maraçumé, são os principais centros de exploração e comércio de ouro. O acesso a área partindo-se da capital maranhense, São Luís, é feito inicialmente por via rodoviária até Vizeu no estado do Pará, e a partir daí, somente por via marítima, até a denominada Baixada Maranhense. Por via aérea atinge-se as cidades de Turiaçu e Carutapera por meio de aviões de pequeno e médio porte. As ocorrências de ouro somente podem ser alcançadas por estradas carroçáveis e/ ou barcos de pequeno calado.

 

CLIMA E VEGETAÇÃO

O clima da região é quente e úmido, com intensa precipitação anual , que nos meses de março e abril atinge seu valor mais alto, 2.184,3 mm. A temperatura média anual é de 26 o com uma amplitude térmica de apenas 2o . A umidade relativa chega a atingir 85% em alguns meses do ano.

A vegetação maranhense particulariza-se na região costeira pela presença de manguezais, que são substituídos por gramíneas de campos alagados ou secos, para interior adentro aparecer a zona da mata. A floresta amazônica está representada na porção noroeste e parte da região central do Maranhão.

 

MODO DE OCORRÊNCIA

Tais depósitos tanto podem ser marinhos, como fluviais e até mesmo flúvio-marinho, e são compostos essencialmente por areias mal selecionadas, silte, argila e cascalho.

 

PRINCIPAIS GARIMPOS DA REGIÃO

De acordo com Neto(1982) são os seguintes os principais garimpos da região:

 

Garimpo do Caboré

Situado a nordeste da Vila Livramento, apresenta as seguintes coordenadas: 45o 54’ 36" W e 01o 17’ 24" S. A média da produção chegou a alcançar 50 gramas de ouro em uma semana.

 

Garimpo da Poeira.

Localizado 30 km a Oeste do povoado de Livramento, exibe as seguintes coordenadas 45o 57’ 00 "W e 01o 19’ 00" S. Neste local o ouro é encontrado no leito intermitente do igarapé Poeira, disseminado em espessa camada de material aluvionar essencialmente constituído de argilas de cores amarela a vermelha.

 

Garimpo Pedra de Fogo

Este garimpo situa-se nas imediações da vila de mesmo nome, com as seguintes coordenadas: 45o 49’ 24" W e 01o 22’ 24" S. O garimpo de ouro aluvionar vem sendo feito num buraco com 25 metros de profundidade e é retirado de uma argila esverdeada denominada de tabatinga pelos garimpeiros do local

 

Garimpo do Igarapé Cavala

Distante 1,5 km da cidade de Luís Domingues na direção da cidade de Carutapera, no vale do Irrí-Açu, possui as seguintes coordenadas: 45o 54’ 30" W e

01o 19’ 06" S. O ouro é retirado de um cascalho situado a 2,5 metros de profundidade

 

Garimpo da Ponta do Jardim

Localizado ás margens do Rio Itererê 4 km da cidade de Godofredo Viana, exibe as seguintes coordenadas 45o 44’ 30" W e 01o 22’ 06" S. Encontra-se atualmente desativado.

 

Garimpo Praia Velha

Situado na localidade de mesmo nome, na foz do rio Irirímirim, com coordenadas de 45o 54’ 48" S e 01o 08’ 54" S. O acesso ao garimpo somente pode ser feito por meio de barco, em jornada de uma hora a partir de Carutapera. A região é de mangue e o ouro ocorre misturado a uma camada de 30 cm de areia fina esbranquiçada, coberta por sedimentos de maré.

 

Garimpo do Tromaí

Situado no leito do rio Tromaí, apresenta as coordenadas de 45o48’ 36" W e 01o 23’ 12" S. O ouro ocorre em aluviões do rio, e as atividades garimpeiras limitam-se à época do inverno

 

Garimpo do Maraçumé

Localizado no leito do Rio Maracaçumé, , próximo a cidade de Cândido Mendes, com as coordenadas 45° 43’ OO" W e 01° 26’ 30" S. O ouro ocorre em cascalheira do rio normalmente coberta por 1 a 2 metros de areia, que é removida por chupadeira para então lavrar-se o cascalho.

 

BIBLIOGRAFIA

NETO, H . A.. – 1982 – Ouro no Noroeste do Maranhão. In Anais do I Simpósio de Geologia da Amazônia, Belém. Ed. Sociedade Brasileira de Geologia – VER PÁGINAS SBG.

COSTA, M. L. e ARAÚJO, E. S. – 1996 – Application of multi-element geochemistry in Au-phosphate-bearing lateritic crusts for identification of their parent rocks. In: Journal of Geochemical Exploration 57 (1996) 257-272 Ed. Elsevier Science