Logomarca BCB

183ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
 
Data: 27 e 28/5/2014
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (27/5) e do 20º andar (28/5) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h13 (27/5) e 16h50 (28/5)
Horário de término: 20h27 (27/5) e 20h55 (28/5)
 
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio Tombini – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Altamir Lopes
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva
Luiz Edson Feltrim
Sidnei Corrêa Marques
 
Chefes de Departamento (presentes em 27/5)
Bruno Walter Coelho Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Eduardo José Araújo Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 28/5)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico
 
Demais participantes (presentes em 27/5)
Gustavo Paul Kurrle – Assessor de Imprensa
Otávio Ribeiro Damaso – Chefe de Gabinete da Presidência
Vanderléia Centenaro – Coordenadora do Departamento Econômico
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 0,67% em abril, 0,12 ponto percentual (p.p.) acima da registrada em abril de 2013 e 0,25 p.p. menor que a registrada em março de 2014. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses se deslocou para 6,28% em abril (ante 6,49% em abril de 2013), com os preços livres aumentando 7,04% (8,09% em abril de 2013), e os preços administrados, 3,79% (1,55% em abril de 2013). Especificamente sobre preços livres, os de itens comercializáveis aumentaram 6,16% em doze meses (6,57% em abril de 2013), e os de não comercializáveis, 7,79% (9,44% em abril de 2013). Por sua vez, os preços no segmento de alimentos e bebidas, sensibilizado por fatores climáticos, aumentaram 7,38% no mesmo período (14,00% em abril de 2013), e os dos serviços, 8,99% (8,13% até abril de 2013). Em síntese, as informações disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que reflete, em parte, a dinâmica dos preços no segmento de serviços.
 
2. A média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo Banco Central, deslocou-se de 0,67% em março para 0,51% em abril, e, assim, a variação acumulada em doze meses atingiu 6,46% (0,43 p.p. acima da registrada em abril de 2013). Especificamente, o núcleo por dupla ponderação deslocou-se de 0,59% em março para 0,56% em abril; o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,88% para 0,41%; o núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,70% para 0,50%; o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio, bem como combustíveis, de 0,58% para 0,52%; e o núcleo por médias aparadas com suavização passou de 0,59% para 0,56%. O índice de difusão situou-se em 70,0% em abril (4,2 p.p. acima do registrado em abril de 2013).
 
3. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,45% em abril, após alta de 1,48% em março, e 8,10% no acumulado em doze meses (6,83% em abril de 2013). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), atingiu 8,76% em doze meses (7,02% em abril de 2013), com elevação de 11,23% nos preços de produtos agropecuários e de 7,82% nos preços de produtos industriais. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI, variou 6,36% em doze meses até abril (6,17% em abril de 2013); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP-DI, 7,96% (7,16% em abril de 2013), em parte, reflexo de pressões de custos de mão de obra, que variaram 9,05% no período. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), variou -0,38% em abril, e 7,96% em doze meses. O Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação ao consumidor dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade econômica. Em março de 2014, o IBC-Br variou -0,09% em relação a março de 2013 e, ajustado sazonalmente, -0,11% em relação ao mês anterior. O Purchasing Managers’ Index (PMI) composto para o Brasil apontou estabilidade da atividade econômica em abril, com a primeira queda no setor manufatureiro em oito meses e expansão moderada no setor de serviços. Por sua vez, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 3,3% entre abril e maio de 2014 e permanece abaixo da média histórica do índice. Já a confiança do empresário industrial, medida pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI), recuou em maio, apresentado a maior variação negativa na margem desde dezembro de 2008. Com a sequência de quedas iniciada em janeiro de 2014, o índice mantém-se abaixo da média histórica pelo 15º mês consecutivo. O Índice de Confiança de Serviços (ICS) também recuou em maio, atingindo o menor patamar desde abril de 2009 e apresentando a maior queda mensal desde dezembro de 2008. No que se refere à agricultura, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projeta, em março de 2014, crescimento de 0,7% na produção de grãos em 2014, em relação a 2013.
 
5. A atividade fabril recuou 0,5% em março, após ficar estável em fevereiro, de acordo com a série livre de influências sazonais, divulgada pelo IBGE. Na série sem ajuste sazonal, em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve queda de 0,9% em março. Assim, o setor industrial acumulou variação positiva de 0,4% nos três primeiros meses do ano. O recuo da atividade industrial na passagem de fevereiro para março teve predomínio de resultados negativos, alcançando duas das quatro grandes categorias econômicas e 14 dos 24 ramos pesquisados. O indicador PMI do setor industrial aponta retração da produção brasileira em abril. De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria de transformação caiu 6,3% de fevereiro para março de 2014, de acordo com a série livre de influências sazonais, representando a maior queda mensal desde novembro de 2008.
 
6. Entre as categorias de uso, comparando com mesmo mês de 2013, bens de capital (-8,4%) e bens de consumo duráveis (-4,6%) assinalaram, em março de 2014, recuos mais intensos do que a média nacional (-0,9%). O segmento de bens intermediários também recuou nesse mês (-0,1%), e o setor de bens de consumo semi e não duráveis registrou a única taxa positiva (1,7%). No que se refere à variação acumulada em doze meses até março, houve crescimento de 8,9% e 3,9% na produção de bens de capital e de bens de consumo duráveis, respectivamente. A atividade no setor de bens semiduráveis e não duráveis e de bens intermediários também apresentou crescimento, de 3,0% e de 0,7%, respectivamente, nessa mesma base de comparação.
 
7. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) situou-se em 4,9% em abril, representando redução de 0,1 p.p. em relação a março e queda de 0,9 p.p. em relação a abril de 2013. De acordo com a série dessazonalizada pelo Banco Central, a taxa atingiu 4,6%, nova mínima da série histórica. Ainda de acordo com a PME, o rendimento médio real habitual cresceu 2,6% em abril, quando comparado a igual mês do ano anterior, e a massa salarial real, 3,6%, na mesma base de comparação. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram criação de 105,4 mil postos de trabalho formais em abril, sendo a menor geração líquida para o mês desde 1999. Em suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, embora existam alguns sinais de moderação na margem.
 
8. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista restrito recuou 1,1% em março, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Por sua vez, o volume de vendas do comércio ampliado, que inclui o setor automobilístico e o setor de materiais de construção, caiu 5,7% em março, na mesma base de comparação. As variações mensais foram de -0,5% e de -1,2%, respectivamente, de acordo com as séries dessazonalizadas. Em doze meses, a taxa de crescimento do comércio ampliado foi de 3,2%, com expansão em oito dos dez segmentos pesquisados. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, manteve trajetória de declínio em maio, afetado pela diminuição tanto do grau de satisfação com a situação presente quanto do otimismo em relação aos meses seguintes. O índice médio do trimestre ficou em 117,4 pontos, o menor da série histórica iniciada em março de 2010. O Copom avalia que a trajetória do comércio continuará sendo influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.
 
9. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 84,1% em maio e, na série dessazonalizada, 84,3%. Entre as categorias de uso da indústria, as que mostram Nuci mais elevado, de acordo com as séries com ajuste sazonal, são material para construção (88,8%) e bens de consumo não duráveis (81,7%), seguidas por bens intermediários (86,2%), bens de consumo duráveis (83,7%) e bens de capital (81,7%). Por sua vez, a absorção de bens de capital cresceu 7,2% no período de doze meses encerrado em março.
 
10. O saldo da balança comercial atingiu US$3,1 bilhões em doze meses até abril. Esse resultado adveio de exportações de US$240,0 bilhões e de importações de US$236,9 bilhões, com avanços de 0,3% e 3,2%, respectivamente, em relação ao acumulado até abril de 2013. Por sua vez, o deficit em transações correntes acumulado em doze meses atingiu US$81,6 bilhões em abril, equivalente a 3,7% do PIB. Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$64,5 bilhões na mesma base de comparação, equivalentes a 2,9% do PIB.
 
11. No que se refere à economia global, indicadores antecedentes apontam crescimento compatível com a tendência em importantes economias maduras e emergentes. Especificamente sobre a Europa, em que pese avanços recentes, altas taxas de desemprego, aliadas à consolidação fiscal e a incertezas políticas ainda constituem elementos de contenção de investimentos e do crescimento. Em relação à política monetária, o banco central norte-americano (Federal Reserve) deu continuidade à gradual redução da compra de ativos e, de modo geral, prevalecem posturas acomodatícias nas economias maduras. Nas economias emergentes, de modo geral, a política monetária se apresenta menos expansionista. A inflação continua em níveis moderados ou baixos nas economias maduras; e, nas emergentes, em níveis elevados.
 
12. O preço do barril de petróleo do tipo Brent manteve-se em patamar próximo a US$110 desde a última reunião do Copom. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor de petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Desde a última reunião do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas aumentaram 2,3%, e os preços das commodities metálicas aumentaram 1,8%. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), recuou 3,5% em doze meses até abril de 2014.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
13. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível.
 
14. Para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados, projeta-se variação de 5% em 2014, mesmo valor considerado na reunião do Copom de abril. Essa projeção considera variações ocorridas, até abril, nos preços da gasolina (1,8%) e do gás de bujão (0,5%), bem como hipóteses de redução de 4,2% nas tarifas de telefonia fixa e de aumento de 11,5% nos preços da eletricidade. Os itens para os quais se dispõe de mais informações foram projetados individualmente e, para os demais, as projeções se baseiam em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP). Com base nesses modelos, projeta-se variação de 5% para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, em 2015, mesmo valor considerado na última reunião do Comitê.
 
15. A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 26 pontos base (p.b.) e 7 p.b. para o quarto trimestre de 2014 e de 2015, respectivamente.
 
16. Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva das trajetórias de superavit primário, tanto para 2014 quanto para 2015, conforme parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)/2014 e no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO)/2015, respectivamente. Dessa forma, em determinado período, o impulso fiscal equivale à variação do superavit estrutural em relação ao observado no período anterior.
 
17. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2014 elevou-se de 6,30% para 6,47%. Para 2015, a mediana das projeções de inflação elevou-se de 5,80% para 6,00%.
 
18. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,20/US$ e da taxa Selic em 11,00% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2014 diminuiu em relação ao valor considerado na última reunião, mas permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2014 também diminuiu em relação ao valor considerado na reunião de abril, mas permanece acima da meta para a inflação. Para 2015, no cenário de referência, a projeção de inflação recuou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril, mas se encontra acima da meta. Já no cenário de mercado, a projeção de inflação para 2015 se manteve relativamente estável, acima da meta.
 
Implementação da política monetária
 
19. O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda.
 
20. À vista disso, o Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
 
21. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados, em particular, os derivados de mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias maduras. Apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo. Para o Comitê, não obstante dados recentemente divulgados terem se mostrado menos positivos do que se antecipava, mantiveram-se as perspectivas de atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante para a política monetária. De fato, há avanços nas economias maduras, inclusive em países da Área do Euro, não obstante, de modo geral, permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos. Já em importantes economias emergentes, o ritmo de atividade não tem correspondido às expectativas, em que pese a resiliência da demanda doméstica. O Comitê destaca ainda que, não obstante pressões localizadas recentemente observadas, as perspectivas indicam moderação na dinâmica dos preços de commodities nos mercados internacionais; bem como que, nos mercados de moeda, há evidências de tensão e de volatilidade.
 
22. O Copom pondera que o ritmo de expansão da atividade doméstica tende a ser menos intenso este ano, em comparação ao de 2013, e que, no médio prazo, mudanças importantes devem ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada. O Comitê nota que as taxas de expansão da absorção interna têm sido maiores do que as do PIB, mas que tendem a se aproximar. Nesse contexto, o consumo tende a crescer em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes; e os investimentos tendem a ganhar impulso. No que se refere ao componente externo da demanda agregada, o cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, milita no sentido de torná-lo mais favorável ao crescimento da economia brasileira. Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria, e também da agropecuária; e o setor de serviços tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes. É plausível afirmar que esses desenvolvimentos – somados a avanços em qualificação da mão de obra e ao programa de concessão de serviços públicos – traduzir-se-ão numa alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de produtividade. O Comitê ressalta, ainda, que a velocidade de materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias.
 
23. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais e que se criam condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade. O Comitê nota ainda que a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, de um lado, contribuiria para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta; de outro, contribuiria para criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo. Importa destacar, também, que a geração de superavit primários em patamares próximos à média dos gerados em anos mais recentes contribuiria para diminuir o custo de financiamento da dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o custo de capital de modo geral, o que estimularia o investimento privado no médio e no longo prazo.
 
24. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
 
25. No mercado de fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação. Não obstante a concessão este ano de reajuste para o salário mínimo não tão expressivo quanto em anos anteriores, bem como a ocorrência nos últimos trimestres de variações reais de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos.
 
26. O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência. Concorrem para isso dois importantes processos de ajustes de preços relativos ora em curso na economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres. O Comitê reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre a inflação e reafirma sua visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes. A propósito, para combater essas e outras pressões inflacionárias, nos últimos doze meses as condições monetárias foram apertadas, mas o Comitê avalia que os efeitos da elevação da taxa Selic sobre a inflação, em parte, ainda estão por se materializar. Além disso, é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária sobre a inflação tendem a ser potencializados.
 
27. Diante disso, avaliando a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 11,00% a.a., sem viés.
 
28. Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.
 
29. O Copom avalia que a demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta. De um lado, o consumo das famílias tende a registrar ritmo moderado de expansão, devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito; de outro, condições financeiras relativamente favoráveis, concessão de serviços públicos, ampliação das áreas de exploração de petróleo, entre outros, tendem a favorecer a ampliação dos investimentos. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
 
30. O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária.
 
31. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 15 de julho de 2014, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 24.064, de 12 de junho de 2013.