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181ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
 
Data: 25 e 26/2/2014
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (25/2) e do 20º andar (26/2) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h10 (25/2) e 17h10 (26/2)
Horário de término: 19h50 (25/2) e 20h32 (26/2)
 
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio Tombini – Presidente (presente somente em 26/2)
Aldo Luiz Mendes
Altamir Lopes
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva (presente somente em 26/2)
Luiz Edson Feltrim
Sidnei Corrêa Marques
 
Chefes de Departamento (presentes em 25/2)
Bruno Walter Coelho Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Eduardo José Araújo Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 26/02)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico
 
Demais participantes (presentes em 25/2)
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos – Chefe Adjunto da Assessoria Econômica da Presidência
Gustavo Ênio Falcão Freire – Assessor de Imprensa
Maurício Barreto Campos – Chefe de Subunidade do Departamento Econômico
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,55% em janeiro, 0,31 ponto percentual (p.p.) menor do que a registrada em janeiro de 2013 e 0,37 p.p. menor que a de dezembro de 2013. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses recuou para 5,59% em janeiro (ante 6,15% em janeiro de 2013), com os preços livres aumentando 6,65% (7,20% em janeiro de 2013) e os preços administrados, 2,15% (2,94% em janeiro de 2013). Especificamente sobre preços livres, os de itens comercializáveis aumentaram 5,64% em doze meses (5,54% em janeiro de 2013), e os de não comercializáveis, 7,56% (8,69% em janeiro de 2013). Por sua vez, os preços no segmento de alimentos e bebidas aumentaram 7,25% no mesmo período (11,09% em janeiro de 2013); e os dos serviços, 8,26% (8,61% até janeiro de 2013). Em síntese, as informações disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que reflete em parte a dinâmica dos preços no segmento de serviços.
 
2. A média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo Banco Central, se deslocou de 0,76% em dezembro para 0,53% em janeiro, e, assim, a variação acumulada em doze meses atingiu 6,07% (0,25 p.p. acima da registrada em janeiro de 2013). Especificamente, o núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização se deslocou de 0,58% em dezembro para 0,55% em janeiro; o núcleo por dupla ponderação, de 0,79% para 0,55%; o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,96% para 0,52%; o núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,72% para 0,54%; e o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio, bem como combustíveis, de 0,74% para 0,50%. O índice de difusão ficou em 72,1% em janeiro (3,0 p.p. abaixo do registrado em janeiro de 2013).
 
3. O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,40% em janeiro, após alta de 0,69% em dezembro, e 5,62% no acumulado em doze meses (8,11% em janeiro de 2013). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), aumentou 5,19% em doze meses (9,12% em janeiro de 2013), com recuo de 1,70% nos preços de produtos agropecuários e elevação de 7,95% nos preços de produtos industriais. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI, variou 5,61% em doze meses até janeiro (5,95% em janeiro de 2013); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP-DI, 8,34% (6,86% em janeiro de 2013), em parte, reflexo de pressões de custos de mão de obra, que variaram 10,35% no período. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aumentou 0,65% em dezembro, impulsionado pela elevação de preços de produtos derivados do petróleo, e 5,75% em 2013 (7,28% em 2012). O Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação ao consumidor dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade econômica. Em dezembro de 2013, o IBC-Br variou -1,4% em relação ao mês anterior, 0,7% em relação a dezembro de 2012, e registrou crescimento de 2,5% em 2013 (0,6% em 2012). Já o Purchasing Managers’ Index (PMI) composto para o Brasil apontou desaceleração da atividade econômica em janeiro, com expansão no setor manufatureiro e recuo no de serviços. Por sua vez, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou em fevereiro e permanece abaixo da média histórica do índice. Do mesmo modo, a confiança do empresário industrial, medida pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI), apontou retração em fevereiro. No que se refere à agricultura, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projeta crescimento de 3,0% na produção de grãos em 2014, em relação a 2013.
 
5. Construídos pelo Banco Central em consulta trimestral realizada com instituições representativas de cada segmento do mercado de crédito, os Indicadores de Condições de Crédito sugerem, para o primeiro trimestre de 2014, em comparação ao último de 2013, pequena redução no ritmo de aprovação de concessões para pessoas jurídicas, explicada tanto por menor demanda como por oferta mais restritiva. Em relação ao crédito às pessoas físicas, a análise aponta estabilidade no ritmo de aprovação de crédito voltado ao consumo e ligeira redução no de crédito habitacional.
 
6. A atividade fabril recuou 3,5% em dezembro, após recuo de 0,6% em novembro, de acordo com a série livre de influências sazonais, divulgada pelo IBGE. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve queda de 2,3% em dezembro. Dessa forma, a produção física da indústria em 2013 foi 1,2% superior à registrada em 2012, com expansão em 17 dos 27 ramos de atividade pesquisados. O indicador PMI do setor industrial aponta expansão em janeiro, com crescimento no número de novos pedidos. De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria de transformação cresceu 3,8% em 2013, o número de horas trabalhadas, 0,1%, o nível de emprego, 0,8%, e o rendimento médio real, 0,9%.
 
7. Entre as categorias de uso, a produção de bens de capital em dezembro superou em 1,8% a produção registrada em dezembro de 2012. Ao mesmo tempo, a atividade no setor de bens intermediários, de bens de consumo duráveis e de bens semiduráveis e não duráveis recuou 2,0%, 3,5% e 3,1%, respectivamente, nessa mesma base de comparação. No que se refere à variação anual observada em 2013, houve crescimento de 13,3% na produção de bens de capital; e de 0,6% na de bens de consumo duráveis. Em contrapartida, registrou-se recuo de 0,5% na produção do setor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis; e estabilidade na produção do setor de bens intermediários.
 
8. O IBGE divulgou os primeiros resultados da nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua). De acordo com a pesquisa, a taxa de desocupação no Brasil no segundo trimestre de 2013 foi de 7,4%, o que representou recuo de 0,1 p.p. em relação ao mesmo trimestre de 2012. A taxa de desemprego foi maior na região Nordeste (10,0% da força de trabalho), e menor na região Sul (4,3%). Já de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange apenas seis regiões metropolitanas, a taxa de desemprego sem ajuste sazonal foi de 4,8% em janeiro, o que representa redução de 0,6 p.p. em relação à taxa observada em janeiro de 2013. De acordo com a série dessazonalizada pelo Banco Central, a taxa atingiu o mínimo (4,9%) da série histórica iniciada em 2002, o que reflete, em parte, a redução da População Economicamente Ativa (PEA) no período recente. Ainda de acordo com a PME, o rendimento médio real habitual cresceu 3,6% em janeiro, quando comparado a igual mês do ano anterior, e a massa salarial real, 3,3%, na mesma base de comparação. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram criação de 29,6 mil postos de trabalho formais em janeiro. A geração líquida foi similar à observada em janeiro de 2013 (28,9 mil), mas significativamente inferior à geração de empregos formais ocorrida nesse mesmo mês nos três anos anteriores. Em suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, embora existam alguns sinais de moderação na margem.
 
9. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista restrito cresceu 4,3% em 2013, após expansão de 8,4% em 2012. Por sua vez, o volume de vendas do comércio ampliado, que inclui o setor automobilístico e o setor de materiais de construção, aumentou 3,6% em 2013, após crescimento de 8,0% no ano anterior. Em 2013, houve expansão do volume de vendas em todos os dez segmentos pesquisados, assim como ocorreu em 2012. Na margem, as variações mensais do comércio restrito e do comércio ampliado foram de -0,2% e de -1,5% em dezembro, respectivamente, de acordo com as séries dessazonalizadas. Após cinco altas consecutivas, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, recuou em janeiro, em função principalmente de moderação nas expectativas. O Copom avalia que a trajetória do comércio continuará sendo influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.
 
10. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 83,8% em fevereiro (83,3% em fevereiro de 2013) e, na série dessazonalizada pela FGV, 84,6%. A utilização da capacidade no setor de bens de capital ficou em 81,2%. No setor de bens de consumo, de bens intermediários e de materiais de construção, a utilização da capacidade se posicionou em 82,9%, 85,6% e 88,8%, respectivamente. Por sua vez, a absorção de bens de capital cresceu 12,2% em 2013 (queda de 9,7% em 2012), enquanto a produção de insumos para a construção civil aumentou 2,3% (1,3% no ano anterior).
 
11. O saldo da balança comercial atingiu US$2,5 bilhões em doze meses até janeiro. Esse resultado adveio de exportações de US$242,2 bilhões e de importações de US$239,7 bilhões, com recuo de 0,1% e avanço de 6,2%, respectivamente, em relação ao acumulado até janeiro de 2013. Por sua vez, o deficit em transações correntes acumulado em doze meses atingiu US$81,6 bilhões em janeiro, equivalente a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$65,4 bilhões na mesma base de comparação, equivalentes a 2,9% do PIB.
 
12. No que se refere à economia global, as perspectivas apontam ritmo mais intenso da atividade em importantes economias maduras. Especificamente sobre a Europa, em que pese avanços recentes, altas taxas de desemprego, aliadas à consolidação fiscal e incertezas políticas, constituem elementos de contenção de investimentos e do crescimento. Os indicadores antecedentes compostos, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referentes a dezembro, e indicadores coincidentes PMI, referentes a janeiro e fevereiro, apontam melhoras na margem em importantes economias - em especial, no setor manufatureiro - com perspectivas de crescimento compatíveis com a tendência. Em relação à política monetária, o banco central norte-americano (Federal Reserve) continuou processo de redução gradual do programa de compra de ativos, no entanto, de modo geral, prevalecem posturas acomodatícias nas economias maduras. Nas economias emergentes, a política monetária se apresenta menos expansionista, e em alguns casos contracionista. A inflação continua em níveis moderados ou baixos nos Estados Unidos (EUA), na Zona do Euro e no Japão.
 
13. O preço do barril de petróleo do tipo Brent aumentou desde a última reunião do Copom. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor de petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Desde a última reunião do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas aumentaram 8,1%, enquanto os preços das commodities metálicas recuaram 1,3%. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), recuou 4,4% em doze meses até janeiro de 2014.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
14. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) as projeções para o reajuste nos preços da gasolina e do gás de bujão, para o acumulado de 2014, foram mantidas em 0%, valor considerado na reunião do Copom de janeiro;
b) a projeção de reajuste da tarifa residencial de eletricidade, para o acumulado de 2014, foi mantida em 7,5%, valor considerado na reunião do Copom de janeiro;
c) a projeção de reajuste da tarifa de telefonia fixa, para o acumulado de 2014, foi mantida em 0%, valor considerado na reunião do Copom de janeiro;
d) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2014, foi mantida em 4,5%, valor considerado na reunião do Copom de janeiro; e
e) a projeção de reajuste para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2015, foi mantida em 4,5%, valor considerado na reunião do Copom de janeiro. Essas projeções baseiam-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP).
 
15. A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de -1 ponto base (p.b.) e 33 p.b. para o quarto trimestre de 2014 e de 2015, respectivamente.
 
16. Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva das trajetórias de superavit primário, tanto para 2014 quanto para 2015, conforme parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)/2014. Dessa forma, em determinado período, o impulso fiscal equivale à variação do superavit estrutural em relação ao observado no período anterior.
 
17. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2014 manteve-se em 6,00%. Para 2015, a mediana das projeções de inflação elevou-se de 5,50% para 5,70%.
 
18. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,40/US$ e da taxa Selic em 10,50% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2014 se manteve relativamente estável, comparativamente ao valor considerado na última reunião, e permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2014 aumentou em relação ao valor considerado na reunião de janeiro e permanece acima da meta para a inflação. Para 2015, no cenário de referência, a projeção de inflação reduziu-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro, mas se encontra acima do valor central da meta. Já no cenário de mercado, a projeção de inflação para 2015 manteve-se estável em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro e se posiciona acima do valor central da meta.
 
Implementação da política monetária
 
19. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
 
20. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados, em particular, os derivados de mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias maduras. Apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo. Para o Comitê, amparadas em dados positivos recentemente divulgados, mantiveram-se as perspectivas de atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante para a política monetária. De fato, há avanços nas economias maduras, inclusive em países da Área do Euro, não obstante, de modo geral, permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos. Já em importantes economias emergentes, o ritmo de atividade não tem correspondido às expectativas, em que pese a resiliência da demanda doméstica. O Comitê destaca ainda que, não obstante pressões localizadas, recentemente observadas, as perspectivas indicam moderação na dinâmica dos preços de commodities nos mercados internacionais; bem como que, nos mercados de moeda, há evidências de tensão e de volatilidade.
 
21. O Copom pondera que o cenário central contempla ritmo de expansão da atividade doméstica relativamente estável este ano, em comparação a 2013, e que informações recentes indicam, no horizonte relevante para a política monetária, mudanças na composição da demanda e da oferta agregada. A absorção interna se expande a taxas maiores do que as taxas de crescimento do PIB (mas que paulatinamente se aproximam) e, na visão do Comitê, tende a ser beneficiada pelos efeitos de ações de política fiscal, da expansão moderada da oferta de crédito (especialmente, do crédito ao consumo), do programa de concessão de serviços públicos e do programa de permissão para exploração de petróleo, entre outros fatores. Para o Comitê, entretanto, delineia-se ambiente em que o consumo tenderia a continuar em crescimento, porém, em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes; e os investimentos ganhariam impulso. No que se refere ao componente externo da demanda agregada, o cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, milita no sentido de torná-lo mais favorável ao crescimento da economia brasileira. Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária e que, no horizonte relevante para a política monetária, o setor de serviços tenderia a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes. É plausível afirmar que esses desenvolvimentos – somados a avanços em termos de qualificação da mão de obra – traduzir-se-ão numa alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de produtividade. O Comitê ressalta, ainda, que a velocidade de materialização das mudanças acima citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias.
 
22. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais e que se criam condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade. O Comitê nota ainda que a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, de um lado, contribuiria para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta; de outro, contribuiria para criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo. Importa destacar, também, que a geração de superavit primários em patamares próximos à média dos gerados em anos mais recentes contribuiria para diminuir o custo de financiamento da dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o custo de capital de modo geral, o que estimularia o investimento privado no médio e no longo prazo.
 
23. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
 
24. No mercado de fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação. Não obstante a concessão este ano de reajuste para o salário mínimo não tão expressivo quanto em anos anteriores, bem como a ocorrência nos últimos trimestres de variações reais de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos.
 
25. O Copom avalia que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos semestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos. Para o Comitê, os movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária.
 
26. O Copom pondera que, não obstante moderação observada na margem, a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava. Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ajuste das condições monetárias ora em curso.
 
27. Diante disso, dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,25 p.p., para 10,75% a.a., sem viés.
 
28. Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.
 
29. O Copom avalia que a demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta. De um lado, o consumo das famílias tende a continuar em expansão, devido aos efeitos de fatores de estímulo como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito; de outro, condições financeiras favoráveis, concessão de serviços públicos, ampliação das áreas de exploração de petróleo, entre outros, criam boas perspectivas para os investimentos. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
 
30. O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda.
 
31. O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, o Comitê pondera que os efeitos das ações de política monetária sobre a inflação são cumulativos e se manifestam com defasagens.
 
32. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 1º de abril de 2014, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 24.064, de 12 de junho de 2013.