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178ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 8 e 9/10/2013
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (8/10) e do 20º andar (9/10) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h11 (8/10) e 17h04 (9/10)
Horário de término: 19h53 (8/10) e 19h57 (9/10)
 
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio Tombini – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Altamir Lopes
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva
Luiz Edson Feltrim
Sidnei Corrêa Marques
 
Chefes de Departamento (presentes em 8/10)
Bruno Walter Coelho Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Eduardo José Araújo Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 9/10)
Flávio Túlio Vilela – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico
 
Demais participantes (presentes em 8/10)
Gustavo Paul Kurrle – Assessor de Imprensa
Otávio Ribeiro Damaso – Chefe de Gabinete da Presidência
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da economia
 
1. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,35% em setembro, após alta de 0,24% em agosto. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses recuou para 5,86% em setembro (5,28% até setembro de 2012), com os preços livres aumentando 7,37% (5,93% até setembro de 2012), e os preços administrados registrando a menor variação (1,12%) da série histórica iniciada em 1994 (3,44% até setembro de 2012). Especificamente sobre preços livres, os dos bens comercializáveis aumentaram 6,43% (3,37% até setembro de 2012), e os dos bens não comercializáveis, 8,20% (8,28% até setembro de 2012). Os preços do grupo alimentos e bebidas registraram inflação de 0,14% em setembro, mas ainda acumulam alta de 9,23% em doze meses (9,53% até setembro de 2012). Por sua vez, os preços dos serviços aumentaram 8,73% em doze meses (7,89% até setembro de 2012). Em síntese, a inflação de monitorados recua, ao mesmo tempo, a de não comercializáveis segue elevada, e a de comercializáveis, em elevação.
 
2. A média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo Banco Central, passou de 0,41% em agosto para 0,46% em setembro. Assim, a variação acumulada em doze meses atingiu 6,22% (0,99 ponto percentual (p.p.) acima da registrada até setembro de 2012). Especificamente, o núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização passou de 0,42% em agosto para 0,43% em setembro; o núcleo por dupla ponderação, de 0,42% para 0,46%; o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,45% para 0,52%; o núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,34% para 0,40%; e o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio, bem como combustíveis, de 0,41% para 0,48%. O índice de difusão ficou em 57,8% em setembro (ante 66,3% no mesmo mês do ano anterior).
 
3. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 1,36% em setembro e acumula 4,47% em doze meses (8,17% até setembro de 2012). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 3,62% (ante 9,18% até setembro de 2012). Na desagregação segundo o estágio da produção, observou-se, em doze meses, queda de 0,80% nos preços de matérias-primas brutas, alta de 6,45% nos preços de bens intermediários e de 4,70% nos de bens finais. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI, variou 5,29% em doze meses até setembro (5,73% até setembro de 2012); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP-DI, 8,09% (7,49% até setembro de 2012), em parte reflexo de preços de mão de obra, que variaram 9,88% no período. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 1,48% em agosto, acumulando alta de 5,97% em doze meses. O Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade econômica. Considerando-se os dados ajustados sazonalmente, o IBC-Br recuou 0,3% em julho, após crescimento de 1,0% em junho. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br aumentou 2,4% em junho e 3,4% em julho. Em doze meses, o indicador aponta crescimento de 2,1%. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou novamente em setembro, em função de melhoras tanto na percepção em relação à situação atual como nas expectativas em relação ao futuro. A confiança do consumidor atingiu o maior nível desde fevereiro. Já o Índice de Confiança do Setor de Serviços (ICS) apontou estabilidade em setembro, situando-se abaixo da média histórica recente. Por sua vez, a confiança do empresário industrial, medida pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI), diminuiu em setembro, atingindo o menor nível desde julho de 2009. No que se refere à agricultura, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projeta crescimento de 15,5% na produção de grãos em 2013, em relação a 2012.
 
5. A economia brasileira cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2013, após expansão de 0,6% no trimestre anterior, de acordo com dados dessazonalizados divulgados pelo IBGE. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a expansão alcançou 3,3% (ante 1,9% no primeiro trimestre). Dessa forma, o Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre superou em 2,6% o registrado no primeiro semestre de 2012, e a taxa de crescimento acumulada ao longo dos quatro últimos trimestres alcançou 1,9%. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias – maior componente da demanda agregada – cresceu 0,3% na margem, de acordo com dados dessazonalizados, e 2,3% em relação ao mesmo trimestre de 2012. Essa foi a trigésima nona expansão consecutiva na comparação interanual. Por sua vez, o consumo do governo cresceu 0,5% em relação ao trimestre anterior e 1,0% em relação ao mesmo trimestre de 2012. O ritmo de crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apontou expansão de 3,6% na margem, e de 9,0% em relação ao segundo trimestre de 2012, indicando aumento na taxa de investimento da economia.
 
6. Os Indicadores de Condições de Crédito, construídos pelo Banco Central com base em consulta trimestral realizada junto a instituições representativas de cada segmento do mercado de crédito, evidenciaram, para o quarto trimestre de 2013, a expectativa de manutenção do volume de concessões de novas operações de crédito, tanto para o segmento de grandes empresas, como para o de micro, pequenas e médias empresas. Igualmente, em relação ao crédito às pessoas físicas, a análise sugere certa estabilidade no ritmo de concessões das linhas de crédito voltadas ao consumo – que foram afetadas pelo efeito combinado da elevação das taxas de juros, da melhoria dos indicadores de inadimplência e por certo arrefecimento no mercado de trabalho. Já para o crédito habitacional, que possui maior componente inercial, é esperada elevação nos níveis de concessão.
 
7. A atividade fabril mostrou estabilidade em agosto, de acordo com a série livre de influências sazonais divulgada pelo IBGE, após queda de 2,4% em julho. Em agosto, a produção industrial cresceu em 15 dos 27 ramos de atividade pesquisados, na comparação mensal. A produção no mês foi 1,2% inferior à registrada em agosto de 2012, resultando em avanço de 0,7% no acumulado em doze meses. Dessa forma, a produção física nos oito primeiros meses do ano superou em 1,6% a registrada no mesmo período do ano anterior, com destaque positivo para a produção de veículos automotores que expandiu 11,0% nessa base de comparação. Por sua vez, o indicador Purchasing Managers Index (PMI) do setor industrial referente ao Brasil indicou melhora em setembro. Já de acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria de transformação cresceu 4,6% nos oito primeiros meses do ano, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, enquanto o número de horas trabalhadas não variou.
 
8. Entre as categorias de uso da indústria, a produção de bens de capital cresceu 11,8% em agosto, em relação ao mesmo mês do ano anterior; enquanto a de bens intermediários recuou 2,0%; a de bens de consumo duráveis, 6,3%; e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 1,6%. Relativamente a julho, de acordo com dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital em agosto aumentou 2,6%, a de bens intermediários 0,6% e a de bens de consumo duráveis, 0,2%, enquanto a produção de bens de consumo semiduráveis e não duráveis recuou 0,3%. No que se refere ao crescimento acumulado em doze meses até agosto, houve avanço de 4,6% na produção de bens de capital e de 3,2% na produção de bens de consumo duráveis. Por sua vez, a produção de bens de consumo semiduráveis e não duráveis avançou 0,2%, e a de bens intermediários recuou 0,2%, nessa base de comparação.
 
9. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, recuou para 5,3% em agosto, repetindo a taxa observada em agosto de 2012. Assim, de acordo com a série dessazonalizada pelo Banco Central, a taxa de desocupação em agosto atingiu novamente o mínimo da série histórica (5,3%), iniciada em março de 2002. A redução da taxa de crescimento da População em Idade Ativa (PIA) ao longo dos últimos anos tem contribuído para a manutenção da taxa de desocupação em patamares historicamente baixos. Já a taxa de atividade mostrou estabilidade em agosto, na medida em que o contingente da população economicamente ativa representou 57,2% da PIA (ante 57,0% em agosto de 2012). Ainda de acordo com a PME, o rendimento médio real habitual cresceu 1,3% em agosto, comparado a igual mês do ano anterior, enquanto a massa salarial real aumentou 2,7% nessa mesma base de comparação. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram criação de 127,6 mil postos de trabalho formais em agosto (100,9 mil em agosto de 2012). Em suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, embora existam alguns sinais de moderação na margem.
 
10. O comércio varejista apresentou desempenho positivo em julho. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio cresceu 6,0%, quando comparado a julho de 2012. Já o comércio varejista ampliado cresceu 3,7% na mesma base de comparação. Ajustada sazonalmente, a variação mês a mês foi de 1,9% nas vendas do comércio varejista restrito e de 0,6% nas do comércio ampliado. Em doze meses, a taxa de crescimento do comércio ampliado alcançou 5,8%, com expansão em todos os dez segmentos pesquisados. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, aumentou no trimestre findo em setembro, a exemplo do que havia ocorrido no mês anterior. O Copom avalia que a trajetória do comércio continuará a ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.
 
11. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 85,0% em setembro (84,9% em setembro de 2012) e, na série dessazonalizada pela FGV, 84,2%. A utilização da capacidade no setor de bens de capital, de acordo com a série livre de influências sazonais, ficou em 83,1%. No setor de bens de consumo, de bens intermediários e de materiais de construção, a utilização da capacidade se posicionou em 82,7%, 86,2% e 89,1%, respectivamente. Por sua vez, a absorção de bens de capital cresceu 5,3% no período de doze meses encerrado em agosto.
 
12. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses recuou para US$2,1 bilhões em setembro. Esse resultado adveio de exportações de US$239,6 bilhões e de importações de US$237,5 bilhões, com recuo de 2,8% e avanço de 6,0%, respectivamente, em relação aos doze meses anteriores. Por sua vez, o deficit em transações correntes, acumulado em doze meses, atingiu US$80,6 bilhões em agosto, equivalente a 3,6% do PIB. Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$61,1 bilhões em doze meses até agosto, equivalentes a 2,7% do PIB.
 
13. Na economia global, ainda prevalece cenário de baixo crescimento neste ano em importantes economias maduras, notadamente na Zona do Euro, e indicadores de volatilidade respondem às perspectivas de mudanças na política monetária e aos impasses na política fiscal dos Estados Unidos. Altas taxas de desemprego na Europa, aliadas aos esforços de consolidação fiscal e a incertezas políticas, traduzem-se em recuo dos investimentos e em baixo crescimento. O indicador antecedente composto, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referente a agosto, e os indicadores coincidentes PMI, referentes a setembro, no entanto, apontam melhoras na margem em diversas economias avançadas, com perspectivas de crescimento acima da tendência, ao contrário do que ocorre em economias emergentes. Em relação à política monetária, nas economias maduras prevalecem posturas acomodatícias. Nas economias emergentes, de modo geral, a política monetária se apresenta expansionista. A inflação continua em níveis moderados nos EUA e na Zona do Euro, e, no Japão, consolida-se acima de zero.
 
14. O preço do barril de petróleo do tipo Brent apresentou ligeiro recuo desde a última reunião, refletindo certo arrefecimento de riscos geopolíticos. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Desde a última reunião do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas recuaram 2,1%, enquanto os preços das commodities metálicas apresentaram queda de 1,0%. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), variou -7,8% em doze meses até setembro de 2013.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
15. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) a projeção de reajuste no preço da gasolina, para o acumulado de 2013, foi mantida em 5%, valor considerado na reunião do Copom de agosto;
b) a projeção aponta recuo de aproximadamente 16% na tarifa residencial de eletricidade, mesmo valor considerado na reunião do Copom de agosto. Essa estimativa leva em conta os impactos diretos das reduções de encargos setoriais anunciadas, bem como reajustes e revisões tarifárias ordinários programados para este ano;
c) projeta-se aumento de 2,5% no preço do gás de bujão e redução de 1,0% na tarifa de telefonia fixa para o acumulado de 2013, mesmos valores considerados na reunião do Copom de agosto, respectivamente;
d) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2013, recuou para 1,5%, 0,3 p.p. menor do que o valor considerado na reunião do Copom de agosto; e
e) a projeção de reajuste para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2014, foi mantida em 4,5%, mesmo valor considerado na reunião do Copom de agosto. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP).
 
16. A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 115 pontos base (p.b.) e 4 p.b. para o quarto trimestre de 2013 e de 2014, respectivamente.
 
17. Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva das trajetórias de superavit primário para 2013, conforme parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)/2013; e, para 2014, conforme parâmetros constantes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO)/2014. Dessa forma, em determinado período, a projeção de inflação considera impulso fiscal a variação do superavit estrutural em relação ao observado no período anterior.
 
18. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2013 elevou-se ligeiramente, de 5,80% para 5,82%. Para 2014, a mediana das projeções de inflação elevou-se de 5,84% para 5,95%.
 
19. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,20/US$ e da taxa Selic em 9,00% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2013 diminuiu em relação ao valor considerado na última reunião, porém, permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2013 também diminuiu em relação ao valor considerado na reunião de agosto e também permanece acima da meta para a inflação. Para 2014, no cenário de referência, a projeção de inflação recuou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de agosto e aumentou no cenário de mercado, posicionando-se, nos dois casos, acima da meta de 4,5%. No terceiro trimestre de 2015, a inflação se posiciona acima da meta nos dois cenários.
 
Implementação da política monetária
 
20. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
 
21. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados, em particular, os derivados do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos. Apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo. O Comitê avalia que, de modo geral, mantiveram-se perspectivas de atividade global moderada este ano, com tendência de intensificação ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Há avanços localizados nas economias maduras, não obstante permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos. Já em importantes economias emergentes, o ritmo de atividade não tem correspondido às expectativas, em que pese a resiliência da demanda doméstica. O Comitê destaca evidências de acomodação dos preços de commodities nos mercados internacionais; bem como que, desde a última reunião, houve certo arrefecimento nas tensões e na volatilidade que então se observavam nos mercados de moeda.
 
22. O Copom pondera que o cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano. Informações recentes indicam retomada dos investimentos e continuidade do crescimento do consumo das famílias, esse último favorecido pelas transferências públicas e pelo vigor do mercado de trabalho – que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários. De modo geral, a absorção interna vem se expandindo a taxas maiores do que as de crescimento do PIB e tende a ser beneficiada pelos efeitos de ações de política fiscal, pela expansão da oferta de crédito para pessoas físicas e empresas, e pelo programa de concessão de serviços públicos, entre outros fatores. No que se refere ao componente externo da demanda agregada, o cenário central antecipa trajetória mais benigna do que a registrada em anos recentes. No entanto, o Comitê nota que a velocidade de materialização desses ganhos esperados depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias.
 
23. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Para o Comitê, criam-se condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade. O Comitê nota ainda que a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, de um lado, contribuiria para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta; de outro, contribuiria para criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo.
 
24. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
 
25. No mercado de fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação. Não obstante sinais de moderação, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos.
 
26. O Copom avalia que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos trimestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos. Para o Comitê, esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária.
 
27. O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência. Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido.
 
28. Nesse contexto, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso.
 
29. Diante disso, dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano.
 
30. Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.
 
31. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar relativamente robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos remanescentes das ações de política implementadas recentemente. Esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, as permissões para exploração de petróleo, entre outros, criam boas perspectivas para os investimentos e para a produção industrial. Por outro lado, o Comitê nota que ainda se apresenta como fator de contenção da demanda agregada o frágil cenário internacional, em que pese as perspectivas de progresso no horizonte relevante. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
 
32. O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda.
 
33. O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária.
 
34. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 26 de novembro de 2013, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 22.665, de 27 de junho de 2012.
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
35. O IPCA variou 0,35% em setembro, ante 0,24% em agosto, de acordo com o IBGE. A aceleração mensal refletiu os avanços de 0,12 p.p., para 0,41%, na variação dos preços livres, e de 0,07 p.p., para 0,16%, nos preços monitorados. A evolução dos preços livres refletiu acelerações dos preços dos bens comercializáveis, de 0,39% para 0,61%, e dos não comercializáveis, de 0,20% para 0,23%, com aceleração nos preços de serviços, de 0,60% para 0,63%. A aceleração mensal do IPCA foi favorecida, principalmente, pelo avanço, de -0,06% para 0,44%, nos preços do grupo transportes, com contribuição de 0,08 p.p. para o índice, ante -0,01 p.p. em agosto. O índice de difusão atingiu 57,81% em setembro, ante 58,63% em agosto.
 
36. Considerados períodos de doze meses, o IPCA aumentou 5,86% em setembro, ante 6,09% em agosto. Os preços livres desaceleraram de 7,64% para 7,37%, reflexo de arrefecimentos, de 6,75% para 6,43%, na variação dos preços dos produtos comercializáveis, e de 8,42% para 8,20%, na relativa aos bens não comercializáveis. A variação dos preços monitorados atingiu 1,12%, ante 1,27% no período de doze meses encerrado em agosto. Os preços dos serviços aumentaram 8,73%, ante variações de 8,60% e de 8,48% nos períodos de doze meses finalizados em agosto e julho, respectivamente.
 
37. O IGP-DI variou 1,36% em setembro, após alta de 0,46% em agosto, de acordo com a FGV, resultado das acelerações do IPA, do IPC e do INCC. O indicador acumula aumentos de 3,86% no ano, ante elevação de 7,46% no mesmo período de 2012, e de 4,47% em doze meses, comparativamente a 3,98% até agosto.
 
38. O IPA-DI avançou 1,90% em setembro, ante 0,58% em agosto, acumulando altas de 3,39% no ano e de 3,62% em doze meses. Os preços dos produtos industriais aumentaram 1,85% no mês, ante 0,67% em agosto, acumulando altas de 5,91% no ano e de 6,06% em doze meses. Os preços dos produtos agropecuários avançaram 2,04% em setembro, ante 0,36% no mês anterior, acumulando quedas de 2,74% no ano e de 2,35% em doze meses. O desempenho mensal dos preços dos produtos industriais evidenciou, em especial, o aumento nos preços dos itens óleos e gorduras vegetais, 9,52%, e minerais metálicos, 4,59%, que exerceram contribuições de 0,27 p.p. e 0,25 p.p., respectivamente. Em relação aos produtos agropecuários, ressaltem-se as variações dos itens soja, 7,51%; aves, 8,49%; e bovinos, 2,46%; com contribuições de 0,40 p.p., 0,14 p.p. e 0,09 p.p., respectivamente.
 
39. O IPC-DI variou 0,30% em setembro, ante 0,20% em agosto, acumulando alta de 3,63% no ano, ante 4,07% no mesmo período do ano anterior, e de 5,29% em doze meses. A aceleração do IPC-DI em setembro repercutiu as elevações nos grupos habitação, 0,51%, ante 0,35% em agosto; vestuário, 0,86%, ante 0,34%; e transportes, 0,07%, ante -0,26%; com contribuições respectivas de 0,13 p.p., 0,05 p.p. e 0,01 p.p. O INCC-DI variou 0,43% em setembro, ante 0,31% em agosto, com aceleração nos preços de materiais, equipamentos e serviços, de 0,66% para 0,91%, e estabilidade nos custos de mão de obra, repetindo o resultado do mês anterior. O INCC acumulou variações de 7,33% no ano e de 8,09% em doze meses.
 
40. O IPP/IT aumentou 1,48% em agosto, ante 1,21% em julho, acumulando 4,3% no ano, ante 5,59% no mesmo período de 2012. O resultado mensal do IPP/IT refletiu, principalmente, as elevações de 3,15%, 1,34% e 1,80%, respectivamente, nos preços dos segmentos alimentos, outros produtos químicos e metalurgia, com contribuições para o índice de 0,63 p.p., 0,15 p.p. e 0,14 p.p., nessa ordem. Em doze meses, o IPP/IT variou 5,97% em agosto, ante 4,98% em julho, destacando-se as contribuições dos itens outros produtos químicos, 1,44 p.p.; alimentos, 0,95 p.p.; e coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, 0,61 p.p.
 
41. O Índice Commodities – Brasil (IC-Br) recuou 2,82% em setembro, após avanço de 3,77% em agosto, ocorrendo quedas respectivas de 2,69%, 3,95% e 2,39% nos segmentos de commodities agropecuárias, metálicas e energéticas. O IC-Br acumulou elevação de 0,62% no ano, até setembro, resultado de desvalorização de 0,73% no segmento de agropecuárias e de valorizações de 0,30% e 7,05%, na ordem, nas commodities metálicas e energéticas.
 
Atividade econômica
 
42. O IBC-Br recuou 0,33% em julho, em relação ao mês anterior, considerados dados dessazonalizados. O indicador variou 0,07% no trimestre encerrado em julho, em relação ao finalizado em abril, quando havia aumentado 1,29% no mesmo tipo de comparação. Na série com dados observados, o IBC-Br variou 3,38%, em relação a julho de 2012, ante 2,35% em junho, na mesma base de comparação, e acumulou elevações de 2,97% no ano e de 2,11% no período de doze meses finalizado em julho.
 
43. As vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceram 0,6% em julho em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados da PMC, do IBGE, após variações de 0,9% em junho e de -1,6% em maio. As vendas aumentaram 0,6% no trimestre encerrado em julho, em relação ao finalizado em abril, quando haviam crescido 0,5%, no mesmo tipo de comparação. Ocorreram elevações mensais nas vendas de oito dos dez segmentos pesquisados, com destaque para tecidos, vestuário e calçados, 5,4%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 3,9%; e equipamentos e materiais para escritório, 3,5%. Em oposição, ressalte-se a retração nas vendas de veículos e motos, partes e peças, 3,5%. As vendas do comércio varejista cresceram 1,9% em julho, comparativamente ao mês anterior, após altas de 0,4% em junho e de 0,3% em maio, acumulando expansão de 1,6% no trimestre encerrado em julho, em relação ao finalizado em abril. Na comparação interanual e no período de doze meses encerrado em julho, o comércio varejista cresceu 6% e 5,4%, respectivamente.
 
44. Considerados os dados observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram expansão interanual de 3,7% em julho, com ênfase no crescimento de outros artigos de uso pessoal e doméstico, 12%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 11,6%; móveis e eletroeletrônicos, 11%; e material de construção, 10,6%. O comércio ampliado cresceu 5,8% no período de doze meses encerrado em julho, destacando-se o aumento das vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico, 10,7%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 9,2%; combustíveis e lubrificantes, 7,5%; material de construção, 7,2%; móveis e eletrodomésticos, 7,1%; e veículos e motos, partes e peças, 6,2%.
 
45. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, atingiram 309,9 mil unidades em setembro, queda de 1% em relação a agosto, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central. Essas vendas recuaram 5,1% no trimestre encerrado em setembro, em relação ao finalizado em junho, quando declinaram 1% no mesmo tipo de comparação. Considerados períodos de doze meses, as vendas de autoveículos variaram -0,4% em setembro, resultado da retração de 1,9% em automóveis. Em oposição, as vendas de caminhões, ônibus e comerciais leves cresceram 7,7%, 5,8% e 3,4%, respectivamente.
 
46. O índice de quantum das importações de bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, reduziu 10,3% em agosto, na comparação com o mês anterior. A análise dos dados observados indicou variações de -6,1% em relação a agosto de 2012, de 4,3% no ano, e de 2,5% no intervalo de doze meses terminado em agosto.
 
47. A produção de bens de capital cresceu 2,6% em agosto, acumulando expansão de 2,9% no trimestre encerrado em agosto, relativamente ao finalizado em maio, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. O resultado mensal refletiu, sobretudo, o aumento da produção da indústria de equipamentos de transporte, 7,1%; de bens de capital para o setor de energia elétrica, 5,5%; e de equipamentos para fins industriais não seriados, 4,9%. Em oposição, destacaram-se as retrações de 3,2% e 2,3% nos segmentos de peças agrícolas e de bens agrícolas, respectivamente. Considerando dados observados, a expansão de 11,8%, em relação a agosto de 2012, repercutiu o crescimento da produção de bens de capital para a construção, 46,9%; de equipamentos agrícolas, 25,2%; e de peças agrícolas, 24,4%.
 
48. A produção de insumos típicos da construção civil recuou 0,4% em agosto, registrando estabilidade no trimestre encerrado em agosto, em relação ao finalizado em maio, considerando dados dessazonalizados. No acumulado em doze meses encerrados em agosto, a produção do segmento cresceu 0,7%.
 
49. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$190,2 bilhões no intervalo de doze meses encerrado em julho, elevação de 38,3% em relação a igual período de 2012. Aumentaram os recursos destinados a todos os segmentos: agropecuária, 76%; comércio e serviços, 62%; indústria, 30%; e infraestrutura, 22%. No período, o setor de infraestrutura absorveu 32% do total dos recursos liberados, seguido pela indústria, 31%; comércio e serviços, 28%; e agropecuária, 9%.
 
50. A produção física da indústria geral manteve-se estável em agosto, em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados do IBGE, após retração de 2,4% em julho. A indústria extrativa e a de transformação cresceram igualmente 0,2% no mês. Entre as categorias de uso, destaque para a produção de bens de capital, com elevação de 2,6% em agosto, seguida pelas expansões de 0,6% em bens intermediários e de 0,2% em bens de consumo duráveis. Em oposição, a indústria de bens de consumo semi e não duráveis recuou 0,3% no período analisado. Catorze das 26 atividades da indústria de transformação consideradas na pesquisa aumentaram, com destaque para a indústria de vestuário, 7,2%; diversos, 2,7%; e de alimentos, 2,5%; contrapondo-se às retrações de 7,7%, 5,6% e 5,1% nas indústrias de fumo, farmacêutica e de perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza, respectivamente. A produção da indústria declinou 0,3% no trimestre encerrado em agosto, ante o trimestre anterior, quando aumentara 0,7%, resultado de variações de 3% na indústria extrativa e de -0,5% na de transformação. Destacaram-se os aumentos das indústrias de fumo, 4,5%; de calçados e couro, 3,8%; de outros equipamentos de transporte, 3,4%; e de produtos de metal, 3,2%; e as retrações das indústrias de mobiliário, 6,3%; de máquinas de escritório e equipamentos de informática, 5,8%; e de perfumaria, sabões, detergentes e outros produtos de limpeza, 5,5%. Considerados dados observados, a produção física da indústria geral recuou 1,2%, em relação a agosto de 2012, refletindo retrações de 2% na indústria extrativa e de 1,2% na de transformação, com destaque para a diminuição de 6,3% da produção de bens de consumo duráveis e de 2% na de bens intermediários, em contraposição ao aumento de 11,8% na produção de bens de capital. A elevação de 1,1% registrada no trimestre encerrado em agosto, em relação a igual período do ano anterior, decorreu, sobretudo, do crescimento de 14,3% da indústria de bens de capital enquanto a alta de 0,7% no período de doze meses encerrado em agosto foi motivada, sobretudo, pelas expansões respectivas de 4,6% e 3,1% das indústrias de bens de capital e de consumo duráveis.
 
51. O Nuci da indústria de transformação atingiu 84,2% em setembro, resultado estável em relação ao observado em agosto, segundo dados dessazonalizados pela FGV. Ocorreram elevações de 1,6 p.p. na indústria de bens de consumo não duráveis, de 1,2 p.p. na de bens de capital, e de 0,1 p.p. na de bens intermediários; e retrações de 1,8 p.p. na indústria de bens de consumo duráveis e de 1,7 p.p. na de material de construção. Considerada a série observada, o Nuci aumentou 0,1 p.p. em relação a setembro de 2012, atingindo 85%, resultado de elevações de 2,9 p.p. em material de construção, 1,8 p.p. em bens de capital, e 1,2 p.p. em bens intermediários, além das reduções respectivas de 5,5 p.p. e 0,6 p.p. nos segmentos de bens de consumo duráveis e não duráveis.
 
52. A produção de autoveículos atingiu 332 mil unidades em setembro, alta de 5,5% em relação a agosto, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dessazonalizados pelo Banco Central. No terceiro trimestre, a produção de autoveículos recuou 5,8% em relação ao trimestre anterior, quando aumentara 11,8%. Considerando dados observados, a produção elevou-se 15,2% em relação a setembro de 2012, 13,9% no acumulado do ano e 13,2% no período de doze meses encerrado em setembro.
 
53. Ainda segundo a Anfavea, o licenciamento de autoveículos nacionais cresceu 2,4% em relação a agosto e contraiu 5,7% no terceiro trimestre, de acordo com dados dessazonalizados pelo Banco Central. Considerados dados observados, houve variações de 7,1% em relação a setembro de 2012, de 3,1% no acumulado do ano e de 6,5% em doze meses. As exportações de autoveículos montados somaram 45,5 mil unidades em setembro, aumentando 66,6% em relação a igual mês do ano anterior, 31,6% no acumulado do ano e 13% em doze meses. Considerada a série dessazonalizada pelo Banco Central, as exportações recuaram 15,6% em relação a agosto, acumulando expansão de 10% no terceiro trimestre, em relação ao segundo.
 
54. De acordo com o LSPA, do IBGE, referente a setembro, a safra de grãos do país deverá totalizar 187 milhões de toneladas em 2013, variando 15,5% em relação a 2012 e -0,2% em relação ao levantamento de agosto. A projeção para o ano reflete, principalmente, o aumento de 23,8% estimado para a produção de soja, seguindo-se as estimativas de crescimento de 13,2%, 10,3%, 4,4% e 2,7% para as culturas de milho, trigo, feijão e arroz, respectivamente. Projeta-se, adicionalmente, elevação de 6,9% na safra de cana-de-açúcar, na mesma base de comparação.
 
55. De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, a receita nominal do setor cresceu 9% em julho, ante igual mês de 2012, após variações de 8,8% em junho e de 7,6% em maio. O crescimento interanual de julho repercutiu, em especial, o desempenho do segmento transportes e serviços auxiliares aos transportes e correio, 12,4%. No acumulado do ano até julho, a receita nominal do setor de serviços aumentou 8,6%, com destaque para o segmento de transportes e serviços auxiliares aos transportes e correio, 11,1%.
 
Expectativas e sondagens
 
56. O ICC, considerados os dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional, atingiu 114,2 pontos em setembro. A elevação de 1% em relação a agosto refletiu variações de 3,5% no Índice da Situação Atual (ISA) e de 0,4% no Índice de Expectativas (IE). O ICC recuou 6,5% em relação a setembro de 2012, refletindo retrações de 11,3% no ISA e de 3,5% no IE.
 
57. O ICS, da FGV, considerados dados dessazonalizados, atingiu 116,3 pontos em setembro. A retração de 0,2% em relação a agosto refletiu variações de -1,4% no ISA e de 0,7% no IE. O ICS recuou 3,8% em relação a setembro de 2012, resultado das reduções de 5,6% no ISA e de 2,5% no IE.
 
58. O ICOM, calculado pela Sondagem Conjuntural do Comércio, da FGV, atingiu 125,2 pontos em setembro. A retração mensal de 5,7%, em relação ao mesmo mês de 2012, decorreu dos recuos de 6,9%, no Índice de Situação Atual (ISA-COM) e de 5% no Índice de Expectativas (IE-COM). O ICOM contraiu 3,6% no trimestre encerrado em setembro, em relação ao mesmo período de 2012, resultado das quedas de 4,6% no ISA-COM e de 3% no IE-COM.
 
59. O ICI, considerados dados dessazonalizados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, atingiu 98 pontos em setembro, retração de 1% comparativamente ao mês anterior, dados ajustados sazonalmente. O resultado decorreu de quedas de 1,4% no IE e de 0,6% no ISA. O indicador recuou 6,3% em relação a setembro de 2012, refletindo retrações de 7,1% no IE e de 5,6% no ISA. 
 
60. O Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela Sondagem Conjuntural da Construção, da FGV, atingiu 117 pontos em setembro, registrando retração de 4,6% em relação a igual mês de 2012. O resultado refletiu redução de 5% no Índice de Expectativas (IE-ICST) e de 4,1% no Índice de Situação Atual (ISA-ICST). O ICST também registrou retração de 4,6% no trimestre finalizado em setembro comparativamente ao mesmo período de 2012, em decorrência da contração de 6,7% no ISA-ICST e de 2,8% no IE-ICST.
 
Mercado de trabalho
 
61. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram gerados 127,6 mil empregos formais em agosto, ante 100,9 mil em igual mês de 2012, dos quais 64,3 mil no setor de serviços e 50,1 mil no comércio. No acumulado do ano foram abertos 826,7 mil postos e no período de doze meses encerrado em agosto, 593,2 mil, ante 1,1 milhão para ambos os períodos equivalentes em 2012. O nível de emprego formal registrou aumento mensal de 0,3% em relação a julho, considerados dados dessazonalizados pelo Banco Central.
 
62. A taxa de desemprego atingiu 5,3% em agosto, redução de 0,3 p.p. em relação a julho e estável comparativamente a agosto de 2012, de acordo com a PME, do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país. O resultado mensal refletiu aumento de 0,4% da população ocupada e estabilidade da População Economicamente Ativa (PEA). Em relação a agosto de 2012, a ocupação cresceu 1,2%, ante 1,5% em julho, na mesma base de comparação. A taxa de desemprego, ajustada sazonalmente, diminuiu de 5,5% em julho para 5,3% em agosto. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores cresceu 1,7% no mês e 1,3% na comparação interanual, enquanto a massa salarial real – definida como o produto do número de pessoas ocupadas pelo rendimento médio real habitual do trabalho principal – variou 2,1% e 2,5%, nas mesmas bases de comparação.
 
Crédito e inadimplência
 
63. O saldo total de crédito do sistema financeiro, incluindo-se as operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$2.578 bilhões em agosto, com expansões de 1,3% no mês e 16,1% em doze meses. A relação crédito/PIB alcançou 55,5%, ante 55,2% em julho e 51,5% em agosto de 2012. O saldo de operações com recursos livres, equivalente a 56,3% do estoque total do sistema financeiro, cresceu 0,5% no mês e 8,8% em doze meses, refletindo variações de 0,6% e 7,7%, respectivamente, no saldo das operações com pessoas físicas e de 0,5% e 9,9% no relativo a pessoas jurídicas. Os financiamentos com recursos direcionados apresentaram acréscimos respectivos de 2,3% e 27,2% nas mesmas bases comparativas, com destaque para os aumentos de 2,7% e 35,1%, respectivamente, dos financiamentos imobiliários destinados a pessoas físicas, e de 2% e 19,2%, na ordem, dos financiamentos do BNDES, entre as operações destinadas a pessoas jurídicas.
 
64. A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro atingiu 19,3% a.a. em agosto, elevação de 0,2 p.p. em relação a julho e queda de 0,3 p.p. ante agosto de 2012. A taxa média atingiu 25,2% nas operações com pessoas físicas, variações de 0,1 p.p. no mês e de -0,5 p.p. em doze meses, e 14,7% no segmento de pessoas jurídicas, com expansão de 0,3 p.p. e recuo de 0,2 p.p., nas mesmas bases de comparação.
 
65. O prazo médio geral das concessões de operações de crédito atingiu 98 meses em agosto, aumentando 4,1 meses em relação a julho e 14,6 meses na comparação com agosto de 2012. No segmento de pessoas físicas, o prazo médio situou-se em 134,6 meses, elevando-se 0,7 mês e 18,9 meses, respectivamente. No segmento de pessoas jurídicas, o prazo médio alcançou 69,6 meses, acréscimos de 6,6 meses em relação a julho e de 11,1 meses relativamente a igual mês de 2012.
 
66. A taxa de inadimplência do sistema financeiro, correspondente às operações com atraso superior a noventa dias, situou-se em 3,3% em agosto, estável em relação a julho e com queda de 0,6 p.p. em relação a agosto de 2012. Os indicadores referentes às operações com pessoas físicas e jurídicas atingiram 4,8% e 2%, respectivamente, em agosto, com recuo de 0,2 p.p. e estabilidade, na ordem, em relação a julho, e reduções de 1,1 p.p. e 0,3 p.p., em doze meses.
 
Ambiente externo
 
67. A recuperação da economia mundial se mantém em ritmo moderado, ressaltando-se a aceleração nas economias avançadas. O PMI composto global para o terceiro trimestre atingiu o maior nível desde o primeiro trimestre de 2012, sugerindo aumento na taxa de crescimento global no período. Nos EUA, o PMI da manufatura avançou para 56,2 em setembro, de 55,7 no mês anterior, enquanto que o PMI de serviços recuou para 54,4 de 58,6 nas mesmas datas. A taxa de desemprego recuou para 7,3% em agosto, permanecendo em nível elevado, e a geração de postos de trabalho não rurais alcançou média de 148 mil no trimestre encerrado em agosto, a menor média desde agosto de 2012. O setor imobiliário residencial permanece em recuperação e o índice de confiança das construtoras alcançou, em setembro, o maior valor desde novembro de 2005. No entanto, a elevação, a partir de maio, da taxa média das hipotecas prefixadas de 30 anos representa risco para essa recuperação. Na Área do Euro, o PMI composto atingiu em setembro o maior patamar em 27 meses, 52,2. A confiança do consumidor, em ascensão desde janeiro, favoreceu a recuperação das vendas no varejo em julho e agosto, com altas mensais respectivas de 0,5% e 0,7%. No Japão, a variação do PIB do segundo trimestre foi revisada para 3,8% de 2,6% na estimativa anterior. O PMI de setembro subiu para 53,2, o maior valor em quatro meses. Na China, as exportações cresceram 7,1% em agosto, na comparação interanual. O PMI manufatureiro avançou para 50,2, em setembro, segunda alta consecutiva, favorecido pela melhora da demanda externa proveniente da Europa e EUA.
 
68. No período, os mercados acionários registraram ganhos expressivos tanto nas economias desenvolvidas quanto nas emergentes, em que pesem as incertezas associadas ao início da redução dos estímulos monetários por parte do Federal Reserve (Fed) e ao impasse para a aprovação do orçamento e ampliação do teto da dívida federal nos EUA. Nesse ambiente, os rendimentos anuais dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA seguiram em alta até 5 de setembro, quando atingiram 2,99%, recuando na sequência. O dólar recuou frente às moedas da África do Sul, Austrália, Brasil, Chile, Índia e Turquia, devolvendo parte dos ganhos observados frente a essas mesmas moedas no período anterior.
 
69. No mercado internacional de commodities, as agropecuárias apresentaram trajetórias díspares, com os preços do milho e da soja recuando fortemente em contraposição às altas do açúcar, algodão, trigo e das carnes bovina e suína. Nas commodities metálicas, destaque-se o avanço no preço do estanho e o recuo no do minério de ferro. No segmento de energéticas, ressalte-se a redução do preço do barril do tipo Brent, fruto do arrefecimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e da retomada da produção na Líbia.
 
70. De acordo com o International Financial Statistics, do Fundo Monetário Internacional (FMI), a variação anual do IPC global elevou-se para 3,6% em julho, de 3,5% em junho, resultado da manutenção da variação da inflação nas economias emergentes em 6,6% e do aumento nas economias desenvolvidas para 1,6%, de 1,5%. Em agosto, a variação da inflação nas economias desenvolvidas recuou para 1,3%. Os bancos centrais dos EUA, da Área do Euro, do Japão e do Reino Unido mantiveram as respectivas taxas de juro oficiais nas mínimas históricas, assim como o tamanho dos seus programas de compras de ativos, ao tempo em que as autoridades monetárias de Hungria, Israel, México e Romênia voltaram a ampliar a postura expansionista de suas políticas, reduzindo suas respectivas taxas básicas. Em sentido contrário, os bancos centrais da Índia e da Indonésia elevaram suas taxas de juro básicas.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
71. A balança comercial brasileira apresentou superavit de US$2,1 bilhões em setembro, resultado de exportações de US$21 bilhões e importações de US$18,8 bilhões. O deficit acumulado no ano somou US$1,6 bilhão, ante superavit de US$15,7 bilhões em igual período de 2012, refletindo retração de 1,6% das exportações e aumento de 8,7% das importações, consideradas as médias diárias. A corrente de comércio totalizou US$356,9 bilhões nos nove primeiros meses do ano, expansão de 3,3% na comparação com o mesmo período de 2012, pelo critério de média diária.
 
72. As reservas internacionais no conceito de liquidez, que inclui linhas com recompra, totalizaram US$376 bilhões em setembro, aumento de US$3,2 bilhões no mês e redução de US$2,6 bilhões no ano. No conceito caixa, o estoque totalizou US$368,7 bilhões, elevação de US$1,7 bilhão em relação a agosto e recuo de US$4,5 bilhões comparativamente a dezembro de 2012. Em setembro, o fluxo de operações de linhas com compromisso de recompra somou vendas líquidas de US$1,6 bilhão, enquanto o estoque totalizou US$7,4 bilhões. 
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
73. No período que se seguiu à reunião do Copom de agosto, houve significativa oscilação das taxas de juros domésticas, notadamente as de médio e longo prazo, influenciadas principalmente por fatores externos. Enquanto o trecho curto da curva de juros manteve sempre a tendência de elevação, as taxas para prazos acima de dois anos em um primeiro momento se elevaram, mas reverteram o movimento a partir de meados de setembro, recuando para patamares abaixo do registrado no período anterior. Contribuíram para a alta das taxas domésticas de curto prazo a divulgação do Relatório de Inflação, considerado mais conservador, e a expectativa do mercado para a continuidade do ciclo de aperto monetário. O movimento de redução das taxas de longo prazo foi influenciado pela manutenção dos leilões diários de swap cambial, pela queda nas cotações do dólar ante as diversas moedas, sobretudo o real, e pela redução dos juros dos títulos do tesouro norte-americano, após a decisão do FOMC do dia 18 de setembro, de manutenção dos estímulos monetários nos Estados Unidos. Entre 26 de agosto e 7 de outubro, as taxas de juros de um, de três e de seis meses aumentaram 0,55 p.p., 0,39 p.p. e 0,18 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos de um, de dois e de três anos recuaram 0,04 p.p., 0,15 p.p. e 0,25 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, apresentou queda, de 3,72% em 26 de agosto para 3,54% em 7 de outubro, principalmente devido à elevação da expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses.
 
74. No período de 27 de agosto a 7 de outubro, o Banco Central realizou leilões de swap cambial tradicional com vencimentos entre novembro de 2013 e outubro de 2014. Essas operações totalizaram o equivalente a US$21,2 bilhões, dos quais US$5,6 bilhões referentes à rolagem de contratos de vencimento em 1º de outubro de 2013. Em 7 de outubro, o saldo líquido passivo em câmbio do Banco Central, nesse instrumento, alcançou o equivalente a US$55,5 bilhões em valor nocional.
 
75. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 27 de agosto a 7 de outubro, diariamente, operações compromissadas de prazo de três meses, tomando recursos no valor total de R$88,6 bilhões e, semanalmente, operações compromissadas de prazo de seis meses, tomando recursos no valor total de R$32,9 bilhões. O saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo recuou de R$294,8 bilhões, entre 9 de julho e 26 de agosto, para R$265,9 bilhões, entre 27 de agosto e 7 de outubro. No mesmo período, realizou operação compromissada com prazo de 30 dias úteis, no montante de R$328,1 bilhões. O Banco Central atuou, ainda, por meio de operações compromissadas tomadoras de recursos de curtíssimo prazo, em 30 ocasiões. Realizou, também, operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. O saldo diário médio tomador dessas operações de curtíssimo prazo foi de R$106,3 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central recuou de R$706,7 bilhões, entre 9 de julho e 26 de agosto, para R$700,3 bilhões, entre 27 de agosto e 7 de outubro. Considerando-se o período entre 26 de agosto e 7 de outubro, o estoque dos compromissos de recompra aumentou de R$659,2 bilhões para R$691,7 bilhões. Os principais fatores que contribuíram para a expansão da liquidez no período foram as despesas líquidas da União e resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional.