Logomarca BCB

174ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 16 e 17/4/2013
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (16/4) e do 20º andar (17/4) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h12 (16/4) e 16h12 (17/4)
Horário de término: 19h30 (16/4) e 19h56 (17/4)
 
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio Tombini – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Altamir Lopes
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva
Luiz Edson Feltrim
Sidnei Corrêa Marques
 
Chefes de Departamento (presentes em 16/4)
Bruno Walter Coelho Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Eduardo José Araújo Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 17/4)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico
 
Demais participantes (presentes em 16/4)
Gustavo Paul Kurrle – Assessor de Imprensa
Otávio Ribeiro Damaso – Chefe de Gabinete da Presidência
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pela variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,47% em março, 0,26 pontos percentuais (p.p.) acima da registrada em março de 2012. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses atingiu 6,59% em março (5,24% até março de 2012). Os preços livres variaram 8,20% em doze meses (5,49% até março de 2012) e os preços administrados, 1,61% (4,58% até março de 2012). Entre os preços livres, os dos bens comercializáveis aumentaram 6,90%, e os dos bens não comercializáveis, 9,35%. Os preços do grupo alimentos e bebidas, ainda sensibilizados por fatores climáticos, variaram 1,14% em março e 13,49% em doze meses (6,30% até março de 2012). Os preços dos serviços aumentaram 8,38% em doze meses (7,75% até março de 2012). Em síntese, a inflação de serviços segue em níveis elevados, e observam-se pressões no segmento de alimentos e bebidas.
 
2. A média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo Banco Central, passou de 0,59% em fevereiro para 0,41% em março e, no acumulado em doze meses, deslocou-se de 5,97% em fevereiro para 6,14% em março. Especificamente, o núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização recuou de 0,53% em fevereiro para 0,47% em março, o núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,61% para 0,48%, o núcleo por dupla ponderação, de 0,55% para 0,46%, e o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio, de 1,00% para 0,31%. Já o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio bem como combustíveis, avançou de 0,28% para 0,35%.
 
3. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) aumentou 0,31% em março e 0,20% em fevereiro, e acumula variação de 7,97% em doze meses até março (3,32% até março de 2012). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 8,78%, em grande parte, reflexo de pressões no segmento agropecuário decorrentes de choques desfavoráveis de oferta. Na desagregação segundo o estágio da produção, observou-se, na mesma base de comparação, avanço de 8,48% nos preços de matérias-primas brutas, de 9,00% nos de bens intermediários e de 8,64% nos de bens finais. A inflação acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI, ficou em 6,16% em doze meses até março (5,50% até março de 2012). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP‑DI, variou 7,18% (8,10% até março de 2012), em parte, reflexo de elevação dos custos de mão de obra. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não obstante os recuos de janeiro (0,10%) e fevereiro (0,33%), aumentou 7,73% em doze meses. O Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para os impostos sobre produtos, constituindo importante indicador coincidente da atividade econômica. Considerando-se os dados ajustados sazonalmente, o IBC-Br recuou 0,5% em fevereiro, após elevação de 1,4% em janeiro. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a economia cresceu 3,8% em janeiro e 0,4% em fevereiro, com a taxa de crescimento acumulada em doze meses se deslocando de 0,8% em janeiro para 0,9% em fevereiro. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou pelo sexto mês consecutivo em março, considerando dados dessazonalizados. Por sua vez, o Índice de Confiança do Setor de Serviços (ICS) aumentou em março, reflexo da melhora na percepção da situação atual. Já a confiança do empresário industrial, medida pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI), recuou em março, após três meses consecutivos em elevação. No que se refere à agricultura, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE projeta crescimento de 12,0% na produção de grãos em 2013, em relação a 2012.
 
5. Os Indicadores de Condições de Crédito, construídos pelo Banco Central com base em consulta trimestral realizada com instituições representativas de cada segmento do mercado de crédito, evidenciam, para o segundo trimestre de 2013, expectativa de moderado aumento no ritmo de concessões de novas operações de crédito para todos os segmentos. Para pessoas jurídicas, a expectativa de aumento nas concessões deve-se, em parte, às expectativas de melhora nas condições da economia doméstica e de recuo no nível de inadimplência de micro, pequenas e médias empresas. Em relação ao crédito às pessoas físicas, a expectativa é de aumento nas concessões, impulsionado pelo recuo na inadimplência e no comprometimento de renda das famílias com serviço de dívidas bancárias, no caso do crédito ao consumo; e pela concorrência, no do segmento habitacional.
 
6. A atividade fabril recuou 2,5% em fevereiro, após crescer 2,6% em janeiro, de acordo com a série da produção industrial geral dessazonalizada pelo IBGE. A produção industrial diminuiu em 15 dos 27 ramos de atividade. Assim, a produção no trimestre encerrado em fevereiro foi 0,3% superior à do trimestre anterior. Por sua vez, a taxa de crescimento acumulada em doze meses passou de -2,0% em janeiro para -1,9% em fevereiro. De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria de transformação cresceu 0,5% em fevereiro, comparativamente ao observado no mesmo mês do ano anterior, e o número de horas trabalhadas diminuiu 0,9%.
 
7. Entre as categorias de uso da indústria, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital cresceu 1,6% em fevereiro em relação ao mês anterior. Ao mesmo tempo, a produção de bens intermediários variou -1,3%; a de bens de consumo duráveis, -6,8%; e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, -2,1%. Relativamente ao mesmo mês do ano anterior, a produção de bens de capital aumentou 9,1%, a produção de bens intermediários recuou 4,4%, a de bens de consumo duráveis variou -2,2%, e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, -5,8%. No que se refere ao crescimento acumulado em doze meses até fevereiro, houve recuo em todas as categorias de uso: bens de capital (-7,8%); bens intermediários (-1,5%); bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-0,4%); e bens de consumo duráveis (-0,3%).
 
8. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, foi estimada em 5,6% em fevereiro (5,7% em fevereiro de 2012). De acordo com a série dessazonalizada pelo Banco Central, a taxa de desocupação em março recuou para 5,3% – igualando o mínimo da série histórica iniciada em março de 2002. A redução da taxa de crescimento da População em Idade Ativa (PIA) ao longo dos últimos anos tem contribuído para a diminuição das taxas de desocupação. Por sua vez, o nível de ocupação recuou pelo terceiro mês consecutivo e atingiu 54,0% da PIA em fevereiro. Ainda de acordo com a PME, o rendimento médio real habitual cresceu 2,4% em março, comparado a igual mês do ano anterior, e a massa salarial real aumentou 4,1% em relação a fevereiro de 2012. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que houve criação de 112,5 mil postos de trabalho formais em março (111,7 mil em março de 2012), com saldo positivo em seis dos oito setores da atividade econômica. Em suma, os dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, embora com alguns sinais de moderação na margem.
 
9. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio ampliado cresceu 1,2% em fevereiro, em relação ao mesmo mês do ano anterior. O comércio restrito contraiu 0,2% nessa base de comparação. A variação mensal em fevereiro, ajustada sazonalmente, foi de -0,7% nas vendas do comércio varejista ampliado e de -0,4% nas vendas do comércio restrito. Não obstante, a taxa de crescimento anual do comércio ampliado ficou em 7,8%, com expansão em todos os dez segmentos pesquisados, destacando-se móveis e eletrodomésticos (10,4%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (10,2%). Por sua vez, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, recuou pelo quarto mês consecutivo no trimestre findo em março. Nos próximos meses, a trajetória do comércio continuará a ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.
 
10. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, permaneceu em 83,3% em março (83,0% em março de 2012). Na série com ajuste sazonal calculada pela FGV, o Nuci se manteve em 84,1% em março. A utilização da capacidade no setor de bens de capital, de acordo com a série livre de influências sazonais, avançou para 84,2%. No setor de bens de consumo, de bens intermediários e de materiais de construção, a utilização ficou em 84,2%, 84,8% e 89,1%, respectivamente.
 
11. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses recuou para US$11,8 bilhões em março. Esse resultado adveio de exportações de US$238,3 bilhões e de importações de US$226,5 bilhões, associadas a variações de -8,3% e de -1,9%, respectivamente, em relação aos doze meses anteriores. Por sua vez, o deficit em transações correntes acumulado em doze meses atingiu US$63,5 bilhões em fevereiro, equivalente a 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$63,7 bilhões em doze meses até fevereiro, equivalentes a 2,8% do PIB.
 
12. Na economia global, permanecem as perspectivas de baixo crescimento por período prolongado em importantes economias maduras e houve estabilidade nos indicadores de volatilidade e de aversão ao risco, a despeito de choques negativos no sistema financeiro da Zona do Euro. Altas taxas de desemprego, aliadas à consolidação fiscal e a incertezas políticas, traduzem-se em projeções de baixo crescimento em economias maduras, principalmente na Europa. O indicador antecedente composto divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referente a fevereiro, continua sinalizando crescimento nos Estados Unidos (EUA) e no Japão, com possível retomada dos níveis de atividade na Zona do Euro. Já os indicadores desagregados do Purchasing Managers Index (PMI), referentes a março, indicam continuidade do crescimento nos EUA, no Japão e em importantes economias emergentes, notadamente no sudeste asiático. Em relação à política monetária, as economias maduras persistem com posturas acomodatícias. O Banco do Japão (BoJ) anunciou um programa maior do que o esperado para expansão da base monetária, com potenciais efeitos positivos na atividade econômica e nos preços de ativos, especialmente no sudeste asiático. Nas economias emergentes, de modo geral, a política monetária se apresenta expansionista. No que diz respeito à inflação, continua em níveis moderados nos EUA e na Zona do Euro e em terreno negativo no Japão.
 
13. O preço do barril de petróleo do tipo Brent recuou, desde a reunião anterior do Copom, para patamar em torno de US$105. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Conforme medidos pelo Commodity Research Bureau (CRB), desde a última reunião do Copom, os preços internacionais das commodities metálicas recuaram 4,5%, enquanto os das agrícolas avançaram 0,9%. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), variou -1,7% no acumulado em doze meses até março de 2013.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
14. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) a projeção de reajuste no preço da gasolina, para o acumulado de 2013, foi mantida em 5%, valor considerado na reunião do Copom de março;
b) a projeção aponta recuo de aproximadamente 15% na tarifa residencial de eletricidade, mesmo valor considerado na reunião do Copom de março. Essa estimativa leva em conta os impactos diretos das reduções de encargos setoriais recentemente anunciadas, bem como reajustes e revisões tarifárias ordinários programados para este ano;
c) projeta-se estabilidade do preço do gás de bujão e redução de 2,0% da tarifa de telefonia fixa, para o acumulado de 2013;
d) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2013, manteve-se em 2,7%, valor considerado na reunião do Copom de março; e
e) a projeção de reajuste para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2014, foi mantida em 4,5%, valor considerado na reunião do Copom de março. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP).
 
15. A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 47 pontos base (p.b.) e 18 p.b. para o quarto trimestre de 2013 e de 2014, respectivamente.
 
16. Em relação à política fiscal, considera-se como hipótese de trabalho a geração de superavit primário de R$155,9 bilhões em 2013, conforme os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – 2013. Para 2014, admite-se, como hipótese de trabalho, a geração de superavit primário de R$167,4 bilhões, conforme parâmetros constantes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) – 2014.
 
17. No conjunto das projeções, estão incorporadas as estimativas de redução da taxa de juros neutra identificada nos últimos anos.
 
18. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2013 reduziu-se de 5,70% para 5,68%. Para 2014, a mediana das projeções de inflação elevou-se de 5,50% para 5,70%. Nos casos específicos de bancos, gestoras de recursos e demais instituições (empresas do setor real, distribuidoras, corretoras, consultorias e outras), a mediana das projeções para 2013 deslocou-se de 5,67%, 5,73% e 5,61% para 5,66%, 5,71% e 5,68%, respectivamente. Para 2014, a mediana das projeções deslocou-se de 5,55%, 5,80% e 5,38% para 5,70%, 5,85% e 5,50%, na mesma ordem.
 
19. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,00/US$ e da taxa Selic em 7,25% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2013 manteve-se estável em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março e se posiciona acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2013 diminuiu, mas se encontra acima do valor central da meta para a inflação. Para 2014, a projeção de inflação aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março e se encontra acima do valor central da meta, no cenário de referência. Já no cenário de mercado, a projeção de inflação diminuiu em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março, mas se posiciona acima do valor central da meta, em 2014.
 
Implementação da política monetária
 
20. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
 
21. O Copom entende que ocorreram mudanças estruturais significativas na economia brasileira, as quais determinaram recuo nas taxas de juros em geral e, em particular, na taxa neutra. Apoia essa visão, entre outros fatores, a redução dos prêmios de risco, consequência direta do cumprimento da meta de inflação pelo nono ano consecutivo, da estabilidade macroeconômica e de avanços institucionais. Além disso, o processo de redução dos juros foi favorecido por mudanças na estrutura dos mercados financeiros e de capitais, pelo aprofundamento do mercado de crédito bem como pela geração de superavit primários consistentes com a manutenção de tendência decrescente para a relação entre dívida pública e PIB. Para o Comitê, todas essas transformações caracterizam-se por elevado grau de perenidade – embora, em virtude dos próprios ciclos econômicos, reversões pontuais e temporárias possam ocorrer – e contribuem para que a economia brasileira hoje apresente sólidos indicadores de solvência e de liquidez.
 
22. O Copom também pondera que têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas, inclusive da taxa neutra, o aumento na oferta de poupança externa e a redução no seu custo de captação, os quais, na avaliação do Comitê, em grande parte, são desenvolvimentos de caráter permanente.
 
23. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados, em particular os derivados do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos. Nesse contexto, apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo. O Comitê avalia que, de modo geral, mantiveram-se inalteradas as perspectivas de atividade global moderada, com tendência de intensificação ao longo do horizonte relevante. Nesse contexto, há avanços localizados nas economias maduras, não obstante permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos. Já em importantes economias emergentes, o ritmo de atividade tem se intensificado, amparado pela resiliência da demanda doméstica. O Comitê destaca, ainda, evidências de acomodação dos preços nos mercados internacionais de commodities.
 
24. O Copom pondera que, a despeito de limitações no campo da oferta, o ritmo da atividade doméstica se intensificou no primeiro trimestre. Além disso, destaca que informações recentes apontam para a retomada do investimento e para uma trajetória de crescimento, no horizonte relevante, mais alinhada com o crescimento potencial. O Comitê nota que a demanda doméstica continuará a ser impulsionada pelos efeitos defasados de ações de política monetária implementadas recentemente, bem como pela expansão moderada da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. Adicionalmente, a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências públicas, bem como pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários, apesar de certa acomodação na margem.
 
25. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais, não obstante iniciativas recentes apontarem o balanço do setor público em posição expansionista. O Comitê nota que a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidifica a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo.
 
26. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
 
27. O Copom ressalta que o cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano. Nesse contexto, o Comitê destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, apesar dos sinais de moderação nesse mercado, e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Importa destacar a moderação recentemente observada na dinâmica dos preços de certos ativos reais e financeiros, que, na hipótese de permanecerem nos atuais níveis, constituirão força desinflacionária.
 
28. O Copom avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária. Por outro lado, o Comitê pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela.
 
29. O julgamento de todos os membros do Copom é convergente no que se refere à necessidade de uma ação de política monetária destinada a neutralizar riscos que se apresentam no cenário prospectivo para a inflação, notadamente para o próximo ano. Parte do Comitê, entretanto, pondera que está em curso uma reavaliação do crescimento global e que esse processo, a depender de sua intensidade e duração, poderá ter repercussões favoráveis sobre a dinâmica dos preços domésticos. Para esses membros do Comitê, não seria recomendável uma ação imediata da política monetária, entretanto, essa visão não foi respaldada pela maioria do Colegiado.
 
30. Diante disso, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 7,50% a.a., sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a.
 
31. Votaram pela elevação da taxa Selic para 7,50% a.a. os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Votaram pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a. os seguintes membros do Comitê: Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.
 
32. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos. Para o Comitê, esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, os estoques em níveis ajustados e a gradual recuperação da confiança dos empresários criam perspectivas de intensificação dos investimentos e da recuperação da produção industrial. O Comitê pondera que iniciativas recentes apontam o balanço do setor público em posição expansionista. Por outro lado, o Comitê nota que ainda se apresenta como fator de contenção da demanda agregada o frágil cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
 
33. O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda.
 
34. O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária.
 
35. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 28 de maio de 2013, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 22.665, de 27 de junho de 2012.
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
36. O IPCA variou 0,47% em março, ante 0,60% em fevereiro, acumulando alta de 6,59% no período de doze meses encerrado em março, ante 6,31% em fevereiro, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE. A desaceleração do índice no mês repercutiu a menor pressão dos preços livres, que passaram de 1,13% em fevereiro para 0,53% em março, enquanto os preços monitorados apresentaram alta de 0,26% ante a variação de -1,11% no mês anterior. Em relação aos preços livres, o movimento refletiu comportamento de desaceleração dos preços dos bens comercializáveis, de 0,63% para 0,36%, e dos bens não comercializáveis, de 1,58% para 0,69%, com serviços registrando variação de 0,26%, ante 1,30% em fevereiro. A desaceleração da variação mensal do IPCA foi favorecida, principalmente, pela desaceleração de 5,40% para 0,56% nos preços do grupo educação, com contribuição de 0,03 p.p., ante 0,25 p.p. em fevereiro, e pela retração de 0,09% no grupo transportes, com contribuição de -0,02 p.p., ante 0,16 p.p. no mês anterior. O índice de difusão situou-se em 69,04% em março, ante 72,33% em fevereiro.
 
37. Considerado o período de doze meses finalizado em março, os preços livres apresentaram aceleração em relação a fevereiro, de 7,86% para 8,20%, bem como os preços monitorados, de 1,53% para 1,61%. A evolução dos preços livres refletiu o efeito da aceleração dos preços dos produtos comercializáveis, de 6,43% para 6,90%, e dos não comercializáveis, de 9,13% para 9,35%, no período analisado. Os preços do segmento de serviços aumentaram 8,38% no acumulado em doze meses até março, ante 8,66% e 8,61% em períodos correspondentes até fevereiro e janeiro, respectivamente.
 
38. O IGP-10 variou 0,18% em abril, após alta de 0,22% em março, de acordo com a FGV, repercutindo desaceleração do IPA e aceleração do IPC e do INCC. O indicador acumula aumentos de 1,12% no ano, ante elevação de 1,09% no mesmo período de 2012, e de 7,45% em doze meses, comparativamente a 8,01% nos doze meses terminados em março.
 
39. O IPA-10 recuou 0,06% no mês, ante alta de 0,11% em março, acumulando altas de 0,44% no ano e de 7,97% em doze meses. Os preços dos produtos industriais tiveram aumento de 0,38% no mês, ante 0,33% em março, acumulando altas de 1,85% no ano e de 6,82% em doze meses. Os preços dos produtos agropecuários recuaram 1,17% em abril, ante -0,45% no mês anterior, acumulando queda de 2,99% no ano e alta de 11,13% em doze meses. O desempenho mensal dos preços dos produtos industriais evidenciou, em especial, o aumento nos preços dos itens minerais metálicos, 7,21%, e derivados do petróleo e álcool, 1,16%, que exerceram contribuições de 0,37 p.p. e 0,10 p.p., respectivamente. Nos preços dos produtos agropecuários, as principais influências decorreram dos itens soja e milho, cujas variações, na ordem, de -5,56% e -7,83%, contribuíram com -0,27 p.p. e -0,19 p.p., respectivamente.
 
40. O IPC-10 registrou crescimento de 0,67% em abril, ante 0,49% em março, acumulando alta de 2,69% no ano, comparativamente a 2,29% no mesmo período do ano anterior, e de 6,14% em doze meses. A aceleração registrada pelo IPC-10 em abril foi favorecida pela alta no grupo alimentação, 1,40%, ante 1,26% em março, implicando contribuição de 0,35 p.p., e pela aceleração em habitação, 0,64% em abril, ante -0,43% no mês anterior, e contribuição de 0,16 p.p. O INCC-10 variou 0,65% em abril, ante 0,37% em março, com aceleração nos preços de materiais, equipamentos e serviços, 0,56%, ante 0,41%, e nos custos de mão de obra, 0,73%, ante 0,32%. O INCC-10 acumulou variações de 2,03% no ano e de 7,08% em doze meses.
 
41. O IPP/IT recuou 0,33% em fevereiro, após queda de 0,10% em janeiro, acumulando variação de -0,43% no ano e de 7,73% no período de doze meses encerrado em fevereiro, ante 7,63% em janeiro. O resultado mensal do IPP/IT foi influenciado, principalmente, pela retração de 2,56% nos preços do segmento de alimentos, com contribuição para o índice de -0,51p.p., contrabalançada parcialmente pela variação de 1,56% na divisão de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, com contribuição de 0,17 p.p. A variação do índice no acumulado de doze meses encerrado em fevereiro refletiu, sobretudo, a contribuição das indústrias de alimentos, 2,23 p.p., e de outros produtos químicos, 1,54 p.p.
 
42. O Índice Commodities – Brasil (IC-Br) recuou 1,82% em março, após queda de 2,97% em fevereiro. O recuo de março refletiu as desvalorizações de 0,66%, 6,02% e 2,51% nos subíndices agropecuárias, metálicas e energéticas, respectivamente. Em 2013, o IC-Br acumula baixa de 6,08%, com desvalorizações de 6,24%, 7,11% e 4,11% nos respectivos subíndices.
 
Atividade econômica
 
43. O IBC-Br registrou retração de 0,52% em fevereiro comparativamente ao mês anterior, considerados dados dessazonalizados. O trimestre encerrado nesse mês apresentou crescimento de 0,72% em relação ao terminado em novembro, quando havia registrado elevação de 0,26% no mesmo tipo de comparação. Pela série com dados observados, o IBC-Br registrou aumento de 0,44% no mês, em relação a fevereiro de 2012, ante expansão de 3,84% registrada em janeiro, na mesma base de comparação. O IBC-Br acumula elevações de 2,14% no ano e de 0,87% nos doze meses finalizados em fevereiro.
 
44. As vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, recuaram 0,7% em fevereiro em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados da PMC do IBGE, após altas de 0,3% em janeiro e de 0,8% em dezembro. Com esse resultado, a média do trimestre encerrado em fevereiro registrou expansão de 1,9% em relação a do trimestre encerrado em novembro, quando havia decrescido 2,8%. Por segmento, observou-se retração mensal nas vendas de seis dos dez segmentos pesquisados, com destaque para outros artigos de uso pessoal e doméstico, -2,9%; combustíveis e lubrificante, -2,1%; e veículos, motocicletas, partes e peças, -1,7%; em oposição à expansão de 5,2% em equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação. As vendas do comércio varejista apresentaram queda de 0,4% em fevereiro, comparativamente ao mês anterior, utilizando dados com ajuste sazonal, após alta de 0,5% em janeiro e recuo de 0,5% em dezembro, na mesma base de comparação. Considerando-se dados dessazonalizados, foi registrada expansão de 0,1% no trimestre encerrado em fevereiro, em relação ao trimestre anterior. No acumulado do ano e nos doze meses encerrados em fevereiro, o comércio varejista cresceu 2,9% e 7,4%, respectivamente.
 
45. Considerados dados observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram aumento interanual de 1,2% em fevereiro, com expansão em seis segmentos, destacando-se o crescimento em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos e em livros, jornais, revistas e papelaria, ambos 6,9%. No acumulado de doze meses encerrado em fevereiro, o comércio ampliado expandiu 7,8%, com ênfase para o aumento das vendas de móveis e eletrodomésticos, 10,4%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 10,2%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 9,5%; e veículos e motos, partes e peças, 8,4%.
 
46. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, atingiram 283,9 mil unidades em março, representando retração de 5,5% relativamente a igual período de 2012. Na comparação com fevereiro, foi registrada expansão de 1,2%, após variações de -15,8% e 2% em fevereiro e janeiro, respectivamente, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central. No trimestre encerrado em março, houve queda de 0,3% em relação ao finalizado em dezembro, quando fora registrado decréscimo de 8,4%. No acumulado em doze meses, as vendas de autoveículos cresceram 4%, resultado do aumento de 6,8% nas vendas de automóveis e de 0,8% nas de comerciais leves. Em oposição, as vendas de caminhões e de ônibus declinaram 20,6% e 16,7%, respectivamente.
 
47. O índice de quantum das importações de bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, registrou elevação mensal de 4,6% em março. A análise dos dados observados indicou expansões de 4,1% em relação a março de 2012, de 7,1% no acumulado do ano e de 1% nos doze meses terminados em março.
 
48. A produção de bens de capital cresceu 1,6% em fevereiro, acumulando expansão de 4,7% no trimestre, relativamente ao finalizado em novembro, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. O resultado da categoria no mês repercutiu crescimento da produção de equipamentos para o setor de energia elétrica, 16,5%; de bens agrícolas, 11,1%; e de equipamentos para fins industriais, 7,9%; em oposição ao recuo dos segmentos de peças agrícolas, -49,6%, e de equipamentos de transporte, -1,7%.
 
49. A produção de insumos típicos da construção civil registrou retração mensal de 1,4% em fevereiro, acumulando decréscimo de 0,1% no trimestre, em relação ao finalizado em novembro, considerando dados dessazonalizados. Na série com dados observados, registrou-se decréscimo interanual de 3,8% no mês e expansão de 0,8% no acumulado em doze meses.
 
50. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$168,7 bilhões no acumulado em doze meses encerrados em março, resultado 21,8% superior a igual período de 2012, com destaque para o crescimento de 59% nos recursos destinados ao comércio e serviços, seguido pela agropecuária, 41%, e indústria, 29%. No período, o segmento industrial absorveu 33% do total dos recursos liberados, seguido pela infraestrutura, 31%; comércio e serviços, 28%; e agropecuária, 8%.
 
51. A produção física da indústria geral recuou 2,5% em fevereiro, em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados pelo IBGE, após crescimento de 2,6% (revisado) em janeiro, influenciada pelas retrações de 2,7% e 1,9% nas indústrias de transformação e extrativa, respectivamente. Por categorias de uso, foram registrados recuos na produção de bens de consumo duráveis, -6,8%; bens de consumo semi e não duráveis, -2,1%; e bens intermediários, -1,3%; em oposição, bens de capital apresentaram expansão de 1,6%. Das 26 atividades da indústria de transformação consideradas na pesquisa, quatorze apresentaram queda de produção no mês, com destaque para a indústria farmacêutica, -10,8%; mobiliário, -9,9%; e veículos automotores, -9,1%; contrapondo-se ao crescimento de 36,2% e 9,6% nas divisões de fumo e outros equipamentos de transporte, respectivamente. A produção da indústria apresentou elevação de 0,3% no trimestre encerrado em fevereiro, ante o finalizado em novembro, quando crescera 0,6%, repercutindo variações de 0,9% na indústria de transformação e de -2,9% na indústria extrativa. A evolução trimestral foi favorecida pelo desempenho das indústrias de vestuário, 6,8%; máquinas, aparelhos e materiais elétricos, 5,6%; material eletrônico e equipamento de comunicação, 4,5%; e mobiliário, 4,4%. Em sentido contrário, a indústria de fumo apresentou queda de 36,4%. Considerados dados observados, a produção física da indústria registrou decréscimo de 3,2%, em relação a igual mês do ano anterior, influenciada pela queda de 5% em bens de consumo e de 4,4% em bens intermediários, parcialmente compensada pela expansão de 9% em bens de capital. No primeiro bimestre do ano, a expansão de 1,1% decorreu do crescimento das indústrias de bens de capital, 13,3%, e de bens de consumo duráveis, 4%, enquanto no acumulado em doze meses encerrados em fevereiro, o decréscimo de 1,9% refletiu, em especial, a queda de 7,7% em bens de capital e de 1,5% em bens intermediários.
 
52. O Nuci da indústria de transformação atingiu 84,1% em março, estável em relação a fevereiro, segundo dados dessazonalizados pela FGV. Foi registrada expansão de 1,8 p.p. na indústria de bens de capital e estabilidade na de bens de consumo não duráveis, em oposição à queda de 0,4 p.p. em material de construção e de 0,1 p.p. em bens intermediários e bens de consumo duráveis. Considerada a série observada, o Nuci apresentou aumento de 0,3 p.p. em relação a março de 2012, atingindo 83,3%, resultado das elevações de 2,6 p.p. em material de construção, 1,7 p.p. em bens de consumo duráveis, 1,6 p.p. em bens de capital, e 0,2 p.p. em bens intermediários. Em contraposição, houve contração de 0,6 p.p. em bens de consumo não duráveis.
 
53. A produção de autoveículos montados atingiu 319,1 mil unidades em março, representando alta de 6,6% em relação a fevereiro, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dessazonalizados pelo Banco Central. No primeiro trimestre de 2013, a produção de autoveículos diminuiu 0,1%, em relação ao quarto trimestre de 2012. Considerando dados observados, a produção apresentou elevações de 3,4%, em relação a março de 2012, de 12,1% no acumulado do ano e de 3,5% no período de doze meses encerrados em março.
 
54. Ainda segundo a Anfavea, o licenciamento de autoveículos nacionais registrou expansão de 4% em relação a fevereiro e retração de 3,2% no primeiro trimestre, de acordo com dados dessazonalizados pelo Banco Central. Considerados dados observados, houve queda de 0,4% em relação a março de 2012 e aumentos de 6,3% e 10,8% no acumulado do ano e em doze meses, respectivamente. As exportações de autoveículos montados alcançaram 43,5 mil unidades em março, representando variações de 3,1% em relação a igual mês do ano anterior, de -0,2% no acumulado do ano e de -18,8% em doze meses. Considerada a série dessazonalizada pelo Banco Central, as exportações apresentaram elevação de 10,9% no mês, ante fevereiro, e de 21,3% no trimestre encerrado em março, na comparação com o finalizado em dezembro.
 
55. De acordo com o LSPA, do IBGE, referente a março, a safra de grãos do país deverá totalizar 181,3 milhões de toneladas em 2013, com variações de 12% em relação à de 2012 e de -1,2% em relação ao prognóstico anterior. Em relação à safra de 2012, o resultado reflete, sobretudo, aumento estimado de 23,2% para a produção de soja. Quanto às demais culturas, estimam-se expansões de 14,8%, 12,1%, 5,1% e 5% nas safras de feijão, trigo, arroz e milho, respectivamente. Projeta-se, adicionalmente, alta de 9,8% na safra de cana-de-açúcar em relação ao ano anterior.
 
Expectativas e sondagens
 
56. O ICC, considerados os dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional, recuou pelo sexto mês consecutivo, com variação de -2% em março, em relação a fevereiro, atingindo 113,9 pontos, refletindo retrações de 3,4% no Índice da Situação Atual (ISA) e de 1,5% no Índice de Expectativas (IE). Em relação a março de 2012, o ICC registrou queda de 7%, resultado de variações de -12,5% no ISA e de -3,5% no IE.
 
57. O ICS, calculado pela Sondagem de Serviços, da FGV, considerados dados com ajuste sazonal, aumentou 0,3% em março, em relação a fevereiro, ao passar de 122,1 para 122,4 pontos, em consequência de variações de 1,7% no ISA e de -0,8% no IE. Na comparação com março de 2012, o ICS apresentou queda de 5,5%, resultado dos recuos de 7,7% no ISA e de 4% no IE.
 
58. O ICOM, calculado pela Sondagem Conjuntural do Comércio, da FGV, atingiu 122,4 pontos em março, 5,4% inferior a igual mês do ano anterior. O resultado refletiu a redução de 8,9% no Índice de Expectativas (IE-COM) e o aumento de 0,1% no Índice de Situação Atual (ISA-COM). No trimestre finalizado em março, o ICOM registrou contração de 2,3% comparativamente ao mesmo período de 2012, influenciado pela variação negativa de 6,4% no IE-COM, em oposição ao avanço de 4,1% no ISA-COM.
 
59. O ICI, considerados dados dessazonalizados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, após permanecer praticamente estável por dois meses consecutivos, recuou de 106,6 pontos para 105 pontos, representando retração de 1,5%, resultado de variações de -1,4% no ISA e de -1,6% no IE. Em relação a março de 2012, o ICI apresentou elevação de 2,1%, refletindo aumentos de 0,7% no ISA e de 3,6% no IE.
 
60. O Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela Sondagem Conjuntural da Construção, da FGV, atingiu 120,5 pontos em março, representando contração de 6,7% relativamente a igual mês do ano anterior. O resultado refletiu reduções de 9,3% no Índice de Situação Atual (ISA-ICST) e de 4,5% no Índice de Expectativas (IE-ICST). No trimestre finalizado em março, o ICST registrou retração de 7,9% comparativamente ao mesmo período de 2012, influenciado pelas variações negativas de 9,9% no ISA-ICST e de 6,3% no IE-ICST.
 
Mercado de trabalho
 
61. Segundo dados divulgados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criados 123 mil empregos formais em fevereiro, com destaque para a abertura de 82,1 mil vagas em serviços e de 33,5 mil vagas na indústria de transformação, em oposição ao fechamento líquido de 10,4 mil postos no comércio e de 9,7 mil na agropecuária. No acumulado do ano foram geradas 152,3 mil vagas e, nos doze meses encerrados em fevereiro, 751,1 mil ante 269,5 mil e 1,4 milhão, respectivamente, em iguais períodos de 2012. Em relação ao nível de emprego formal, houve aumento mensal de 0,2% em relação a janeiro, considerados dados dessazonalizados pelo Banco Central.
 
62. De acordo com a PME do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país, a taxa de desemprego aberto atingiu 5,6% em fevereiro, com aumento de 0,2 p.p. em relação a janeiro e recuo de 0,1 p.p. comparativamente a fevereiro de 2012. O resultado mensal refletiu retrações de 0,7% na ocupação e de 0,6% na População Economicamente Ativa (PEA). Em relação a fevereiro de 2012, a ocupação cresceu 1,6%, com destaque para a expansão de 3,5% na indústria. Considerando dados dessazonalizados pelo Banco Central, o desemprego recuou 0,2 p.p. em fevereiro, situando-se em 5,3%, mesmo patamar de agosto de 2012, o menor da série histórica. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores registrou altas de 1,2% em relação a janeiro e de 2,4% na comparação com fevereiro de 2012. A massa salarial real apresentou elevações de 0,5% e 4,1%, respectivamente, para os mesmos tipos de comparação.
 
Crédito e inadimplência
 
63. O saldo total de crédito do sistema financeiro, incluindo-se as operações com recursos livres e direcionados, alcançou R$2.384 bilhões em fevereiro, apresentando expansões de 0,7% no mês e de 16,8% em doze meses. A relação crédito/PIB, que se manteve estável em 53,4% na comparação com janeiro, apresentou elevação de 4,6 p.p. relativamente a fevereiro de 2012. O saldo de operações com recursos livres, equivalente a 58,5% do estoque total do sistema financeiro, cresceu 0,5% no mês e 12,8% em doze meses, refletindo variações respectivas de -0,1% e de 9,5% no saldo das operações com pessoas físicas e de 1% e de 16,3% no saldo com pessoas jurídicas. Os financiamentos com recursos direcionados apresentaram acréscimos respectivos de 1,1% e 22,9% nas mesmas bases comparativas, com destaque para os aumentos de 2% e 34,3%, respectivamente, nos financiamentos imobiliários, no segmento de pessoas físicas, e de 2,1% e 17,8%, na ordem, no crédito rural, entre as operações destinadas a pessoas jurídicas.
 
64. A taxa média geral de juros das operações de crédito do sistema financeiro apresentou alta de 0,1 p.p. em fevereiro, atingindo 18,7% a.a., representando queda de 5,1 p.p. em relação a fevereiro de 2012. As taxas médias relativas aos segmentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas alcançaram, na ordem, 24,9% e 14%, correspondendo a expansão de 0,2 p.p. e estabilidade, respectivamente, em relação a janeiro, e recuos de 6,2 p.p. e de 4,2 p.p. na comparação com fevereiro de 2012.
 
65. O prazo médio geral das concessões de operações de crédito atingiu 86,8 meses em fevereiro, representando retração de 6,8 meses em relação a janeiro e aumento de 9,6 meses na comparação com fevereiro de 2012. O prazo relativo ao segmento de pessoas físicas subiu 0,3 mês e 18,2 meses, respectivamente, e o referente a pessoas jurídicas recuou 12,5 meses em relação a janeiro e aumentou 3,1 meses no acumulado em doze meses, alcançando 125,6 meses para pessoas físicas e 57 meses para pessoas jurídicas.
 
66. A taxa de inadimplência do sistema financeiro, correspondente às operações com atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 3,7% em fevereiro, permanecendo estável em relação a janeiro e dezembro e recuando 0,1 p.p. em relação a igual mês do ano anterior. O indicador referente às operações com pessoas físicas atingiu 5,4%, diminuindo 0,1 p.p. no mês e 0,5 p.p. em doze meses, enquanto o relativo a pessoas jurídicas manteve-se estável no mês, 2,3%, e registrou elevação de 0,1 p.p. em doze meses.
 
Ambiente externo
 
67. Desde a última reunião do Copom, a atividade econômica mundial segue em expansão moderada e desenvolvimento heterogêneo. Nos EUA, o PIB do quarto trimestre de 2012 foi revisado de estável para 0,4%; a produção industrial registrou crescimento anualizado de 5% no primeiro trimestre, o maior ganho desde o primeiro trimestre do ano anterior; e o mercado imobiliário segue em recuperação, com os preços dos imóveis residenciais e o licenciamento de novas construções em alta. No entanto, sinalizando que a recuperação da atividade segue sujeita a riscos de baixa, foram gerados 88 mil postos de trabalho em março – ante expectativa de 190 mil –, ocorreram recuos dos PMIs industrial e de serviços medidos pelo Institute for Supply Management (ISM), houve diminuição na confiança do consumidor, mensurada pelo Conference Board, e queda de 0,4% nas vendas no varejo. Na Área do Euro, a despeito da recuperação de 0,4% da produção industrial em fevereiro, a taxa de desemprego, em novo recorde histórico, atingiu 12% no mês, e, em março, o índice de sentimento econômico apresentou nova queda, enquanto o PMI composto recuou a 46,5 pontos, menor valor desde outubro de 2012. No Japão, a produção industrial recuou 0,1% em fevereiro, porém o PMI composto de março atingiu 53,2 pontos, melhor avaliação dos gerentes de compra nos últimos doze meses, perspectiva compatível com alta mensal de 1,7% das vendas no varejo, em fevereiro. Na China, o PIB do primeiro trimestre registrou a segunda desaceleração consecutiva, crescimento de 6,6%, em base anualizada e dessazonalizada, ante o trimestre anterior. A perspectiva para o crescimento global neste ano, divulgada no World Economic Outlook de abril, do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi reduzida para 3,3%, de 3,5% na estimativa divulgada em janeiro, refletindo perspectivas de crescimento de 1,2% para as economias avançadas e de 5,3% para as economias emergentes.
 
68. Os mercados financeiros operaram em ambiente de baixa volatilidade na maior parte do período, desde a última reunião do Copom, ressalvando-se a elevação do índice CBOE VIX para 17,3 pontos em 15 de abril, de 12,1 pontos na véspera, refletindo tanto a divulgação do PIB da China quanto a explosão de bombas na cidade de Boston. Nesse cenário, o dólar apresentou baixa oscilação, valorizando-se ante as moedas do Japão, Coreia, Rússia e Brasil e desvalorizando-se ante o euro e à libra esterlina. No mesmo período, a maior parte das bolsas de valores apresentou perdas, entre elas, as da Alemanha, do Reino Unido, do Brasil, da China, da Índia, do México e da Rússia. Em sentido oposto, destaque-se nova valorização do índice Nikkei, acumulando alta de 27,7% no ano, até 15 de abril. No mercado internacional de commodities, destaque-se a manutenção da trajetória de redução de preços, decorrente da melhora na oferta dos grãos e da lenta recuperação da atividade global. O índice S&P GSCI Commodity Spot e os respectivos subíndices para agrícolas, metais industriais e energia registraram recuos no período, com destaque para as baixas nos preços do milho, da soja e do petróleo do tipo Brent.
 
69. Em fevereiro, a variação anual do IPC global, dados do International Financial Statistics (IFS), do FMI, aumentou para 3,6%, de 3,4% em janeiro, refletindo a elevação do índice nas economias avançadas de 1,4% para 1,7%, e nas economias emergentes de 6,5% para 6,8%.
 
70. Os bancos centrais dos EUA, da Área do Euro, do Japão e do Reino Unido mantiveram as respectivas taxas de juros oficiais nas mínimas históricas, enquanto as autoridades monetárias das principais economias maduras e emergentes mantiveram inalteradas suas taxas básicas, à exceção de Colômbia, México, Hungria, Turquia e Índia, que reduziram. Destaque-se que no Japão, em 4 de abril, houve alteração na política monetária com o objetivo de atingir, no menor prazo possível, a meta de inflação de 2% a.a. Para tanto, o BoJ decidiu pela alteração e duplicação do programa de compra de ativos e optou pelo monitoramento da base monetária como principal meta operacional, em detrimento do acompanhamento da taxa overnight não colateralizada, afirmando que pretende expandir a base monetária ao ritmo anual de ¥60-70 trilhões.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
71. A balança comercial brasileira apresentou superavit de US$161 milhões em março, resultado de exportações de US$19,3 bilhões e importações de US$19,2 bilhões. O deficit acumulado no primeiro trimestre do ano somou US$5,2 bilhões, ante superavit de US$2,4 bilhões em igual período de 2012, refletindo retração de 3,1% nas exportações e aumento de 11,6% nas importações, pelo critério de média diária. A corrente de comércio registrou expansão de 4,1% no período, consideradas as médias diárias, somando US$106,8 bilhões.
 
72. As reservas internacionais, nos conceitos liquidez e caixa, totalizaram US$376,9 bilhões em março, com redução de US$1,7 bilhão e acréscimo de US$3,8 bilhões, respectivamente, em relação ao final de 2012. No mês, não houve intervenção a vista no mercado doméstico de câmbio. O Banco Central liquidou US$2,8 bilhões, já programados, em recompras de linhas, encerrando o estoque de linhas com recompra.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
73. Após a reunião do Copom de março, a curva de juros doméstica apresentou elevação em toda sua extensão, com maior moderação para os prazos mais longos. Dentre os fatores determinantes para esse movimento, destacam-se a divulgação de índices de inflação corrente ainda pressionados, incluindo as diversas medidas de núcleo, a manutenção das projeções de inflação em valores elevados e a expectativa dos agentes quanto ao início do ciclo de aperto monetário pelo Banco Central. Entre 4 de março e 15 de abril de 2013, as taxas de juros de um, três e seis meses aumentaram 0,36 p.p., 0,59 p.p. e 0,64 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos de um, dois e três anos aumentaram 0,64 p.p., 0,44 p.p. e 0,32 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, aumentou de 1,98%, em 4 de março, para 2,77%, em 15 de abril, movimento esse que resultou do efeito combinado da elevação das taxas de juros nominais e da redução das expectativas de inflação.
 
74. Em 11 de março, o Banco Central realizou leilão de swap cambial reverso com vencimento em 2 de maio, em montante equivalente a US$1,0 bilhão. Em 27 de março, realizou leilão de swap cambial tradicional, de vencimento em 2 de maio, com montante equivalente ao da operação anterior. Como resultado das operações no período, o Banco Central teve sua posição líquida em contratos de swap cambial reduzida a zero.
 
75. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, semanalmente, de 5 de março a 15 de abril, operações compromissadas com prazo de três e de seis meses, tomando recursos no valor de R$138,5 bilhões e R$17,2 bilhões, respectivamente. O saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo aumentou de R$361,1 bilhões, entre 15 de janeiro e 4 de março, para R$419,7 bilhões, entre 5 de março e 15 de abril. No mesmo período, realizou operação compromissada com prazo de 29 dias úteis, reduzindo o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$168,6 bilhões. O Banco Central atuou, ainda, por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo, em 29 ocasiões, sendo em 28 delas como tomador de recursos. Realizou, também, operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. O saldo diário médio tomador dessas operações de curtíssimo prazo foi de R$93,5 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central aumentou de R$624,1 bilhões, entre 15 de janeiro e 4 de março, para R$681,7 bilhões, entre 5 de março e 15 de abril. Considerando-se o período entre 4 de março e 15 de abril, o estoque dos compromissos de recompra aumentou de R$624,8 bilhões para R$698,6 bilhões. O principal fator que contribuiu para a expansão da liquidez no período foi o resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional.