Sumário
Data: 17 e 18/1/2012
Local: Sala de reuniões do 8º andar (17/1) e do 20º
andar (18/1) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h20 (17/1) e
16h47 (18/1)
Horário de término: 19h25 (17/1) e
20h16 (18/1)
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio
Tombini – Presidente
Aldo
Luiz Mendes
Altamir
Lopes
Anthero
de Moraes Meirelles
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz
Awazu Pereira da Silva
Sidnei
Corrêa Marques
Chefes de Departamento (presentes no dia 17)
Adriana Soares Sales
– Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 18)
Ariosto Revoredo de
Carvalho – Departamento das Reservas Internacionais
Bruno Walter Coelho
Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra
– Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Henrique de
Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek
– Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti
Maciel – Departamento Econômico
Demais participantes (presentes no dia 17)
André Minella – Consultor
do Departamento de Estudos e Pesquisas
Emanuel Di Stefano
Bezerra Freire – Chefe de Gabinete da Diretoria
Gustavo Paul Kurrle –
Assessor de Imprensa
Nelson Ferreira Souza
Sobrinho – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Wagner Thomaz de
Aquino Guerra Júnior – Chefe de Gabinete da Diretoria
Os membros do Copom
analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e
para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária,
cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução recente da
economia
1.
A
inflação medida pela variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) alcançou 0,50% em dezembro (0,52% em novembro), o que resultou no terceiro
recuo consecutivo da inflação acumulada em doze meses. A inflação acumulada em
2011 ficou em 6,50% (5,91% em 2010). Dessa forma, pelo oitavo ano consecutivo,
a inflação situou-se dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN). A variação dos preços livres em 2011 ficou
em 6,63% (7,09% em 2010), enquanto a variação dos preços administrados alcançou
6,20% (3,13% em 2010). Em relação aos preços livres, cabe destacar que os preços
dos bens comercializáveis apresentaram variação de 4,41%, enquanto os preços dos
não comercializáveis variaram 8,59%, ante 6,87% e 7,28% em 2010,
respectivamente. Especificamente sobre serviços, a inflação nesse segmento recuou
em dezembro, para 0,51%, após alta de 0,59% em novembro, mas encerrou 2011 em patamar
elevado, 9,01% (7,62% em 2010). Em síntese, o conjunto de informações
disponíveis sugere tendência declinante da inflação acumulada em doze
meses, mas alguma persistência da alta de preços observada em 2011, que, em
parte, reflete o fato de a inflação de serviços seguir em níveis elevados.
2. As medidas de
inflação subjacente calculadas pelo Banco Central, de modo geral, apresentaram
evolução similar à da inflação plena, com ligeiro recuo na média das variações
mensais, bem como na média da variação acumulada em doze meses até dezembro. O
núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização deslocou-se de 0,59% em outubro
para 0,55% em novembro e para 0,58% em dezembro, enquanto o núcleo por médias
aparadas sem suavização passou de 0,44% para 0,42% e para 0,39% no mesmo
período. De modo similar, o núcleo por dupla ponderação, após registrar 0,50%
em outubro, avançou para 0,53% em novembro e para 0,54% em dezembro. Ao mesmo
tempo, o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no
domicílio e combustíveis, recuou de 0,47% registrado em outubro e em novembro para
0,41% em dezembro; e o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no
domicílio passou de 0,43% em outubro para 0,45% em novembro e para 0,49% em
dezembro. Dessa forma, a média da variação desses cinco núcleos deslocou-se de
0,49% em outubro para 0,48% em novembro e em dezembro.
No acumulado em doze meses até dezembro, a variação média das cinco medidas de
núcleo alcançou 6,59%, ante 6,72% em novembro e 6,82% em outubro.
3.
O Índice
Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de 0,16%
em dezembro, após avançar 0,43% em novembro e 0,40% em outubro. A queda do
índice em dezembro foi impulsionada por redução expressiva nos preços ao
produtor durante o mês. Dessa forma, o IGP-DI acumulou inflação de 5,00% em
2011, após alta de 11,30% em 2010. O principal componente do indicador, o
Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 4,12% em 2011, refletindo alta
de 4,46% no IPA industrial e de 3,15% no IPA agrícola. Na desagregação segundo
o estágio da produção, observou-se no ano variação de 5,49% nos preços de
matérias-primas brutas, de 3,27% nos preços de bens intermediários e de 3,88%
nos preços de bens finais. Já a inflação medida pelo Índice de Preços ao
Consumidor (IPC), outro componente do IGP-DI, ficou em 6,36% em 2011,
ligeiramente acima dos 6,24% registrados em 2010. O Índice Nacional de Custo da
Construção (INCC), componente de menor peso no IGP‑DI, variou 7,49%. Por
sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT),
calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não
apresentou variação em novembro, após indicar alta de 0,76% em outubro. Em doze
meses, a variação desse índice deslocou-se de 4,68% em outubro para 3,20% em novembro.
De forma geral, a evolução recente dos índices sinaliza redução das pressões
advindas do atacado sobre os preços ao consumidor.
4. A economia brasileira cresceu 2,1% no terceiro trimestre
de 2011, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, após crescer 4,2% no
primeiro trimestre e 3,3% no segundo trimestre, na mesma base de comparação. Segundo
dados dessazonalizados pelo IBGE, na comparação com o trimestre imediatamente
anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) ficou inalterado no terceiro trimestre,
após expansão de 0,8% no primeiro e de 0,7% no segundo trimestre. Assim, a taxa
de crescimento acumulada em quatro trimestres recuou de 4,9% para 3,7%, o que
confirma que a economia brasileira se encontra em ciclo de crescimento em ritmo
mais condizente com taxas avaliadas como sustentáveis a longo prazo. A
moderação no ritmo de crescimento foi perceptível em todos os componentes da
demanda interna, e resultou, em parte, de ações de política implementadas desde
o final de 2010, potencializadas pela deterioração do cenário econômico global
a partir do terceiro trimestre do ano passado.
5. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central
(IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da
economia, bem como para os impostos sobre produtos e constitui, portanto,
importante indicador coincidente da atividade econômica. Considerando os dados
ajustados sazonalmente, o IBC-Br registrou crescimento de 1,1% em novembro,
após contração de 0,5% em outubro e de 0,1% em setembro. Dessa forma, a taxa de
variação trimestral entre setembro e novembro ficou em -0,3%. Por outro lado, em
relação ao trimestre encerrado em novembro de 2010, houve crescimento de 0,9%.
Já a taxa de crescimento acumulada em doze meses, que vem desacelerando desde
novembro de 2010, recuou de 3,5% em outubro para 3,0% em novembro. O Índice de
Confiança do Setor de Serviços (ICS), da Fundação Getulio Vargas (FGV), continuou
sinalizando uma desaceleração moderada no setor. Em dezembro, o índice recuou
0,7%, após queda de 0,6% em novembro. Dessa forma, o nível do indicador no
final de 2011 ficou 3,2% abaixo do valor observado no final de 2010.
6.
Os
Indicadores de Condições de Crédito, construídos com base em consulta
trimestral realizada pelo Banco Central com instituições financeiras
representativas de cada segmento do mercado de crédito, apontam, em geral, para
condições mais restritivas para o trimestre de janeiro a março de 2012. Em
relação ao crédito às grandes empresas, a análise sugere cenário mais
restritivo. Para micro, pequenas e médias empresas, os indicadores revelam um
cenário similar ao observado no trimestre anterior, com oferta moderadamente
mais restritiva e demanda moderadamente mais forte, mas em níveis inferiores
aos do quarto trimestre de 2011. Para o crédito voltado ao consumo, a
expectativa para este trimestre basicamente aponta estabilidade no percentual
de aprovação de créditos em relação ao verificado no trimestre anterior. Para o
crédito habitacional, apesar da oferta mais seletiva por parte das instituições
financeiras, a expectativa de elevação da demanda induz um cenário com
aprovação de novas linhas, neste trimestre, moderadamente superior ao observado
no trimestre anterior.
7. A atividade fabril avançou 0,3% em novembro, de acordo com a série
da produção industrial geral dessazonalizada pelo IBGE, após queda de 0,7% em outubro
e de 1,9% em setembro. Verificou-se aumento da produção em 18 dos 27 ramos de
atividade em novembro, sendo que a maior expansão ocorreu no setor de máquinas
e equipamentos (4,0%). De acordo com a média móvel trimestral, houve queda de
0,8% na produção industrial no período de setembro a novembro, após queda de 0,9%
no período de agosto a outubro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior,
a produção recuou 2,5% em novembro, enquanto, no acumulado em doze meses, houve
expansão de 0,6%. Na comparação com dezembro de 2008, mês de menor medição da
produção industrial durante a crise de 2008/2009, o crescimento acumulado até setembro
foi de 22,0%. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
o faturamento da indústria de transformação registrou crescimento real de 4,6%
em novembro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto o número de
horas trabalhadas apresentou recuo de 2,5%.
8.
Entre as categorias de uso da indústria, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, houve
expansão de 1,6% na produção de bens de capital em novembro, de 0,4% na
produção de bens intermediários e de 2,2% na de bens de consumo não duráveis e
semiduráveis. Enquanto isso, a produção de bens de consumo duráveis recuou 0,9%.
No acumulado em doze meses até novembro, a produção de bens intermediários registrou
expansão de 0,5%; a de bens de consumo duráveis, retração de 1,2%; e a de bens
não duráveis e semiduráveis, queda de 0,1%. Na mesma base de comparação, o
crescimento da atividade da indústria de bens de capital foi o maior entre as categorias
de uso, com expansão de 3,8%, refletindo o dinamismo dos investimentos.
9.
A
taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa
Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, atingiu 5,2% em novembro (ante 5,7%
registrados em novembro de 2010), depois de alcançar 5,8% em outubro. Após
registrar 9,0% em março de 2009, a taxa observada recuou significativamente e
atingiu o mínimo histórico da série iniciada em março de 2002. Já a taxa de
desocupação dessazonalizada pelo Banco Central recuou de 6,0% em outubro para
5,6% em novembro. Ao mesmo tempo, o nível de ocupação seguiu tendência de
crescimento observada ao longo dos últimos anos e atingiu novo máximo em
novembro (54,3%). Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE),
no entanto, indicam desaceleração na criação de novos postos de trabalho. Em
novembro, houve criação de 42,7 mil postos de trabalho formais (ante 138,2 mil
postos gerados em novembro de 2010), com expansão do número de empregos formais
em quatro dos oito setores de atividade econômica. Os setores que mais
contribuíram para o aumento do número de empregos formais no mês foram comércio
e serviços. De acordo com a PME, o rendimento médio real habitual ficou estável
em novembro, acumulando variação de 0,7% em doze meses. Como consequência, a
massa salarial real – considerando o rendimento médio da população ocupada nas
seis regiões metropolitanas – cresceu 2,6% em relação a novembro de 2010. Em
suma, o conjunto de evidências indica que, embora o mercado de trabalho
continue robusto, há sinais de moderação na margem.
10.
De
acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o
volume de vendas do comércio ampliado cresceu 3,2% em novembro, na comparação
com o mesmo mês do ano anterior, após registrar alta de 1,6% em outubro e de 4,7%
em setembro, na mesma base de comparação. Na série com ajuste sazonal, o volume
de vendas do comércio ampliado avançou 1,5% em novembro, após retração de 0,3% em
outubro e crescimento de 0,7% em setembro. Assim, a taxa de crescimento
acumulada em doze meses ficou em 7,7% em novembro (ante 8,8% em outubro e 9,6% em
setembro). Nessa base de comparação, todos os dez segmentos pesquisados mostram
expansão no volume de vendas, com destaque para equipamentos e materiais para
escritório, informática e comunicação (18,6%) e móveis e eletrodomésticos
(16,9%). Desde outubro, a FGV, em parceria com o Banco Central, também vem
divulgando o Índice de Confiança do Comércio (ICOM). Esse indicador fornece informação
adicional importante, na medida em que retrata o estado atual e sinaliza a
evolução da atividade comercial de forma mais tempestiva. O índice continuou
sinalizando desaceleração na atividade do setor em dezembro, a exemplo do que
ocorreu nos dois meses anteriores. Nos próximos meses, a trajetória do comércio
continuará a ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo
de crescimento da massa salarial real, pelo nível de confiança dos consumidores
e pela expansão moderada do crédito.
11.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na
indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, passou de 84,5%
em novembro para 84,1% em dezembro e, assim, ficou 1,6 ponto percentual (p.p.)
e 1,2 p.p. abaixo do observado em novembro e dezembro de 2010, respectivamente.
Com o ajuste sazonal, calculado pela FGV, o Nuci ficou em 83,4% em dezembro – 3,3 p.p.
abaixo do máximo da série registrado em junho de 2008. A utilização da
capacidade apresenta-se maior no setor de materiais de construção (88,6%) e no
de bens intermediários (83,8%). Já no setor de bens de capital, o Nuci ficou em 83,3% e, no setor de bens de consumo, em 82,9%.
Segundo dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, o Nuci ficou em
81,4% em novembro, próximo ao percentual de outubro (81,5%). As taxas de
utilização da capacidade instalada têm recuado, refletindo, em parte, a redução
no ritmo de crescimento da produção e a maturação de investimentos. De fato, a absorção
de bens de capital apresentou crescimento de 6,4% no acumulado em doze meses
até novembro (7,5% até outubro), e a produção de insumos para a construção
civil cresceu 4,4% (4,7% até outubro).
12.
O
saldo da balança comercial acumulado em doze meses diminuiu de US$31,3 bilhões
em novembro para US$29,8 bilhões em dezembro. Esse resultado adveio de
exportações de US$256,0 bilhões e importações de US$226,2 bilhões, ou variações
de 26,8% e de 24,5%, respectivamente, no acumulado em doze meses até dezembro.
O déficit em transações correntes acumulado em doze meses passou de US$47,3
bilhões em outubro para US$49,3 bilhões em novembro, equivalente a 2,0% do PIB.
Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$75,4 bilhões
em doze meses até novembro, equivalente a 3,1% do PIB, superando a necessidade
de financiamento externo.
13.
A
economia mundial continua a enfrentar período de incerteza acima da usual, com
deterioração nas perspectivas para a atividade e possibilidade de que ocorram
eventos extremos. Desde a última reunião, sinais pontuais de melhora nos
Estados Unidos (EUA), avanços na governança fiscal europeia e provimento de
liquidez pelo Banco Central Europeu (BCE) foram, em parte, contrabalançados por
sinais mais fortes de deterioração em algumas economias maduras. Os riscos para
a estabilidade financeira global continuam elevados, entre outros, devido à
exposição de bancos internacionais às dívidas soberanas de países com
desequilíbrios fiscais, e persistem elevados níveis de aversão ao risco, apesar
de uma ligeira diminuição na margem. Em outra perspectiva, taxas de desemprego
elevadas por longo período, aliadas às necessidades de ajustes fiscais bem como
ao limitado espaço para ações de política monetária e à incerteza política, têm
contribuído para redução nas projeções de crescimento das economias maduras, ou
mesmo de seu crescimento potencial, indicando ciclo econômico mais amplo e
volátil. De fato, o indicador antecedente composto divulgado pela Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referente a novembro,
reforçou os sinais de inflexão da atividade nas principais economias, com
perspectivas menos favoráveis neste e nos próximos semestres. Em casos
específicos, aumentou a probabilidade de haver recessão, notadamente, na Zona
do Euro. Os indicadores desagregados do Purchasing
Managers Index (PMI) de dezembro, referentes à atividade na indústria e no
setor de serviços, em geral, são consistentes com esse cenário, apesar de
melhora na margem em dezembro. Também tem havido continuada redução nas
projeções de crescimento para importantes economias emergentes. No que se
refere à política monetária, as economias maduras continuaram com posturas
acomodatícias e, em alguns casos, com iniciativas não convencionais de política
monetária. Sobre inflação, os núcleos persistem em níveis moderados nos EUA e
na Zona do Euro. Nas economias emergentes, de modo geral, o viés da política
monetária é expansionista.
14.
O
preço do barril de petróleo do tipo Brent mostrou-se volátil, mas manteve-se
acima do patamar de US$100. Esse nível de preços é consistente com um quadro de
moderação na demanda global, aliado à maior instabilidade política em alguns
países produtores e às defasagens no processo de retomada da produção. Cabe
ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende
a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa
previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o
crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação
e de elevado risco. Em relação às demais commodities,
destaca-se o movimento pendular dos preços internacionais das agrícolas, com
pequena redução quando medido pelo Commodity
Research Bureau (CRB), e pequena elevação das metálicas. O Índice de Preços
de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e
Alimentação (FAO), que compreende 55 itens, acumulou queda de 11,3% até
dezembro, desde o pico observado em fevereiro de 2011. No passado recente, a
alta volatilidade dos preços das commodities
foi fortemente influenciada pela ampla liquidez global, em contexto no qual os
mercados financeiros se ajustam às novas expectativas de crescimento e à
volatilidade nos mercados de câmbio.
Avaliação
prospectiva das tendências da inflação
15.
Os
choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo
conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações
contempla as seguintes hipóteses:
a)
as
projeções para o reajuste nos preços da gasolina e do gás de bujão, para o
acumulado de 2012, foram mantidas em 0%, valor considerado na reunião do Copom
de novembro;
b)
as
projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o
acumulado de 2012, foram mantidas em 1,5% e 2,3%, respectivamente;
c)
a
projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços
administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2012, segundo o
cenário de referência, foi mantida em 4,0%, valor considerado na reunião de
novembro;
d)
a
projeção de reajuste para o conjunto de preços administrados por contrato e
monitorados para o acumulado de 2013, conforme o cenário de referência,
elevou-se para 4,6%, ante 4,5% considerados na reunião do Copom de novembro.
Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços
administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais,
variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice
Geral de Preços (IGP); e
e)
a
trajetória estimada para a taxa do swap
pré-DI de 360 dias indica spread
sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de -22 pontos base (p.b.) e 82
p.b. para o quarto trimestre de 2012 e 2013, respectivamente.
16. Em
relação à política fiscal, considera-se o cumprimento da meta de superávit
primário de R$139,8 bilhões (cerca de 3,10% do PIB), sem ajustes, em 2012. Além
disso, admite-se, como hipótese de trabalho, a geração de superávit primário de
3,10% do PIB em 2013, sem ajustes.
17. No
conjunto das projeções, foram incorporados os efeitos estimados da alteração na
estrutura de ponderação do IPCA, em vigor a partir de janeiro de 2012.
18. As
projeções foram construídas e analisadas sob a perspectiva de modelos que
identificam de modo mais abrangente os mecanismos de transmissão dos
desenvolvimentos externos para a economia brasileira – entre outros, os canais
do comércio, do preço de importações e da volatilidade externa. Como hipótese
de trabalho, admite-se no cenário central que a atual deterioração do cenário
internacional cause um impacto sobre a economia brasileira equivalente a um
quarto do impacto observado durante a crise internacional de 2008/2009.
19. Desde
a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento
de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação
do IPCA em 2012 reduziu-se de 5,56% para 5,30%. Para 2013, a mediana das
projeções de inflação encontra-se em 5,00%. Nos casos específicos de bancos,
gestoras de recursos e demais instituições (empresas do setor real,
distribuidoras, corretoras, consultorias e outras), a mediana das projeções
para 2012 deslocou-se de 5,58%, 5,57% e 5,53% para 5,29%, 5,29% e 5,30%,
respectivamente. Para 2013, a mediana das projeções encontra-se em 4,94%, 5,00%
e 4,80%, na mesma ordem.
20. O
cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de
câmbio em R$1,80/US$ e da taxa Selic em 11,00% ao ano (a.a.) em todo o
horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2012 reduziu-se
em relação ao valor considerado na reunião do Copom de novembro e encontra-se
ao redor do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de
câmbio e de juros coletadas pelo Gerin, junto a analistas de mercado, no
período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para
2012 manteve-se relativamente estável, acima do valor central da meta para a
inflação. Para 2013, a projeção de inflação encontra-se ao redor do valor
central da meta no cenário de referência e acima no de mercado.
Implementação
da política monetária
21.
O
Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um
ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido,
reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de
acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base
na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis
que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos
para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em
relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de
cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de
coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos
formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a
inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações
de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais
duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras
ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o
Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária
manter-se especialmente vigilante para garantir que pressões detectadas em
horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
22.
A
evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira,
indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco,
tanto para o financiamento privado quanto para o público, e ao encurtamento dos
horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas.
Consequentemente, taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o potencial
de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a
distribuição de renda. Dito de outra forma, taxas de inflação elevadas não
trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do
emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas
variáveis no médio e no longo prazos. Assim, a estratégia adotada pelo Copom
visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas, o que
exige a pronta correção de eventuais desvios em relação a essa trajetória. Tal
estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais
indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de
implementação da política monetária.
23.
O
Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade
financeira global se mantiveram elevados e teve continuidade o processo de
deterioração do cenário internacional, que, já naquela oportunidade,
contemplava reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento
para os principais blocos econômicos. O Comitê entende que permanecem elevadas
as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias
maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado. Nota
ainda que, nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de
política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal. Além disso, em
importantes economias emergentes, apesar da resiliência da demanda doméstica, o
ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e
do enfraquecimento da demanda externa, via canal do comércio exterior. Dessa
forma, o Comitê avalia que o cenário internacional manifesta viés
desinflacionário no horizonte relevante.
24.
Para
o Copom, acumulam-se evidências que apoiam a visão de que a transmissão dos
desenvolvimentos externos para a economia brasileira se materializa por
intermédio de diversos canais, entre outros, redução da corrente de comércio,
moderação do fluxo de investimentos, condições de crédito mais restritivas e
piora no sentimento de consumidores e de empresários. O Comitê entende que os
efeitos da complexidade que cerca o ambiente internacional se somam aos da
moderação da atividade doméstica, que se manifesta, por exemplo, no recuo das projeções
para o crescimento da economia brasileira neste e no próximo ano. Dito de outra
forma, o processo de moderação em que se encontrava a economia brasileira foi potencializado
pela fragilidade da economia global.
25.
O
Copom pondera que, embora esteja em curso moderação da expansão da demanda
doméstica, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica. Essa avaliação encontra suporte em
sinais que, apesar de indicarem arrefecimento, apontam que a expansão da oferta
de crédito tende a persistir tanto para pessoas físicas quanto para pessoas
jurídicas; e no fato de a confiança de consumidores, a despeito de acomodação
na margem, encontrar-se em níveis elevados. O Comitê entende, adicionalmente,
que a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências
públicas, bem como pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas
de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários, apesar de
certa acomodação na margem.
26.
O
Copom reafirma sua visão de que a inflação acumulada em doze meses, que começou
a recuar no último trimestre, tende a seguir em declínio e, assim, a se
deslocar na direção da trajetória de metas. O Comitê avalia que, por si só, a
inversão na tendência da inflação contribuirá para melhorar as expectativas dos
agentes econômicos, em especial dos formadores de preços, sobre a dinâmica da
inflação nos próximos trimestres. Adicionalmente, o Comitê entende que essa
melhora no sentimento será potencializada pelo processo, ora em curso, de
reavaliação do ritmo da atividade, doméstica e externa, neste e nos próximos
semestres.
27.
O
Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a
materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais.
Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as
hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de
contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da
demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública
sobre produto.
28.
O
Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito.
Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportuna a introdução de
iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações
de crédito.
29.
O
Copom avalia como decrescentes os riscos derivados da persistência do
descompasso, em segmentos específicos, entre as taxas de crescimento da oferta
e da demanda. Destaca, entretanto, a estreita margem de ociosidade no mercado
de trabalho, apesar dos sinais de moderação nesse mercado, e pondera que, em
tais circunstâncias, um risco importante reside na possibilidade de concessão
de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas
repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Por outro lado, observa
que o nível de utilização da capacidade instalada tem recuado e se encontra
abaixo da tendência de longo prazo, ou seja, está contribuindo para a abertura
do hiato do produto e para conter pressões de preços. O Comitê também observa
que, de modo geral, os preços das commodities
nos mercados internacionais têm apresentado comportamento benigno.
30.
Em
suma, o Copom reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de
incerteza muito acima do usual, e pondera que o cenário prospectivo para a
inflação, desde sua última reunião, acumulou sinais favoráveis. O Comitê nota
que, no cenário central com que trabalha, a
taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012, e são decrescentes
os riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja
tempestivamente para o valor central da meta.
31.
Nesse
contexto, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o
Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 10,50% a.a., sem
viés.
32.
O
Copom avalia que a demanda doméstica ainda se apresenta robusta, especialmente
o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de
estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito. Esse ambiente
tende a prevalecer neste e nos próximos trimestres, quando a demanda doméstica será
impactada pelos efeitos das ações de política monetária recentemente
implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos. Por outro lado, o
Comitê pondera que iniciativas recentes reforçam um cenário de contenção das
despesas do setor público. Também se apresenta como importante fator de
contenção da demanda agregada a substancial e persistente deterioração do
cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito
parafiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de
política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência
tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
33.
O
Copom entende que ocorreram mudanças estruturais significativas na economia
brasileira, as quais determinaram recuo nas taxas de juros em geral, e, em
particular, na taxa neutra. Apoiam essa visão, entre outros fatores, a redução
dos prêmios de risco, consequência direta do cumprimento da meta de inflação
pelo oitavo ano consecutivo, da estabilidade macroeconômica e de avanços
institucionais. Além disso, o processo de redução dos juros foi favorecido por
mudanças na estrutura dos mercados financeiros e de capitais, pelo
aprofundamento do mercado de crédito bem como pela geração de superávits
primários consistentes com a manutenção de tendência decrescente para a relação
entre dívida pública e PIB. Para o Comitê, todas essas transformações
caracterizam-se por um elevado grau de perenidade – embora, em virtude dos
próprios ciclos econômicos, reversões pontuais e temporárias possam ocorrer – e
contruibuem para que a economia brasileira hoje
apresente sólidos indicadores de solvência e de liquidez.
34.
O
Copom também pondera que têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas,
inclusive da taxa neutra, o aumento na oferta de poupança externa e a redução
no seu custo de captação, as quais, na avaliação do Comitê, em grande parte,
são desenvolvimentos de caráter permanente.
35.
Diante
do exposto, considerando ainda que a desaceleração da economia brasileira no
segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava e que eventos
recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira
europeia, neste momento, o Copom atribui elevada probabilidade à concretização
de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um
dígito.
36.
Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará
a se reunir em 6 de março de 2012, para as apresentações técnicas, e no dia
seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo
Comunicado nº 21.213, de 29 de junho de 2011.
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
37.
O
IPCA variou 0,50% em dezembro, ante 0,52% em novembro, de acordo com os dados
divulgados pelo IBGE. O resultado do mês refletiu ligeira aceleração dos preços
livres e desaceleração dos monitorados. Em relação aos preços livres, que
variaram 0,63% em dezembro ante 0,62% em novembro, o movimento foi influenciado
pela alta nos preços de bens não comercializáveis, que passaram de 0,67% em
novembro para 0,73% em dezembro, enquanto os comercializáveis variaram 0,51%
ante 0,57% no mês anterior. Entre os preços de bens não comercializáveis,
enfatize-se a desaceleração observada em serviços, com elevação de 0,51% no mês
ante 0,59% no mês anterior. Os preços monitorados apresentaram alta de 0,19% em
dezembro, ante 0,27% em novembro, com ênfase no recuo dos preços das passagens
aéreas, -2,05% em dezembro, em comparação com a variação de 3,91% no mês
anterior. A variação mensal do IPCA refletiu, principalmente, a aceleração do
aumento dos preços do grupo alimentação e bebidas, com contribuição de 0,29
p.p. no mês, ante 0,25 p.p. em novembro. O índice de difusão situou-se em
64,84% em dezembro, ante 67,19% em novembro. Em 2011, a média do índice atingiu
63,02%, ante 61,18% no ano anterior.
38.
Em
2011, o IPCA registrou elevação de 6,50%, ante 5,91% em 2010. A aceleração da
inflação em 2011 decorreu do movimento dos preços monitorados, que variaram
6,20% no ano, ante 3,13% em 2010, enquanto os preços livres registraram altas
respectivas de 6,63% e 7,09%. Os itens que mais contribuíram para a aceleração
dos preços monitorados foram ônibus urbano (8,45% em 2011, ante 7,53% em 2010),
gasolina (6,93% em 2011, ante 1,67% em 2010), plano de saúde (7,55% em 2011,
ante 6,87% em 2010) e passagens aéreas (52,91% em 2011, ante 3,15% em 2010).
Considerados períodos de doze meses, em dezembro os preços livres e monitorados
desaceleraram em relação a novembro, quando haviam registrado elevações
respectivas de 6,79% e de 6,27%. A evolução dos preços livres decorreu de
desaceleração nos preços dos produtos comercializáveis, de 4,87% em novembro
para 4,41% em dezembro, enquanto os dos produtos não comercializáveis aceleraram
de 8,48% para 8,59% no período analisado. Os preços do segmento de serviços
aumentaram 9,01% no acumulado de doze meses até dezembro, ante 9,08%, 8,94% e
9,03% em períodos correspondentes até novembro, outubro e setembro.
39.
O
IGP-10 variou 0,08% em janeiro, ante 0,19% em dezembro, de acordo com a FGV,
registrando-se retração no IPA, aceleração no IPC e desaceleração no INCC. O
indicador acumulou variação de 4,90% no período de doze meses finalizado em
janeiro, ante 5,33% em dezembro, 6,48% em novembro e 7,25% em outubro. Em 2010,
o índice variou 11,30%.
40.
O
IPA-10 decresceu 0,27% no mês, ante recuo de 0,03% em dezembro, acumulando alta
de 4,04% nos últimos doze meses. Os preços dos produtos agropecuários
aumentaram 0,44% em janeiro, após queda de 0,12% no mês anterior, acumulando
aumento de 3,98% nos últimos doze meses. Os preços dos produtos industriais
variaram -0,53% no mês, ante 0,01% em dezembro, acumulando expansão de 4,06% no
acumulado em doze meses. O desempenho mensal dos preços dos produtos agropecuários
evidenciou, em especial, aumentos nos preços dos itens mandioca, 9,50%; banana,
13,42%; e soja, 1,29%, que exerceram contribuições de 0,07 p.p.,
0,05 p.p., e 0,05 p.p., respectivamente. Nos preços
dos produtos industriais, a principal influência foi exercida por minerais
metálicos, com queda de 5,84% e contribuição para o índice mensal de -0,33 p.p.
41.
O
IPC-10 registrou elevação de 0,92% em janeiro, ante 0,65% em dezembro,
acumulando aumento de 6,20% em doze meses. Houve aceleração mensal em quatro
dos sete grupos coletados, com destaque para alimentação (1,77% em janeiro,
ante 1,02% em dezembro) e educação, leitura e recreação (1,92% e 0,46%, na
ordem), com contribuições respectivas de 0,51 p.p. e 0,17 p.p. no mês. O INCC
variou 0,43% no mês, ante 0,53% em dezembro, refletindo desaceleração nos
custos da mão de obra, de 0,81% para 0,56%, e aceleração nos preços de
materiais, equipamentos e serviços, de 0,24% para 0,31%. O INCC acumulou
variação de 7,67% nos últimos doze meses.
42.
Três
das cinco medidas de núcleo do IPCA calculadas pelo Banco Central registraram
aceleração em dezembro. Considerados períodos de doze meses finalizados em
dezembro, quatro das medidas apresentaram desaceleração em relação a novembro.
O núcleo por exclusão, que exclui dez itens de alimentação no domicílio e
combustíveis, aumentou 0,41% no mês, ante 0,47% em novembro, acumulando alta de
6,68% no período de doze meses encerrado em dezembro, ante 6,89% no mês
anterior. O núcleo por exclusão de monitorados e alimentação no domicílio aumentou
0,49%, ante 0,45% em novembro, elevando-se 6,96% em doze meses, ante 7,19% em
novembro. O núcleo pelo critério de médias aparadas com suavização variou 0,58%
em dezembro, ante 0,55% em novembro, acumulando, em doze meses, 6,67% e 6,60%,
respectivamente. O núcleo pelo critério de médias aparadas sem suavização
cresceu 0,39% em dezembro, ante 0,42% em novembro, acumulando, em doze meses,
5,67% e 5,80%, respectivamente. O núcleo de dupla ponderação aumentou 0,54% em
dezembro, ante 0,53% em novembro, registrando variação acumulada em doze meses
de 6,95%, ante 7,13% no mês anterior.
43.
O
IPP/IT ficou estável em novembro, ante variação de 0,76% em outubro, acumulando
alta de 2,76% no ano e de 3,20% no período de doze meses encerrado em novembro,
ante 4,68% no mês anterior. O desempenho mensal do IPP/IT refletiu, em
especial, as elevações associadas às indústrias de bebidas; de coque, produtos
derivados de petróleo e biocombustíveis; e de veículos automotores, reboques e
carrocerias, com contribuições de 0,06 p.p. em cada segmento, contrabalançadas
pelas contribuições negativas de 0,08 p.p. na indústria de alimentos, e de 0,07
p.p. nas de papel e celulose e de metalurgia. A variação do índice no ano foi
influenciada, principalmente, pelas contribuições respectivas de 1,03 p.p., 0,57 p.p., e 0,55 p.p.,
decorrentes dos aumentos de preços nos segmentos de outros produtos químicos;
de alimentos; e de coque, produtos derivados de petróleo e
biocombustíveis.
44.
O
Índice Commodities – Brasil (IC-Br)
recuou 0,53% em dezembro, refletindo as variações respectivas de -0,81%, 0,36%
e -0,32% nos segmentos agropecuária, metal e energia. Nos últimos meses, a
variação em doze meses do IC-Br apresentou sensível redução, alcançando -0,35%
em dezembro, ante 23,30% em setembro. Em 2010, o IC-Br
cresceu 25,62%.
45.
O Índice de Atividade
do Banco Central (IBC-Br) registrou elevação de 1,1% em novembro
comparativamente ao mês anterior, acumulando variação de -0,3% no trimestre
encerrado em novembro, em relação ao terminado em agosto, quando declinara 0,4%
no mesmo tipo de comparação, sempre considerados dados dessazonalizados.Em relação a novembro
de 2010, o indicador registrou alta de 0,8%, ante as altas de 0,7% em outubro;
1,3% em setembro; 3% em agosto; e 1,9% em julho. O IBC-Br acumula elevações de
2,8% no ano e de 3% em doze meses.
46.
As
vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção,
aumentaram 1,5% em novembro em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados
da PMC, do IBGE, após queda de 0,3% em outubro e alta de 0,7% em setembro. Por
segmento, houve elevação nas vendas de nove dos dez pesquisados, com destaque
para a expansão de 8,6% em livros, jornais, revistas e papelaria; 6% em
equipamentos e material para escritório, informática e comunicação; e 4,6% em
veículos, motos, partes e peças. Somente o segmento relativo a tecidos,
vestuário e calçados registrou retração mensal de 0,5%. O comércio ampliado
decresceu 0,2% no trimestre encerrado em novembro, relativamente ao terminado
em agosto, acumulando alta de 6,9% no ano e de 7,7% em doze meses. As vendas do
comércio varejista registraram crescimento mensal de 1,3% em novembro, após
estabilidade em outubro e alta de 0,5% em setembro, acumulando elevações de
1,1% em relação ao trimestre findo em agosto, de 6,7% no ano e de 7% em doze
meses.
47.
Considerados
dados observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram aumento
interanual de 3,2% em novembro, com destaque para as expansões nos segmentos
equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, 28,8%;
móveis e eletrodomésticos, 12,3%; artigos farmacêuticos e médicos, 8,6%; e
hipermercados, supermercados e produtos alimentícios, 6,3%. No período de doze
meses encerrado em novembro, o comércio ampliado registrou crescimento de 7,7%,
com ênfase nos aumentos das vendas de equipamentos e material para escritório,
informática e comunicação, 18,6%; móveis e eletrodomésticos, 16,9%; artigos
farmacêuticos e médicos, 10,4%; material de construção, 10%; livros, jornais,
revistas e papelaria, 9%; e veículos, e motos, partes e peças, 8,4%.
48.
As
vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais
leves, caminhões e ônibus, registraram retração mensal de 1,6% em dezembro,
após elevação de 6% em novembro, de acordo com dados da Federação Nacional da
Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco
Central. No trimestre encerrado em dezembro, houve recuo de 0,2%, ante o
terminado em setembro, quando variara -2,4%. Em 2011, as vendas de autoveículos
cresceram 3,4%, resultado de elevações nos segmentos ônibus, 21,8%; comerciais
leves, 14,6%; caminhões, 9,7%; e retração de 0,1% em automóveis.
49.
O
índice de quantum das importações de
bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior
(Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, registrou contração mensal
de 7,5% em dezembro. A análise dos dados observados indicou estabilidade em
relação a dezembro do ano anterior e expansão de 12,9% em 2011 ante 2010.
50.
A
produção de bens de capital registrou variação de 1,6% em novembro, acumulando
queda de 5,6% no trimestre, relativamente ao finalizado em agosto, de acordo
com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física
(PIM-PF), do IBGE. A principal contribuição relativa para o desempenho positivo
da categoria no mês decorreu da expansão de 17,7% na produção de equipamentos
para fins industriais seriados, em oposição às quedas respectivas de 16,7% e
5,1% na produção de equipamentos para fins industriais não seriados e de uso
misto.
51.
A
produção de insumos típicos da construção civil registrou retração mensal de
0,4% em novembro, acumulando aumento de 1,2% no trimestre, em relação ao
finalizado em agosto, considerados dados dessazonalizados. A produção do
segmento aumentou 3,5% em relação a novembro de 2010, com altas acumuladas de
4,2% no ano e de 4,4% em doze meses.
52.
Os
desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram
R$130,9 bilhões no período de doze meses encerrado em outubro. A queda de 23,4%
em relação a igual período de 2010 refletiu, sobretudo, o recuo de 51,5% dos
recursos destinados à indústria de transformação, enquanto os setores extrativo
e agropecuário registraram elevações respectivas de 20,6% e de 4,5%. Os
desembolsos do BNDES decresceram 26,6% no acumulado do ano até outubro, em
relação a igual período de 2010, em decorrência, principalmente, da diminuição
de 57,1% nos recursos direcionados à indústria de transformação. No período,
41% desses recursos foram destinados ao setor de infraestrutura, seguindo-se as
parcelas alocadas à indústria, 31%; ao comércio e serviços, 20%; e à
agropecuária, 8%.
53.
A
produção física da indústria geral apresentou elevação mensal de 0,3% em
novembro, de acordo com dados dessazonalizados do IBGE, após variação de -0,7%
em outubro, resultado de expansão de 1,5% na indústria de transformação e de
1,7% na indústria extrativa. Por categorias de uso, a produção de bens de consumo
semi e não duráveis aumentou 2,2% no mês, seguida pelas elevações respectivas
de 1,6% e de 0,4% nas produções de bens de capital e de bens intermediários,
enquanto a produção de bens de consumo duráveis recuou 0,9%. Das 26 atividades
da indústria de transformação consideradas na pesquisa, dezessete apresentaram
crescimento no mês. A produção da indústria recuou 2,2% no trimestre encerrado
em novembro em relação ao terminado em agosto, quando havia decrescido 0,7%,
resultado de retração de 2,7% na indústria de transformação, enquanto a
atividade extrativa registrou expansão de 1,8%, na mesma base de comparação. A
evolução trimestral na indústria de transformação refletiu, em parte, o impacto
dos recuos nas atividades da indústria de material eletrônico e equipamentos de
computação, 20,7%; de fumo, 16,6%; de diversos, 12,8%; de edição, impressão e
reprodução, 11%; e de veículos automotores, 9,4%. Considerados dados
observados, a produção física da indústria registrou retração de 2,5% no mês
ante igual período do ano anterior, e aumentos respectivos de 0,4% e 0,6% nos
acumulados do ano e de doze meses, favorecidos, sobretudo, pela expansão da
indústria de bens de capital, que variou 3,6% e 3,8%, respectivamente, nos
mesmos períodos.
54.
O
Nuci da indústria de transformação atingiu 83,4% em dezembro, com elevação de
0,1 p.p. em relação a novembro, segundo dados dessazonalizados da FGV,
mantendo-se em nível praticamente estável desde agosto. O segmento de bens de
consumo apresentou alta de 1,3 p.p. em relação ao mês anterior, enquanto os
indicadores referentes a material de construção, bens intermediários e bens de
capital, registraram recuos respectivos de 1,1 p.p., 1 p.p. e 0,8 p.p.
Considerada a série observada, o Nuci recuou 1,2 p.p. em relação a dezembro de
2010, resultado de decréscimos nos indicadores das indústrias de bens de
consumo, 2,2 p.p.; de material de construção, 2,2 p.p.; de bens intermediários,
2,1 p.p.; e de bens de capital, 1,1 p.p.
55.
A
produção de autoveículos montados atingiu 262 mil unidades em dezembro,
representando expansão de 5,9% em relação a novembro, de acordo com dados da
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
dessazonalizados pelo Banco Central. A produção do setor variou -1% em relação
a dezembro de 2010 e 0,7% no volume acumulado em 2011.
56.
Ainda
segundo a Anfavea, o licenciamento de autoveículos nacionais registrou
variações negativas de 14,9% em relação a dezembro de 2010 e de 2,8% no
acumulado do ano. Considerados dados dessazonalizados pelo Banco Central,
ocorreram decréscimos de 1,5% no mês e de 1,3% no trimestre. As exportações de
autoveículos montados somaram 48,4 mil unidades em dezembro, representando
elevação de 53,1% em relação a igual mês do ano anterior e de 7,7% no acumulado
de 2011. Considerada a série dessazonalizada pelo Banco Central, as exportações
variaram -4,9% no mês e 5,4% no trimestre.
57.
De
acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE,
referente a dezembro, a safra de grãos do país deverá totalizar 159,9 milhões
de toneladas em 2011, elevando-se 6,9% em relação à do ano anterior e 0,2% ante
a projeção de novembro. O resultado reflete aumentos estimados de 19%, 10,9%,
9,2% e 0,1% para as safras de arroz, feijão, soja e milho, e recuo de 6,5% para
a colheita de trigo. O terceiro prognóstico do instituto para a safra de 2012
indicou que a produção de grãos atingirá 160,3 milhões de toneladas,
crescimento de 0,3% em relação a 2011, com retrações respectivas de 11,2%, 11%,
1,9% e 0,9% nas culturas de arroz, trigo, feijão e soja, e elevação de 6,1% na
relativa ao milho.
58.
O
Índice de Confiança do Consumidor (ICC), considerados dados dessazonalizados da
Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional,
apresentou elevação de 0,5% em dezembro, em relação a novembro, alcançando
119,6 pontos, influenciado pelos aumentos de 1% no Índice da Situação Atual
(ISA) e de 0,3% no Índice de Expectativas (IE). Em relação a dezembro de 2010,
houve recuo de 1,7% no ICC, resultado de contrações de 3,6% no ISA e de 0,3% no
IE.
59.
O
Índice de Confiança do Setor de Serviços (ICS), calculado pela FGV, recuou 0,7%
em dezembro, em relação a novembro, atingindo 128 pontos, refletindo
essencialmente retração de 2,5% no IE, enquanto o ISA apresentou elevação de
1,4%, sem ajuste sazonal. O ICS declinou 3,2% em relação a dezembro de 2010,
resultado de contrações de 6% no ISA e 0,5% no IE.
60. O Índice de Confiança
do Comércio (ICOM), calculado pela Sondagem Conjuntural do Comércio da FGV,
atingiu 127 pontos em dezembro, representando decréscimo de 6,4% relativamente
a igual mês do ano anterior. O resultado refletiu retrações de 10,3% no Índice
de Situação Atual (ISA-COM) e de 2,8% no Índice de Expectativas (IE-COM). No
trimestre finalizado em dezembro, o ICOM registrou contração de 6,8%
comparativamente ao mesmo período de 2010, influenciado pelas variações
negativas de 9,7% no ISA-COM e de 4,6% no IE-COM.
61.
O
Índice de Confiança da Indústria (ICI), considerados dados dessazonalizados da
Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, apresentou alta de
1,1% em dezembro, em relação a novembro, situando-se em 101,8 pontos,
proporcionado pelos aumentos de 1,9% no ISA e de 0,2% no IE. Em relação a
dezembro de 2010, o ICI variou -10,8%, resultado de retrações de 11,2% no ISA e
10,5% no IE.
62.
O
Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela Sondagem Conjuntural
da Construção, da FGV, atingiu 126,1 pontos em dezembro, representando queda de
9,7% relativamente a igual mês do ano anterior. O resultado refletiu retração
de 12,3% no Índice de Situação Atual (ISA-ICST) e de 7,3% no Índice de
Expectativas (IE-ICST). No trimestre finalizado em dezembro, o ICST registrou
contração de 9,9%, comparativamente ao mesmo período de 2010, influenciado
pelas variações negativas de 12,8% no ISA-ICST e de 7,1% no IE-ICST.
63.
Segundo dados
divulgados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE,
foram criados 42,7 mil empregos formais em novembro, com aumento de 0,3% no
estoque de empregados formais em relação a outubro, após dessazonalização, dos
quais 107,9 mil no comércio e 54 mil no setor de serviços; enquanto na
indústria de transformação, agropecuária e construção civil ocorreram
fechamentos respectivos de 54,3 mil, 42,3 mil e 22,8 mil vagas. No ano até
novembro, foram geradas 2 milhões de vagas, ante 2,5 milhões em igual período
de 2010.
64.
De
acordo com a PME, do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas
do país, a taxa de desemprego aberto atingiu 5,2% em novembro, menor taxa desde
o início da série, em março de 2002, recuando 0,6 p.p. em relação a outubro e
0,5 p.p. comparativamente a igual período do ano anterior. O resultado mensal
decorreu de aumento de 0,7% na ocupação, superior à elevação de 0,1% na
População Economicamente Ativa (PEA). Considerando dados dessazonalizados, o
desemprego atingiu 5,6% em novembro, ante 6% no mês anterior. Segundo a mesma
pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores
registrou crescimento de 0,1% em relação ao mês anterior, de 0,7%
comparativamente a novembro de 2010 e de 2,7% no acumulado do ano. A massa
salarial real, definida como o produto do número de pessoas ocupadas pelo
rendimento médio real habitual do trabalho principal, apresentou variações
respectivas de 0,8%, de 2,6% e de 4,9%, para os mesmos tipos de comparação.
65.
O saldo dos empréstimos
do sistema financeiro totalizou R$1.984,3 bilhões em novembro, correspondendo a
48,2% do PIB, com elevações de 1,9% no mês, de 16,3% no ano e de 18,2% em doze
meses. A carteira de recursos livres, consideradas as mesmas bases
comparativas, registrou aumentos de 1,4%, de 14,3% e de 15,8%, refletindo
acréscimos de 0,9%, 15% e 17,2% no saldo das operações com pessoas físicas e de
1,9%, 13,5% e 14,4% no relativo a operações com pessoas jurídicas. Os
financiamentos com recursos direcionados cresceram 2,9% no mês, 20,2% no ano e
22,8% em doze meses, com ênfase nos aumentos de 2,9%, 38,6% e 44% nos
financiamentos habitacionais, nos mesmos períodos.
66.
A
taxa média anual de juros incidente sobre as operações de crédito referencial
recuou 1 p.p. em novembro, para 38,5%. A taxa relativa ao segmento de pessoas
jurídicas apresentou estabilidade, situando-se em 29,8%, enquanto a referente
ao segmento de pessoas físicas declinou 2,4 p.p., para 44,7%.
67.
O
prazo médio das operações de crédito referencial subiu para 495 dias em
novembro, representando aumento de quatro dias em relação ao mês anterior. O
prazo relativo ao segmento de pessoas jurídicas apresentou elevação de quatro
dias e o referente ao de pessoas físicas, de cinco dias, atingindo 402 dias e
595 dias, respectivamente.
68.
A
taxa de inadimplência nas operações de crédito referencial, correspondente a
atrasos superiores a noventa dias, cresceu 0,1 p.p., atingindo 5,6% em
novembro. As taxas relativas às operações com pessoas jurídicas permaneceram
estáveis em 4%, enquanto as referentes a pessoas físicas aumentaram 0,2 p.p.,
alcançando 7,3%. Em relação às operações com atrasos de quinze a noventa dias,
foi registrado declínio de 0,4 p.p. no segmento com pessoas físicas, alcançando
6,5%, e estabilidade em 2,2% nos empréstimos a empresas.
69.
A
atividade econômica nos EUA, nos últimos meses, tem apontado uma recuperação,
porém em ritmo ainda lento e de sustentabilidade incerta. O livro Bege reporta
crescimento de modesto a moderado nos doze distritos. Essas perspectivas são
endossadas por indicadores melhores, embora insuficientes, relativos ao mercado
de trabalho e à confiança do consumidor. O Índice de Gerentes de Compras (PMI)
da indústria manufatureira atingiu 53,9 pontos em dezembro, nível mais alto em
seis meses. No entanto, o balanço de riscos para a economia dos EUA permanece
de baixa, influenciado, entre outros, pelo encerramento dos estímulos fiscais
neste ano, com expectativa de renovação apenas parcial; pela fragilidade do
mercado imobiliário; pela lenta recuperação do mercado de trabalho; e pelo fato
de parte importante do recente aumento do consumo dever-se à redução da taxa de
poupança. Na Zona do Euro, a produção industrial, em novembro, reduziu-se pelo
terceiro mês consecutivo, e o PMI da manufatura referente a dezembro, 46,9
pontos, sugere a continuidade dessa trajetória. A confiança das famílias e do
empresariado segue em patamares reduzidos, influenciada pelo agravamento da
crise da dívida soberana. No Japão, a atividade econômica está estagnada,
reflexo da desaceleração da economia global e da apreciação do iene. O Boletim
de Economia Regional, publicado pelo banco central daquele país, reportou, em
janeiro, pausa na atividade econômica em sete das nove regiões. A produção
industrial do país voltou a recuar em novembro, também influenciada pela
interrupção em cadeias de fornecimento de partes para automóveis e computadores
provocadas pelas inundações na Tailândia. Na China, apesar dos riscos afetos ao
cenário externo e àqueles ligados ao setor imobiliário, a atividade econômica
segue em ritmo forte, embora em desaceleração. O PIB cresceu 8,9% no quarto
trimestre ante 9,1% registrado no terceiro trimestre, ambos na comparação com
iguais períodos do ano anterior. Em bases trimestrais, com ajuste sazonal, o
crescimento do PIB chinês desacelerou para 2%, de 2,3% no trimestre anterior.
Os dados mensais de produção industrial e vendas no varejo registraram
aceleração nas suas taxas de crescimento em dezembro para, respectivamente,
1,1% e 1,4%, 0,9% e 1,3% em novembro.
70.
Os
mercados acionários vêm demonstrando alguma recuperação desde a última reunião
do Copom, consequência de cenário ligeiramente menos incerto em relação à
trajetória da economia dos EUA, da possibilidade de amplo acordo na Europa em
torno de metas fiscais e também da injeção de €489 bilhões em empréstimos de
três anos para os bancos da Zona do Euro. Contudo, os bancos da região seguem
preferindo fazer o uso da linha de depósito overnight
do BCE, que por vários dias atingiu valores recordes, ultrapassando €500
bilhões. O mercado de dívida soberana da Zona do Euro manteve-se pressionado em
razão das perspectivas desfavoráveis para a atividade econômica do bloco e da
incerteza em relação ao cumprimento de metas fiscais em alguns países, apresentando,
não obstante, certa redução nos prêmios cobrados nas emissões soberanas mais
recentes. Em 13 de janeiro, uma agência de classificação de risco comunicou o
rebaixamento da nota de crédito de nove países da Zona do Euro, inclusive da
França, e posteriormente do crédito de longo prazo do European Financial Stability Facility (EFSF).
71.
Os
preços internacionais das commodities
apresentaram duas tendências marcadamente distintas desde a última reunião do
Copom, fechando o período em patamares próximos aos verificados naquela data.
Até meados de dezembro, a intensificação da aversão ao risco nos mercados
financeiros e a contínua melhora das condições de oferta nos mercados de commodities agropecuárias favoreceram a
desvalorização desses produtos. A partir de então, as cotações das commodities inverteram a tendência,
influenciadas por adversidades climáticas na América do Sul, no caso das
agropecuárias, por tensões geopolíticas, relativas às energéticas, e ainda, em
termos gerais, pela divulgação de indicadores econômicos melhores do que o
esperado em importantes economias mundiais e pela consequente redução da
aversão ao risco nos mercados financeiros.
72.
A
variação anual do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) recuou nos EUA, em
novembro, e na Zona do Euro e no Reino Unido, em dezembro, para,
respectivamente, 3,4%, 2,7% e 4,2%, ante 3,9%, 3,0% e 5,0% registrados dois
meses antes. No Japão, após três meses consecutivos de inflação apenas
moderadamente positiva, a deflação retornou a partir de outubro, com a variação
anual do IPC atingindo -0,5% em novembro. Entre as economias emergentes,
destaque-se o significativo processo de desinflação na China ao longo do
segundo semestre de 2011, com a variação anual do IPC recuando para 4,1% em
dezembro ante 6,5% em julho. Em meio ao quadro de desaceleração da inflação e
do crescimento, predominou, por parte dos bancos centrais, a postura
acomodatícia da política monetária. Os juros oficiais nas economias
desenvolvidas permaneceram em patamares excepcionalmente baixos, com o BCE
promovendo dois cortes sucessivos de 25 p.b. em sua taxa básica em novembro e
dezembro, quando situou-se em 1% a.a. Na reunião de janeiro, o BCE referendou
essa decisão. Houve redução de taxas básicas de juros pelos bancos centrais de
Israel, Tailândia, Austrália, Suécia, Romênia, Chile (em todos os casos 25
p.b.) e da Noruega (50 p.b.), enquanto os da Colômbia e da Hungria elevaram
suas taxas em, respectivamente, 25 p.b. e 50 p.b.
Comércio
exterior e reservas internacionais
73.
A balança comercial
brasileira registrou superávit de US$3,8 bilhões em dezembro, resultado de
exportações de US$22,1 bilhões e importações de US$18,3 bilhões. O saldo
acumulado em 2011 atingiu US$29,8 bilhões, 47,9% superior ao registrado em
2010, refletindo aumentos de 26,8% nas exportações e de 24,5% nas importações.
A corrente de comércio cresceu 25,7% no ano, somando US$482,3 bilhões, ante
US$383,7 bilhões em 2010.
74.
As
reservas internacionais somaram US$352 bilhões em dezembro, com diminuição de
US$61 milhões em relação a novembro. Na comparação com dezembro de 2010, as
reservas aumentaram US$63,4 bilhões. No mês, não houve operações do Banco
Central no mercado doméstico de câmbio.
Mercado
monetário e operações de mercado aberto
75.
No
período posterior à reunião do Copom de novembro, a curva de juros doméstica
apresentou aumento de inclinação, com recuo das taxas de curto prazo e elevação
das taxas de prazos superiores a seis meses. O movimento da parte curta
refletiu, principalmente, a perspectiva de continuidade do ciclo de
afrouxamento monetário e a melhora do cenário esperado para a inflação. No
trecho longo, a elevação das taxas foi influenciada, no âmbito interno, pelas
medidas de incentivo à economia anunciadas pelo governo e pela expectativa de
recuperação da atividade econômica. No cenário externo, a divulgação de
indicadores econômicos considerados positivos em alguns países, em especial nos
EUA, e a recuperação dos preços das commodities
também contribuíram para a elevação das taxas de longo prazo. Entre 28 de
novembro e 16 de janeiro, as taxas de juros de um, de três e de seis meses
recuaram 0,49 p.p., 0,40 p.p. e 0,02 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos
de um, de dois e de três anos elevaram-se em 0,33 p.p., 0,62 p.p. e 0,58 p.p.,
respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa
nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze
meses, elevou-se de 3,89% em 28 de novembro de 2011 para 4,46% em 16 de janeiro
de 2012, acompanhando, principalmente, a elevação das taxas nominais.
76.
Na
administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central
realizou, semanalmente, de 29 de novembro de 2011 a 16 de janeiro de 2012,
operações compromissadas com prazo de seis meses, tomando recursos no valor
total de R$42,1 bilhões. O saldo diário médio do estoque das operações de longo
prazo recuou para R$171,6 bilhões. No mesmo período, realizou operações
compromissadas com prazos entre 11 e 35 dias úteis, elevando o saldo diário
médio das operações tomadoras de curto prazo para R$171,5 bilhões. O Banco
Central atuou, ainda, em 29 oportunidades como tomador e em uma como doador de
recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo, e realizou
operações de nivelamento, ao final do dia, com prazos de dois dias úteis. As
operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo
diário médio tomador de R$36,4 bilhões no período. O saldo diário médio do
estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central subiu de R$368,0
bilhões entre 18 de outubro e 28 de novembro de 2011 para R$379,5 bilhões entre
29 de novembro de 2011 e 16 de janeiro de 2012. Considerando-se o período mais
recente, o estoque dos compromissos de recompra aumentou de R$348,9 bilhões em
28 de novembro de 2011 para R$460,0 bilhões em 16 de janeiro de 2012. O
principal fator que contribuiu para a expansão da liquidez no período foi o
resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional.
77.
Entre
29 de novembro de 2011 e 16 de janeiro de 2012, as emissões de títulos
decorrentes dos leilões tradicionais do Tesouro Nacional somaram R$30,5
bilhões. A venda de títulos com remuneração prefixada alcançou R$20,8 bilhões,
sendo R$17,1 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em
2012, 2013, 2014, 2015 e 2016, e R$3,7 bilhões em Notas do Tesouro Nacional –
Série F (NTN-F) com vencimento em 2017, 2018 e 2021. As vendas de Letras
Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$3,4 bilhões, com emissão de títulos
com vencimento em 2018. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B
(NTN-B) foram vendidos títulos com vencimento em 2016, 2018, 2022, 2030, 2040 e
2050, em montante total de R$6,3 bilhões.