Logomarca BCB

155ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 7 e 8/12/2010
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (7/12) e do 20º andar (8/12) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h30 (7/12) e 16h55 (8/12)
Horário de término: 18h50 (7/12) e 19h40 (8/12)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva
 
Chefes de Departamento (presentes no dia 7)
Adriana Soares Sales – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 8)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
 
Demais participantes (presentes no dia 7)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
André Minella – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Emanuel Di Stefano Bezerra Freire – Consultor da Diretoria
Francisco Leopoldo Carvalho de Mendonça Filho – Assessor de Imprensa
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
Wagner Piazza Gaglianone – Assessor do Departamento de Estudos e Pesquisas
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
 
Evolução recente da economia
 
1. Após registrar altas de 0,45% em setembro e de 0,75% em outubro, a inflação medida pela variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou novamente em novembro, para 0,83%. Com isso, a inflação acumulada nos onze primeiros meses de 2010 foi de 5,25%, 1,32 pontos percentuais (p.p.) acima da observada em igual período de 2009. O aumento da inflação em 2010 reflete o comportamento dos preços livres, que aumentaram 6,26% até novembro, e contribuíram com 4,4 p.p. do acumulado de 5,25% registrados no ano. De fato, os preços administrados desaceleraram em relação ao ano anterior e acumulam alta de 2,86% até novembro, ante 4,21% em igual período de 2009, com contribuição de apenas 0,8 p.p. para a inflação acumulada até novembro de 2010. Especificamente sobre os preços livres, cabe destacar que a variação dos preços dos bens comercializáveis alcançou 5,87% no acumulado do ano até novembro, e a dos preços não comercializáveis, 6,61%. A variação dos preços dos serviços, cuja dinâmica tende a exibir maior persistência do que a dos preços dos bens, mostra certa estabilidade, e atingiu 6,99% no acumulado do ano até novembro. Em grande parte, a aceleração dos preços em setembro, outubro, e novembro se deveu à alta de preços no grupo alimentação e bebidas.
 
2. Os desvios na trajetória dos preços dos alimentos continuam desempenhando papel relevante no comportamento da inflação plena de 2010. De fato, no primeiro quadrimestre o IPCA registrou alta pronunciada, quando alimentos e bebidas variaram 5,19%, enquanto no segundo quadrimestre, houve relativa estabilidade, quando alimentos e bebidas recuaram 1,61%. A inflação mensal registrou altas consecutivas nos três primeiros meses do último quadrimestre, sendo que alimentos e bebidas variaram 5,28%. Note-se que a variação em doze meses dos preços da alimentação no domicílio passou de 6,67%, em abril de 2010, para 2,29%, em agosto, e tornou a subir para 9,39% em novembro; ao mesmo tempo, a do IPCA se posicionou em 5,26%, 4,49%, e 5,64%, respectivamente. A elevação recente nos preços dos alimentos vem refletindo, em parte, choques de oferta, domésticos e externos, potencializados pelo ambiente de elevada liquidez nos mercados financeiros internacionais.
 
3. Em linha com a evolução da inflação plena, as três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central apresentaram elevação entre setembro e novembro. O núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização elevou-se de 0,43% em setembro para 0,55% em outubro e 0,56% em novembro. No mesmo período, o núcleo por dupla ponderação elevou-se de 0,39% para 0,58% e 0,62%, e o núcleo por exclusão elevou-se de 0,37% para 0,44% e 0,52%. No acumulado em doze meses, as taxas de variação se posicionaram em novembro em 5,30%, 5,52% e 5,32% para o núcleo por exclusão, por médias aparadas com suavização e por dupla ponderação, respectivamente. O índice de difusão do IPCA, que já havia atingido 62,5% em setembro, avançou novamente para 64,8% em outubro e para 67,2% em novembro.
 
4. A inflação medida pela variação mensal do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou 1,03% em outubro, valor próximo ao observado em setembro (1,10%). No ano, a inflação acumulada de janeiro a outubro atingiu 9,16%, valor superior ao registrado no mesmo período de 2009 (-1,40%). No acumulado do ano até outubro, a inflação medida pelo seu principal componente, o Índice de Preços ao Produtor Amplo – Disponibilidade Interna (IPA-DI) alcançou 11,40%, refletindo a inflação de 9,07% medida pelo IPA industrial e de 18,78% medida pelo IPA agrícola. A variação do IPA-DI em 2010 é, portanto, superior ao valor registrado no mesmo período de 2009 (-3,77%). Já a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna (IPC-DI), outro componente do IGP-DI, registrou alta de 4,43% no acumulado do ano até outubro, superior aos 3,41% registrados no mesmo período de 2009. Sob esse mesmo critério, a inflação medida pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso do IGP-DI, variou 6,66%, também superior ao registrado no mesmo período de 2009 (2,85%). Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre os preços ao consumidor dependerão, entre outros fatores, das condições atuais e prospectivas da demanda, da exposição de cada setor à competição externa e interna, e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
5. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para os impostos sobre produto e, portanto, constitui importante indicador coincidente da atividade econômica. Após apresentar taxas de crescimento positivas em todos os meses de janeiro de 2009 até abril de 2010, o IBC-Br, que vinha se mostrando estável, com crescimento de 0,2% entre maio e agosto deste ano, voltou a apresentar crescimento (0,7% em setembro), indicando que o período de arrefecimento mais intenso da atividade se esgotou.
 
6. Após recuo acentuado em decorrência da crise de 2008/2009, a atividade industrial se recuperou, mas tem mostrado certa acomodação em níveis similares aos observados no pré‑crise. Com base na série geral dessazonalizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial registrou crescimento de 0,4% no mês de outubro, e de 0,1% em setembro, na comparação mensal. A taxa de crescimento da média móvel trimestral atingiu 0,1% no período de julho a outubro, próxima à registrada no período de junho a setembro (0,2%). Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção aumentou em outubro e em setembro à taxa de 2,1% e de 6,6%, respectivamente. No acumulado em doze meses, a produção industrial mostrou expansão com aceleração pela sétima vez consecutiva, de 11,8% em outubro, ante 11,2% em setembro. Na comparação com dezembro de 2008, mês de menor medição da produção industrial durante a crise de 2008/2009, a recuperação até outubro foi de 24,5%. Essa recuperação tem sido amparada, parcialmente, pelo crescimento do financiamento da atividade industrial por parte de instituições financeiras públicas.
 
7. Entre as categorias de uso da indústria, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a maior contribuição em outubro, em relação ao mês anterior, refere-se à variação de 2,8% na produção de bens de consumo duráveis. Já as variações nos setores de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, de bens intermediários, e de bens de capital foram negativas, de -0,1%, -0,1%, e de -0,2%, respectivamente. Considerando a média móvel trimestral para outubro, apenas na categoria bens de consumo houve crescimento, de 0,2% (0,6% no setor de duráveis e 0,2% no setor de semiduráveis e não duráveis). Na categoria bens de capital houve redução de 0,9%, e de 0,5% para bens intermediários. Vale ressaltar que, apesar de o indicador para a atividade na indústria de bens de capital haver apresentado redução na margem, o crescimento no acumulado do ano até outubro alcança 24,0%, na comparação com o mesmo período do ano anterior, maior expansão entre as categorias de uso. Isso evidencia a robustez do investimento em bens de capital, fator relevante na retomada econômica do período pós-crise.
 
8. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, passou de 6,2%, em setembro de 2010, para 6,1%, em outubro de 2010, inferior aos 7,5% registrados em outubro de 2009. Após atingir 9,0% em março de 2009, a taxa observada não apenas recuou significativamente até outubro, mas atingiu o mínimo histórico da série iniciada em março de 2002, de 6,1%. Também na série dessazonalizada, a taxa de outubro atingiu novo mínimo histórico, de 6,3%. O emprego, medido pelo número de ocupados nas regiões metropolitanas, na comparação com os mesmos meses do ano anterior, apresentou elevação de 3,5% em setembro e de 3,9% em outubro de 2010. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) continuam indicando crescimento no setor formal, embora o número de outubro não sugira aceleração. Em outubro foram criados 204,8 mil postos de trabalho, ante 231,0 mil registrados em outubro de 2009. No acumulado do ano, foram criados 2,41 milhões de postos, expansão de 107% em relação ao mesmo período de 2009, representando o maior saldo acumulado de janeiro a outubro desde a criação da série. O setor que mais contribuiu para a geração de empregos em outubro e no acumulado de 2010 foi o de serviços (42% do saldo gerado no mês e 36% do saldo gerado no ano). Também o rendimento médio real habitual observado em outubro foi o maior da série histórica, tendo registrado alta de 0,3% ante o mês anterior; e de 6,5% ante outubro de 2009. Como consequência, a expansão da massa salarial real, considerando o rendimento principal, atingiu 10,7% em outubro, na comparação com mesmo mês de 2009, e permanece como fator-chave para a sustentação do crescimento da demanda doméstica.
 
9. De acordo com dados da pesquisa mensal de comércio divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio ampliado cresceu 5,9% em setembro, 14,0% em agosto, e 12,6% em julho, na comparação com os mesmos meses do ano anterior. Na série com ajuste sazonal, a variação mensal no volume de vendas apresentou recuo de 0,9% em setembro, após ter crescido nos quatro meses anteriores. Assim, a média do volume de vendas no terceiro trimestre aumentou 3,5% em relação à do segundo. Dos dez segmentos pesquisados, quatro tiveram variações mensais positivas em setembro. O destaque de maior variação (5,6%) ocorreu no segmento equipamentos e materiais para escritório. Nos próximos meses, a trajetória do comércio deve continuar a ser beneficiada pelas transferências governamentais, pelo crescimento da massa salarial real, pela expansão do crédito, e pela confiança dos consumidores.
 
10. O volume de vendas no comércio ampliado apresentou crescimento positivo em todos os meses do segundo quadrimestre de 2010, acumulando alta de 4,8%. Por outro lado, no mesmo período, a atividade registrou redução de 0,9% de acordo com o índice da produção industrial, e certa estabilidade, de acordo com o IBC-Br. Dessa forma, a acomodação da atividade industrial não teve correspondência no comércio, cujo dinamismo reflete tanto a evolução na importação de bens de consumo não duráveis, com alta de 8,1% no quantum importado  entre o segundo e primeiro quadrimestre (dados dessazonalizados pelo Banco Central), quanto a evolução dos estoques de produtos finais, que, ao longo dos 6 primeiros meses do ano ficaram abaixo do planejado pelas empresas, de acordo com a sondagem industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
 
11. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, situou-se em 86,1% em novembro, ante 86,4% em outubro, valores próximos aos níveis verificados antes da crise de 2008/2009. Com o ajuste sazonal, calculado pela FGV, atingiu 84,5% em novembro, ante 85,2% em outubro. Entre as quatro categorias de uso, apenas as indústrias do setor de intermediários registraram redução, de 0,5 p.p., na comparação com o mês anterior, atingindo o nível de 86,0%. Por outro lado, o nível de utilização para as indústrias do setor de bens de capital apresentou alta de 1,2 p.p., alcançando  84,8%. Nos setores de materiais de construção e de bens de consumo não houve variação mensal em novembro. Segundo os dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, o Nuci de outubro se manteve estável em 82,2%, ante 82,1% em setembro e 82,2% em agosto. As taxas de utilização da capacidade instalada, embora em patamares elevados, mostram ligeiro recuo. A reduzida margem de ociosidade é resultado da expansão recente da atividade econômica, ainda não compensada totalmente pela maturação dos investimentos. Note-se que a absorção de bens de capital apresentou queda de 5,8% em outubro, com relação ao mês anterior, mas crescimento de 9,6% em relação a outubro de 2009. Na comparação do acumulado do ano até outubro, o aumento é de 29,4%, evidenciando desaceleração da absorção de bens de capital. A produção de insumos para a construção civil registrou elevação em outubro, de 0,8%, em relação ao mês anterior, e de 5,2% em relação ao mesmo período de 2009. Na comparação do acumulado em doze meses, a expansão foi de 12,2%. Conforme assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento da demanda.
 
12. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses totalizou US$17,1 bilhões em novembro, valor US$8,3 bilhões inferior ao observado no mesmo período de 2009. Esse resultado adveio de US$195,5 bilhões em exportações e de US$178,4 bilhões em importações, o que representa variações de 28,3% e 40,5%, respectivamente, em relação a novembro de 2009. De fato, o maior dinamismo da demanda doméstica ante à externa é relevante para a redução verificada no superávit comercial. O comportamento das remessas de lucros e dividendos, que também reflete o diferencial de crescimento entre a economia brasileira e a de outros países, vem contribuindo para elevar o déficit em conta corrente. O déficit acumulado em doze meses aumentou de US$47,3 bilhões, em setembro, para US$48,0 bilhões em outubro, equivalente a 2,4% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$36,1 bilhões em doze meses até outubro, o equivalente a 1,8% do PIB, resultando em necessidade de financiamento externo de 0,6% do PIB.
 
13. A recuperação da economia global continua sendo liderada por um grupo de países emergentes, cujo ritmo de expansão, em grande parte, ancora-se no crescimento da demanda doméstica e, em casos específicos, no setor exportador. A recuperação econômica também continuou nos Estados Unidos (EUA) e na Europa, embora de forma mais gradual do que anteriormente antecipado. A Zona do Euro, em particular, vive situações distintas, pois persistem dúvidas quanto à solvência de algumas economias periféricas, ao mesmo tempo em que o ritmo da expansão continua bastante forte na Alemanha. Em novembro, o índice de confiança dos empresários atingiu o maior nível registrado desde a unificação daquele país. Já a Irlanda concluiu negociações para um pacote de assistência financeira da Comunidade Europeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI), e de fontes bilaterais, totalizando 85 bilhões de euros. Quanto às taxas de inflação, elas têm permanecido em níveis bastante reduzidos nos países do G3 (Estados Unidos, Zona do Euro e Japão), a despeito das ações de política econômica de caráter fortemente expansionista, tanto no lado fiscal como no lado monetário. Em novo esforço neste sentido, os Estados Unidos anunciaram a expansão do programa de afrouxamento monetário em US$600 bilhões e cresce a possibilidade de que ocorra a prorrogação de estímulos de cunho fiscal. Entre mercados emergentes, destaca-se que o banco central chinês elevou por duas vezes o requerimento de depósitos compulsórios por parte dos bancos desde a última reunião do Copom. Houve também aperto da política monetária no Chile, na Coreia do Sul, na Hungria e na Índia, e nova redução na África do Sul.
 
14. Os preços do petróleo, nos mercados a vista e futuro, mantiveram-se próximos a US$80. A baixa previsibilidade da retomada assimétrica da economia global, a dependência do crescimento da oferta ao ritmo de maturação de projetos de investimentos arriscados, e a complexidade geopolítica do setor adicionam incerteza às previsões dos preços do petróleo.O cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2011. Cumpre destacar, entretanto, que, independente do comportamento do preço local da gasolina, variações no preço do petróleo podem ser transmitidas para a economia doméstica, por exemplo, via setor petroquímico, ou pelo canal de expectativas. Em relação aos preços das demais commodities, nota-se que o índice de preços baseado em 22 commodities, divulgado pela Commodity Research Bureau (CRB), tem variado, nas últimas semanas, em torno de níveis recordes. Um fator que parece contribuir para as acentuadas elevações é o rebalanceamento da demanda global dos países desenvolvidos para os países emergentes, onde o consumo tende a ser mais intensivo em commodities. Note-se ainda que, no passado recente, o movimento dos preços das commodities parece ter sido fortemente influenciado pela ampla liquidez global. Nas últimas semanas, no entanto, houve certo arrefecimento nas pressões altistas, especialmente para as commodities agrícolas. A alta volatilidade observada nos preços desses produtos decorre de contexto em que os mercados financeiros se ajustam às novas expectativas de crescimento da demanda e à considerável volatilidade nos mercados de câmbio.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
15. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) a projeção para o reajuste no preço da gasolina, para o acumulado de 2010, elevou-se de 0% considerado na reunião do Copom de outubro para 1,6%, e a projeção para o reajuste no preço do gás de bujão elevou-se de 0% para 1,7%, para o mesmo período. Para 2011, projeta-se variação nula nos preços da gasolina e do gás de bujão;
b) no tocante às projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2010, a primeira reduziu-se para 0,4% ante 0,8% considerado na reunião de outubro; e a segunda passou de 3,6% para 2,8%. Para 2011, as projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade são de 2,9% e 2,8%, respectivamente;
c) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2010, segundo o cenário de referência, reduziu-se para 3,4%, ante 3,6% considerados na reunião de outubro, e para 2011, a projeção reduziu-se para 4,0%, ante 4,3%. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,15% do total do IPCA de novembro;
d) a projeção de reajustes para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2012, segundo o cenário de referência, é de 4,4%. Essa projeção se baseia em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 82 pontos-base (p.b.) e 12 p.b. para o quarto trimestre de 2010 e 2011, respectivamente. Para o terceiro trimestre de 2012, o spread é de 65 p.b.
 
16. Em relação à política fiscal, a hipótese de trabalho levada em conta nas projeções é o cumprimento da meta para o superávit primário de 3,1% do PIB em 2010. Considera-se ainda a possibilidade de que esse percentual seja reduzido em até 0,90 p.p., em virtude da implementação dos projetos vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dos quais 0,44 p.p. corresponde à conta de restos a pagar de 2009. Além disso, admite-se que o superávit primário retornaria, sem ajustes, ao patamar de 3,0% do PIB em 2011 (conforme parâmetros constantes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias), e ao de 3,1% em 2012.
 
17. No conjunto das projeções, foram incorporados os efeitos estimados dos recolhimentos compulsórios recentemente anunciados.
 
18. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2010 se deslocou de 5,20% para 5,78%. Para 2011, a mediana das projeções de inflação se deslocou de 4,99% para 5,20%, e para 2012 se encontra em 4,50%.
 
19. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em 1,70 R$/US$ e da taxa Selic em 10,75% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2010 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de outubro, e se encontra sensivelmente acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pela Gerin junto a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2010 também se elevou, e se encontra sensivelmente acima do valor central da meta para a inflação. Para 2011, a projeção elevou-se no cenário de referência, em relação ao valor considerado na reunião de outubro, e se encontra acima do valor central da meta para a inflação, enquanto no cenário de mercado a projeção permaneceu estável. No que se refere ao terceiro trimestre de 2012, as projeções se elevaram  em ambos os cenários, mas se encontram ao redor do valor central da meta para a inflação.
 
Implementação da política monetária
 
20. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
 
21. A evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, e ao encurtamento dos horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas. Consequentemente, taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o potencial de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. De outra forma, taxas de inflação elevadas não trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no médio e no longo prazo. Assim, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas neste e nos próximos anos, o que exige a pronta correção de eventuais desvios em relação à trajetória de metas. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
 
22. Como consequência da estabilização e da correção de desequilíbrios, as quais determinaram mudanças estruturais importantes, o processo de amadurecimento do regime de metas se encontra em estágio avançado, e isso se reflete favoravelmente na dinâmica da taxa de juros neutra e na potência da política monetária. Evidências a esse respeito são oferecidas, entre outros, pelo cumprimento das metas para a inflação nos últimos seis anos, ao mesmo tempo em que as taxas reais de juros recuaram. Progressos na estrutura dos mercados financeiros, redução do prêmio de risco cambial e do inflacionário, entre outros, parecem ter determinado redução significativa da taxa neutra. Também contribuiu para isso a geração de superávits primários consistentes com a manutenção de tendência decrescente para a relação entre dívida pública e PIB. Em outra perspectiva, alguns desses desenvolvimentos, combinados a outros, como o alargamento de prazo dos contratos, também sugerem que o poder da política monetária no Brasil vem aumentando ao longo dos últimos anos. Apesar da substancial incerteza que envolve o dimensionamento de variáveis não observáveis, importa destacar que essa percepção é respaldada por estimativas geradas pelos modelos macroeconométricos utilizados pelo Copom. Além disso, note-se que, na avaliação de 49% dos analistas que responderam à consulta feita pelo Banco Central, a taxa neutra no Brasil estaria em níveis iguais ou inferiores a 6,50%. O Comitê também pondera que há evidências de que a tração da política monetária aumentou no passado recente e, comparativamente ao que se observava há alguns anos, atualmente pressões inflacionárias são contidas com mais eficiência por meio de ações de política monetária.
 
23. Nos mercados internacionais, a volatilidade e a aversão ao risco permaneceram elevadas desde a última reunião do Comitê, em parte, alimentadas pelo aumento da liquidez global e pelas perspectivas de que esse processo possa eventualmente se acentuar. Cresceram também as preocupações com dívidas soberanas de países europeus e com a possibilidade de desaceleração na China, ao mesmo tempo em que persistiram dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação da economia americana. Os preços de certas commodities e de ativos brasileiros se mantiveram relativamente estáveis e, de modo geral, as perspectivas para o financiamento externo da economia brasileira seguem favoráveis. Em outra frente, a trajetória dos índices de preços mostra elevação das pressões inflacionárias em algumas economias relevantes, enquanto arrefeceram preocupações com a perspectiva de deflação em outras. Nessa conjuntura, recuou a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica, conquanto persista substancial incerteza sobre o comportamento de preços de ativos e de commodities em contexto de substancial volatilidade nos mercados financeiros internacionais. Independentemente de como evoluírem esses aspectos da conjuntura internacional, o Comitê reafirma sua visão de que o principal desafio da política monetária é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados.
 
24. A despeito de a acomodação observada nos dois últimos trimestres haver se mostrado mais intensa do que o esperado no início deste ano, como revelam, entre outros, dados sobre estoques e produção industrial; as perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis. Essa avaliação é sustentada, entre outros, pelos sinais de que a expansão da oferta de crédito tende a persistir, embora em ritmo mais moderado, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, e pelo fato de a confiança de consumidores e de empresários se encontrar em níveis historicamente elevados, a despeito de alguma acomodação na margem. O Copom pondera, adicionalmente, que o dinamismo da atividade doméstica continuará a ser favorecido pelo vigor do mercado de trabalho, apesar do arrefecimento da geração de postos em segmentos específicos.
 
25. O Copom ressalta, mais uma vez, que há defasagens entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre o da inflação. Dessa forma, a análise de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, no cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes e passados para essa variável. Desde a penúltima reunião, a inflação foi forte e negativamente influenciada pela dinâmica dos preços de alimentos, que, em parte, repercutiu choques de oferta domésticos e externos. Esses desenvolvimentos tendem a ser transmitidos ao cenário prospectivo, entre outros mecanismos, via inércia, como, de resto, apontam as projeções de inflação com as quais o Banco Central trabalha. Cumpre também destacar a persistência do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. Nesse contexto, o Comitê identifica riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta.
 
26. O Copom avalia, por outro lado, que os efeitos do processo de ajuste da taxa básica de juros, interrompido em julho de 2010, ainda não foram integralmente transmitidos à dinâmica dos preços e, ao mesmo tempo, reafirma que seu cenário central está condicionado à materialização das trajetórias com as quais trabalha para variáveis fiscais e parafiscais. O cenário base também incorpora moderação no ritmo de expansão do crédito. Especificamente neste último caso, prevalece a visão de que, desde a última reunião, houve substancial aumento na probabilidade de concretização dessa hipótese de trabalho, haja vista a introdução de iniciativas macroprudenciais.
 
27. O Comitê ressalta que há certa equivalência entre ações macroprudenciais e ações convencionais de política monetária e que a importância desse vínculo tende a crescer com o aprofundamento do mercado de crédito, fenômeno este observado no Brasil nos últimos anos. Entretanto, não há respaldo para que esses dois conjuntos de instrumentos sejam vistos como substitutos perfeitos, pois divergem, entre outros aspectos, no alcance e nos mecanismos de transmissão. As ações macroprudenciais recentemente anunciadas se inserem em um processo abrangente, que inclui entre seus objetivos, a reversão de estímulos introduzidos para contrabalançar os efeitos sobre a economia brasileira da crise de 2008/2009. Junto a outras, constituem sequência de iniciativas que visa adequar as condições financeiras domésticas ao ambiente pós-crise, caracterizado por intenso contraste entre os cenários prospectivos para os principais blocos econômicos. A esse respeito, ao compartilhar a visão de que a atitude dos bancos em relação à tomada de riscos é um dos canais de transmissão da política monetária, o Copom entende que, a depender das circunstâncias, ações macroprudenciais podem preceder ações convencionais de política monetária.
 
28. A intensidade e a frequência dos choques a que têm sido submetidas tanto a economia global quanto a brasileira nos últimos anos impõem desafios adicionais à análise do cenário prospectivo. O Comitê reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza acima do usual, no qual os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno se circunscrevem essencialmente ao âmbito interno. Por exemplo, os derivados da expansão da demanda doméstica, em contexto de estreita margem de ociosidade dos fatores de produção, embora, no passado recente, observe-se ligeiro declínio na taxa de ocupação da capacidade instalada e certa moderação no dinamismo do mercado de trabalho ex‑administração pública.   
 
29. Em suma, desde a última reunião, no âmbito externo, injeções extraordinárias de liquidez e seus reflexos de certa forma imediatos e generalizados sobre preços de ativos, em especial commodities, apontam menor probabilidade de reversão do ainda lento processo de recuperação em que se encontram as economias do G3. Por outro lado, revelam influência ambígua do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica. No âmbito interno, os efeitos do ajuste na taxa Selic ainda não foram inteiramente incorporados à dinâmica dos preços. Adicionalmente, medidas macroprudencias recentemente anunciadas, um instrumento rápido e potente para conter pressões localizadas de demanda, ainda terão seus efeitos incorporados à dinâmica dos preços. Mesmo assim, desde a última reunião, teve seguimento a materialização de riscos de curto prazo com os quais o Copom trabalhava naquela oportunidade, mas isso ocorreu em magnitude superior a que se antecipava. Embora as incertezas que cercam o cenário global e, em menor escala, o doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de perenidade das pressões recentes, o balanço de riscos atual se mostra menos favorável à concretização de um cenário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas.
 
30. Nesse contexto, avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 10,75% a.a., sem viés. Diante de um cenário prospectivo menos favorável do que o observado na última reunião, mas tendo em vista que, devido às condições de crédito e liquidez, o Banco Central introduziu recentemente medidas macroprudenciais, prevaleceu o entendimento entre os membros do Comitê de que será necessário tempo adicional para melhor aferir os efeitos dessas iniciativas sobre as condições monetárias. Nesse sentido, o Comitê entendeu não ser oportuno reavaliar a estratégia de política monetária nesta reunião e irá acompanhar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
 
31. A demanda doméstica se apresenta robusta, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito. Além disso, embora tendam a arrefecer, impulsos fiscais e creditícios foram aplicados na economia nos últimos trimestres, e ainda deverão contribuir para a consolidação da expansão da atividade e, consequentemente, para que o nível de ociosidade dos fatores se mantenha em patamares baixos. Aos efeitos desses estímulos, entretanto, contrapõem-se os efeitos da reversão de parcela substancial das iniciativas tomadas durante a recente crise financeira de 2008/2009, os das perspectivas pouco favoráveis para a economia global e, especialmente, das recentes iniciativas de caráter macroprudencial. Esses elementos são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vista a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
 
32. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 18 de janeiro de 2011, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 20.223, de 15 de outubro de 2010.
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
33. O IPCA variou 0,83% em novembro, mostrando aceleração do índice relativamente ao resutado de outubro, 0,75%, mas arrefecimento ante o resultado do IPCA-15 em novembro, 0,86%. No ano, o índice apresentou elevação de 5,25% e, no período de doze meses, de 5,64%. Os preços livres aumentaram 1,04% no mês, ante 0,94% em outubro, como resultado da elevação de 1,53% nos preços dos produtos comercializáveis e de 0,60% nos não-comercializáveis. Os preços monitorados variaram 0,33%, comparativamente a 0,30% em outubro. O índice de difusão situou-se em 67,19% em novembro, alcançando média de 61,08% em 2010.
 
34. As taxas mensais e acumuladas em doze meses dos núcleos de inflação do IPCA aceleraram em novembro. O núcleo calculado pelo critério de médias aparadas com suavização variou 0,56%, ante 0,55% no mês anterior, acumulando alta de 5,52% no período de doze meses, ante 5,35% em outubro. O núcleo por exclusão, que exclui dez itens de alimentação no domicílio e os itens relativos a combustíveis de veículos, subiu 0,52% em novembro, ante 0,44% em outubro, acumulando 5,30% em doze meses, ante 5,15% no mês anterior. O núcleo de dupla ponderação variou 0,62% em novembro, ante 0,58% em outubro, acumulando variação de 5,32% em doze meses, ante 5,09% no mês anterior.
 
35. O IGP-M variou 1,45% em novembro, acumulando altas de 10,56% no ano e de 10,27% em doze meses. No mês, houve aceleração nos três componentes do índice. O IPA cresceu 1,84%, ante 1,30% em outubro, sobretudo pela variação mais elevada dos itens bovinos, e carnes, produtos de carnes e pescados, com contribuição conjunta de 0,79 p.p. para o resultado. No período de doze meses encerrado em novembro, o IPA cresceu 12,62%, aumento decorrente da variação de 22,05% nos preços de produtos agropecuários e de 9,59% nos relativos a produtos industriais. O IPC aumentou 0,81% em novembro, ante 0,56% em outubro, com aceleração em quatro dos sete grupos pesquisados, em especial alimentação. No acumulado do ano, até outubro, e, em doze meses, o IPC apresentou variações de 5,13% e 5,34%, respectivamente. O INCC cresceu 0,36% em novembro, ante 0,15% em outubro, com elevação de 6,95% no ano e de 7,16% em doze meses.
 
Atividade econômica
 
36. O IBC-Br cresceu 0,7% em setembro, após cinco meses de relativa estabilidade, segundo dados isentos de sazonalidade. No trimestre terminado em setembro, o IBC-Br apresentou alta de 0,3%, ante o finalizado em junho. Pela série observada, o IBC-Br acumulou alta de 8,9% no ano e de 8% em 12 meses.
 
37. Após quatro meses consecutivos de expansão na margem, as vendas do comércio ampliado registraram recuo de 0,9% em setembro, comparativamente ao mês anterior, segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. O comércio varejista, entretanto, seguiu crescendo no período, com alta pelo quinto mês consecutivo, de 0,4%. Por atividade do comércio, registrou-se aumento em quatro dos dez segmentos pesquisados, comparativamente ao mês anterior, segundo a série com ajuste sazonal, com destaque para as elevações de 5,6% em equipamentos e materiais para escritório e de 2,8% em outros artigos de uso pessoal e doméstico. Entre os segmentos com queda nas vendas, enfatize-se a retração de 1,2% em artigos farmacêuticos e médicos e de 0,8% em veículos e motos, partes e peças. A média das vendas do comércio ampliado realizadas no terceiro trimestre apresentou expansão de 3,5% relativamente ao segundo trimestre.
 
38. Em relação a setembro de 2009, as vendas do comércio ampliado cresceram 5,9%, totalizando expansões de 11,4% no ano e 12% nos últimos doze meses. A análise por segmento evidenciou recuo nas vendas somente no segmento de veículos e motos, partes e peças, relativamente a setembro do ano anterior, de 4%. Entre as atividades com expansão, destacaram-se as vendas relativas a equipamentos e materiais para escritório, 28,5%; material de construção, 16,8%; e outros artigos de uso pessoal e doméstico, 15,8%. No acumulado no ano, foram registradas maiores vendas em todas as atividades consideradas pela pesquisa, em especial, nas relativas a equipamentos e materiais para escritórios, 25,3%; móveis e eletrodomésticos, 18,4%; e material de construção, 16,4%. O resultado do comércio ampliado nos últimos doze meses encerrados em setembro, relativamente a igual período anterior, mostrou, igualmente, crescimento generalizado por atividade, com destaque para os aumentos nas vendas de equipamentos e materiais para escritório, 20,4%; móveis e eletrodomésticos, 16,1%; e veículos e motos, partes e peças, 14,4%.
 
39. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, registraram alta mensal de 4,8% em novembro, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central, com altas generalizadas em todas as categorias. No trimestre encerrado em novembro, houve crescimento de 8,3%, relativamente ao trimestre finalizado em julho, desempenho influenciado especialmente pela alta de 10% nas vendas de automóveis. No acumulado do ano e no período de doze meses finalizado em novembro, as vendas de autoveículos apresentaram elevações respectivas de 10% e 12,6%, com aumentos observados em todos os segmentos, com ênfase em caminhões, comerciais leves e ônibus.
 
40. As importações de bens de capital recuaram 13,2% em outubro, em relação a setembro, de acordo com o índice de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizado pelo Banco Central. Comparativamente a outubro de 2009, houve aumento de 32,7%, e para os acumulados no ano e em doze meses, de 42,1% e 33,2%, respectivamente, em relação a iguais períodos do ano anterior.
 
41. A produção de bens de capital recuou 0,2% em outubro, resultando em queda de 2,4% no trimestre encerrado nesse mês, em relação ao trimestre imediatamente anterior, de acordo com dados com ajustes sazonais da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. Dentre os principais segmentos produtores de bens de capital destacaram-se, em outubro, os recuos na produção de equipamentos para energia elétrica, 4,2%, para fins industriais não-seriados, 3,1%, e máquinas agrícolas, 2,5%. Os principais avanços na produção ocorreram em equipamentos de transporte, 4%, e para fins industriais seriados, 3,9%. No acumulado do ano, a produção de bens de capital aumentou 24%, com ênfase no segmento de bens direcionados para a construção, com variação de 120,8%.
 
42. A produção de insumos típicos da construção civil cresceu 0,8% em outubro, em relação ao mês anterior, segundo a série dessazonalizada pelo Banco Central, registrando variação de 0,2% no trimestre. Ante outubro de 2009, a expansão atingiu 5,2%, enquanto nos acumuados do ano e em doze meses atingiu 12,9% e 12,2%, respectivamente.
 
43. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiram R$140,9 bilhões de janeiro a outubro de 2010, valor 31% superior ao registrado em igual período do ano anterior. O setor industrial absorveu 50% do total dos recursos liberados nos primeiros dez meses de 2010, seguindo-se os segmentos relativos à infraestrutura, 29%; comércio e serviços, 15%; e agropecuária, 6%.
 
44. A produção física da indústria geral cresceu 0,4% em outubro, em relação ao mês anterior, pela série com ajuste sazonal, após variação de 0,1% em setembro, conforme dados da PIM-PF. Com esse resultado, a média do trimestre encerrado em outubro ficou igual à do trimestre anterior. Por categorias de uso, o destaque foi o crescimento mensal de 2,8% na produção de bens de consumo duráveis, enquanto os demais apresentaram ligeiro declínio. Consideradas as 26 atividades da indústria, doze apresentaram aumentos na comparação mensal. No trimestre encerrado em outubro, os principais aumentos foram registrados em edição, impressão e reprodução (8%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar (6,5%), e outros equipamentos de transporte (3,8%). Os segmentos com os maiores recuos foram material eletrônico e equipamento de comunicação (-14,5%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos ( -6,5%), e metalurgia básica (-6,1%).
 
45. Em relação a outubro de 2009, a produção industrial cresceu 2,1%, com especial ênfase na elevação da produção de bens de capital, 6%, seguida pela de bens intermediários, 3,2%, e de bens de consumo semi e não duráveis, 1,5%, enquanto bens de consumo duráveis registrou recuo de 4,9%. Considerados períodos de doze meses, a indústria apresentou expansão de 11,8% em outubro, em relação a igual intervalo do ano anterior, sobressaindo os aumentos de produção na indústria de bens de capital, 21,1%; bens de consumo duráveis, 15,4%; e de bens intermediários, 12,8%.
 
46. O Nuci na indústria de transformação, calculado pela FGV, alcançou 84,5% em novembro, com queda de 0,7 p.p. em relação ao registrado em outubro e alta de 1,6 p.p. relativamente a novembro de 2009. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a elevação da taxa de utilização da capacidade refletiu, sobretudo, o resultado apurado para a categoria de bens de capital, que passou de 77,9% para 84,8% em novembro deste ano. As indústrias de bens intermédiários e de material de construção registraram alta, de 2 p.p. e 1,9 p.p., respectivamente, enquanto a de bens de consumo apresentou redução de 0,7 p.p. Na comparação com o mês anterior, bens de capital elevou-se em 1,2 p.p., bens de consumo e material de construção permaneceram estáveis e bens intermediários caíram 0,5 p.p.
 
47. A produção de autoveículos atingiu 321,1 mil unidades em novembro, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), montante 0,1% maior que o de outubro, considerados dados ajustados sazonalmente pelo Banco Central. A produção do setor registrou crescimentos de 10,2% em relação a novembro de 2009, 14,6% no acumulado no ano e 19,2% no período de doze meses finalizado em novembro.
 
48. As vendas de autoveículos pelas montadoras aumentaram 1,7% em novembro, em relação ao mês anterior, segundo a série dessazonalizada, e 14,6%, em relação a novembro de 2009. No acumulado do ano e em doze meses, as vendas de autoveículos registraram crescimento de 14,3% e 17,2%, respectivamente, refletindo expansão tanto do mercado interno, 4,3% e 7,8%, como do externo, 73% e 68,4%, nessa ordem.
 
49. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de outubro, do IBGE, projetou a safra de grãos de 2011 em 144,5 milhões de toneladas, 2,8% menor que a obtida em 2010. Destaque-se que nessa projeção os rendimentos médios esperados para o milho e a soja, que seguem as respectivas médias dos últimos anos, estão inferiores aos verificados em 2010, recordes históricos para esses produtos. A projeção da área total a ser colhida apontou aumento de 1,7%, para 47,4 milhões de hectares.
 
Expectativas e sondagens
 
50. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), considerados dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV, de abrangência nacional, aumentou 2,7% entre outubro e novembro de 2010, alcançando 125,4 pontos, novo recorde histórico. O resultado refletiu os aumentos de 4,5% no Índice da Situação Atual (ISA) e 1,5% no Índice de Expectativas (IE). O ICC cresceu 9,3% em relação a novembro de 2009, resultado de elevações de 19,8% no ISA e de 3% no IE.
 
51. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), da FGV, diminuiu 1,1% em novembro, em relação a outubro, situando-se em 112,7 pontos, considerados dados com ajuste sazonal, menor patamar desde novembro de 2009. O comportamento do índice refletiu, com maior intensidade, a diminuição do otimismo em relação aos meses futuros, tendo o IE apresentado queda de 1,9%, enquanto o ISA recuou 0,3%. O ICI registrou alta de 2,9% em relação ao mesmo mês de 2009, em decorrência do aumento de 5,8% no ISA e do recuo de 0,3% no IE.
 
52. O Índice de Confiança de Serviços (ICS), da FGV, caiu 0,3% entre novembro e outubro, após recuo de 0,9% no mês anterior, refletindo a queda de 2,5% no Índice da Situação atual (ISA-S), atenuada pelo aumento de 1,8% no Índice de Expectativas (IE-S). Em relação a novembro de 2009, o ICS cresceu 2,7%. O trimestre encerrado em novembro registrou alta de 0,4% no ICS, relativamente ao trimestre imediatamente anterior.
 
Mercado de trabalho
 
53. Segundo o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criadas 204,8 mil vagas de trabalho em outubro, representando crescimento de 0,4% em relação às novas vagas registradas em setembro, considerados dados dessazonalizados. No acumulado do ano o saldo atingiu 2.406,2 mil, o maior já registrado para os dez primeiros meses do ano, desde o início da série, em janeiro de 1985, com recordes de contratação no setor de serviços, 860,3 mil; na indústria de transformação, 647,2 mil; no comércio, 373,9 mil; e na construção civil, 341,6 mil. Para o período considerado, as variações na geração de emprego, por setor de atividade foram, na ordem, 5,6%; 6,1%; 6,2% e 14%, em relação a igual período de 2009. Em outubro, destacaram-se as contrações do setor de serviços, 86,2 mil; e do comércio, 81,3 mil. De novembro de 2009 a outubro de 2010, foram gerados 2.237,7 mil empregos formais.
 
54. A taxa de desemprego aberto diminuiu pelo quinto mês consecutivo, atingindo 6,1% em outubro, menor taxa histórica, representando redução de 0,1 p.p. em relação ao mês anterior e de 1,4 p.p. em relação a outubro de 2009, de acordo com a PME do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país. Considerados dados dessazonalizados, a taxa de desemprego situou-se em 6,3%, 0,1 p.p. menor que a observada em setembro, refletindo aumento de 0,4% na ocupação e de 0,3% na População Economicamente Ativa (PEA). Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores foi o maior registrado desde o início da pesquisa, com aumento de 0,3% em relação a setembro, e de 3,4% no acumulado no ano, contribuindo para as expansões de 1,4% e 7,1% da massa salarial nos mesmos períodos.
 
Crédito e inadimplência
 
55. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.645 bilhões em outubro, correspondendo a 47,2% do PIB, com variações positivas de 1,9% no mês, 16,3% no ano e 20,3% em doze meses. A carteira de recursos livres registrou aumento de 1,6%, 13% e 15,7%, respectivamente, nas mesmas bases de comparação, resultado do crescimento nos saldos das operações com pessoas físicas, de 1,6% no mês, 14,4% no ano e 17,1% em doze meses, e das relativas às operações com pessoas jurídicas, de 1,6%, 11,7% e 14,3%, nessa ordem. Os créditos com recursos direcionados expandiram-se 2,5% no mês, 23,1% no ano e 30% em doze meses, com destaque para os acréscimos respectivos de 2,9%, 40,2% e 51,1% observados nos financiamentos habitacionais e de 2,7%, 22,6% e 32,4% referentes às operações realizadas pelo BNDES.
 
56. A taxa média anual de juros incidente sobre as operações de crédito referencial cresceu 0,3 p.p. em outubro, para 35,4%. As taxas relativas aos segmentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas atingiram 40,4% e 28,7%, respectivamente, registrando variações mensais de 1 p.p. e de -0,3 p.p, respectivamente.
 
57.  O prazo médio das operações de crédito referencial recuou de 458 dias em setembro, para 456 dias em outubro, resultado de quedas respectivas de três e dois dias nos prazos relativos aos segmentos de pessoas físicas e pessoas jurídicas, que atingiram, na ordem, 538 e 383 dias.
 
58. A taxa de inadimplência das operações de crédito referencial, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, ficou estável em 4,7% em outubro, com redução de 1,1 p.p. em doze meses, sendo a mais baixa no período posterior a janeiro de 2009. As taxas relativas às operações com pessoas físicas e pessoas jurídicas mantiveram-se estáveis em 6% e 3,5%, respectivamente.
 
Ambiente externo
 
59. No terceiro trimestre, a atividade econômica mostrou aceleração nos EUA e no Japão e arrefecimento na Zona do Euro e no Reino Unido. Deve-se registrar que para os dois primeiros países a aceleração do PIB foi positivamente influenciada pelo avanço no consumo das famílias, muito embora no Japão esse componente de demanda tenha sido favorecido por subsídios governamentais, já extintos para o setor automotivo, mas ainda em vigor até o final do ano para determinados bens duráveis. Nos EUA, o último Beige Book reportou evidências de melhor desempenho das vendas no varejo em vários distritos, mas permanece apontando um mercado imobiliário residencial deprimido. No mesmo período, a taxa de crescimento interanual do PIB da China desacelerou para 9,6%, ante 10,3% no trimestre anterior. No que se refere à atividade manufatureira, o índice de gerentes de compra (PMI) reportou avanço na produção manufatureira global em novembro, com destaque para os crescimentos nos subíndices emprego e novas encomendas.
 
60. Os preços dos ativos nos mercados financeiros e os das commodities alternaram-se entre movimentos de alta e de baixa. O movimento de alta, em meio à retomada das medidas de ampliação da liquidez nos Estados Unidos, se deveu à melhora nos indicadores de consumo em diversas economias e aos efeitos de adversidades climáticas sobre a oferta (no caso específico das commodities agrícolas). O de baixa refletiu o ressurgimento de temores quanto aos efeitos do aperto monetário na China e quanto à sustentabilidade fiscal de alguns países europeus, cujas incertezas perduram mesmo após o acordo firmado entre a Irlanda, a União Europeia e o FMI. Nesse sentido, o dólar norte-americano, que vinha se depreciando ante outras moedas, passou a valorizar-se em resposta ao crescimento da percepção de risco por parte dos agentes financeiros.
 
61. Menos expostos a flutuações nos preços dos alimentos, devido à composição das cestas de consumo, os índices de preços ao consumidor (IPC) das economias maduras mantiveram comportamento mais estável que os de economias emergentes. A variação anual do IPC atingiu, em outubro, 1,2% nos EUA; 1,9% na Zona do Euro; 3,2% no Reino Unido; e 0,2% no Japão, o primeiro registro de variação positiva desde fevereiro de 2009. Ressalte-se que, nos EUA, a variação anual do núcleo do IPC situou-se em 0,6%, a menor da série, iniciada em 1957. Entre os emergentes, também em outubro, o IPC anual aumentou na Rússia, para 7,5%; na China, para 4,4%; na Coreia, para 4,1%; e no México, para 4%; tendo reduzido na Turquia, para 8,6%.
 
62. Nesse contexto, os bancos centrais dos EUA, da Zona do Euro, do Reino Unido e do Japão mantiveram o caráter acomodatício de suas políticas, tendo o Federal Reserve (Fed) anunciado, em 3 de novembro, um novo afrouxamento quantitativo ao decidir pela compra, até o final do segundo trimestre de 2011, de mais US$600 bilhões em Treasuries de longo prazo, à razão de US$75bilhões por mês. Ressalte-se que, desde a última reunião do Copom, vários bancos centrais, entre os quais os do Chile e da Índia, elevaram suas taxas básicas de juros.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
63. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$312 milhões em novembro, efeito de exportações de US$17,7 bilhões e importações de US$17,4 bilhões. Com esse resultado, o superávit comercial acumulado no ano atingiu US$14,9 bilhões. Na comparação pela média diária, o superávit comercial do ano registrou retração de 35,4% em relação a igual período de 2009, refletindo expansão de 43,9% nas importações e de 30,7% nas exportações. A corrente de comércio cresceu 36,7% no acumulado do ano, passando de US$254 bilhões em 2009 para US$347,1 bilhões em 2010.
 
64. As reservas internacionais atingiram US$285,5 bilhões em novembro, com elevação de US$531 milhões em relação ao estoque de outubro e de US$46,9 bilhões no ano. As compras líquidas do Banco Central no mercado a vista de câmbio totalizaram US$2,4 bilhões no mês, acumulando US$39,3 bilhões nos primeiros onze meses de 2010.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
65. Após a reunião do Copom de outubro, as taxas negociadas no mercado futuro de juros apresentaram elevação para todos os prazos, influenciadas, principalmente, pela divulgação de índices de inflação corrente acima do esperado, pelo aumento das expectativas inflacionárias e por incertezas relacionadas à condução da política fiscal pelo próximo governo. No âmbito externo, a alta das taxas das Treasuries americanas também contribuiu para pressionar as taxas de juros domésticas de longo prazo. Entretanto, a partir de 3 de dezembro, esse movimento de alta da curva de juros foi parcialmente revertido, em razão do anúncio, pelo Banco Central, de medidas macroprudenciais envolvendo elevação dos depósitos compulsórios e aumento do requerimento de capital para operações de crédito. Assim, entre 18 de outubro e 6 de dezembro, as taxas de juros de um, de três e de seis meses elevaram-se em 0,08 p.p., 0,31 p.p. e 0,76 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos de um, de dois e de três anos subiram 0,88 p.p., 0,76 p.p. e 0,70 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 5,68%, em 18 de outubro, para 6,30%, em 6 de dezembro.
 
66. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 19 de outubro a 6 de dezembro, operações compromissadas com prazo de seis meses, tomando recursos no valor total de R$28,3 bilhões. Com isso, o saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo alcançou R$129,2 bilhões. No mesmo período, realizou operações compromissadas com prazos entre treze e trinta e três dias úteis, levando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$201,0 bilhões. O Banco Central atuou ainda em 34 oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com prazos de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$65,2 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central diminuiu de R$402,0 bilhões, entre 31 de agosto e 18 de outubro, para R$395,4 bilhões, entre 19 de outubro e 6 de dezembro. Considerando-se o período mais recente, foi registrada uma redução do saldo diário dos compromissos de recompra no valor de R$49,3 bilhões, passando o estoque total de R$422,9 bilhões, em 18 de outubro, para R$373,6 bilhões, em 6 de dezembro. Os principais fatores condicionantes para a retração da liquidez verificada no período foram: a emissão líquida de títulos pelo Tesouro Nacional, as receitas líquidas da União e a demanda de papel-moeda pelo público.
 
67. Entre 19 de outubro e 6 de dezembro, as emissões de títulos pelo Tesouro Nacional, referentes aos leilões tradicionais, somaram R$39,2 bilhões. A venda de títulos com remuneração prefixada alcançou R$23,5 bilhões, sendo R$21,8 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimentos em 2011 e em 2013 e R$1,7 bilhão em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com vencimentos em 2015, 2017 e 2021. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$11,2 bilhões, com emissão de títulos com vencimentos em 2015 e em 2017. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) foram vendidos títulos com vencimentos em 2013, 2014, 2015, 2016, 2020, 2030, 2040 e 2050, em um montante total de R$4,5 bilhões.