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148ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Comércio exterior e reservas internacionais
Economia mundial
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 26 e 27/01/2010
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (26/01) e do 20º andar (27/01) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h55 (26/01) e 17h (27/01)
Horário de término: 18h55 (26/01) e 18h50 (27/01)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Mário Magalhães Carvalho Mesquita
 
Chefes de Departamento (presentes no dia 26)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 27)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Jose Antonio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Ariosto Revoredo de Carvalho – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
 
Demais participantes (presentes no dia 26)
 
Adriana Soares Sales – Consultora da Diretoria (presente somente no dia 27)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
Fabio Araujo – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Isabela Ribeiro Damaso Maia – Consultora da Diretoria
José de Ribamar Oliveira Júnior – Assessor de Imprensa
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou ligeiramente, de 0,41% em novembro para 0,37% em dezembro. Com isso, a inflação acumulada em 2009 alcançou 4,31%, ficando 1,59 ponto percentual (p.p.) abaixo daquela observada no ano anterior, permanecendo próxima da meta. A queda da inflação, sob esse critério, em 2009, refletiu o comportamento dos preços livres, visto que houve aumento da variação dos itens administrados. Especificamente sobre os preços livres, note-se que tanto os preços de bens comercializáveis quanto os de não comercializáveis mostraram desaceleração, com variações de 2,62% e 5,53% em 2009, respectivamente, ante 6,99% e 7,10% em 2008. Contudo, no caso dos preços de serviços, cuja dinâmica tende a exibir maior persistência do que a dos preços de bens, a inflação acumulada em 2009, 6,37%, pouco se alterou frente à taxa de 6,39% observada em 2008. Evidências preliminares relativas a janeiro apontam inflação ao consumidor em patamar superior ao observado em dezembro. Em síntese, o conjunto das informações disponíveis sugere que a aceleração dos preços observada em 2008 foi superada, em processo liderado pelo comportamento dos preços livres, especialmente de bens, uma vez que a inflação dos preços administrados e dos serviços segue mostrando maior persistência.
 
2. As três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central do Brasil (BCB) tiveram elevação entre novembro e dezembro. O núcleo por exclusão deslocou-se de 0,37% em novembro para 0,46% em dezembro. As medidas de núcleo pelos critérios de médias aparadas com suavização e de dupla ponderação também mostraram elevação (de 0,37% e 0,40% em novembro, para 0,41% e 0,47% em dezembro, respectivamente). As taxas de variação acumuladas em doze meses deslocaram-se de 5,72%, 4,82% e 6,07% em 2008 para 4,73%, 4,35% e 4,74% em 2009, para o índice por exclusão, médias aparadas com suavização e dupla ponderação, respectivamente. Note-se que todas as medidas de núcleo registraram elevação, no critério da variação acumulada em doze meses, frente aos mínimos locais observados em outubro passado e que duas delas se situam acima da meta para a inflação. Cabe notar, adicionalmente, que o índice de difusão do IPCA recuou para 60,2% em dezembro de 2009, ante 61,7% no mesmo mês de 2008.
 
3. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) deslocou-se de 0,07% em novembro para -0,11% em dezembro. No ano, a variação do IGP-DI atingiu -1,43% (9,10% em 2008). Sob esse critério, a desaceleração do IGP-DI manifestou-se em seus três componentes. O principal, o Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), atingiu -4,08% em 2009 (9,80% em 2008). Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) variou 3,95% (6,07% em 2008). Na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 3,25% (11,87% em 2008). No que se refere ao IPA-DI, a desaceleração, sob esse critério de comparação, derivou tanto do comportamento dos preços agrícolas quanto dos industriais. A variação do IPA agrícola atingiu -3,16% (1,64% em 2008), e a dos preços industriais no atacado chegou a -4,43% (12,96% em 2008). Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2009, bem como a revisão de dados anteriores. Os dados mostram retração da atividade, de 1,2%, sob o critério da comparação interanual. Sob a ótica da demanda agregada, houve expansão do consumo das famílias e do governo de 3,9% e 1,6%, na ordem, e decréscimos de 12,5% na formação bruta de capital fixo (FBCF), 10,1% na exportação e 15,8% na importação. A contribuição da absorção doméstica para o crescimento do produto foi negativa em 2,0 p.p. no terceiro trimestre de 2009, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, sobrepondo-se à contribuição positiva de 0,8 p.p. exercida pelo setor externo. Do ponto de vista da oferta agregada, ainda na base interanual, o setor de serviços teve desempenho positivo, com crescimento de 2,1%, frente ao mesmo período de 2008, enquanto os demais registraram contração. O deflator do PIB a preços de mercado deslocou-se de 7,4% no fechamento de 2008 para 5,7% no primeiro trimestre de 2009, 5,4% no primeiro semestre e 4,7% no acumulado do ano, até o terceiro trimestre de 2009.
 
5. A média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, recuou de 1,8% em setembro e em outubro para 1,2% em novembro. Ainda considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês, a produção física da indústria declinou 0,2% em novembro, após dez meses seguidos de expansão. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial exibiu elevação de 5,1%, ante recuo de 3,1% em outubro. O comportamento da série da indústria geral e de seus componentes sugere que o piso da produção ocorreu em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, sendo seguido por recuperação, cujo ritmo continua sendo influenciado pela conjuntura internacional, pelas expectativas das empresas e das famílias, bem como pela distensão das condições financeiras domésticas, amparada, além das fontes de crédito tradicionais, pela recuperação do mercado de capitais e pela ação de instituições financeiras públicas.
 
6. Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, os destaques em novembro foram as indústrias de bens de capital e intermediários, com variações de 6,1% e 2,1%, respectivamente. A produção da indústria de bens de consumo duráveis, fortemente influenciada pelo setor automotivo, registrou declínio de 4,8%, e a de não duráveis e semiduráveis teve recuo de 0,6%. A recuperação do dinamismo da produção industrial foi inicialmente liderada pela produção de bens duráveis, mas vem se tornando mais disseminada, refletindo, em grande parte, medidas de desoneração tributária, bem como distensão nas condições financeiras. O comportamento futuro da produção industrial, que não deve ser uniforme ao longo do tempo, dependerá desses fatores, bem como da evolução da confiança dos consumidores e empresários, mas devem ser fontes de resiliência, aos quais se contrapõe a retomada da demanda externa.
 
7. O mercado de trabalho tem exibido comportamento mais favorável, no qual aspectos benignos predominam em relação a sinais de perda de vigor. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, declinou de 7,5% em outubro para 7,4% em novembro (7,6% em novembro de 2008). Na série dessazonalizada, a taxa atingiu 7,7%, ante 7,8% no mês anterior. O rendimento médio habitual registrou estabilidade pelo segundo mês consecutivo. O emprego, por sua vez, teve elevação de 0,7% em novembro, após redução de 0,3% em outubro, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em consequência, a expansão da massa salarial real atingiu 2,9% frente a novembro de 2008, continuando a constituir fator-chave para a sustentação da demanda doméstica. Ainda sobre o mercado de trabalho, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam recuperação da geração de vagas no setor formal na segunda metade de 2009, em que pese o fechamento, sazonal, de vagas em dezembro. Com isso, foram criados 995 mil postos de trabalho em 2009 (1.452 mil em 2008). A indústria de transformação apresentou saldo positivo no ano: 10,9 mil contratações líquidas. Os setores mais dinâmicos foram o de serviços, com criação de 500,2 mil vagas (alta de 3,9% frente a 2008), o comércio (297,2 mil vagas, crescimento de 3,9% frente ao ano anterior) e a construção civil (177,2 mil postos, elevação de 6,2%); enquanto a agropecuária perdeu 13,6 mil vagas.
 
8. O volume de vendas do comércio ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, teve elevação de 0,6% em novembro, após recuo de 2,6% em outubro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve elevação de 16,4% em novembro, o que resultou em crescimento de 6,0% no ano. A média móvel trimestral da taxa de crescimento do comércio ampliado foi de 0,8% em novembro, na série com ajuste sazonal, após registrar 1,7% em outubro. Na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal, os destaques positivos foram vendas de móveis e eletrodomésticos (5,9%) e material de construção (2,7%); os negativos foram outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,9%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%). Os dados do comércio ampliado vêm, desde o início de 2009, evidenciando recuperação influenciada, principalmente, pela alta nas vendas de duráveis, em resposta a incentivos setoriais concedidos pelo governo e à melhora no acesso ao crédito. Nos próximos trimestres, a trajetória do comércio continuará sendo sustentada pelas transferências governamentais e pelo crescimento da massa salarial real, mas será também afetada pela recuperação nas condições de acesso ao crédito e pela evolução da confiança dos consumidores.
 
9. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), sem ajuste sazonal, registrou 84,2% em dezembro, 3,6 p.p. acima do patamar observado no mesmo mês de 2008. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central, o Nuci apresentou elevação de 81,0% para 81,2% entre outubro e novembro. Por sua vez, o Nuci mensal da FGV com ajuste sazonal atingiu 83,8% em dezembro (82,9% no mês anterior), patamar superior à média observada nos últimos cinco anos. Também no caso da indústria de bens de consumo (em 3,5 p.p.) e material de construção (1,1 p.p.), a taxa de utilização da capacidade já se encontrava em dezembro, em patamares superiores às respectivas médias dos últimos cinco anos. As indústrias de bens intermediários e de bens de capital registravam margem frente à tal média de 2,0 p.p. e 1,7 p.p., respectivamente. A redução da margem de ociosidade tem resultado da expansão da atividade, não integralmente compensada pela maturação de projetos de investimento. Por sua vez, os dados sobre a absorção de bens de capital já mostram quadro de recuperação na comparação com os mesmos períodos de 2008 e forte expansão na margem em novembro (terceiro mês consecutivo de crescimento ante o mês imediatamente anterior). A absorção de bens de capital apresentou alta de 2,3% em novembro, dados isentos de sazonalidade, crescimento de 12,3% em relação a novembro de 2008, mas queda de 13,9% no ano (ambos referem-se a dados observados). Por sua vez, a produção de insumos para a construção civil aumentou 4,2% na margem em novembro, após aumentar 1,2% em outubro, 4,7% em relação a novembro de 2008, com queda de 8% no ano (dados observados). Em síntese, os dados sugerem que as taxas de utilização seguiram se elevando nos últimos meses, evidenciando sensível redução da margem de ociosidade da indústria, acompanhada pela retomada dos investimentos. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento da demanda.
 
10. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses mostrou estabilidade na margem. Sob esse critério, o saldo totalizou US$25,5 bilhões em novembro e deslocou-se para US$25,3 bilhões em dezembro. Esse resultado adveio de US$153,0 bilhões em exportações e de US$127,6 bilhões em importações, com variações de -22,7% e -26,2%, respectivamente, em relação a dezembro de 2008. O maior dinamismo da demanda doméstica frente à externa contribui para o estreitamento do superávit comercial. Já a redução das remessas de lucros e dividendos contribuiu, a despeito do comportamento observado na margem, para conter o déficit em contas correntes acumulado em doze meses, que atingiu US$28,2 bilhões em dezembro de 2008, recuando para US$24,3 bilhões em 2009, equivalentes a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$25,9 bilhões em 2009, equivalentes a 1,7% do PIB.
 
11. O período desde a reunião anterior do Copom foi marcado, inicialmente, pela continuidade do processo de normalização da atividade nos mercados financeiros internacionais e, mais recentemente, por certo aumento na volatilidade dos preços de ativos, ainda que a percepção de risco sistêmico siga limitada. Esses desenvolvimentos podem ser atribuídos ao incremento da incerteza regulatória e à deterioração fiscal em algumas economias maduras, bem como ao início da reversão da forte expansão da liquidez ocorrida em 2009 em economias emergentes. Nessas condições, houve moderação na demanda por ativos de risco, como evidenciado pelo comportamento dos mercados financeiros internacionais. Dessa forma, o dólar americano tendeu a se fortalecer frente às demais moedas, em especial aquelas que tinham experimentado apreciação mais intensa em meses anteriores.
 
12. No que se refere ao cenário macroeconômico global, tendências contracionistas prevaleceram sobre as pressões inflacionárias em 2009, mas a recuperação da atividade econômica parece estar se consolidando. A visão atualmente dominante aponta para recuperação em 2010 e alguma aceleração em 2011, em processo no qual o G3 (Estados Unidos, Europa e Japão) retomaria certo dinamismo, mas que continuaria sendo liderado pelas economias emergentes, mormente da Ásia. Há, contudo, incerteza remanescente quanto à sustentabilidade da expansão do consumo nas economias maduras, em cenário de retirada dos estímulos de política econômica e perspectivas modestas para a expansão do crédito. Por outro lado, em diversas economias emergentes, a atividade econômica parece ter entrado em rota consistente de recuperação, apresentando, em certos casos, evidências de aquecimento em mercados de bens, serviços, fatores de produção e ativos. Sendo assim, os pontos mínimos da inflação nas economias maduras e em importantes economias emergentes foram ultrapassados. Nesse contexto, após um período de flexibilização agressiva, a política monetária, em diversos países, entrou em fase de estabilidade, ao passo que a tendência naquelas economias que foram menos impactadas pela crise internacional e se recuperam mais rápida e intensamente é de adoção de posturas de política monetária mais restritivas.
 
13. Os preços do petróleo spot recuaram desde a última reunião deste Comitê. As cotações nos mercados futuros também retrocederam. A incerteza que envolve essas cotações segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da demanda, em contexto de retomada da economia mundial, da perspectiva de evolução da oferta global, condicionada pelo ritmo de maturação de investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria. Não obstante, a despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2010. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a evolução dos preços internacionais do petróleo pode, eventualmente, se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação. Cabe registrar que os preços de commodities agrícolas, que têm impacto particularmente importante na evolução dos custos alimentares, como trigo, soja e milho, apresentaram quedas desde a reunião anterior do Comitê, ao passo que as cotações de commodities industriais, como alumínio, cobre e níquel, apresentaram elevação.
 
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
14. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) projeta-se reajuste de 0% para a gasolina, assim como para o gás de bujão, para o acumulado em 2010;
b) as projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2010, foram mantidas em 1,6% e 3,3%, respectivamente;
c) a projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2010 foi mantida em 4,0%. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,64% do total do IPCA de dezembro;
d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2011 elevou-se de 4,0% para 4,1%, segundo o cenário de referência. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 30 p.b. e 49 p.b. para o quarto trimestre de 2010 e 2011, respectivamente.
 
15. Em relação à política fiscal, a hipótese de trabalho levada em conta nas projeções é o cumprimento da meta para o superávit primário de 3,3% do PIB em 2010. Considera-se ainda a possibilidade de que esse percentual seja reduzido em até 1,12 p.p., em virtude da implementação dos projetos vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dos quais 0,44 p.p. correspondem à conta de restos a pagar de 2009. Além disso, admite-se que o superávit primário em 2011 retornaria, sem ajustes, ao patamar de 3,3% do PIB. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.
 
16. Desde a última reunião do Copom, a mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2010 elevou-se de 4,48% para 4,60%. Para 2011, a mediana das expectativas de inflação permaneceu no patamar de 4,50%.
 
17. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em 1,80 R$/US$ e da taxa Selic em 8,75% ao ano (a.a.) em todo o horizonte. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2010 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de dezembro, mas ainda se situa ao redor do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2010 recuou ligeiramente, mas permanece ao redor do valor central da meta para a inflação. Para 2011, no cenário de referência, a projeção manteve-se estável em relação ao valor considerado na reunião de dezembro, portanto em torno do valor central da meta, enquanto no cenário de mercado a projeção recuou e se posiciona abaixo do valor central da meta.
 
Implementação da política monetária
 
18. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nos mercados internacionais, a aversão ao risco mostrou certa elevação desde a última reunião do Comitê, ainda que persista uma situação de liquidez abundante. Nesse ambiente, tanto os preços de ativos brasileiros, que vinham favorecendo a distensão das condições financeiras domésticas, quanto os de certas commodities apresentaram declínio. Mesmo assim, cabe notar que as perspectivas para o financiamento externo da economia brasileira seguem favoráveis. Por outro lado, a trajetória dos índices de preços ao produtor evidencia retomada, ainda que incipiente, de pressões inflacionárias externas. Dessa forma, a influência do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica poderia deixar de ser benigna, conquanto persista considerável incerteza sobre o comportamento de preços de ativos e de commodities em contexto de gradativa normalização das condições financeiras internacionais. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados.
 
19. O Copom entende que, a se confirmar a perspectiva de intensificação das pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores, a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação poderia estar se elevando. Nesse contexto, aumentaria também o risco de repasse de eventuais pressões de alta dos preços no atacado para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação. A propósito, o Copom segue monitorando com particular atenção o comportamento das expectativas de inflação, que se elevaram no trecho intermediário do horizonte de projeção desde sua última reunião. Adicionalmente, cabe notar que o comportamento da demanda doméstica poderia exercer certa pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, como os serviços, nos próximos trimestres. De qualquer modo, o Comitê reafirma que continuará conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes.
 
20. O Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes observados para essa variável. O Comitê reafirma que movimentos específicos de preços de ativos só são relevantes para a política monetária na medida em que tenham algum impacto sobre a trajetória prospectiva para a inflação.
 
21. As perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis, como evidenciado pelos dados sobre o comércio, utilização da capacidade na indústria e sobre o mercado de trabalho, bem como pelos sinais de continuidade da expansão da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. A confiança dos consumidores e dos empresários também exibe sinais consistentes de recuperação. Nessas circunstâncias, o ritmo da atividade depende, de forma importante, da evolução da massa de rendimentos reais, dos efeitos das medidas de estímulo fiscal e dos incrementos das transferências governamentais que ocorrerão nos meses à frente. O dinamismo da atividade deverá ser beneficiado também pela distensão das condições financeiras, favorecida, entre outros fatores, pelas políticas dos bancos oficiais. Em suma, os dados mais recentes sobre a atividade econômica no país parecem corroborar a avaliação, expressa em Notas de reuniões anteriores do Comitê, de que as influências contracionistas da crise financeira internacional sobre o dinamismo da economia doméstica e, consequentemente, sobre o contexto no qual atua a política monetária, poderiam se mostrar persistentes, mas não seriam permanentes. Essas ponderações tornam-se ainda mais relevantes quando se leva em conta que as decisões correntes de política monetária terão seus maiores impactos a partir de meados de 2010.
 
22. O Copom entende que os principais riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno derivam, no âmbito externo, de eventual elevação dos preços de commodities; e, no interno, dos efeitos, cumulativos e defasados, da distensão das condições financeiras e do impulso fiscal e creditício sobre a evolução da demanda doméstica, levando-se em conta a dinâmica do consumo e do investimento, em contexto de redução da margem de ociosidade na utilização dos fatores de produção. O balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.
 
23. A evidência internacional, bem como a experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, ao encurtamento dos horizontes de planejamento e, consequentemente, à redução do potencial de crescimento da economia, além de ter efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar que a convergência da inflação para a trajetória de metas observada em 2009 siga sendo registrada em 2010 e 2011. Tal estratégia, cujos resultados estão sendo evidenciados, leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
 
24. O Comitê considera que a acomodação da demanda, motivada pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, bem como pela contração da economia mundial, mostra sinais consistentes de superação, ainda que persista incerteza, que deverá ser dirimida ao longo do tempo, com viés tanto positivo quanto negativo sobre o ritmo de recuperação da atividade. De qualquer forma, nesse quadro de retomada, que é corroborado pelos dados disponíveis até o momento, cabe à política monetária zelar para que as pressões inflacionárias sigam contidas.
 
25. Em suma, o Copom avalia que, diante dos sinais de retomada da demanda doméstica, ocasionando redução da margem de ociosidade dos fatores de produção, evidenciada por indicadores de utilização da capacidade na indústria e do mercado de trabalho, e do comportamento recente das expectativas de inflação, podem aumentar os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória das metas. Nesse ambiente, cabe à política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos.
 
26. Nesse contexto, avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 8,75% a.a., sem viés. O Comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
 
27. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado a suas projeções. Depois de breve contração, a demanda doméstica se recuperou, em grande parte graças aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a retomada do crédito. Por sua vez, importantes estímulos fiscais e creditícios foram aplicados na economia nos últimos trimestres, e deverão contribuir para a consolidação da retomada da atividade e, consequentemente, para a redução na margem residual de ociosidade dos fatores produtivos. Os efeitos desses estímulos devem ser cuidadosamente monitorados ao longo do tempo e serão parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária, que devem assegurar a manutenção da convergência da inflação para a trajetória de metas em 2010 e 2011, serão tomadas.
 
28. Na eventualidade de se verificar deterioração do perfil de riscos que implique alteração do cenário prospectivo traçado para a inflação, neste momento, pelo Comitê, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.
 
29. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 16 de março de 2010, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 18.927, de 9 de outubro de 2009.
 
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
30. O IPCA variou 0,37% em dezembro, ante 0,41% em novembro, acumulando alta de 4,31% em 2009, comparativamente a 5,90% em 2008. A elevação dos preços livres desacelerou de 0,42% em novembro para 0,31% em dezembro, registrando-se aumentos de 0,16% nos preços dos produtos comercializáveis e de 0,45% nos não comercializáveis. Os preços monitorados cresceram 0,51%, ante 0,40% em novembro. O índice de difusão, que se situou em 60,16% em dezembro, apresentou média de 57,53% em 2009, ante 62,83% no ano anterior.
 
31. Os preços livres aumentaram 4,14% em 2009, ante 7,05% em 2008, desaceleração associada, em especial, ao arrefecimento, de 11,12% para 3,18%, registrado na variação dos preços no grupo alimentação e bebidas. Os preços monitorados aumentaram 4,73%, ante 3,27% em 2008.
 
32. As variações de todas as medidas de núcleo apresentaram aceleração em dezembro, em relação ao mês anterior, e desaceleração na comparação anual. A variação do núcleo por exclusão IPCA-EX, que exclui dez itens de alimentação no domicílio e combustíveis, passou de 0,37% em novembro para 0,46% em dezembro. No ano, o indicador variou 4,73%, ante 5,72% em 2008. Considerado o critério de médias aparadas com suavização, a variação mensal atingiu 0,41% em dezembro, ante 0,37% em novembro, acumulando 4,35% em 2009, ante 4,82% no ano anterior. O núcleo de dupla ponderação apresentou crescimento de 0,47% em dezembro, ante 0,40% no mês anterior, totalizando aumento anual de 4,74% em 2009, ante 6,07% em 2008.
 
33. A inflação medida pelo IGP-DI, após atingir 0,07% em novembro, registrou -0,11% em dezembro. Considerados períodos de doze meses, a variação do IGP-DI passou de -1,76%, em outubro e em novembro, para -1,43% em dezembro. A trajetória do IGP-DI em 2009 refletiu, em especial, o comportamento do IPA-DI, que, evidenciando as variações assinaladas nos preços dos bens intermediários, -7,1%; das matérias-primas brutas, -6,13%; e dos bens finais, 1,28%, recuou 4,08% no período. Considerada a origem dos produtos, a retração anual do IPA-DI refletiu as retrações assinaladas nos preços industriais, 4,43%, e agropecuários, 3,16%. O IPC-Br variou 3,95% no ano e o INCC, 3,25%, com os da mão-de-obra aumentando 7,74% e os relativos a materiais, equipamentos e serviços recuando 0,54%.
 
Atividade econômica
 
34. As vendas do comércio ampliado, após recuarem 2,6% em outubro e crescerem 4,7% em setembro, registraram aumento mensal de 0,6% em novembro, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, acumulando aumento de 3,1% no trimestre encerrado em novembro, em relação ao finalizado em agosto. Adicionalmente, o comércio ampliado registrou, em novembro, crescimento de 16,4% em relação a igual mês de 2008, acumulando variação de 6% nos onze primeiros meses do ano.
 
35. O crescimento mensal das vendas em novembro traduziu a ocorrência de resultados positivos em sete dos dez segmentos pesquisados, com destaque para móveis e eletrodomésticos, 5,9%. Entre os segmentos com desempenho negativo, ressalte-se o recuo de 1,9% observado nas vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico.
 
36. A evolução do comércio ampliado em relação a novembro de 2008 traduziu a ocorrência de aumentos generalizados nas vendas em todos os segmentos incluídos na pesquisa, com ênfase nos relativos a veículos e motos, partes e peças, 37,1%; equipamentos e materiais para escritório, 19,2%; móveis e eletrodomésticos, 13,8%; e artigos farmacêuticos e médicos, 12,3%.
 
37. Considerada a comparação entre as vendas realizadas de janeiro a novembro de 2009 e do ano anterior, ocorreram resultados positivos em oito dos dez segmentos pesquisados, com ênfase nos relativos a artigos farmacêuticos e médicos, 12%; equipamentos e materiais para escritório, 11,8%; livros, jornais revistas e papelaria, 9,6%; e veículos e motos, partes e peças, 9,6%. Em sentido inverso, as vendas de material de construção e de tecidos, vestuário e calçados experimentaram recuos respectivos de 7,7% e 4,3%, no período.
 
38. Estatísticas dessazonalizadas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), abrangendo a capital paulista, indicam que o número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e ao sistema Usecheque registraram aumentos mensais respectivos de 2,7% e de 6,4% em dezembro. Esses indicadores assinalaram variações anuais respectivas de -9,3% e 1,2% em 2009.
 
39. As vendas das concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, apresentaram aumento mensal de 2,4% em dezembro, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central. Esse resultado refletiu as expansões respectivas de 5,2% e 3,3% assinaladas nas vendas de caminhões e ônibus, contrastando com os recuos observados nas relativas a automóveis, 0,5%, e a comerciais leves, 2,2%. As vendas totais aumentaram 50,9% em relação a dezembro de 2008, com ênfase nas expansões respectivas de 63,3%, 50,2% e 48,4% observadas nos segmentos comerciais leves, caminhões e automóveis.
 
40. As importações de bens de capital decresceram 7,1% em dezembro, em relação a novembro, de acordo com o índice de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizado pelo Banco Central. O indicador de dezembro recuou 4,1% em relação a igual mês de 2008, acumulando recuo anual de 13%.
 
41. A produção de bens de capital, considerados dados dessazonalizados do IBGE, registrou aumento mensal de 6,1% em novembro, com ênfase nos aumentos assinalados nos segmentos bens de capital para fins industriais, 21,3%; bens de capital para fins agrícolas, 19%; e insumos para a construção civil, 4,2%. Adicionalmente, a produção do setor recuou 2,5% em relação a novembro de 2008, acumulando retração de 20,2% quando considerados os períodos de janeiro a novembro de 2009 e do ano anterior.
 
42. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) totalizaram R$117,5 bilhões nos onze primeiros meses do ano, elevando-se 49,6% em relação a igual intervalo de 2008. A indústria absorveu 45,9% dos desembolsos mencionados.
 
43. A produção da indústria geral registrou recuo mensal de 0,2% em novembro, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. Adicionalmente, a produção da indústria cresceu 5,1% em relação a novembro de 2008, com ênfase no aumento de 26,3% observado no setor de bens de consumo duráveis; enquanto, considerados períodos de doze meses, registrou recuo de 9,7% em relação a igual intervalo do ano anterior, ressaltando-se, nessa base de comparação, o decréscimo de 19,7% assinalado na produção de bens de capital.
 
44. O desempenho mensal da indústria traduziu as expansões assinaladas nos segmentos de bens de capital, 6,1%, e de bens intermediários, 2,1%, contrastando com as retrações observadas nas produções de bens de consumo duráveis, 4,8%, e de bens de consumo não duráveis, 0,6%.
 
45. Os indicadores da CNI revelam a continuidade da expansão, na margem, da atividade industrial em novembro. Nesse sentido, considerados dados dessazonalizados, o faturamento real da indústria de transformação cresceu 1,3% em relação a outubro, enquanto as horas trabalhadas e o emprego assinalaram aumentos respectivos de 2,6% e 0,7%. Considerados os onze primeiros meses do ano, os indicadores mencionados registraram retrações respectivas de 6%, 8,5% e 3,5% em relação a igual período de 2008. O Nuci registrou aumento de 0,2 p.p. no mês e de 0,4 p.p. em relação a novembro de 2008.
 
46. A produção de autoveículos atingiu 251,5 mil unidades em dezembro, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), resultado 160,4% superior ao registrado em igual período de 2008. Considerados dados dessazonalizados, a produção de autoveículos decresceu 0,8% em relação a novembro. Adicionalmente, as produções de autoveículos e de máquinas agrícolas registraram recuos anuais respectivos de 1,2% e 22,3% em 2009.
 
47. As vendas de autoveículos para o mercado interno aumentaram 92,7% em dezembro e 10,4% em 2009, relativamente a iguais períodos de 2008, enquanto suas exportações registraram variações respectivas de 21% e de -35,3%.
 
Expectativas e sondagens
 
48. Segundo pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) aumentou 2,2% em janeiro, em relação a dezembro, situando-se no patamar mais elevado da série. O resultado refletiu os aumentos registrados no Índice das Expectativas do Consumidor (IEC), 2,4%, e no Índice das Condições Econômicas Atuais (Icea), 1,9%. O ICC aumentou 27,5% em relação a dezembro de 2008.
 
49. De acordo com a Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional, o ICC decresceu 2,4% em dezembro, em relação a novembro, considerados dados com ajuste sazonal, resultado dos recuos respectivos de 2,7% e de 2,4% registrados no Índice da Situação Atual (ISA) e no Índice de Expectativas (IE). O ICC aumentou 17,1% em relação a igual mês do ano anterior, período em que ocorreram elevações de 18,6% no ISA e de 16,1% no IE.
 
50. A Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da FGV revelou que o Índice de Confiança dos Empresários Industriais (Icei) atingiu 113,4 pontos em dezembro, patamar mais elevado desde julho de 2008 e 54,2% superior ao observado em igual mês de 2008. Considerados dados dessazonalizados, o indicador aumentou 3,5% em relação a novembro, resultado de elevações de, igualmente, 3,5% no ISA e no IE. Ressalte-se que os componentes do Icei registraram, na ordem, expansões de 45,6% e 64,9%, em relação a dezembro de 2008.
 
Mercado de trabalho
 
51. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, foram eliminados 415,2 mil empregos formais em dezembro, dos quais 166 mil na indústria de transformação e 68,1 mil no setor de serviços, contrastando com a geração líquida de 10,6 mil vagas registrada no comércio. No ano, foram criados 995,1 mil empregos, menor resultado desde 2003, dos quais 500,2 mil no setor de serviços, 297,2 mil no comércio, 177,2 mil na construção civil e 10,9 mil na indústria de transformação.
 
52. Conforme a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país, a taxa de desemprego aberto atingiu 7,4% em novembro, ante 7,3% em outubro e 7,2% em igual período de 2008. O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores recuou 0,1% no mês, acumulando aumento de 3,4% no ano, enquanto a massa salarial registrou crescimentos respectivos de 0,4% e 4,1%, nas bases de comparação mencionadas.
 
Crédito e inadimplência
 
53. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro atingiu R$1.410 bilhões em dezembro, correspondente a 45% do PIB, com expansões de 1,6% no mês e de 14,9% em 2009. As operações com recursos livres aumentaram 0,8% no mês e 9,4% no ano. Entre as operações de crédito com recursos livres, que representam 67,6% do total do sistema financeiro, o saldo das operações com pessoas físicas cresceu 1,2% no mês e 19,4% em 2009, e o das operações com pessoas jurídicas, 0,5% e 1,2%, respectivamente. As operações com recursos direcionados elevaram-se 3,2% em dezembro e 28,4% em 2009.
 
54. A taxa média anual de juros incidente sobre as operações de crédito referencial voltou a cair em dezembro, atingindo 34,3%, a menor taxa desde dezembro de 2007. A taxa anual média das operações com pessoas físicas alcançou 42,7% no mês, ante 43% em novembro, e a referente a pessoas jurídicas, 25,5%, relativamente aos 26% no mês anterior.
 
55. O prazo médio das operações de crédito referencial aumentou em dezembro pelo quarto mês consecutivo, atingindo 389 dias. Nas operações com pessoas jurídicas, o prazo médio alcançou 283 dias e, nas operações com pessoas físicas, 520 dias.
 
56. Em dezembro, a taxa de inadimplência das operações de crédito referencial, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, recuou para 5,6%, após se manter estável por três meses consecutivos em 5,8%. Por segmentos, as taxas relativas às operações com pessoas jurídicas recuaram 0,1 p.p., atingindo 3,8%, e as referentes às pessoas físicas declinaram 0,3 p.p., alcançando 7,8%.
 
57. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, foi negativa em 0,4% em dezembro, revelando que o número de novos registros foi inferior ao de registros cancelados no mês. No ano, a taxa média atingiu 6,9%, ante 6,5% em 2008.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
58. A balança comercial apresentou superávit de US$2,2 bilhões em dezembro, acumulando US$25,3 bilhões em 2009, resultado 1,6% superior ao assinalado em 2008. No ano, as exportações atingiram US$153 bilhões e as importações US$127,6 bilhões registrando retrações respectivas de 22,7% e 26,2% em relação ao ano anterior.
 
59. As reservas internacionais no conceito liquidez, que abrangem linhas com recompra e operações de empréstimo em moedas estrangeiras, alcançaram US$239,1 bilhões em dezembro, superando em US$1,1 bilhão o saldo apurado no mês anterior. No conceito caixa, as reservas totalizaram US$238,5 bilhões em 2009, com aumento de US$1,9 bilhão na mesma base de comparação.
 
Economia mundial
 
60. A sustentação da retomada do crescimento da economia norte-americana e a manutenção do vigor apresentado pelas economias emergentes, em particular nos BRICs e no Sudeste da Ásia, constituem-se em indicativos de continuidade da recuperação da economia mundial em 2010. Contrastando com essa perspectiva, ressaltem-se os indícios de nova estagnação na Alemanha e de aprofundamento das dificuldades fiscais na Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, além de debilidade da demanda interna no Japão.
 
61. Nesse cenário, a recuperação do comércio internacional tem sido sustentada pela economia chinesa que, no quarto trimestre de 2009, voltou a crescer à taxa trimestral anualizada de 10,7%, resultado que tem favorecido a aceleração da atividade nas demais economias do Sudeste Asiático.
 
62. O desempenho da economia chinesa tem exercido desdobramento sobre as cotações das commodities, em especial do petróleo, fator responsável pela mudança no comportamento dos índices de preços (IPC). Nos EUA, Área do Euro, Japão e China, as variações anuais dos IPC atingiram, respectivamente, 2,7%, 0,9%, -1,9%, e 1,9% em dezembro último, ante -2,1%, -0,7%, -2,2% e -1,8% em julho de 2009. Apesar da inflexão do processo deflacionário, as expectativas continuam ancoradas nas economias do G3, onde a ociosidade dos fatores de produção segue intensa. Nessas economias, em que a inflação não se constitui em risco relevante no curto e médio prazos, as autoridades monetárias vêm mantendo as taxas de juros inalteradas. Diversamente, na China, atento às expectativas inflacionárias e à especulação no mercado imobiliário, o governo iniciou um processo de redução da liquidez no sistema financeiro por meio da elevação dos juros de referência para os títulos de três meses e de um ano, e aumentou, pela primeira vez desde meados de 2008, a taxa do recolhimento compulsório, atualmente em 15%.
 
63. De forma semelhante, em reconhecimento da melhora nas condições gerais dos mercados financeiros, o Federal Reserve (Fed) anunciou que não renovará os acordos de swap de moedas estabelecidos com outros bancos centrais durante o período da crise financeira, e o Banco Central Europeu (BCE) reiterou que continuará encurtando o prazo das operações de refinanciamento de longo prazo, ao anunciar uma última operação de seis meses para março próximo.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
64. Desde a reunião do Copom de dezembro de 2009, as taxas de juros de curto e médio prazo apresentaram ligeira elevação. Esse movimento foi influenciado pela divulgação de dados do nível de atividade econômica e do mercado de trabalho acima do esperado, pelo anúncio de índices de inflação corrente superiores às expectativas e pelo aumento das projeções de mercado para o crescimento do PIB de 2010. Entre 7 de dezembro de 2009 e 22 de janeiro de 2010, as taxas de juros de um, de três e de seis meses elevaram-se, respectivamente, em 0,01 p.p., 0,04 p.p. e 0,27 p.p. As taxas para os prazos de um, dois e três anos subiram 0,25 p.p., 0,15 p.p. e 0,03 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 5,61% em 7 de dezembro para 5,74% em 22 de janeiro de 2010.
 
65. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 8 de dezembro de 2009 a 25 de janeiro de 2010, operações compromissadas de prazo de seis meses, tomando recursos no total de R$32,1 bilhões. Com isso, o saldo diário médio do estoque das operações longas alcançou R$80,8 bilhões. No mesmo período, realizou também operações compromissadas de prazos de 13 a 33 dias úteis, levando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$331,4 bilhões. O Banco Central atuou ainda em 34 oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$77,6 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central subiu de R$469,2 bilhões no período de 20 de outubro a 7 de dezembro para R$489,8 bilhões entre 8 de dezembro de 2009 e 25 de janeiro de 2010. Considerando o saldo diário das operações no período mais recente, foi registrado um aumento dos compromissos de recompra no valor de R$69,3 bilhões, com o estoque total passando de R$444,9 bilhões em 7 de dezembro para R$514,2 bilhões em 25 de janeiro de 2010. O principal fator condicionante da expansão da liquidez verificada no período foi o resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional.
 
66. Entre 8 de dezembro de 2009 e 25 de janeiro de 2010, as emissões do Tesouro referentes aos leilões tradicionais somaram R$50,3 bilhões. A colocação de títulos de remuneração pré-fixada alcançou R$23,7 bilhões, sendo R$17,4 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimentos em 2010, 2011 e 2012 e R$6,3 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com vencimentos em 2013, 2014 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$20,2 bilhões, com emissão de títulos com vencimentos em 2013 e 2015. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos com vencimentos em 2011, 2013, 2014, 2015, 2020, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$6,4 bilhões. O Tesouro Nacional efetuou, ainda, leilões de compra de LTN e NTN-B, que alcançaram R$1,0 bilhão e R$0,1 bilhão, respectivamente.