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143ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 09 e 10/06/2009
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (09/06) e do 20º andar (10/06) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
 
Horário de início: 16h40 (09/06) e 17h40 (10/06)
Horário de término: 18h50 (09/06) e 19h50 (10/06)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria Celina Berardinelli Arraes
Mario Gomes Torós
Mário Magalhães Carvalho Mesquita
 
Chefes de Departamento (presentes no dia 09)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 10)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Jose Antonio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Marcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
 
Demais participantes (presentes no dia 09)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
Eduardo José Araújo Lima – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Fabio Araujo – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da Diretoria
José de Ribamar Oliveira Júnior – Assessor de Imprensa
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se deslocou de 0,48% em abril para 0,47% em maio. Com isso, a inflação acumulada nos primeiros cinco meses de 2009 alcançou 2,20%, patamar 0,68 p.p. inferior àquele observado em igual período do ano anterior. Sob o critério da variação acumulada em doze meses, a inflação recuou de 5,53% em abril para 5,20% em maio (5,90% em dezembro de 2008 e 5,58% em maio de 2008). A queda da inflação, sob esse critério, nos cinco primeiros meses do ano, refletiu o comportamento dos preços livres, visto que houve aumento da variação dos itens administrados. Especificamente sobre os preços livres, note-se que, no acumulado em doze meses, tanto os preços de bens comercializáveis quanto os de não comercializáveis mostraram desaceleração, com variação de 4,96% e 6,31% em maio, respectivamente, ante 6,99% e 7,10% em dezembro (7,09% e 7,70% no mesmo mês do ano anterior). Contudo, no caso dos preços de serviços, cuja dinâmica tende a exibir maior persistência do que a dos preços de bens, a inflação acumulada em doze meses avançou de 6,39% em dezembro passado para 7,23% em maio (5,58% em maio de 2008). Evidências preliminares relativas a junho apontam inflação ao consumidor em patamar inferior ao observado em maio. Em síntese, o conjunto das informações disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado no ano passado vem sendo superado, gradativamente, em processo que deve continuar a ser liderado pelo comportamento dos preços livres, uma vez que a inflação dos preços administrados deve mostrar maior persistência.
 
2. As três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central exibiram elevação nos últimos meses. O núcleo por exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio se deslocou de 0,25% em março para 0,58% em abril e 0,56% em maio. As medidas de núcleo pelos critérios de médias aparadas com suavização e sem suavização também mostraram elevação, com taxas de 0,35% e 0,21% em março, 0,35% e 0,27% em abril e 0,44% e 0,39% em maio, respectivamente. As taxas de variação acumuladas em doze meses deslocaram-se de 6,09%, 4,82% e 4,92% em dezembro para 5,96%, 4,65% e 4,34% em maio, para o índice por exclusão, médias aparadas com e sem suavização, respectivamente, evidenciando convergência para o valor central da meta. Cabe notar, adicionalmente, que o índice de difusão do IPCA recuou de 61,7% em dezembro para 58,9% em maio (ante 71,4% no mesmo mês de 2008).
 
3. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) deslocou-se de -0,84% em março para 0,04% em abril e 0,18% em maio. No acumulado em doze meses, a variação do IGP-DI recuou de 5,86% em março para 4,74% em abril e para 2,99% em maio, ante 12,14% em maio de 2008. Sob esse critério, a desaceleração do IGP-DI tem refletido basicamente o comportamento de seu principal componente, o Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), que recuou de 4,98% em março para 1,18% em maio (15,36% em maio de 2008). Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) variou 5,55% até maio (5,59% em maio de 2008), e, na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 8,98% (8,06% em maio de 2008). No que se refere ao IPA-DI, a desaceleração, sob esse critério de comparação, deriva tanto do comportamento dos preços agrícolas quanto dos industriais. A variação do IPA agrícola atingiu -1,52% (33,65% em maio de 2008), e a elevação dos preços industriais no atacado chegou a 2,24% (9,63% em maio de 2008). Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2009. Os dados mostram contração da atividade, sob o critério da variação acumulada no ano (-1,8%, o mesmo valendo para a comparação interanual). Sob a ótica da demanda agregada, a expansão foi liderada pelo consumo da administração pública, que cresceu 2,7% ante o primeiro trimestre de 2008. A formação bruta de capital fixo (FBCF) teve contração de 14,0%, e o crescimento do consumo das famílias alcançou 1,3%, na mesma base de comparação, sustentado pela massa salarial real. A contribuição da absorção doméstica para o crescimento do produto foi negativa em 1,9 p.p. no primeiro trimestre de 2009, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, sobrepondo-se à contribuição positiva de 0,1 p.p. exercida pelo setor externo. Do ponto de vista da oferta agregada, ainda na base interanual, o setor de serviços teve desempenho positivo, com crescimento de 1,7%, frente ao mesmo período de 2008, enquanto os demais registraram contração. O deflator do PIB a preços de mercado, na comparação interanual, deslocou-se de 7,4% no quarto trimestre de 2008 para 4,7% no primeiro trimestre de 2009.
 
5. A média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, avançou 1,3% em abril, após elevação de 1,6% no mês anterior. Ainda considerando-se a série dessazonalizada, na comparação mês a mês, a produção física da indústria cresceu 1,1% em abril, após expansão de 0,9% em março. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial exibiu recuo de 14,8% em abril, com queda de 11,5% na indústria extrativa e de 15,0% na de transformação. O comportamento da série da indústria geral, e de seus componentes, na margem, com os dados até aqui disponíveis, sugere que o piso da produção ocorreu em dezembro-janeiro, sendo seguido por gradual recuperação. Entretanto, a retomada da atividade industrial continua sendo influenciada pela conjuntura internacional, tanto por seus efeitos sobre as exportações e as condições de crédito, quanto sobre as expectativas das empresas e das famílias.
 
6. Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital avançou 2,6% em abril, após queda de 4,6% em março. No que se refere às demais categorias, a produção de bens intermediários cresceu 1,1% em abril e 0,4% em março; a de não duráveis e semiduráveis teve alta de 0,3% em abril e de 0,8% em março; enquanto a produção de bens de consumo duráveis, fortemente influenciada pelo setor automotivo, teve elevação de 2,7% em abril, seguindo alta de 1,8% em março. A perda de dinamismo da produção de bens de capital no ano reflete a persistência da turbulência financeira internacional e suas consequências sobre a confiança empresarial. Por sua vez, a recuperação, na margem, do dinamismo da produção de bens duráveis reflete, em grande parte, medidas de desoneração tributária, bem como certa distensão nas condições de crédito. A trajetória futura da produção industrial dependerá desses fatores, aos quais se contrapõem a deterioração da demanda externa e um processo remanescente de ajuste de estoques.  
 
7. O mercado de trabalho continua registrando indicadores ambíguos, combinando aspectos favoráveis com sinais de perda de vigor. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) deslocou-se de 9,0% em março para 8,9% em abril (ante 8,5% em abril de 2008). Na série dessazonalizada, a taxa reduziu-se em 0,2 p.p, para 8,3%. O rendimento médio habitual registrou alta de 3,2% em abril, comparativamente ao mesmo mês de 2008. O emprego, por sua vez, teve elevação de 0,2% em abril e de 0,9% em março, em relação aos mesmos meses do ano anterior. Em consequência, a expansão da massa salarial real atingiu 5,9% em março e 3,4% em abril, continuando a constituir fator-chave para a sustentação da demanda doméstica. Por sua vez, o emprego na indústria de transformação, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou redução de 3,7% em abril, ante o mesmo mês do ano anterior, com variação positiva em doze meses de 1,7%. Segundo dados do IBGE, em março o pessoal ocupado na indústria teve alta de 0,3% em doze meses e queda de 5,2% comparativamente a março de 2008. Ainda sobre o mercado de trabalho, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que continua ocorrendo alguma recuperação da geração de vagas no setor formal, ainda que aquém do padrão sazonal. Em abril foram abertos 106.205 postos de trabalho (ante saldo positivo de 34.818 em março). Após cinco meses consecutivos de fechamento de postos de trabalho, a Indústria de Transformação apresentou estabilidade em abril. Já o Comércio apresentou saldo positivo após quatro meses de resultados negativos: 5.647 postos abertos.  Por outro lado, a Construção Civil e o setor de Serviços continuaram abrindo vagas nesse mês: 13.338 e 59.279 postos, respectivamente. 
 
8. O volume de vendas do comércio ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, teve elevação de 2,0% em março, seguindo alta de 2,7% em fevereiro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve elevação de 6,5%, o que resultou em crescimento de 3,7% no ano. A média móvel trimestral da taxa de crescimento do comércio ampliado foi 3,4% em março, na série com ajuste sazonal, após registrar 2,7% em fevereiro. Na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal, os destaques positivos foram vendas de veículos e motos, partes e peças (3,9%) e material de construção (3,0%). Os negativos foram móveis e eletrodomésticos (-2,2%) e hiper, supermercados e produtos alimentícios (0,0%). No ano, o crescimento acumulado foi mais expressivo nos segmentos de equipamentos e material para escritório (15,0%) e livros, jornais, revistas e papelaria (12,3%). Após quedas sucessivas nos meses finais de 2008, os dados do comércio ampliado vêm desde o início do ano evidenciando recuperação influenciada, principalmente, pela alta nas vendas de veículos, em resposta a incentivos setoriais concedidos pelo governo e a alguma melhora no acesso ao crédito automotivo. Nos próximos trimestres, a trajetória do comércio continuará sendo sustentada pelas transferências governamentais e pelo crescimento da massa salarial real, cuja evolução deve ser beneficiada pela redução da inflação, mas será também afetada pela recuperação nas condições de acesso ao crédito e pela evolução da confiança dos consumidores.
 
9. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu 79,4% em abril, acima do patamar observado em março, segundo dados da CNI dessazonalizados pelo Banco Central, e 1,22 p.p. acima do mínimo registrado em janeiro. A série dessazonalizada pela própria CNI mostra elevação de 78,8% para 79,2% entre março e abril. Considerando-se a série sem ajuste sazonal, em abril o Nuci situou-se 3,9 p.p. abaixo do patamar registrado no mesmo mês de 2008. Por sua vez, o Nuci mensal sem ajuste sazonal, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve elevação em maio, para 78,7%, 6,9 p.p. abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2008. Essa redução da taxa de utilização da capacidade, na comparação interanual, também se verifica nas indústrias de bens de consumo (-3,4 p.p.), de bens intermediários (-7,7 p.p.), de bens de capital (-14,7 p.p.) e de material de construção (-5,7 p.p.). A redução dos indicadores de utilização compilados pela CNI e pela FGV, na comparação interanual, parece resultar de combinação da maturação de projetos de investimento com a acomodação da atividade e sinaliza sensível ampliação da margem de ociosidade da indústria. Relativamente à absorção de bens de capital, os dados mostram quadro de retração na comparação com os mesmos períodos de 2008 e expansão na margem. A absorção de bens de capital apresentou elevação de 5,1% em abril, segundo dados dessazonalizados, e queda de 23,3% na comparação com abril de 2008, no que se refere a dados observados. Por sua vez, a produção de insumos para a construção civil vem mostrando relativa estabilidade desde fevereiro e acumula queda de 10,6% no ano. Em síntese, as evidências sugerem que ocorreu redução das pressões de demanda sobre a capacidade produtiva da indústria, embora as das taxas de utilização tenham se elevado nos últimos meses. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento à demanda.
 
10. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses recuou na margem. Sob esse critério, o saldo totalizou US$27,1 bilhões em abril e reduziu-se para US$25,6 bilhões em maio. Esse resultado adveio de US$181,4 bilhões em exportações e de US$155,7 bilhões em importações, com crescimento de 5,1% e 10,6%, respectivamente, em relação a maio de 2008. O ajuste de preços relativos e a acomodação do ritmo de expansão da demanda doméstica contribuem para a recuperação do superávit comercial, mas a piora dos termos de intercâmbio atua na direção oposta. Já a redução das remessas de lucros e dividendos vem contribuindo para conter o déficit em transações correntes, que atingiu US$28,2 bilhões em dezembro de 2008, recuando para US$19,8 bilhões em abril, equivalentes a 1,4% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos totalizam, nos doze meses até abril, US$41,1 bilhões, equivalentes a 2,9% do PIB.
 
11. O período desde a reunião anterior do Copom foi marcado pela diminuição do estresse nos mercados financeiros internacionais, com origem nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa, mas cujas repercussões sobre as economias emergentes vinham sendo significativas. Ações governamentais inéditas por parte de autoridades americanas e européias, utilizando ampla gama de instrumentos, com vistas a assegurar condições mínimas de funcionamento e liquidez nos mercados monetários, conseguiram moderar a percepção de risco sistêmico. Nesse ambiente, continuam a ser registrados sinais de redução na aversão ao risco, mas o retorno da confiança permanece frágil e sujeito a reversões. A diminuição da aversão ao risco e da escassez de fluxos de capitais, bem como certa preocupação entre os investidores quanto à situação fiscal nos EUA, continuou ensejando movimento de recuperação das moedas, de economias emergentes e maduras, ante o dólar americano.
 
12. No que se refere ao cenário macroeconômico global, tendências contracionistas prevalecem sobre as pressões inflacionárias. A visão atualmente dominante aponta para contração da economia mundial em 2009, com recuperação apenas em 2010. As projeções consensuais apontam para retração intensa da atividade nos EUA, na Europa e no Japão (o G3), que não seria totalmente compensada pelos bolsões de dinamismo econômico existentes nas economias emergentes, mormente na Ásia. Há evidências de que a atividade econômica no G3 poderia estar se estabilizando, com alguma melhora da renda disponível e da demanda por duráveis nos EUA e recuperação da confiança dos empresários na Europa e das exportações reais no Japão. Entretanto, os problemas do sistema financeiro internacional continuam sendo agravados por deterioração cíclica na qualidade do crédito, centrada nos EUA e na Europa, o que tende a reforçar a contração das condições financeiras e, por conseguinte, o risco de nova intensificação da desaceleração. Nas economias maduras, em que a ancoragem das expectativas de inflação é mais forte e a atividade econômica vem se enfraquecendo consideravelmente e há mais tempo, as pressões inflacionárias têm mostrado redução rápida. Também nas economias emergentes o processo de desinflação parece ter ganhado dinamismo, em que pese maior persistência da dinâmica inflacionária. Nesse contexto, ao mesmo tempo em que as políticas monetárias adquiriram caráter fortemente expansionista, calcada em instrumentos não convencionais, nas economias maduras, nas economias emergentes a postura expansionista tem sido mais moderada. Paralelamente, as autoridades nos EUA, na Europa ocidental e na Ásia vêm anunciando uma série importante de iniciativas voltadas a sustentar a atividade por meio de estímulos fiscais, o que poderia contribuir para gradual retomada econômica. Note-se, contudo, que as estimativas sobre os custos fiscais dos pacotes de estímulo macroeconômico e de apoio ao setor financeiro vêm se elevando, o que tem suscitado pressões sobre a classificação de risco de diversos créditos soberanos, até mesmo em economias avançadas. O acúmulo de sinais de que a economia mundial estaria próxima de uma inflexão, bem como a deterioração das finanças públicas, têm resultado na elevação da estrutura a termo de taxas de juros em grandes economias maduras.
 
13. Os preços do petróleo mostraram elevação importante ante os patamares observados por ocasião da última reunião deste Comitê. As cotações nos mercados futuros também mostraram elevação significativa. A incerteza que envolve essas cotações segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da demanda, especialmente nas economias emergentes, da perspectiva de evolução da oferta global, condicionada pelo ritmo de maturação de investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria. Não obstante, a despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços domésticos da gasolina inalterados no restante de 2009. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a evolução dos preços internacionais do petróleo pode eventualmente se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, ou sobre os custos de transporte para a indústria, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação. Cabe registrar que os preços de commodities agrícolas, que têm impacto particularmente importante para evolução dos custos alimentares, como trigo, soja e milho, registraram elevações importantes desde a reunião anterior do Comitê.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
14. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) as projeções para os reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão foram mantidas em 0%, para o acumulado de 2009, assim como na reunião do Copom de abril;
b) no tocante às projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2009, a primeira foi mantida no mesmo percentual considerado na reunião de abril (5,0%), enquanto a segunda foi reduzida para 4,7%;
c) a projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2009 reduziu-se para 4,8%, ante os 5,0% considerados na reunião de abril. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,55% do total do IPCA de maio;
d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2010 reduziu-se para 4,5%, ante 4,8% considerados na reunião de abril. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 20 p.b. no quarto trimestre de 2009 e de 61 p.b. no último trimestre de 2010.
 
15. Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de trabalho do cumprimento da meta de superávit primário de 2,5% do PIB em 2009 e de 3,3% para 2010, conforme considerado por ocasião da reunião de abril. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.
 
16. Desde a última reunião do Copom, a mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2009 mostrou estabilidade, passando de 4,30% para 4,33%. Para 2010, as expectativas de inflação mantiveram-se em 4,30%.
 
17. Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em 1,95 R$/US$ e da taxa Selic em 10,25% a.a. em todo o horizonte, a projeção para a inflação em 2009 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril, mas ainda se encontra abaixo do valor central de 4,50% fixado como meta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2009 também se elevou em relação ao valor considerado na última reunião do Copom, mas também se encontra abaixo do valor central para a meta de inflação. Para 2010, no cenário de referência, a projeção elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril, mas ainda se encontra sensivelmente abaixo do valor de 4,50% para a meta de inflação. No cenário de mercado, a projeção de inflação para 2010 mostrou estabilidade e permanece ao redor da meta.
 
Implementação da política monetária
 
18. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. O ritmo de expansão da demanda arrefeceu consideravelmente desde o terceiro trimestre de 2008, em parte em reação ao substancial e generalizado desaquecimento da atividade em outras economias, avançadas e emergentes. Por sua vez, o aumento da aversão ao risco e o aperto das condições de liquidez prevalentes nos mercados internacionais continuam impondo ajuste no balanço de pagamentos, mas mostram abrandamento na margem. De fato, desde a última reunião do Comitê, continuaram se acumulando sinais, ainda que sujeitos a reversão, de redução da aversão global ao risco, com impactos tanto sobre os preços de ativos brasileiros quanto sobre os de commodities, influenciando também as condições financeiras domésticas. Mesmo assim, cabe notar que a trajetória dos índices de preços ainda evidencia redução das pressões inflacionárias externas, especialmente nas economias maduras, mas também em algumas emergentes. Dessa forma, a despeito da recente elevação dos preços de commodities, o efeito líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica segue sendo, até o momento, predominantemente benigno. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados.
 
19. O Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação diminuiu. Os sinais de substancial acomodação da demanda doméstica e de moderação de pressões sobre o mercado de fatores, ainda que permaneçam sujeitos a incertezas, devem ensejar redução do risco de repasse de pressões altistas sobre preços no atacado (que, de resto, vêm mostrando deflação nos últimos meses) para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação. A propósito, as expectativas de inflação para 2009 e 2010 se mantiveram em patamares inferiores ao da meta, desde a última reunião do Copom, e continuam sendo monitoradas com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, segundo indicadores disponíveis, o comportamento da demanda doméstica deverá exercer menos pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, como os serviços, nos próximos trimestres. De qualquer modo, o Comitê reafirma que continuará conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes.
 
20. O Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes observados para essa variável. Tais considerações ganham ainda mais relevância em momentos cercados por mais incerteza. O Comitê reafirma que movimentos específicos de preços de ativos só são relevantes para a política monetária na medida em que tenham algum impacto sobre a trajetória prospectiva para a inflação.  
 
21. As perspectivas para a evolução da atividade econômica mostraram melhora desde a última reunião do Copom, ainda que os dados sobre a indústria sigam em parte refletindo processo de redução de estoques e acomodação da demanda externa. Diante dos efeitos da crise internacional sobre as condições financeiras internas, a contribuição do crédito para a sustentação da demanda doméstica arrefeceu de forma intensa, mas há sinais de recuperação, em especial no que se refere aos empréstimos para pessoas físicas. A severidade da crise internacional exerceu influência negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários, mas também nesse caso há sinais de recuperação. Nessas circunstâncias, a retomada da atividade depende de forma importante da evolução da massa salarial real e dos efeitos dos incrementos das transferências governamentais que devem ocorrer neste ano, mas deverá ser beneficiada também pela gradual distensão das condições financeiras. Note-se, em resumo, que as influências contracionistas da crise financeira internacional sobre o dinamismo da economia doméstica e, consequentemente, sobre o contexto no qual atua a política monetária, podem se mostrar persistentes, mas, como sugere o comportamento recente dos mercados de capitais (ainda que sujeito a reversão), bem como certos indicadores econômicos, não serão permanentes. Essas ponderações tornam-se ainda mais relevantes quando se leva em conta que as decisões correntes de política monetária terão impactos concentrados nos meses finais de 2009 e, particularmente, em 2010.
 
22. O Copom entende que a perda de dinamismo da demanda doméstica gerou ampliação da margem de ociosidade da utilização dos fatores, ocasionando redução das pressões inflacionárias. Por outro lado, os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno derivam, no curto prazo, da atuação de mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no passado, como evidencia o comportamento dos preços dos serviços e de itens monitorados desde o início do ano, bem como, a persistir, da tendência recente de elevação dos preços de commodities. No médio prazo, o risco para a trajetória inflacionária advém dos efeitos, cumulativos e defasados, da distensão das condições financeiras sobre a evolução da demanda doméstica em contexto de gradual retomada da utilização dos fatores de produção. O balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.
 
23. A evidência internacional, bem como a experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, ao encurtamento dos horizontes de planejamento e, consequentemente, à redução do potencial de crescimento da economia, além de ter efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar que a inflação retorne à meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN, em 2009, e mantê-la em patamar consistente com a trajetória de metas em 2010. Tal estratégia, que terá seus resultados evidenciados ao longo do tempo, leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
 
24. O Copom avalia que, diante dos sinais de arrefecimento do ritmo de atividade econômica, no que se refere, por exemplo, aos indicadores de produção industrial, ao mercado de trabalho e às taxas de utilização da capacidade na indústria, bem como à confiança de empresários e consumidores, e ao comportamento das expectativas de inflação para horizontes relevantes, continuaram se consolidando as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas. A propósito, essa evolução do cenário prospectivo manifesta-se nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê e nas expectativas de inflação preparadas por analistas independentes. Assim, a despeito de haver margem residual para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas.
 
25. O Comitê entende que o desaquecimento da demanda, motivado pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, ainda que nos dois casos se observe melhora na margem, bem como pela contração da economia global, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção, que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica. Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias. Por outro lado, o Copom assinala que a expressiva flexibilização da política monetária implementada desde janeiro terá efeitos cumulativos, que serão evidenciados após certa defasagem temporal, sobre a economia.
 
26. O Comitê avalia que decisões sobre a evolução da taxa básica de juros têm que levar em conta a magnitude do movimento total realizado desde janeiro, cujos impactos sobre diversos indicadores econômicos ficarão evidentes ao longo do tempo. Sendo assim, alguns diretores consideraram que seria apropriado, nestas circunstâncias, reduzir imediatamente o ritmo de flexibilização monetária, implementando de forma mais suave a parte remanescente do processo de ajuste. Contudo, a maioria do Copom, avaliando as projeções de inflação, que já incorporam a magnitude do movimento realizado desde janeiro, optou, neste momento, por manter o ritmo de ajuste. Note-se, por outro lado, que na reunião houve convergência entre os membros do Comitê quanto às estimativas, tendo em vista as informações até aqui disponíveis, do espaço existente para distensão residual, que depende do cenário prospectivo para a inflação frente à trajetória das metas e do balanço dos riscos associado a este cenário. O Copom entende, também, que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia sob um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo.
 
27. Nesse contexto, tendo em vista as perspectivas para a inflação em relação à trajetória de metas, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,25% a.a., sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,75 p.p. Levando em conta que mudanças da taxa básica de juros têm efeitos sobre a atividade econômica e sobre a dinâmica inflacionária que se acumulam ao longo do tempo, o Comitê concorda que qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa. O Copom acompanhará atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação até a sua próxima reunião, para então definir os próximos passos da estratégia de política monetária.
 
28. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. Depois de longo período de expansão, a demanda doméstica passou a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica, a despeito da persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda. Adicionalmente, cabe registrar que as expectativas inflacionárias para 2009 e 2010 continuam em patamar consistente com a trajetória das metas. Note-se, também, que a desaceleração da economia global tem gerado pressões baixistas sobre os preços industriais no atacado. Nesse ambiente, a política monetária pôde ser flexibilizada de maneira expressiva desde janeiro sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas. Na eventualidade de se verificar deterioração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.
 
29. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 21 de julho de 2009, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 17.327, de 27/8/2008.
 
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
30. O IPCA variou 0,47% em maio, indicando recuo diante do IPCA-15 (0,59%) e estabilidade relativamente ao IPCA de abril (0,48%). Em doze meses até maio, o IPCA acumulou alta de 5,20%, ante 5,53% até abril, somando, no ano, 2,20%. O resultado de maio foi influenciado pela alta dos grupos despesas pessoais (1,57% ante 2,14%, com contribuição de 0,16 p.p. para o índice) e alimentação e bebidas (0,44% ante 0,15%, 0,10 p.p.).
 
31. Os preços livres registraram aceleração, variando 0,54% no mês, ante 0,47% em abril, enquanto os preços monitorados passaram de 0,51% para 0,30% no mesmo período. Em doze meses, os preços livres acumularam variação de 5,67% ante 6,17% até abril, enquanto nos monitorados a alta atingiu 4,09% ante 4,05% no mês anterior. O índice de difusão situou-se em 58,85%, ante 56,77% em abril.
 
32. O núcleo por exclusão de alimentos no domicílio e de preços monitorados variou 0,56% em maio, ante 0,58% em abril, acumulando alta de 5,96% em doze meses, ante 6,08% no mês anterior. O núcleo pelo critério de médias aparadas com suavização registrou taxa de 0,44%, ante 0,35% em abril, acumulando alta de 4,65% em doze meses, ante 4,71% no mês anterior. Pelo critério de médias aparadas sem suavização, o indicador variou 0,39% em maio, ante 0,27%, e acumulou em doze meses 4,34%, ante 4,50% no mês anterior.
 
33. O IGP-DI variou 0,18% em maio, ante 0,04% em abril, acumulando queda de 0,73% no ano e alta de 2,99% em doze meses. O Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou variação negativa de 0,10% em maio, refletindo o aumento de 0,58% nos produtos agropecuários e a queda de 0,32% nos industriais. Em doze meses, o IPA cresceu 1,18%, com aumento de 2,24% nos produtos industriais e queda de 1,52% nos produtos agrícolas. Ressalte-se a expressiva e contínua desaceleração do IPA, consideradas as variações acumuladas em doze meses, desde outubro de 2008, quando acumulava 14,72%. O IPC-Br apresentou desaceleração, ao passar de 0,47% em abril para 0,39% em maio, acumulando alta de 5,55% em doze meses. O INCC variou 1,39% em maio, ante -0,04% em abril, acumulando 8,98% em doze meses. O núcleo do IPC-Br situou-se em 0,37% no mês, ante 0,36% em abril, acumulando 4,24% em doze meses. 
 
Atividade econômica
 
34. Segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o comércio ampliado registrou aumento de 2% em março, comparativamente ao mês anterior, após altas de 2,7% em fevereiro e de 5,5% em janeiro. Com esses resultados, a média do trimestre apresentou expansão de 7,4% relativamente ao trimestre encerrado em dezembro. A elevação observada em março refletiu o acréscimo nas vendas em nove dos dez segmentos pesquisados, destacando-se o desempenho de veículos e motos, partes e peças, alta de 3,9% na comparação mensal em resposta a incentivos setoriais concedidos pelo governo, o que possibilitou ao segmento retornar ao patamar de vendas de setembro de 2008. As vendas de materiais de construção aumentaram 3%, registrando expansão pelo segundo mês consecutivo. A única retração mensal ocorreu em móveis e eletrodomésticos (2,2%).
 
35. A comparação entre idênticos meses de 2009 e de 2008 revelou expansão de 6,5% nas vendas do comércio ampliado em março e de 3,7% no acumulado do primeiro trimestre de 2009. Em março, destacaram-se os acréscimos nas vendas dos segmentos equipamentos e material para escritório (18%); veículos e motos, partes e peças (17,1%); artigos farmacêuticos e de perfumaria (15,2%); e livros, jornais, revistas e papelaria (10,5%). Foi registrado recuo nas vendas de tecidos, vestuários e calçados (8,2%); de material de construção (4,1%); e de móveis e eletrodomésticos (0,9%). No acumulado no ano, os segmentos com melhor desempenho foram equipamentos e materiais para escritório (15%); livros, jornais revistas e papelaria (12,3%); e artigos farmacêuticos e de perfumaria (12,1%). Somente material de construção e tecidos, vestuário e calçados apresentaram retração nas vendas no primeiro trimestre do ano (9,8% e 6,6%, respectivamente).
 
36. Os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referentes à capital paulista, registraram decréscimo de 4% nas consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e elevação de 2% nas relativas ao sistema Usecheque em maio, comparativamente a abril, após ajuste sazonal. Na relação com igual período do ano anterior, esses indicadores registraram quedas respectivas de 17,7% e de 1% em maio, enquanto no acumulado do ano essas variações alcançaram 12,1% e 4,1%.
 
37. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, que incluem automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, recuaram 0,1% em maio, em relação a abril, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) dessazonalizados pelo Banco Central. Na comparação com maio de 2008, as vendas aumentaram 2%, não obstante a queda de 22,9% nas vendas de caminhões. No acumulado no ano, as vendas de autoveículos diminuíram 0,2% ante o mesmo período de 2008, sendo expressiva a retração nas vendas de caminhões (19,9%). No mesmo tipo de comparação, as vendas de automóveis e veículos comerciais leves apresentaram, respectivamente, queda de 0,1% e expansão de 4,9%. 
 
38. Em relação aos indicadores de investimento, as produções de bens de capital e de insumos típicos da construção civil avançaram 2,6% e 0,2% em abril, comparativamente ao mês anterior,  considerando-se dados dessazonalizados. Em comparação ao mesmo período de 2008, esses indicadores revelaram retrações de 29,3% e 11,6%, respectivamente, em abril e de 22,6% e 10,6% no acumulado do ano.
 
39. As importações de bens de capital recuaram 3% em abril, em relação a março, de acordo com os índices de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados pelo Banco Central. O indicador de abril cresceu 10,7% em relação ao do mesmo mês de 2008, acumulando elevação de 2,7% no primeiro quadrimestre de 2009, comparativamente a igual período do ano anterior.
 
40. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, a produção física da indústria registrou o quarto crescimento mensal consecutivo (1,1% em abril), considerando-se a série dessazonalizada, em comparação com o mês anterior, com destaque para os bens de consumo duráveis, particularmente o setor de veículos automotores. Dezesseis das vinte e sete atividades pesquisadas apresentaram elevação na produção mensal, sobressaindo o resultado de fumo (13,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,3%), produtos de metal (6,8%), borracha e plástico (6,7%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (5,2%), e metalurgia básica (5,1%). Todas as categorias de uso registraram aumento nessa base de comparação: bens de consumo duráveis (2,7%); bens de capital (2,6%); bens intermediários (1,1%); e bens de consumo semi e não duráveis (0,3%).
 
41. Em comparação com abril de 2008, a produção industrial diminuiu 14,8%, em decorrência de retrações em todas as categorias de uso: bens de capital (29,3%); bens de consumo duráveis (21,6%); bens intermediários (15,5%); e bens de consumo semi e não duráveis (4,2%). A atividade industrial acumulada nos últimos doze meses encerrados em abril recuou 3,9% em relação ao mesmo período anterior, acentuando a queda em relação a fevereiro e março, quando foram registradas variações negativas de 1% e 1,9%, respectivamente, no mesmo tipo de comparação.
 
42. Indicadores da CNI apontaram suave retração da atividade industrial em abril, relativamente a março, com queda de 1,3% no faturamento real e estabilidade das horas trabalhadas na produção, conforme dados dessazonalizados pelo Banco Central. A utilização da capacidade instalada atingiu 79,4%, com aumento de 0,82 p.p. no mesmo período. Em comparação com abril de 2008, essas variáveis apresentaram decréscimo de 10,7%, 10% e 3,9 p.p., considerada a mesma sequência.
 
43. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de autoveículos alcançou 270,2 mil unidades em maio, resultado 8% inferior ao observado em igual mês de 2008. Considerando-se dados dessazonalizados, a produção de autoveículos diminuiu 0,2% em relação a abril, determinando retração de 14,7% no acumulado do ano, comparativamente a igual período de 2008. No acumulado em doze meses até maio, relativamente a igual período precedente, a produção de autoveículos recuou 6,4% e a de máquinas agrícolas cresceu 3%. As vendas de autoveículos no mercado interno decresceram 4,8% em maio, em relação a igual mês de 2008, acumulando queda de 1,5% em doze meses, enquanto as exportações apresentaram retrações de 33,7% e de 25%, nas mesmas bases de comparação.
 
44. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de fevereiro estimou a safra de grãos de 2009 em 135 milhões de toneladas, ante 134,7 milhões de toneladas previstas em janeiro. A nova estimativa representa queda de 7,5% em relação à produção de 2008. Foram projetadas retrações de 13,8% e de 4,5% nas produções de milho e de soja, respectivamente. Produtos relacionados diretamente com a cesta básica, como arroz e feijão, devem ter suas produções ampliadas em 5,8% e 5,2%, na ordem.
 
45. O IBGE divulgou informações sobre o PIB do primeiro trimestre de 2009. Os dados mostram queda tanto na comparação com o trimestre imediatamente anterior (-0,8%, ante -3,6% no trimestre anterior), quanto no que se refere à comparação interanual (-1,8%, ante 1,3% no trimestre anterior). Na comparação interanual, entre os setores da oferta, apenas serviços registrou crescimento (1,7%). Agropecuária e indústria recuaram, respectivamente, 1,6% e 9,3%. Relativamente aos componentes da demanda, houve expansão do consumo das famílias e do governo de, respectivamente, 1,3% e 2,7%, enquanto a FBCF recuou 14%, resultando em contribuição negativa da demanda interna para o PIB (-1,9 p.p.), após vinte e um trimestres contribuindo positivamente. Adicionalmente, as exportações e as importações recuaram, respectivamente, 15,2% e 16%, resultando em contribuição positiva do setor externo para o PIB (0,1 p.p.), a primeira após doze trimestres.
 
Expectativas e sondagens
 
46. Segundo a pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP), o ICC apresentou elevação de 0,7% em maio, em relação a abril, refletindo, exclusivamente, aumento de 1,2% no Índice das Expectativas do Consumidor (IEC), haja vista a retração de 0,1% no Índice relativo às Condições Econômicas Atuais (Icea). Em relação a abril de 2008, o ICC registrou queda de 14,8%, em decorrência, principalmente, da retração de 24,4% do Icea.
 
47. Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor, de abrangência nacional, elaborada pela FGV, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) elevou-se 1,3% em maio, em relação a abril, após ajuste sazonal. Foi o terceiro mês consecutivo de avanço do índice, revelando tendência de recuperação gradual da confiança do consumidor, com aumento mensal de 1,6% no relativo às expectativas dos consumidores e de 1,1% no referente à situação atual. Em relação a maio do ano passado, o ICC recuou 10,9%.
 
48. Em relação às expectativas no setor fabril, a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da FGV mostrou, em maio, pelo quinto mês consecutivo, expressiva melhora da confiança empresarial, ainda que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) esteja em patamar abaixo do registrado no período imediatamente anterior à crise financeira internacional. O ICI alcançou 89,6 pontos, após ajuste sazonal, com elevação de 5,1 p.p. em relação a abril, resultado das altas de 7,6% no Índice da Situação Atual e de 4,4% no Índice de Expectativas. Segundo a mesma Sondagem, o Nuci atingiu 78,7% em maio, 6,9 p.p. inferior ao nível de maio de 2008. Considerando a série dessazonalizada, o Nuci observado em maio (79,2%) situou-se 0,9 p.p. acima do registrado em abril.
 
Mercado de trabalho
 
49. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, foram criados 106,2 mil postos de trabalho formais em abril, após a abertura de 34,8 mil postos de trabalho em março, totalizando 48,5 mil no acumulado do ano, e 651,7 mil em doze meses. Entre as atividades, serviços e agropecuária foram os segmentos com maior número de contratações líquidas em abril (59,3 mil e 22,7 mil, respectivamente). No setor industrial, foram criados 183 postos de trabalho e apenas no segmento de extrativismo mineral os desligamentos superaram as admissões, em 582 postos. Os dados dessazonalizados mostraram relativa estabilidade do nível de emprego em abril, em relação a março. Na média do primeiro trimestre, esse indicador aumentou 3,2%, influenciado pelas elevações de 8,4% na construção civil, de 4,8% nos serviços e de 4,7% no comércio, enquanto a indústria de transformação recuou 0,9%.
 
50. Conforme a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de desemprego aberto situou-se em 8,9% em abril, com queda de 0,1 p.p. em relação ao mês anterior e alta de 0,4 p.p. ante a taxa verificada em abril de 2008. A diminuição mensal refletiu retração da População Economicamente Ativa (PEA) maior que do nível de ocupação, respectivamente, 76 mil e 40 mil postos. Comparativamente a abril de 2008, o crescimento do desemprego decorreu de elevação superior da PEA, 0,6%, relativamente ao número de ocupados, 0,2%, sendo esta última a menor taxa de crescimento, nessa base de comparação, desde o início da série, em março de 2002. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido caiu 0,2% em relação a março, mas na comparação com igual mês de 2008 apresentou elevação de 3,2%, e acumulou a taxa de 4,7% de expansão dos rendimentos no ano.
 
Crédito e inadimplência
 
51. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro alcançou R$1.248 bilhões em abril, com ampliação de 0,4% no mês e de 22,6% em doze meses. Esse montante representou 42,6% do PIB, ante 41,3% em dezembro e 35,8% em abril de 2008. As operações com recursos livres aumentaram 0,5% no mês e 20,8% em doze meses. Entre as operações de crédito com recursos livres, que representam 70,2% do total do sistema financeiro, o saldo das operações com pessoas físicas cresceu 1,1% no mês e 18,7% em doze meses, enquanto o das operações realizadas com pessoas jurídicas registrou redução de 0,1% no mês e elevação de 22,7% em doze meses. As operações com recursos direcionados cresceram 0,4% no mês e 27,2% em doze meses, com destaque para o aumento de 2,6% nos financiamentos habitacionais no mês.
 
52. As operações de arrendamento mercantil, realizadas por pessoas físicas, continuam o processo de perda de dinamismo na margem, com o crescimento em doze meses desacelerando-se de 116,3% em outubro de 2008 para 64,8% em abril de 2009. Considerada a segmentação por atividade econômica, os saldos dos empréstimos à indústria e ao comércio decresceram, respectivamente, 0,3% e 0,2% no mês, e registraram altas de 26% e 14,1% em doze meses. 
 
53. A taxa média anual de juros ativa, incidente sobre as operações de crédito referencial, declinou para 38,6% em abril, ante 43,3% em dezembro. A taxa anual média das operações com pessoas físicas atingiu 48,8%, 9,1 p.p. abaixo da verificada em dezembro de 2008. Nos empréstimos contratados com pessoas jurídicas, a taxa média situou-se em 28,8%, com recuo de 1,9 p.p. ante dezembro.
 
54. O prazo médio das operações de crédito referencial situou-se em 366 dias em abril, ante 378 dias em dezembro. Nas operações com pessoas jurídicas, o prazo médio recuou de 302 dias em dezembro para 273 dias em abril, enquanto nas operações realizadas com pessoas físicas o prazo médio subiu de 488 dias em dezembro para 491 dias em abril.
 
55. A taxa de inadimplência das operações de crédito referencial, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, atingiu 5,2% em abril, 0,8 p.p. superior a dezembro de 2008. Por segmentos, as taxas relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas alcançaram 2,9% e 8,2%, respectivamente, comparadas a 1,8% e 8% em dezembro.
 
56. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, alcançou 9,7% em maio, ante 9% no mesmo mês do ano anterior.
 
Ambiente externo
 
57. Embora o estresse nos mercados financeiros internacionais tenha-se reduzido, o que se verifica pela redução de indicadores de aversão ao risco, pela alta nos preços das ações, pela retração dos spreads de Credit Default Swaps (CDS) de bancos e de corporações e pelo recuo das taxas de empréstimo interbancário, as condições de operação dos sistemas bancários ainda seguem distantes da normalidade, limitando o acesso ao tomador final de crédito. No campo da atividade econômica, os dados mais recentes já sugerem que o ritmo de contração da atividade econômica global está se reduzindo. Nos EUA, por exemplo, já aparecem sinais de estabilização no consumo das famílias e no mercado imobiliário. No mesmo sentido, o processo de ajuste de estoques, em especial no varejo, tem avançado, abrindo espaço para a recuperação da produção no futuro próximo. Em sentido inverso, a recente alta no preço do barril de petróleo e a contínua ascensão nas taxas de poupança das famílias e de desemprego constituem fatores de risco à recuperação do consumo. A questão essencial para o médio prazo é saber se os sinais positivos emitidos pelos mercados financeiros encontrarão, de fato, sustentabilidade na atividade econômica.
 
58. Quanto à inflação, apesar de alta na margem, em perspectiva anual, o recuo de preços das commodities e a recessão global ainda sugerem redução dos índices de preços ao consumidor (IPC). Nesse sentido, os processos deflacionários em curso, por exemplo, nos Estados Unidos, no Japão e na China, e desinflacionários, por exemplo, no Reino Unido e em grande parte das economias emergentes, ainda devem continuar ao longo de 2009, haja vista a, ainda incerta, recuperação da atividade econômica e o fato de os preços das commodities, em especial do petróleo, permanecerem deprimidos se comparados aos patamares vigentes há um ano. No Japão, as expectativas são que o processo deflacionário perdure por alguns trimestres. Nos EUA, onde se espera que o núcleo da inflação recue para 0% ainda neste ano, o IPC, em deflação anual desde março, acumulou recuo de 0,74% nos doze meses encerrados em abril, período em que o preço da energia perdeu 25,2% de valor. No Reino Unido, o IPC anual acumulou 2,3% em abril, menor valor registrado desde o início de 2008.
 
59. Diante desse cenário, em que sinais de melhora nas bolsas e em certos segmentos dos mercados financeiros ainda coexistem com restrições ao crédito, fragilidade do consumo e inflação em recuo, os bancos centrais das economias maduras, e também das economias emergentes, continuaram aprofundando as medidas que visam ao afrouxamento da política monetária. O Federal Reserve dos EUA e os bancos centrais do Japão, da Inglaterra e da Suíça, que já operam com juros nominais muito próximos de 0%, ampliaram seus programas de compras de títulos públicos ou privados, inclusive com aumento do rol de colaterais aceitos nas operações de financiamento. Já nos bancos centrais da Europa (BCE), do Canadá (BoC) e das economias emergentes, exceção feita ao Banco do Povo da China, país em que a absorção interna tem restringido a ampliação do hiato do produto, o afrouxamento da política monetária tem sido efetuado pela sistemática redução dos respectivos juros básicos. Dessa forma, as taxas de juros básicos do BCE, BoC e dos bancos centrais do Chile, da África do Sul e da Turquia foram reduzidas para 1%, 0,25%, 1,25%, 7,5% e 9,25%, respectivamente.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
60. A balança comercial apresentou superávit de US$2,7 bilhões em maio, elevando para US$9,4 bilhões o resultado acumulado no ano. No mês, as exportações atingiram US$12 bilhões, e as importações, US$9,3 bilhões, com retrações de 37,9% e de 38,7%, respectivamente, em comparação com maio de 2008, consideradas as médias diárias. A corrente de comércio caiu 38,3% em maio, para o mesmo tipo de comparação.
 
61. A redução das exportações em maio foi ampliada pelo efeito de base de comparação, devido ao fato de, em maio de 2008, terem sido regularizadas as estatísticas de exportação em função da greve de auditores fiscais da Receita Federal em março e abril daquele ano. Produtos básicos, semimanufaturados e manufaturados apresentaram, na ordem, contrações de 35,8%, 45,1% e 36,8%, pelas médias diárias. Em relação à retração das importações brasileiras no mesmo período, destaquem-se os recuos nas compras de bens intermediários (40,9%), e de combustíveis e lubrificantes (60,1%), refletindo o arrefecimento da produção industrial doméstica e a diminuição do preço internacional do petróleo e derivados no período
 
62. As reservas internacionais no conceito de liquidez, que abrangem linhas com recompra e operações de empréstimo em moedas estrangeiras, alcançaram US$205,6 bilhões em maio, crescimento de US$4,3 bilhões frente ao apurado no mês anterior. No conceito caixa, atingiram US$195,3 bilhões, com elevação de US$4,7 bilhões na mesma base de comparação.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
63. No período subsequente à reunião do Copom de abril, as taxas de juros futuros apresentaram significativa redução, sobretudo as de menor prazo, refletindo o recuo dos índices de inflação corrente, das expectativas inflacionárias e das previsões de crescimento do PIB. As taxas de médio e de longo prazo seguiram a mesma tendência, influenciadas também por apostas de prolongamento do ciclo de flexibilização da política monetária e pelo aumento do fluxo de aplicações de investidores estrangeiros. A partir de 5 de junho, no entanto, parte do movimento descendente da curva foi revertido, principalmente em seu trecho longo, em reação à elevação da rentabilidade dos títulos do Tesouro norte-americano e à valorização do dólar no mercado internacional, notadamente após a divulgação de dados do mercado de trabalho dos EUA melhores do que o esperado. Entre 27 de abril e 8 de junho, as taxas de juros de um, de três e de seis meses cederam, respectivamente, 0,82 p.p., 0,74 p.p. e 0,71 p.p.. As taxas para os prazos de um, dois e três anos recuaram 0,64 p.p., 0,48 p.p. e 0,30 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, recuou de 5,67% em 27 de abril para 5,17% em 8 de junho.
 
64. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 28 de abril a 8 de junho, operações compromissadas longas, tomando recursos pelo prazo de seis meses, no total de R$15,6 bilhões. O saldo diário médio do estoque das operações de cinco, de seis e de sete meses alcançou R$47,0 bilhões, sendo R$23,9 bilhões relativos às operações de sete meses. No mesmo período, foram realizadas operações compromissadas de vinte e nove dias úteis em 30 de abril, de quinze dias úteis em 4 de maio, de vinte e três dias úteis em 11 de maio, de dezoito dias úteis em 18 de maio e de treze dias úteis em 25 de maio. Essas operações retiraram do mercado R$245,7 bilhões, R$10,5 bilhões, R$10,6 bilhões, R$12,0 bilhões e R$12,0 bilhões, respectivamente, elevando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$272,1 bilhões. O Banco Central atuou ainda em vinte e nove oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com prazos de um e de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$71,0 bilhões no período considerado.
 
65. No dia 28 de abril, o Banco Central efetuou a rolagem parcial dos contratos de swap cambial tradicional vincendos em 4 de maio. A operação alcançou o montante equivalente a US$2,0 bilhões, ou cerca de 35% do respectivo vencimento. Em 5 de maio, a instituição realizou leilão de swap cambial reverso para vencimento em 1º de junho de 2009, com o objetivo de resgatar antecipadamente os contratos de swap cambial tradicional vincendos na mesma data. O montante dessa operação alcançou o equivalente a US$3,4 bilhões. Com isso, a posição líquida do Banco Central em contratos de swap cambial, passiva em câmbio, recuou de US$7,4 bilhões em 27 de abril para cerca de US$315 milhões em 8 de junho, em valores nocionais.
 
66. Entre 28 de abril e 8 de junho, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos leilões tradicionais somaram R$41,9 bilhões. A colocação de títulos de remuneração prefixada alcançou R$24,2 bilhões, sendo R$17,5 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimentos em 2009, 2010 e 2011, e R$6,7 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com vencimentos em 2013 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$15,1 bilhões, com emissão de títulos com vencimentos em 2013 e 2015. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos com vencimentos em 2011, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$2,6 bilhões.
 
67. No mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN com vencimento em outubro de 2009 e em abril de 2010 conjugada à compra de LTN com vencimento em julho de 2009, em um total de R$1,9 bilhão, e leilões de venda de LFT com vencimento em março de 2013 e em março de 2015 conjugada à compra de LFT com vencimento em junho e em setembro de 2009, que somaram R$1,3 bilhão. As vendas de NTN-B liquidadas mediante entrega de outros títulos somaram R$3,6 bilhões e envolveram títulos com vencimentos em 2011, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou, também, leilão de compra de LTN com vencimento em julho de 2009, que alcançou R$2,9 bilhões.