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142ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 28 e 29/04/2009
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (28/04) e do 20º andar (29/04) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
 
Horário de início: 17h50 (28/04) e 17h30 (29/04)
Horário de término: 20h10 (28/04) e 19h40 (29/04)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria Celina Berardinelli Arraes
Mario Gomes Torós
Mário Magalhães Carvalho Mesquita
 
Chefes de Departamento (presentes no dia 28)
Adriana Soares Sales – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 29)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
 
Demais participantes (presentes no dia 28)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
Eduardo José Araújo Lima – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da Diretoria
José de Ribamar Oliveira Júnior – Assessor de Imprensa
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
 
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 0,48% em janeiro e 0,55% em fevereiro para 0,20% em março. Com isso, a inflação acumulada no primeiro trimestre de 2009 alcançou 1,23%, patamar inferior em 0,28 p.p. àquele observado em igual período do ano anterior. Sob o critério da variação acumulada em doze meses, a inflação recuou de 5,90% em dezembro de 2008 para 5,61% em março (4,73% em março de 2008). A queda da inflação, sob esse critério, nos três primeiros meses do ano, refletiu o comportamento dos preços livres, visto que houve aumento da variação dos itens administrados. Especificamente sobre os preços livres, note-se que, no acumulado em doze meses, tanto os preços de bens comercializáveis quanto os de não comercializáveis mostraram desaceleração, com variação de 6,10% e 6,74% em março, respectivamente, ante a 6,99% e 7,10% em dezembro de 2008, embora com aceleração em relação aos patamares observados no mesmo mês do ano anterior. No caso dos preços de serviços, cuja dinâmica tende a exibir maior persistência do que a dos preços de bens, a inflação acumulada em doze meses avançou de 6,39% em dezembro para 6,63% em janeiro e 7,09% em fevereiro, recuando para 6,83% em março (5,11% em março de 2008). Evidências preliminares relativas a abril apontam inflação ao consumidor em patamar superior ao observado em março. Em síntese, o conjunto das informações disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado no ano passado vem sendo superado, gradativamente, em processo que deve continuar a ser liderado pelo comportamento dos preços livres, uma vez que a inflação dos preços administrados deve mostrar maior persistência.
 
2. As três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central exibiram comportamento heterogêneo nos três primeiros meses do ano. O núcleo por exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio avançou de 0,27% em janeiro para 0,88% em fevereiro, refletindo fatores sazonais, e recuou para 0,25% em março. Já as medidas de núcleo pelos critérios de médias aparadas com suavização e sem suavização mostraram menor oscilação, com taxas de 0,42% e 0,44% em janeiro, 0,29% e 0,27% em fevereiro, e de 0,35% e 0,21% em março, respectivamente. As taxas de variação acumuladas em doze meses deslocaram-se de 6,09%, 4,82% e 4,92% em dezembro para 6,02%, 4,85% e 4,64% em março, para o índice por exclusão, médias aparadas com e sem suavização, respectivamente, permanecendo em patamares superiores ao do valor central da meta. Cabe notar, adicionalmente, que o índice de difusão do IPCA recuou de 61,7% em dezembro para 60,2% em março (ante 58,6% no mesmo mês de 2008).
 
3. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) deslocou-se de 0,01% em janeiro para -0,13% em fevereiro e -0,84% em março. No acumulado em doze meses, a variação do IGP-DI recuou de 9,10% em dezembro para 5,86% em março, ante 9,18% em março de 2008. A desaceleração do IGP-DI tem refletido o comportamento de seu principal componente, o Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), que recuou de 9,80% em dezembro para 4,98% em março, no acumulado em doze meses (11,39% em março de 2008). Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) variou 6,32% (4,52% em março de 2008) e, na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 10,66% (6,69% em março de 2008). No que se refere ao IPA-DI, a desaceleração, sob esse critério de comparação, deriva basicamente do comportamento dos preços agrícolas. A variação do IPA agrícola atingiu -0,93% (24,70% em março de 2008), e a elevação dos preços industriais no atacado chegou a 7,22% (6,98% em março de 2008). Note-se que, não obstante os efeitos da depreciação cambial ocorrida desde o terceiro trimestre do ano passado, os preços industriais seguem registrando deflação na margem. Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. A média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, recuou 3,3% em fevereiro, após queda de 6,3% no mês anterior. Ainda considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês, a produção física da indústria cresceu 1,8% em fevereiro, após expansão de 2,2% em janeiro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial exibiu recuo de 17,0% em fevereiro, com queda de 18,8% na indústria extrativa e de 16,9% na de transformação. O comportamento da série da indústria geral, e de seus componentes, na margem, com os dados até aqui disponíveis, sugere que o piso da produção teria ocorrido em dezembro-janeiro. Entretanto, a atividade industrial continua sendo influenciada pela crise internacional, tanto por seus efeitos sobre as exportações e as condições de crédito, quanto sobre as expectativas das empresas e das famílias. Nesse contexto, certos segmentos industriais têm sido levados a ajustar estoques e a reduzir a produção, destacando-se mais recentemente a indústria de bens intermediários. 
 
5. Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital recuou 6,3% em fevereiro, após elevação de 4,9% em janeiro. No que se refere às demais categorias, a produção de bens intermediários cresceu 1,5% em fevereiro e 0,9% em janeiro; a de semiduráveis teve alta de 1,7% em fevereiro e queda de 0,5% em janeiro; enquanto a produção de bens de consumo duráveis, fortemente influenciada pelo setor automotivo, teve elevação de 10,5% em fevereiro, seguindo alta de 36,2% em janeiro. A perda de dinamismo da produção de bens de capital reflete a persistência da turbulência financeira internacional e suas consequências sobre a confiança empresarial. Por sua vez, a recuperação, na margem, do dinamismo da produção de bens duráveis reflete, em grande parte, medidas de desoneração tributária bem como certa distensão nas condições de crédito. A trajetória futura da produção industrial dependerá desses fatores, aos quais se contrapõem a deterioração da demanda externa e o processo de ajuste de estoques acima citado.  
 
6. O mercado de trabalho continua registrando indicadores ambíguos, combinando aspectos favoráveis com sinais de perda de vigor. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) deslocou-se de 8,5% em fevereiro para 9,0% em março (ante 8,6% em março de 2008). Na série dessazonalizada, a taxa elevou-se em 0,2 p.p, para 8,5%. O rendimento médio habitual registrou alta de 4,6% em fevereiro, comparativamente ao mesmo mês de 2008, e de 5,0%, sob esse critério de comparação, em março, graças, em parte, à redução da inflação. O emprego, por sua vez, teve elevação de 1,4% em fevereiro e de 0,9% em março, ante os mesmos meses do ano anterior. Em consequência, a expansão da massa salarial real atingiu 6,6% em janeiro e 6,2% em fevereiro, continuando a constituir fator-chave para a sustentação da demanda doméstica. Por sua vez, o emprego na indústria de transformação caiu 0,9% em fevereiro (após quedas de 0,8% e de 0,9% em janeiro de 2009 e dezembro de 2008, respectivamente), segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, a redução do pessoal empregado atingiu 1,5%, com variação em doze meses de 3%. Segundo dados do IBGE, o pessoal ocupado na indústria caiu 1,3% em fevereiro (após queda de 1,3% em janeiro de 2009 e de 1,9% em dezembro de 2008), na série com ajuste sazonal, acumulando alta de 1% em doze meses e queda de 4,2% comparativamente a fevereiro de 2008. Ainda sobre o mercado de trabalho, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam alguma recuperação da geração de vagas no setor formal a partir de fevereiro, ainda que aquém do padrão sazonal. Em março foram abertos 34.818 postos de trabalho (ante saldo positivo de 9.179 em fevereiro). O setor que mais demitiu em março foi a Indústria de Transformação, que fechou 35.775 postos, seguido pelo Comércio, que habitualmente contrata nesse período, com fechamento de 9.697 vagas. Por outro lado, a Construção Civil e o setor de Serviços abriram vagas nesse mês: 16.123 e 49.280 postos, respectivamente.  O resultado para a Construção Civil foi superior à média dos últimos cinco anos (13.958 vagas).
 
7. O volume de vendas do comércio ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, teve elevação de 2,5% em fevereiro, seguindo alta de 5,3% em janeiro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve elevação de 1,6%, o que resultou em crescimento de 2,2% no ano. A média móvel trimestral da taxa de crescimento do comércio ampliado cresceu 2,6% em fevereiro, na série com ajuste sazonal, após registrar ampliação de 1,1% em janeiro. Na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal, os destaques positivos foram vendas de veículos e motos, partes e peças (4,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,3%). Os negativos foram livros, jornais, revistas e papelaria (-9,1%) e móveis e eletrodomésticos (-1,2%). No ano, o crescimento acumulado foi mais expressivo nos segmentos de equipamentos e material para escritório (13,3%) e livros, jornais, revistas e papelaria (13,1%). Após quedas em outubro, novembro e dezembro, os dados do comércio ampliado para janeiro e fevereiro evidenciam recuperação influenciada, principalmente, pela alta nas vendas de veículos, em resposta a incentivos setoriais concedidos pelo governo e a alguma melhora no acesso ao crédito automotivo. Nos próximos trimestres, a trajetória do comércio continuará sendo sustentada pelas transferências governamentais e pelo crescimento da massa salarial real, cuja evolução deve ser beneficiada pela redução da inflação, mas será também afetada pela evolução nas condições de acesso ao crédito e pelo comportamento da confiança dos consumidores.
 
8. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu 77,8% em fevereiro, abaixo do patamar observado em janeiro, segundo dados da CNI dessazonalizados pelo Banco Central. A série dessazonalizada pela própria CNI mostra estabilidade em 77,8% em janeiro e fevereiro. Considerando a série sem ajuste sazonal, em fevereiro o Nuci situou-se 5,5 p.p. abaixo do patamar registrado no mesmo mês de 2008. Por sua vez, o Nuci mensal sem ajuste sazonal, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), permaneceu estável em março, em 77,0%, 8,2 p.p. abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2008. Essa redução da taxa de utilização da capacidade, na comparação interanual, também se verifica nas indústrias de bens de consumo (-5,1 p.p.), de bens intermediários (-9,6 p.p.), de bens de capital (-15,8 p.p.), e de material de construção (-9,3 p.p.). A redução dos indicadores de utilização compilados pela CNI e pela FGV parece resultar de combinação da maturação de projetos de investimento com a acomodação da atividade e sinaliza sensível ampliação da margem de ociosidade da indústria. Por outro lado, dados sobre a absorção de bens de capital mostram continuidade da retração na margem e na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. A absorção de bens de capital apresentou queda de 6,7% em fevereiro, segundo dados dessazonalizados, e de 25,5% na comparação com fevereiro de 2008, no que se refere a dados observados. Por sua vez, a produção de insumos para a construção civil mostrou estabilidade na margem, em fevereiro, após registrar queda de 0,5% em janeiro, caindo 13,5% em relação a fevereiro do ano anterior. Em síntese, as evidências sugerem que ocorre redução das pressões de demanda sobre a capacidade produtiva da indústria, embora a velocidade de declínio das taxas de utilização tenha se reduzido. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento à demanda.
 
9. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses vem mostrando elevação moderada na margem. Sob esse critério, o saldo totalizou US$23,3 bilhões em janeiro e elevou-se para US$24,2 bilhões em fevereiro e para US$25,1 bilhões em março. Esse resultado adveio de US$190,4 bilhões em exportações e de US$165,3 bilhões em importações, com crescimento de 15,2% e 26,0%, respectivamente, em relação a março de 2008. O ajuste de preços relativos e a acomodação do ritmo de expansão da demanda doméstica contribuem para a recuperação do superávit comercial, mas a piora dos termos de intercâmbio atua na direção oposta. Já a redução das remessas de lucros e dividendos vem contribuindo para conter o deficit em transações correntes, que atingiu US$28,2 bilhões em dezembro de 2008, recuando para US$23,0 bilhões em março, equivalente a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até março, a US$41,6 bilhões, equivalentes a 2,9% do PIB.
 
10. O período desde a reunião anterior do Copom foi marcado pela continuidade do estresse nos mercados financeiros internacionais, com origem nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa, mas cujas repercussões sobre as economias emergentes continuam sendo significativas. Contudo, ações governamentais inéditas por parte de autoridades americanas e européias, utilizando ampla gama de instrumentos, com vistas a assegurar condições mínimas de funcionamento e liquidez nos mercados monetários, têm moderado a percepção de risco sistêmico. Nesse ambiente, há sinais, ainda incipientes, de redução na aversão ao risco, mas o retorno da confiança permanece frágil, haja vista a suscetibilidade do sentimento dos mercados ao fluxo de notícias econômicas e não-econômicas. Mesmo que incipiente, a diminuição da aversão ao risco e da escassez de fluxos de capitais ensejou, nas últimas semanas, movimento de recuperação nas moedas de economias emergentes ante o dólar americano.
 
11. No que se refere ao cenário macroeconômico global, tendências contracionistas prevalecem sobre as pressões inflacionárias. A visão atualmente dominante aponta para contração da economia mundial em 2009, com recuperação apenas em 2010. As projeções consensuais apontam para retração intensa da atividade nos EUA, na Europa e no Japão, que não seria totalmente compensada pelos bolsões de dinamismo econômico existentes nas economias emergentes, mormente na Ásia. Há evidências de que a debilidade mais pronunciada da atividade econômica na Europa e em partes da Ásia devia-se, em importante medida, ao choque negativo de termos de troca ocasionado pela elevação dos preços de commodities em 2008, que foi revertido, propiciando incrementos de renda disponível nessas regiões. Por outro lado, os problemas do sistema financeiro internacional continuam sendo agravados por deterioração cíclica na qualidade do crédito, centrada nos EUA e na Europa, o que tende a reforçar a contração das condições financeiras e, por conseguinte, o risco de intensificação da desaceleração. Nas economias maduras, em que a ancoragem das expectativas de inflação é mais forte e a atividade econômica vem se enfraquecendo consideravelmente e há mais tempo, as pressões inflacionárias têm mostrado redução rápida. Também nas economias emergentes o processo de desinflação parece ter ganhado dinamismo, em que pese maior persistência da dinâmica inflacionária. Nesse contexto, ao mesmo tempo em que as políticas monetárias adquiriram caráter fortemente expansionista nas economias maduras, nas economias emergentes a postura expansionista tem sido mais moderada. Paralelamente, as autoridades nos EUA, na Europa ocidental e na Ásia vêm anunciando uma série importante de iniciativas voltadas a sustentar a atividade por meio de estímulos fiscais, o que poderia contribuir para gradual retomada econômica. Note-se, contudo, que as estimativas sobre os custos fiscais dos pacotes de estímulo macroeconômico e de apoio ao setor financeiro vêm se elevando, o que tem suscitado pressões sobre a classificação de risco de diversos créditos soberanos, até mesmo em economias avançadas.
 
12. Os preços do petróleo continuam voláteis, mas mostraram elevação importante ante os patamares observados por ocasião da última reunião deste Comitê. As cotações nos mercados futuros também mostraram elevação. A incerteza que envolve essas cotações segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da demanda, especialmente nas economias emergentes, da perspectiva de evolução da oferta global, em cenário de incerteza quanto à implementação e maturação de investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria. Não obstante, a despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2009, permanece plausível, mas, a persistir o quadro atual do mercado de petróleo, não parece prudente descartar por completo a hipótese de que ocorra redução de preços. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a redução dos preços internacionais do petróleo, verificada desde o segundo semestre de 2008, pode eventualmente se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação. O comportamento dos preços de commodities agrícolas, que têm impacto particularmente importante para evolução dos custos alimentares, como trigo, soja e milho, foi heterogêneo desde a última reunião do Copom, embora com tendência predominante de alta.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
13. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) as projeções para os reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão foram mantidas em 0%, para o acumulado de 2009, assim como na reunião do Copom de março;
b) no tocante às projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2009, a primeira foi mantida no mesmo percentual considerado na reunião de março (5,0%), enquanto a segunda reduziu-se para 6,3%;
c) a projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2009 reduziu-se para 5,0%, ante os 5,5% considerados na reunião de março. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,56% do total do IPCA de março;
d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2010 encontra-se em 4,8%, assim como na reunião de março. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 22 p.b. no quarto trimestre de 2009 e de 60 p.b. no último trimestre de 2010.
 
14. Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de trabalho do cumprimento da meta de superávit primário de 2,5% do PIB em 2009, ante 3,8% considerados por ocasião da reunião de março. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.
 
15. Desde a última reunião do Copom, houve redução na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2009, que passou de 4,57% para 4,30%. Para 2010, as expectativas de inflação reduziram-se, de 4,50%, coletados às vésperas da reunião de março, para 4,30%.
 
16. Considerando as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em 2,20 R$/US$ e da taxa Selic em 11,25% a.a. em todo o horizonte, a projeção para a inflação em 2009 recuou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março e encontra-se sensivelmente abaixo do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2009 também recuou em relação ao valor considerado na última reunião do Copom e também se encontra sensivelmente abaixo do valor central para a meta de inflação. Para 2010, as projeções de inflação, segundo os cenários de referência e de mercado, mostraram estabilidade em relação aos respectivos valores considerados na última reunião do Copom. No cenário de referência, a projeção se mantém sensivelmente abaixo do valor central de 4,50%, ao passo que, no cenário de mercado, encontra-se em torno desse valor.
 
Implementação da política monetária
 
17. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Os dados disponíveis indicam que o ritmo de expansão da demanda arrefeceu consideravelmente desde o terceiro trimestre de 2008, em parte em reação ao substancial e generalizado desaquecimento da atividade em outras economias, avançadas e emergentes. Por sua vez, o aumento da aversão ao risco e o aperto das condições de liquidez prevalentes nos mercados internacionais observados desde então, ainda que com abrandamento na margem, continuam impondo ajuste no balanço de pagamentos. Contudo, desde a última reunião do Comitê, surgiram sinais, ainda incipientes e sujeitos a reversão, de redução da aversão global ao risco, com impactos tanto sobre os preços de ativos brasileiros quanto os de commodities, influenciando também as condições financeiras. Mesmo assim, cabe notar que a trajetória dos índices de preços, em diversas economias, todavia evidencia significativa redução das pressões inflacionárias externas, especialmente nas economias maduras, mas também em algumas emergentes. Dessa forma, o efeito líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica segue sendo, até o momento, predominantemente benigno. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados.
 
18. O Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação segue diminuindo. Os sinais de substancial acomodação da demanda doméstica e de moderação de pressões sobre o mercado de fatores, ainda que permaneçam sujeitos a incertezas, devem ensejar redução do risco de repasse de pressões altistas sobre preços no atacado (que, de resto, vêm mostrando deflação nos últimos meses) para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação. A propósito, as expectativas de inflação para 2009 e 2010 recuaram desde a última reunião do Copom, para patamares inferiores ao da meta, mas continuam sendo monitoradas com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, segundo indicadores disponíveis, o comportamento da demanda doméstica deve exercer menos pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, como os serviços, nos próximos trimestres. De qualquer modo, o Comitê reafirma que continuará conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes.
 
19. O Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes observados para essa variável. Tais considerações ganham ainda mais relevância em momentos cercados por mais incerteza.
 
20. As perspectivas para a evolução da atividade econômica mostraram melhora desde a última reunião do Copom, ainda que os dados sobre a indústria sigam em parte refletindo processo de redução de estoques. Diante dos efeitos da crise internacional sobre as condições financeiras internas, a contribuição do crédito para a sustentação da demanda doméstica arrefeceu de forma intensa, mas há sinais incipientes de recuperação, em especial no que se refere aos empréstimos para pessoas físicas. A severidade da crise internacional exerceu influência negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários, mas também nesse caso há sinais de recuperação. Nessas circunstâncias, em que pese certa distensão das condições financeiras, a retomada da atividade depende de forma importante da evolução da massa salarial real e dos efeitos dos incrementos das transferências governamentais que devem ocorrer neste ano. Note-se, em resumo, que as influências contracionistas da crise financeira internacional sobre o dinamismo da economia doméstica e, consequentemente, sobre o contexto no qual tem atuado a política monetária, podem se mostrar persistentes, mas não serão permanentes. Essas ponderações tornam-se ainda mais relevantes quando se leva em conta que as decisões correntes de política monetária terão impactos concentrados no segundo semestre de 2009 e em 2010.
 
21. O Copom entende que a perda de dinamismo da demanda doméstica gerou ampliação da margem de ociosidade da utilização dos fatores, ocasionando redução das pressões inflacionárias. Por outro lado, os riscos remanescentes para a dinâmica inflacionária derivam da trajetória dos preços de ativos brasileiros, em que pese recuperação recente, associada à recuperação parcial dos preços das commodities, em meio a um processo de estreitamento das fontes de financiamento externo, bem como de mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no passado, como evidencia o comportamento dos preços dos serviços e de itens monitorados desde o início do ano. O balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.
 
22. A evidência internacional, bem como a experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, ao encurtamento dos horizontes de planejamento e, consequentemente, à redução do potencial de crescimento da economia, além de ter efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar que a inflação retorne à meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN, em 2009, e mantê-la em patamar consistente com a trajetória de metas em 2010. Tal estratégia, que terá seus resultados evidenciados ao longo do tempo, leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
 
23. O Copom avalia que, diante dos sinais de arrefecimento do ritmo de atividade econômica, no que se refere, por exemplo, aos indicadores de produção industrial (ainda que exacerbados, em alguns setores, pela continuidade do ajuste de estoques), dados disponíveis sobre o mercado de trabalho e as taxas de utilização da capacidade na indústria, bem como sobre confiança de empresários e consumidores, e do recuo das expectativas de inflação para horizontes relevantes, continuaram se consolidando as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas. A propósito, essa evolução do cenário prospectivo manifesta-se nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê e nas expectativas de inflação preparadas por analistas independentes. O Comitê entende também que a melhora do cenário prospectivo para a inflação em 2009 e em 2010 não foi, até o momento, incorporada na estrutura a termo da taxa de juros. Ainda assim, a despeito de haver margem para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas.
 
24. O Comitê entende que o desaquecimento da demanda, motivado pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, ainda que nos dois casos se observe alguma melhora na margem, bem como pela contração da economia global, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica. Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias, mesmo diante das consequências do processo de ajuste do balanço de pagamentos e da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia, abrindo espaço para flexibilização da política monetária. A avaliação do Copom sobre o espaço para distensão monetária adicional, que é condicionado pelas perspectivas para a inflação em relação à trajetória de metas, leva em conta o fato de que mudanças da taxa básica de juros têm efeitos sobre a atividade e sobre a dinâmica inflacionária que se acumulam ao longo do tempo. Adicionalmente, o Comitê entende que a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional. 
 
25. Nesse contexto, avaliando o cenário macroeconômico e visando ampliar o processo de distensão monetária, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 10,25% a.a., sem viés, por unanimidade.
 
26. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. Depois de longo período de expansão, a demanda doméstica passou a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica, a despeito da persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda. Adicionalmente, cabe registrar que as expectativas inflacionárias para 2009 e 2010 mostraram recuo desde a última reunião do Comitê. Por outro lado, a desaceleração da economia global tem gerado pressões baixistas sobre os preços industriais no atacado, a despeito do ajuste cambial. Nesse ambiente, a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas. Na eventualidade de se verificar deterioração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.
 
27. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 9 de junho de 2009, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 17.327, de 27/8/2008.
 
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
28. O IPCA variou 0,20% em março, ante 0,55% em fevereiro, e acumulou alta de 1,23% no primeiro trimestre do ano. Nos últimos doze meses encerrados em março, o IPCA variou 5,61%, comparativamente a 5,90% em fevereiro. No mês, observou-se desaceleração tanto nas variações dos preços livres, 0,23% ante 0,67% em fevereiro, como nas dos preços monitorados, 0,14% ante 0,28% no mês anterior. Em doze meses, os preços livres acumularam alta de 6,44%, e os monitorados, de 3,68%, comparativamente a variações de 6,71% e 4,02%, respectivamente, em fevereiro. 
 
29. O núcleo por exclusão de alimentos no domicílio e preços monitorados variou 0,25% em março, desacelerando em relação aos 0,88% observados em fevereiro, e acumulou 6,02% em doze meses. O núcleo pelo critério de médias aparadas com suavização registrou taxa de 0,35%, ante 0,29% em fevereiro, acumulando aumento de 4,85% em doze meses. Pelo critério de médias aparadas sem suavização, o indicador mostrou arrefecimento em março (0,21%), relativamente ao mês anterior (0,27%), e acumulou 4,64%, em doze meses. O índice de difusão situou-se em 60,16%, comparativamente aos 58,07% registrados em fevereiro.
 
30. O IGP-DI recuou 0,84% em março, após queda de 0,13% em fevereiro, e acumulou variações de -0,95% no primeiro trimestre do ano, e de 5,86% em doze meses. O Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou queda de 1,46% em março, refletindo o recuo tanto nos preços dos produtos agropecuários, 2,37%, quanto no dos industriais, 1,16%. Em doze meses, o IPA cresceu 4,98%, com aumento de 7,22% nos preços dos produtos industriais e queda de 0,93% nos dos agrícolas. Ressalte-se a expressiva desaceleração do IPA, consideradas as variações acumuladas em doze meses concluídos em setembro, dezembro e março, 14,33%, 9,80% e 4,98%, respectivamente. O IPC-Br registrou taxas de 0,21% em fevereiro e de 0,61% em março, e acumulou, em doze meses, crescimento de 6,15% e 6,32%, respectivamente. A variação do INCC atingiu -0,25% em março, a menor taxa mensal apurada para o índice desde abril de 1998. Em doze meses, o INCC acumulou alta de 10,66%. O núcleo do IPC-Br situou-se em 0,39% no mês, ante 0,33% em fevereiro, totalizando variação de 4,33% em doze meses.
 
31. Considerando o IPA por estágios de processamento, os preços dos bens finais, dos bens intermediários e das matérias-primas brutas diminuíram 0,07%, 1,84% e 2,69%, respectivamente, em março. No acumulado em doze meses, até março, esses três segmentos, mantida a mesma ordem, registraram elevações de 4,25%, 5,97% e de 4,16%.
 
32. Índices parciais sobre a evolução da inflação em abril apontam alta nos preços ao consumidor e arrefecimento da queda nos preços no atacado, em relação aos resultados de março.  O IPCA-15 variou 0,36% em abril, refletindo maiores elevações nos grupo despesas pessoais, habitação e vestuário. No atacado, conforme resultado do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de abril, observou-se reversão do recuo nos preços dos produtos agrícolas, que registraram alta no mês, e continuidade da queda dos preços industriais.
 
Atividade econômica
 
33. Segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o comércio ampliado cresceu 2,5% em fevereiro, em relação ao mês anterior, refletindo o aumento das vendas em sete dos dez segmentos abrangidos pela pesquisa, com destaque para o desempenho de veículos e motos, partes e peças, 4,6%, favorecido pela redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). As vendas de materiais de construção cresceram 3,8% na comparação mensal, após quatro meses consecutivos em queda. Entre os segmentos que registraram resultado negativo nas vendas em fevereiro, destacou-se o de livros, jornais, revistas e papelaria, com queda de 9,1%.
 
34. Considerando comparações entre idênticos períodos de 2009 e de 2008, a elevação nas vendas no comércio ampliado alcançou 1,6% em fevereiro e totalizou alta de 2,2% no primeiro bimestre de 2009. Em fevereiro, comparativamente a igual mês de 2008, destacou-se o acréscimo nas vendas dos segmentos artigos farmacêuticos e médicos, 12%; equipamentos e material para escritório, 11,3%; e outros artigos de uso pessoal e doméstico, 10,5%. Foi registrado recuo nas vendas de material de construção, 12,8%; de tecidos, vestuários e calçados, 6,9%; e de móveis e eletrodomésticos, 2,1%.
 
35. Indicando a continuidade de expansão nas vendas varejistas, os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referentes à capital paulista, mostraram acréscimos de 1,9% nas consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e de 0,3% ao sistema Usecheque em março, comparativamente a fevereiro, após ajuste sazonal. Na relação com igual período do ano anterior, esses indicadores registraram, em março, queda de 5,1% e aumento de 0,5%, respectivamente, e no primeiro trimestre de 2009, ambos apresentaram redução, de 7,8% e 3,2%, na mesma ordem.
 
36. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, que incluem automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, cresceram 8,3% em março, em relação a fevereiro, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados. No primeiro trimestre de 2009, a venda de veículos atingiu 668 mil unidades, com aumento de 3,1% ante o mesmo período de 2008, apesar do recuo de 16,6% nas vendas de caminhões.
 
37. Em relação aos indicadores de investimento, a produção de bens de capital recuou 6,3% em fevereiro, comparativamente ao mês anterior, e a de insumos típicos da construção civil manteve-se estável no período, considerando dados com ajuste sazonal. Em comparação ao mesmo período de 2008, esses indicadores mostraram recuo de 24,4% e de 13,5%, respectivamente, em fevereiro, e de 19,5% e 12,3% no primeiro bimestre de 2009.
 
38. As importações de bens de capital cresceram 13,1% em março, em relação a fevereiro, de acordo com os índices de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados pelo Banco Central. O indicador de março aumentou 32,4% em relação ao do mesmo mês de 2008, acumulando expansão de 4,6% no primeiro trimestre de 2009, comparativamente a igual período do ano anterior, interrompendo a trajetória de queda verificada nos últimos meses.
 
39. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção física da indústria cresceu 1,8% em fevereiro, considerando a  série dessazonalizada, em comparação com o mês anterior. Dezesseis das vinte e sete atividades pesquisadas registraram acréscimo na produção mensal, com destaque para o desempenho de veículos automotores, 8,7%, outros produtos químicos, 8%, edição e impressão, 10,3%, e material eletrônico e equipamentos de comunicações, 8,7%. Por categorias de uso, mantida a base de comparação, registrou-se avanço na produção de bens de consumo duráveis, 10,5%, bens semi e não duráveis, 1,7%, e bens intermediários, 1,5%.
 
40. Em comparação com fevereiro de 2008, a produção industrial diminuiu 17%, reflexo de variações negativas em todas as categorias de uso: bens de capital, 24,4%; bens de consumo duráveis, 24,3%; bens intermediários, 21%; e bens de consumo semi e não duráveis, 3,3%. A atividade industrial acumulada nos últimos doze meses encerrados em fevereiro decresceu 1% em relação à dos doze meses anteriores, ante a expansão, de igual magnitude, registrada em janeiro, no mesmo tipo de comparação.
 
41. Indicadores da CNI apontaram recuperação da atividade industrial em fevereiro, relativamente a janeiro, com elevações de 3,6% no faturamento real e de 1% nas horas trabalhadas na produção, conforme dados dessazonalizados. A utilização da capacidade instalada diminuiu 0,1 p.p. no mesmo período. Em comparação com fevereiro de 2008, essas variáveis apresentaram queda de 10%, 8,3% e 5,5 p.p., considerada a mesma sequência.
 
42. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de autoveículos alcançou 272,4 mil unidades em março, resultado 4% menor que o observado em igual mês de 2008. Considerando dados dessazonalizados, a produção de autoveículos aumentou 10% em relação à de fevereiro, determinando crescimento de 19,4% no primeiro trimestre deste ano, comparativamente ao último trimestre de 2008. No acumulado em doze meses até março, relativamente a igual período precedente, a produção de autoveículos recuou 0,6% e a de máquinas agrícolas cresceu 12,2%. As vendas de autoveículos no mercado interno cresceram 8,7% em março, em relação a igual mês de 2008, acumulando crescimento de 3,9% em doze meses, e as exportações apresentaram retrações de 46,8% e de 18,7%, nas mesmas bases de comparação.
 
43. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de março estimou a safra de grãos de 2009 em 136,4 milhões de toneladas, ante a estimativa de 135,3 milhões de toneladas feita em fevereiro. A nova previsão representa queda de 6,5% em relação à produção de 2008. Projeta-se retração de 12,6% e de 2,3% na produção de milho e de soja, respectivamente. Produtos relacionados diretamente com a cesta básica, como arroz e feijão, devem ter sua produção ampliada em 4,7% e 9,8%, na ordem.
 
Expectativas e sondagens
 
44. Segundo a pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP), o ICC registrou queda de 2,6% em abril, em relação a março, em decorrência do recuo de 4,9% no Índice das Expectativas do Consumidor (IEC), haja vista a elevação de 1,5% no Índice relativo às Condições Econômicas Atuais (Icea). Em relação a abril de 2008, o ICC recuou 16,2%, refletindo, principalmente, a retração de 25,4% do Icea.
 
45. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) aumentou 2,5% em abril, em relação a março, segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor, de abrangência nacional, elaborada pela FGV. A elevação da confiança refletiu o aumento mensal na componente relativa às expectativas dos consumidores, 5%, cujo impacto na composição do indicador geral sobrepôs-se ao efeito da queda de 1% observada na componente referente à situação atual. Em relação a abril do ano passado, o ICC recuou 13,7%.
 
46. Em relação às expectativas no setor fabril, a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, evidenciou, em março, pelo terceiro mês consecutivo, ligeira melhora da confiança empresarial, embora o Índice de Confiança da Indústria (ICI) mantenha-se em patamar relativamente baixo, quando comparado à média de 2008. O ICI alcançou 77,9 pontos, após ajuste sazonal, com elevação de 1,7 p.p. em relação a fevereiro, resultado das altas de 2,2% no Índice da Situação Atual (ISA) e de 2,3% no Índice de Expectativas. Segundo a mesma Sondagem, o Nuci atingiu 77% em março, 8,2 p.p. abaixo do patamar de março de 2008. Considerando a série dessazonalizada, o Nuci observado em março, 77,7%, situou-se 0,1 p.p. acima do registrado em fevereiro.
 
Mercado de trabalho
 
47. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram abertos 34,8 mil postos de trabalho formais em março, após saldo de 9,2 mil em fevereiro, totalizando 840 mil em doze meses. Entre as atividades, serviços e construção civil registraram contratações líquidas no período (49,3 mil e 16,1 mil, respectivamente), enquanto na indústria de transformação e no comércio, verificaram-se 35,8 mil e 9,7 mil desligamentos, na mesma ordem. Os dados dessazonalizados mostraram declínio de 0,2% no nível de emprego em março, ante fevereiro. No primeiro trimestre, esse indicador cresceu 3,4%, influenciado pelas elevações de 8,2% na construção civil, de 4,7% nos serviços e de 4,5% no comércio.
 
48.Conforme a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de desemprego aberto aumentou em março deste ano, situando-se em 9%, relativamente à taxa apurada em fevereiro, 8,5%, e em março de 2008, 8,6%. O aumento mensal refletiu a ampliação na População Economicamente Ativa (PEA), 0,7%, diante da estabilidade do nível de ocupação. Comparativamente a março de 2008, o aumento do desemprego decorreu do crescimento superior da PEA, 1,4%, relativamente ao número de ocupados, 0,9%. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido atingiu R$1.321,40 em abril, recuando 0,2% em relação a fevereiro, mas mantendo crescimento significativo em relação a igual mês de 2008, 5,1%.
 
Crédito e inadimplência
 
49. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.241 bilhões em março, com crescimento de 1% no mês e de 25% em doze meses. Esse volume representou 42,5% do PIB, ante 41,3% em dezembro e 35,5% em março de 2008. As operações com recursos livres aumentaram 0,9% no mês e 23,9% em doze meses. Entre as operações de crédito com recursos livres, que representam 70,5% do total do sistema financeiro, o saldo das operações com pessoas físicas cresceu 1,2% no mês e 20,9% em doze meses, enquanto o das operações realizadas com pessoas jurídicas registrou acréscimo de 0,6% e 26,7%, respectivamente. As operações com recursos direcionados evoluíram 1,2% no mês e 27,5% em doze meses, com destaque para o aumento mensal de 2,5% nos financiamentos habitacionais.
 
50. Apesar da expansão mensal de 1,3%, as operações de arrendamento mercantil realizadas por pessoas físicas continuam perdendo dinamismo na margem, com o declínio do crescimento em doze meses de 116,3% em outubro para 77,2% em março. Considerada a segmentação por atividade econômica, o saldo dos empréstimos à indústria cresceu 0,4% no mês e 30,1% em doze meses. 
 
51. A taxa média de juros ativa, incidente sobre as operações de crédito referenciais, situou-se em 39,2% a.a. em março, ante 43,3% a.a. em dezembro e 37,6% a.a. em março de 2008. A taxa média das operações com pessoas físicas decresceu 7,8 p.p. em relação a dezembro, ao atingir 50,1%. Nos empréstimos contratados com pessoas jurídicas, houve recuo de 1,8 p.p. ante dezembro, alcançando 28,9%.
 
52. A taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 5% em março, 0,9 p.p. maior que a do mês correspondente de 2008. Por segmentos, as taxas relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas alcançaram, 2,6% e 8,3%, respectivamente, comparadas a 1,8% e 6,9% em março de 2008.
 
53. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, alcançou 9,2% em março, ante 7,6% no mesmo mês do ano anterior.
 
Ambiente externo
 
54. Não obstante diversos indicadores dos mercados financeiros internacionais terem registrado melhora desde a última reunião do Copom, a sustentabilidade desse movimento ainda é incerta. As condições no mercado de crédito das economias maduras ainda permanecem sob estresse, com os bancos limitando o acesso ao crédito. Os spreads de Credit Default Swaps (CDS) de bancos e de corporações seguem em patamares elevados, embora tenham apresentado expressiva redução em abril. A demanda final por bens e serviços, especialmente a relacionada ao consumo das famílias, dá sinais de estabilização nos Estados Unidos e na Área do Euro. No entanto, o aumento da poupança das famílias continua sendo tema central na definição da consistência e do ritmo de recuperação do consumo. O investimento privado continua em colapso, implicando o crescimento da taxa de desemprego, tanto nas economias maduras quanto nas economias emergentes. As recentes estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para retração de 1,3% do PIB global em 2009 – redução de 1,8 p.p. em relação à estimativa de janeiro passado –, bem como um recuo de 11% no comércio internacional em 2009. 
 
55. Do ponto de vista da inflação, o cenário de recessão global tem contribuído para desinflação e, em alguns casos, para deflação dos preços de energia e alimentos, o que tem-se traduzido em confirmação da trajetória desinflacionária, por exemplo, no Canadá, na Área do Euro e no Chile, ou deflacionária, a exemplo do que já se observa na Suíça, no Japão, na China e nos EUA. Neste último, o Índice de Inflação ao Consumidor (IPC) acumulado em doze meses, pressionado por redução de 23% no preço da energia, recuou para -0,38% em março. Para o mesmo período, os respectivos IPCs indicam deflação de 1,2% na China e inflação de 0,6% na Área do Euro, regiões onde a alta dos preços atingiu 7,1% e 4,0%, respectivamente, em junho de 2008.
 
56. Em decorrência da manutenção, ou mesmo do aprofundamento, das restrições ao crédito, da crise nos sistemas financeiros e do comportamento dos preços, as autoridades monetárias das economias maduras, e também das economias emergentes, aprofundaram o caráter acomodatício de suas políticas monetárias. Além das contínuas injeções de recursos nos sistemas locais, os juros anuais foram rebaixados para 0,5%, 1,25% e 0,5% no Reino Unido, na Área do Euro e no Canadá, respectivamente. Postura semelhante foi assumida, por exemplo, pelos bancos centrais do Chile, da Turquia, da Nova Zelândia e da África do Sul, com taxas em 2,25%, 9,75%, 3,0% e 9,5%, respectivamente. Japão e EUA continuam trabalhando com políticas de juros nominais próxima a zero. Destaque-se ainda que, nos Estados Unidos, no Japão e no Reino Unido, os bancos centrais já deram início ao programa de compra de títulos de longo prazo, com o objetivo de favorecer a redução dos juros e minorar o spread de captação das corporações, o que deve possibilitar algum impulso no investimento privado. Adicionalmente, no Japão, onde as perspectivas econômicas se deterioraram expressivamente, o governo, além das facilidades monetárias, anunciou lançamento de um novo pacote fiscal no montante de 15,4 trilhões de ienes, cerca de 3% do PIB local.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
57. A balança comercial apresentou superávit de US$1,8 bilhão em março, totalizando US$3 bilhões no primeiro trimestre de 2009. No mês, as exportações alcançaram US$11,8 bilhões, e as importações US$10 bilhões, com retração de 14,9% e 21,5%, respectivamente, em comparação com março de 2008, consideradas as médias diárias. A corrente de comércio atingiu US$21,8 bilhões em março, com declínio de 18,1% pelas médias diárias, em relação a igual mês do ano anterior.
 
58. O recuo de 19,4% das exportações no primeiro trimestre reflete o arrefecimento da atividade econômica mundial e os efeitos sobre os preços dos principais produtos da pauta. Segundo os índices da Funcex, os preços dos produtos exportados recuaram 6,3% no período, enquanto o quantum exportado diminuiu 14,2%. No caso das importações brasileiras, a retração de 21,6% no mesmo período refletiu mais intensamente a desaceleração da atividade econômica doméstica, uma vez que o índice de quantum decresceu 20,4%, ante redução de 1,9% no índice de preços.
 
59. As reservas internacionais no conceito de liquidez, que abrangem linhas com recompra e operações de empréstimo em moedas estrangeiras, atingiram US$202 bilhões em março, com acréscimo de US$3 bilhões em relação ao mês anterior. No conceito caixa, totalizaram US$190 bilhões, com aumento de US$3,5 bilhões em relação à posição do final de fevereiro.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
60. No período compreendido entre as reuniões do Copom de março e de abril, as taxas de juros de curto prazo apresentaram importante redução, influenciadas pelo comportamento benigno dos índices de inflação corrente, pelo recuo das expectativas inflacionárias e pela divulgação de dados de atividade e do mercado de trabalho, considerados fracos. As taxas de médio e longo prazo tiveram movimento inverso, principalmente a partir do início de abril, em reação à expectativa dos investidores de recuperação mais rápida das economias doméstica e internacional, em resposta aos estímulos fiscal e monetário implementados até o momento. Entre 9 de março e 27 de abril, as taxas de juros de um, de três e de seis meses e de um ano cederam 1,24 p.p., 0,99 p.p., 0,56 p.p. e 0,12 p.p., respectivamente. Por outro lado, as taxas para os prazos de dois e de três anos apresentaram elevação de 0,36 p.p. e 0,56 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 5,51%, em 9 de março, para 5,67%, em 27 de abril.
 
61. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 10 de março a 27 de abril, operações compromissadas longas, tomando recursos por prazos de cinco, de seis e de sete meses. A operação compromissada de seis meses foi realizada pela primeira vez em 24 de abril e absorveu R$4,0 bilhões. O saldo diário médio do estoque dessas operações alcançou R$41,2 bilhões, sendo R$25,2 bilhões relativos às operações de sete meses. No mesmo período, foram realizadas operações compromissadas de trinta e três e de dezesseis dias úteis em 12 de março, de quatorze dias úteis em 23 e 30 de março, de doze dias úteis em 1º de abril, de dezessete dias úteis em 3 de abril, de dezesseis dias úteis em 6 de abril e de doze dias úteis em 13 de abril. Essas operações retiraram do mercado R$203,0 bilhões, R$39,0 bilhões, R$5,5 bilhões, R$5,0 bilhões, R$8,8 bilhões, R$47,9 bilhões, R$0,4 bilhão e R$4,0 bilhões, respectivamente, levando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo ao montante de R$256,6 bilhões. O Banco Central atuou ainda em trinta e três oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo; e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com prazos de um e de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$97,6 bilhões no período considerado.
 
62. Em 26 de março, o Banco Central realizou leilão de swap cambial tradicional destinado à rolagem do vencimento de 1º de abril. O total dessa operação alcançou o montante equivalente a US$4,0 bilhões, ou cerca de 52% do  total vincendo. Com isso, a posição líquida em contratos de swap cambial, passiva em câmbio, reduziu-se do equivalente a US$11,0 bilhões para US$7,4 bilhões, em valores nocionais.
 
63. Entre 10 de março e 27 de abril, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos leilões tradicionais somaram R$32,9 bilhões. A colocação de títulos de remuneração pré-fixada alcançou R$15,0 bilhões, sendo R$12,3 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2009, 2010 e 2011 e R$2,7 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2013 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$15,6 bilhões, com emissão de títulos de vencimento em 2013 e 2015. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos de vencimento em 2011, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$2,3 bilhões.
 
64. No mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN com vencimento em outubro de 2009 e em abril de 2010, conjugada à compra de LTN de vencimento em abril e em julho de 2009, em um total de R$0,6 bilhão; e leilões de venda de LFT de vencimento em setembro de 2013 conjugada à compra de LFT de vencimento em março e em junho de 2009, que somaram R$0,3 bilhão. As vendas de NTN-B liquidadas mediante entrega de outros títulos somaram R$2,0 bilhões e envolveram títulos de vencimento em 2011, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou, também, leilões de compra de LTN e de NTN-B, que alcançaram R$0,4 bilhão e R$0,2 bilhão, respectivamente.