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141ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 10 e 11/03/2009
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (10/03) e do 20º andar (11/03) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
 
Horário de início: 16h00 (10/03) e 17h (11/03)
Horário de término: 18h00 (10/03) e 18h50 (11/03)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria Celina Berardinelli Arraes
Mario Gomes Torós
Mário Magalhães Carvalho Mesquita
 
Chefes de Departamento (presentes no dia 10)
Adriana Soares Sales – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 11)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
 
Demais participantes (presentes no dia 10)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
Eduardo José Araújo Lima – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da Diretoria
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
Valderez Caetano Paes de Almeida – Assessora de Imprensa
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 0,28% em dezembro para 0,48% em janeiro e 0,55% em fevereiro. Com isso, a inflação acumulada no primeiro bimestre de 2009 alcançou 1,03%, patamar equivalente àquele observado em igual período do ano anterior. Sob o critério da variação acumulada em doze meses, a inflação, após recuar de 5,90% para 5,84% entre dezembro e janeiro, voltou a aumentar, atingindo 5,90% em fevereiro (4,61% em fevereiro de 2008). A elevação da inflação, sob esse critério, nos primeiros dois meses do ano, refletiu o comportamento dos itens administrados, visto que não houve variação dos preços livres. Note-se também que, em doze meses, tanto os preços de bens comercializáveis quanto os de itens não comercializáveis mostraram desaceleração, com variação de 6,51% e 6,90%, respectivamente, frente a 6,99% e 7,10% em dezembro de 2008, embora com aceleração em relação aos patamares observados no mesmo mês do ano anterior. No caso dos preços de serviços, cuja dinâmica tende a exibir mais persistência do que a dos preços de bens, como evidenciado pela intensa elevação dos custos educacionais em fevereiro deste ano, a inflação acumulada em doze meses avançou de 6,39% em dezembro para 6,63% em janeiro e 7,09% em fevereiro (5,19% em fevereiro de 2008). Evidências preliminares relativas a março apontam inflação ao consumidor em patamar inferior ao observado em fevereiro. Em síntese, o conjunto das informações disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado nos últimos trimestres tende a ser superado, gradativamente, em processo que deve ser liderado pelo comportamento dos preços livres, uma vez que a inflação dos preços administrados deve mostrar maior persistência.
 
2. As três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central exibiram comportamento heterogêneo nos primeiros meses do ano. O núcleo por exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio recuou de 0,33% em dezembro para 0,27% em janeiro e depois avançou para 0,88% em fevereiro, refletindo fatores sazonais. Já as medidas de núcleo pelos critérios de médias aparadas com suavização e sem suavização mostraram menor oscilação, com taxas de 0,33% em dezembro, 0,42% e 0,44% em janeiro e 0,29% e 0,27% em fevereiro, respectivamente. As taxas de variação acumuladas em doze meses deslocaram-se de 6,09%, 4,82% e 4,92% em dezembro para 6,14%, 4,89% e 4,85% em fevereiro, para o índice por exclusão, médias aparadas com e sem suavização, respectivamente, permanecendo em patamares superiores ao valor central da meta. Cabe notar, adicionalmente, que o índice de difusão do IPCA, que havia mostrado elevação substancial em janeiro, ante dezembro, e continuava apontando para um processo inflacionário relativamente disseminado, recuou em fevereiro (de 66,2% em janeiro para 58,1% em fevereiro, ante 56,5% em fevereiro de 2008).
 
3. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) deslocou-se de -0,44% em dezembro para 0,01% em janeiro e -0,13% em fevereiro. No acumulado em doze meses, a variação do IGP-DI recuou de 9,10% em dezembro para 8,05% em janeiro e 7,50% em fevereiro, ante 8,65% em fevereiro de 2008. A desaceleração do IGP-DI tem refletido o comportamento de seu principal componente, o Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), que recuou de 9,80% em dezembro para 7,39% em fevereiro, no acumulado em doze meses (10,62% em fevereiro de 2008). Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) variou 6,15% (4,55% em fevereiro de 2008) e, na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 11,67% (6,28% em fevereiro de 2008). No que se refere ao IPA-DI, a desaceleração inflacionária, sob esse critério de comparação, deriva basicamente do comportamento dos preços agrícolas. A variação do IPA agrícola atingiu 1,94% (23,89% em fevereiro de 2008), visto que a elevação dos preços industriais no atacado chegou a 9,49% (6,20% em fevereiro de 2008). Note-se que, não obstante os efeitos da depreciação cambial ocorrida desde o terceiro trimestre do ano passado, os preços industriais seguem registrando deflação na margem. Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2008. Os dados mostram desaceleração do crescimento, quer sob o critério da variação acumulada no ano (5,1%, ante a taxa acumulada de 6,4% nos primeiros três trimestres), quer no que se refere à comparação interanual (1,3%, ante 6,8% no trimestre anterior). Sob a ótica da demanda agregada, a expansão foi liderada pelo consumo da administração pública, que cresceu 5,5% ante o quarto trimestre de 2007. A formação bruta de capital fixo (FBCF) teve expansão de 3,8% e o crescimento do consumo das famílias alcançou 2,2%, na mesma base de comparação, sustentado pela massa salarial real. A contribuição da absorção doméstica para o crescimento do produto atingiu 3,2 p.p. no quarto trimestre de 2008, comparativamente ao quarto trimestre do ano anterior, sobrepondo-se ao impacto negativo de 1,9 p.p. exercido pelo setor externo. Do ponto de vista da oferta agregada, ainda na base interanual, o setor de serviços teve o melhor desempenho, com crescimento de 2,5%, seguido pela agropecuária (2,2%) e pela indústria, com contração de 2,1% frente a igual período de 2007. O deflator do PIB a preços de mercado, na comparação interanual, deslocou-se de 6,8% no terceiro trimestre de 2008 para 7,4% no quarto trimestre.
 
5. A média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, recuou 6,2% em janeiro, após queda de 6,9% no mês anterior. Ainda considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês, após o recuo de 12,7% verificado em dezembro, a produção física da indústria cresceu 2,3% em janeiro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial exibiu recuo de 17,2% em janeiro, com queda de 18,4% para a indústria extrativa e de 17,2% na de transformação. Informações disponíveis referentes aos últimos meses apontam, em suma, para interrupção do ciclo de expansão da produção industrial desde o último trimestre de 2008. A atividade industrial vem sendo influenciada pela crise internacional, tanto por seus efeitos sobre as exportações e as condições de crédito, quanto sobre as expectativas das empresas e das famílias. Nesse contexto, diversos segmentos industriais têm sido levados a ajustar estoques e a reduzir a produção, destacando-se mais recentemente a indústria de bens intermediários. 
 
6. Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital recuou 23,3% em dezembro, mas teve elevação de 8,4% em janeiro. No que se refere às demais categorias, a produção de bens intermediários recuou 12,4% em dezembro e cresceu 0,8% em janeiro; a de semiduráveis teve queda de 3,9% em dezembro e 0,6% em janeiro; ao passo em que a produção de bens de consumo duráveis, fortemente influenciada pelo setor automotivo, teve redução de 32,9% em dezembro, seguida por elevação de 38,6% em janeiro. A perda de dinamismo da produção de bens de capital reflete a persistência da turbulência financeira internacional e suas conseqüências sobre a confiança empresarial. Por sua vez, o arrefecimento no ritmo de expansão da produção de bens duráveis reflete, em grande parte, o aperto nas condições de crédito, a deterioração das expectativas dos consumidores e o processo de redução de estoques acima citado. Tais desenvolvimentos devem continuar a ser evidenciados pelos dados relativos aos primeiros meses do corrente ano, ainda que com recuperação na margem. 
 
7. O mercado de trabalho passou a registrar indicadores ambíguos, combinando aspectos favoráveis com expressiva acomodação da geração de empregos formais na margem. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) deslocou-se de 7,6% em novembro para 6,8% em dezembro (mínimo da série histórica), mas subiu para 8,2% em janeiro, ante 8,0% em janeiro de 2008. Na série dessazonalizada, a taxa manteve-se estável em 7,8% entre novembro e dezembro, mas elevou-se para 8,6% em janeiro. O rendimento médio habitual registrou alta de 3,6% em dezembro, comparativamente ao mesmo mês de 2007, mas registrou elevação de 5,9%, sob esse critério de comparação, em janeiro, voltando a acelerar após três meses de queda da taxa de expansão. O emprego, por sua vez, teve elevação de 3,0% em dezembro e 1,9% em janeiro, contra os mesmos meses dos anos anteriores. Em conseqüência, a expansão da massa salarial real atingiu 6,7% em dezembro e 7,8% em janeiro, continuando a constituir fator-chave para a sustentação da demanda doméstica. Por sua vez, o emprego na indústria de transformação caiu 1,1% em janeiro, após quedas de 0,5% em dezembro e de 0,7% em novembro, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, houve queda de 0,1% no pessoal empregado. Segundo dados do IBGE, o pessoal ocupado na indústria caiu 1,9% em dezembro, após quedas de 0,6% em novembro e de 0,1% em outubro, na série com ajuste sazonal, acumulando alta de 2,1% em 2008 e queda de 1,2%, comparativamente a dezembro de 2007. Ainda sobre o mercado de trabalho, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam substancial perda de dinamismo da geração de vagas no setor formal desde o final de 2008. Em janeiro, foram fechados 101.748 postos de trabalho (ante saldo negativo de 654.946 em dezembro). O setor que mais demitiu no mês foi a Indústria de Transformação, que fechou 55.130 postos, seguido pelo Comércio, que habitualmente demite nesse período, com o fechamento de 50.781 vagas. Por outro lado, a Construção Civil e o setor de Serviços abriram vagas no mês: 11.324 e 2.452 postos, respectivamente. 
 
8. O volume de vendas do comércio ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, teve redução de 1,0% em dezembro, após queda de 3,1% em novembro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve elevação de 1,3%, resultando em crescimento de 9,9% no ano. A média móvel trimestral da taxa de crescimento do comércio ampliado recuou 8,7% em dezembro, comparativamente ao trimestre encerrado em setembro, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal, os destaques positivos foram vendas de equipamentos e material para escritório (11,9%) e veículos, motos, partes e peças (3,5%). Os negativos, material de construção (-7,3%) e móveis e eletrodomésticos (-3,7%). No ano, o crescimento acumulado foi maior nos segmentos de equipamentos e material para escritório (33,5%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (15,6%). Após quedas em outubro, novembro e dezembro, os dados do comércio ampliado para janeiro e fevereiro devem evidenciar recuperação influenciada, principalmente, pela alta nas vendas de veículos, em resposta a incentivos setoriais concedidos pelo governo. Essa recuperação foi captada pelas estatísticas da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Nos próximos trimestres, a trajetória do comércio continuará sendo sustentada pelas transferências governamentais e pelo crescimento da massa salarial real, cuja evolução deve ser beneficiada pela redução da inflação, mas será também afetada pela evolução nas condições de acesso ao crédito e pelo comportamento da confiança dos consumidores.
 
9. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu 78,07% em janeiro, abaixo do patamar observado em dezembro, segundo dados da CNI dessazonalizados pelo Banco Central. A série dessazonalizada pela própria CNI também mostra redução, tendo atingido 78,4% em janeiro, ante 79,4% em dezembro. Considerando a série sem ajuste sazonal, em janeiro o Nuci situou-se 5,1 p.p. abaixo do patamar registrado no mesmo mês de 2008. Por sua vez, o Nuci mensal sem ajuste sazonal, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou de forma expressiva em fevereiro, para 76,9%, 7,8 p.p. abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2008. Essa redução da taxa de utilização da capacidade, na comparação interanual, também se verifica nas indústrias de bens de consumo (-4,7 p.p.), de bens intermediários (-9,7 p.p.), de bens de capital (-15,2 p.p.), e de material de construção (-5,9 p.p.). A redução dos indicadores de utilização compilados pela CNI e pela FGV parece resultar de combinação da maturação de projetos de investimento com a acomodação da atividade e sinaliza sensível ampliação da margem de ociosidade da indústria. Por outro lado, dados sobre a absorção de bens de capital indicam continuidade da retração do investimento. A absorção de bens de capital apresentou queda de 1% em janeiro, segundo dados dessazonalizados, e de 19,6% na comparação com janeiro de 2008, no que se refere a dados observados. Por sua vez, a produção de insumos para a construção civil subiu 0,8% na margem em janeiro, após registrar queda de 5,8% em dezembro, caindo 9,7% em relação a janeiro do ano anterior. Em síntese, as evidências sugerem que ocorre redução das pressões de demanda sobre a capacidade produtiva da indústria. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento à demanda.
 
10. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses vem mostrando estabilidade na margem. Sob esse critério, o saldo totalizou US$24,7 bilhões em dezembro, caiu para US$23,3 bilhões em janeiro e elevou-se para US$24,2 bilhões em fevereiro. Esse resultado adveio de US$191,2 bilhões em exportações e US$167,0 bilhões em importações, com crescimento de 15,5% e 29,2%, respectivamente, em relação a fevereiro de 2008. O ajuste de preços relativos e a acomodação do ritmo de expansão da demanda doméstica contribuem para a recuperação do superávit comercial, mas a piora dos termos de intercâmbio atua na direção oposta. Já a redução das remessas de lucros e dividendos vem atuando no sentido de conter o déficit em transações correntes, que atingiu US$28,3 bilhões em dezembro de 2008, recuando para US$27,0 bilhões em janeiro, equivalente a 1,8% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até janeiro, a US$42,2 bilhões, equivalentes a 2,7% do PIB.
 
11. O período desde a reunião anterior do Copom foi marcado pela continuidade do estresse nos mercados financeiros internacionais, com origem nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa, mas cujas repercussões sobre as economias emergentes continuam sendo significativas. A despeito de ações governamentais inéditas por parte de autoridades americanas e europeias, utilizando ampla gama de instrumentos, com vistas a assegurar condições mínimas de funcionamento e liquidez nos mercados monetários, a percepção de risco sistêmico continua evidente. A contração da liquidez internacional continuou contribuindo para um processo de desalavancagem por parte de administradores de recursos, o que, por sua vez, vem exercendo influência baixista sobre os preços de ativos. Em ambiente de mais aversão ao risco e de fluxos de capitais mais escassos, a volatilidade das moedas de economias emergentes continua, ainda que sem a tendência generalizada de depreciação ante o dólar americano observada nos meses finais de 2008.
 
12. No que se refere ao cenário macroeconômico global, tendências contracionistas prevalecem sobre as pressões inflacionárias. A visão atualmente dominante aponta para contração da economia mundial em 2009, com recuperação apenas em 2010. As projeções consensuais apontam para retração intensa da atividade nos EUA, Europa e Japão, que não seria totalmente compensada pelos bolsões de dinamismo econômico existentes entre as economias emergentes, mormente na Ásia. Há evidências de que a debilidade mais pronunciada da atividade econômica na Europa e em partes da Ásia devia-se, em importante medida, ao choque negativo de termos de troca ocasionado pela elevação dos preços de commodities em 2008, que foi revertido, propiciando incrementos de renda disponível nessas regiões. Por outro lado, os problemas do sistema financeiro internacional continuam sendo agravados por uma deterioração cíclica na qualidade do crédito, centrada nos EUA e na Europa, o que tende a reforçar a contração das condições financeiras e, por conseguinte, o risco de intensificação da desaceleração. Nas economias maduras, em que a ancoragem das expectativas de inflação é mais forte e a atividade econômica vem se enfraquecendo consideravelmente e há mais tempo, as pressões inflacionárias têm mostrado redução rápida. Nas economias emergentes, em que os efeitos secundários da elevação dos preços de matérias-primas sobre os preços ao consumidor e as pressões da demanda aquecida sobre a capacidade de expansão da oferta vinham sendo mais intensos, as pressões inflacionárias também têm declinado, embora mostrem, em diversos casos, maior persistência. Nesse contexto, ao mesmo tempo em que as políticas monetárias adquiriram caráter fortemente expansionista nas economias maduras, nas economias emergentes, que, além dos fatores citados acima, têm sido influenciadas pela tendência de depreciação cambial, a postura expansionista tem sido mais moderada. Paralelamente, as autoridades nos EUA, Europa ocidental e Ásia vêm anunciando uma série importante de iniciativas voltadas a sustentar a atividade por meio de estímulos fiscais, o que poderia contribuir para uma gradual retomada econômica. Note-se, contudo, que as estimativas sobre os custos fiscais dos pacotes de estímulo macroeconômico e de apoio ao setor financeiro vêm se elevando, o que tem suscitado pressões sobre a classificação de risco de diversos créditos soberanos, até mesmo em economias avançadas.
 
13. Os preços do petróleo continuam voláteis, a despeito de atualmente se encontrarem em patamares próximos àqueles observados por ocasião da última reunião deste Comitê. As cotações nos mercados futuros também têm, em linhas gerais, mostrado volatilidade, sem tendência definida. A incerteza que envolve essas cotações segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da demanda, especialmente nas economias emergentes, da perspectiva de evolução da oferta global, em cenário de incerteza quanto à implementação e maturação de investimentos no setor, além das questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria. Não obstante, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2009, permanece plausível. Contudo, a persistir o quadro atual do mercado de petróleo, não parece prudente descartar por completo a hipótese de que ocorra redução de preços. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a redução dos preços internacionais do petróleo verificada desde o segundo semestre de 2008 pode eventualmente se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação. Note-se, também, que os preços de commodities agrícolas que têm impacto particularmente importante para a evolução dos custos alimentares, como trigo, soja e milho, registraram redução desde a última reunião do Copom, reagindo às perspectivas de redução da demanda e à acumulação de estoques.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
14. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) do mesmo modo que na reunião do Copom de janeiro, projeta-se reajuste de 0% no preço da gasolina, bem como no do gás de bujão, para o acumulado de 2009;
b) no tocante às projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2009, a primeira foi mantida em 5,0% – mesmo percentual considerado na reunião de janeiro – enquanto a segunda reduziu-se para 7,6%;
c) a projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2009 manteve-se em 5,5%, conforme considerado na reunião de janeiro. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,64% do total do IPCA de fevereiro;
d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2010 encontra-se em 4,8%, assim como na reunião de janeiro. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 29 p.b. no quarto trimestre de 2009 e de 37 p.b. no último trimestre de 2010. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis.
 
15. Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de trabalho do cumprimento da meta legal de superávit primário de 3,8% do PIB em 2009. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.
 
16. Desde a última reunião do Copom, houve redução na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2009, que passou de 4,80% para 4,57%. Para 2010, as expectativas de inflação mantiveram-se em 4,50%, mesmo patamar observado na reunião de janeiro.
 
17. Considerando as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em 2,40 R$/US$ e da taxa Selic em 12,75% a.a. em todo o horizonte, a projeção para a inflação em 2009 recuou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro e encontra-se abaixo do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2009 também recuou em relação ao valor considerado na última reunião do Copom e encontra-se abaixo do valor central para a meta de inflação. Para 2010, a projeção de inflação, segundo o cenário de referência, recuou ligeiramente em relação ao valor considerado na última reunião do Copom e encontra-se sensivelmente abaixo do valor central de 4,50% e, no cenário de mercado, também diminuiu e posiciona-se abaixo do valor central de 4,50%.
 
Implementação da política monetária
 
18. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Os dados disponíveis referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de expansão da demanda arrefeceu consideravelmente a partir dos meses finais de 2008, em meio ao substancial e generalizado desaquecimento da atividade em outras economias, avançadas e emergentes. Por sua vez, o aumento da aversão ao risco e o aperto, inédito nas últimas décadas, das condições de liquidez prevalentes nos mercados internacionais continuam impondo ajuste no balanço de pagamentos. Assim, em linhas gerais, a influência do cenário externo sobre a trajetória prospectiva da inflação brasileira continua sujeita a efeitos, a princípio contraditórios, que podem atuar com intensidade distinta ao longo do tempo, e envolta em considerável incerteza. Por um lado, o desaquecimento econômico tem ocasionado aumento da aversão ao risco, afetando a demanda por ativos brasileiros e ocasionando depreciação de seus preços. Por outro lado, a desaceleração mais generalizada da atividade observada nos últimos meses, que, sem ser permanente, tende a persistir nos próximos trimestres, vem ocasionando arrefecimento tanto dos preços de commodities quanto da demanda externa, influenciando negativamente também as condições financeiras locais. Note-se, adicionalmente, que a trajetória dos índices de preços evidencia significativa redução das pressões inflacionárias externas, especialmente nas economias maduras, mas também em algumas emergentes. Dessa forma, o efeito líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica vem sendo, até o momento, predominantemente benigno. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos, quando as metas para a inflação foram sistematicamente cumpridas, sejam preservados.
 
19. O Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação segue diminuindo. Os sinais de substancial acomodação da demanda doméstica e de moderação de pressões sobre o mercado de fatores, ainda que permaneçam sujeitos a incertezas, devem ensejar redução do risco de repasse de pressões altistas, identificadas até o final de 2008, sobre preços no atacado (que, de resto, vêm mostrando deflação nos últimos meses) para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação. Em particular, as expectativas de inflação para 2009 permanecem em patamares superiores à meta, embora tenham recuado desde a última reunião do Copom, e continuam sendo monitoradas com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, segundo indicadores disponíveis, o comportamento da demanda doméstica deve exercer menos pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, por exemplo, os serviços, nos próximos trimestres. De qualquer modo, o Comitê reafirma que continuará conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes.
 
20. O Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável. Tais considerações ganham ainda mais relevância em momentos cercados por mais incerteza.
 
21. As perspectivas para a evolução da atividade econômica continuaram se deteriorando desde a última reunião do Copom, ainda que os dados sobre a indústria venham em parte refletindo processo de redução de estoques, que tende a se esgotar ao longo do tempo. Note-se particularmente que, diante dos efeitos da crise internacional sobre as condições financeiras internas, a contribuição do crédito para a sustentação da demanda doméstica arrefeceu de forma intensa. Adicionalmente, a intensificação da crise internacional segue exercendo influência negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários. Nessas circunstâncias, o dinamismo da atividade passa a depender crescentemente da expansão da massa salarial real e dos efeitos das transferências governamentais, possivelmente incrementadas, que devem ocorrer neste ano. Note-se, por outro lado, que as influências contracionistas da crise financeira internacional sobre o dinamismo da economia doméstica e, consequentemente, sobre o contexto no qual tem atuado a política monetária, ainda que não permanentes, podem se mostrar persistentes. Essas ponderações tornam-se ainda mais relevantes quando se leva em conta que as decisões correntes de política monetária terão impactos concentrados nos trimestres à frente.
 
22. O Copom avalia que a perda de dinamismo da demanda doméstica deve ocasionar redução das pressões inflacionárias. Por outro lado, os riscos remanescentes para a dinâmica inflacionária derivam da trajetória dos preços de ativos brasileiros, em meio a um processo de estreitamento das fontes de financiamento externo, e de mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no passado, como evidencia o comportamento dos preços dos serviços e de itens monitorados neste início de ano. O balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.
 
23. A evidência internacional, bem como a experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, ao encurtamento dos horizontes de planejamento e, consequentemente, à redução do potencial de crescimento da economia, além de ter efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar que a inflação retorne à meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN, em 2009, e mantê-la em patamar consistente com a trajetória de metas em 2010. Tal estratégia, que terá seus resultados evidenciados ao longo do tempo, leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
 
24. O Copom avalia que, diante dos sinais de arrefecimento do ritmo de atividade econômica, no que se refere, por exemplo, aos indicadores de produção industrial (exacerbados por um ciclo de estoques), certos dados disponíveis sobre o mercado de trabalho e as taxas de utilização da capacidade na indústria, bem como sobre confiança de empresários e consumidores, e do recuo das expectativas de inflação para horizontes relevantes, continuaram ampliando-se de forma importante as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas. A propósito, essa evolução do cenário prospectivo manifesta-se nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê. Ainda assim, a despeito de haver margem para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas.
 
25. O Comitê entende que o desaquecimento da demanda, motivado pelo aperto das condições financeiras, pela deterioração da confiança dos agentes e pela contração da atividade econômica global, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção. Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias, mesmo diante das consequências do processo de ajuste do balanço de pagamentos e da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia, abrindo espaço para flexibilização da política monetária. Por outro lado, além do fato de que mudanças da taxa básica de juros têm efeitos sobre a atividade e a inflação que se acumulam ao longo do tempo, a avaliação do Copom sobre o espaço para flexibilização monetária adicional também leva em conta aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional.
 
26. Nesse contexto, avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 11,25% a.a., sem viés, por unanimidade. O Comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
 
27. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. Há sinais de que, depois de um longo período de expansão, a demanda doméstica teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica, a despeito da persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda. Adicionalmente, cabe registrar que as expectativas inflacionárias para 2009 mostraram recuo desde a última reunião do Comitê. Por outro lado, a desaceleração da economia global tem gerado pressões baixistas sobre os preços no atacado, a despeito do ajuste cambial. Nesse ambiente, a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas. Evidentemente, na eventualidade de se verificar deterioração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.
 
28. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 28 de abril de 2009, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 17.327, de 27/8/2008.
 
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
29. O IPCA variou 0,55% em fevereiro, indicando recuo diante do IPCA-15 (0,63%), e aceleração relativamente ao IPCA de janeiro (0,48%). Em doze meses, até fevereiro, o IPCA somou alta de 5,90%, ante 5,84% até janeiro, acumulando, no ano, 1,03%. O resultado de fevereiro foi influenciado pela alta do grupo Educação, 4,77%, cuja contribuição de 0,33 p.p. representou 60% da variação do IPCA no mês, reflexo dos reajustes típicos desse grupo no início do ano.
 
30. Os preços livres registraram aceleração, como reflexo da alta em Educação, variando 0,67% no mês, ante 0,37% em janeiro, enquanto os preços monitorados passaram de 0,75% para 0,28% no mesmo período. Em doze meses, os preços livres acumularam variação de 6,71%, mesma variação de janeiro, enquanto nos monitorados a alta atingiu 4,02%, ante 3,83% no mês anterior. O índice de difusão situou-se em 58,07%, ante 66,15% em janeiro, registrando o menor patamar desde março de 2008.
 
31. O núcleo por exclusão de alimentos no domicílio e de preços monitorados variou 0,88% em fevereiro, ante 0,27% em janeiro, acumulando alta de 6,14% em doze meses, ante 5,95% no mês anterior. O núcleo pelo critério de médias aparadas com suavização registrou taxa de 0,29%, ante 0,42% em janeiro, acumulando alta de 4,89% em doze meses, ante 4,88% no mês anterior. Pelo critério de médias aparadas sem suavização, o indicador variou 0,27% em fevereiro, ante 0,44%, e acumulou em doze meses, 4,85%, ante 4,95% no mês anterior.
 
32. O IGP-DI recuou 0,13% em fevereiro, ante a elevação de 0,01% em janeiro, acumulando queda de 0,11% no ano e alta de 7,5% em doze meses. O Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou variação negativa de 0,31% em fevereiro, refletindo os menores preços tanto dos produtos agropecuários, -0,36%, quanto dos industriais, -0,29%. Em doze meses, o IPA cresceu 7,39%, com aumentos de 9,49% nos produtos industriais e de 1,94% nos produtos agrícolas. Ressalte-se a expressiva desaceleração do IPA, consideradas as variações acumuladas em doze meses concluídos em outubro, novembro, dezembro e janeiro, 14,72%, 12,88%, 9,80% e 8,27%, respectivamente. O IPC-Br apresentou desaceleração, ao passar de 0,83% em janeiro para 0,21% em fevereiro, acumulando alta de 6,15% em doze meses. O INCC variou 0,27% em fevereiro, ante 0,33% em janeiro, acumulando 11,67% em doze meses. O núcleo do IPC-Br situou-se em 0,33% no mês, ante 0,35% em janeiro, acumulando 4,25% em doze meses.
 
33. Considerando o IPA por estágios de processamento, os preços dos bens finais aumentaram 0,85% em fevereiro, enquanto os preços dos bens intermediários e de matérias-primas brutas recuaram 1,03% e 0,55%, respectivamente. No acumulado em doze meses, até fevereiro, esses três segmentos registraram elevações de 4,78%, 9,05% e 8,02%, mantida a mesma ordem.
 
34. A variação do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) situou-se em 0,35% na primeira semana de março, ante 0,21% no encerramento de fevereiro.
 
Atividade econômica
 
35. Segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o volume de vendas apresentou queda de 1% em dezembro, em relação ao mês anterior, considerado o conceito ampliado, que incorpora os segmentos de material de construção e de veículos e motos, partes e peças, após recuos consecutivos de 3,1% em novembro e de 8,4% em outubro. Quatro dos dez segmentos do indicador registraram expansão no mês, com destaque para as maiores vendas de equipamentos e materiais para escritório, 11,9%, e de veículos e motos, partes e peças, 3,5%, favorecidas pela redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Em outubro e novembro, as vendas do setor automotivo haviam registrado retrações respectivas de 18,8% e 7,1%, em comparação com os meses imediatamente anteriores. Entre os segmentos que registraram recuo das vendas em dezembro, destacou-se material para construção, com declínio de 7,3% em relação a novembro, ampliando o ritmo de retração observado nos dois meses anteriores.
 
36. Considerando as comparações entre idênticos períodos de 2008 e 2007, a elevação das vendas alcançou 1,3% em dezembro, no conceito ampliado, totalizando alta de 9,9% em 2008, comparativamente ao ano anterior. Em dezembro, na comparação com igual mês de 2007, foram registrados recuos nas vendas de tecidos, vestuários e calçados, 6,3%; veículos, motos, partes e peças, 4,5%; e material de construção, 3,6%. Entre os setores com acréscimos de vendas, o melhor desempenho foi registrado pelo setor de equipamentos e material para escritório, alta de 35,6% relativamente a dezembro de 2007. Em 2008, verificou-se crescimento em todos os segmentos, com destaque, mais uma vez, para equipamentos e material para escritório, com elevação de 33,5% em relação a 2007.
 
37. Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referentes à capital paulista, mostraram redução de 3,3% nas consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) em fevereiro, relativamente a janeiro, após ajuste sazonal pelo Banco Central. Contrariamente, as consultas ao Sistema Usecheque apresentaram elevação de 2,8%. Na comparação com igual mês do ano anterior, esses indicadores registraram quedas de 12,8% e 5,5%, respectivamente, enquanto no primeiro bimestre de 2009 as reduções atingiram 9,2% e 5,3%, na mesma ordem, ante igual período de 2008.
 
38. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, que incluem automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, declinaram 0,8% em fevereiro, em relação ao mesmo mês de 2008, segundo informações da Fenabrave. Não obstante, esse foi o segundo maior volume de vendas para meses de fevereiro em toda a série histórica. Na série com ajuste sazonal, o resultado representou aumento de 4% relativamente a janeiro, quando registrou alta de 36,5% na mesma base de comparação. No trimestre encerrado em fevereiro, houve recuo de 4,6% ante o trimestre anterior. 
 
39. Em relação aos indicadores de investimento, a produção de bens de capital aumentou 8,4% em janeiro e a de insumos típicos da construção civil, 0,8%, comparativamente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Em comparação com janeiro de 2008, esses indicadores diminuíram 13,3% e 9,7%, respectivamente. Relativamente à produção de bens de capital, a evolução positiva na margem refletiu, principalmente, a expansão dos segmentos de equipamentos de transportes (9,6%) e de uso misto (7,8%).
 
40. A sondagem industrial realizada pela CNI indica que 89% das empresas industriais consultadas planejam investir em 2009, ainda que em proporção inferior a 2008, a despeito de 67% dos empresários terem respondido que a capacidade produtiva de suas empresas está adequada à demanda prevista para 2009. Os investimentos planejados buscam melhorar a qualidade e ampliar a produção, com foco no mercado interno.  
 
41. As importações de bens de capital recuaram 18,4% em janeiro, em relação a dezembro, de acordo com os índices de quantum da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados pelo Banco Central. O indicador de janeiro acusou recuo de 12,4% em relação ao do mesmo mês de 2008, ante o crescimento acumulado, em doze meses, de 28,5%, sinalizando forte reversão no desempenho apresentado até recentemente.
 
42. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção física da indústria cresceu 2,3% em janeiro, considerando a  série dessazonalizada, em comparação com o mês anterior, após três meses consecutivos de queda. Doze das 27 atividades pesquisadas registraram declínio na produção mensal, com destaque para os desempenhos negativos nos segmentos de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, -9,5%, e diversos, -10,7%. Por categorias de uso, mantida a base de comparação, registrou-se queda apenas na produção de bens de consumo semi e não duráveis, -0,6%; bens de capital, bens intermediários e bens de consumo duráveis cresceram, respectivamente, 8,4%, 0,8% e 38,6%. 
 
43. Em comparação com janeiro de 2008, a produção industrial diminuiu 17,2%, a maior queda nessa base de comparação desde o início da série em 1991. Todas as categorias de uso registraram retração: bens de capital, -13,3%; bens intermediários, -20,4%; bens de consumo duráveis, -30,9%; e bens de consumo semi e não duráveis, -8,3%. A expansão da atividade industrial, acumulada em doze meses, alcançou 3,1% em dezembro e 1% em janeiro, evidenciando a desaceleração na margem.
 
44. A produção de autoveículos alcançou 201,7 mil unidades em fevereiro, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), resultado 20,6% menor que o observado no mesmo mês de 2008. Considerando dados dessazonalizados pelo Banco Central, a produção de autoveículos apresentou aumento de 7,2% em fevereiro, comparativamente a janeiro, enquanto a média do último trimestre foi 27,8% inferior à do trimestre terminado em novembro. No acumulado em doze meses, até fevereiro, a produção de autoveículos e de máquinas agrícolas foi ampliada em, respectivamente, 0,9% e 16,1%. As vendas de autoveículos no mercado interno declinaram 13,2% em relação a fevereiro de 2008 e, no acumulado em doze meses, aumentaram 4,1%, enquanto as exportações apresentaram retrações de 52,3% na comparação interanual e de 15,5% no acumulado em doze meses.
 
45. Indicadores da CNI apontaram que a atividade industrial continuou em retração em janeiro, com queda de 3,5% no faturamento real e de 2,1 p.p. na utilização da capacidade instalada, conforme dados dessazonalizados pelo Banco Central. O número de horas trabalhadas, de acordo com dados dessazonalizados, foi a única variável que registrou crescimento frente ao mês anterior. Em comparação com janeiro de 2008, todas as variáveis apresentaram quedas: faturamento real, -13,4%; horas trabalhadas na produção, -6,5%; e utilização da capacidade instalada, -5,1 p.p.
 
46. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de fevereiro estimou a safra de grãos de 2009 em 135,3 milhões de toneladas, ante 134,7 milhões de toneladas previstas em janeiro. A nova estimativa representa uma queda de 7,3% em relação à produção de 2008. Foram projetadas retrações de 12,7% e de 3,9% nas produções de milho e de soja, respectivamente. Produtos relacionados diretamente com a cesta básica, como arroz e feijão, devem ter suas produções ampliadas em 3,7% e 11,1%, na ordem.
 
47. O IBGE divulgou informações sobre o PIB do quarto trimestre de 2008. Os dados mostram  desaceleração tanto sob o critério da variação acumulada no ano (5,1%, ante 6,4% no trimestre anterior), quanto no que se refere à comparação interanual (1,3%, ante 6,8% no trimestre anterior). Em relação ao trimestre imediatamente anterior, observou-se queda de 3,6%, dados dessazonalizados. Na comparação interanual, dentre os setores da oferta, apenas a indústria registrou queda (-2,1%). Agropecuária e serviços cresceram, respectivamente, 2,2% e 2,5%. Dentre os componentes da demanda, houve expansão do consumo das famílias, do governo e da FBCF de, respectivamente, 2,2%, 5,5% e 3,8%. Adicionalmente, as exportações recuaram 7% e as importações aumentaram 7,6%, resultando no 12º trimestre consecutivo em que o crescimento foi ditado exclusivamente pelo mercado interno – da alta de 1,3% do PIB, ante o quarto trimestre de 2007, a demanda doméstica contribuiu com 3,2 p.p., enquanto o setor externo contribuiu com -1,9 p.p.
 
Expectativas e sondagens
 
48. Segundo a pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou, em março, queda de 3,5% em relação a fevereiro, refletindo queda de 10,1% no Índice das Condições Econômicas Atuais (Icea) e alta de 0,6% no Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Em relação a março de 2008, o ICC apresentou redução de 13,3%, motivada, principalmente, pela retração de 24,8% do Icea.
 
49. A Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV registrou queda de 4% no índice de confiança do consumidor, em fevereiro, em relação ao mês anterior, atingindo o menor nível da série iniciada em setembro de 2005. A retração ocorreu em decorrência dos recuos de 5,6% no índice da situação presente (ISP) e de 3,2% no índice de expectativas (IE). Quando comparado a fevereiro de 2008, observa-se diminuição de 17,5% no ICC, resultado das quedas de 15,5% no ISP e de 18,6% no IE.
 
50. Ainda segundo a FGV, a confiança dos empresários da indústria manteve-se praticamente estável nos dois primeiros meses de 2009, após queda no último trimestre do ano passado, permanecendo em patamar inferior a 80 pontos. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) alcançou 76,3 pontos em fevereiro, após ajuste sazonal, com elevação de 1 ponto em relação a janeiro. Pelo segundo mês consecutivo, o índice com ajuste sazonal apresentou crescimento, indicando recuperação nas expectativas positivas do empresariado em relação à atividade industrial. Dentre seus componentes, também após ajuste sazonal, o índice de situação atual (ISA) registrou 77,4 pontos, decréscimo de 0,9% em relação a janeiro, enquanto o IE apresentou expansão de 3,7%, atingindo 75,2 pontos. Por categorias de uso, todos os indicadores apresentaram elevação no mês, mas se mantiveram abaixo de 100 pontos. Bens de consumo destacaram-se por continuar sendo a categoria de uso com maior nível de confiança e maior recuperação no mês, de 12,9 pontos, ante 4,1 pontos registrados pela indústria geral. Por gêneros industriais, o segmento de material de transporte registrou a recuperação mais expressiva no ICI, 34,1 pontos, alcançando 83 pontos em fevereiro. Os setores de mecânica, papel e celulose e outros produtos atingiram o menor patamar histórico da série. Em relação a fevereiro de 2008, produtos alimentares e farmacêuticos apresentaram as menores quedas no índice de confiança, de 11,3 pontos e 14,3 pontos, respectivamente, enquanto a indústria geral apresentou retração de 24,6 pontos.    
 
51. Conforme a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pela FGV, o Nuci atingiu 76,9% em fevereiro, 7,8 p.p. abaixo do registrado para o mesmo mês do ano anterior, percentual equivalente a 77,5% na série dessazonalizada, 0,5 p.p. menor que o do mês anterior, tendo atingido, por esse último critério, o menor índice da série histórica. Todas as categorias de uso apresentam queda em relação a fevereiro do ano anterior, com destaque para a retração em bens de capital, 15,2 p.p. Por gêneros industriais, apenas os índices relativos a produtos alimentícios e produtos farmacêuticos e veterinários apresentaram expansão em comparação com igual período do ano anterior, 0,6 p.p. e 0,4 p.p., respectivamente. Entre os setores com retrações no Nuci, destacaram-se metalurgia (25,6 p.p.) e mecânica (20,4 p.p.), para o mesmo tipo de comparação.   
 
Mercado de trabalho
 
52. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, 101,7 mil postos de trabalho formais foram eliminados em janeiro. Os dados dessazonalizados mostraram declínio mensal de 0,2% no nível de emprego. Entre as atividades, a indústria de transformação registrou o maior número de redução de postos de trabalho, 55,1 mil, seguida pelo comércio, com fechamento de 50,8 mil vagas. Os setores de serviços e construção civil aumentaram o número de empregos no período em 0,08% e 0,06%, respectivamente, considerando dados dessazonalizados. Houve aumento de 4,1% no número de postos de trabalho criados em doze meses até janeiro, liderado pela construção civil, 10,8%, seguida pelos segmentos de comércio, 5,4%, e serviços, 5,2%.
 
53. Conforme a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de desemprego aberto em janeiro alcançou 8,2% da População Economicamente Ativa (PEA), representando alta de 1,4 p.p. em relação ao mês anterior. Em relação a janeiro de 2008, a taxa registrou elevação de 0,2 p.p., primeiro crescimento na comparação interanual desde outubro de 2006. Na série dessazonalizada, a taxa passou de 7,8% em dezembro para 8,6% em janeiro, refletindo quedas de 1,6% na ocupação e de 0,1% na PEA.
 
54. A ocupação, comparativamente a igual mês do ano anterior, cresceu 1,9%, representando desaceleração em relação à média de expansão observada no ano passado, 3,4%. A PEA registrou crescimento de 2,1% em relação a janeiro do ano passado, pouco acima da taxa média de 1,8% verificada em 2008. O emprego com carteira assinada diminuiu 1,3% entre dezembro e janeiro, significando 129 mil postos de trabalho; o número de trabalhadores sem carteira e dos que trabalham por conta própria diminuiu 127 mil (4,5%) e 88 mil (2,2%), respectivamente.
 
55. De acordo com a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido aumentou 2,2% em janeiro, ante dezembro, e 5,9% comparativamente ao mesmo mês do ano anterior. A massa salarial real apresentou alta de 0,5% em janeiro, ante o mês anterior, e 7,8% relativamente a janeiro de 2008.
 
56. Segundo dados da CNI, o contingente de pessoal empregado na indústria de transformação caiu 1,1% em janeiro, após queda de 0,5% em dezembro, o que resultou em decréscimo de 1,1% no trimestre terminado em janeiro, relativamente ao trimestre anterior, segundo a série dessazonalizada pelo Banco Central. Em comparação com janeiro de 2008, o pessoal empregado caiu 0,1%, enquanto a massa salarial real paga pelo setor industrial cresceu 2,1%.
 
Crédito e inadimplência
 
57. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.230 bilhões em janeiro, com crescimento de 0,2% no mês e 30,1% em doze meses. Esse volume representou 41,2% do PIB, ante 41,1% em dezembro e 34,2% em janeiro de 2008. As operações com recursos livres declinaram 0,2% no mês e, em doze meses, aumentaram 30,4%. Entre as operações de crédito com recursos livres, que representam 70,8% do total do sistema financeiro, o saldo das operações com pessoas físicas cresceu 1,3% no mês e 23,2% em doze meses, enquanto aquelas realizadas com pessoas jurídicas recuaram 1,4% em janeiro, mantendo expansão de 37,2% em relação ao mesmo mês de 2008. As operações com recursos direcionados registraram expansões de 1,1% no mês e de 29,5% em doze meses, com destaque para os aumentos mensais de 1,9% nos financiamentos habitacionais e de 1,2% nos financiamentos efetuados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
 
58. As operações de arrendamento mercantil, no segmento pessoas físicas, continuam perdendo dinamismo na margem, com a expansão em doze meses declinando de 116,3% em outubro para 84,1% em janeiro. Considerada a segmentação por atividade econômica, o saldo dos empréstimos à indústria registrou retração de 0,8% no mês e expansão de 36,5% em doze meses. 
 
59. A taxa média de juros ativa, incidente sobre as operações de crédito referenciais, situou-se em 42,4% a.a. em janeiro, ante 43,3% a.a. em dezembro e 37,3% a.a. janeiro de 2008. A taxa média das operações com pessoas físicas decresceu 3 p.p. em relação a dezembro e atingiu 55,1%. Nos empréstimos contratados com pessoas jurídicas, houve crescimento de 0,3 p.p. ante dezembro, alcançando 31%, mas ainda inferior aos patamares observados em outubro e novembro, de 31,8% e 31,4%, respectivamente. Em janeiro de 2008, as taxas médias encontravam-se nos níveis de 48,8% e 24,7%, respectivamente.
 
60. O prazo médio das operações de crédito referenciais situou-se em 375 dias em janeiro, ante 379 dias no mês anterior e 371 dias em janeiro de 2008. Nas operações com pessoas jurídicas, o prazo médio atingiu 297 dias, enquanto nas operações realizadas com pessoas físicas, 484 dias, ante 308 dias e 445 dias, respectivamente, em janeiro de 2008.
 
61. A taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 4,6% em janeiro, 0,2 p.p. maior em relação ao mês correspondente de 2008. Por segmentos, as taxas relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas alcançaram, respectivamente, 2% e 8,3%, comparativamente a 2% e 7,1% em janeiro de 2008.
 
62. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, alcançou 7,8% em fevereiro, ante 6,4% no mesmo mês do ano anterior.
 
Ambiente externo
 
63. O cenário econômico mundial continua refletindo o agravamento da crise financeira internacional, com impactos sobre o crédito e a atividade econômica global. Nesse contexto, dados econômicos recentes apontam para contrações do consumo e do investimento privado, aprofundamento da perda de dinamismo no comércio internacional, aumento das taxas de desemprego e ampliação do hiato do produto. A debilidade da demanda agregada nas economias maduras passou a contaminar, também, as economias emergentes que ainda mostravam relativa resiliência. As atuais condições de falta de liquidez e de degradação adicional das perspectivas de crescimento configuram-se como o cenário mais provável para o curto e médio prazo, o que contribui para que o sistema financeiro global permaneça sob severo estresse.
 
64. Como expressão desse quadro de recessão global, os preços da energia e das commodities mantiveram-se em patamares baixos, o que se traduziu em reduções importantes nos índices de inflação. Nos EUA, apesar de pequena alta na margem, o recuo dos preços da energia continuou contribuindo para a diminuição da inflação que, de 5,6% nos doze meses encerrados em julho de 2008, registrou 0,03% em janeiro de 2009. Não menos expressivos são os recuos de preços nas demais economias maduras. Para o período, as variações de preços recuaram de 2,3% para 0,0% no Japão, de 4,0% para 1,1% na Área do Euro e de 5,2% para 3,0% no Reino Unido, nesse caso entre setembro e janeiro.
 
65. Diante do aprofundamento das restrições ao crédito, da crise nos sistemas financeiros e do atual comportamento da inflação, os bancos centrais, tanto das economias maduras quanto das economias emergentes, foram instados a aumentar o volume de recursos injetados em seus sistemas financeiros e a aprofundar a flexibilização de suas políticas monetárias, de modo a mitigar o risco de deflação, em especial nas economias maduras e na China. Essa flexibilização também é perceptível na América Latina, onde os bancos centrais de Colômbia, Chile, México, Brasil e Peru têm dado prosseguimento aos ciclos de redução de juros. Destaque-se que, nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Canadá, Suécia e Suíça, onde os juros estão muito próximos a zero, os bancos centrais começaram ou estudam começar compras diretas de títulos públicos ou privados de longo prazo. Adicionalmente, diversas medidas de estímulo fiscal e monetário foram editadas ou prorrogadas objetivando a normalização do consumo, do mercado imobiliário e dos mercados financeiros globais. Por exemplo, nos EUA, foram anunciados ou lançados programas de empréstimos a bancos para estimular o consumo privado e a atividade de pequenas empresas, o que se soma a novos planos tanto de estímulo fiscal quanto de apoio ao sistema financeiro.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
66. A balança comercial alcançou superávit de US$1,8 bilhão em fevereiro, totalizando US$1,2 bilhão no primeiro bimestre de 2009. No mês, as exportações somaram US$9,6 bilhões e as importações, US$7,8 bilhões, com retrações respectivas de 20,9% e 30,9%, comparativamente a fevereiro de 2008, consideradas as médias diárias. A corrente de comércio atingiu US$17,4 bilhões em fevereiro, com declínio de 25,8% pelas médias diárias, em relação a igual mês do ano anterior.
 
67. Os recuos nas exportações e nas importações no primeiro bimestre, 21,9% e 21,6%, respectivamente, refletem o arrefecimento da atividade econômica mundial e doméstica, que supera os prognósticos iniciais, trazendo preocupações quanto ao desempenho do comércio mundial para 2009.
 
68. As reservas internacionais, no conceito de liquidez, somaram US$199,4 bilhões em fevereiro, com diminuição de US$1,4 bilhão em relação ao mês anterior. No conceito caixa, totalizaram US$186,9 bilhões, com redução de US$1,2 bilhão em relação à posição do final de janeiro.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
69. No período posterior à reunião do Copom de janeiro e até o início do mês de março, as taxas de juros futuros para prazos de até um ano apresentaram recuo expressivo. Esse movimento foi influenciado, no âmbito doméstico, pela divulgação de dados indicando forte retração da atividade econômica e enfraquecimento do mercado de trabalho, bem como pela melhora dos índices de inflação corrente e das expectativas inflacionárias. As taxas de longo prazo encerraram o período apresentando redução menos intensa, influenciadas principalmente pela manutenção das incertezas quanto aos rumos da economia global. Entre 19 de janeiro e 9 de março, as taxas de juros de um, de três e de seis meses recuaram, respectivamente, 1,43 p.p., 1,54 p.p. e 1,48 p.p. As taxas para os prazos de um, dois e três anos cederam 1,16 p.p., 0,88 p.p. e 0,45 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, caiu de 6,25% em 19 de janeiro, para 5,51% em 9 de março. 
 
70. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, no período de 20 de janeiro a 9 de março, operações compromissadas longas, tomando recursos por prazos de cinco e de sete meses. O saldo diário médio do estoque dessas operações foi de R$41,1 bilhões, dos quais R$26,2 bilhões em operações de sete meses. No mesmo período, foram realizadas operações compromissadas de 33 e de dezesseis dias úteis em 22 de janeiro, de 26 dias úteis em 2 de fevereiro, de 21 dias úteis em 9 de fevereiro e de dezesseis dias úteis em 16 de fevereiro. Essas operações retiraram do mercado R$207,1 bilhões, R$23,9 bilhões, R$2,5 bilhões, R$11,4 bilhões e R$20,9 bilhões, respectivamente, levando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo ao montante de R$237,9 bilhões. O Banco Central atuou ainda em 33 oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo; e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com prazos de um e de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$105,3 bilhões no período considerado.
 
71. No período de 20 de janeiro a 9 de março, o Banco Central realizou leilões de swap cambial tradicional destinados à rolagem dos vencimentos de 2 de fevereiro e 2 de março. O total dessas operações alcançou o montante equivalente a US$13,8 bilhões.
 
72. Entre 20 de janeiro e 9 de março, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos leilões tradicionais somaram R$37,4 bilhões. A colocação de títulos de remuneração prefixada alcançou R$20,0 bilhões, sendo R$19,0 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2009, 2010 e 2011 e R$1,0 bilhão em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2013 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$14,3 bilhões, com a emissão de títulos de vencimento em 2012, 2013 e 2015. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos de vencimento em 2011, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$3,1 bilhões.
 
73. No mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN com vencimento em outubro de 2009 e abril de 2010 conjugada à compra de LTN de vencimento em abril de 2009, em um total de R$1,5 bilhão; e leilões de venda de LFT de vencimento em setembro de 2013 conjugada à compra de LFT de vencimento em março e em junho de 2009, que somaram R$1,0 bilhão. As vendas de NTN-B liquidadas mediante a entrega de outros títulos somaram R$3,4 bilhões e envolveram títulos de vencimento em 2011, 2014, 2020, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou, também, leilões de compra de LTN, de NTN-B e de NTN-F que alcançaram R$1,0 bilhão, R$0,4 bilhão e R$83 mil, respectivamente.