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www.bcb.gov.br
![]() Sumário
Data: 20 e
21/01/2009
Local: Sala
de reuniões do 8º andar (20/01) e do 20º andar (21/01) do Edifício-Sede do
Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h55 (20/01) e 16h20 (21/01)
Horário de término: 18h50 (20/01) e 18h40 (21/01)
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles –
Presidente
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria Celina Berardinelli Arraes
Mario Gomes Torós
Mário Magalhães Carvalho Mesquita
Chefes de Departamento (presentes no dia 20)
Altamir Lopes – Departamento
Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo –
Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 21)
João Henrique de Paula Freitas Simão
– Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antônio Marciano – Departamento
de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Ariosto Revoredo de Carvalho –
Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek –
Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
Demais participantes (presentes no dia 20)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da
Diretoria
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor
da Diretoria
Katherine Hennings – Consultora da
Diretoria
Sergio Almeida de Souza Lima –
Secretário-Executivo
Valderez Caetano Paes de Almeida –
Assessora de Imprensa
Os membros do Copom analisaram a
evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia
internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é
atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
1.
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) recuou de 0,36% em novembro para 0,28% em dezembro. Note-se que, ao
contrário dos trimestres anteriores, no último trimestre de 2008 a inflação
acumulada (1,09%) foi sensivelmente inferior àquela registrada em igual período
de 2007 (1,43%). Com isso, a inflação alcançou 5,90% em 2008 – a maior variação
desde 2005 – ante 4,46% em 2007 e 6,39% em doze meses até novembro de 2008. Sob
o critério da variação acumulada em doze meses, a aceleração do nível de preços
ao consumidor em 2008 refletiu tanto o comportamento dos preços administrados
por contrato e monitorados quanto o dos preços livres. Com efeito, os
incrementos dos preços livres e dos administrados alcançaram 7,05% e 3,27%,
respectivamente, ante 5,73% e 1,65% em 2007. Além disso, note-se que, também em
doze meses, tanto os preços de bens comercializáveis quanto os de itens não
comercializáveis mostraram aceleração, variando 6,99% e 7,09%, respectivamente
(4,75% e 6,65% em 2007). No caso dos preços de serviços, cuja dinâmica tende a
exibir mais persistência do que a dos preços de bens, a inflação acumulada em
doze meses recuou de 6,48% em novembro para 6,39% em dezembro (5,19% em
dezembro de 2007). Evidências preliminares relativas a janeiro apontam inflação
ao consumidor em patamar superior ao observado em dezembro. Considerando-se
perspectiva mais ampla, a inflação em doze meses do IPCA entrou em trajetória
de elevação desde o segundo trimestre de 2007, atingiu patamares próximos ao
limite superior do intervalo de tolerância a partir de junho de 2008 e vem
recuando desde outubro (quando atingiu 6,41%) – a variação dos preços livres,
sob esse critério de comparação, que passaram a acelerar mais intensamente a
partir do segundo trimestre de 2007, começou a arrefecer no terceiro trimestre
de 2008. No caso dos itens administrados, cujo comportamento incorpora de forma
mais intensa desenvolvimentos inflacionários pretéritos, as taxas em doze meses
seguem tendência de elevação. Em síntese, o conjunto das informações
disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado nos últimos trimestres
tende a ser superado, gradativamente, em processo que deve ser liderado pelo
comportamento dos preços livres, uma vez que a inflação dos preços
administrados deve mostrar maior persistência.
2. As três
principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central
exibiram comportamento distinto nos últimos meses, mas mostraram convergência
em dezembro. O núcleo por exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio
recuou de 0,51% em outubro para 0,36% em novembro e 0,33% em dezembro. Já as
medidas de núcleo pelos critérios de médias aparadas com suavização e sem
suavização mostraram relativa estabilidade, com taxas de 0,37% e 0,32% em
outubro, 0,35% e 0,28% em novembro e 0,33% em dezembro, respectivamente. Assim
como no caso da inflação plena, em 2008 as três medidas de núcleo exibiram
sensível elevação ante as taxas verificadas em 2007, com deslocamentos de
4,11%, 4,04% e 3,62%, para 6,09%, 4,82% e 4,92%, para o índice por exclusão,
médias aparadas com e sem suavização, respectivamente. Também em consonância
com o comportamento da inflação plena, as taxas de variação acumulada em doze
meses para as medidas de núcleo parecem ter atingido pontos máximos em setembro
(pelo critério de médias aparadas, com ou sem suavização) ou em outubro (por
exclusão), recuando posteriormente, ainda que para patamares superiores ao
valor central da meta. Cabe notar, adicionalmente, que o índice de difusão do
IPCA, que havia mostrado elevação substancial em novembro e continuava
apontando para um processo inflacionário relativamente disseminado, recuou em
dezembro (de 64,58 para 61,72, ante 61,98 em dezembro de 2007).
3. A inflação medida
pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) se deslocou de
0,07% em novembro para -0,44% em dezembro. No acumulado em doze meses, a
variação do IGP-DI recuou de 11,20% em novembro para 9,10% em dezembro, ante 7,89%
em dezembro de 2007. A aceleração do IGP-DI em 2008 refletiu o comportamento de
seus três principais componentes. O Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) variou 6,07% (4,60% em
2007), e o Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI) teve incremento de 9,80%
(9,44% em 2007). Na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção
Civil (INCC) variou 11,87% (6,15% em 2007). No que se refere ao IPA-DI, a
aceleração inflacionária, sob esse critério de comparação, deriva basicamente
do comportamento dos preços industriais. A variação do IPA agrícola atingiu
1,64% (24,82% em 2007), e a elevação dos preços industriais no atacado chegou a
12,96% (4,42% em 2007). Note-se que, não obstante os efeitos da depreciação
cambial ocorrida desde agosto, tanto os preços agrícolas no atacado quanto os
industriais têm registrado deflação na margem. Conforme destacado em Notas de
reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços
no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições
atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em
relação à trajetória futura da inflação.
4. A média móvel
trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados
dessazonalizados pelo IBGE, recuou 2,1% novembro, após queda de 0,8% no mês
anterior. Ainda considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês,
após o recuo de 2,8% verificado em outubro, a produção física da indústria
decresceu 5,2% em novembro (com três dias úteis a menos do que o mês anterior).
Cabe registrar que os severos problemas climáticos observados no Sul do país
também influenciaram o desempenho industrial em novembro. Com isso, a produção
da indústria geral mostra crescimento de 4,7% no ano até novembro, com 4,6% na
indústria de transformação e 6,2% na extrativa. Na comparação com o mesmo mês
do ano anterior, a produção industrial exibiu recuo de 6,2% em novembro, com
queda de 4,6% para a indústria extrativa e de 6,3% na de transformação.
Informações disponíveis referentes aos últimos meses apontam, em suma, para
interrupção do ciclo de expansão da produção industrial no último trimestre de
2008. A atividade industrial vem sendo influenciada pela crise internacional,
seja por seus efeitos sobre as condições de crédito, seja sobre as expectativas
das empresas e das famílias. Nesse contexto, diversos segmentos industriais têm
sido levados a ajustar estoques e a reduzir a produção, destacando-se os
setores de transporte, em especial veículos, mineração, siderúrgico e
petroquímico.
5. Entre as
categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens
de capital recuou 4,0% em novembro. No que se refere às demais categorias, a
produção de bens intermediários recuou 3,9%; a de semiduráveis, 0,7%; e a
produção de bens de consumo duráveis, fortemente influenciada pelo setor
automotivo, teve redução de 20,4%. Em termos de expansão acumulada no ano, o
setor de bens de capital lidera, com 16,9%, seguido pelo setor de bens duráveis
(7,3%). A perda recente de dinamismo da produção de bens de capital reflete a
persistência da turbulência financeira internacional e suas conseqüências sobre
a confiança empresarial. Por sua vez, o arrefecimento no ritmo de expansão da
produção de bens duráveis reflete, em grande parte, o aperto nas condições de
crédito, a deterioração das expectativas dos consumidores e o processo de
redução de estoques acima citado. Tais desenvolvimentos devem continuar a ser
evidenciados pelos dados relativos a dezembro.
6. O mercado de
trabalho passou a registrar indicadores ambíguos, combinando aspectos
favoráveis com expressiva acomodação da geração de empregos formais na margem.
A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) deslocou-se de 7,5% em outubro para 7,6% em novembro,
ante 8,3% em novembro de 2007. Com isso, a taxa média de desemprego nos
primeiros onze meses do ano foi 1,5 p.p. inferior à observada em igual
período de 2007. Na série dessazonalizada, a taxa situou-se em 7,8%, acima dos
7,6% observados em outubro, permanecendo, contudo, em patamar historicamente
reduzido. O rendimento médio habitual registrou alta de 11,4% em novembro,
comparativamente ao mesmo mês de 2007 (12% em outubro), acumulando alta de 9,9%
no ano e de 9,6% em 12 meses. Em novembro, o rendimento médio real
habitualmente recebido teve elevação de 0,9% ante outubro (elevação de 4,0%
ante novembro de 2007). Nos primeiros onze meses do ano, o rendimento médio
real teve alta de 3,4%, e o pessoal ocupado cresceu 3,8%. Em conseqüência, a
expansão da massa salarial real atingiu 7,4% (expansão de 6,9% em novembro,
ante o mesmo mês de 2007), continuando a constituir fator-chave para a
sustentação da demanda doméstica. Por sua vez, o emprego na indústria de transformação
recuou 0,6% em novembro, após variação de 0,1% em outubro, o que resultou em
crescimento de 0,8% no trimestre terminado em novembro, relativamente ao
trimestre anterior, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo mês do ano
anterior, o incremento do pessoal empregado atingiu 2,9%, com variação em doze
meses alcançando 4,2%. Segundo dados do IBGE, o pessoal ocupado na indústria
caiu 0,6% em novembro (após queda de 0,1% em outubro e alta de 0,1% em
setembro), na série com ajuste sazonal, acumulando alta de 2,5% em doze meses e
de 0,4% comparativamente a novembro de 2007. Ainda sobre emprego, dados
divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam substancial perda
de dinamismo da geração de vagas no setor formal no final de 2008. Em dezembro,
foram fechados 654.946 postos de trabalho (ante saldo negativo de 40.821 em
novembro), aproximadamente o dobro da média histórica para o mês. Por outro
lado, no acumulado do ano, o saldo de emprego é o terceiro maior da série
histórica, tendo atingido 1.452 mil contratações para o período, resultado
inferior apenas a 2007 (1.617 mil postos de trabalho) e a 2004 (1.523 mil
postos). Dados dessazonalizados mostram redução de 0,2% no nível de emprego
formal em dezembro, e dados observados apontam incremento de 6,4% em doze
meses. O setor que mais demitiu no mês foi a Indústria de Transformação, ao
fechar 273.240 postos (variação dessazonalizada de –1,1%). Logo em seguida,
tem-se a Agropecuária e os Serviços, que demitiram 134.487 e 117.128 pessoas,
respectivamente. A Construção Civil destruiu outros 82.432 postos (–0,7%). O
Comércio demitiu 15.092 trabalhadores (0,2%). No ano, o setor que mais gerou
postos de trabalho foi o de Serviços (648.259 postos, ou crescimento de 6%),
saldo que representa recorde histórico para o setor. Em seguida vem o Comércio
(382.218 postos; 6,7%); a Construção Civil (197.868 postos; 17,4%) – resultado
recorde da série; e a Indústria de Transformação (178.675 postos, ou 5,6%).
7. O volume de
vendas do comércio varejista ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados
pelo IBGE, teve redução de 3,4% em novembro, após recuo de 8,3% em outubro. Na
comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve redução de 4,1%, resultando
em crescimento de 11% no ano. A média móvel trimestral da taxa de crescimento
do comércio varejista ampliado recuou 3,7% em novembro, comparativamente ao
trimestre encerrado em agosto, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o
mês anterior, pela série com ajuste sazonal, os destaques positivos foram
vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,6%);
de livros, jornais, revistas e papelaria (1,3%); e hiper, supermercados e
produtos alimentícios (0,7%). Os negativos, veículos e motos, partes e peças
(-7,0%) e equipamentos e material para escritório (-9,8%), segmentos mais
sensíveis às condições de crédito. No ano até novembro, o crescimento acumulado
foi maior nos segmentos de equipamentos e material para escritório (33,2%) e
outros artigos de uso pessoal e doméstico (17,8%). Assim como em outubro e
novembro, os dados do comércio ampliado para dezembro devem evidenciar os
efeitos das restrições à oferta de crédito e da deterioração da confiança dos
consumidores sobre as vendas de veículos, já capturados pelas estatísticas da
Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) para
esse mês. Evidências preliminares para janeiro, contudo, indicam certa
recuperação nas vendas de veículos, em parte em resposta a incentivos setoriais
concedidos pelo governo. O sólido desempenho do comércio varejista
vinha, em suma, refletindo tanto o comportamento dos segmentos mais sensíveis à
expansão da renda e do emprego quanto o daqueles mais sensíveis às condições de
crédito. Nos próximos trimestres, a trajetória do comércio varejista continuará
sendo sustentada pelas transferências governamentais e pelo crescimento da
massa salarial real, cuja evolução deve ser beneficiada pela redução da
inflação, mas será também afetada pela mudança nas condições de acesso ao
crédito e pela deterioração da confiança dos consumidores.
8. O Nível de
Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu
81,3% em novembro, abaixo do patamar observado em outubro, segundo dados da CNI
dessazonalizados pelo Banco Central. A série dessazonalizada pela própria CNI
também mostra redução, tendo atingido 81,6% em novembro, ante 82,6% em outubro.
Considerando a série sem ajuste sazonal, em novembro, o Nuci situou-se 2,0 p.p.
abaixo do patamar registrado no mesmo mês de 2007. Com isso, a taxa média dos
onze meses do ano foi 0,5 p.p. superior à observada em igual período de 2007.
Por sua vez, o Nuci mensal sem ajuste sazonal, calculado pela Fundação Getulio
Vargas (FGV), recuou de forma expressiva em dezembro, para 80,60%, 6,10 p.p.,
abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2007. Essa redução da taxa de
utilização da capacidade, na comparação interanual, também se verifica na
indústria de bens de consumo (-9,5 p.p.), de bens intermediários (-6,0 p.p.),
bens de capital (-2,6 p.p.) e de material de construção (-4,9 p.p.). A redução
dos indicadores de utilização compilados pela CNI e pela FGV parece resultar de
combinação da maturação de projetos de investimento com a acomodação da
atividade e sinaliza sensível ampliação da margem de ociosidade da indústria.
Por outro lado, dados sobre a absorção de bens de capital mostram quadro de
retração na margem, ainda que continuem mostrando expansão, comparativamente
aos mesmos períodos de 2007. A absorção de bens de capital apresentou queda de
7,7% em novembro, segundo dados dessazonalizados, e crescimento de 21,8% no
acumulado do ano, no que se refere a dados observados. Por sua vez, a produção
de insumos para a construção civil recuou 4,6% na margem em novembro, após
registrar estabilidade em outubro, crescendo 9,7% no acumulado do ano. Em
síntese, as evidências sugerem que ocorre redução das pressões de demanda sobre
a capacidade produtiva da indústria. A propósito, como assinalado em Notas
anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita
relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação
da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento à demanda.
9. A balança comercial
continua registrando perda de vigor na margem, tendência já antecipada e que
está em consonância com avaliações expressas em Relatórios de Inflação e em
Notas de reuniões anteriores do Copom. O saldo acumulado em 2008 totalizou
US$24,7 bilhões (38,2% inferior ao verificado em 2007). Esse resultado adveio
de US$197,9 bilhões em exportações e US$173,2 bilhões em importações, com
crescimento de 23,2% e de 43,6%, respectivamente, em relação a 2007. A reversão
da trajetória de apreciação cambial e a acomodação do ritmo de expansão da
demanda doméstica podem contribuir para a recuperação do superávit comercial,
mas a queda dos preços de exportações atua na direção oposta. A redução dos
superávits comerciais contribuiu para que o saldo em transações correntes
registrasse deficit de US$26,3 bilhões em doze meses até novembro de 2008,
equivalente a 1,7% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos
chegaram, nos doze meses até novembro, a US$37,8 bilhões, equivalentes a 2,4%
do PIB.
10. O período desde a
reunião anterior do Copom foi marcado pela continuidade do estresse nos
mercados financeiros internacionais, com origem nos Estados Unidos da América
(EUA) e na Europa, mas cujas repercussões sobre as economias emergentes
continuam sendo significativas. O aumento da aversão ao risco, a partir de
meados de setembro, após a quebra de importante instituição financeira
norte-americana, levou as autoridades nos EUA, na Europa e na Oceania a
intervirem de forma inédita em seus sistemas financeiros, utilizando ampla gama
de instrumentos, com vistas a assegurar condições mínimas de funcionamento e
liquidez nos mercados monetários. A percepção de risco sistêmico, que havia
mostrado alguma moderação, voltou a se intensificar nas últimas semanas. A
contração da liquidez internacional continuou contribuindo para um processo de
desalavancagem por parte de administradores de recursos, o que, por sua vez,
vem exercendo influência baixista sobre os preços de ativos. Em ambiente de
mais aversão ao risco e de fluxos de capitais mais escassos, a volatilidade das
moedas de economias emergentes continua, ainda que sem a tendência generalizada
de depreciação ante o dólar americano observada nos meses finais de 2008.
11. No que se refere
ao cenário macroeconômico global, tendências contracionistas prevalecem sobre
as pressões inflacionárias. A visão dominante continua indicando expansão,
ainda que em ritmo bastante modesto, da economia mundial em 2009, mas dados
divulgados nas últimas semanas sugerem enfraquecimento intenso e generalizado
da atividade nas economias maduras e em diversas economias emergentes. Há
evidências de que a debilidade mais pronunciada da atividade econômica na
Europa e em partes da Ásia deveu-se, em importante medida, ao choque negativo
de termos de troca ocasionado pela elevação dos preços de commodities, que está
sendo revertido. Por outro lado, os problemas do
sistema financeiro internacional continuam sendo agravados por uma deterioração
cíclica na qualidade do crédito, o que tende a reforçar a contração das
condições financeiras e, por conseguinte, o risco de intensificação da
desaceleração. A economia dos EUA em particular está em recessão desde o final
de 2007 e continua sofrendo o impacto da crise no setor imobiliário, com
efeitos sobre o mercado de trabalho, cujo enfraquecimento, em combinação com o
efeito riqueza negativo associado às quedas dos preços de ativos financeiros,
tem afetado a confiança dos consumidores, contribuindo de forma importante para
deprimir o dispêndio. Além disso, a avaliação predominante é de que a atividade
na Europa e no Japão deve continuar apresentando perda de dinamismo nos
próximos meses. Nas economias maduras, onde a ancoragem das expectativas de
inflação é mais forte, e a atividade econômica vem se enfraquecendo consideravelmente,
as pressões inflacionárias têm mostrado redução rápida. Nas economias
emergentes, em que os efeitos secundários da elevação dos preços de
matérias-primas sobre os preços ao consumidor e as pressões da demanda aquecida
sobre a capacidade de expansão da oferta vinham sendo mais intensos, as
pressões inflacionárias têm também declinado, embora mostrem, em diversos
casos, maior persistência. Nesse contexto, ao mesmo tempo em que as políticas
monetárias adquiriram caráter fortemente expansionista nas economias maduras,
nas economias emergentes, que, além dos fatores citados acima, têm sido
influenciadas pela tendência de depreciação cambial, a reação tem sido
heterogênea, mas com viés dominante também expansionista. Nas economias maduras
as autoridades vêm anunciando uma série importante de iniciativas voltadas a
sustentar a atividade, mormente por meio de estímulos fiscais, o que poderia
contribuir para uma gradual retomada econômica. Por outro lado, as estimativas
sobre os custos fiscais dos pacotes de estímulo macroeconômico e de apoio ao
setor financeiro vêm se elevando, o que tem suscitado pressões sobre a
classificação de risco de diversos créditos soberanos, até mesmo em economias
avançadas.
12. Os preços do
petróleo continuam altamente voláteis, a despeito de atualmente se encontrarem
em patamares próximos àqueles observados por ocasião da última reunião deste
Comitê. As cotações nos mercados futuros também têm, em linhas gerais, mostrado
volatilidade, sem tendência definida. A incerteza que envolve essas cotações
segue elevada, uma vez que o cenário prospectivo depende da evolução da
demanda, especialmente nas economias emergentes, da resposta da oferta aos
estímulos derivados de mudanças de preços relativos ocorridas, além das
questões geopolíticas que atuam sobre os preços dessa mercadoria. Não obstante,
a despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória
dos preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que
prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2009, permanece plausível,
mas, a persistir o quadro atual do mercado de petróleo, não parece prudente
descartar por completo a hipótese de que ocorra redução de preços. Cabe
assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços
domésticos da gasolina, a redução dos preços internacionais do petróleo
verificada no segundo semestre de 2008 pode eventualmente se transmitir à
economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica,
quanto pelo efeito potencial sobre as expectativas de inflação. Note-se, por
outro lado, que os preços de commodities agrícolas que tem impacto
particularmente importante para a evolução dos custos alimentares, como trigo,
soja e milho, registraram elevação substancial desde a última reunião do Copom,
reagindo a problemas climáticos em importantes regiões produtoras, bem como ao
aparente esgotamento do processo de reposicionamento por parte de investidores
não tradicionais nesses mercados.
13.
Os
choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo
conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações
contempla as seguintes hipóteses:
a)
do
mesmo modo que na reunião do Copom de dezembro, projeta-se reajuste de 0% no
preço da gasolina, bem como no do gás de bujão, para o acumulado de 2009;
b)
as
projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o
acumulado em 2009, foram mantidas respectivamente em 5,0% e 8,1%, valores
considerados na reunião do Copom de dezembro;
c)
a
projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços
administrados para o acumulado de 2009 se manteve em 5,5%, conforme considerado
na reunião de dezembro. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados
publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,56% do total do IPCA de dezembro;
d)
a
projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para
2010 se encontra em 4,8%. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação
endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes
sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo
Índice Geral de Preços (IGP); e
e)
a
trajetória estimada para a taxa do swap
de 360 dias indica spread sobre a
taxa Selic, no cenário de referência, de 5 p.b. no quarto trimestre de 2009 e
de 22 p.b. no último trimestre de 2010. Os choques identificados e seus
impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis.
14. Em relação à
política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de trabalho do
cumprimento da meta legal de superávit primário de 3,8% do PIB em 2008 e em
2009. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.
15. Desde a última
reunião do Copom, houve substancial redução na mediana das expectativas
coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin)
para a variação do IPCA em 2009, que passou de 5,20% para 4,80%. Para 2010, as
expectativas de inflação se encontram em 4,50%.
16. Considerando-se
as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa
de câmbio em R$2,35 e da taxa Selic em 13,75% ao ano em todo o horizonte, a
projeção para a inflação em 2009 recuou em relação ao valor considerado na
reunião do Copom de dezembro e se situa abaixo do valor central de 4,50% para a
meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que
leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas
no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação
para 2009 recuou ligeiramente em relação ao valor considerado na última reunião
do Copom, mas ainda permanece ao redor do valor central para a meta de
inflação. Para 2010, a projeção de inflação, segundo o cenário de referência,
recuou em relação ao valor considerado no “Relatório de Inflação” de dezembro e
se encontra sensivelmente abaixo do valor central de 4,50%, e no cenário de
mercado, sofreu ligeira elevação e se encontra em torno do valor central de
4,50%.
17. O Copom avalia que a política
monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico
favorável em horizontes mais longos. Os dados disponíveis referentes à
atividade econômica indicam que o ritmo de expansão da demanda, que continuava
bastante robusto até o terceiro trimestre de 2008, respondendo, ao menos
parcialmente, pelas pressões inflacionárias, arrefeceu consideravelmente desde
então, em parte em reação ao substancial e generalizado desaquecimento da
atividade em outras economias, avançadas e emergentes. Por sua vez, o aumento
da aversão ao risco e o aperto, inédito nas últimas décadas, das condições de
liquidez prevalentes nos mercados internacionais continuam impondo ajuste no
balanço de pagamentos. Assim, em linhas gerais, a influência do cenário externo
sobre a trajetória prospectiva da inflação brasileira continua sujeita a
efeitos, a princípio contraditórios, que podem atuar com intensidade distinta
ao longo do tempo, e envolta em considerável incerteza. Por um lado, o
desaquecimento econômico tem ocasionado aumento da aversão ao risco, afetando a
demanda por ativos brasileiros e ocasionando depreciação de seus preços. Por
outro lado, a desaceleração mais generalizada da atividade observada nos
últimos meses, que pode persistir nos próximos trimestres, vem ocasionando
arrefecimento tanto dos preços de commodities quanto da demanda externa,
influenciando negativamente também as condições financeiras locais. Note-se,
adicionalmente, que a trajetória dos índices de preços evidencia significativa
redução das pressões inflacionárias externas, especialmente nas economias
maduras, mas também em algumas emergentes. Dessa forma, o efeito líquido da
desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica parece ser, até o
momento, predominantemente benigno. O Copom enfatiza que o principal desafio da
política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis
obtidos nos últimos anos sejam preservados.
18. O Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias
inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da
inflação diminuiu. Os sinais de acomodação da demanda doméstica e de moderação
de pressões sobre o mercado de fatores, ainda que permaneçam sujeitos a
incertezas, devem ensejar redução do risco de repasse de pressões altistas
sobre preços no atacado (que, de resto, vêm mostrando deflação nos últimos
meses) para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que a materialização desse
repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre
preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos
agentes econômicos para a inflação. Em particular, as expectativas de inflação
para 2009 permanecem em patamares superiores à meta, embora tenham recuado
substancialmente desde a última reunião do Copom, e continuam sendo monitoradas
com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, segundo indicadores
disponíveis, o comportamento da demanda doméstica deve exercer menos pressão
sobre os preços dos itens não-transacionáveis, por exemplo, os serviços, nos
próximos trimestres. De qualquer modo, o Comitê reafirma que continuará
conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à
inflação em anos recentes sejam permanentes.
19. O Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens
importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto
sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de
decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se,
necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos
a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para
essa variável. Tais considerações ganham ainda mais relevância em momentos
cercados por mais incerteza.
20. As perspectivas para a evolução da atividade econômica continuaram se
deteriorando desde a última reunião do Copom, ainda que os dados de atividade
na indústria venham em parte refletindo processo de redução de estoques, que
tende a se esgotar. Note-se particularmente que, diante dos efeitos da crise
internacional sobre as condições financeiras internas, a contribuição do
crédito para a sustentação da demanda doméstica arrefeceu de forma intensa.
Adicionalmente, a intensificação da crise internacional tem exercido influência
negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários. Caso persista
tal situação, o dinamismo da atividade passaria a depender crescentemente da
expansão da massa salarial real e dos efeitos das transferências governamentais
que devem ocorrer neste ano. Essas ponderações tornam-se ainda mais relevantes
quando se leva em conta que as decisões correntes de política monetária terão
impactos concentrados nos trimestres à frente.
21. O Copom avalia que a perda de dinamismo da demanda doméstica deve
ocasionar redução das pressões inflacionárias. Por outro lado, os riscos
remanescentes para a dinâmica inflacionária derivam da trajetória dos preços de
ativos brasileiros, em meio a um processo de estreitamento das fontes de
financiamento externo, e de mecanismos de reajuste de preços que contribuem
para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no ano passado. O
balanço dessas influências sobre a trajetória prospectiva da inflação será
fundamental na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a
política monetária.
22. A evidência internacional, bem como a experiência brasileira, indica que
taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, ao
encurtamento dos horizontes de planejamento e, consequentemente, à redução do
potencial de crescimento da economia, além de ter efeitos regressivos sobre a
distribuição de renda. Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa trazer
a inflação de volta à meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN, já em 2009,
e mantê-la em patamar consistente com a trajetória de metas em 2010. Tal
estratégia, que terá seus resultados evidenciados ao longo do tempo, leva em
conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar
com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da
política monetária.
23. O Copom avalia que, diante dos sinais, evidenciados desde a sua última
reunião, de arrefecimento do ritmo de atividade econômica, no que se refere,
por exemplo, aos indicadores de produção industrial (exacerbados por um ciclo
de estoques), certos dados disponíveis sobre o mercado de trabalho e as taxas
de utilização da capacidade na indústria, bem como sobre confiança de
empresários e consumidores, e do recuo das expectativas de inflação para
horizontes relevantes, reduziram-se de forma importante os riscos de não
concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a
evoluir de forma consistente com a trajetória das metas. A propósito, essa
evolução do cenário prospectivo se manifesta nas projeções de inflação
consideradas pelo Comitê. O Copom considera, também, que a desaceleração da
demanda reduziu as pressões, verificadas durante boa parte de 2008, sobre as
condições de oferta, o que deve contribuir de forma importante para
desinflacionar a economia. Ainda assim, a política monetária deve manter
postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a
trajetória de metas, a despeito de haver margem para um processo de
flexibilização.
24. O Comitê entende que a consolidação de condições financeiras restritivas
por período mais prolongado deve exercer efeito contracionista significativo
sobre a demanda e, ao longo do tempo, desempenhar pressão desinflacionária
importante. Nessas circunstâncias, a maioria dos membros do Copom, tendo em
vista o balanço de riscos para a atividade econômica, e, consequentemente, para
o cenário inflacionário prospectivo, bem como a ausência de evidências nítidas
de repasse da depreciação cambial ocorrida, em ambiente de redução global das
pressões inflacionárias, decidiu, neste momento, reduzir a taxa básica de juros
em 100 p.b.
25. Outros membros do Comitê avaliam que,
diante da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia e
das consequências do processo de ajuste do balanço de pagamentos, uma redução
mais comedida da taxa básica de juros proporcionaria sinalização mais
consistente com a tendência prospectiva de convergência da inflação para a
trajetória de metas e corresponderia melhor à velocidade ótima de implementação
do processo de flexibilização.
26. Nesse contexto, avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom
decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% a.a., sem viés, por
cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,75 p.p. Com
isso, o Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária
realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros,
sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação.
27. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de
acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários
alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica
prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. Há
sinais de que, depois de um longo período de expansão, a demanda doméstica
teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica,
a despeito da persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda.
Adicionalmente, cabe registrar que as expectativas inflacionárias para 2009
mostraram recuo substancial desde a última reunião do Comitê. Por outro lado, a
forte desaceleração da economia global têm gerado pressões baixistas sobre os
preços no atacado, a despeito do ajuste cambial. Nesse ambiente, a política
monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da
inflação para a trajetória de metas. Evidentemente, na eventualidade de se
verificar deterioração no perfil de riscos que implique modificação do cenário
prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura
da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.
28. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em
10 de março de 2009, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para
deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado
17.327, de 27/8/2008.
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
29. O IPCA variou 0,28% em dezembro, indicando recuo da inflação diante dos
resultados do IPCA-15 de dezembro, 0,29%, e do IPCA de novembro, 0,36%. Em
2008, o IPCA acumulou alta de 5,90%, ante 6,39% em doze meses até novembro, e
4,46% em 2007, constituindo-se a maior variação anual registrada desde 2005. O
resultado de 2008 refletiu altas de 7,05% nos preços livres e de 3,27% nos
preços monitorados, ante 5,73% e 1,65%, respectivamente, em 2007. O grupo
alimentação contribuiu com 2,42 p.p. para o índice em 2008, representando 41%
da variação do IPCA no ano.
30. Os preços livres registraram desaceleração em dezembro, variando 0,28%
ante 0,44% em novembro, como resultado das altas de 0,17% nos preços dos
produtos comercializáveis e de 0,36% nos não-comercializáveis, ante 0,60% e
0,29%, respectivamente, em novembro. Os preços monitorados variaram 0,29% ante
0,18% no mês anterior. O índice de difusão situou-se em 61,72% ante 64,58% em
novembro, com média de 62,83% em 2008, superando a registrada em 2007, 58,79%.
31. O núcleo por exclusão (de alimentos no domicílio e de preços monitorados)
variou 0,33% em dezembro, ante 0,36% em novembro, acumulando alta de 6,09% em
doze meses, ante 6,36% no mês anterior. Pelo terceiro mês consecutivo, a
variação do núcleo por médias aparadas com suavização declinou, passando de
0,35% em novembro para 0,33% em dezembro e, em doze meses, de 4,90% para 4,82%.
Pelo critério de médias aparadas sem suavização, o núcleo alcançou 0,33% em
dezembro, ante 0,28% no mês anterior, acumulando 4,92% em doze meses até
dezembro, ante 5,05% em novembro.
32. O IGP-DI recuou 0,44% em dezembro, ante a elevação de 0,07% em novembro,
acumulando alta de 9,10% em 2008, ante a variação acumulada em doze meses de
11,20% em novembro. O Índice de Preços por Atacado (IPA) apresentou variação
negativa de 0,88%, refletindo a quinta queda consecutiva nos preços dos
produtos agropecuários, de 1,30%, e recuo de 0,73% nos preços dos produtos
industriais. Para os produtos industriais foi o menor percentual desde junho de
2003. Em 2008, o IPA registrou elevação de 9,80%, com aumentos de 12,96% nos
produtos industriais e de 1,64% nos produtos agrícolas. Ressalte-se a
expressiva desaceleração do IPA consideradas as variações acumuladas em doze
meses, concluídos em outubro e em novembro, 14,72% e 12,88%, respectivamente,
situação para a qual contribuiu marcadamente o comportamento do IPA-Agrícola. O
IPC-Br apresentou suave desaceleração, passando de 0,56% em novembro para 0,52%
em dezembro, acumulando alta de 6,07% em 2008. O INCC variou 0,17% em dezembro,
ante 0,50% em novembro, e totalizou 11,87% em 2008. O núcleo do IPC-Br variou
0,34% ante 0,45% no mês anterior, acumulando variação de 4,07% em 2008.
33. Por estágios de processamento, em dezembro, o IPA apresentou queda em
todos os seus componentes, sendo de 0,36% nos preços dos bens finais, de 1,35%
nos bens intermediários, e de 0,74% nos preços das matérias-primas brutas. Em
2008, considerando o IPA por estágios de processamento, registraram-se
elevações de 4,19%, 14,83% e 9,23%, respectivamente.
34. A variação do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) aumentou
de 0,52% na última semana de dezembro para 0,68% na primeira semana de janeiro
de 2009 e 0,69% na segunda.
35. Segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do
IBGE, o volume de vendas varejistas registrou retração de 3,4% em novembro, em
relação ao mês anterior, considerado o conceito ampliado, que incorpora os
segmentos de material de construção e veículos e motos, partes e peças, após
queda de 8,3% em outubro. Entre os dez segmentos do indicador ampliado, somente
três registraram expansão nas vendas, com destaque para os acréscimos de 1,6%
em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos e de
1,3% em livros, jornais, revistas e papelaria. Entre os segmentos que
assinalaram recuo, destacou-se o declínio de 7% nas vendas de veículos, motos,
partes e peças.
36. Considerando-se as comparações entre idênticos períodos de 2008 e 2007, a
redução nas vendas atingiu 4,1% em novembro, no conceito ampliado. De janeiro a
novembro de 2008, as vendas cresceram 11%, relativamente a igual período
precedente, com expansão em todos os setores do comércio, assim como em todas
as unidades da Federação, com exceção do Amazonas.
37. Conforme os dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP),
dessazonalizados pelo Banco Central, as consultas ao Serviço Central de
Proteção ao Crédito (SCPC) referentes à capital paulista, registraram retração
de 3,2% em dezembro, em relação ao mês anterior, enquanto as consultas
direcionadas ao Usecheque apresentaram expansão de 1,4%. Em 2008, esses
indicadores registraram alta de 6,4% e de 4,3%, respectivamente,
comparativamente a 2007.
38. Em relação aos indicadores de investimento, a produção de bens de capital
declinou 4% em novembro, e a de insumos típicos da construção civil, 4,6%,
comparativamente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Todos os
subsetores da produção de bens de capital registraram queda no período, com
destaque para bens de capital para a construção, 17,3%, e agrícolas, 11,6%. Em
comparação com novembro de 2007, a produção de bens de capital e de insumos
típicos da construção civil cresceu, 3,6% e 1,6%, respectivamente. No ano, até
novembro, esses indicadores aumentaram 16,9% e 9,7%, na mesma ordem, em relação
a igual período de 2007.
39. As importações de bens de capital declinaram 4% em novembro, em relação a
outubro, de acordo com os índices de quantum
da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados
pelo Banco Central. O indicador de novembro apontou expansão de 22,3% em
relação ao do mesmo mês de 2007, percentual inferior aos registrados para os
acumulados do ano até novembro, 37,3%, e em doze meses, 36,9%, sinalizando a
expressiva perda de dinamismo.
40. Indicadores da CNI apontaram desaceleração do ritmo da atividade
industrial em novembro, com queda de 0,6% no contingente de pessoal empregado,
de 2,1% na utilização da capacidade instalada e de 1% nas horas trabalhadas,
conforme dados dessazonalizados pelo Banco Central. O faturamento real
dessazonalizado apresentou retração de 4,8% em relação a outubro. Em comparação
a iguais períodos de 2007, o faturamento real diminuiu 7% em novembro, com alta
de 6,4% nos primeiros onze meses do ano, e o indicador de horas trabalhadas na
produção cresceu 1,4% e 5,6%, nas mesmas bases de comparação. O Nuci situou-se
em 81,3% em novembro, 1,7 p.p. abaixo do nível de outubro, considerando dados
dessazonalizados, e 2,4% inferior ao observado em novembro de 2007.
41. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção da
indústria decresceu em novembro, pelo segundo mês consecutivo, intensificando a
queda mensal para 5,2%, ante 2,8% em outubro, pela série com ajuste sazonal. O
desempenho de novembro representou o maior recuo desde maio de 1995. Como
conseqüência, a produção do trimestre terminado em novembro situou-se 2,4%
abaixo que a do trimestre concluído em agosto. Considerando dados
dessazonalizados, as quatro categorias de uso apresentaram resultado negativo,
com destaque para o recuo de 20,4% na produção de bens de consumo duráveis, o
maior desde dezembro de 1997. Além do fraco desempenho da produção de
automóveis, também contribuíram para a queda as retrações na produção de
eletrodomésticos da linha marrom, 17,3%, e da linha branca, 5,1%. A produção de
bens de consumo semi e
não-duráveis, cujo consumo é mais dependente da massa de rendimentos, apresentou a menor queda entre as categorias de uso, 0,7%. Bens de capital e bens intermediários apresentaram declínio de 4% e 3,9%, respectivamente, em novembro, na comparação com o mês anterior. 42. Em comparação a novembro de 2007, a produção industrial recuou 6,2%, a
maior queda desde dezembro de 2001. Das vinte e seis atividades da indústria de
transformação pesquisadas, somente cinco apresentaram variação positiva nessa
base de comparação, com destaque para outros equipamentos de transporte, com
expansão de 73%, sustentada pela produção de aviões e pela de produtos
farmacêuticos, com crescimento de 16,6% no mês. Os segmentos com maiores
recuos, nessa base de comparação, foram máquinas de escritório e equipamentos
de informática, 29,6%; material eletrônico e equipamentos de comunicação,
20,5%; calçados e couro, 18,8%; mobiliário, 18,7%; e veículos automotores,
18,3%. Por categorias de uso, os segmentos de bens de consumo duráveis, de
intermediários e de semi e não-duráveis apresentaram quedas de 22,1%, 7,5% e
2,7%, respectivamente, mantida a base de comparação com novembro de 2007, e os
bens de capital registraram expansão de 3,6%.
43. No ano, até novembro, a expansão da produção industrial atingiu 4,7%, com
destaque para o aumento da produção de bens de capital e de bens de consumo
duráveis, 16,9% e 7,3%, respectivamente. No mesmo período, o acréscimo na
produção de bens intermediários e de bens de consumo semi e não-duráveis
alcançou 3,3% e 1,7%, na ordem. A elevação da atividade industrial acumulada em
doze meses alcançou 4,8% em novembro, ante 5,9% em outubro e 6,8% em setembro,
indicando forte desaceleração na margem.
44. A produção de autoveículos alcançou 102,1 mil unidades em dezembro,
segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea), resultado 53,8% menor que o observado no mesmo mês de 2007.
Considerando dados dessazonalizados pelo Banco Central, a produção de
autoveículos apresentou redução de 34,3% em dezembro, comparativamente a
novembro, enquanto a média do último trimestre foi 32,5% inferior à do
trimestre terminado em setembro. Em 2008, a produção de autoveículos e de
máquinas agrícolas foi ampliada em 8,2% e 30,7%, respectivamente, relativamente
a 2007. As vendas de autoveículos no mercado interno declinaram 7,2% em relação
a dezembro de 2007 e, no acumulado do ano, aumentaram 13,9%, enquanto as
exportações apresentaram retração de 26,1%, na comparação interanual, e 7,7%,
no acumulado do ano.
45. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de dezembro
indicou a produção de 145,8 milhões de toneladas no ano, 9,5% acima da obtida
em 2007, ante 145,7 milhões de toneladas na estimativa de novembro. Para 2009,
o terceiro prognóstico para a safra de grãos aponta queda de 5,9% na produção,
devendo atingir 137,3 milhões de toneladas. Foram projetada retração de 10,5% e
de 1,9% na produção de milho e de soja, respectivamente.
46. Segundo a pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo
(Fecomercio SP), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em janeiro registrou retração de 2% em relação a dezembro, refletindo queda de 3,1% no Índice de Expectativas do Consumidor (IEC). O Índice das Condições Econômicas Atuais (Icea) conservou-se praticamente estável. Em relação a janeiro de 2008, o ICC apresentou redução de 12,9%. 47. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado
trimestralmente pela CNI, recuou 5% em dezembro, relativamente ao índice
registrado em setembro. Entre seus componentes, os índices referentes à
expectativa de evolução do desemprego e de inflação apresentaram retração de
18,5% e de 9%, respectivamente. Esses últimos dois índices registraram os
menores níveis desde março de 2002 e novembro de 2001, respectivamente.
48. A Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV registrou alta de 0,5% no
Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em dezembro, em relação ao mês
anterior, favorecida pelo aumento de 6,8% no Índice da Situação Presente (ISP),
enquanto o Índice de Expectativas (IE) apresentou retração de 2,8%, atingindo o
menor patamar da série iniciada em setembro de 2005. Em relação a dezembro de
2007, o ICC apresentou queda de 19%, o ISP, de 13,9%, e o IE, de 21,9%.
49. Ainda segundo a FGV, a confiança dos empresários da indústria declinou em
dezembro, a exemplo do que ocorrera nos três meses precedentes. O Índice de
Confiança da Indústria (ICI) atingiu 74,7 pontos no mês, após ajuste sazonal,
com queda de 9,2 pontos em relação a novembro e 40,3 pontos inferior ao nível
de setembro. O índice atingiu o menor patamar desde outubro de 1998, acentuando
expectativa pessimista do empresariado em relação à atividade industrial, já
captada na sondagem de novembro. Entre seus componentes, considerado ainda o
ajuste sazonal, o Índice de Situação Atual (ISA) registrou 76,1 pontos, 9,2
pontos abaixo do registrado em novembro. O IE apresentou a mesma variação,
situando-se no menor nível da série histórica, 73,3 pontos, iniciada em abril
de 1995.
50. Conforme a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada
pela FGV, o Nuci atingiu 80,6% em dezembro, 6,1 p.p. abaixo do indicador de
igual mês do ano anterior, e 79,9% pela série dessazonalizada, 4,1 p.p. menor
que no mês anterior, quando essas variações haviam registrado queda de 2 p.p. e
1,3 p.p., respectivamente. Salienta-se que o índice dessazonalizado para
dezembro situou-se próximo da média histórica dos últimos vinte anos, de 80%.
Em dezembro, todas as categorias de uso apresentaram decréscimo dos índices em
comparação com igual mês do ano anterior, com apresentação de maior recuo pelos
bens de consumo, 9,5 p.p., na comparação interanual. Por gêneros industriais,
somente produtos farmacêuticos e veterinários apresentaram expansão do índice,
3,6 p.p., em comparação com igual período do ano anterior. Dentre os setores
com retração, destacaram-se material de transporte, 14,4 p.p, metalurgia, 13,6
p.p, e mecânica, 10,5 p.p, para o mesmo tipo de comparação.
51. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE,
foram eliminados 654,9 mil postos de trabalho formais em dezembro, resultado
que ratifica a perda de dinamismo do mercado de trabalho, delineada desde
outubro. Os dados dessazonalizados mostraram queda mensal de 0,2% no nível de
emprego. A indústria de transformação foi o setor com maior número de
demissões, 273,2 mil, seguida pela agropecuária e serviços, com fechamento de
134,5 mil e 117,1mil vagas, respectivamente. No acumulado do ano, as
contratações atingiram 1.452.204, ante a criação de 1.617.392 empregos em 2007.
Ainda assim, o nível de emprego formal apresentou crescimento de 6,4% em 2008.
Por setores, o nível de emprego na construção civil registrou o maior
crescimento no ano, 17,4%, seguido por comércio, 6,7%, serviços, 6%, e
indústria de transformação, 5,6%.
52. Conforme a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões
metropolitanas, a taxa de desemprego aberto atingiu 7,6% da População
Economicamente Ativa (PEA), em novembro, retornando ao patamar dos meses de
agosto e setembro, após pequeno declínio de 0,1 p.p. em outubro. Em comparação
com novembro de 2007, a taxa registrou queda de 0,6 p.p. A despeito da ligeira
alta, a taxa de desocupação é a mais baixa para meses de novembro desde o
início da nova série da PME, em março de 2002. A relativa estabilidade da taxa
de desemprego, entre outubro e novembro, refletiu a saída de 76 mil pessoas do
mercado de trabalho e o fechamento de 95 mil postos. Na série dessazonalizada, a
taxa situou-se em 7,8% ante 7,6% registrados em outubro. Em relação a novembro
do ano anterior, a ocupação cresceu 2,9%, contra média anual, até outubro, de
3,9%. A PEA registrou aumento de 2,1% em relação a novembro de 2007 e de 2,2%
no acumulado do ano. Considerando o contingente de pessoal ocupado por posição
na ocupação, foi verificada suave retração de 0,2% no emprego com carteira
assinada, entre outubro e novembro, o que significa a eliminação de 22 mil
postos de trabalho, enquanto o número de trabalhadores sem carteira registrou
queda de 38 mil vagas, correspondente ao recuo de 1,3% no total de
trabalhadores desse segmento. O número de trabalhadores por conta própria
apresentou elevação de 1% no mês. No acumulado do ano, até novembro, os postos
de trabalho do setor privado, com carteira, registraram crescimento de 7,9%,
enquanto a abertura de postos para trabalhadores sem carteira apresentou
expansão de 0,2%.
53. De acordo com a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente
recebido apresentou aumento mensal de 0,9% em novembro e crescimento de 4%
comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, representando o segundo mês
seguido de desaceleração nessa base de comparação. A massa salarial real
apresentou alta de 0,4% em novembro, ante o mês anterior, e de 6,9%
relativamente a novembro de 2007.
54. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.209 bilhões
em novembro, expandindo-se 2% no mês e 32,8% em doze meses. Esse volume representou
40,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 39,6% em outubro e 33,6% em novembro
de 2007. As operações com recursos livres cresceram 1,7% no mês e 34,5% em doze
meses. Entre as operações de crédito com recursos livres, com participação de
71,4% no total do sistema financeiro, registre-se o arrefecimento do dinamismo
nas operações destinadas a pessoas físicas, tanto no âmbito das modalidades que
compõem o crédito referencial para taxa de juros, quanto das operações de
arrendamento mercantil, cujo saldo cresceu 98,6% em doze meses, mas apenas 0,1%
em novembro. As operações com recursos direcionados registraram expansões de 3%
no mês e de 28,6% em doze meses, resultado de aumentos mensais de 4,2% nos
financiamentos efetuados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) e de 3,3% nos repasses e nos financiamentos habitacionais.
Considerada a segmentação por atividade econômica, merece destaque o desempenho
dos empréstimos à indústria, que registrou elevação de 4,3% no mês e de 41,8%
em doze meses.
55. A taxa média de juros ativa, incidente sobre as operações de crédito
referenciais, situou-se em 44,1% a.a. em novembro, ante 42,9% a.a. em outubro e
34,7% a.a. em novembro de 2007. A taxa média das operações com pessoas físicas
apresentou alta de 3,8 p.p. em novembro, atingindo 58,7%. Nos empréstimos
contratados com pessoas jurídicas, a taxa situou-se em 31,2%, com declínio de
0,4 p.p. Em novembro de 2007, tais taxas médias encontravam-se nos patamares de
44,8% e 23,3%, respectivamente.
56. O prazo médio referente ao saldo das operações de crédito referenciais
situou-se em 378 dias em novembro, ante 385 dias no mês anterior e 343 dias em
novembro de 2007. Nas operações com pessoas jurídicas, o prazo médio atingiu
305 dias, enquanto nas operações realizadas com pessoas físicas, 482 dias, ante
268 dias e 429 dias, respectivamente, em novembro de 2007.
57. A taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais,
correspondente a atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 4,2% em
novembro, 0,3 p.p. menor que a registrada no mesmo mês de 2007. Por segmentos,
as taxas relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas
alcançaram, respectivamente, 1,7% e 7,8%, comparadas a 2,2% e 7,1% em novembro
de 2007.
58. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, atingiu
3,6% em dezembro, ante taxa negativa de 1,9% no mesmo mês do ano anterior. Em
2008, a taxa média situou-se em 6,5%, ante 5,4% em 2007.
59. Desde setembro, o cenário macroeconômico global reflete o aprofundamento
da crise. As atuais condições econômico-financeiras têm implicado queda no
consumo e deterioração das expectativas empresariais e de consumidores,
impactando negativamente a produção, o investimento e o PIB real, delineando a
mais grave inflexão econômica desde 1929. A recessão nos Estados Unidos, Japão,
Reino Unido, Alemanha, Itália e Austrália, entre outros; a expressiva
diminuição da utilização da capacidade instalada verificada globalmente; e a
retração do comércio internacional explicam o aprofundamento do declínio nos
preços das commodities, em especial
do petróleo. Esse quadro, que contamina progressivamente as economias
emergentes, tanto pela queda nas importações dos países desenvolvidos quanto
pela crescente dificuldade de financiamento externo, expõe a fragilidade da
tese do descolamento e traduz-se em estimativas de contração global do PIB da
ordem de 4,1% no
4º trimestre de 2008, ao que se deve somar uma contração de 2,6% no primeiro trimestre de 2009. 60. O colapso das demandas domésticas e seus efeitos sobre o comércio
internacional, em meio às restrições de crédito, têm provocado o aumento da
taxa de desemprego, que atingiu em dezembro 7,2% nos Estados Unidos. Esse fato,
aliado ao aprofundamento da disfuncionalidade nos sistemas financeiros, tem
evidenciado a necessidade de políticas fiscais anticíclicas. Nesse sentido,
novos pacotes de estímulo fiscal, preferencialmente voltados para gastos em
infraestrutura e redução de impostos, foram anunciados nos Estados Unidos,
Japão, China, Alemanha, Espanha, França e Reino Unido, entre outros.
61. Diante da extensão da inflexão do processo inflacionário e o
enfraquecimento da atividade econômica, inicialmente verificados nas economias
desenvolvidas, mas progressivamente presentes nas economias emergentes,
verifica-se a distensão contínua das políticas monetárias em termos globais,
inclusive na América Latina, onde, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, os
bancos centrais da Colômbia, do Chile e do México deram início ao processo de
redução das taxas básicas de juros. No Japão e nos Estado Unidos, onde as taxas
já estão praticamente zeradas, os bancos centrais alteraram o foco de atuação
da política monetária passando a trabalhar sob o cenário de afrouxamento quantitativo
(quantitative easing) e consequente
ampliação de seus balanços (no Fed, o aumento passou de US$ 900 bilhões em
setembro para US$ 2,3 trilhões em meados de dezembro). No Reino Unido, a repo rate, em 1,5%, encontra-se em seu
mais baixo valor desde a fundação do Banco, há mais de 300 anos.
62. O saldo da balança comercial atingiu superávit de US$2,3 bilhões em
dezembro, totalizando US$24,7 bilhões no acumulado de 2008. No ano, as
exportações atingiram US$197,9 bilhões, e as importações, US$173,2 bilhões, com
expansões respectivas de 21,8% e 41,9%, comparativamente a 2007, consideradas
as médias diárias. A corrente de comércio alcançou recorde de US$371,1 bilhões
em 2008, o que representa aumento de 30,4% pelas médias diárias, em relação a
2007.
63. Não obstante o saldo favorável em dezembro, as exportações e as
importações apresentaram redução em suas médias diárias, em relação a dezembro
de 2007, de, respectivamente, 11,7% e 1,2%, sinalizando o arrefecimento da
corrente de comércio para 2009.
64. As reservas internacionais, no conceito de liquidez, totalizaram US$206,8
bilhões em dezembro, com elevação de US$429 milhões no mês e de US$26,5 bilhões
na comparação com o final de 2007. No conceito caixa, totalizaram US$193,8
bilhões, com declínio de
US$885 milhões em relação a novembro. 65. Após a reunião do Copom de dezembro, a curva de juros futuros apresentou
forte declínio em toda a sua extensão. A queda das taxas nesse período foi
influenciada, principalmente, pelo recuo dos índices de inflação corrente e das
expectativas inflacionárias e pela divulgação de indicadores que evidenciaram
redução do ritmo de expansão da atividade econômica, com reflexos negativos
para o mercado de trabalho. Também contribuiu para esse movimento, no cenário
externo, a decisão do Federal Open Market
Committee (FOMC) de adotar, na reunião de 16 de dezembro, uma banda de
referência para a taxa dos federal funds,
de zero a 0,25%. Entre 8 de dezembro e 19 de janeiro, as taxas de juros de um,
de três e de seis meses cederam, respectivamente, 0,51 p.p., 0,87 p.p. e 1,41
p.p.. As taxas para os prazos de um, dois e três anos recuaram 1,80 p.p., 2,09
p.p. e 2,11 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente
entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os
próximos doze meses, caiu de 7,38%, em 8 de dezembro, para 6,25%, em 19 de
janeiro.
66. No período de 9 de dezembro a 19 de janeiro, o Banco Central realizou
leilões de swap cambial tradicional
destinados à rolagem dos vencimentos de 2 de janeiro e 2 de fevereiro. O total
dessas operações alcançou o montante equivalente a US$12,1 bilhões.
67. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco
Central realizou, no período de 9 de dezembro a 19 de janeiro, operações
compromissadas longas, tomando recursos por prazos de cinco e de sete meses. O
saldo diário médio do estoque dessas operações alcançou R$45,0 bilhões, dos
quais R$30,0 bilhões em operações de sete meses. No mesmo período, o Banco
Central atuou em 32 oportunidades como tomador de recursos por meio de
operações compromissadas de curtíssimo prazo. Realizou, ainda, operações de
nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. As operações de
curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio
tomador de R$114,3 bilhões. Também foram realizadas operações compromissadas de
28 e de 15 dias úteis em 11 de dezembro, de 24 e de 11 dias úteis em 17 de
dezembro, de 14 dias úteis em 2 de janeiro e de 11 dias úteis em 7 de janeiro.
Essas operações retiraram do mercado R$163,5 bilhões, R$10,4 bilhões, R$3,6
bilhões, R$2,0 bilhões, R$33,4 bilhões e R$12,4 bilhões, respectivamente. No
período considerado, o saldo diário médio das operações tomadoras de curto
prazo foi de
R$190,8 bilhões. 68. Entre 9 de dezembro e 19 de janeiro, as emissões do Tesouro Nacional
referentes aos leilões tradicionais somaram R$28,8 bilhões. A colocação de
títulos de remuneração pré-fixada alcançou R$11,6 bilhões, sendo R$10,9 bilhões
em Letras do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2009, 2010 e 2011 e R$0,7
bilhão em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2012,
2013, 2014 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram
R$15,1 bilhões, com a colocação de títulos de vencimento em 2011, 2012 e 2013.
Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos
títulos de vencimento em 2011, 2013, 2014, 2017, 2020, 2024, 2035 e 2045, em um
montante total de R$2,1 bilhões.
69. No mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN com
vencimento em julho e outubro de 2009 conjugada à compra de LTN de vencimento
em janeiro e abril de 2009, em um total de R$1,3 bilhão, e leilões de venda de
LFT de vencimentos em março e dezembro de 2011 e setembro de 2013 conjugada à
compra de LFT de vencimento em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que somaram
R$2,0 bilhões. As vendas de NTN-B liquidadas mediante a entrega de outros
títulos somaram R$2,2 bilhões e envolveram títulos de vencimento em 2011, 2013,
2014, 2020, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou, também, leilões de compra de
LTN e de NTN-B, que alcançaram R$1,0 bilhão e R$0,2 bilhão, respectivamente.
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