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135ª Reunião  
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Sumário
 
Data: 03 e 04/06/2008
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (03/06) e do 20º (04/06) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
 
Horário de início: 16h50 (03/06) e 17h30 (04/06)
Horário de término: 19h10 (03/06) e 19h00 (04/06)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Alexandre Antonio Tombini
Alvir Alberto Hoffmann
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria Celina Berardinelli Arraes
Mário Gomes Torós
Mário Magalhães Carvalho Mesquita
 
Chefes de Departamento (presentes no dia 03)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 04)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antonio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
 
Demais participantes (presentes no dia 03)
Adriana Soares Sales – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Alexandre Pinheiro de Moraes Rego – Assessor de Imprensa
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da Diretoria
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
Sergio Almeida de Souza Lima – Secretário-Executivo
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se acelerou, em abril, para 0,55%, ante 0,48% em março e 0,49% em fevereiro. Com isso, a inflação alcançou 2,08% no primeiro quadrimestre de 2008, ante 1,51% em igual período de 2007. Em doze meses, a inflação continuou em aceleração. De fato, após atingir 4,61% em fevereiro e 4,73% em março, a inflação chegou a 5,04% em abril (3,0% no mesmo mês de 2007). Sob esse critério de comparação, a aceleração do nível de preços ao consumidor reflete essencialmente o comportamento dos preços livres, que subiram mais rapidamente do que os preços administrados e monitorados por contrato. Com efeito, o incremento dos preços livres e dos administrados alcançou, respectivamente, 6,59% e 1,59% em doze meses até abril, ante 2,97% e 2,99% até abril de 2007. Além disso, note-se que, a despeito da apreciação cambial observada, a variação dos preços de bens comercializáveis mostrou aceleração e atingiu 6,15% (1,53% em abril de 2007) na mesma base de comparação. No que se refere aos itens não comercializáveis, em grande parte impulsionada pelo comportamento dos preços de alimentos in natura e de serviços, a inflação acumulada em doze meses foi ainda mais elevada (6,99%), evidenciando a influência de fatores domésticos sobre a dinâmica inflacionária. Dados preliminares para maio apontam para a continuidade do processo de aceleração inflacionária. O comportamento recente do IPCA tem sido notadamente menos favorável do que em trimestres anteriores, de modo que, desde o final de 2007, a inflação dá sinais de divergir da trajetória das metas, tendo atingido 3,22% nos últimos seis meses. 
 
2. Duas das três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central acompanharam a aceleração do índice cheio em abril. Os núcleos por exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio, e pelo critério de médias aparadas com suavização deslocaram-se de 0,36% e 0,39% em março para 0,53% e 0,48% em abril, respectivamente. Por seu turno, o núcleo por médias aparadas sem suavização variou 0,41% em abril, a mesma taxa de março. Assim como para o índice pleno, a inflação acumulada no primeiro quadrimestre de 2008 pelas três medidas de núcleo exibiu sensível aceleração frente às taxas verificadas no mesmo período de 2007, com deslocamentos de 1,46%, 1,21% e 1,09% para 1,99%, 1,52% e 1,60%, para o índice por exclusão, médias aparadas com e sem suavização, respectivamente. No que se refere ao acumulado em doze meses, a aceleração da inflação plena observada recentemente tem sido acompanhada pelas três medidas de núcleo. Com efeito, o núcleo por exclusão continua a mostrar substancial elevação, deslocando-se de 4,27% em fevereiro para 4,41% em março e 4,65% em abril. O mesmo ocorreu com o núcleo por médias aparadas com suavização (4,16% em março e 4,36% em abril), ao passo que o núcleo por médias aparadas sem suavização avançou de 3,83% em fevereiro para 4,01% em março e 4,14% em abril. Cabe destacar, adicionalmente, que o comportamento dos índices de difusão sugere aumento da disseminação do processo de aceleração inflacionária, corroborando análise incluída em Notas anteriores do Comitê.
 
3. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou de 0,38% em fevereiro para 0,70% em março e 1,12% em abril. No acumulado em doze meses, a variação do IGP-DI se acelerou de 8,65% em fevereiro e 9,18% em março para 10,24% em abril, ante 4,61% em abril de 2007. Em doze meses até abril, o incremento do IGP-DI refletiu tanto o comportamento do Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br), com variação de 4,95% (2,67% em abril de 2007), quanto o do Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), com incremento de 12,82% (5,27% em abril de 2007). Na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 7,13% (5,35% em abril de 2007). No que se refere especificamente ao IPA agrícola, a variação atingiu 27,9% (11,04% no acumulado em doze meses até abril de 2007). Cabe destacar a aceleração dos preços industriais, processo que teve início no segundo semestre de 2007 e que parece ter se intensificado recentemente. No primeiro quadrimestre de 2008, o IPA industrial acumulou variação de 4,44%, ante 1,02% no mesmo período de 2007. A inflação dos preços industriais no atacado, acumulada em doze meses, saiu de 4,42% em dezembro de 2007 para 7,97% em abril de 2008. Conforme destacado nas Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. A média móvel trimestral da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 0,1% em abril após alta de 0,7% no mês anterior. Ainda considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês, após a expansão de 0,6% verificada em março, a produção física da indústria avançou 0,2% em abril. Note-se, ainda, que a produção da indústria geral mostra crescimento de 7,3% no ano, sendo 7,4% na indústria de transformação e 5,9% na extrativa. Na comparação com os mesmos meses do ano anterior, a produção industrial exibiu considerável volatilidade em março e abril, com variações de 1,4% e 10,1%, respectivamente, em grande parte devido à distribuição atípica do número de dias úteis verificada recentemente. Os dados já divulgados referentes aos últimos meses apontam, em suma, para a continuidade do ciclo de crescimento industrial, ainda que em ritmo condicionado por eventuais limitações à expansão da oferta.
 
5. Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital avançou expressivos 1,6% em abril, após 1,3% em março. As demais categorias de uso mostraram recuo na margem, -0.2% no segmento de bens intermediários, -1,9% no de bens de consumo duráveis e -1,5% no de semi e não-duráveis. Em termos de expansão acumulada no ano, o setor de bens de capital lidera com 20,5%, seguido pelo setor de bens duráveis (15,9%). O cenário de sólida expansão da produção de bens de capital verificado desde 2007, decorrente, principalmente, da consolidação das perspectivas favoráveis à continuidade do crescimento da economia, alicerçadas na percepção de consolidação da estabilidade macroeconômica, parece estar persistindo. Por sua vez, o dinamismo da produção de bens duráveis reflete, em grande parte, a substancial melhora nas condições de crédito da economia, quando comparadas aos padrões históricos. Note-se que a emergência de sinais apontando pressão sobre a disponibilidade de fatores de produção, como sugerem algumas sondagens industriais, indica que a acomodação no ritmo de expansão da atividade industrial pode, em boa medida, ser atribuída às restrições da capacidade produtiva.
 
6. O mercado de trabalho permanece com desempenho bastante favorável. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) recuou de 8,7% em fevereiro para 8,6% em março e 8,5% em abril. Com isso, a taxa de desemprego média no primeiro quadrimestre foi 1,4 p.p. inferior àquela observada em igual período de 2007. Considerando dados dessazonalizados pelo Banco Central, a taxa de desemprego deslocou-se de 8,5% em fevereiro para 8,2% em março e 8,1% em abril, a menor taxa para o mês desde o início da série histórica em 2002. Em março, o rendimento médio real habitualmente recebido apresentou queda de 0,6% ante fevereiro (elevação de 2% frente a março de 2007). Já em abril o rendimento cresceu 1% na comparação mensal e 2,8% na interanual.  Em conseqüência, o ritmo de expansão da massa salarial real se acelerou de 6,3% para 6,5% no ano entre março e abril (expansão de 7,2% ante o mesmo mês de 2007), continuando a constituir fator-chave para o crescimento sustentado da demanda agregada. Por sua vez, o emprego na indústria de transformação recuou 0,04% em abril (+0,2% em março), segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, a variação do pessoal empregado atingiu 4,0%, implicando variação de 4,2% no acumulado em doze meses. Ainda sobre emprego, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam continuidade do processo de forte expansão do emprego formal celetista neste ano, com a criação de 294,5 mil postos de trabalho em abril (ante 206,6 mil em março e 205 mil em fevereiro). Nos primeiros quatro meses do ano, o saldo do emprego atingiu o recorde histórico de 849 mil contratações. Dados dessazonalizados mostram crescimento de 0,5% no nível de emprego formal em abril, e dados observados apontam incremento de 5,6% em doze meses, evidenciando o dinamismo do mercado de trabalho. O setor de serviços foi o que mais admitiu em abril, com a abertura de 97,4 mil postos, seguido pela indústria de transformação (82,7 mil), e pela construção civil (32,1 mil), saldo recorde para o período. O comércio abriu 34,7 mil vagas. O setor agrícola foi responsável pelo acréscimo de 38,6 mil postos de trabalho, resultado que pode ser creditado às atividades relacionadas ao cultivo da cana-de-açúcar no Centro-Sul do país.
 
7. Em linha com a evolução positiva do mercado de trabalho e com a expansão do crédito, o comércio varejista continua a registrar desempenho favorável e indica que o ritmo de crescimento da demanda doméstica se mantém robusto, sem mostrar sinais de arrefecimento. O volume de vendas do comércio varejista ampliado, de acordo com os dados dessazonalizados pelo IBGE, acelerou de 1,2% em fevereiro para 1,4% em março (12,1% acima do patamar observado em março de 2007). Como conseqüência da expansão observada em março, a média do primeiro trimestre do comércio ampliado registrou alta de 3,8% relativamente ao trimestre anterior. Na comparação com o mês anterior, pela série com ajuste sazonal, destacam-se os setores de tecidos, vestuários e calçados (6,1%) e – a despeito da elevação dos preços de alimentos – hiper, supermercado, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3,3%) e combustíveis e lubrificantes (1,7%). No ano, o crescimento acumulado foi maior nos segmentos de equipamentos e material para escritório (31,3%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (23,9%) e veículos e motos, partes e peças (23,4%). O sólido desempenho do comércio varejista tem, portanto, refletido tanto o desempenho dos segmentos mais sensíveis à expansão da renda e do emprego quanto o daqueles mais sensíveis às condições de crédito. Para os próximos trimestres, a perspectiva é de continuidade do atual ciclo expansionista do comércio varejista, cujos fatores de propulsão continuarão a ser o crescimento dos níveis de emprego e da renda, a expansão do crédito e a manutenção da confiança do consumidor em níveis elevados. Indicadores setoriais, por exemplo, referentes a vendas de automóveis em abril e maio, corroboram essa avaliação.
 
8. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu 83,4% em abril, ante 82,4% em março, segundo dados da CNI dessazonalizados pelo Banco Central, registrando novo patamar recorde para a série. A série dessazonalizada pela própria CNI chegou a 83,2%, ante o máximo de 83,3% observado em novembro. Considerando a série sem ajuste sazonal, em abril o Nuci se situou 1,5 p.p. acima do patamar registrado no mesmo mês de 2007. Com isso a taxa média do primeiro quadrimestre foi 1,3 p.p. superior à observada em igual período de 2007. Por sua vez, o Nuci trimestral com ajuste sazonal, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), atingiu 85,5% em abril, mostrando ligeira elevação frente aos 85,3% observados em janeiro. Para os setores de bens de consumo e bens de capital, as taxas de utilização encontravam-se, em abril, em 86,0% e 88,3%, respectivamente, em ambos os casos pontos máximos das séries. A manutenção das taxas de utilização em patamares historicamente elevados, com alguma redução da capacidade ociosa na margem, manifesta-se em diversos setores e ocorre a despeito do aumento substancial do volume de investimentos. De fato, em abril de 2008, dados ajustados sazonalmente indicaram que a absorção de bens de capital apresentou sólido crescimento (6,2%), consubstanciado no vigoroso incremento das importações (10,7% em volume) e na produção de bens de capital (1,6%). No mesmo período, a produção de insumos para a construção civil recuou 3,4%, após aumento de 2,6% em março. Dados recentes sugerem que, embora o investimento venha contribuindo para suavizar a tendência de elevação das taxas de utilização da capacidade, não tem sido suficiente para conter tal processo. Nesse contexto, a maturação tempestiva de projetos de investimento será fundamental para circunscrever os descompassos entre a evolução da oferta e da demanda doméstica no horizonte relevante para a política monetária. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento à demanda.
 
9. A balança comercial continua registrando perda de vigor na margem, tendência já antecipada e que está em consonância com avaliações expressas em Relatórios de Inflação e em Notas de reuniões anteriores do Copom. O saldo acumulado nos doze meses até maio totalizou US$31,9 bilhões (33% inferior ao verificado em maio de 2007). Esse resultado adveio de US$172,6 bilhões em exportações e US$140,7 bilhões em importações, com crescimentos de 16,4% e de 39,9%, respectivamente, em relação aos doze meses findos em maio de 2007. Como observado em Notas de reuniões anteriores, as importações vêm crescendo em ritmo mais acelerado do que as exportações, em razão tanto do fortalecimento do real como do maior nível de atividade econômica no país, a despeito das elevadas cotações de diversas commodities características da pauta exportadora brasileira. A redução dos superávits comerciais contribuiu para que o saldo em transações correntes registrasse déficit de US$14,7 bilhões em doze meses até abril de 2008, equivalente a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até abril, a US$37,2 bilhões, equivalente a 2,8% do PIB.
 
10. No que se refere ao cenário externo, a economia dos Estados Unidos da América (EUA) parece ter entrado em período de estagnação desde o último trimestre de 2007, e continua sofrendo o impacto da crise no setor imobiliário, com efeitos sobre o mercado de trabalho, cujo enfraquecimento, em combinação com a elevação dos preços de derivados de petróleo, afeta a confiança dos consumidores, contribuindo de forma importante para deprimir o dispêndio. Ainda que a influência de estímulos monetários e fiscais possa limitar o risco de uma contração significativa da atividade, o cenário dominante parece apontar para uma recuperação mais consistente apenas a partir de 2009. Mesmo depois de um significativo reforço da base de capital de instituições financeiras relevantes, permanece a incerteza sobre a extensão e a amplitude dos desdobramentos da crise hipotecária americana sobre o sistema bancário nos EUA e na Europa, bem como quanto ao impacto que estes terão sobre as condições de acesso ao crédito por parte de empresas e famílias. Assim, persistem as dúvidas sobre a capacidade de as medidas de política monetária e fiscal implementadas pelas autoridades dos EUA suavizarem de forma tempestiva o enfraquecimento daquela economia, ante as persistentes dificuldades do sistema financeiro. A despeito de certa redução, desde meados de março, da percepção de risco sistêmico, tais dificuldades poderiam ser agravadas por uma deterioração cíclica na qualidade do crédito, o que reforçaria a tendência, já evidente, à contração das condições financeiras, aumentando o risco de intensificação da desaceleração. As perspectivas para a atividade na Europa, a despeito de indicadores favoráveis na Alemanha, e no Japão também continuam se deslocando em direção negativa, ainda que, até o momento, sem suscitar o grau de preocupação que cerca a atividade econômica nos EUA. Cabe assinalar que, a despeito das perspectivas de continuidade da desaceleração nas economias centrais, as pressões inflacionárias globais têm se intensificado. Em parte, isso reflete o forte crescimento apresentado pelas economias emergentes, que, até agora, aparentemente foram pouco afetadas pela crise hipotecária nos EUA, constituindo contraponto aos efeitos da desaceleração das economias maduras. De fato, diante da pressão sobre a disponibilidade de fatores de produção, que tem suscitado elevação da inflação em diversas economias emergentes, a tendência parece apontar para a continuidade de políticas monetárias contracionistas. Nas economias maduras, as perspectivas para a política monetária são mais diversas, ainda que a aceleração da inflação, que em certos casos começa a ter efeitos sobre as expectativas inflacionárias de médio prazo, pareça limitar o escopo para flexibilização adicional, mesmo que remanesçam os riscos para a atividade derivados da crise de crédito. Nesse contexto, os indicadores de volatilidade e de aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais mantiveram-se em patamares relativamente elevados desde a última reunião deste Comitê, embora tenham mostrado certo recuo na margem. A elevação da avaliação do risco soberano brasileiro por importantes agências de rating tende a reduzir a sensibilidade dos preços de ativos brasileiros frente ao cenário internacional, contribuindo para mitigar, mas não eliminar, os efeitos das dificuldades vividas pela economia global sobre a atividade econômica no Brasil, cuja dinâmica vem sendo sustentada essencialmente pela demanda doméstica.
 
11. O preço do petróleo, fonte sistemática de incerteza advinda do cenário internacional, mais uma vez se elevou consideravelmente desde a última reunião do Copom e continua altamente volátil. Esse comportamento reflete mudanças estruturais no mercado energético mundial, as quais têm impedido a recuperação dos níveis de estoques tradicionalmente observados, além de tensões geopolíticas recorrentes. A despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços domésticos da gasolina inalterados no restante de 2008, ainda que a probabilidade de se configurar um cenário alternativo seja relevante. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a elevação consistente dos preços internacionais do petróleo se transmite à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pela deterioração que termina produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos. Os preços de outras commodities, especialmente grãos, que também haviam mostrado elevação importante antes da última reunião do Copom, a despeito do maior pessimismo sobre as perspectivas para o crescimento da economia mundial, e da turbulência nos mercados financeiros globais, mostraram comportamento heterogêneo nas últimas semanas, mas continuam, com poucas exceções, registrando altas no ano.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
12. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) comparadas aos valores considerados na reunião do Copom de abril, as projeções de reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão não se alteraram, uma vez ajustadas pelos efeitos de mudanças em impostos específicos, e assim foram mantidas em 0% para o acumulado de 2008;
b) na comparação com a reunião do Copom de abril, a projeção de reajuste da tarifa de telefonia fixa permaneceu em 3,5% para o acumulado de 2008 e, no caso do preço da eletricidade, a projeção para o acumulado de 2008 foi alterada de 0,1% para 1,1%;
c) a projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2008 foi mantida em 4,0%. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 30,09% do total do IPCA de abril;
d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2009 foi mantida em 4,5%. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para o swap indica spread da taxa de swap de 360 dias sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 133 p.b. no quarto trimestre de 2008 e de 84 p.b. no último trimestre de 2009. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis.
 
13. Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de trabalho do cumprimento da meta legal de superávit primário de 3,8% do PIB em 2008 e em 2009, incrementada em 0,5 p.p. As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.
 
14. Desde a última reunião do Copom, realizada em abril, houve substancial incremento na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2008, que passou de 4,66% para 5,48%. As expectativas para doze meses à frente também se elevaram, de 4,38% para 5,01%, levando-se em conta a composição das medianas das taxas mensais esperadas pelos analistas. Para 2009, as expectativas de inflação se deslocaram de 4,40% para 4,60%.
 
15. Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em R$1,65 e da taxa Selic em 11,75% em todo o horizonte de previsão, a projeção para o IPCA em 2008 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril, permanecendo acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2008 também sofreu elevação em relação ao valor considerado na última reunião do Copom, e também continua posicionada acima do centro da meta de inflação. Em relação a 2009, a projeção do cenário de referência elevou-se em relação ao valor previsto na reunião de abril, enquanto a projeção do cenário de mercado permaneceu estável, em ambos os cenários superando o valor central de 4,50%.
 
Implementação da política monetária
 
16. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Os dados referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de expansão da demanda doméstica continua bastante robusto, mostrando aceleração em alguns segmentos e regiões no primeiro trimestre do ano, e responde, ao menos parcialmente, pelas pressões inflacionárias que têm sido observadas no curto prazo, a despeito do forte crescimento das importações e do comportamento benigno do investimento. Mesmo no contexto de uma desaceleração moderada da economia mundial neste ano e da maior volatilidade que vem caracterizando os mercados globais desde meados de 2007, o Comitê acredita, com as informações disponíveis no momento, que o balanço de pagamentos não deve apresentar risco iminente para o cenário inflacionário, avaliação corroborada pela recente atribuição de grau de investimento aos títulos da dívida soberana. Por outro lado, há sinais de que pressões inflacionárias relevantes, tanto em economias maduras quanto nas emergentes, estariam se intensificando, evidenciando a presença de riscos inflacionários em escala global. O Copom reitera a visão, expressa em Notas de reuniões anteriores, de que, para a inflação brasileira, um cenário alternativo de desaceleração mundial mais intensa e generalizada representa fator de risco de sinal ambíguo. Por um lado, ao reduzir as exportações líquidas, atuaria como fator de contenção da demanda agregada. Além disso, o potencial arrefecimento dos preços de algumas commodities importantes poderia contribuir para uma menor inflação doméstica. Por outro lado, o supracitado cenário alternativo poderia atuar desfavoravelmente para as perspectivas de inflação por intermédio de dois mecanismos. No caso de desaceleração mais forte nas economias maduras que compõem o centro do mercado financeiro global, a aversão ao risco poderia elevar-se, afetando assim a demanda por ativos brasileiros e possivelmente ocasionando depreciação de seus preços. Além disso, no médio prazo, uma possível redução das exportações líquidas poderia ter efeito similar sobre a sustentabilidade de preços de certos ativos brasileiros. Diante da deterioração das perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno segue elevado. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos se estendam no tempo. Em particular, cabe à política monetária atuar para que impactos inicialmente localizados sobre os índices de inflação, parcialmente derivados de ajustes de preços relativos que ocorrem em escala global, não levem, por meio de uma piora das expectativas, a uma deterioração persistente da dinâmica inflacionária. O Comitê entende que a preservação da estabilidade monetária é condição necessária para que o sistema de preços relativos continue sinalizando eficientemente os ajustes necessários nos padrões de consumo e produção vigentes na economia. 
 
17. O Copom considera que se mantém elevada a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação, uma vez que o aquecimento da demanda doméstica e do mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de oferta setoriais, podem estar ensejando aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que as perspectivas para esse repasse, bem como para a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, dependem de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação, que continuaram mostrando elevação significativa nas últimas semanas e que são monitoradas com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, embora o setor externo exerça alguma disciplina sobre a inflação no setor de transacionáveis, o aquecimento da demanda doméstica pode desencadear pressões inflacionárias mais intensas no setor de não transacionáveis, por exemplo, nos preços dos serviços. Nesse contexto, o Copom conduzirá suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes. Para tanto, irá acompanhar atentamente a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo, assim como das expectativas de inflação dentro do horizonte de projeção, estando pronto a ajustar a postura de política monetária de forma a evitar a consolidação de um cenário no qual reajustes pontuais se transformem em reajustes persistentes ou generalizados de preços.
 
18. A manutenção de taxas de inflação consistentes com a trajetória de metas e a resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura contribuirão para a continuidade do processo de redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O Copom avalia que a persistência de uma atuação cautelosa e tempestiva da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que, mesmo diante de pressões inflacionárias em escala global, a inflação no Brasil siga evoluindo segundo a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade continue se traduzindo em resultados concretos, entretanto, é preciso que os indicadores prospectivos de inflação, em particular a evolução esperada da demanda e da oferta agregadas, convirjam ao longo do período relevante para a política monetária.
 
19. O Copom considera fundamental ressaltar, mais uma vez, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre o nível de atividade e sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável.
 
20. Ao longo dos próximos meses, o crescimento do crédito, ainda que com alguma moderação, possivelmente ocasionada pela elevação dos custos de captação, e a expansão da massa salarial real devem continuar impulsionando a atividade econômica. A esses fatores de sustentação da demanda devem ser acrescidos os efeitos das transferências governamentais esperadas para este e para os próximos trimestres, ainda que em intensidade menor do que se antecipava anteriormente. Essas considerações se tornam ainda mais relevantes quando se levam em conta os nítidos sinais de demanda doméstica aquecida, a disseminação de pressões derivadas de ajustes de preços relativos, e o fato de que as decisões de política monetária terão impactos concentrados no segundo semestre de 2008 e em 2009.
 
21. O Comitê assinala a importante contribuição do investimento para ampliar a capacidade produtiva. Esse fator, aliado à ajuda do setor externo, vem atuando para evitar que a pressão inflacionária se intensifique ainda mais. Entretanto, o Copom avalia que o ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelo crescimento da renda e do crédito, continua colocando riscos importantes para a dinâmica inflacionária. Nesse contexto, a redução consistente do descompasso entre o ritmo de ampliação da oferta de bens e serviços e o da demanda continua sendo central na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.
 
22. Visando consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, o Copom adota uma estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e tem se mostrado a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e implementação da política monetária. Daí a importância atribuída às projeções de inflação, ao balanço de riscos associado ao cenário prospectivo e, especialmente, à ação preventiva no processo decisório do Comitê. A prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo, em momentos como o atual, caracterizado pela deterioração da dinâmica inflacionária corrente e esperada. Nas atuais circunstâncias, existe o risco de que os agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade a que elevações da inflação sejam persistentes, o que implicaria redução da eficácia da implementação da política monetária. Assim sendo, na avaliação do Copom, respaldada pela experiência internacional, a atuação da política monetária tende a ser mais efetiva, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada. O Comitê acredita que a atual postura de política monetária, a ser mantida enquanto for necessário, irá assegurar a convergência da inflação para a trajetória das metas. Evidentemente, na eventualidade de se verificar alteração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.
 
23. O Copom avalia que, diante dos sinais de aquecimento da economia, como ilustram a aceleração de certos preços no atacado e a trajetória dos núcleos de inflação, e da rápida elevação das expectativas de inflação, são relevantes os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA seguiria evoluindo de forma consistente com a trajetória das metas. De fato, a deterioração do cenário prospectivo se manifesta nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê. O Copom considera, também, que a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas tende a exacerbar o risco para a dinâmica inflacionária. Nessas circunstâncias, a política monetária deve atuar, por meio do ajuste da taxa básica de juros, para, por um lado, contribuir para a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e oferta e, por outro, evitar que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação. Ao atuar enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer, o Comitê entende que estará, de fato, contribuindo para a sustentação do crescimento, o que requer estabilidade, previsibilidade e a conseqüente extensão do horizonte de planejamento das empresas e famílias, bem como para resguardar os importantes incrementos na renda real dos assalariados observados nos últimos anos. Assim sendo, o Copom reitera que as decisões de política monetária necessariamente levam em conta as defasagens do mecanismo de transmissão, e são parte de uma estratégia dinâmica, cujos resultados serão evidenciados ao longo do tempo.
 
24. Nesse contexto, dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa de juros básica iniciado na reunião de abril, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 12,25% ao ano, sem viés.
 
25. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. A demanda doméstica continua se expandindo a taxas robustas e sustenta o dinamismo da atividade econômica, inclusive em setores pouco expostos à competição externa, quando os efeitos de fatores de estímulo ainda estão atuando sobre a economia. Por sua vez, a contribuição do setor externo para um cenário inflacionário benigno, diante do forte ritmo de expansão da demanda doméstica, e do crescimento das pressões inflacionárias globais, parece estar se tornando menos efetiva, em um momento no qual os efeitos do investimento sobre a capacidade produtiva da economia ainda precisam se consolidar. Nesse ambiente, cabe à política monetária atuar de forma a evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos.
 
26. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 22 de julho de 2008, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 16.051, de 3/9/2007.
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
27. O IPCA-15 variou 0,56% em maio, ante 0,59% em abril. O grupo alimentação e bebidas, com variação de 1,26%, respondeu por 0,28 p.p. da taxa no mês, a mesma contribuição verificada no resultado de abril, denotando persistência da alta dos preços do grupo. A segunda maior influência no resultado do IPCA-15 em maio, de 0,09 p.p., adveio da elevação de 0,93% nos preços do grupo despesas pessoais, em aceleração ante a variação em abril, 0,49%. Os preços livres aumentaram 0,74% em maio, ante 0,68% no mês anterior, registrando-se altas de 1,11% nos preços dos produtos comercializáveis e de 1,41% nos dos produtos não comercializáveis. Os preços monitorados aumentaram 0,15%, ante 0,38% em abril. O índice de difusão atingiu 67,19% em maio, o maior percentual desde janeiro de 2007, com média de 62,29% em 2008, ante 59,22% no mesmo período de 2007. Em doze meses, o IPCA-15 acumulou expansão de 5,25% em maio, ante 4,94% em abril, resultado de elevações de 6,98% nos preços livres e de 1,41% nos preços monitorados.
 
28. As taxas dos núcleos de inflação referentes ao IPCA-15 registraram aceleração, tanto no mês quanto em doze meses. O núcleo por exclusão (sem alimentos no domicílio e monitorados) variou 0,55% em maio ante 0,44% em abril, acumulando alta de 4,84% em doze meses, a maior desde abril de 2006, ante 4,59% em abril. A variação do núcleo por médias aparadas sem suavização passou de 0,39% em abril para 0,40% em maio, acumulando 4,06% em doze meses, também a mais elevada desde abril de 2006. Pelo critério de médias aparadas com suavização, o núcleo alcançou 0,41% em maio, ante 0,39% em abril, totalizando alta de 4,28% em doze meses, a maior desde janeiro de 2007, ante 4,15% em abril.
 
29. O IGP-M cresceu 1,61% em maio, ante 0,69% em abril, acumulando 11,53% em doze meses. Dos componentes do índice, apenas o IPC-M mostrou desaceleração no mês, 0,68% ante 0,76% em abril, atingindo 5,25% em doze meses. O IPA-M variou 2,01%, após alta de 0,65% em abril, totalizando elevação de 14,53% em doze meses. O INCC subiu 1,10% em maio, ante 0,82% no mês anterior, acumulando alta de 7,64% em doze meses.
 
30. A menor variação do IPC-M em maio refletiu a desaceleração na taxa de cinco dos sete grupos que compõem o índice, com destaque para o arrefecimento dos gastos com habitação, 0,02% no mês ante 0,38% em abril. A variação do grupo alimentação manteve-se, no mês, como a mais alta do índice, 1,77%, embora tenha permanecido praticamente igual à do mês anterior, 1,76%, mesma tendência captada pelo IPCA-15.
 
31. O maior aumento do IPA-M, em maio, refletiu tanto a alta dos preços agrícolas como dos industriais. O IPA-agrícola aumentou 2,29%, revertendo a queda de 1,19% em abril e acumulando alta de 33,32% em doze meses. O IPA-industrial aumentou 1,91%, ante 1,37% em abril, totalizando 8,58% em doze meses. O IPA também acusou aceleração na variação mensal de maio, em todos os estágios de processamento, sobretudo em matérias-primas brutas, que registrou alta de 3,38%, após queda de 0,13% em abril. A variação dos preços dos bens finais passou de -0,01% para 1,11%, e a dos preços dos bens intermediários elevou-se de 1,72% para 1,79%, no mesmo período.
 
Atividade econômica
 
32. De acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o volume de vendas varejistas aumentou 1,4% em março, em relação ao mês anterior, considerado o conceito ampliado, que incorpora os segmentos de material de construção e veículos e motos, partes e peças. Destacaram-se, no período, as elevações de 6,1% nas vendas de tecidos, vestuário e calçados, e de 3,3% nas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, enquanto as vendas de equipamentos e materiais para escritório recuaram 5,6%.
 
33. Considerando ainda o mesmo conceito, o volume de vendas no comércio registrou acréscimo de 14,8% no primeiro trimestre de 2008, registrando-se crescimento generalizado das vendas em todos os segmentos, com ênfase para equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, 29,2%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 26,9%; automóveis motocicletas, partes e peças, 21,4%; móveis e eletrodomésticos, 17,2%; e tecidos, vestuário e calçados, 13,3%. Os resultados das vendas no varejo evidenciaram o crescimento da massa salarial, as condições favoráveis de crédito, os impactos dos programas de transferência de rendas e o aumento da renda agrícola.
  
34. Segundo dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referentes à capital paulista e dessazonalizados pelo Banco Central, as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) aumentaram 0,3% em abril, enquanto aquelas direcionadas ao Usecheque recuaram 0,3% em relação ao mês anterior. Na comparação com abril de 2007, registraram-se altas respectivas de 12,6% e de 12,9%.
 
35. Em relação aos indicadores de investimento, a produção interna de bens de capital registrou acréscimo de 1,6% em abril, comparativamente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal, enquanto a produção de insumos para a construção civil decresceu 3,4% no mesmo período. Na comparação com abril de 2007, esses indicadores cresceram 30% e 11%, respectivamente. Relativamente à produção de bens de capital, a evolução positiva, nessa base de comparação, refletiu, principalmente, a expansão dos segmentos de máquinas agrícolas, 37,3%, e de equipamentos para transportes, 42,2%.
 
36. As importações de bens de capital cresceram 10,7% em abril, em relação a março, de acordo com dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), dessazonalizados pelo Banco Central. Essas compras, ratificando a trajetória expansionista dos investimentos na economia brasileira, elevaram-se 32,6% em relação a abril de 2007.
 
37. Indicadores da CNI referentes a abril, dessazonalizados pelo Banco Central, apontaram expansão da atividade industrial em abril, com crescimentos de 0,6% e 0,4% do faturamento real e das horas trabalhadas na produção, respectivamente. Em comparação a abril e ao primeiro quadrimestre de 2007, o faturamento real aumentou 6,5% e 7,6%, respectivamente, e as horas trabalhadas na produção, 5,3% e 5,8%, na mesma ordem. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) atingiu 83,4% em abril, o maior percentual na série histórica e 1 p.p. acima do nível de março, considerados dados dessazonalizados, e, de acordo com a série observada, alcançando elevação de 1,5 p.p. em relação a abril de 2007.
 
38. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção física da indústria em abril cresceu 0,2% na comparação com o mês anterior, e a média móvel trimestral manteve-se praticamente estável (0,1%), também na comparação mensal. Dezesseis das vinte e sete atividades pesquisadas registraram aumento da produção física em abril e, por categorias de uso, apenas a produção de bens de capital apresentou expansão (1,6%). A produção de bens intermediários mostrou relativa estabilidade, -0,2%, enquanto a produção de bens de consumo semi e não duráveis diminuiu 1,5%, após alta de 2,6% no mês anterior. A produção de bens de consumo duráveis apresentou queda de 1,9%, após três altas consecutivas, quando acumulou crescimento de 9%. Em comparação a abril de 2007, a atividade industrial aumentou 10,1%, com expansões em todas as categorias de uso, destacando-se as taxas de 30% em bens de capital e 22,4% em bens de consumo duráveis. Nos primeiros quatro meses de 2008, comparativamente a igual período do ano anterior, essas taxas de crescimento atingiram 7,3%, 20,5% e 14,5%, respectivamente. No mesmo período, os acréscimos nas produções de bens intermediários e de bens de consumo semi e não duráveis alcançaram 6% e 2,2%, na ordem. Considerando a expansão da atividade industrial em períodos de doze meses, a taxa de expansão passou de 6,6% em março para 7% em abril, denotando aceleração na margem, ao contrário das comparações mensais e da média móvel trimestral com dados dessazonalizados.
 
39. A produção de autoveículos atingiu 300,6 mil unidades em abril, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), elevando-se 34,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Considerando dados dessazonalizados, a produção do setor cresceu 6,8% em relação a março, com acréscimos de 6,9%, 4,1% e 1,3% nos segmentos de automóveis, ônibus e caminhões, respectivamente. A produção de máquinas agrícolas expandiu 5% na mesma base de comparação. No primeiro quadrimestre, a produção de autoveículos aumentou 23,9% e a de máquinas agrícolas, 46,9% comparativamente ao primeiro quadrimestre de 2007. No mesmo período, as vendas totais de autoveículos cresceram 21,8%, com expansão de 30,5% nas vendas internas e recuo de 0,2% nas exportações.
 
40. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado em abril pelo IBGE, a área plantada em 2008 deverá atingir 46,8 milhões de hectares, 3,2% superior à de 2007. Estima-se a safra de grãos em 142,6 milhões de toneladas, elevando-se 7,2% em relação ao ano anterior. Esse resultado incorpora aumentos de 8,6% na produção de arroz, 11,4% na de milho e 2,6% na de soja, culturas que respondem conjuntamente por cerca de 90% da produção de grãos e ocupam 82% da área plantada. O LSPA estimou, ainda, acréscimos de 8,2% na produção de cana-de-açúcar, com expansão de 8% na área plantada, e de 26,3% na produção de café, efeito da recuperação cíclica bianual da produtividade.
 
Expectativas e sondagens
 
41. A pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) registrou recuo de 1% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em maio, em relação ao mês anterior, resultado de retrações de 1,4% no Índice das Condições Econômicas Atuais (Icea) e de 0,7% no Índice de Expectativas do Consumidor (IEC). O ICC elevou-se 16,2% em relação a maio de 2007, traduzindo expansões de 12,9% no Icea e de 18,7% no IEC.
 
42. A Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV apontou alta de 2% no ICC em maio, em relação ao mês anterior. Tanto as avaliações sobre a situação atual quanto as expectativas em relação aos próximos meses recuperaram-se em relação ao registrado no mês anterior, com aumentos respectivos de 2,6% e de 1,6%. Em relação aos índices de maio de 2007, a Sondagem registrou elevações de 5,6% no ICC, de 15,5% no Índice da Situação Atual e de 0,7% no Índice das Expectativas.
 
43. Ainda segundo a FGV, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu 119,9 pontos em maio, ante 120,3 em abril. O indicador situou-se 1,7 p.p. acima do nível registrado em igual mês de 2007, refletindo as elevações de 2,9 p.p. no componente relativo à situação atual e de 0,5 p.p. no componente relativo às expectativas.
  
44. Conforme a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pela FGV, o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) atingiu 85,6% em maio deste ano, superando em 0,5 p.p. o registrado no mês anterior e em 1,2 p.p. o patamar de maio de 2007. Por setor, observou-se queda de 0,7 p.p. no segmento de bens intermediários, e elevações de 5,3 p.p., 3,2 p.p. e 2,7 p.p. nos segmentos de material de construção, bens de consumo e bens de capital, respectivamente.
 
Mercado de trabalho
 
45. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criados 294,5 mil postos de trabalho formais em abril de 2008, acumulando 849 mil novos empregos no primeiro quadrimestre do ano. Os dados dessazonalizados indicaram crescimento mensal de 0,5% no nível de emprego, com aumento em todos os setores, destacando-se a construção civil, pela taxa de expansão de 1%, e o setor de serviços, pelo número de vagas criadas, 97 mil.
 
46. Conforme a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de desemprego aberto atingiu 8,5% da População Economicamente Ativa (PEA) em abril, ante 8,6% no mês anterior e 10,1% em abril de 2007. A estabilidade da taxa de desemprego entre abril e março refletiu o aumento de 105 mil trabalhadores ocupados, ante 102 mil que ingressaram no mercado de trabalho. Em relação a abril do ano passado, a ocupação cresceu 4,3%, enquanto a PEA aumentou 2,5%. Considerando o contingente de pessoal ocupado por posição na ocupação, o número de trabalhadores do setor privado com carteira aumentou 1,5% entre abril e março, representando 139 mil postos de trabalho, e o número de trabalhadores por conta própria e sem carteira diminuiu 2,4% e 1,3%, respectivamente, envolvendo, na mesma ordem, as reduções de 96 mil e 35 mil empregos. Em relação a abril de 2007, os trabalhadores com carteira no setor privado lideraram o crescimento da ocupação, com alta de 9,9%, o número de trabalhadores por conta própria cresceu 1,8% e o relativo a empregados sem carteira recuou 4,7%.
 
47. De acordo com a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas cresceu 1% em abril em relação a março, e 2,8% comparativamente a abril de 2007. A massa salarial real aumentou 1,5% em abril, ante o mês anterior, e 6,5% no ano, situando-se 7,2% acima da verificada em abril de 2007.
 
48. O contingente de pessoal empregado na indústria e a massa salarial real paga pelo setor industrial em abril cresceram 4% e 5,3% na comparação com abril de 2007, conforme estatísticas da CNI dessazonalizadas pelo Banco Central. Nos primeiros quatro meses de 2008, observaram-se acréscimos de 4,7% no pessoal empregado e de 6,2% na massa salarial real paga pelo setor industrial ante mesmo período de 2007.
 
Crédito e inadimplência
 
49. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro cresceu 2,5% em abril, acumulando expansão de 30,9% em doze meses. Consideradas as mesmas bases de comparação, as operações com recursos livres cresceram 2,8% e 35%, respectivamente, e as realizadas com recursos direcionados, 1,7% e 21,8%. Entre as operações de crédito com recursos livres, registre-se a manutenção do dinamismo das operações de arrendamento mercantil, cujos saldos contratados nos segmentos de pessoas físicas e pessoas jurídicas elevaram-se, na ordem, 124,1% e 87,6%, em doze meses. Entre as operações com recursos direcionados, assinalem-se, na mesma base de comparação, as expansões nos créditos destinados à habitação, 24,9%, e ao setor rural, 21,5%. Considerada a segmentação por atividade econômica, o saldo dos empréstimos à indústria registrou, em abril, aumentos de 3% em relação a março e de 35,5% em doze meses.
 
50. A taxa média de juros ativa incidente sobre as operações de crédito referenciais atingiu 37,4% a.a. em abril, recuando 0,2 p.p. em relação ao mês anterior. As taxas médias situaram-se em 47,7% a.a. nas operações com pessoas físicas e em 26,3% a.a. nos empréstimos contratados com pessoas jurídicas, comparativamente a 47,8% e 26,5%, respectivamente, no mês anterior.
 
51. O prazo médio das operações de crédito referenciais situou-se em 370 dias em abril, mantendo-se praticamente estável desde janeiro, quando superou, pela primeira vez, a marca de um ano. Nas operações com pessoas jurídicas o prazo médio atingiu 298 dias e, nas operações realizadas com pessoas físicas, 457 dias, ante 241 dias e 389 dias, respectivamente, em abril de 2007.
 
52. A taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 4,2% em abril, recuando 0,6 p.p. em relação ao mês correspondente de 2007. Por segmentos, as taxas relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas atingiram, na ordem, 1,8% e 7%, comparativamente a 2,7% e 7% em abril de 2007.
 
53. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, atingiu 8,6% em abril, ante 8,1% no mesmo mês do ano anterior. Na série com ajuste sazonal a taxa situou-se em 6% em abril, ante 5,7% em março.
 
Ambiente externo
 
54. Há evidências de que as turbulências nos mercados financeiros e o pior da crise de liquidez já passaram, mas persistem riscos ao cenário econômico mundial advindos dos mercados imobiliários. Nos Estados Unidos, surgem indícios de deterioração no mercado de hipotecas de imóveis comerciais (CRE), que tendem a se acentuar com a conjuntura menos favorável e o conservadorismo das instituições financeiras na análise de crédito e, na Europa, em países como Espanha, Irlanda e Reino Unido existem sinais de saturação de seus mercados hipotecários, com tendência de queda, refletindo os efeitos adversos da crise no crédito e do enfraquecimento das economias. Os preços dos imóveis no Reino Unido apresentaram, em maio, sua maior queda mensal.
 
55. Os desdobramentos inflacionários e, mais importante, as expectativas inflacionárias continuam deteriorando. Apesar da desaceleração de boa parte das economias, o índice de inflação global está no mais alto patamar dos últimos nove anos. Isso ocorre porque a redução do poder de compra ainda não é efetiva e também porque o que tem pressionado a inflação são bens de consumo mais inelásticos. Assim, o processo inflacionário continua refratário à baixa, mantendo os bancos centrais sob vigilância estrita.
 
56. Os preços do petróleo vêm batendo recordes sistematicamente, e o ciclo de alta dos preços das commodities no mercado internacional continua pressionando a inflação doméstica de muitos países. Diversos fatores ajudam a explicar o movimento de alta dos preços das commodities, dentre eles o novo padrão de desenvolvimento alcançado pelas economias emergentes, transmissões de preços entre diferentes commodities e estoques em níveis historicamente baixos.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
57. O saldo da balança comercial atingiu US$4,1 bilhões em maio, acumulando superávits de US$8,7 bilhões no ano e de US$31,9 bilhões em doze meses. No acumulado até maio de 2008, as exportações atingiram US$72,1 bilhões e as importações, US$63,4 bilhões, com expansões respectivas de 22,2% e de 49,2%, comparativamente ao mesmo período de 2007.
 
58. Em maio, as exportações atingiram US$19,3 bilhões, o que representou média diária de US$965,3 milhões, 55,6% maior que a observada no mês correspondente de 2007. As importações registraram US$15,2 bilhões, média diária de US$761,5 milhões, 71% superior a maio do ano anterior. Esses valores, recordes para toda a série de exportação e de importação, foram influenciados pela regularização dos registros de exportações, que ficaram pendentes com a greve dos auditores da Receita Federal entre 18 de março e 12 de maio do corrente ano.
 
59. As reservas internacionais totalizaram US$195,8 bilhões em abril, com aumentos de US$535 milhões no mês e de US$15,4 bilhões na comparação com o final do ano anterior.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
60. Após a reunião do Copom de abril a curva de juros futuros apresentou elevação em toda a sua extensão e, de forma mais intensa, em seu trecho intermediário. Esse movimento foi ocasionado, principalmente, pela divulgação de índices de inflação corrente acima do esperado e pela continuidade da elevação das expectativas inflacionárias. Em dois momentos, as taxas de juros futuros de longo prazo apresentaram alívio momentâneo após a concessão do grau de investimento à dívida soberana brasileira por duas agências de classificação de risco, em 30 de abril e em 29 de maio. Entre 14 de abril e 2 de junho, as taxas de um, de três e de seis meses subiram 0,65 p.p., 0,70 p.p. e 0,87 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos de um e dois anos se elevaram em 1,03 p.p. cada, e a de três anos, em 0,85 p.p.. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 8,07%, em 14 de abril de 2008, para 8,66%, em 2 de junho de 2008.
 
61. Em 25 de abril e 28 de maio, o Banco Central realizou leilões de swap cambial reverso para a rolagem dos vencimentos de maio e junho. Essas operações alcançaram o montante equivalente a US$1,8 bilhão e US$2,4 bilhões, respectivamente.
 
62. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, semanalmente, no período de 15 de abril a 2 de junho, operações compromissadas longas, tomando recursos por prazos de cinco e de sete meses. O saldo diário médio do estoque dessas operações ficou em R$79,4 bilhões, dos quais R$50,8 bilhões em operações de sete meses. No mesmo período, o Banco Central atuou em 38 oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo. Realizou, ainda, operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$29,4 bilhões. Além disso, o Banco Central tomou recursos, em 17 de abril, pelos prazos de 32 e dez dias úteis e, em 16 de maio, por treze dias úteis nos montantes de R$110,9 bilhões, R$31,1 bilhões e R$19,7 bilhões, respectivamente, o que resultou no saldo diário médio de R$129,6 bilhões para essas operações tomadoras de curto prazo.
 
63. Entre 15 de abril e 2 de junho, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos seus leilões tradicionais somaram R$30,6 bilhões. A colocação de títulos de remuneração prefixada alcançou R$10,6 bilhões, sendo R$7,2 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2008, 2009 e 2010, e R$3,4 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2012, 2014 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$15,7 bilhões, com a colocação de títulos de vencimento em 2012 e 2014. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos de vencimento em 2011, 2013, 2017, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$4,3 bilhões.
 
64. No mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN de vencimento em abril e julho de 2009, conjugada com a compra de LTN de vencimento em julho de 2008, em um total de R$0,9 bilhão. As vendas de NTN-B liquidadas mediante a entrega de outros títulos somaram R$3,2 bilhões e envolveram títulos de vencimento em 2011, 2013, 2017, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou, também, leilões de venda de LFT de vencimento em 2012 e 2014, no montante de R$5,9 bilhões, aceitando como pagamento LFT de vencimento em 2008, e leilões de compra de LTN e de NTN-B, que alcançaram R$0,6 bilhão e R$0,1 bilhão, respectivamente.