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www.bcb.gov.br
![]() Sumário
Data: 03 e 04/06/2008
Local: Sala de reuniões do 8º andar (03/06) e do
20º (04/06) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário
de início: 16h50 (03/06) e
17h30 (04/06)
Horário de término: 19h10 (03/06) e 19h00 (04/06)
Presentes:
Membros
do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Alexandre
Antonio Tombini
Alvir
Alberto Hoffmann
Anthero
de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria
Celina Berardinelli Arraes
Mário
Gomes Torós
Mário
Magalhães Carvalho Mesquita
Chefes
de Departamento (presentes no dia 03)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também
presente no dia 04)
João
Henrique de Paula Freitas Simão –
Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antonio Marciano – Departamento
de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira –
Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de
Relacionamento com Investidores
Demais
participantes (presentes no dia 03)
Adriana Soares Sales – Chefe-Adjunto do
Departamento de Estudos e Pesquisas
Alexandre Pinheiro de Moraes Rego – Assessor
de Imprensa
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da
Diretoria
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da
Diretoria
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
Sergio Almeida de Souza Lima –
Secretário-Executivo
Os
membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a
economia brasileira e para a economia
internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é
atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
1.
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se
acelerou, em abril, para 0,55%, ante 0,48% em março e 0,49% em fevereiro. Com
isso, a inflação alcançou 2,08% no primeiro quadrimestre de 2008, ante 1,51% em
igual período de 2007. Em doze meses, a inflação continuou em aceleração. De
fato, após atingir 4,61% em fevereiro e 4,73% em março, a inflação chegou a
5,04% em abril (3,0% no mesmo mês de 2007). Sob esse critério de comparação, a
aceleração do nível de preços ao consumidor reflete essencialmente o
comportamento dos preços livres, que subiram mais rapidamente do que os preços
administrados e monitorados por contrato. Com efeito, o incremento dos preços
livres e dos administrados alcançou, respectivamente, 6,59% e 1,59% em doze
meses até abril, ante 2,97% e 2,99% até abril de 2007. Além disso, note-se que,
a despeito da apreciação cambial observada, a variação dos preços de bens
comercializáveis mostrou aceleração e atingiu 6,15% (1,53% em abril de 2007) na
mesma base de comparação. No que se refere aos itens não comercializáveis, em
grande parte impulsionada pelo comportamento dos preços de alimentos in natura e de serviços, a inflação
acumulada em doze meses foi ainda mais elevada (6,99%), evidenciando a
influência de fatores domésticos sobre a dinâmica inflacionária. Dados
preliminares para maio apontam para a continuidade do processo de aceleração
inflacionária. O comportamento recente do IPCA tem sido notadamente menos
favorável do que em trimestres anteriores, de modo que, desde o final de 2007,
a inflação dá sinais de divergir da trajetória das metas, tendo atingido 3,22%
nos últimos seis meses.
2. Duas das três principais
medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central acompanharam a
aceleração do índice cheio em abril. Os núcleos por exclusão de monitorados e
de alimentos no domicílio, e pelo critério de médias aparadas com suavização
deslocaram-se de 0,36% e 0,39% em março para 0,53% e 0,48% em abril,
respectivamente. Por seu turno, o núcleo por médias aparadas sem suavização
variou 0,41% em abril, a mesma taxa de março. Assim como para o índice pleno, a
inflação acumulada no primeiro quadrimestre de 2008 pelas três medidas de
núcleo exibiu sensível aceleração frente às taxas verificadas no mesmo período
de 2007, com deslocamentos de 1,46%, 1,21% e 1,09% para 1,99%, 1,52% e 1,60%,
para o índice por exclusão, médias aparadas com e sem suavização,
respectivamente. No que se refere ao acumulado em doze meses, a aceleração da
inflação plena observada recentemente tem sido acompanhada pelas três medidas
de núcleo. Com efeito, o núcleo por exclusão continua a mostrar substancial
elevação, deslocando-se de 4,27% em fevereiro para 4,41% em março e 4,65% em
abril. O mesmo ocorreu com o núcleo por médias aparadas com suavização (4,16%
em março e 4,36% em abril), ao passo que o núcleo por médias aparadas sem
suavização avançou de 3,83% em fevereiro para 4,01% em março e 4,14% em abril.
Cabe destacar, adicionalmente, que o comportamento dos índices de difusão
sugere aumento da disseminação do processo de aceleração inflacionária,
corroborando análise incluída em Notas anteriores do Comitê.
3. A inflação medida pelo
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou de 0,38% em
fevereiro para 0,70% em março e 1,12% em abril. No acumulado em doze meses, a
variação do IGP-DI se acelerou de 8,65% em fevereiro e 9,18% em março para
10,24% em abril, ante 4,61% em abril de 2007. Em doze meses até abril, o
incremento do IGP-DI refletiu tanto o comportamento do Índice de Preços ao
Consumidor – Brasil (IPC-Br), com
variação de 4,95% (2,67% em abril de 2007), quanto o do Índice de Preços no
Atacado – Disponibilidade Interna
(IPA-DI), com incremento de 12,82% (5,27% em abril de 2007). Na mesma base de
comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 7,13% (5,35% em
abril de 2007). No que se refere especificamente ao IPA agrícola, a variação
atingiu 27,9% (11,04% no acumulado em doze meses até abril de 2007). Cabe
destacar a aceleração dos preços industriais, processo que teve início no
segundo semestre de 2007 e que parece ter se intensificado recentemente. No
primeiro quadrimestre de 2008, o IPA industrial acumulou variação de 4,44%,
ante 1,02% no mesmo período de 2007. A inflação dos preços industriais no
atacado, acumulada em doze meses, saiu de 4,42% em dezembro de 2007 para 7,97%
em abril de 2008. Conforme destacado nas Notas de reuniões anteriores, o Copom
avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação
para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda
e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da
inflação.
4. A média móvel trimestral
da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 0,1% em abril
após alta de 0,7% no mês anterior. Ainda considerando a série dessazonalizada,
na comparação mês a mês, após a expansão de 0,6% verificada em março, a
produção física da indústria avançou 0,2% em abril. Note-se, ainda, que a
produção da indústria geral mostra crescimento de 7,3% no ano, sendo 7,4% na
indústria de transformação e 5,9% na extrativa. Na comparação com os mesmos
meses do ano anterior, a produção industrial exibiu considerável volatilidade
em março e abril, com variações de 1,4% e 10,1%, respectivamente, em grande
parte devido à distribuição atípica do número de dias úteis verificada
recentemente. Os dados já divulgados referentes aos últimos meses apontam, em
suma, para a continuidade do ciclo de crescimento industrial, ainda que em
ritmo condicionado por eventuais limitações à expansão da oferta.
5. Entre as categorias de
uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital
avançou expressivos 1,6% em abril, após 1,3% em março. As demais categorias de
uso mostraram recuo na margem, -0.2% no segmento de bens intermediários, -1,9% no
de bens de consumo duráveis e -1,5% no de semi e não-duráveis. Em termos de
expansão acumulada no ano, o setor de bens de capital lidera com 20,5%, seguido
pelo setor de bens duráveis (15,9%). O cenário de sólida expansão da produção
de bens de capital verificado desde 2007, decorrente, principalmente, da
consolidação das perspectivas favoráveis à continuidade do crescimento da
economia, alicerçadas na percepção de consolidação da estabilidade
macroeconômica, parece estar persistindo. Por sua vez, o dinamismo da produção
de bens duráveis reflete, em grande parte, a substancial melhora nas condições
de crédito da economia, quando comparadas aos padrões históricos. Note-se que a
emergência de sinais apontando pressão sobre a disponibilidade de fatores de produção,
como sugerem algumas sondagens industriais, indica que a acomodação no ritmo de
expansão da atividade industrial pode, em boa medida, ser atribuída às
restrições da capacidade produtiva.
6. O mercado de trabalho
permanece com desempenho bastante favorável. A taxa de desemprego nas seis
regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) recuou de
8,7% em fevereiro para 8,6% em março e 8,5% em abril. Com isso, a taxa de
desemprego média no primeiro quadrimestre foi 1,4 p.p. inferior àquela
observada em igual período de 2007. Considerando dados dessazonalizados pelo
Banco Central, a taxa de desemprego deslocou-se de 8,5% em fevereiro para 8,2%
em março e 8,1% em abril, a menor taxa para o mês desde o início da série
histórica em 2002. Em março, o rendimento médio real habitualmente recebido
apresentou queda de 0,6% ante fevereiro (elevação de 2% frente a março de
2007). Já em abril o rendimento cresceu 1% na comparação mensal e 2,8% na
interanual. Em conseqüência, o ritmo de
expansão da massa salarial real se acelerou de 6,3% para 6,5% no ano entre
março e abril (expansão de 7,2% ante o mesmo mês de 2007), continuando a
constituir fator-chave para o crescimento sustentado da demanda agregada. Por
sua vez, o emprego na indústria de transformação recuou 0,04% em abril (+0,2%
em março), segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo mês do ano
anterior, a variação do pessoal empregado atingiu 4,0%, implicando variação de
4,2% no acumulado em doze meses. Ainda sobre emprego, dados divulgados pelo
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam continuidade do processo de
forte expansão do emprego formal celetista neste ano, com a criação de 294,5
mil postos de trabalho em abril (ante 206,6 mil em março e 205 mil em
fevereiro). Nos primeiros quatro meses do ano, o saldo do emprego atingiu o
recorde histórico de 849 mil contratações. Dados dessazonalizados mostram
crescimento de 0,5% no nível de emprego formal em abril, e dados observados
apontam incremento de 5,6% em doze meses, evidenciando o dinamismo do mercado
de trabalho. O setor de serviços foi o que mais admitiu em abril, com a
abertura de 97,4 mil postos, seguido pela indústria de transformação (82,7
mil), e pela construção civil (32,1 mil), saldo recorde para o período. O
comércio abriu 34,7 mil vagas. O setor agrícola foi responsável pelo acréscimo
de 38,6 mil postos de trabalho, resultado que pode ser creditado às atividades
relacionadas ao cultivo da cana-de-açúcar no Centro-Sul do país.
7. Em linha com a evolução
positiva do mercado de trabalho e com a expansão do crédito, o comércio
varejista continua a registrar desempenho favorável e indica que o ritmo de
crescimento da demanda doméstica se mantém robusto, sem mostrar sinais de
arrefecimento. O volume de vendas do comércio varejista ampliado, de acordo com
os dados dessazonalizados pelo IBGE, acelerou de 1,2% em fevereiro para 1,4% em
março (12,1% acima do patamar observado em março de 2007). Como conseqüência da
expansão observada em março, a média do primeiro trimestre do comércio ampliado
registrou alta de 3,8% relativamente ao trimestre anterior. Na comparação com o
mês anterior, pela série com ajuste sazonal, destacam-se os setores de tecidos,
vestuários e calçados (6,1%) e –
a despeito
da elevação dos preços de alimentos – hiper,
supermercado, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3,3%) e combustíveis e
lubrificantes (1,7%). No ano, o crescimento acumulado foi maior nos segmentos
de equipamentos e material para escritório (31,3%), outros artigos de uso
pessoal e doméstico (23,9%) e veículos e motos, partes e peças (23,4%). O
sólido desempenho do comércio varejista tem, portanto, refletido tanto o
desempenho dos segmentos mais sensíveis à expansão da renda e do emprego quanto
o daqueles mais sensíveis às condições de crédito. Para os próximos trimestres,
a perspectiva é de continuidade do atual ciclo expansionista do comércio
varejista, cujos fatores de propulsão continuarão a ser o crescimento dos
níveis de emprego e da renda, a expansão do crédito e a manutenção da confiança
do consumidor em níveis elevados. Indicadores setoriais, por exemplo,
referentes a vendas de automóveis em abril e maio, corroboram essa avaliação.
8. O Nível de Utilização da
Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu 83,4% em
abril, ante 82,4% em março, segundo dados da CNI dessazonalizados pelo Banco
Central, registrando novo patamar recorde para a série. A série dessazonalizada
pela própria CNI chegou a 83,2%, ante o máximo de 83,3% observado em novembro.
Considerando a série sem ajuste sazonal, em abril o Nuci se situou 1,5 p.p.
acima do patamar registrado no mesmo mês de 2007. Com isso a taxa média do
primeiro quadrimestre foi 1,3 p.p. superior à observada em igual período de
2007. Por sua vez, o Nuci trimestral com ajuste sazonal, calculado pela
Fundação Getulio Vargas (FGV), atingiu 85,5% em abril, mostrando ligeira
elevação frente aos 85,3% observados em janeiro. Para os setores de bens de
consumo e bens de capital, as taxas de utilização encontravam-se, em abril, em
86,0% e 88,3%, respectivamente, em ambos os casos pontos máximos das séries. A
manutenção das taxas de utilização em patamares historicamente elevados, com
alguma redução da capacidade ociosa na margem, manifesta-se em diversos setores
e ocorre a despeito do aumento substancial do volume de investimentos. De fato,
em abril de 2008, dados ajustados sazonalmente indicaram que a absorção de bens
de capital apresentou sólido crescimento (6,2%), consubstanciado no vigoroso
incremento das importações (10,7% em volume) e na produção de bens de capital
(1,6%). No mesmo período, a produção de insumos para a construção civil recuou
3,4%, após aumento de 2,6% em março. Dados recentes sugerem que, embora o investimento
venha contribuindo para suavizar a tendência de elevação das taxas de
utilização da capacidade, não tem sido suficiente para conter tal processo.
Nesse contexto, a maturação tempestiva de projetos de investimento será
fundamental para circunscrever os descompassos entre a evolução da oferta e da
demanda doméstica no horizonte relevante para a política monetária. A
propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a
trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos
correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços
para o adequado atendimento à demanda.
9. A balança comercial
continua registrando perda de vigor na margem, tendência já antecipada e que
está em consonância com avaliações expressas em Relatórios de Inflação e em
Notas de reuniões anteriores do Copom. O saldo acumulado nos doze meses até
maio totalizou US$31,9 bilhões (33% inferior ao verificado em maio de 2007).
Esse resultado adveio de US$172,6 bilhões em exportações e US$140,7 bilhões em
importações, com crescimentos de 16,4% e de 39,9%, respectivamente, em relação
aos doze meses findos em maio de 2007. Como observado em Notas de reuniões
anteriores, as importações vêm crescendo em ritmo mais acelerado do que as
exportações, em razão tanto do fortalecimento do real como do maior nível de
atividade econômica no país, a despeito das elevadas cotações de diversas commodities características da pauta
exportadora brasileira. A redução dos superávits comerciais contribuiu para que
o saldo em transações correntes registrasse déficit de US$14,7 bilhões em doze
meses até abril de 2008, equivalente a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Por
sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até
abril, a US$37,2 bilhões, equivalente a 2,8% do PIB.
10. No que se refere ao
cenário externo, a economia dos Estados Unidos da América (EUA) parece ter
entrado em período de estagnação desde o último trimestre de 2007, e continua
sofrendo o impacto da crise no setor imobiliário, com efeitos sobre o mercado
de trabalho, cujo enfraquecimento, em combinação com a elevação dos preços de
derivados de petróleo, afeta a confiança dos consumidores, contribuindo de
forma importante para deprimir o dispêndio. Ainda que a influência de estímulos
monetários e fiscais possa limitar o risco de uma contração significativa da
atividade, o cenário dominante parece apontar para uma recuperação mais
consistente apenas a partir de 2009. Mesmo depois de um significativo reforço
da base de capital de instituições financeiras relevantes, permanece a
incerteza sobre a extensão e a amplitude dos desdobramentos da crise
hipotecária americana sobre o sistema bancário nos EUA e na Europa, bem como
quanto ao impacto que estes terão sobre as condições de acesso ao crédito por
parte de empresas e famílias. Assim, persistem as dúvidas sobre a capacidade de
as medidas de política monetária e fiscal implementadas pelas autoridades dos
EUA suavizarem de forma tempestiva o enfraquecimento daquela economia, ante as
persistentes dificuldades do sistema financeiro. A despeito de certa redução,
desde meados de março, da percepção de risco sistêmico, tais dificuldades
poderiam ser agravadas por uma deterioração cíclica na qualidade do crédito, o
que reforçaria a tendência, já evidente, à contração das condições financeiras,
aumentando o risco de intensificação da desaceleração. As perspectivas para a
atividade na Europa, a despeito de indicadores favoráveis na Alemanha, e no
Japão também continuam se deslocando em direção negativa, ainda que, até o
momento, sem suscitar o grau de preocupação que cerca a atividade econômica nos
EUA. Cabe assinalar que, a despeito das perspectivas de continuidade da
desaceleração nas economias centrais, as pressões inflacionárias globais têm se
intensificado. Em parte, isso reflete o forte crescimento apresentado pelas
economias emergentes, que, até agora, aparentemente foram pouco afetadas pela
crise hipotecária nos EUA, constituindo contraponto aos efeitos da
desaceleração das economias maduras. De fato, diante da pressão sobre a
disponibilidade de fatores de produção, que tem suscitado elevação da inflação
em diversas economias emergentes, a tendência parece apontar para a
continuidade de políticas monetárias contracionistas. Nas economias maduras, as
perspectivas para a política monetária são mais diversas, ainda que a
aceleração da inflação, que em certos casos começa a ter efeitos sobre as
expectativas inflacionárias de médio prazo, pareça limitar o escopo para
flexibilização adicional, mesmo que remanesçam os riscos para a atividade
derivados da crise de crédito. Nesse contexto, os indicadores de volatilidade e
de aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais mantiveram-se em
patamares relativamente elevados desde a última reunião deste Comitê, embora
tenham mostrado certo recuo na margem. A elevação da avaliação do risco
soberano brasileiro por importantes agências de rating tende a reduzir a
sensibilidade dos preços de ativos brasileiros frente ao cenário internacional,
contribuindo para mitigar, mas não eliminar, os efeitos das dificuldades
vividas pela economia global sobre a atividade econômica no Brasil, cuja
dinâmica vem sendo sustentada essencialmente pela demanda doméstica.
11. O preço do petróleo,
fonte sistemática de incerteza advinda do cenário internacional, mais uma vez
se elevou consideravelmente desde a última reunião do Copom e continua
altamente volátil. Esse comportamento reflete mudanças estruturais no mercado
energético mundial, as quais têm impedido a recuperação dos níveis de estoques
tradicionalmente observados, além de tensões geopolíticas recorrentes. A
despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos
preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços
domésticos da gasolina inalterados no restante de 2008, ainda que a
probabilidade de se configurar um cenário alternativo seja relevante. Cabe
assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços
domésticos da gasolina, a elevação consistente dos preços internacionais do
petróleo se transmite à economia doméstica tanto por meio de cadeias
produtivas, como a petroquímica, quanto pela deterioração que termina
produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos. Os preços de outras
commodities, especialmente grãos, que
também haviam mostrado elevação importante antes da última reunião do Copom, a
despeito do maior pessimismo sobre as perspectivas para o crescimento da
economia mundial, e da turbulência nos mercados financeiros globais, mostraram
comportamento heterogêneo nas últimas semanas, mas continuam, com poucas
exceções, registrando altas no ano.
12.
Os choques
identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo conjunto
de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as
seguintes hipóteses:
a)
comparadas aos
valores considerados na reunião do Copom de abril, as projeções de reajustes
nos preços da gasolina e do gás de bujão não se alteraram, uma vez ajustadas
pelos efeitos de mudanças em impostos específicos, e assim foram mantidas em 0%
para o acumulado de 2008;
b)
na comparação
com a reunião do Copom de abril, a projeção de reajuste da tarifa de telefonia
fixa permaneceu em 3,5% para o acumulado de 2008 e, no caso do preço da
eletricidade, a projeção para o acumulado de 2008 foi alterada de 0,1% para
1,1%;
c)
a projeção,
construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados
para o acumulado de 2008 foi mantida em 4,0%. Esse conjunto de preços, de
acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 30,09% do total do
IPCA de abril;
d)
a projeção de
reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2009 foi
mantida em 4,5%. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de
preços administrados, que consideram componentes sazonais, variações cambiais,
inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP);
e
e)
a trajetória
estimada para o swap indica spread da taxa de swap de 360 dias sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de
133 p.b. no quarto trimestre de 2008 e de 84 p.b. no último trimestre de 2009.
Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as
novas informações disponíveis.
13.
Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta a hipótese de
trabalho do cumprimento da meta legal de superávit primário de 3,8% do PIB em
2008 e em 2009, incrementada em 0,5 p.p. As demais hipóteses consideradas na
reunião anterior foram mantidas.
14.
Desde a última reunião do Copom, realizada em abril, houve substancial
incremento na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de
Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2008, que
passou de 4,66% para 5,48%. As expectativas para doze meses à frente também se
elevaram, de 4,38% para 5,01%, levando-se em conta a composição das medianas
das taxas mensais esperadas pelos analistas. Para 2009, as expectativas de inflação
se deslocaram de 4,40% para 4,60%.
15.
Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta
a manutenção da taxa de câmbio em R$1,65 e da taxa Selic em 11,75% em todo o
horizonte de previsão, a projeção para o IPCA em 2008 elevou-se em relação ao
valor considerado na reunião do Copom de abril, permanecendo acima do valor
central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No
cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros
apuradas pela Gerin junto a analistas, no período imediatamente anterior à
reunião do Copom, a projeção de inflação para 2008 também sofreu elevação em
relação ao valor considerado na última reunião do Copom, e também continua
posicionada acima do centro da meta de inflação. Em relação a 2009, a projeção
do cenário de referência elevou-se
em relação ao valor previsto na reunião de abril, enquanto a projeção do
cenário de mercado permaneceu estável, em ambos os cenários superando o valor central de 4,50%.
16.
O Copom avalia que a política monetária deve contribuir
para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais
longos. Os dados referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de
expansão da demanda doméstica continua bastante robusto, mostrando aceleração
em alguns segmentos e regiões no primeiro trimestre do ano, e responde, ao
menos parcialmente, pelas pressões inflacionárias que têm sido observadas no
curto prazo, a despeito do forte crescimento das importações e do comportamento
benigno do investimento. Mesmo no contexto de uma desaceleração moderada da
economia mundial neste ano e da maior volatilidade que vem caracterizando os
mercados globais desde meados de 2007, o Comitê acredita, com as informações
disponíveis no momento, que o balanço de pagamentos não deve apresentar risco
iminente para o cenário inflacionário, avaliação corroborada pela recente
atribuição de grau de investimento aos títulos da dívida soberana. Por outro
lado, há sinais de que pressões inflacionárias relevantes, tanto em economias
maduras quanto nas emergentes, estariam se intensificando, evidenciando a
presença de riscos inflacionários em escala global. O Copom reitera a visão,
expressa em Notas de reuniões anteriores, de que, para a inflação brasileira,
um cenário alternativo de desaceleração mundial mais intensa e generalizada
representa fator de risco de sinal ambíguo. Por um lado, ao reduzir as
exportações líquidas, atuaria como fator de contenção da demanda agregada. Além
disso, o potencial arrefecimento dos preços de algumas commodities importantes poderia contribuir para uma menor inflação
doméstica. Por outro lado, o supracitado cenário alternativo poderia atuar
desfavoravelmente para as perspectivas de inflação por intermédio de dois
mecanismos. No caso de desaceleração mais forte nas economias maduras que
compõem o centro do mercado financeiro global, a aversão ao risco poderia
elevar-se, afetando assim a demanda por ativos brasileiros e possivelmente
ocasionando depreciação de seus preços. Além disso, no médio prazo, uma
possível redução das exportações líquidas poderia ter efeito similar sobre a
sustentabilidade de preços de certos ativos brasileiros. Diante da deterioração
das perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê
avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno
segue elevado. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária
nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos
se estendam no tempo. Em
particular, cabe à política monetária atuar para que impactos inicialmente
localizados sobre os índices de inflação, parcialmente derivados de ajustes de
preços relativos que ocorrem em escala global, não levem, por meio de uma piora
das expectativas, a uma deterioração persistente da dinâmica inflacionária. O
Comitê entende que a preservação da estabilidade monetária é condição
necessária para que o sistema de preços relativos continue sinalizando
eficientemente os ajustes necessários nos padrões de consumo e produção
vigentes na economia.
17.
O
Copom considera que se mantém elevada a probabilidade de que pressões
inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a
trajetória da inflação, uma vez que o aquecimento da demanda doméstica e do
mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de
oferta setoriais, podem estar ensejando aumento no repasse de pressões sobre
preços no atacado para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que as
perspectivas para esse repasse, bem como para a generalização de pressões
inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, dependem de forma crítica
das expectativas dos agentes econômicos para a inflação, que continuaram
mostrando elevação significativa nas últimas semanas e que são monitoradas com
particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, embora o setor externo
exerça alguma disciplina sobre a inflação no setor de transacionáveis, o
aquecimento da demanda doméstica pode desencadear pressões inflacionárias mais
intensas no setor de não transacionáveis, por exemplo, nos preços dos serviços.
Nesse contexto, o Copom conduzirá suas ações de forma a assegurar que os ganhos
obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes. Para tanto,
irá acompanhar atentamente a evolução da inflação e das diferentes medidas do
seu núcleo, assim como das expectativas de inflação dentro do horizonte de
projeção, estando pronto a ajustar a postura de política monetária de forma a
evitar a consolidação de um cenário no qual reajustes pontuais se transformem
em reajustes persistentes ou generalizados de preços.
18.
A
manutenção de taxas de inflação consistentes com a trajetória de metas e a
resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura
contribuirão para a continuidade do processo de redução progressiva da
percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O Copom
avalia que a persistência de uma atuação cautelosa e tempestiva da política
monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que, mesmo
diante de pressões inflacionárias em escala global, a inflação no Brasil siga
evoluindo segundo a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade continue
se traduzindo em resultados concretos, entretanto, é preciso que os indicadores
prospectivos de inflação, em particular a evolução esperada da demanda e da
oferta agregadas, convirjam ao longo do período relevante para a política
monetária.
19.
O
Copom considera fundamental ressaltar, mais uma vez, que há defasagens
importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre o
nível de atividade e sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões
alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na
análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados,
em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável.
20.
Ao
longo dos próximos meses, o crescimento do crédito, ainda que com alguma
moderação, possivelmente ocasionada pela elevação dos custos de captação, e a
expansão da massa salarial real devem continuar impulsionando a atividade
econômica. A esses fatores de sustentação da demanda devem ser acrescidos os
efeitos das transferências governamentais esperadas para este e para os
próximos trimestres, ainda que em intensidade menor do que se antecipava
anteriormente. Essas considerações se tornam ainda mais relevantes quando se
levam em conta os nítidos sinais de demanda doméstica aquecida, a disseminação
de pressões derivadas de ajustes de preços relativos, e o fato de que as
decisões de política monetária terão impactos concentrados no segundo semestre
de 2008 e em 2009.
21.
O
Comitê assinala a importante contribuição do investimento para ampliar a
capacidade produtiva. Esse fator, aliado à ajuda do setor externo, vem atuando
para evitar que a pressão inflacionária se intensifique ainda mais. Entretanto,
o Copom avalia que o ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar
sendo sustentado, entre outros fatores, pelo crescimento da renda e do crédito,
continua colocando riscos importantes para a dinâmica inflacionária. Nesse
contexto, a redução consistente do descompasso entre o ritmo de ampliação da
oferta de bens e serviços e o da demanda continua sendo central na avaliação
das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.
22.
Visando
consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, o Copom adota uma
estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil. Tal
estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e tem se
mostrado a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de
formulação e implementação da política monetária. Daí a importância atribuída
às projeções de inflação, ao balanço de riscos associado ao cenário prospectivo
e, especialmente, à ação preventiva no processo decisório do Comitê. A
prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo, em momentos
como o atual, caracterizado pela deterioração da dinâmica inflacionária
corrente e esperada. Nas atuais circunstâncias, existe o risco de que os
agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade a que elevações da
inflação sejam persistentes, o que implicaria redução da eficácia da
implementação da política monetária. Assim sendo, na avaliação do Copom,
respaldada pela experiência internacional, a atuação da política monetária
tende a ser mais efetiva, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está
em seus estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada. O Comitê
acredita que a atual postura de política monetária, a ser mantida enquanto for
necessário, irá assegurar a convergência da inflação para a trajetória das
metas. Evidentemente, na eventualidade de se verificar alteração no perfil de
riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a
inflação pelo Comitê neste momento, a estratégia de política monetária será
prontamente adequada às circunstâncias.
23.
O
Copom avalia que, diante dos sinais de aquecimento da economia, como ilustram a
aceleração de certos preços no atacado e a trajetória dos núcleos de inflação,
e da rápida elevação das expectativas de inflação, são relevantes os riscos
para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA
seguiria evoluindo de forma consistente com a trajetória das metas. De fato, a
deterioração do cenário prospectivo se manifesta nas projeções de inflação
consideradas pelo Comitê. O Copom considera, também, que a persistência de
descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta
agregadas tende a exacerbar o risco para a dinâmica inflacionária. Nessas
circunstâncias, a política monetária deve atuar, por meio do ajuste da taxa
básica de juros, para, por um lado, contribuir para a convergência entre o
ritmo de expansão da demanda e oferta e, por outro, evitar que pressões
originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração
persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação. Ao atuar
enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer, o
Comitê entende que estará, de fato, contribuindo para a sustentação do
crescimento, o que requer estabilidade, previsibilidade e a conseqüente
extensão do horizonte de planejamento das empresas e famílias, bem como para
resguardar os importantes incrementos na renda real dos assalariados observados
nos últimos anos. Assim sendo, o Copom reitera que as decisões de política
monetária necessariamente levam em conta as defasagens do mecanismo de
transmissão, e são parte de uma estratégia dinâmica, cujos resultados serão
evidenciados ao longo do tempo.
24.
Nesse
contexto, dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa de juros básica
iniciado na reunião de abril, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa
Selic para 12,25% ao ano, sem viés.
25.
No
regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os
valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos
para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva
dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. A demanda
doméstica continua se expandindo a taxas robustas e sustenta o dinamismo da
atividade econômica, inclusive em setores pouco expostos à competição externa,
quando os efeitos de fatores de estímulo ainda estão atuando sobre a economia.
Por sua vez, a contribuição do setor externo para um cenário inflacionário
benigno, diante do forte ritmo de expansão da demanda doméstica, e do
crescimento das pressões inflacionárias globais, parece estar se tornando menos
efetiva, em um momento no qual os efeitos do investimento sobre a capacidade
produtiva da economia ainda precisam se consolidar. Nesse ambiente, cabe à
política monetária atuar de forma a evitar que a maior incerteza detectada em
horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos.
26. Ao final da reunião, foi
registrado que o Comitê voltará a se reunir em 22 de julho de 2008, para
as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política
monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 16.051, de 3/9/2007.
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
27.
O
IPCA-15 variou 0,56% em maio, ante 0,59% em abril. O grupo alimentação e
bebidas, com variação de 1,26%, respondeu por 0,28 p.p. da taxa no mês, a mesma
contribuição verificada no resultado de abril, denotando persistência da alta
dos preços do grupo. A segunda maior influência no resultado do IPCA-15 em
maio, de 0,09 p.p., adveio da elevação de 0,93% nos preços do grupo despesas
pessoais, em aceleração ante a variação em abril, 0,49%. Os preços livres
aumentaram 0,74% em maio, ante 0,68% no mês anterior, registrando-se altas de
1,11% nos preços dos produtos comercializáveis e de 1,41% nos dos produtos não
comercializáveis. Os preços monitorados aumentaram 0,15%, ante 0,38% em abril.
O índice de difusão atingiu 67,19% em maio, o maior percentual desde janeiro de
2007, com média de 62,29% em 2008, ante 59,22% no mesmo período de 2007. Em
doze meses, o IPCA-15 acumulou expansão de 5,25% em maio, ante 4,94% em abril,
resultado de elevações de 6,98% nos preços livres e de 1,41% nos preços
monitorados.
28.
As
taxas dos núcleos de inflação referentes ao IPCA-15 registraram aceleração,
tanto no mês quanto em doze meses. O núcleo por exclusão (sem alimentos no
domicílio e monitorados) variou 0,55% em maio ante 0,44% em abril, acumulando
alta de 4,84% em doze meses, a maior desde abril de 2006, ante 4,59% em abril.
A variação do núcleo por médias aparadas sem suavização passou de 0,39% em
abril para 0,40% em maio, acumulando 4,06% em doze meses, também a mais elevada
desde abril de 2006. Pelo critério de médias aparadas com suavização, o núcleo
alcançou 0,41% em maio, ante 0,39% em abril, totalizando alta de 4,28% em doze
meses, a maior desde janeiro de 2007, ante 4,15% em abril.
29.
O
IGP-M cresceu 1,61% em maio, ante 0,69% em abril, acumulando 11,53% em doze
meses. Dos componentes do índice, apenas o IPC-M mostrou desaceleração no mês,
0,68% ante 0,76% em abril, atingindo 5,25% em doze meses. O IPA-M variou 2,01%,
após alta de 0,65% em abril, totalizando elevação de 14,53% em doze
meses. O INCC subiu 1,10% em maio, ante 0,82% no mês anterior, acumulando
alta de 7,64% em doze meses.
30.
A
menor variação do IPC-M em maio refletiu a desaceleração na taxa de cinco dos
sete grupos que compõem o índice, com destaque para o arrefecimento dos gastos
com habitação, 0,02% no mês ante 0,38% em abril. A variação do grupo
alimentação manteve-se, no mês, como a mais alta do índice, 1,77%, embora tenha
permanecido praticamente igual à do mês anterior, 1,76%, mesma tendência
captada pelo IPCA-15.
31.
O
maior aumento do IPA-M, em maio, refletiu tanto a alta dos preços agrícolas
como dos industriais. O IPA-agrícola aumentou 2,29%, revertendo a queda de
1,19% em abril e acumulando alta de 33,32% em doze meses. O IPA-industrial
aumentou 1,91%, ante 1,37% em abril, totalizando 8,58% em doze meses. O IPA
também acusou aceleração na variação mensal de maio, em todos os estágios de
processamento, sobretudo em matérias-primas brutas, que registrou alta de
3,38%, após queda de 0,13% em abril. A variação dos preços dos bens finais
passou de -0,01% para 1,11%, e a dos preços dos bens intermediários elevou-se
de 1,72% para 1,79%, no mesmo período.
32.
De
acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE,
o volume de vendas varejistas aumentou 1,4% em março, em relação ao mês
anterior, considerado o conceito ampliado, que incorpora os segmentos de
material de construção e veículos e motos, partes e peças. Destacaram-se, no
período, as elevações de 6,1% nas vendas de tecidos, vestuário e calçados, e de
3,3% nas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e
fumo, enquanto as vendas de equipamentos e materiais para escritório recuaram
5,6%.
33.
Considerando
ainda o mesmo conceito, o volume de vendas no comércio registrou acréscimo de
14,8% no primeiro trimestre de 2008, registrando-se crescimento generalizado
das vendas em todos os segmentos, com ênfase para equipamentos e material para
escritório, informática e comunicação, 29,2%; outros artigos de uso pessoal e
doméstico, 26,9%; automóveis motocicletas, partes e peças, 21,4%; móveis e
eletrodomésticos, 17,2%; e tecidos, vestuário e calçados, 13,3%. Os resultados
das vendas no varejo evidenciaram o crescimento da massa salarial, as condições
favoráveis de crédito, os impactos dos programas de transferência de rendas e o
aumento da renda agrícola.
34.
Segundo
dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referentes à capital
paulista e dessazonalizados pelo Banco Central, as consultas ao Serviço Central
de Proteção ao Crédito (SCPC) aumentaram 0,3% em abril, enquanto aquelas
direcionadas ao Usecheque recuaram 0,3% em relação ao mês anterior. Na
comparação com abril de 2007, registraram-se altas respectivas de 12,6% e de
12,9%.
35.
Em
relação aos indicadores de investimento, a produção interna de bens de capital
registrou acréscimo de 1,6% em abril, comparativamente ao mês anterior, na
série com ajuste sazonal, enquanto a produção de insumos para a construção
civil decresceu 3,4% no mesmo período. Na comparação com abril de 2007, esses
indicadores cresceram 30% e 11%, respectivamente. Relativamente à produção de
bens de capital, a evolução positiva, nessa base de comparação, refletiu,
principalmente, a expansão dos segmentos de máquinas agrícolas, 37,3%, e de
equipamentos para transportes, 42,2%.
36.
As
importações de bens de capital cresceram 10,7% em abril, em relação a março, de
acordo com dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex),
dessazonalizados pelo Banco Central. Essas compras, ratificando a trajetória
expansionista dos investimentos na economia brasileira, elevaram-se 32,6% em
relação a abril de 2007.
37.
Indicadores
da CNI referentes a abril, dessazonalizados pelo Banco Central, apontaram
expansão da atividade industrial em abril, com crescimentos de 0,6% e 0,4% do
faturamento real e das horas trabalhadas na produção, respectivamente. Em
comparação a abril e ao primeiro quadrimestre de 2007, o faturamento real
aumentou 6,5% e 7,6%, respectivamente, e as horas trabalhadas na produção, 5,3%
e 5,8%, na mesma ordem. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) atingiu
83,4% em abril, o maior percentual na série histórica e 1 p.p. acima do nível
de março, considerados dados dessazonalizados, e, de acordo com a série
observada, alcançando elevação de 1,5 p.p. em relação a abril de 2007.
38.
Segundo
a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção física da indústria em
abril cresceu 0,2% na comparação com o mês anterior, e a média móvel trimestral
manteve-se praticamente estável (0,1%), também na comparação mensal. Dezesseis
das vinte e sete atividades pesquisadas registraram aumento da produção física
em abril e, por categorias de uso, apenas a produção de bens de capital
apresentou expansão (1,6%). A produção de bens intermediários mostrou relativa
estabilidade, -0,2%, enquanto a produção de bens de consumo semi e não duráveis
diminuiu 1,5%, após alta de 2,6% no mês anterior. A produção de bens de consumo
duráveis apresentou queda de 1,9%, após três altas consecutivas, quando
acumulou crescimento de 9%. Em comparação a abril de 2007, a atividade
industrial aumentou 10,1%, com expansões em todas as categorias de uso,
destacando-se as taxas de 30% em bens de capital e 22,4% em bens de consumo
duráveis. Nos primeiros quatro meses de 2008, comparativamente a igual período
do ano anterior, essas taxas de crescimento atingiram 7,3%, 20,5% e 14,5%,
respectivamente. No mesmo período, os acréscimos nas produções de bens
intermediários e de bens de consumo semi e não duráveis alcançaram 6% e 2,2%,
na ordem. Considerando a expansão da atividade industrial em períodos de doze
meses, a taxa de expansão passou de 6,6% em março para 7% em abril, denotando
aceleração na margem, ao contrário das comparações mensais e da média móvel
trimestral com dados dessazonalizados.
39.
A
produção de autoveículos atingiu 300,6 mil unidades em abril, segundo a
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
elevando-se 34,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Considerando dados
dessazonalizados, a produção do setor cresceu 6,8% em relação a março, com
acréscimos de 6,9%, 4,1% e 1,3% nos segmentos de automóveis, ônibus e
caminhões, respectivamente. A produção de máquinas agrícolas expandiu 5% na
mesma base de comparação. No primeiro quadrimestre, a produção de autoveículos
aumentou 23,9% e a de máquinas agrícolas, 46,9% comparativamente ao primeiro
quadrimestre de 2007. No mesmo período, as vendas totais de autoveículos
cresceram 21,8%, com expansão de 30,5% nas vendas internas e recuo de 0,2% nas
exportações.
40.
De
acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado em
abril pelo IBGE, a área plantada em 2008 deverá atingir 46,8 milhões de
hectares, 3,2% superior à de 2007. Estima-se a safra de grãos em 142,6 milhões
de toneladas, elevando-se 7,2% em relação ao ano anterior. Esse resultado
incorpora aumentos de 8,6% na produção de arroz, 11,4% na de milho e 2,6% na de
soja, culturas que respondem conjuntamente por cerca de 90% da produção de
grãos e ocupam 82% da área plantada. O LSPA estimou, ainda, acréscimos de 8,2%
na produção de cana-de-açúcar, com expansão de 8% na área plantada, e de 26,3%
na produção de café, efeito da recuperação cíclica bianual da produtividade.
41.
A
pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP)
registrou recuo de 1% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em maio, em
relação ao mês anterior, resultado de retrações de 1,4% no Índice das Condições
Econômicas Atuais (Icea) e de 0,7% no Índice de Expectativas do Consumidor
(IEC). O ICC elevou-se 16,2% em relação a maio de 2007, traduzindo expansões de
12,9% no Icea e de 18,7% no IEC.
42.
A
Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV apontou alta de 2% no ICC em
maio, em relação ao mês anterior. Tanto as avaliações sobre a situação atual quanto
as expectativas em relação aos próximos meses recuperaram-se em relação ao
registrado no mês anterior, com aumentos respectivos de 2,6% e de 1,6%. Em
relação aos índices de maio de 2007, a Sondagem registrou elevações de 5,6% no
ICC, de 15,5% no Índice da Situação Atual e de 0,7% no Índice das Expectativas.
43.
Ainda
segundo a FGV, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu 119,9 pontos em
maio, ante 120,3 em abril. O indicador situou-se 1,7 p.p. acima do nível
registrado em igual mês de 2007, refletindo as elevações de 2,9 p.p. no
componente relativo à situação atual e de 0,5 p.p. no componente relativo às
expectativas.
44.
Conforme
a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pela FGV, o
nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) atingiu 85,6% em maio deste
ano, superando em 0,5 p.p. o registrado no mês anterior e em 1,2 p.p. o patamar
de maio de 2007. Por setor, observou-se queda de 0,7 p.p. no segmento de bens
intermediários, e elevações de 5,3 p.p., 3,2 p.p. e 2,7 p.p. nos segmentos de
material de construção, bens de consumo e bens de capital, respectivamente.
45.
Segundo
o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criados
294,5 mil postos de trabalho formais em abril de 2008, acumulando 849 mil novos
empregos no primeiro quadrimestre do ano. Os dados dessazonalizados indicaram
crescimento mensal de 0,5% no nível de emprego, com aumento em todos os
setores, destacando-se a construção civil, pela taxa de expansão de 1%, e o
setor de serviços, pelo número de vagas criadas, 97 mil.
46.
Conforme
a PME, realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa
de desemprego aberto atingiu 8,5% da População Economicamente Ativa (PEA) em
abril, ante 8,6% no mês anterior e 10,1% em abril de 2007. A estabilidade da
taxa de desemprego entre abril e março refletiu o aumento de 105 mil
trabalhadores ocupados, ante 102 mil que ingressaram no mercado de trabalho. Em
relação a abril do ano passado, a ocupação cresceu 4,3%, enquanto a PEA
aumentou 2,5%. Considerando o contingente de pessoal ocupado por posição na
ocupação, o número de trabalhadores do setor privado com carteira aumentou 1,5%
entre abril e março, representando 139 mil postos de trabalho, e o número de
trabalhadores por conta própria e sem carteira diminuiu 2,4% e 1,3%,
respectivamente, envolvendo, na mesma ordem, as reduções de 96 mil e 35 mil
empregos. Em relação a abril de 2007, os trabalhadores com carteira no setor
privado lideraram o crescimento da ocupação, com alta de 9,9%, o número de
trabalhadores por conta própria cresceu 1,8% e o relativo a empregados sem
carteira recuou 4,7%.
47.
De
acordo com a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitual das pessoas
ocupadas cresceu 1% em abril em relação a março, e 2,8% comparativamente a
abril de 2007. A massa salarial real aumentou 1,5% em abril, ante o mês
anterior, e 6,5% no ano, situando-se 7,2% acima da verificada em abril de 2007.
48.
O
contingente de pessoal empregado na indústria e a massa salarial real paga pelo
setor industrial em abril cresceram 4% e 5,3% na comparação com abril de 2007,
conforme estatísticas da CNI dessazonalizadas pelo Banco Central. Nos primeiros
quatro meses de 2008, observaram-se acréscimos de 4,7% no pessoal empregado e
de 6,2% na massa salarial real paga pelo setor industrial ante mesmo período de
2007.
49.
O
saldo dos empréstimos do sistema financeiro cresceu 2,5% em abril, acumulando
expansão de 30,9% em doze meses. Consideradas as mesmas bases de comparação, as
operações com recursos livres cresceram 2,8% e 35%, respectivamente, e as
realizadas com recursos direcionados, 1,7% e 21,8%. Entre as operações de
crédito com recursos livres, registre-se a manutenção do dinamismo das
operações de arrendamento mercantil, cujos saldos contratados nos segmentos de
pessoas físicas e pessoas jurídicas elevaram-se, na ordem, 124,1% e 87,6%, em
doze meses. Entre as operações com recursos direcionados, assinalem-se, na mesma
base de comparação, as expansões nos créditos destinados à habitação, 24,9%, e
ao setor rural, 21,5%. Considerada a segmentação por atividade econômica, o
saldo dos empréstimos à indústria registrou, em abril, aumentos de 3% em
relação a março e de 35,5% em doze meses.
50.
A
taxa média de juros ativa incidente sobre as operações de crédito referenciais
atingiu 37,4% a.a. em abril, recuando 0,2 p.p. em relação ao mês anterior. As
taxas médias situaram-se em 47,7% a.a. nas operações com pessoas físicas e em 26,3%
a.a. nos empréstimos contratados com pessoas jurídicas, comparativamente a
47,8% e 26,5%, respectivamente, no mês anterior.
51.
O
prazo médio das operações de crédito referenciais situou-se em 370 dias em
abril, mantendo-se praticamente estável desde janeiro, quando superou, pela
primeira vez, a marca de um ano. Nas operações com pessoas jurídicas o prazo
médio atingiu 298 dias e, nas operações realizadas com pessoas físicas, 457
dias, ante 241 dias e 389 dias, respectivamente, em abril de 2007.
52.
A
taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais, correspondente a
atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 4,2% em abril, recuando 0,6
p.p. em relação ao mês correspondente de 2007. Por segmentos, as taxas
relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas atingiram, na
ordem, 1,8% e 7%, comparativamente a 2,7% e 7% em abril de 2007.
53.
A
taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, atingiu 8,6% em
abril, ante 8,1% no mesmo mês do ano anterior. Na série com ajuste sazonal a
taxa situou-se em 6% em abril, ante 5,7% em março.
54.
Há
evidências de que as turbulências nos mercados financeiros e o pior da crise de
liquidez já passaram, mas persistem riscos ao cenário econômico mundial
advindos dos mercados imobiliários. Nos Estados Unidos, surgem indícios de
deterioração no mercado de hipotecas de imóveis comerciais (CRE), que tendem a
se acentuar com a conjuntura menos favorável e o conservadorismo das
instituições financeiras na análise de crédito e, na Europa, em países como
Espanha, Irlanda e Reino Unido existem sinais de saturação de seus mercados
hipotecários, com tendência de queda, refletindo os efeitos adversos da crise
no crédito e do enfraquecimento das economias. Os preços dos imóveis no Reino
Unido apresentaram, em maio, sua maior queda mensal.
55.
Os
desdobramentos inflacionários e, mais importante, as expectativas
inflacionárias continuam deteriorando. Apesar da desaceleração de boa parte das
economias, o índice de inflação global está no mais alto patamar dos últimos
nove anos. Isso ocorre porque a redução do poder de compra ainda não é efetiva
e também porque o que tem pressionado a inflação são bens de consumo mais
inelásticos. Assim, o processo inflacionário continua refratário à baixa,
mantendo os bancos centrais sob vigilância estrita.
56.
Os
preços do petróleo vêm batendo recordes sistematicamente, e o ciclo de alta dos
preços das commodities no mercado
internacional continua pressionando a inflação doméstica de muitos países.
Diversos fatores ajudam a explicar o movimento de alta dos preços das commodities, dentre eles o novo padrão
de desenvolvimento alcançado pelas economias emergentes, transmissões de preços
entre diferentes commodities e
estoques em níveis historicamente baixos.
57.
O
saldo da balança comercial atingiu US$4,1 bilhões em maio, acumulando
superávits de US$8,7 bilhões no ano e de US$31,9 bilhões em doze meses. No
acumulado até maio de 2008, as exportações atingiram US$72,1 bilhões e as
importações, US$63,4 bilhões, com expansões respectivas de 22,2% e de 49,2%,
comparativamente ao mesmo período de 2007.
58.
Em
maio, as exportações atingiram US$19,3 bilhões, o que representou média diária
de US$965,3 milhões, 55,6% maior que a observada no mês correspondente de 2007.
As importações registraram US$15,2 bilhões, média diária de US$761,5 milhões,
71% superior a maio do ano anterior. Esses valores, recordes para toda a série
de exportação e de importação, foram influenciados pela regularização dos
registros de exportações, que ficaram pendentes com a greve dos auditores da
Receita Federal entre 18 de março e 12 de maio do corrente ano.
59.
As
reservas internacionais totalizaram US$195,8 bilhões em abril, com aumentos de
US$535 milhões no mês e de US$15,4 bilhões na comparação com o final do ano
anterior.
60.
Após
a reunião do Copom de abril a curva de juros futuros apresentou elevação em
toda a sua extensão e, de forma mais intensa, em seu trecho intermediário. Esse
movimento foi ocasionado, principalmente, pela divulgação de índices de
inflação corrente acima do esperado e pela continuidade da elevação das
expectativas inflacionárias. Em dois momentos, as taxas de juros futuros de
longo prazo apresentaram alívio momentâneo após a concessão do grau de
investimento à dívida soberana brasileira por duas agências de classificação de
risco, em 30 de abril e em 29 de maio. Entre 14 de abril e 2 de junho, as taxas
de um, de três e de seis meses subiram 0,65 p.p., 0,70 p.p. e 0,87 p.p.,
respectivamente. As taxas para os prazos de um e dois anos se elevaram em 1,03
p.p. cada, e a de três anos, em 0,85 p.p.. A taxa real de juros, medida pelo
quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação
(suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 8,07%, em 14 de abril de
2008, para 8,66%, em 2 de junho de 2008.
61.
Em
25 de abril e 28 de maio, o Banco Central realizou leilões de swap cambial reverso para a rolagem dos
vencimentos de maio e junho. Essas operações alcançaram o montante equivalente
a US$1,8 bilhão e US$2,4 bilhões, respectivamente.
62.
Na
administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central
realizou, semanalmente, no período de 15 de abril a 2 de junho, operações
compromissadas longas, tomando recursos por prazos de cinco e de sete meses. O
saldo diário médio do estoque dessas operações ficou em R$79,4 bilhões, dos
quais R$50,8 bilhões em operações de sete meses. No mesmo período, o Banco
Central atuou em 38 oportunidades como tomador de recursos por meio de
operações compromissadas de curtíssimo prazo. Realizou, ainda, operações de nivelamento,
ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. As operações de curtíssimo
prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de
R$29,4 bilhões. Além disso, o Banco Central tomou recursos, em 17 de abril,
pelos prazos de 32 e dez dias úteis e, em 16 de maio, por treze dias úteis nos
montantes de R$110,9 bilhões, R$31,1 bilhões e R$19,7 bilhões, respectivamente,
o que resultou no saldo diário médio de R$129,6 bilhões para essas operações
tomadoras de curto prazo.
63.
Entre
15 de abril e 2 de junho, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos seus
leilões tradicionais somaram R$30,6 bilhões. A colocação de títulos de
remuneração prefixada alcançou R$10,6 bilhões, sendo R$7,2 bilhões em Letras do
Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2008, 2009 e 2010, e R$3,4 bilhões em
Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2012, 2014 e 2017.
As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$15,7 bilhões,
com a colocação de títulos de vencimento em 2012 e 2014. Nos leilões de Notas
do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos de vencimento em
2011, 2013, 2017, 2024, 2035 e 2045, em um montante total de R$4,3 bilhões.
64.
No
mesmo período, o Tesouro realizou leilões de venda de LTN de vencimento em abril
e julho de 2009, conjugada com a compra de LTN de vencimento em julho de 2008,
em um total de R$0,9 bilhão. As vendas de NTN-B liquidadas mediante a entrega
de outros títulos somaram R$3,2 bilhões e envolveram títulos de vencimento em
2011, 2013, 2017, 2024, 2035 e 2045. O Tesouro efetuou, também, leilões de
venda de LFT de vencimento em 2012 e 2014, no montante de R$5,9 bilhões,
aceitando como pagamento LFT de vencimento em 2008, e leilões de compra de LTN
e de NTN-B, que alcançaram R$0,6 bilhão e R$0,1 bilhão, respectivamente.
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