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www.bcb.gov.br
![]() Sumário
Data: 15 e 16/04/2008
Local: Sala de reuniões do 8º andar (15/04) e do
20º (16/04) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário
de início: 16h50 (15/04) e
16h50 (16/04)
Horário de término: 18h50 (15/04) e 19h40 (16/04)
Presentes:
Membros
do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Alexandre
Antonio Tombini
Alvir
Alberto Hoffmann
Anthero
de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale
Maria
Celina Berardinelli Arraes
Mário
Gomes Torós
Mário
Magalhães Carvalho Mesquita
Chefes
de Departamento (presentes no dia 15)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também
presente no dia 16)
Luiz Donizete Felício – Departamento de
Operações do Mercado Aberto
Luiz
Fernando Cardoso Maciel – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de
Pagamentos
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira –
Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de
Relacionamento com Investidores
Demais
participantes (presentes no dia 15)
Adriana Soares Sales – Chefe-Adjunto do
Departamento de Estudos e Pesquisas
Alexandre Pinheiro de Moraes Rego – Assessor
de Imprensa
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da
Diretoria
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da
Diretoria
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
Sergio Almeida de Souza Lima –
Secretário-Executivo
Os
membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a
economia brasileira e para a economia
internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é
atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
1.
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se
manteve praticamente estável em março, em 0,48%, ante 0,49% em fevereiro. Com
isso, a inflação alcançou 1,52% no primeiro trimestre de 2008, ante 1,26% em
igual período de 2007. Em doze meses, a inflação continuou em aceleração. De
fato, após atingir 4,56% em janeiro, se deslocou para 4,61% em fevereiro e 4,73%
em março (2,96% em março de 2007). Sob esse critério de comparação, a
aceleração do nível de preços ao consumidor reflete essencialmente o
comportamento dos preços livres, que subiram mais rapidamente do que os preços
administrados e monitorados por contrato. Com efeito, o incremento dos preços
livres e dos administrados alcançou, respectivamente, 6,03% e 1,83% em doze
meses até março, ante 2,82% e 3,15% até março de 2007. Além disso, note-se que,
a despeito da apreciação cambial observada, a variação dos preços de bens
comercializáveis mostrou aceleração e atingiu 5,33% (1,10% em março de 2007) na
mesma base de comparação. No que se refere aos itens não comercializáveis, em
grande parte impulsionada pelo comportamento dos preços de alimentos in natura e de serviços, a inflação
acumulada em doze meses foi ainda mais elevada (6,67%). O comportamento recente
do IPCA tem sido notadamente menos favorável do que em trimestres anteriores,
de modo que desde o final de 2007 a inflação dá sinais de que poderia estar
divergindo da trajetória das metas, tendo atingido 2,97% nos últimos seis
meses.
2. As três principais
medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central mostraram
comportamento díspar nos três primeiros meses do ano. O núcleo por exclusão de
monitorados e de alimentos no domicílio deslocou-se de 0,40% em janeiro para
0,69% em fevereiro (sob o impacto da elevação sazonal do item educação), mas
recuou para 0,36% em março. Por seu turno, os núcleos por médias aparadas com e
sem suavização deslocaram-se de 0,37% e
0,41% em janeiro de 2008, para 0,27% e 0,36% em fevereiro e 0,39% e 0,41% em
março, respectivamente. Assim como para o índice pleno, a inflação acumulada no
primeiro trimestre de 2008 pelas três medidas de núcleo exibiu sensível
aceleração frente às taxas verificadas no mesmo período de 2007, com
deslocamentos de 1,17%, 0,92% e 0,81% para 1,46%, 1,03% e 1,18% para o índice
por exclusão, médias aparadas com e sem suavização, respectivamente. No que se
refere ao acumulado em doze meses, a aceleração da inflação plena observada nos
últimos meses tem sido acompanhada pelas três medidas de núcleo. Com efeito, o
núcleo por exclusão mostrou substancial elevação, deslocando-se de 4,09% em
janeiro para 4,27% em fevereiro e 4,41% em março. O mesmo ocorreu com o núcleo
por médias aparadas com suavização (4,02% em janeiro, 4,05% em fevereiro e
4,16% em março), ao passo em que o núcleo por médias aparadas sem suavização,
que apresenta menos inércia, avançou de 3,68% em janeiro para 3,83% em
fevereiro e 4,01% em março. Ainda em relação ao acumulado em doze meses, as medidas de núcleo, apesar de
permanecerem abaixo do valor central da meta para a inflação, atualmente se
posicionam em patamares consideravelmente superiores aos valores mínimos
históricos registrados em 2007.
3. A inflação medida pelo
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) recuou para 0,38% em
fevereiro (0,99% em janeiro), mas acelerou para 0,70% em março. No acumulado em
doze meses, a variação do IGP-DI acelerou de 8,49% em janeiro para 8,65% em
fevereiro e 9,18% em março, ante 4,49% em março de 2007. Em doze meses até
março, o incremento do IGP-DI refletiu tanto o comportamento do Índice de
Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br), com
variação de 4,52% (2,69% em março de 2007), quanto o do Índice de Preços no
Atacado – Disponibilidade Interna
(IPA-DI), com incremento de 11,39% (5,09% em março de 2007). Na mesma base de
comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 6,69% (5,25% em
março de 2007). No que se refere especificamente ao IPA agrícola, a variação
atingiu 24,68% (12,83% no acumulado em doze meses até março de 2007). Cabe
destacar a aceleração dos preços industriais, processo que teve início no
segundo semestre de 2007 e que parece ter se intensificado recentemente. No
primeiro trimestre de 2008, o IPA industrial acumulou variação de 2,63%, ante
0,18% no mesmo período de 2007. A inflação dos preços industriais no atacado,
acumulada em doze meses, saiu de 4,42% em dezembro de 2007 para 5,26% em
janeiro, 6,20% em fevereiro e 6,98% em março de 2008. Conforme destacado nas
Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento
dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das
condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de
preços em relação à trajetória futura da inflação.
4. Após a última reunião do
Copom, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os
dados do PIB no quarto trimestre de 2007, bem como os resultados para o ano com
um todo. Os dados mostraram aceleração substancial da taxa de crescimento no
último trimestre de 2007, quer sob o critério da variação acumulada no ano
(5,4%, ante 5,1% no terceiro trimestre), quer no que se refere à comparação
interanual (6,2%, ante 5,6% no
trimestre anterior). Do ponto de vista da demanda agregada, chama
atenção a aceleração da formação bruta de capital fixo, que cresceu 16% ante o
quarto trimestre de 2006 e, em especial, a mudança de patamar no ritmo de
expansão do consumo doméstico, que tende a ser menos volátil que o investimento
ao longo do ciclo, de 6,0% para 8,6%, sob o mesmo critério de comparação. Do
lado da oferta agregada, foi destaque a aceleração do setor de serviços, com
expansão interanual de 5,3% ante 4,6% no trimestre anterior.
5. A média móvel trimestral
da série de produção industrial geral, segundo dados dessazonalizados pelo
IBGE, avançou 0,2% em fevereiro, após recuo de 0,3% no mês anterior. Ainda
considerando a série dessazonalizada, na comparação mês a mês, após a expansão
de 1,7% verificada em janeiro, a produção física da indústria recuou 0,5% em
fevereiro, resultado que derivou em parte de paralisação técnica no setor
farmacêutico. Note-se ainda que a produção, tanto para a indústria geral quanto
para a indústria de transformação, mostra crescimento de 9,2% no ano. Na
comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial exibe
consistente aceleração, de 6,3% em dezembro de 2007 para 8,5% em janeiro de
2008 e 9,7% em fevereiro. Os dados já divulgados referentes a 2008 apontam, em
suma, para continuidade do ciclo de expansão da produção industrial, que
continuará a ser favorecida por diversos fatores de estímulo que atuam sobre a
atividade econômica, como a expansão do crédito, do emprego e da renda, os
impulsos fiscais e, em alguns segmentos, a recomposição de estoques.
6. Entre as categorias de
uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital
avançou expressivos 3,1% em fevereiro, após estabilidade em janeiro. No que se
refere às demais categorias de uso, o destaque foi a produção de bens de
consumo duráveis, com aumento de 0,9% (5,9% em janeiro). O cenário de sólida
expansão da produção de bens de capital verificado em 2007, decorrente,
principalmente, da consolidação das perspectivas favoráveis à continuidade do
crescimento da economia, alicerçadas na percepção de consolidação da
estabilidade macroeconômica, parece estar persistindo neste ano. Por sua vez, o
dinamismo da produção de bens duráveis reflete, em grande parte, a substancial
melhora nas condições de crédito da economia, quando comparadas aos padrões
históricos. Note-se que a emergência de sinais apontando pressão sobre a
disponibilidade de fatores de produção, como sugerem algumas sondagens
industriais, indica que eventuais reduções no ritmo de expansão da atividade
industrial poderiam estar associadas às restrições da capacidade produtiva.
7. O mercado de trabalho
permanece com desempenho bastante favorável. A taxa de desemprego nas seis
regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) avançou,
seguindo o padrão sazonal, de 7,4% em dezembro de 2007 para 8% em janeiro e
8,7% em fevereiro (a menor para o mês na série histórica). Com isso, a taxa de
desemprego média no primeiro bimestre foi 1,2 p.p. inferior àquela
observada em igual período de 2007. Considerando dados dessazonalizados pelo
Banco Central, a taxa de desemprego deslocou-se de 8,5% em janeiro para 8,6% em
fevereiro, permanecendo em patamar próximo ao menor nível da série histórica.
Em fevereiro, o rendimento médio real habitualmente recebido apresentou alta de
1,1% em relação a janeiro e de 2,5% ante fevereiro de 2007. Em conseqüência, em
fevereiro, a expansão da massa salarial real alcançou 6,2%, ante fevereiro de
2007 (expansão de 7,1% em janeiro de 2008, por esse critério de comparação),
continuando a constituir fator-chave para o crescimento sustentado da demanda
agregada. Por sua vez, o emprego na indústria de transformação recuou 0,1% em
fevereiro (+0,8% em janeiro), segundo dados da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, a variação do
pessoal empregado atingiu 4,9%, implicando variação de 4,0% no acumulado em
doze meses. Ainda sobre emprego, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE) indicam continuidade do processo de forte expansão do emprego
formal celetista neste início de ano, com a criação de 205 mil postos de
trabalho em fevereiro (ante 142,9 mil em janeiro), recorde histórico para o mês
de fevereiro e para o primeiro bimestre do ano. Dados dessazonalizados mostram
crescimento de 0,5% no nível de emprego formal em fevereiro, e dados observados
apontam incremento de 6,1% ante fevereiro de 2007, a maior taxa, nessa base de
comparação, desde abril de 2005, uma evidência de forte dinamismo no mercado de
trabalho. O setor de serviços foi o que mais admitiu em fevereiro, com a
abertura de 74,4 mil postos, seguido pela indústria de transformação (46,8
mil), o melhor desempenho da série para o mês de fevereiro, e pela construção
civil (27,6 mil). O comércio abriu 13,8 mil vagas. O setor agrícola foi
responsável pelo acréscimo de 25,2 mil postos de trabalho, saldo recorde no
período, resultado que pode ser creditado às atividades relacionadas ao cultivo
da cana-de-açúcar no Centro-Sul e ao cultivo da soja.
8. Em linha com a evolução
positiva do mercado de trabalho e com a expansão do crédito, o comércio
varejista continua a registrar desempenho favorável e indica que o ritmo de
crescimento da demanda doméstica se mantém robusto, sem mostrar sinais de
arrefecimento. A despeito do recuo de 1,5% em comparação a janeiro, em
fevereiro o volume de vendas do comércio varejista, de acordo com os dados
dessazonalizados pelo IBGE, foi 12,2% superior ao verificado em fevereiro de
2007, mostrando, nessa base de comparação, aceleração na margem. Destacam-se as
vendas de “móveis e eletrodomésticos”, que cresceram 22,3%. O crescimento
sólido do comércio varejista tem refletido tanto o desempenho dos segmentos
mais sensíveis à expansão da renda e do emprego quanto o daqueles mais
sensíveis às condições de crédito. Por sua vez, o comércio varejista ampliado,
que também compreende a comercialização de “veículos, motos, partes e peças” e
de “material de construção”, avançou 1% em fevereiro, ante o mês anterior, de
acordo com a série dessazonalizada pelo IBGE, e 18,1% na comparação com
fevereiro de 2007. Para os próximos trimestres, a perspectiva é de continuidade
do atual ciclo expansionista do comércio varejista, cujos fatores de propulsão
continuarão a ser o crescimento dos níveis de emprego e da renda, a expansão do
crédito e a manutenção da confiança do consumidor em níveis elevados.
Indicadores setoriais, por exemplo, referentes a vendas de automóveis no
primeiro trimestre deste ano, corroboram essa avaliação.
9. O Nível de Utilização da
Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação atingiu 83,2% em
fevereiro, mesmo nível que em janeiro, segundo dados da CNI dessazonalizados
pelo Banco Central, e se manteve próximo ao patamar recorde da série. A série
dessazonalizada pela própria CNI atingiu 82,9%, ante o máximo de 83,3%
observado em novembro. Considerando a série sem ajuste sazonal, em fevereiro o
Nuci se situou 1,5 p.p. acima do patamar registrado no mesmo mês de 2007. Com
isso a taxa média do primeiro bimestre foi 1,6 p.p. superior à observada em
igual período de 2007. Por sua vez, o Nuci trimestral calculado pela Fundação
Getulio Vargas (FGV) atingiu 85,2% em março, segundo a série observada, 2,1
p.p. acima do patamar registrado em março de 2007. Para os setores de bens de
consumo, bens de capital e material de construção, as taxas de utilização
encontravam-se em março 4,3, 4,4 e 3,4 p.p. acima daquelas observadas no mesmo
mês de 2007, respectivamente. A redução da capacidade ociosa, em relação às
margens usualmente observadas, manifesta-se em diversos setores e ocorre a
despeito do aumento substancial do volume de investimentos. De fato, em
fevereiro de 2008, dados ajustados sazonalmente indicaram que a absorção de
bens de capital apresentou sólido crescimento (1,8%), consubstanciado no
vigoroso incremento das importações (6,8% em volume) e na produção de bens de
capital (3,1%). Note-se, ainda, que a produção de insumos para a construção
civil aumentou 1,2% no mesmo período, mostrando forte desempenho. Dados
recentes sugerem que, embora o investimento venha contribuindo para suavizar a
tendência de elevação das taxas de utilização da capacidade, não tem sido
suficiente para conter tal processo. Nesse contexto, a maturação tempestiva de
projetos de investimento será fundamental para circunscrever os descompassos
entre a evolução da oferta e da demanda doméstica no horizonte relevante para a
política monetária. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das
reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os
desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de
bens e serviços para o adequado atendimento à demanda.
10. A balança comercial continua
a apresentar desempenho robusto, para o padrão histórico, em que pese a já
antecipada perda de vigor na margem, fato que está em consonância com
avaliações expressas em Relatórios de Inflação e em Notas de reuniões
anteriores do Copom sobre mudanças estruturais importantes no comércio exterior
brasileiro. O saldo acumulado nos doze meses até março totalizou US$34,1
bilhões (25,5% inferior ao verificado em março de 2007). Esse resultado adveio
de US$165,3 bilhões em exportações e US$131,2 bilhões em importações, com
crescimentos de 16,1% e de 36,0%, respectivamente, em relação aos doze meses
findos em março de 2007. Como observado em Notas de reuniões anteriores, as
importações vêm crescendo em ritmo mais acelerado do que as exportações, em
razão tanto do fortalecimento do real como do maior nível de atividade
econômica no país, a despeito das elevadas cotações de diversas commodities características da pauta
exportadora brasileira. A redução dos superávits comerciais contribuiu para que
o saldo em transações correntes registrasse déficit de US$4,9 bilhões em doze
meses até fevereiro de 2008, equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até
fevereiro, a US$36,5 bilhões, equivalente a 2,8% do PIB.
11. No que se refere ao
cenário externo, consolida-se o quadro de desaceleração da economia dos Estados
Unidos da América (EUA), evidenciado pelos dados sobre atividade no quarto
trimestre de 2007 e primeiro trimestre de 2008, mas continua a incerteza quanto
à intensidade e duração desse processo. Estatísticas mais recentes sobre o
mercado imobiliário e a demanda por bens de consumo, bem como índices de
confiança e outros indicadores antecedentes, apontam para desaquecimento
pronunciado. Persistem dúvidas sobre a extensão e a amplitude dos
desdobramentos da crise hipotecária americana sobre instituições financeiras
nos EUA e na Europa e quanto ao impacto que estes terão sobre as condições de
acesso ao crédito por parte de empresas e famílias. A visão dominante ainda
parece ser a de que, mesmo que possivelmente intensa, a desaceleração não seria
prolongada, mas avaliações mais negativas vêm se tornando mais disseminadas. Em
parte, essas avaliações refletem dúvidas sobre a capacidade de as medidas de
política monetária implementadas pelo banco central dos EUA (às quais se
somarão estímulos fiscais) suavizarem de forma tempestiva o enfraquecimento
daquela economia, ante as persistentes dificuldades do sistema financeiro. A
despeito da redução, nas últimas semanas, da percepção de risco sistêmico, em
decorrência da atuação do banco central americano e da re-capitalização de
instituições importantes, tais dificuldades poderiam ser agravadas por uma
deterioração cíclica na qualidade do crédito, o que reforçaria a tendência, já
evidente, à contração das condições financeiras, aumentando o risco de
intensificação da desaceleração. As perspectivas para a atividade na Europa, a
despeito de alguns indicadores favoráveis na Alemanha, e no Japão também
continuam se deslocando em direção negativa, ainda que, até o momento, sem
suscitar o grau de preocupação que cerca a atividade econômica nos EUA. Por
outro lado, o forte crescimento apresentado por grandes economias emergentes da
Ásia, que, até agora, aparentemente foram pouco afetadas pela crise hipotecária
nos EUA, tem constituído contraponto aos efeitos da desaceleração das economias
maduras. De fato, a pressão sobre a disponibilidade de fatores de produção tem
suscitado elevação da inflação em diversas economias emergentes, muitas das
quais estão, conseqüentemente, vivendo ciclos de contração monetária. Nas
economias maduras, as perspectivas para a política monetária são mais diversas.
Onde as pressões inflacionárias são mais moderadas e os efeitos da contração do
crédito mais pronunciados, a tendência indica relaxamento monetário adicional.
Por outro lado, nos casos em que as taxas de inflação se encontram em patamares
elevados em relação às respectivas metas, o escopo para reação aos efeitos
contracionistas da crise de crédito parecem ser mais limitados. Nesse contexto,
os indicadores de volatilidade e de aversão ao risco nos mercados financeiros
internacionais mantiveram-se em patamares relativamente elevados desde a última
reunião deste Comitê, embora tenham mostrado certo recuo na margem. Mesmo que
os preços de ativos brasileiros exibam, em grau diverso, sensibilidade frente
ao cenário internacional, a atividade econômica no Brasil não parece, até o
momento, ter sido afetada de forma relevante pela persistente deterioração da
confiança nos mercados financeiros globais, e, ainda que não isolada dos
desenvolvimentos econômicos externos, a economia brasileira tende a continuar
sua trajetória de crescimento, que vem sendo sustentado essencialmente pela demanda
doméstica.
12. O preço do petróleo,
fonte sistemática de incerteza advinda do cenário internacional, mais uma vez
elevou-se consideravelmente desde a última reunião do Copom e continua
altamente volátil. Esse comportamento reflete mudanças estruturais no mercado
energético mundial, que têm impedido a recuperação dos níveis de estoques
tradicionalmente observados, além de tensões geopolíticas recorrentes. A
despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos
preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê
preços domésticos da gasolina inalterados em 2008, ainda que a probabilidade de
se configurar um cenário alternativo venha aumentando. Cabe assinalar,
entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da
gasolina, a elevação consistente dos preços internacionais do petróleo se
transmite à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a
petroquímica, quanto pela deterioração que termina produzindo nas expectativas
de inflação dos agentes econômicos. Os preços de outras commodities, especialmente grãos, que também haviam mostrado
elevação importante antes da última reunião do Copom, a despeito do maior
pessimismo sobre as perspectivas para o crescimento da economia mundial, e da
turbulência nos mercados financeiros globais, recuaram nas últimas semanas, com
a aparente desmontagem de posições defensivas de investidores financeiros, mas
continuam mostrando altas expressivas no ano.
13.
Os choques
identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo conjunto
de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as
seguintes hipóteses:
a)
comparadas aos
valores considerados na reunião do Copom de março, as projeções de reajustes
nos preços da gasolina e do gás de bujão foram mantidas em 0%, para o acumulado
de 2008;
b)
na comparação
com a reunião do Copom de março, a projeção de reajuste da tarifa de telefonia
fixa permaneceu em 3,5% para o acumulado de 2008, e, no caso do preço da
eletricidade, a projeção para o acumulado de 2008 foi alterada de 1,1% para
0,1%;
c)
a projeção,
construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados
para o acumulado de 2008 foi mantida em 4,0%. Esse conjunto de preços, de
acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 30,09% do total do
IPCA de março;
d)
a projeção de
reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2009 foi
mantida em 4,5%. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de
preços administrados, que consideram componentes sazonais, variações cambiais,
inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP);
e
e)
o modelo de
projeção do swap de 360 dias –
utilizado em substituição ao modelo de Vetores Auto-Regressivos (VAR), baseado
nos níveis da taxa Selic e do swap de
180 dias – estima spread da taxa de swap de 360 dias sobre a taxa Selic, no
cenário de referência, de 83 p.b. no quarto trimestre de 2008. A trajetória do swap indica, ainda, que o spread recua para 55 p.b. no último
trimestre de 2009. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados
de acordo com as novas informações disponíveis.
14. Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta o cumprimento da meta de
superávit primário de 3,8% do PIB em 2008 e em 2009, ajustada pela
possibilidade de que esse percentual seja reduzido em até 0,45 p.p., em virtude
da implementação do Programa Piloto de Investimentos (PPI). As demais hipóteses
consideradas na reunião anterior foram mantidas.
15.
Desde a reunião do Copom, realizada em março, houve substancial
incremento na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de
Relacionamento com Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2008, que
passou de 4,41% para 4,66%. As expectativas para doze meses à frente também se
elevaram, de 4,30% para 4,38%, levando-se em conta a composição das medianas
das taxas mensais esperadas pelos analistas. Para 2009, as expectativas de
inflação se deslocaram de 4,30% para 4,40%.
16.
Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta
a manutenção da taxa de câmbio em R$1,70 e da taxa Selic em 11,25% em todo o
horizonte de previsão, a projeção para o IPCA em 2008 elevou-se
significativamente em relação ao valor considerado na reunião do Copom de
março, e encontra-se acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as
trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas, no
período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para
2008 também sofreu forte elevação em relação ao valor considerado na última
reunião do Copom, e também se posiciona acima do centro da meta de inflação. No
que diz respeito a 2009, a projeção do cenário de referência elevou-se em relação ao valor previsto na
reunião de março, enquanto a projeção do cenário de mercado sofreu redução.
Essas projeções, em ambos os cenários, superam o valor central de 4,50%.
17.
O Copom avalia que a política monetária deve contribuir
para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais
longos. Os dados referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de
expansão da demanda doméstica continua bastante robusto, mostrando aceleração
em alguns segmentos e regiões no primeiro trimestre do ano, e responde, ao
menos parcialmente, pelas pressões inflacionárias que têm sido observadas no
curto prazo, a despeito do forte crescimento das importações e do comportamento
benigno do investimento. Mesmo no contexto de uma desaceleração moderada da
economia mundial neste ano e da maior volatilidade que vem caracterizando os
mercados globais desde meados de 2007, o Comitê acredita, com as informações
disponíveis no momento, que o balanço de pagamentos não deve apresentar risco
iminente para o cenário inflacionário. Por outro lado, há sinais de que
pressões inflacionárias relevantes tanto em economias maduras quanto nas
emergentes, estariam se intensificando, evidenciando a presença de riscos
inflacionários em escala global. O Copom reitera a visão, expressa em Notas de
reuniões anteriores, de que, para a inflação brasileira, um cenário alternativo
de desaceleração mundial mais intensa e generalizada representa fator de risco
de sinal ambíguo. Por um lado, ao reduzir as exportações líquidas, atuaria como
fator de contenção da demanda agregada. Além disso, o potencial arrefecimento
dos preços de algumas commodities
importantes poderia contribuir para uma menor inflação doméstica. Por outro
lado, o supracitado cenário alternativo poderia atuar desfavoravelmente para as
perspectivas de inflação por intermédio de dois mecanismos. No caso de
desaceleração nas economias maduras que compõem o centro do mercado financeiro
global, a aversão ao risco poderia elevar-se, reduzindo assim a demanda por
ativos brasileiros e determinando depreciação de seus preços. Além disso, no
médio prazo, uma possível redução das exportações líquidas poderia ter efeito
similar sobre a sustentabilidade de preços de certos ativos brasileiros. Diante
da deterioração das perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza,
o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos
benigno aumentou. O Copom enfatiza que o principal desafio da política
monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos
últimos anos se estendam no tempo. Em particular, cabe à política monetária atuar para que impactos
inicialmente localizados sobre os índices de preços não levem, por meio de uma
piora das expectativas, à deterioração persistente da dinâmica inflacionária.
18.
O
Copom considera que se elevou a probabilidade de que pressões inflacionárias
inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da
inflação doméstica, uma vez que o aquecimento da demanda e do mercado de
fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de oferta
setoriais, podem ensejar aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado
para os preços ao consumidor. O Comitê entende que as perspectivas para esse
repasse, bem como para a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre
preços ao consumidor, dependem de forma crítica das expectativas dos agentes
econômicos para a inflação, que mostraram elevação significativa nas últimas
semanas e que continuam sendo monitoradas com particular atenção.
Adicionalmente, cabe notar que, embora o setor externo tenha o efeito de
moderar a inflação no setor de transacionáveis, o aquecimento da demanda
doméstica pode desencadear pressões inflacionárias no setor de não
transacionáveis, por exemplo, nos preços dos serviços. Nesse contexto, o Copom
conduzirá suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à
inflação em anos recentes sejam permanentes. Para tanto, irá acompanhar
atentamente a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo,
assim como das expectativas de inflação dentro do horizonte de projeção,
estando pronto a ajustar a postura de política monetária de forma a evitar a
consolidação de um cenário no qual reajustes pontuais se transformem em
reajustes persistentes ou generalizados de preços.
19.
A
manutenção de taxas de inflação consistentes com a trajetória de metas e a
resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura
contribuirão para a continuidade do processo de redução progressiva da
percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O Copom
avalia que a persistência de uma atuação cautelosa e tempestiva da política
monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que a inflação
siga evoluindo segundo a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade
continue se traduzindo em resultados concretos, entretanto, é preciso que os
indicadores prospectivos de inflação, em particular a evolução esperada da
demanda e da oferta agregadas, convirjam ao longo do período relevante para a
política monetária.
20.
O
Copom considera fundamental ressaltar, mais uma vez, que há defasagens
importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre o
nível de atividade e sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões
alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na
análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados,
em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável.
21.
Ao
longo dos próximos meses, o crescimento do crédito e a expansão da massa
salarial real devem continuar impulsionando a atividade econômica. Como
mencionado em Notas de reuniões recentes do Copom, a esses fatores de
sustentação da demanda devem ser acrescidos os efeitos das transferências
governamentais e de outros impulsos fiscais esperados para este e para os
próximos trimestres. Essas considerações se tornam ainda mais relevantes quando
se levam em conta os nítidos sinais de demanda aquecida e o fato de que as
decisões de política monetária terão impactos concentrados no segundo semestre
de 2008 e em 2009.
22.
O
Comitê assinala a importante contribuição do investimento para ampliar a
capacidade produtiva. Esse fator, aliado à ajuda do setor externo, vem atuando
para mitigar pressões inflacionárias, que de outra forma seriam ainda mais
intensas. Entretanto, o Copom avalia que o ritmo de expansão da demanda
doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelas
transferências fiscais e pelo crescimento da renda e do crédito, continua
colocando riscos para a dinâmica inflacionária. Nesse contexto, a redução
consistente do descompasso entre o ritmo de ampliação da oferta de bens e
serviços e o da demanda torna-se ainda mais relevante na avaliação das
diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária.
23.
Visando
consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, o Copom adota uma
estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil. Tal
estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e tem se
mostrado a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de
formulação e implementação da política monetária. Daí a importância atribuída
às projeções de inflação, ao balanço de riscos associado ao cenário prospectivo
e, especialmente, à ação preventiva no processo decisório do Comitê. A
prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo, em momentos
como o atual, caracterizado pela deterioração da dinâmica inflacionária
corrente e esperada. Nas atuais circunstâncias, existe o risco de que os
agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade a que elevações da
inflação sejam persistentes, o que implicaria redução da eficácia da
implementação da política monetária. Assim sendo, na avaliação do Copom, respaldada
pela experiência internacional, a atuação da política monetária tende a ser
mais efetiva, atingindo seus objetivos com maior rapidez, quando a deterioração
da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais, do que quando esta se
encontra consolidada.
24.
O
Copom avalia que, diante dos sinais de aquecimento da economia, como ilustram a
aceleração de certos preços no atacado e a trajetória dos núcleos de inflação,
e da rápida elevação das expectativas de inflação, são relevantes os riscos
para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA
seguiria evoluindo de forma consistente com a trajetória das metas. De fato, a
deterioração do cenário prospectivo já se manifesta nas projeções de inflação
consideradas pelo Comitê. O Copom considera, também, que a persistência de
descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta
agregadas tende a aumentar o risco para a dinâmica inflacionária. Nessas
circunstâncias, a política monetária deve atuar, por meio do ajuste da taxa
básica de juros, para, por um lado, contribuir para a convergência entre o
ritmo de expansão da demanda e oferta e, por outro, evitar que pressões
originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração
persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação. Ao
permanecer pronto para atuar enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica
inflacionária assim o requerer, o Comitê entende que está, de fato,
contribuindo para a sustentação do crescimento, o que requer estabilidade,
previsibilidade e a conseqüente extensão do horizonte de planejamento das
empresas e famílias, bem como para resguardar os importantes incrementos na
renda real dos assalariados observados nos últimos anos.
25.
Nesse
contexto, avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a
inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75%
a.a., sem viés. O Comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte
relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição
tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como
conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado.
26.
No
regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de acordo com os
valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos
para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva
dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. A demanda
doméstica continua se expandindo a taxas robustas e sustenta o dinamismo da
atividade econômica, inclusive em setores pouco expostos à competição externa,
quando os efeitos de importantes fatores de estímulo ainda estão atuando sobre
a economia. Por sua vez, a contribuição do setor externo para um cenário
inflacionário benigno, diante do forte ritmo de expansão da demanda doméstica,
parece estar se tornando menos efetiva, em um momento no qual os efeitos do
investimento sobre a capacidade produtiva da economia ainda precisam se
consolidar. Nesse ambiente, cabe à política monetária atuar de forma a evitar
que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para
horizontes mais longos. Na eventualidade de se verificar alteração no perfil de
riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a
inflação, pelo Comitê neste momento, a estratégia de política monetária será
prontamente adequada às circunstâncias.
27. Ao final da reunião, foi
registrado que o Comitê voltará a se reunir em 03 de junho de 2008, para
as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política
monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 16.051, de 3/9/2007.
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
28.
O
IPCA variou 0,48% em março, ante 0,49% em fevereiro e 0,37% em março de 2007.
No primeiro trimestre do ano, a variação do IPCA atingiu 1,52%,
comparativamente a 1,26% no mesmo período de 2007. A variação do índice em doze
meses passou de 4,61% em fevereiro para 4,73% em março.
29.
Os
preços dos alimentos aumentaram 0,89% em março ante 0,60% no mês anterior,
contribuindo com 0,2 p.p. para o resultado do IPCA no mês. Os grupos habitação
e transportes, com altas respectivas de 0,65% e 0,42%, contribuíram igualmente
com 0,09 p.p. para a variação mensal do índice. Os preços livres desaceleraram,
com elevação de 0,48% ante 0,66% em fevereiro, enquanto os preços monitorados
registraram trajetória inversa, com alta de 0,47% ante 0,10% no mês anterior.
Em doze meses até março, os preços livres aumentaram 6,03% e os preços
monitorados, 1,83%, ante 5,98% e 1,57%, respectivamente, no mês anterior.
Dentre os preços livres, a alta, em doze meses, dos preços dos produtos
comercializáveis passou de 5,00% em fevereiro para 5,33% em março, enquanto a
variação dos preços dos produtos não comercializáveis mostrou desaceleração,
passando de 6,89% para 6,67%, acompanhando a mesma tendência dos preços dos
serviços, que passaram de 5,19% em fevereiro para 5,11% em março, na mesma base
de comparação.
30.
Em
relação aos núcleos de inflação, observou-se aceleração nos núcleos por médias
aparadas e desaceleração, por razões sazonais, no núcleo por exclusão (sem
alimentos no domicílio e monitorados) em março, enquanto todas as variações em
doze meses subiram em relação a fevereiro. O núcleo por exclusão variou 0,36%
em março, ante 0,69% em fevereiro, acumulando 4,41% em doze meses, maior taxa
desde maio de 2006, ante 4,27% no mês anterior. Pelo critério de médias
aparadas com suavização, o núcleo variou 0,39% em março, comparativamente a
0,27% em fevereiro, totalizando 4,16% em doze meses. O núcleo por médias
aparadas sem suavização aumentou 0,41% em março, ante 0,36% em fevereiro,
acumulando 4,01% em doze meses, também a maior taxa desde maio de 2006.
31.
O
IGP-DI cresceu 0,70% em março, ante 0,38% em fevereiro, acumulando variação de
2,08% no primeiro trimestre do ano e 9,18% em doze meses. Os três componentes
do índice apresentaram aceleração no mês, com destaque para os preços dos
alimentos, tanto no atacado como ao consumidor. O IPA-DI variou 0,80%, ante
0,52% no mês anterior, e totalizou elevação de 11,39% em doze meses. A
variação mensal do IPC-Br atingiu 0,45%, após apresentar estabilidade em
fevereiro, acumulando 4,52% em doze meses. A variação do INCC passou de 0,40%
em fevereiro para 0,66% em março, com elevação de 6,69% em doze meses.
32.
A
aceleração da variação do IPC-Br refletiu o comportamento de cinco dos sete
grupos, com destaque para alimentação (0,62% ante -0,38%) e habitação (0,47%
ante 0,09%). No atacado, tanto os preços agrícolas como os preços industriais
registraram maior elevação em março, destacando-se as altas registradas nos
preços de tomate, adubos e fertilizantes compostos, bovinos, minério de ferro e
leite in natura, enquanto soja,
mandioca, café, milho e aves foram os destaques entre os preços em queda.
33.
De
acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o volume de vendas
varejistas aumentou 12,2% em fevereiro de 2008 em comparação com o mesmo mês do
ano anterior, registrando-se crescimento generalizado das vendas em todos os
segmentos, com ênfase para equipamentos e materiais para escritório,
informática e comunicação, 38,9%; outros artigos de uso pessoal e doméstico,
27,5%; móveis e eletrodomésticos 22,3%; livros, jornais, revistas e papelaria,
17,9%; e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, 14,1%. As
vendas do comércio varejista ampliado, conceito que incorpora as atividades
veículos, motos, partes e peças, e material de construção, aumentaram 18,1%,
influenciadas pela expansão de 30,5% no segmento automotivo e de 19% para
material de construção.
34.
O
volume de vendas no comércio apresentou queda de 1,5% em fevereiro em relação
ao mês anterior, considerados dados dessazonalizados, registrando-se, no
período, elevação de 12,4% nas vendas de equipamentos e materiais para
escritório, informática e comunicação, e recuos nas relativas a tecidos,
vestuário e calçados, 4%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios,
bebidas e fumo, 3,8%; e tecidos, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e
de perfumaria, 2,8%. As vendas do comércio varejista ampliado aumentaram 1% no
mês na série com ajuste sazonal, decorrente dos aumentos de 5,2% em veículos e
motos e de 3,6% em material de construção.
35.
Segundo
dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referentes à capital
paulista e dessazonalizados pelo Banco Central, as consultas ao Usecheque e ao
Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) cresceram 4,5% e 1,1%, respectivamente,
em março, em relação ao mês anterior. Em comparação com março de 2007,
registraram-se altas respectivas de 3,2% e 3,5%. No primeiro trimestre de 2008,
esses indicadores aumentaram 6,5% e 6,3%, na mesma ordem, comparativamente ao
mesmo período de 2007.
36.
Em
relação aos indicadores de investimento, a produção de insumos para a
construção civil e a produção doméstica de bens de capital registraram
acréscimos respectivos de 1,2% e 3,1% em fevereiro, comparativamente ao mês
anterior, na série com ajuste sazonal. Na comparação com fevereiro de 2007,
esses indicadores cresceram 12,9% e 25%, respectivamente. Relativamente à
produção de bens de capital, a evolução positiva, nessa base de comparação,
refletiu, principalmente, a expansão dos segmentos de máquinas agrícolas,
57,5%, e de equipamentos associados aos investimentos em infra-estrutura como
transportes, 35,3%; construção, 26,3%; e energia elétrica, 19,9%.
37.
As
importações de bens de capital cresceram 6,8% em fevereiro em relação a
janeiro, de acordo com dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior
(Funcex), dessazonalizados pelo Banco Central. Em relação a fevereiro de 2007,
o aumento atingiu 55,3%, ratificando a trajetória expansionista dos
investimentos na economia brasileira.
38.
Indicadores
da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, apontaram expansão da atividade
industrial em fevereiro, com crescimentos de 1% e 0,6% do faturamento real e
das horas trabalhadas na produção, respectivamente. Em comparação a fevereiro e
ao primeiro bimestre de 2007, o faturamento real aumentou 11,5% e 10,9%,
respectivamente, e as horas trabalhadas na produção, 8,8% e 7,8%, na mesma
ordem. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) atingiu 83,2% em
fevereiro, mantendo-se praticamente estável em relação a janeiro, considerados
dados dessazonalizados, e, de acordo com a série observada, registrou-se
elevação de 1,5 p.p. em relação a fevereiro de 2007.
39.
Segundo
dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção
física da indústria recuou 0,5% em fevereiro, em comparação com o mês anterior,
e a média móvel trimestral manteve-se estável, também na comparação mensal.
Esses resultados foram influenciados pelo recuo de 33,2% na produção mensal da
indústria farmacêutica, cujo peso na indústria geral é de aproximadamente 4,3%,
refletindo efeitos da paralisação técnica em importante empresa do setor.
Quatorze das vinte e sete atividades pesquisadas registraram aumento da
produção física em fevereiro e, por categorias de uso, cresceram as produções
de bens de capital e de bens de consumo duráveis, 3,1% e 0,9%, respectivamente.
A produção de bens intermediários mostrou relativa estabilidade, -0,2%, após
dois meses consecutivos de resultados positivos, quando acumulou expansão de
2,2%. A produção de bens de consumo semi e não duráveis diminuiu 3,9%,
refletindo, principalmente, a ocorrência na indústria farmacêutica mencionada
anteriormente. Em comparação com fevereiro de 2007, a atividade industrial
aumentou 9,7%, com expansões em todas as categorias de uso, destacando-se as
taxas de 25% em bens de capital e 20,7% em bens de consumo duráveis. No
primeiro bimestre de 2008, comparativamente a igual período do ano anterior,
essas taxas de crescimento atingiram 9,2%, 19,9% e 18,1%, respectivamente. No
mesmo período, os acréscimos nas produções de bens intermediários e de bens de
consumo semi e não duráveis alcançaram 9,2% e 3,5%, na ordem. Considerando a
expansão da atividade industrial em períodos de doze meses, a taxa de expansão
passou de 6,3% em janeiro para 6,8% em fevereiro, denotando aceleração na
margem, ao contrário das comparações mensais e da média móvel trimestral com
dados dessazonalizados.
40.
A
produção de autoveículos atingiu 280,6 mil unidades em março, segundo a
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
superando em 13,4% a do mesmo mês do ano anterior. As vendas totais de
autoveículos cresceram 9,8%, com expansão de 17,1% nas vendas internas e queda
de 8,8% nas vendas externas, em relação a março de 2007. Considerando dados
dessazonalizados, a produção do setor cresceu 2,5% em relação a fevereiro, com
acréscimos de 1,9% na produção de automóveis e comerciais leves e de 1,7% na de
caminhões, enquanto a produção de ônibus recuou 1,5%. Comparativamente a março de
2007, as variações atingiram 13,3%, 21,5% e -0,6%, na mesma ordem. A produção
de máquinas agrícolas diminuiu 6% ante a de fevereiro, conforme dados
dessazonalizados, mas registrou acréscimos de 33,2% em relação a março de 2007
e de 56,2% no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período do ano
anterior.
41.
De
acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado em
março pelo IBGE, a safra de grãos deverá atingir 140,5 milhões de toneladas em
2008, elevando-se 5,6% em relação à produção do ano anterior. A área plantada
foi estimada em 46,5 milhões de hectares, com acréscimo de 2,5% em relação a
2007, sendo que as culturas de soja e milho respondem por 76% desse total. As
boas condições meteorológicas estão contribuindo para a confirmação dos
resultados favoráveis esperados, destacando-se os acréscimos de 8,1% na
produção de arroz, de 7,5% na 1ª safra de milho e de 3,4% na produção de soja.
O LSPA estimou, ainda, acréscimos de 7,9% na produção de cana-de-açúcar, com
expansão de 8% na área plantada e de 22,9% na produção de café.
42.
A
pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP)
registrou elevação de 0,4% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), em
março, em relação ao mês anterior, resultado do avanço de 0,7% no Índice de
Expectativas do Consumidor (IEC), enquanto o Índice das Condições Econômicas
Atuais (Icea) se manteve estável. Comparativamente a março de 2007, o ICC
elevou-se 15,2%, refletindo acréscimos de 15,7% no Icea e de 14,9% no IEC.
43.
De
acordo com a Sondagem de Expectativas do Consumidor da Fundação Getulio Vargas
(FGV), o ICC aumentou 3,5% em março, em relação ao mês anterior, com aumentos
de 5,2% no Índice da Situação Atual (ISA) e de 2,6% no Índice de Expectativas
(IE), que mede o esperado nos próximos seis meses. Em relação aos índices de
março de 2007, a Sondagem registrou aumentos de 12,1% no ICC, 25,7% no ISA e
5,6% no IE.
44.
Ainda
segundo a FGV, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) aumentou 5,8% em março,
em relação a fevereiro. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, o ICI
apresentou variação de 4,5% em março, ante 3,7% em fevereiro, após quatro meses
consecutivos em que a expansão anual mostrava desaceleração. Em relação a
fevereiro, o IE cresceu 8,3% e o ISA 3,8%, enquanto na comparação com março de
2007 os acréscimos atingiram 4,4% e 4,7%, na mesma ordem. Dentre os componentes
do IE, destacou-se a alta mensal de nove pontos no indicador da situação dos
negócios para os próximos seis meses, aproximando-o do recorde da série,
ocorrido em julho de 2000. Na mesma base de comparação, os indicadores do
emprego e da produção física previstos registraram acréscimos de 11 pontos,
resultados que revelam a manutenção de expectativa favorável dos empresários
para o futuro próximo.
45.
Conforme
a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pela FGV, o
Nuci atingiu 85,2% em março, elevando-se 0,5 p.p. em relação a fevereiro e 2,1
p.p. sobre março de 2007. O Nuci atingiu 89,9% na indústria de bens de capital,
com acréscimo de 4,4 p.p. em relação a março de 2007, situando-se em patamar
recorde. Na mesma base de comparação, o Nuci aumentou 1,4 p.p. nas indústrias
de bens de consumo e 0,4 p.p. nas indústrias de bens intermediários, e recuou
1,3 p.p. na indústria de materiais de construção. Considerando os Quesitos
Especiais dessa mesma Sondagem, as empresas consultadas informaram que, com
base no planejamento ou em decisões de investimento já aprovadas, a expansão da
capacidade instalada da indústria de transformação prevista é de 11%, em média,
para 2008 e de 22% para o triênio 2008-2010, os maiores percentuais dos últimos
cinco anos. O nível atual da demanda interna e a expectativa de rentabilidade
dos novos investimentos foram os principais fatores destacados pelas empresas
como favoráveis para as decisões de investimento.
46.
Segundo
o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criados 205
mil postos de trabalho formais em fevereiro de 2008, acumulando 347,9 mil no
ano, recorde para o mês e para o bimestre. Os dados dessazonalizados indicaram
crescimento mensal de 0,5% no nível de emprego, com aumento em todos os
setores, destacando-se a construção civil, pela taxa de expansão de 1,6%, e o
setor de serviços, pelo número de vagas criadas, 74,4 mil. No primeiro bimestre
do ano, comparativamente ao mesmo período de 2007, a taxa de expansão do nível
de emprego atingiu 6% e a construção civil foi o setor com a maior taxa de
crescimento, 15,5%.
47.
Conforme
a PME realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de
desemprego aberto atingiu 8,7% da População Economicamente Ativa (PEA) em
fevereiro, a menor registrada para o mês na série histórica. Os dados
dessazonalizados indicam que a taxa permaneceu praticamente estável, 8,6% ante
8,5% em janeiro. Em relação a fevereiro de 2007, a taxa de desemprego recuou
1,2 p.p., refletindo acréscimos de 3,6% no número de trabalhadores ocupados,
732 mil, e de 2,3% na PEA. Considerando o contingente de pessoal ocupado por
posição na ocupação, o número de trabalhadores do setor privado com carteira
aumentou 8,4% na mesma base de comparação, representando 722 mil postos de
trabalho, e o número de trabalhadores sem carteira diminuiu 3,4%, com
destruição de 96 mil postos de trabalho. O número de trabalhadores por conta
própria evoluiu 1,9% no mesmo período.
48.
De
acordo com a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitual das pessoas
ocupadas em fevereiro aumentou 1,1% em relação a janeiro e 2,5%
comparativamente a fevereiro de 2007, atingindo o valor mais elevado desde
dezembro de 2002. A massa salarial real aumentou 0,6% em fevereiro em relação a
janeiro e 6,2% na comparação com fevereiro de 2007.
49.
O
contingente de pessoal empregado na indústria recuou 0,1% em fevereiro, ante o
mês anterior, conforme estatísticas da CNI dessazonalizadas pelo Banco Central.
Em relação a fevereiro de 2007, esse indicador registrou alta de 0,5%. No
primeiro bimestre 2007, observaram-se acréscimos de 5% no pessoal empregado e
de 13% na massa salarial real paga pelo setor industrial.
50.
O
saldo dos empréstimos do sistema financeiro cresceu 1,1% em fevereiro, acumulando
expansão de 27,9% em doze meses. Consideradas as mesmas bases de comparação, as
operações com recursos livres cresceram 1,3% e 32,8%, respectivamente, e as
realizadas com recursos direcionados, 0,6% e 17,4%. Entre as operações de
crédito com recursos livres, registre-se a manutenção do dinamismo das
operações de arrendamento mercantil, cujos saldos contratados nos segmentos de
pessoas físicas e pessoas jurídicas se elevaram, na ordem, 120,8% e 78,9%, em
doze meses. Entre as operações com recursos direcionados, assinalem-se, na
mesma base de comparação, as expansões nos créditos destinados à habitação,
24,1%, e ao setor rural, 17,7%. Considerada a segmentação por atividade
econômica, o saldo dos empréstimos à indústria registrou, em fevereiro, aumento
de 1% em relação a janeiro e de 30,6% em doze meses. As operações para o
comércio apresentaram expansão de 26,8% em doze meses, após aumento de 0,8% na
comparação mensal.
51.
A
taxa média de juros ativa incidente sobre as operações de crédito referenciais
atingiu 37,4% a.a. em fevereiro, elevando-se 0,1 p.p. em relação a janeiro. As
taxas médias situaram-se em 49% a.a. nas operações com pessoas físicas e em
24,8% a.a. nos empréstimos contratados com pessoas jurídicas, comparativamente
a 48,8% e 24,7%, respectivamente, no mês anterior.
52.
O
prazo médio das operações de crédito referenciais situou-se em 369 dias em
fevereiro, ante 371 em janeiro e 302 dias em fevereiro de 2007. Nas operações
para pessoas jurídicas, o prazo médio recuou quatro dias em fevereiro, alcançando
303 dias, e, nas operações realizadas com pessoas físicas, atingiu 447 dias,
ante 376 dias no mesmo mês do ano anterior.
53.
A
taxa de inadimplência das operações de crédito referenciais, correspondente a
atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 4,3% em fevereiro, recuando 0,7
p.p. em relação ao mês correspondente de 2007. Por segmentos, as taxas
relativas a operações com pessoas jurídicas e pessoas físicas atingiram, na
ordem, 2% e 7,1%, apresentando reduções respectivas de 0,8 p.p. e 0,2 p.p., no
mesmo período.
54.
A
taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, atingiu 7,6% em
março, ante 7,1% no mesmo mês do ano anterior.
55.
Cresce
a percepção de um declínio mais severo e prolongado na atividade econômica
norte-americana, com impactos negativos sobre o desempenho da economia mundial.
O Federal Reserve reconhece que
haverá uma suave recessão no primeiro semestre na economia estadunidense,
seguida de modesta recuperação no segundo semestre.
56.
Na
Europa, os temores sobre o mercado imobiliário do Reino Unido aumentaram de
intensidade. Depois de vários bancos terem adotado políticas mais restritivas
para a concessão de hipotecas, os preços dos imóveis britânicos caíram 2,5% em
março, a maior retração dos últimos dezesseis anos. O crescimento econômico da
Área do Euro desacelerou nos últimos três meses de 2007, à medida que os gastos
do governo e dos consumidores diminuíram. Segundo dados finais divulgados, o
Produto Interno Bruto (PIB) dos treze países que adotavam o euro cresceu 0,4%
no quarto trimestre, em relação ao terceiro, e avançou 2,2% ante o quarto
trimestre de 2006.
57.
Fato
marcante neste início de 2008 é o caráter refratário do processo inflacionário,
mesmo diante da desaceleração global. Alimentos e energia continuam ditando o
ritmo da inflação, que se alastra globalmente. Além das grandes economias,
destaca-se a alta da inflação em Hong Kong (6,3%), Índia (6,11%) e Arábia
Saudita (8,7%, a maior alta em 27 anos). Situação semelhante preocupa os bancos
centrais na América Latina, Rússia e Filipinas, entre outros.
58.
Na
China, a inflação alcançou seu valor recorde em doze anos – 8,7% a.a. em
fevereiro, com destaque para os preços de alimentos que, apenas em fevereiro,
apresentaram alta de 23,3%. Nos EUA, o recuo da atividade tem compensado as
pressões de preços de alimentos e energia, que se somam ao efeito do câmbio
desvalorizado.
59.
O
saldo da balança comercial de março atingiu US$1 bilhão, acumulando superávits
de US$2,8 bilhões no ano e de US$34,1 bilhões em doze meses. No primeiro
trimestre, as exportações atingiram US$38,7 bilhões e as importações, US$35,9
bilhões, com expansões respectivas de 13,8% e de 41,8%, comparativamente ao
mesmo período de 2007.
60.
Em
março, as exportações atingiram US$12,6 bilhões, o que representou média diária
de US$630,7 milhões, 7,6% maior que a observada no mês correspondente de 2007.
As importações registraram US$11,6 bilhões, média diária de US$580,1 milhões,
33,2% superior a março do ano anterior. Essas importações, tanto em valor
quanto na média diária, constituíram-se em recorde para meses de março.
61.
As
reservas internacionais totalizaram US$195,2 bilhões em março, com aumentos de
US$2,3 bilhões no mês e de US$14,9 bilhões na comparação com o final do ano
anterior.
62.
No
período posterior à reunião do Copom de março, a curva de juros futuros
apresentou elevação em toda sua extensão, com aumento da inclinação. A
percepção dos agentes econômicos quanto ao teor das Notas da reunião de março
do Copom e ao Relatório Trimestral de Inflação, a divulgação de índices de
inflação corrente acima das projeções de mercado, o aumento das expectativas
inflacionárias e a piora do cenário externo foram os fatores determinantes para
esse movimento das taxas de juros. De 3 de março a 14 de abril, as taxas de um,
de três e de seis meses subiram, respectivamente, 0,31 p.p., 0,50 p.p. e 0,70
p.p. As taxas para os prazos de um, dois e três anos apresentaram elevação de
0,95 p.p., 0,88 p.p. e 0,90 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida
pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação
(suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 7,31%, em 3 de março de
2008, para 8,07%, em 14 de abril de 2008.
63.
Em
26 de março, o Banco Central realizou leilão de swap cambial reverso, efetuando a rolagem integral do vencimento de
1º de abril. Essa operação somou o equivalente a US$2,0 bilhões.
64.
Na
administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central
realizou, semanalmente, no período de 4 de março a 14 de abril, operações compromissadas
longas, tomando recursos por prazos de cinco e de sete meses. O saldo diário
médio do estoque dessas operações alcançou R$84,6 bilhões, dos quais R$59,0
bilhões em operações de sete meses. No mesmo período, o Banco Central atuou em
trinta oportunidades como tomador de recursos por meio de operações
compromissadas de curtíssimo prazo. Realizou, ainda, operações de nivelamento,
ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. As operações de curtíssimo
prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de
R$29,1 bilhões. Além disso, em 6, 17 e 26 de março e em 1º de abril, o Banco
Central tomou recursos pelos prazos de 29, 9, 16 e 12 dias úteis, nos montantes
de R$83,8 bilhões, R$8,9 bilhões, R$19,9 bilhões e R$29,2 bilhões, respectivamente,
o que resultou no saldo diário médio de R$108,6 bilhões para essas operações
tomadoras de curto prazo.
65.
Entre
4 de março e 14 de abril, as emissões do Tesouro Nacional referentes aos seus
leilões tradicionais somaram R$28,2 bilhões. A colocação de títulos de
remuneração prefixada alcançou R$13,1 bilhões, sendo R$9,7 bilhões em Letras do
Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2008, 2009 e 2010, e R$3,4 bilhões em
Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento
em 2012, 2014 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT)
totalizaram R$9,7 bilhões, com a colocação de títulos de vencimento em 2012 e
2014. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B
(NTN-B), foram vendidos títulos de vencimento em 2011, 2013, 2017, 2024, 2035 e
2045, em um montante total de R$5,4 bilhões.
66.
No
mesmo período, o Tesouro promoveu leilões de venda de LTN de vencimento em
outubro de 2008 e em abril e julho de 2009, conjugada com a compra de LTN de
vencimento em abril e julho de 2008, em um total de R$2,8 bilhões. As vendas de
NTN-B liquidadas mediante a entrega de outros títulos somaram R$4,9 bilhões e
envolveram títulos de vencimento em 2011, 2013, 2017, 2024, 2035 e 2045. O
Tesouro realizou, também, leilões de venda de LFT de vencimento em 2012 e 2014,
no montante de R$2,2 bilhões, aceitando como pagamento LFT de vencimento em
2008, e leilões de compra de LTN e de NTN-B, que alcançaram R$2,0 bilhões e
R$0,3 bilhão, respectivamente.
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