Sumário
Data: 17 e
18/7/2007
Local: Sala
de reuniões do 8º andar (17/7) e do 20º andar (18/7) do Edifício-Sede do Banco
Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h30 (17/7) e 17h (18/7)
Horário de término: 19h10 (17/7) e 20h (18/7)
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles –
Presidente
Alexandre
Antonio Tombini
Antonio Gustavo Matos do Vale
Mário
Gomes Torós
Mário
Magalhães Carvalho Mesquita
Paulo
Sérgio Cavalheiro
Paulo
Vieira da Cunha
Chefes de Departamento (presentes no dia 17)
Altamir Lopes – Departamento
Econômico
Ariosto Revoredo de Carvalho –
Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Carlos
Hamilton Vasconcelos Araújo – Departamento de Estudos e Pesquisas (também
presente no dia 18)
João Henrique de Paula Freitas Simão
– Departamento de Operações do Mercado Aberto
José
Antonio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de
Pagamentos
Renato Jansson Rosek – Gerência-Executiva de Relacionamento com
Investidores
Demais participantes (presentes no dia 17)
Alexandre Pinheiro de Moraes Rego –
Assessor Especial do Presidente
Alexandre Pundek Rocha – Consultor
da Diretoria
Katherine Hennings – Consultora da
Diretoria
Sergio
Almeida de Souza Lima – Secretário-Executivo
Os
membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia
brasileira e para a
economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo
objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução
recente da economia
1.
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) manteve, em junho, o patamar observado no mês anterior (0,28%), uma vez
que a aceleração dos preços livres foi compensada pela desaceleração dos preços
administrados. Assim, a inflação mensal média recuou de 0,42% no primeiro
trimestre para 0,27% no segundo. Por outro lado, no primeiro semestre de 2007,
a inflação acumulada atingiu 2,08%, ante 1,54% no mesmo período do ano
anterior, com a inflação de preços livres igual a 2,43%, e a de administrados,
1,29%, ante 0,92% e 2,76% no primeiro semestre de 2006, respectivamente. Com
isso, a inflação acumulada em doze meses tem se acelerado consistentemente, de
2,96% em março para 3% em abril, 3,18% em maio e 3,69% em junho. Essa
aceleração se deve à substituição das taxas de inflação reduzidas observadas no
segundo trimestre de 2006 (média mensal de apenas 0,03%), refletindo o forte
recuo dos preços de alimentos naquela conjuntura, pelas taxas mais elevadas
observadas nos últimos três meses (média mensal de 0,27%). Interrompendo uma
relação observada por bastante tempo, desde maio os preços administrados
passaram a apresentar variação para o acumulado em doze meses inferior à dos
preços livres. De fato, em junho, a variação, nessa base de comparação, foi de,
respectivamente, 2,78% e 4,10% para itens monitorados e preços livres. Em outro
nível de desagregação, nota-se que a inflação dos preços livres tem sido,
determinada, em sua maior parte, pelo comportamento dos preços dos itens não
comercializáveis. No acumulado em doze meses até junho, os preços de itens não
comercializáveis subiram 5,02%, enquanto os dos itens comercializáveis se
elevaram 3,14%. Isso ocorreu a despeito da expressiva desaceleração dos preços
dos serviços, com variação de 4,95% em doze meses até junho, ante os 6,27%
observados no mesmo período do ano passado. Em que pese a aceleração da
inflação no primeiro semestre, frente às taxas observadas em igual período de
2006, o Copom avalia que o processo inflacionário deve continuar evoluindo
segundo a trajetória das metas.
2.
O recuo da inflação plena ao longo do segundo trimestre não
se refletiu nas medidas de núcleo da variação do IPCA, haja vista que, no
período, somente uma das três medidas de inflação subjacente calculadas pelo
Banco Central mostrou arrefecimento, frente às médias observadas no primeiro
trimestre. O núcleo por exclusão de monitorados e de alimentos no domicílio
registrou variação média de 0,28% no segundo trimestre, ante 0,39% no primeiro.
Por sua vez, os núcleos por médias aparadas com e sem suavização de itens
preestabelecidos mantiveram-se estáveis, com as variações médias,
respectivamente, no patamar de 0,31% e de 0,27%. Por outro lado, no primeiro
semestre, esses três núcleos registraram, respectivamente, variações de 2,03%,
1,86% e 1,63%, portanto inferiores aos 2,08% da inflação plena. Houve, também,
reduções importantes quando a comparação leva em conta os valores registrados
no primeiro semestre de 2006. A variação se deslocou de 2,15% para 2,03% no
caso do núcleo por exclusão, de 2,75% para 1,86% no do núcleo com suavização, e
de 1,84% para 1,63% no do núcleo sem suavização. Note-se, ainda, que todas as
medidas de núcleo mostram expressiva queda nas variações em doze meses até
junho, em comparação com junho de 2006: 3,43% contra 4,09% no caso do núcleo
por exclusão, 3,72% contra 5,71% no caso do núcleo por médias aparadas com
suavização e 2,55% contra 4,16% no caso do núcleo por médias aparadas sem
suavização. Em todos os casos, as variações mostraram elevação frente às taxas
acumuladas nos doze meses até maio, mas se encontram abaixo do valor central de
4,5% para a meta de 2007.
3.
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços –
Disponibilidade Interna (IGP-DI) se acelerou ao longo do segundo trimestre e
alcançou 0,26% em junho, ante 0,16% em maio e 0,14% em abril. No primeiro
semestre de 2007, a inflação situou-se em 1,44%, ante 1,28% no mesmo período do
ano passado. Esse movimento se deveu ao comportamento do Índice de Preços ao
Consumidor – Brasil (IPC-Br), que variou 2,51%, ante 0,62% em 2006, enquanto a
inflação medida pelo Índice Nacional de Construção Civil (INCC) permaneceu
praticamente estável (3,51% contra 3,36%), e a medida pelo Índice de Preços por
Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), recuou de 1,22% em 2006 para 0,70%
em 2007. Em doze meses até junho, a variação do IGP-DI atingiu 3,96%, ante
0,98% em junho de 2006. Ao longo do segundo trimestre, o comportamento do
IPA-DI mostrou estabilidade, refletindo elevação dos preços industriais e um
comportamento heterogêneo dos preços agrícolas, que apresentaram fortes quedas
de abril a maio, seguido por recuperação em junho. O comportamento dos preços
no atacado continua refletindo, em suma, pressões contraditórias derivadas, de
um lado, da elevação de preços internacionais de commodities e alimentos e, de
outro, do fortalecimento do real. Conforme destacado nas Notas de reuniões
anteriores do Copom, os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a
inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da
demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória
futura da inflação.
4.
A produção industrial geral, que engloba as indústrias
extrativas e de transformação, acelerou-se nos últimos meses. A média móvel
trimestral, segundo dados dessazonalizados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 0,8% em maio, frente ao mês anterior,
ante um crescimento, na mesma base de comparação, de 0,6% em abril. De fato, se
considerarmos a revisão dos números referentes a abril, maio registrou a oitava
expansão mensal consecutiva da produção industrial geral. O crescimento da
produção industrial alcançou 4,9% em maio, na comparação com maio de 2006, 4,4%
no acumulado de 2007, com tendência de aceleração na margem; e 3,3% em doze
meses, também com tendência de aceleração na margem. Os dados do IBGE indicam
que a atividade na indústria de transformação também registra importante
intensificação. A média móvel trimestral do índice de produção na indústria de
transformação cresceu 0,4% em fevereiro, 0,5% em março, 0,7% em abril e 0,8% em
maio. Em doze meses até maio, a produção da indústria de transformação se
expandiu 3,1%, enquanto a produção extrativa mineral avançou 5,4%. Dentre as
categorias de uso, destaque-se o forte crescimento, nos primeiros cinco meses
de 2007, da produção de bens de capital (16,3%). Adicionalmente a produção de
bens intermediários aumentou 3,9% no período, após apresentar desempenho
inferior à média da indústria no biênio 2005/06. Para junho, os indicadores
antecedentes e coincidentes da produção industrial disponíveis sinalizam a
continuidade do ciclo de crescimento. Além disso, os diversos fatores de
estímulo à atividade econômica, inclusive a flexibilização monetária já
realizada, sugerem que a tendência de expansão da indústria deve continuar nos
próximos trimestres.
5.
A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas
cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) situou-se, em maio, pelo
terceiro mês consecutivo, no patamar de 10,1%, portanto, 0,1 p.p. abaixo do
valor anotado em maio de 2006. Nos primeiros cinco meses de 2007, a taxa média
de desemprego reduziu-se 0,2 p.p. na comparação com igual período do ano
anterior. A despeito do lento declínio da taxa de desemprego, o número de
ocupados aumentou 2,7% nos doze meses findos em maio, reflexo do crescimento da
População Economicamente Ativa (PEA), processo típico de momentos de expansão
econômica. Na comparação mês a mês, o poder de compra da população ocupada
subiu 0,3% em maio, mesmo percentual observado no mês anterior, e 3,9% em
relação a maio de 2006. Nos primeiros cinco meses de 2007, o crescimento
atingiu 4,8%, o que contribuiu para a expansão de 7,8% na massa de rendimento
real. Por sua vez, o nível de emprego na indústria de transformação, segundo
dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco
Central, cresceu 0,4% em maio, em relação a abril, e 3,5% na comparação com
maio de 2006. Com isso, nos primeiros cinco meses do ano, o emprego na
indústria manufatureira cresceu robustos 4,1%. No que diz respeito ao emprego
formal celetista, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
indicam a continuidade do forte processo de expansão, com a abertura de 182 mil
postos de trabalho em junho, o maior saldo para o mês registrado na série
histórica iniciada em 1985. Isso representou crescimento de 0,4%, em relação ao
mês anterior, na série com ajuste sazonal, e expansão acumulada no ano de 4,9%
e nos últimos doze meses de 4,8%. Assim, foram criados 1.095,5 mil postos de
trabalho formais no primeiro semestre de 2007, ante 924 mil postos em igual
período de 2006 (um crescimento de 18,6%), e 1,4 milhão nos últimos doze meses.
O Copom avalia que os desenvolvimentos favoráveis no mercado de trabalho
continuarão sendo um importante canal de sustentação da demanda agregada ao
longo dos próximos trimestres.
6.
O volume de vendas do comércio varejista registrou elevação
de 0,5% em maio frente a abril, na série dessazonalizada pelo IBGE, a quinta
expansão consecutiva. Na comparação do trimestre findo em maio com o mesmo
trimestre de 2006, o comércio geral apresentou crescimento real de 9,9%, contra
9,4% em abril, e o comércio ampliado, que também inclui a comercialização de
veículos, motos, partes e peças e material de construção, mostrou expansão de
13,7% (13,4% em abril). Em maio, o crescimento alcançou 10,4% na comparação com
igual mês do ano passado, e 9,5% nos primeiros cinco meses do ano. Em doze
meses até maio, a expansão alcançou significativos 7,5% e vem se acelerando na
margem. Na comparação com maio de 2006, as vendas no segmento de “móveis e
eletrodomésticos” cresceram 10,3% e no segmento de "tecidos, vestuário e
calçados", 16%. O sólido desempenho do comércio varejista reflete tanto a
expansão da renda e do emprego quanto à melhora das condições do crédito ao
consumidor. No comércio varejista ampliado, o crescimento real atingiu 13% na
comparação com maio de 2006, e configurou-se, nessa base de comparação, no
décimo primeiro mês consecutivo no qual o crescimento das vendas no comércio
ampliado supera a expansão das vendas no comércio varejista. Espera-se, para o
resto do ano, a continuidade do fortalecimento das atividades de comércio
varejista, que deverá ser impulsionado pela expansão dos níveis de emprego e da
renda (inclusive por meio de transferências governamentais), pelo crescimento
do crédito e pelo processo de flexibilização da política monetária, aliados à
própria recuperação da confiança do consumidor. Além disso, o desempenho das
vendas no varejo sugere continuação e provável fortalecimento do crescimento da
demanda agregada.
7.
Segundo dados da CNI, sem ajuste sazonal, a Utilização da
Capacidade Instalada (UCI) na indústria de transformação foi, em média, de
81,5% nos primeiros cinco meses de 2007, frente a 79,5%, 80,4% e 79,8% em igual
período de 2006, 2005 e 2004, respectivamente. A taxa de utilização da
capacidade, para a série da CNI dessazonalizada pelo Banco Central, situou-se
em 82,7% em maio, 0,7 p.p. acima do valor registrado em abril, tendo estabelecido
novo ponto de máximo. Não só a utilização média da capacidade tem se elevado
significativamente, como há sinais de que esse processo estaria se tornando
mais generalizado, com vários setores operando com taxas próximas a seus pontos
de máximo. Dados compilados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) também mostram
tendência de elevação das taxas de utilização da capacidade, que atingiram
84,7% em junho ante 82,3% em junho de 2006. O aumento das medidas de UCI
reflete, inequivocamente, a aceleração da atividade econômica, e ocorre apesar
da forte expansão do volume de investimentos na economia. De fato, no ano, até
maio, a absorção de bens de capital apresentou crescimento de 16,1%, em linha
tanto com o aumento expressivo das importações (30,7% em volume) quanto com a
produção de bens de capital (16,3%). Note-se ainda que, no mesmo período, a
produção de insumos para a construção civil aumentou 3,7%. Os dados mais
recentes indicam que, apesar de bastante robusto, o investimento tem sido
insuficiente para evitar uma elevação significativa das taxas de utilização da
capacidade na indústria. Tal situação pode refletir defasagens na maturação de
projetos de expansão da capacidade ou um aquecimento mais significativo do que
se esperava da atividade produtiva. Nesse contexto, a ampliação do investimento
será fundamental para evitar descompassos agudos no que se refere à evolução da
oferta e da demanda agregada. Como ressaltado em Notas anteriores das reuniões
do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os
desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à expansão da oferta de
bens e de serviços para o adequado atendimento à demanda.
8.
A balança comercial continua apresentando desempenho
robusto, a despeito da continuação do fortalecimento da moeda nacional, e
corrobora avaliações expressas em Relatórios de Inflação e em Notas de reuniões
anteriores do Copom sobre mudanças estruturais importantes no comércio exterior
brasileiro. Depois de atingir, em 2006, o saldo recorde de US$46,5 bilhões, com
crescimento de 3,4% sobre o saldo de 2005, a balança comercial permanece com
desempenho fortemente positivo. O saldo acumulado até junho totalizou US$20,6
bilhões, valor 6,2% superior ao verificado no mesmo período do ano anterior.
Esse resultado se deve aos US$73,2 bilhões em exportações e aos US$52,6 bilhões
em importações, com crescimento, respectivamente, de 20,2% e 26,7%. Na margem,
as importações crescem em ritmo mais acelerado do que as exportações, em função
tanto do maior nível de atividade como do fortalecimento do real, o que
sinaliza um processo saudável de ajustamento da balança comercial. Mesmo nesse
contexto, o Copom avalia que a demanda por exportações brasileiras tem se
mostrado mais intensa do que se antecipava, levando, inclusive, a uma
aceleração na margem do quantum exportado. Dessa forma, à semelhança do
verificado em anos anteriores, as expectativas mais pessimistas serão novamente
frustradas em 2007, de modo que a balança comercial permanecerá apresentando um
desempenho bastante positivo.
9.
Com relação ao cenário externo, persistem as dúvidas quanto
aos próximos passos da política monetária americana. A expectativa dominante
por parte dos investidores parece ser de que o início de um ciclo de
flexibilização monetária nos Estados Unidos da América (EUA) teria sido adiado
para o ano que vem, e que, conseqüentemente, a taxa básica de juros naquela
economia permaneceria estável por vários meses, mas não se pode descartar por
completo o risco de novas elevações de taxas de juros. Da mesma forma, não se
pode descartar a possibilidade de desaceleração mais forte do que o esperado da
economia dos EUA, particularmente se os efeitos das dificuldades no setor
imobiliário sobre instituições financeiras e o consumo das famílias se
mostrarem mais intensos e generalizados. Em contraposição, até o momento, o
maior nível de atividade econômica na Europa, associado à continuidade da forte
expansão em grandes economias asiáticas, tem sustentado o crescimento mundial
em nível mais elevado do que se antecipava, a despeito da desaceleração em
curso nos EUA. A manutenção de taxas de crescimento em níveis historicamente
elevados em diversas regiões tem levado ao aumento das pressões inflacionárias,
notadamente, mas não exclusivamente, no caso de matérias-primas e alimentos,
ensejando respostas de política monetária por parte de um número importante de
bancos centrais. Não obstante, a demanda externa por mercadorias, serviços e
ativos brasileiros tem, até o momento, beneficiado-se significativamente do
estágio do ciclo econômico e das condições financeiras globais, mostrando
resistência às flutuações de curto prazo na atividade e no sentimento dos
mercados. Esse contexto externo, que na avaliação do Copom continua favorável,
tem contribuído para que a economia continue em um ciclo de crescimento com
estabilidade de preços.
10.
O preço do petróleo, fonte sistemática de incerteza advinda
do cenário internacional, elevou-se de forma relevante desde a última reunião
do Comitê, e segue mostrando acentuada volatilidade. De um lado, esse
comportamento reflete mudanças estruturais no mercado energético mundial e, de
outro, episódios recorrentes de incerteza geopolítica. Dentro dessa
perspectiva, a persistirem as tendências observadas nas últimas semanas, o
cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da
gasolina inalterados em 2007, poderia se tornar menos plausível. Além disso, a
despeito da eventual estabilidade do preço interno da gasolina, deve-se
reconhecer que essas variações nos preços internacionais do petróleo se
transmitem, inexoravelmente, à economia doméstica, por exemplo, por meio de
cadeias produtivas como a petroquímica, e também pelo impacto que terminam
produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos.
Avaliação prospectiva das tendências da
inflação
11.
Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados
de acordo com as novas informações disponíveis. O cenário considerado nas
simulações contempla as seguintes hipóteses:
a)
Comparadas
com os valores considerados na reunião do Copom de junho, as projeções de
reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão foram mantidas em 0%, para o
acumulado de 2007;
b)
as
projeções de reajustes das tarifas de eletricidade para o acumulado de 2007
foram modificadas para -3,6%, ao passo que, para as tarifas de telefonia fixa,
mantiveram-se em 3,3%;
c)
a
projeção de reajuste para o conjunto de preços administrados, no acumulado de
2007, foi alterada para 3,2%, ante os 3,6% considerados na reunião do Copom de
junho. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE,
correspondeu a 31,01% do total do IPCA de junho;
d)
a
projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para
2008 foi redimensionada para 4,5%, com base em modelos de determinação endógena
de preços administrados, que consideram componentes sazonais, variações
cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de
Preços (IGP);
e) o modelo de Vetores Auto-Regressivos
(VAR), baseado nos níveis da taxa Selic e do swap de 180 dias, estima um
spread, no cenário de referência, de -5 p.b. no quarto trimestre de 2007. A
trajetória do swap indica, ainda, que o spread atinge 71 p.b. no último
trimestre de 2008. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados
de acordo com as novas informações disponíveis.
12.
Em relação à política fiscal, as projeções levam em
conta o cumprimento da meta de superávit primário de 3,8% do Produto Interno
Bruto (PIB) em 2007 e em 2008, ajustada pela possibilidade de que esse
percentual seja reduzido em até 0,45 p.p., em virtude da implementação do
Programa Piloto de Investimentos (PPI). As demais hipóteses consideradas na
reunião anterior foram mantidas.
13. Desde a reunião de junho do Copom, houve incremento na mediana das
expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com
Investidores (Gerin) para a variação do IPCA em 2007, que passou de 3,5% para
3,7%. Essa elevação deve-se, basicamente, à incorporação da inflação ocorrida
em maio e em junho. As expectativas para doze meses à frente deslocaram-se de
3,37% para 3,5%. Para 2008, as expectativas de inflação permaneceram em 4%.
Esses desenvolvimentos continuam sugerindo a consolidação de um ambiente
macroeconômico favorável.
14. Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta
a manutenção da taxa de câmbio em R$1,90 e da taxa Selic em 12%, em todo o
horizonte de previsão, a projeção para o IPCA em 2007 elevou-se em relação ao
valor considerado na reunião do Copom de junho, mas permaneceu posicionada
abaixo do valor central de 4,5% para a meta desse ano, fixada pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as
trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin, junto a analistas, no
período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para
2007 também sofreu incremento em relação ao valor considerado na reunião do
Copom de junho, mas permanece abaixo do valor central de 4,5% para a meta de
inflação. Por sua vez, as projeções de inflação para 2008 mostraram reduções em
ambos os cenários, quando comparadas às projeções obtidas em junho, e ficaram
abaixo do valor central de 4,5%.
Implementação
da política monetária
15. O Copom reafirma o diagnóstico, expresso nas Notas das últimas reuniões,
de que, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, a política
monetária tem contribuído de maneira importante para a consolidação de um
ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Os dados
referentes à atividade econômica apontam para um fortalecimento possivelmente
mais intenso da expansão da demanda, mas ainda não sugerem uma probabilidade
elevada de que observemos pressões significativas sobre a inflação no curto
prazo. Além da expansão do investimento, o crescimento das importações tem
contribuído de forma fundamental para esse processo, complementando a produção
doméstica e assim permitindo que os efeitos inflacionários do crescimento sustentado
da demanda agregada continuem sendo limitados. Além disso, a despeito da
incerteza sobre a continuidade do forte crescimento da economia internacional
observado nos últimos anos, das perspectivas de restrição monetária adicional
em importantes economias e blocos econômicos, e de certo aumento de
volatilidade nos mercados globais, o cenário externo continua favorável.
Particularmente no que diz respeito às perspectivas de financiamento externo
para a economia brasileira no horizonte de projeção, a combinação de vultosos
superávits comerciais com crescente atração de fluxos de capitais sugere que o
balanço de pagamentos deve continuar tendo desempenho robusto. Dessa forma, as
perspectivas para a trajetória da inflação permanecem benignas. Tal como nas reuniões
recentes, o Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse
contexto é garantir a consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se
antecipam para o futuro.
16. O Copom avalia que a emergência de pressões inflacionárias globais ainda
não apresenta riscos para a trajetória de inflação doméstica no curto prazo,
mas o aquecimento da demanda poderia ensejar aumento no repasse de pressões
sobre preços no atacado para os preços ao consumidor. O Comitê observa também
que a elevação das expectativas de inflação para 2007 e para os próximos doze
meses, ainda que para níveis inferiores à meta estabelecida para 2007 e 2008, é
processo que deve ser monitorado. Nesse contexto, o Copom continuará conduzindo
suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em
anos recentes sejam permanentes. Para tanto, continuará acompanhando
atentamente a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo,
discriminando entre reajustes pontuais e reajustes persistentes ou generalizados
de preços, analisando seu impacto sobre as expectativas de inflação a curto e
médio prazo e adequando prontamente a postura de política monetária às
circunstâncias.
17. A manutenção de taxas de inflação consistentes com a trajetória de metas
e a resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica
duradoura contribuirão para a continuidade do processo de redução progressiva
da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O
espaço para que observemos juros reais menores no futuro continuará se
consolidando de forma natural, como conseqüência dessa melhora de percepção. O
Copom considera que a persistência de uma atuação cautelosa da política
monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que a inflação
siga evoluindo segundo a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade
continue se traduzindo em resultados efetivos, entretanto, é preciso que os
indicadores prospectivos de inflação continuem apresentando elementos
compatíveis com o cenário benigno que tem se configurado nos últimos
trimestres.
18. O Copom considera relevante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens
importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre o
nível de atividade e sobre a inflação. Desde o início do ciclo de
flexibilização da política monetária, em setembro de 2005, a taxa de juros
básica já foi reduzida em 775 p.b., sendo que parcela substancial da redução
ocorreu nos últimos nove meses. Assim, parte importante dos efeitos dos cortes
de juros ainda não se refletiu no nível de atividade, e tampouco os efeitos da
atividade sobre a inflação tiveram tempo de se materializar. Dessa forma, a
avaliação de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar,
necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos
a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para
essa variável.
19. Ao longo dos próximos meses, a expansão do nível de emprego e da renda e
o crescimento do crédito continuarão impulsionando a atividade econômica. Como
mencionado em Notas de reuniões recentes do Copom, a esses fatores devem ser
acrescidos os efeitos da expansão das transferências governamentais e de outros
impulsos fiscais ocorridos no primeiro semestre e esperados para os próximos
trimestres. Dessa forma, os efeitos defasados dos cortes de juros sobre uma
demanda agregada que já cresce a taxas robustas se somarão a outros fatores que
continuarão contribuindo de maneira importante para a sua expansão. Essas considerações
se tornam ainda mais relevantes quando se levam em conta os nítidos sinais de
demanda aquecida e o fato de que as decisões de política monetária terão
efeitos limitados sobre 2007, e passarão a ter impactos predominantemente sobre
2008.
20. Tendo em vista os estímulos já existentes para a expansão da demanda
agregada, as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política
monetária, a aproximação progressiva entre a taxa básica de juros corrente e as
taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo e os cortes já
implementados desde setembro de 2005, os membros do Copom entendem que a
preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na
manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda
real, demandará que, a partir de um determinado ponto, a flexibilização da
política monetária passe a ser conduzida com maior parcimônia.
21. O Comitê avalia que, desde sua última reunião, as influências de fatores
externos e internos sobre o balanço de riscos para a trajetória esperada da
inflação continuaram atuando em direções opostas. O setor externo, que vem
contribuindo de forma importante para ampliar a oferta agregada, continua tendo
influência predominantemente benigna sobre as perspectivas para a inflação, ao
passo que o ritmo de expansão da demanda doméstica pode vir a colocar riscos
para a dinâmica inflacionária.
22. Membros do Copom entenderam que, diante da extensão do processo de
flexibilização já implementado, das incertezas remanescentes quanto aos
impactos defasados do estímulo monetário já injetado na economia, do
comportamento esperado dos outros fatores de sustentação do dispêndio, como o
crescimento da renda, em um quadro de sólida expansão da demanda doméstica por
bens e serviços transacionáveis e não transacionáveis, e do fortalecimento da
atividade econômica, a desaceleração do ritmo de redução da taxa básica de
juros para 25 p.b. contribuiria para estender no tempo o processo de
flexibilização.
23. A maioria do Copom, entretanto, argumentou que a contribuição do setor
externo para a consolidação de um cenário benigno para a inflação no horizonte
de projeção, especialmente pela disciplina exercida sobre os preços de bens
transacionáveis e por meio da ampliação dos investimentos, em ambiente de
demanda aquecida, mitiga riscos presentes no cenário prospectivo para a
inflação. Tal contribuição estaria ampliando o escopo para que as taxas de
crescimento da demanda agregada e da oferta doméstica voltem a se equilibrar em
um prazo relevante para as decisões de política monetária, sem comprometer a
convergência para a trajetória das metas de inflação. Com isso, quatro membros
do Comitê entenderam que o balanço de riscos para a evolução da trajetória
futura da inflação ainda justificaria reduzir a taxa básica de juros em 50 p.b.
24. Diante disso, avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu
reduzir a taxa Selic para 11,50% a.a., sem viés, por quatro votos a favor e
três votos pela redução da taxa Selic em 0,25 p.p. O Comitê irá acompanhar a
evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir
os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
25. No regime de metas para a inflação, o Copom orienta suas decisões de
acordo com os valores futuros projetados para a inflação, e analisa diversos
cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a
dinâmica dos preços e o balanço dos riscos associado às suas projeções. Ainda
que persistam incertezas quanto ao desempenho da economia norte-americana, a
conjuntura internacional permanece positiva, e favorece a contribuição do setor
externo para a manutenção de um cenário inflacionário benigno. Por outro lado,
a demanda doméstica se expande a taxas cada vez mais robustas, sustentando a recuperação
da atividade econômica, inclusive em setores pouco expostos à competição
externa, quando os efeitos de importantes fatores de estímulo, como a
flexibilização monetária já implementada, ainda estão por se fazer sentir em
sua plenitude. Nesse ambiente, cabe à política monetária manter-se
especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em
horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos.
26. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltaria a se reunir em
4 de setembro de 2007, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para
deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado
15.011, de 31/10/2006.
SUMÁRIO
DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
27. O IPCA cresceu 0,28% em junho, uma
repetição do resultado do mês anterior. A variação mensal refletiu elevações de
preços nos grupos habitação, vestuário e, em especial, alimentação e bebidas, e
recuos nos preços dos demais grupos, com ênfase em transportes e despesas pessoais.
A alta dos preços do item leite e derivados respondeu por 0,14 p.p. da variação
mensal do índice, ante 0,07 p.p. em maio, e exerceu, mais uma vez, a influência
individual mais expressiva sobre o resultado mensal do IPCA.
28. A variação dos preços livres passou
de 0,25% em maio para 0,43% em junho, enquanto a dos preços monitorados recuou
de 0,35% para -0,05%. Em doze meses, os preços livres acumularam crescimento de
4,1%, e os preços monitorados, de 2,78%. O comportamento dos preços livres
refletiu elevações de 5,02% nos preços dos produtos não comercializáveis e de
3,14% nos preços dos produtos comercializáveis.
29. O IPCA aumentou 2,08% no primeiro
semestre de 2007, ante 1,54% no mesmo período de 2006, e acumulou variação de
3,69% em doze meses até junho, ante 3,14% em 2006. A aceleração registrada no
primeiro semestre evidenciou a continuidade da reversão da tendência declinante
dos preços dos alimentos, iniciada no último trimestre de 2006, principalmente
pela elevação dos preços internacionais. Nesse sentido, embora os preços dos
alimentos tenham crescido 1,23% em 2006, bem abaixo do IPCA, elevaram-se 2,34%
no trimestre encerrado em dezembro. No primeiro semestre de 2007, os preços do
grupo alimentação e bebidas cresceram 3,94%, acumulando alta de 6,62% em doze
meses até junho.
30. As variações mensais dos núcleos de
inflação, nos conceitos por exclusão e de médias aparadas sem suavização,
atingiram 0,22% e 0,23%, respectivamente, em junho, ante 0,33% e 0,30% em maio.
A variação acumulada nos últimos doze meses totalizou, na mesma ordem, 3,43% e
2,55%, em junho, ante 3,04% e 2,39%, em maio. A variação mensal no conceito de
médias aparadas com suavização passou de 0,30% em maio para 0,34% em junho, e
acumulou expansões em doze meses de 3,68% e 3,72%, respectivamente.
31. O IGP-DI variou 0,26% em junho, ante
0,16% em maio, acumulando 1,44% no primeiro semestre do ano e 3,96% em doze
meses. Considerando os componentes do índice, o IPA-DI cresceu 0,09% em junho,
após recuo de 0,04% em maio, e acumulou 0,70% no ano e 3,76% em doze meses. A
variação do IPC-Br passou de 0,25% para 0,42%, no período, totalizando 2,51% no
primeiro semestre e 3,98% em doze meses. O INCC cresceu 0,92% em junho, ante
1,15% em maio, e refletiu desacelerações nos preços dos itens materiais e
serviços e mão-de-obra. O índice acumulou, em junho, variações de 3,51% no ano
e de 5,20% em doze meses.
32. A maior variação do IPC-Br em junho
esteve associada à alta de 1,02% nos preços dos alimentos, ante recuo de 0,01%
em maio. O núcleo do indicador variou 0,34% em junho, ante 0,30% no mês
anterior, acumulando alta de 1,66% no ano e de 2,91% em doze meses.
33. A variação do IPA-DI, em junho,
refletiu tanto a reversão na tendência dos preços agrícolas, que se elevaram
0,67% no mês, ante recuo de 1,94% no mês anterior, quanto a desaceleração nos
preços industriais, que caíram 0,09% em junho, ante elevação de 0,58% em maio.
As principais contribuições para a alta dos preços agrícolas, no período,
resultaram do comportamento dos preços do leite in natura, soja em grão,
ovos e aves, enquanto, em sentido inverso, registraram-se reduções nos preços
da cana-de-açúcar, laranja e mandioca. Dentre os preços industriais,
assinalem-se as altas nos preços dos óleos combustíveis, óleos e gorduras, e
leites e derivados, e as quedas dos preços do álcool etílico hidratado, açúcar
e do ferro gusa para fundição. O IPA por estágios de processamento evidenciou,
em junho, estabilidade nos preços das matérias-primas brutas, desaceleração em
bens intermediários e alta em bens finais. No primeiro semestre do ano,
destacou-se a retração de 3,62% nos preços das matérias-primas brutas, após
expressiva elevação em 2006, enquanto os preços dos bens finais e dos bens
intermediários registraram ligeira aceleração comparativamente ao semestre
anterior. Esses preços acumularam altas de, respectivamente, 7,44%, 2,63% e
2,73%, em doze meses até junho.
34. Considerando dados dessazonalizados,
o PIB cresceu 0,8% no primeiro trimestre de 2007, em relação ao trimestre
anterior, ante alta de 1,1% no quarto trimestre de 2006. Comparativamente ao
mesmo período de 2006, o PIB aumentou 4,3% no primeiro trimestre de 2007, e
acumulou variação de 3,8% em quatro trimestres, ante 3,7% em 2006.
35. A evolução do PIB segue associada ao
desempenho da demanda interna. Considerando dados dessazonalizados, a Formação
Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 2,1% no primeiro trimestre de 2007, em
relação ao trimestre encerrado em dezembro do ano anterior, enquanto o consumo
do governo aumentou 3,5%; o consumo das famílias, 0,9%; as exportações, 1,2%; e
as importações, 4,1%. Comparativamente ao primeiro trimestre de 2006, a FBCF
expandiu-se 7,2%; o consumo das famílias, 6%; o consumo do governo, 4%; as
exportações, 5,9%; e as importações, 19,9%.
36. Na ótica da oferta, considerando
dados dessazonalizados, a produção agropecuária recuou 2,4% no primeiro
trimestre, em relação ao trimestre anterior, enquanto nos segmentos indústria e
serviços registram-se crescimentos respectivos de 0,3% e 1,7%. Comparativamente
ao mesmo período do ano anterior, o primeiro trimestre de 2007 registrou
acréscimos de 2,1% na agropecuária, de 3% na indústria e de 4,6% nos serviços.
37. Indicadores relativos ao segundo
trimestre de 2007 sugerem a continuidade da expansão da atividade econômica.
38. De acordo com a Pesquisa Mensal do
Comércio (PMC) do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista registrou alta
de 0,5% em maio, comparativamente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal,
com crescimento em todas as atividades, à exceção de combustíveis e
lubrificantes, -1,2%; e veículos, motos, partes e peças, -0,1%, que não compõe
o indicador geral.
39. O volume de vendas cresceu 10,3% em
relação a maio de 2006, impulsionado, principalmente, pelos crescimentos nas
vendas de tecidos, vestuário e calçados, 16%; e de móveis e eletrodomésticos,
10,4%; segmentos influenciados tanto pela continuidade do crescimento do
emprego e da renda, como pelas melhores condições de crédito.
40. As vendas do comércio varejista ampliado,
conceito que incorpora as atividades veículos, motos, partes e peças, e
material de construção, cresceram 13% em maio, em relação ao mesmo período do
ano anterior, com crescimentos respectivos de 20% e 4,7% nas vendas das
atividades mencionadas. O desempenho positivo desses segmentos deverá persistir
ao longo de 2007, evidenciando os efeitos das medidas de incentivos ao setor de
construção e das condições favoráveis de crédito. No acumulado do ano, as
vendas do comércio varejista ampliado aumentaram 12,7%.
41. Em maio, as vendas do comércio
varejista aumentaram em vinte das 27 unidades da Federação, comparativamente ao
mês anterior, com dados dessazonalizados. As maiores expansões ocorreram em
Pernambuco, 6%; Sergipe, 5,6%; Rio Grande do Norte, 5,1%; e Roraima, 4,8%;
enquanto as reduções mais acentuadas registraram-se no Paraná, 3,4%; Tocantins,
1,6%; e em Minas Gerais, 1,4%. As vendas acumuladas em 2007 cresceram em todas
as unidades da Federação, com ênfase para o desempenho nos estados de Alagoas,
31%; Acre, 17,4%; e Maranhão, 15,8%. A evolução das vendas do comércio
varejista nas regiões Norte e Nordeste reflete, em parte, o impacto dos
programas assistenciais do governo federal nessas regiões.
42. Segundo dados da Associação Comercial
de São Paulo (ACSP), referentes à capital paulista e dessazonalizados pelo
Banco Central, as consultas ao Usecheque cresceram 1,2% em junho,
comparativamente ao mês anterior, enquanto as direcionadas ao Serviço Central
de Proteção ao Crédito (SCPC) mantiveram-se estáveis. Em relação a junho de
2006, registraram-se acréscimos respectivos de 8,8% e 6,4%.
43. Relativamente ao comportamento dos
indicadores de investimento, em maio, as produções de insumos da construção
civil e de bens de capital aumentaram 0,3% e 5,1%, respectivamente, e as
importações de bens de capital recuaram 4,9%, comparativamente ao mês anterior,
com dados dessazonalizados. A retração dessas importações não representa uma
alteração da tendência, haja vista a intensidade de sua expansão nesse ciclo,
evidenciada pelas taxas de crescimento de 31,7% nos primeiros cinco meses do
ano e de 26,7% nos últimos doze meses. No ano, até maio, assinale-se também a
expansão de 16,3% da produção doméstica de bens de capital, com elevações
representativas nas produções de equipamentos tipicamente industrializados,
18,6%; para uso misto, 17,3%; e para energia elétrica, 16,4%. A produção de
bens de capital para a agricultura se expandiu 23,3% no mesmo período,
assinalando-se que a variação da produção acumulada em doze meses nesse
segmento diminuiu de -8,9%, até março, para -4,3% até abril, e atingiu -0,6%
até maio, evidenciando a retomada da produção no setor.
44. Os financiamentos concedidos pelo
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos
de médio e longo prazos alcançaram R$19,1 bilhões no período de janeiro a maio
de 2007 e superaram em 39,9% aqueles desembolsados no mesmo período de 2006. No
acumulado em doze meses até maio, os desembolsos totalizaram R$57,7 bilhões, com
expansão de 26% em relação ao mesmo período anterior e realçaram a aceleração
recente desse indicador de investimentos.
45. A produção da indústria brasileira
cresceu 1,3% em maio, em relação a abril, após ajuste sazonal, e acumulou
expansão de 2,2% no período de março a maio. Pelo critério de média móvel
trimestral, que atenua oscilações pontuais, a atividade industrial atingiu
patamar recorde pelo décimo quarto mês consecutivo em maio. A produção
industrial aumentou 4,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior e acumulou
altas de 4,4% nos primeiros cinco meses do ano e de 3,3% em doze meses.
46. Considerando dados dessazonalizados,
observou-se crescimento mensal de 1,3% na produção da indústria de
transformação e recuo de 0,2% na produção extrativa. Todas as categorias de uso
registraram acréscimos na comparação mensal, e atingiram 5,1% em bens de
capital; 1,5% em bens de consumo; e 0,6% em bens intermediários. No ano, até
maio, a produção de bens de capital também liderou a expansão industrial, com
alta de 16,3%, seguida pelas relativas a bens intermediários, 3,9%; bens de
consumo duráveis, 3,7%; e bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 2,5%.
47. A análise desagregada da atividade
industrial mostrou que, em maio, das 23 atividades pesquisadas, passíveis de
ajuste sazonal, quinze apresentaram crescimento, com destaque, pela ordem de
contribuição no resultado, para veículos automotores, farmacêutica, máquinas e
equipamentos, e alimentos. As principais influências negativas decorreram do
desempenho de outros produtos químicos e de bebidas.
48. Ainda no setor industrial, conforme
estatísticas da CNI, dessazonalizadas pelo Banco Central, observou-se expansão
de 0,3% nas horas trabalhadas na produção e recuo de 0,6% nas vendas
industriais reais em maio, comparativamente ao mês anterior. No ano, esses
indicadores registraram, respectivamente, elevações de 3,6% e de 4%, em
comparação a igual período de 2006. O nível de UCI atingiu 82,7% em maio, ante
82% em abril, após ajuste sazonal. Considerando os dados observados, o nível de
utilização atingiu 83,2% no mês, 1,8 p.p. acima do patamar de maio de 2006.
49. A produção de autoveículos atingiu
246,4 mil unidades em junho, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores (Anfavea). O total produzido aumentou2,4% em relação
ao mês anterior, conforme dados dessazonalizados pelo Banco Central, e 9,6% em
relação ao mesmo mês de 2006. Considerando a série com ajuste sazonal, as
vendas internas cresceram 1,7%, e as externas recuaram 7,1%, respectivamente.
Comparativamente ao primeiro semestre de 2006, a produção de autoveículos
cresceu 6,3% em 2007, e as vendas internas, 19,1%, enquanto as exportações
diminuíram 10,9%. Ainda segundo a Anfavea, a produção de máquinas agrícolas
aumentou 20,6%, e a de caminhões 21,3%, no mesmo período em comparação, reflexo
do aumento dos investimentos e da recuperação do setor agrícola na atual safra.
50. De acordo com o Levantamento
Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) realizado em junho pelo IBGE, a safra
de grãos deverá crescer 14% em 2007, em relação ao ano anterior. A produção
nacional de grãos deverá atingir 133,4 milhões de toneladas, em decorrência das
boas condições climáticas e do incentivo à produção associado à elevação dos
preços internacionais dos produtos agrícolas. Destacaram-se os aumentos
previstos nas produções de trigo, 60,6%; caroço de algodão, 31,2%; milho,
21,4%; e soja, 11,3%; e as quedas nas produções de café, 15,1%; e arroz, 4,5%.
Ressaltem-se, ainda, as perspectivas favoráveis à cultura de cana-de-açúcar, em
linha com o interesse crescente pela produção do álcool combustível. Em 2007, a
área plantada de cana aumentou 9,1%, e sua produção deverá aumentar 12,7% em
relação ao ano anterior.
51.
A pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) registrou
estabilidade no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em julho,
comparativamente ao mês anterior. Os dois componentes do ICC registraram
comportamento distinto na comparação mensal, com o Índice das Condições
Econômicas Atuais (Icea) aumentando 1% e o Índice de Expectativas do Consumidor
(IEC) diminuindo 0,8%. Em julho, pelo sétimo mês consecutivo, o Icea manteve-se
acima do IEC. Em relação aos índices de julho de 2006, o ICC e o IEC recuaram
3,1% e 10,9%, respectivamente, enquanto o Icea aumentou 9,5%.
52. De acordo com a Sondagem de
Expectativas do Consumidor da FGV, que abrange cerca de dois mil domicílios em
sete das principais capitais do País, o ICC subiu 0,6% em junho, em relação ao
mês anterior, resultado de melhoras de 1,5% na avaliação sobre a situação
presente e de 0,1% nas expectativas em relação aos próximos seis meses. O ICC
cresceu 8% em relação a junho de 2006, com elevação de 9,9% no índice de
expectativas.
53. Ainda segundo a FGV, o Índice de
Confiança da Indústria (ICI), composto por seis quesitos contidos na Sondagem
da Indústria de Transformação, diminuiu 0,6% em junho, segunda queda mensal
após o patamar recorde observado em abril. O ICI cresceu 13,2% em relação a
junho de 2006, e acumulou expansão de 10,5% no primeiro semestre de 2007,
relativamente a igual período de 2006, com destaque para os aumentos das
avaliações positivas sobre o nível esperado de demanda e das previsões de novas
contratações de pessoal pela indústria. O nível de utilização da capacidade
instalada situou-se em 84,7% em junho, ante 82,3% no mesmo mês de 2006.
54. Segundo dados do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram abertos 182 mil postos de
trabalho formais em junho. No ano, até junho, foram gerados 1.095,5 mil
empregos, recorde da série histórica para o período, 18,6% a mais que no mesmo
período de 2006. Essas contratações elevaram o nível de emprego em 4,9% no
período, relativamente ao do 1º semestre de 2006. Em doze meses, a expansão
atingiu 4,8%, com destaque para os acréscimos de 7,4% do emprego na construção
civil e de 5,8% no comércio. Após a dessazonalização da série, o índice de
emprego, em junho, apresentou elevação de 0,4% sobre o de maio, e registrou
acréscimos em todos os setores.
55. Conforme a PME, realizada pelo IBGE
nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de desemprego aberto
permaneceu em 10,1% em maio de 2007, e repetiu o patamar verificado em março e
em abril. A estabilidade da taxa de desemprego refletiu as oscilações de 0,1%
no número de trabalhadores ocupados e na PEA, registradas em maio. Por posição
na ocupação, destacaram-se o recuo de 3,7% no número de empregadores e a
expansão de 1,6% no número relativo aos trabalhadores por conta própria. No
ano, até maio, observou-se aumento de 2,9% no número médio de trabalhadores
ocupados, em relação a igual período de 2006, o que refletiu, sobretudo, a
expansão dos investimentos e a recuperação da atividade no setor agrícola.
56. O pessoal ocupado no setor privado
aumentou 2,7%, com expansão de 4,1% no número de empregados com carteira e
recuo de 1,4% no número de empregados sem carteira de trabalho, o que ratifica
a tendência de melhora qualitativa no mercado de trabalho.
57. De acordo com a mesma pesquisa, o
rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas alcançou R$1.120,30 em
maio, com elevações de 0,3% em relação a abril e de 3,9% ante maio de 2006. A
massa salarial real, produto entre o rendimento médio habitual e o número de
trabalhadores ocupados, cresceu 0,4% no mês e 6,8% em relação a maio de 2006,
aumento acumulado de 7,8% no ano.
58. Segundo estatísticas da CNI,
dessazonalizadas pelo Banco Central, o contingente de pessoal empregado na
indústria aumentou 0,4% em maio, em relação ao mês anterior. Em 2007, até maio,
observaram-se acréscimos de 3,4% no pessoal empregado e de 5,5% na massa
salarial real paga pelo setor industrial.
59. O saldo do crédito referencial para
taxas de juros, que compreende as principais operações de crédito com recursos
livres, registrou aumento de 1,4% em junho, e acumulou crescimento de 20,3% em
doze meses. O saldo das operações com pessoas físicas cresceu 1% no mês e
acumulou expansão de 22,8% em doze meses. Em relação às carteiras de pessoas
jurídicas, as operações com recursos domésticos evoluíram 2,8% em junho e 19,6%
em doze meses, enquanto o saldo daquelas referenciadas em moeda estrangeira
diminuiu 1,3% no mês, mas cresceu 27,7% em doze meses.
60. A taxa média ativa de juros incidente
sobre as operações de crédito referencial atingiu 37% a.a. em junho, a menor da
série histórica, 6,2 p.p. inferior ao patamar de junho de 2006. Nas operações
com pessoas físicas, a taxa média de juros atingiu 48,4% a.a., ante 55,8% a.a.
no mesmo mês de 2006. Nos empréstimos contratados com as pessoas jurídicas, a
taxa média de juros registrou redução de 5,1 p.p. em doze meses, ao atingir
23,7% a.a.
61. O prazo médio das operações de
crédito referencial realizadas com pessoas físicas, excluindo-se o cheque
especial, atingiu 431 dias em junho, ante 356 no mesmo mês de 2006. Considerada
a carteira de crédito pessoal, o prazo médio situou-se em 433 dias, com
alongamento de 95 dias na comparação interanual, reflexo do crescente aumento
do peso do crédito consignado nessa carteira.
62. A taxa de inadimplência das operações
de crédito referencial com atraso superior a noventa dias alcançou 4,7% em
junho, 0,1 p.p. abaixo da observada no mês anterior, permanecendo estável em
relação a junho de 2006. Por grupos, a taxa relativa ao segmento de pessoas
jurídicas situou-se em 2,6%, mantendo-se estável no mês e subindo 0,3 p.p. em
doze meses. Nas operações com pessoas físicas, a taxa de inadimplência
situou-se em 7,1%, com recuo de 0,1 p.p. em termos mensais e de 0,2 p.p.
comparativamente ao mesmo mês de 2006.
63. A taxa líquida de inadimplência no
comércio, calculada pela ACSP, atingiu 5,1% em junho, ante 5% no mesmo mês do
ano anterior e 5,3% na média de 2006.
64. A taxa de expansão da atividade
econômica global prossegue acima de sua tendência de longo prazo, o que
contraria as estimativas de arrefecimento do início do ano. O crescimento
anualizado do PIB de 3,1% para a Área do Euro, de 3,3% para o Japão e de 11,1%
para a economia chinesa no primeiro trimestre, em relação ao do mesmo período
de 2006, juntamente com a solidez da expansão em outras importantes economias,
vem compensando com folga a desaceleração da economia norte-americana.
65. As condições financeiras globais
permanecem favoráveis em função da ampla liquidez, espelhada no desempenho
positivo das bolsas de valores, nas cotações dos títulos da dívida soberana dos
países emergentes e nos sólidos lucros corporativos. Esse panorama é reforçado
pela ampla recuperação da produção industrial mundial, pelo crescimento robusto
do emprego, pelo término da correção dos estoques nos Estados Unidos e pelas
expectativas otimistas de expansão global.
66. Todavia, alguns riscos ameaçam esse
cenário favorável. Dentre os principais, inclui-se a retomada de alta do preço
do petróleo, que beira o máximo de agosto de 2006; a probabilidade de adoção de
fortes medidas restritivas para combater pressões inflacionárias e conter o
superaquecimento, sobretudo na China; a continuidade da correção do mercado
imobiliário norte-americano; e a contaminação dos mercados, notadamente de
países emergentes, em conseqüência de turbulências no mercado financeiro
asiático, no mercado imobiliário subprime norte-americano e nos hedge funds.
Comércio exterior e reservas internacionais
67. No primeiro semestre de 2007, o
comércio exterior brasileiro manteve-se em expansão. O superávit comercial
atingiu US$20,6 bilhões e acumulou US$47,6 bilhões em doze meses, enquanto a
corrente de comércio totalizou US$125,8 bilhões e US$252,3 bilhões,
respectivamente, nos mesmos períodos.
68. Em junho, as exportações alcançaram
US$13,1 bilhões, com valor médio diário recorde de US$656 milhões, 20,2%
superior ao observado no mês corresponde de 2006. A expansão das quantidades
embarcadas, associada à elevação de preços, resultou em crescimento das vendas
externas brasileiras nas três categorias de produtos. As exportações de
produtos manufaturados totalizaram US$7 bilhões, com valor médio diário recorde
de US$350,8 milhões, 19% acima do registrado em junho de 2006. As vendas de
produtos básicos totalizaram US$4 bilhões, e as de semimanufaturados, US$1,8
bilhão, com acréscimos respectivos de 26,8% e 10%, na mesma base de comparação.
Importantes produtos da pauta de exportação continuaram apresentando elevações
de preços na comparação interanual, com destaque para suco de laranja, 64,1%;
óleo de soja em bruto, 41,6%; carne de frango, 33,8%; semimanufaturados de
ferro e aço, 31,5%; couros e peles, 31,2%, e laminados planos, 22,4%.
Destaque-se a continuidade do processo de maior diversificação da pauta, com
aumento generalizado nos embarques, particularmente de itens manufaturados com
pequena participação, e a ampliação de mercados de destino para as vendas
brasileiras.
69. As importações totalizaram US$9,3
bilhões em junho, com valor médio diário recorde de US$465,2 milhões, 32,6%
acima do verificado no mesmo mês de 2006. Todas as categorias de produtos
apresentaram expansão: matérias-primas, 38,7%; bens de capital, 32,1%; bens de
consumo, 31,8%; e combustíveis e lubrificantes, 17%, na mesma base de
comparação. Dentre as compras externas de matérias-primas e intermediários,
destacaram-se as aquisições de produtos alimentícios primários, acessórios para
equipamentos de transporte, químicos e farmacêuticos, agropecuários não
alimentícios e produtos minerais. Entre os bens de consumo, observou-se
crescimento nas compras de vestuário, automóveis de passageiros, bebidas e
tabaco, produtos de toucador, móveis e farmacêuticos. Nas importações de bens
de capital, sobressaíram maquinaria industrial, máquinas e aparelhos para
escritório e serviço científico, e partes e peças para bens de capital.
70. Em junho, as reservas internacionais
totalizaram US$147,1 bilhões, valor que representa aumento de US$10,7 bilhões
no mês, de US$61,3 bilhões no ano e de US$84,4 bilhões em relação ao saldo de
junho de 2006.
Mercado
monetário e operações de mercado aberto
71. No período compreendido entre as
reuniões do Copom de junho e de julho, as taxas de juros futuros de curto prazo
apresentaram redução, influenciadas, principalmente, pelo cenário econômico
interno favorável e pela perspectiva de continuidade do ciclo de afrouxamento
da política monetária. A decisão do Copom de reduzir a meta para a taxa Selic
em 50 p.b. na reunião de junho, a continuidade do movimento de valorização do
real frente ao dólar e a divulgação, no início de julho, de índices de inflação
corrente dentro do intervalo das projeções contribuíram para o recuo das taxas
de prazo de até um ano. As incertezas relacionadas ao desempenho da economia
norte-americana, as perdas financeiras ocorridas no setor de hipotecas de alto
risco dos EUA e a expectativa de aperto monetário nas principais economias
incentivaram um movimento de migração de aplicações para ativos considerados de
menor risco, o que provocou um aumento das taxas futuras domésticas para prazos
superiores a um ano. Entre 4 de junho e 16 de julho, as taxas de um, 3 e 6
meses e de 1 ano cederam, respectivamente, 0,55 p.p., 0,50 p.p., 0,39 p.p. e
0,24 p.p.. As taxas para os prazos de 2 e de 3 anos apresentaram elevação de
0,13 p.p. e de 0,34 p.p., respectivamente. A taxa real de juros medida pelo
quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação
(suavizada) para os próximos doze meses caiu de 7,31%, em 4 de junho de 2007,
para 6,95%, em 16 de julho de 2007.
72. Em 21 de junho, o Banco Central
realizou leilão de swap cambial reverso destinado à rolagem integral do
vencimento de 2 de julho. A operação totalizou o equivalente a US$1,5 bilhão.
73. Na administração da liquidez do
mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, semanalmente, no
período de 5 de junho a 16 de julho, operações compromissadas longas, tomando
recursos por prazos de 5 e de 7 meses. O saldo diário médio do estoque dessas
operações alcançou R$79,4 bilhões, dos quais R$56,4 bilhões em operações de
sete meses. No mesmo período, o Banco Central atuou em 27 oportunidades por
meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo, destinadas a retirar
recursos excedentes do sistema bancário. Além disso, atuou em uma única
oportunidade tomando recursos pelo prazo de 29 dias úteis. Realizou, ainda,
operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de 1 e 2 dias úteis. As
operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo
diário médio tomador de R$34,4 bilhões.
74. Entre 5 de junho e 16 de julho, as
emissões do Tesouro Nacional referentes aos seus leilões tradicionais somaram
R$56,3 bilhões. A colocação de títulos de remuneração prefixada alcançou R$28,3
bilhões, R$14,1 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN), de vencimento em
2008 e 2009, e R$14,2 bilhões em Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), de
vencimento em 2010, 2011, 2012, 2013 e 2017. As vendas de Letras Financeiras do
Tesouro (LFT), de vencimento em 2010, 2012 e 2013, totalizaram R$6,4 bilhões.
Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), o Tesouro vendeu
R$21,6 bilhões em títulos de vencimento em 2009, 2012, 2017, 2024, 2035 e 2045,
dos quais R$8,1 bilhões liquidados mediante a entrega de outros títulos.
75. No mesmo período, o Tesouro promoveu
leilões de venda de LTN de vencimento em abril e outubro de 2008, conjugada à
compra de LTN de vencimento em julho e outubro de 2007 e em janeiro de 2008, em
um total de R$4,9 bilhões. Realizou, também, leilões de venda de LFT de
vencimento em 2010, 2012 e 2013, no montante de R$4,7 bilhões, aceitando como
pagamento LFT de vencimento em 2007; e leilões de compra de NTN-B, no valor de
R$153 milhões.