Data: 18 e 19/07/2006
Local: Sala de reuniões do 8º andar
(18/07) e do 20º andar (19/07) do Edifício-Sede do Banco Central – Brasília –
DF
Horário de início: 16h30 (18/07) e 16h00 (19/07)
Horário de término: 18h40 (18/07) e 19h00 (19/07)
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles –
Presidente
Afonso Sant’Anna Bevilaqua
Alexandre Antonio Tombini
Antonio Gustavo Matos do Vale
João Antônio Fleury Teixeira
Mário Magalhães Carvalho Mesquita
Paulo Sérgio Cavalheiro
Paulo Vieira da Cunha
Rodrigo Telles da Rocha Azevedo
Chefes de Departamento (presentes no
dia 18)
Altamir Lopes – Departamento
Econômico
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo –
Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 19)
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira–
Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Ivan Luís Gonçalves de Oliveira Lima
– Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antonio Marciano – Departamento
de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
José Pedro Ramos Fachada Martins da
Silva – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
Demais participantes (presentes no
dia 18)
Alexandre Pinheiro de Moraes Rego –
Assessor Especial do Presidente
Alexandre Pundek Rocha – Consultor
da Diretoria
André Minella – Chefe-Adjunto do Departamento
de Estudos e Pesquisas
Jocimar Nastari – Assessor de
Imprensa
Katherine Hennings – Consultora da
Diretoria
Os
membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a
economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de
política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para
a inflação.
Evolução recente da economia
1.
A
inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
apresentou redução maior que a esperada no último bimestre. A inflação caiu
para 0,10% em maio, ante 0,21% e 0,43% observados, respectivamente, em abril e
março. Em junho, a exemplo do que ocorreu em 2005, o IPCA mostrou deflação
(0,21%). Com esses resultados, a inflação acumulada no primeiro semestre de
2006 chegou a 1,54%, ou seja, pouco menos da metade dos 3,16% observados em
igual período de 2005. Por sua vez, o valor acumulado em doze meses se reduziu
de 5,70% em janeiro, para 4,03% em junho, o menor nível desde julho de 1999. O
recuo da inflação em maio–junho se deveu principalmente à queda dos preços
livres, auxiliada pela desaceleração significativa da elevação dos preços
monitorados e administrados por contrato. As quedas de preços mais intensas têm
sido verificadas nos segmentos de artigos para residência, transportes e
alimentação e bebidas, com destaque para recuos continuados dos preços de
alimentos in natura e álcool combustível. De maneira geral, continua se
consolidando um cenário benigno para a inflação, que deve continuar evoluindo
segundo a trajetória das metas, com potenciais repercussões sobre o
comportamento dos preços nos anos à frente.
2.
A
redução da inflação plena em maio–junho refletiu-se também nas medidas de núcleo calculadas pelo Banco Central.
O núcleo por exclusão de administrados e de alimentos no domicílio continuou se
reduzindo, de 0,22% em abril para -0,03% em maio e -0,16% em junho.
Similarmente, o núcleo por médias aparadas sem suavização de itens
preestabelecidos caiu de 0,30% em março para 0,24% em maio e 0,07% em junho, o
menor nível desde novembro de 2000. Por sua vez, o núcleo por médias aparadas
com suavização de itens preestabelecidos tem refletido o componente inercial
implícito em sua construção, registrando valores de 0,47% e 0,30% em maio e
junho, respectivamente, este último o menor valor desde julho de 1999. Dessa
forma, as três medidas de núcleo continuam apresentando trajetória decrescente,
em consonância com o observado ao longo dos últimos meses com a inflação plena.
Além disso, a exemplo do índice pleno, tanto o núcleo por exclusão (4,09%)
quanto o núcleo sem suavização (4,16%) mostram valores acumulados em doze meses
inferiores ao valor central para a meta de inflação. O núcleo com suavização,
por sua vez, mostra uma convergência mais lenta, alcançando o valor de 5,71%
nos doze meses terminados em junho.
3.
Em
contraste com os preços ao consumidor, o Índice Geral de Preços –
Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou aceleração a partir de abril,
saindo de 0,02%, para 0,38% em maio e 0,67% em junho, acumulando variação
positiva de 1,28% nos primeiros seis meses de 2006, ante os 1,53% verificados
no mesmo período do ano passado. Em doze meses até junho, o IGP-DI subiu 0,98%,
mostrando recuperação frente à deflação observada nos períodos de doze meses
findos em março, abril e maio. A recuperação do IGP-DI resultou basicamente da
aceleração dos preços no atacado. O Índice de Preços por Atacado –
Disponibilidade Interna (IPA-DI), que registrou deflações no período de
fevereiro a abril, variou 0,46% em maio e 1,06% em junho. Por sua vez, a mudança no comportamento do
IPA-DI refletiu uma aceleração brusca, mas não totalmente inesperada, nos
preços agrícolas e uma elevação dos preços industriais. Depois de recuar por
quatro meses, acumulando deflação de 5,04% no período fevereiro-maio, o IPA
agrícola variou 1,66% em junho. Ainda assim, esses preços registraram deflação
de 7,87% nos doze meses até junho, décimo quarto mês seguido de recuo segundo
esse critério de comparação. Por seu turno, após se manter estável no período
fevereiro-abril, o IPA industrial variou 1,56% no bimestre maio–junho, mas no
período de doze meses encerrado em junho o incremento alcançou apenas 2,75%.
Tanto no curto quanto no médio prazo, a despeito da evolução recente dos preços
internacionais de algumas importantes commodities,
os preços no atacado poderão continuar contribuindo favoravelmente para uma
acomodação dos preços ao consumidor. Conforme
destacado nas Notas de reuniões recentes do Copom, a intensidade de tais
efeitos, bem como sua própria continuidade, dependerá das condições
prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação
à trajetória futura da inflação.
4.
A
produção industrial, segundo dados dessazonalizados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), ficou estável em abril, na comparação mês a
mês, mas cresceu 1,6% em maio. Com esse resultado, o índice de produção da
indústria registrou novo recorde, situando-se 1,2% acima do último pico, em
dezembro de 2005. Pelo critério das médias móveis trimestrais, a produção
industrial apresentou crescimento de 0,9% e 0,6% em abril e maio,
respectivamente. A produção da indústria em maio se expandiu 4,8% em relação ao
mesmo mês do ano anterior, depois de mostrar queda de 1,7%, por este critério,
em abril. Dessa forma, o crescimento ao longo dos primeiros cinco meses do ano,
em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançou 3,3%, dado que
confirma a recuperação iniciada no último trimestre de 2005. Esse desempenho
ratifica avaliação contida em Notas de reuniões anteriores do Copom, de que em
2006 a produção industrial cresceria a taxas mais elevadas do que aquelas
observadas em 2005. A retomada também pode ser verificada ao se analisar o
crescimento da produção industrial em doze meses, pois, de acordo com esse
critério, a expansão manteve um ritmo de 2,6% em abril e maio, próximo àquele
observado em março. A recuperação da produção industrial observada nos últimos
meses era esperada, tendo em vista que os efeitos da flexibilização da política
monetária, iniciada em setembro de 2005, começam a se fazer sentir com maior
intensidade. Além disso, há sinais mais nítidos de que o processo de ajuste de
estoques iniciado no segundo semestre do ano passado parece ter se esgotado. Para junho, os indicadores antecedentes e coincidentes da
produção industrial sinalizam redução em relação a maio, na série ajustada para
efeitos sazonais, mas crescimento da série mais estável de médias móveis
trimestrais.
5.
Quando
se analisam os dados de maio referentes às categorias de uso, destaca-se o
desempenho da produção de bens de consumo duráveis e de bens de capital, que,
na comparação com o mesmo mês do ano anterior, cresceram 8,1% e 5,9%,
respectivamente. Na comparação mês a mês com ajuste sazonal, cabe destacar a categoria
de bens intermediários, cuja produção vinha crescendo mais lentamente que as
demais, com crescimento de 1,9% em maio. A maior sintonia entre as diferentes
categorias de uso sugere um crescimento robusto da atividade industrial. Além
disso, quando se analisa a evolução ao longo dos últimos doze meses,
verifica-se a sustentação de taxas de crescimento da produção de bens de
capital em níveis superiores aos observados em 2005, em linha com as
informações constantes da última Sondagem Conjuntural da Fundação Getulio
Vargas (FGV), segundo a qual mais da metade dos entrevistados pretende investir
mais em 2006 do que no ano anterior. De fato, até maio, a produção de bens de
capital cresceu 6,6%, em relação ao mesmo período do ano passado. Por sua vez,
a produção de bens de consumo duráveis cresceu ainda mais, 10,2%, refletindo,
entre outros fatores, a recuperação da renda real e a expansão do volume de
crédito na economia.
6.
A taxa
de desemprego passou de 10,4% em abril para 10,2% em maio, mesmo patamar de
maio do ano passado. Note-se, contudo, que a taxa média de desemprego nos
primeiros cinco meses do ano recuou 0,4 p.p. em relação ao mesmo período de
2005, a despeito do aumento de 1,3% na População Economicamente Ativa (PEA).
Além disso, a média dos cinco primeiros meses deste ano é a menor, para o
período, desde o início da nova série.
Dessa forma, as evidências sugerem a continuidade do processo de
melhoria do mercado de trabalho, na esteira da consolidação do cenário de
estabilidade macroeconômica. Essa melhora refletiu-se, ainda, no poder de
compra dos trabalhadores, que aumentou 1,3% em maio, ante o mês anterior, e
expressivos 7,7% em relação a maio de 2005, em parte refletindo a desaceleração
da inflação observada no período. Na indústria de transformação, segundo dados
da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco
Central, o nível de emprego se elevou 0,3% em abril e 0,4% em maio.
Comparativamente ao mesmo período do ano passado, a expansão alcançou 0,8% e
1,1%, respectivamente. Nos doze meses até maio, a expansão do emprego na
indústria de transformação foi de 2,0%. Dados sobre o emprego formal divulgados
pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam a continuidade do processo
de expansão do emprego formal celetista. Em maio, o nível do emprego formal
cresceu 0,3% em relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal, enquanto
em abril o incremento foi de 0,4%. Entretanto, no acumulado em doze meses, a
taxa de expansão do emprego formal situou-se em 5,1% em maio, não muito
distante da expansão observada em abril, com destaque para o crescimento de
7,8% da ocupação na indústria de construção civil. Com a criação de 198.837
postos de trabalho em maio, o total acumulado em 2006 aumentou para 768.343.
Nos últimos doze meses, foram criados 1,3 milhão de novos postos de trabalho.
7.
Em
maio, as vendas no comércio varejista cresceram 0,6% em relação a abril, quando
haviam aumentado 1,6% em relação a março, segundo dados dessazonalizados do
IBGE. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento alcançou
7,3% em maio e 7,5% em abril. No ano, até maio, a expansão atingiu 6,0% em
relação ao mesmo período do ano anterior, e em doze meses, 5,4%. Na comparação
com maio de 2005, houve incremento nas vendas em sete das oito atividades do
comércio varejista pesquisadas, com destaque para o segmento Móveis e
Eletrodomésticos, com expansão de 15,0%. Cabe destacar ainda a evolução, ao
longo dos últimos meses, das vendas associadas a itens mais sensíveis à renda e
ao emprego, cujo desempenho positivo complementa uma dinâmica também favorável
dos itens mais sensíveis ao crédito. Para o resto do ano, esperam-se a
continuidade e o fortalecimento desse movimento, que deverá ser impulsionado
pela expansão dos níveis de emprego e da renda, pelo crescimento do crédito e
pelo processo de flexibilização da política monetária, aliados à própria
recuperação da confiança do consumidor e aos impactos do aumento do salário
mínimo.
8.
A
Utilização da Capacidade Instalada (UCI) na indústria de transformação subiu,
em maio, pelo segundo mês consecutivo, quando alcançou 81,5%, ante 81% em
abril, de acordo com a série da CNI dessazonalizada pelo Banco Central. Nos
primeiros cinco meses do ano a taxa média foi 1,2 p.p. inferior em relação à
registrada no mesmo período do ano passado. A redução do nível de utilização da
capacidade instalada em relação ao ano anterior reflete, ao menos parcialmente,
incrementos na capacidade produtiva. De fato, dados recentes relativos à
produção e à absorção de bens de capital, bem como a produção de insumos para a
construção civil, sugerem a aceleração dos investimentos. Nos primeiros cinco
meses de 2006 a absorção de bens de capital acumulou expansão de 10,9% em
relação ao mesmo período do ano passado. Para esse resultado contribuíram
fortemente o aumento das importações de bens de capital, que registraram
crescimento de 29,4% em volume, e a produção de bens de capital, que aumentou
6,6%, na mesma base de comparação. A produção de insumos para a construção
civil registrou expansão de 5,3% no ano, até maio. Dessa forma, a despeito das
evidências de aceleração do crescimento da demanda agregada, não se antecipam
descompassos relevantes no que se refere à evolução da oferta agregada ao longo
dos próximos trimestres. Como ressaltado em Notas das reuniões do Copom, a
trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos
correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços
para o adequado atendimento à demanda.
9.
A
balança comercial continua apresentando desempenho robusto em 2006,
corroborando avaliações expressas em Notas de reuniões anteriores do Copom
acerca de mudanças estruturais importantes no relacionamento comercial do
Brasil com o resto do mundo. No primeiro semestre, o saldo da balança atingiu
US$19,5 bilhões, cifra próxima àquela observada no mesmo período do ano
passado. O superávit acumulado nos doze meses até junho, US$44,6 bilhões,
apresentou ligeira elevação em relação ao mês anterior, mas encontrou-se abaixo
do máximo histórico de US$45,8 bilhões observado em março. Esse processo já era
esperado e sugere o início de uma nova dinâmica – de ajustamento – para os
fluxos comerciais. Mesmo assim, deve-se ressaltar a continuidade da expansão
das exportações, que atingiram US$125,5 bilhões nos doze meses findos em junho,
um novo recorde para a série histórica. Por sua vez, as importações também
continuam mostrando vigor e também registraram novo recorde em junho, sob o
mesmo critério, quando atingiram US$80,9 bilhões. Dessa forma, espera-se para
2006 a continuidade da geração de vultosos saldos comerciais. Já o saldo em
transações correntes registrou superávit de US$614 milhões em junho, acumulando
US$12,0 bilhões em doze meses, o equivalente a 1,41% do Produto Interno Bruto
(PIB).
10.
Persiste um maior grau de incerteza em relação à duração e à
intensidade do ciclo de ajuste monetário nos EUA. Sob essas circunstâncias,
ainda que tenha ocorrido certa acomodação nas últimas semanas, os mercados
ainda estão suscetíveis a abruptas mudanças na composição das carteiras de
investimentos. Mais recentemente, esse movimento foi potencializado pelo
aumento das tensões geopolíticas. Essa instabilidade de curto prazo se refletiu
no preço, em relação ao dólar norte-americano, de diversas moedas nacionais e
nos prêmios de risco dos países emergentes. Em particular, entre a primeira e a
quarta semanas de maio, a taxa de câmbio passou de R$2,07 para R$2,37 por dólar
norte-americano, e o risco-Brasil medido pelo Embi+ do JP Morgan aumentou de
214 p.b. para 284 p.b. Desde então, a taxa de câmbio recuou para valores
próximos a R$2,20 por dólar norte-americano, enquanto o risco-país se aproximou
de 240 p.b. Na avaliação do Copom a instabilidade observada desde o início de
maio não configura um quadro de crise, tanto devido ao caráter potencialmente
transitório de suas causas principais, quanto graças aos sólidos fundamentos da
economia brasileira. A
redução consistente da inflação, os vultosos e persistentes superávits
comerciais, a geração de superávits primários adequados, a recomposição das
reservas internacionais, a melhora do perfil da dívida pública interna e a
recompra de títulos soberanos no mercado internacional têm tornado o País cada
vez mais resistente a choques. Esse aumento da resistência a choques refletiu-se,
sobretudo, na constatação de que a economia doméstica tem mantido sua
trajetória de crescimento em meio ao longo processo de ajuste das taxas de
juros nos EUA. Dessa forma, o Copom continua atribuindo baixa probabilidade a
um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros
internacionais, ou seja, suficiente para comprometer as condições de
financiamento do País.
11.
Outra
fonte de preocupação no que diz respeito ao ambiente internacional são os
preços do petróleo. Estes avançaram desde a última reunião do Copom, partindo
de patamares já elevados, e continuam
excessivamente voláteis. A evolução recente reforça temores de que os
preços internacionais do petróleo sustentem-se por mais tempo em um nível acima
do que vinha sendo antecipado. Como em meses anteriores, as previsões sobre a
trajetória futura dos preços do petróleo continuam marcadas por grande
incerteza, mas parecem menores as chances de um retrocesso significativo das
cotações. Assim, conforme destacado nas Notas das últimas reuniões, o cenário
central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina
inalterados em 2006, vem se tornando progressivamente menos plausível, e,
portanto, aumentaram significativamente os riscos à sua concretização. Além
disso, independentemente do que ocorra com os preços domésticos da gasolina,
deve-se reconhecer que a elevação dos preços internacionais do petróleo se
transmite de qualquer forma à economia doméstica, em parte, através de cadeias
produtivas como a petroquímica, e também pela deterioração que termina
produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos.
Avaliação
prospectiva das tendências da inflação
12.
Os
choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas
informações disponíveis. O cenário considerado nas simulações contempla as
seguintes hipóteses:
a)
Comparadas com
os valores considerados na reunião do Copom de maio, as projeções de reajustes
nos preços da gasolina foram mantidas em 0% para o acumulado de 2006; as
projeções de reajustes para o gás de bujão, por sua vez, aumentaram de 0% para
0,1%;
b)
Foram
modificadas, na comparação com a reunião do Copom de maio, as projeções de
preços da telefonia fixa e da eletricidade para o acumulado de 2006: o reajuste
esperado para eletricidade foi alterado de 3,7% para 2,7% e o da telefonia fixa
passou de 2,6% para -0,9%;
c)
O Copom alterou
a projeção de reajuste de 4,6% para 4,4% para o conjunto de preços
administrados para o acumulado de 2006. Esse conjunto de preços, de acordo com
os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 33,63% do total do IPCA de junho;
d)
De acordo com o
modelo de determinação endógena de preços administrados, a projeção de reajuste
para o conjunto desses preços em 2007 mantém-se em 6,2%. A projeção leva em
conta os efeitos da inflação de preços livres, da inflação medida pelo Índice
Geral de Preços (IGP) e da variação cambial, além de componentes sazonais;
e)
O modelo VAR,
baseado nos níveis da taxa Selic e do swap de 180 dias, estima um spread,
no cenário de referência, de -52 p.b. no terceiro trimestre de 2006. A
trajetória do swap indica, ainda, que os spreads atingem -2 p.b.
no último trimestre de 2006 e 57 p.b. no último de 2007.
13.
Em
relação à política fiscal, as projeções consideram o cumprimento da meta de
superávit primário de 4,25% do PIB em 2006 e em 2007. As demais hipóteses
consideradas na reunião anterior são mantidas.
14.
Desde
a reunião de maio do Copom, houve nova redução na mediana das expectativas
coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin)
para a variação do IPCA em 2006, que passou de 4,32% para 3,77%. A redução
deve-se principalmente à incorporação dos valores ocorridos em maio e junho de
2006, significativamente menores do que os previstos quando da reunião de maio.
As expectativas para doze meses à frente aumentaram de 4,17% para 4,33%. Para
2007, as expectativas de inflação permaneceram alinhadas com a meta de 4,50%
estabelecida pelo CMN. Como mencionado em Notas de reuniões anteriores do
Copom, esses desenvolvimentos sugerem a consolidação de um ambiente
macroeconômico cada vez mais favorável, em horizontes mais longos.
15.
Considerando-se
as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa
de câmbio em R$2,20 e da taxa Selic em 15,25% em todo o horizonte de previsão,
a projeção para o IPCA em 2006 reduziu-se em relação ao valor considerado na
reunião do Copom de maio, permanecendo abaixo dos 4,50% estipulados pelo CMN
para este ano. No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de
câmbio e juros apuradas pela Gerin junto a analistas no período imediatamente
anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2006 também apresentou
valor central abaixo do considerado na reunião do Copom de maio e abaixo do
valor central da meta de inflação. Para 2007, a projeção de inflação segundo o
cenário de referência apresentou elevação em relação ao valor obtido em maio,
permanecendo ainda abaixo de 4,5%. Para o cenário de mercado, a projeção
manteve-se relativamente estável, acima do valor central da meta estabelecida
pelo CMN.
Implementação da política
monetária
16.
O Copom reafirma o diagnóstico, expresso nas Notas
das últimas reuniões, de que, além de conter as pressões inflacionárias de
curto prazo, a política monetária tem contribuído de maneira importante para a
consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais
longos. Os dados referentes à atividade econômica sugerem expansão em
ritmo condizente com as condições de oferta ao longo dos próximos trimestres,
com baixa probabilidade de que observemos pressões significativas sobre a
inflação. Além disso, a despeito da perspectiva de consolidação de um ambiente
de menor liquidez global, em virtude da elevação das taxas de juros nas
economias industrializadas, e do fato de os preços do petróleo terem se mantido
em níveis historicamente elevados, o cenário externo permanece favorável,
particularmente no que diz respeito às perspectivas de financiamento para a
economia brasileira. Assim, ainda que se leve em conta que uma
parcela dos resultados favoráveis para a inflação de curto prazo responde a
fatores pontuais, que tendem a apresentar alguma reversão no futuro, e que os níveis elevados dos
preços internacionais de commodities importantes representam um risco
relevante para a evolução dos preços domésticos, o cenário para a trajetória da
inflação permanece benigno. Tal como na reunião de maio, o Copom enfatiza que o
principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir a
consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se antecipam para o futuro.
17.
A convergência
ininterrupta da inflação para a trajetória de metas e a resultante consolidação
de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura contribuirão para a
manutenção do processo de redução progressiva da percepção de risco
macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O espaço para que observemos
juros reais menores no futuro continuará se consolidando de forma natural como
conseqüência dessa melhora de percepção. O Copom avalia que a atuação cautelosa
da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de
convergência da inflação para a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade
continue se traduzindo em resultados efetivos, entretanto, é preciso que os
indicadores prospectivos de inflação sigam apresentando elementos compatíveis
com o cenário benigno que tem se configurado nos últimos meses.
18.
O Copom considera relevante ressaltar,
uma vez mais, que há defasagens importantes entre a implementação da política
monetária e seus efeitos sobre o nível de atividade e sobre a inflação. Desde o
início do ciclo de flexibilização da política monetária, em setembro de 2005, a
taxa de juros básica já foi reduzida em um total de 450 p.b. Boa parte dos
efeitos desse corte de juros ainda não se refletiu no nível de atividade, assim
como os efeitos da recente retomada da atividade sobre a inflação também não
tiveram tempo de se materializar.
19.
Ao longo dos próximos meses, a expansão do nível de emprego e da renda e o
crescimento do crédito continuarão impulsionando a atividade econômica. Como
mencionado nas Notas da reunião de maio do Copom, a esses fatores devem ser acrescidos os efeitos da expansão
das transferências em função do novo valor do salário mínimo e dos impulsos
fiscais já ocorridos desde o último trimestre do ano passado e esperados para o
restante deste ano. Dessa forma, os efeitos sobre a
demanda agregada dos cortes de juros se somarão a outros fatores que também
contribuirão de maneira importante para a sua expansão.
20.
Tendo em vista os estímulos já
existentes para a expansão da demanda agregada, as incertezas que cercam os
mecanismos de transmissão da política monetária e a menor distância entre a
taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em
equilíbrio no médio prazo, o Copom entende que a preservação das importantes
conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico,
com geração de empregos e
aumento da renda real, poderá demandar que a flexibilização adicional
da política monetária seja conduzida com maior parcimônia. Essa ponderação se torna ainda mais
relevante quando se leva em conta que as próximas
decisões de política monetária terão impactos progressivamente mais
concentrados em 2007.
21.
À luz dessas considerações, o Copom
decidiu, por unanimidade, dar continuidade ao processo de flexibilização da
política monetária iniciado na reunião de setembro de 2005 e reduzir a meta
para a taxa Selic para 14,75% ao ano, sem viés, e acompanhar a evolução do
cenário macroeconômico até a sua próxima reunião para, então, definir os
próximos passos na sua estratégia de política monetária.
22.
No
regime de metas para a inflação, a autoridade monetária orienta suas decisões
de acordo com os valores futuros projetados para a inflação, analisando
diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que
determinam a dinâmica dos preços. Mesmo levando-se em conta que a maior
volatilidade observada nos mercados financeiros internacionais em meses
recentes poderá ter um caráter transitório, é forçoso reconhecer que ela gerou
uma elevação na incerteza em relação ao comportamento futuro da inflação, que
poderá acabar dificultando tanto a avaliação de cenários pela autoridade
monetária quanto a coordenação de expectativas dos agentes privados. Nesse
ambiente, cabe à política monetária manter-se especialmente vigilante para
evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague
para horizontes mais longos. Evidentemente, na eventualidade de se verificar
uma exacerbação de riscos que implique alteração do cenário prospectivo traçado
para a inflação neste momento pelo Comitê, a estratégia de política monetária
será prontamente adequada às circunstâncias.
23.
Ao
final da reunião, foi registrado que o Comitê voltaria a se reunir em 29 de
agosto de 2006, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para
deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado
13.821, de 31/10/2005.
SUMÁRIO
DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
24.
O IPCA
diminuiu 0,21% em junho, a menor variação mensal desde setembro de 1998 e a
terceira menor da série histórica. Três dos nove grupos pesquisados
apresentaram variação negativa no mês: transportes, 0,93%; artigos de
residência, 0,63%; e alimentação, 0,61%. As maiores contribuições individuais
para a composição da taxa do IPCA em junho decorreram das quedas nos preços do
álcool combustível e dos alimentos in natura, com impactos respectivos
de -0,11 p.p. e -0,08 p.p. Com esse resultado, o IPCA acumulou aumentos de
1,54% no primeiro semestre de 2006 e de 4,03% nos últimos doze meses.
25.
Os
preços monitorados cresceram 0,06% em junho e 8,48% nos últimos doze meses,
enquanto os preços livres registraram queda de 0,35% e alta de 2,08%, em igual
ordem. Entre os preços livres, os preços dos produtos comercializáveis e dos
não comercializáveis recuaram 0,42% e 0,26%, em junho, respectivamente. Consideradas
as variações acumuladas em doze meses, os preços dos produtos comercializáveis
e dos não comercializáveis cresceram 0,2% e 4,35%, respectivamente.
26.
O
IGP-DI subiu 0,67% em junho, acumulando elevações de 1,28% no primeiro semestre
de 2006 e de 0,98% nos últimos doze meses. Considerados os componentes do
IGP-DI, o IPA, componente de maior peso, registrou aceleração em junho, com
alta de 1,06% ante 0,46% em maio, acumulando variações de 1,22% no ano e de
0,09% em doze meses. O Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) recuou
0,4% no mês, ante -0,19% em maio, evidenciando a queda mais acentuada dos
preços do grupo alimentação, que passou de -0,94%, em maio, para -1,68%, em
junho. Também contribuíram de modo destacado para a desaceleração do IPC-Br as
menores altas registradas nos preços dos itens vestuário, saúde e cuidados
pessoais e habitação. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também
registrou desaceleração, crescendo 0,9%, ante 1,32% em maio, refletindo a
redução do impacto dos reajustes salariais.
27.
Em
junho, a maior elevação nos preços no atacado decorreu da reversão do
comportamento dos preços agrícolas e da aceleração dos preços industriais. A
taxa mensal do IPA agrícola atingiu 1,66%, ante -0,25% em maio, impulsionada
pelas elevações nos preços da cana-de-açúcar, soja, milho e arroz. A variação
média dos preços industriais cresceu de 0,67% para 0,88%, devido às maiores
pressões exercidas pelos preços dos metais não ferrosos, ferro, aço e derivados
e da extrativa mineral. Considerando o IPA segundo os três estágios de
processamento, também se confirmou a aceleração dos preços no atacado em junho.
A variação dos preços dos bens finais aumentou de -1,1% para -0,06% e as
relativas aos preços dos bens intermediários e das matérias-primas brutas
elevaram-se de 1,25% para 1,29% e de 1,05% para 2,15%, respectivamente.
28.
As
medidas de núcleo do IPCA registraram redução em junho. Pelo método das médias
aparadas com suavização de itens preestabelecidos, o núcleo de inflação atingiu
0,30%, ante 0,47% em maio, alcançando 5,71% em doze meses. O núcleo sem o
procedimento de suavização passou de 0,24% em maio para 0,07% em junho,
acumulando 4,16% em doze meses. O núcleo calculado pela exclusão dos grupos de
alimentação no domicílio e monitorados situou-se em -0,16%, após recuo de 0,03%
em maio, acumulando 4,09% em doze meses.
29.
O
núcleo de inflação para o IPC-Br, calculado pela FGV pelo método das médias
aparadas simétricas, atingiu 0,04% em junho, ante 0,22% em maio, acumulando
1,57% no ano e 3,31% nos últimos doze meses.
30.
O
índice de difusão do IPCA, indicador da proporção de itens com variações
positivas no resultado do mês, situou-se em 49,2% em junho, ante 57,6% em maio.
31.
A
evolução recente dos preços ao consumidor sinaliza perspectivas favoráveis à
variação do IPCA em julho, embora se espere reversão na tendência baixista dos
preços dos alimentos, particularmente aqueles in natura, assim como do
álcool combustível.
32.
De
acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE,
o volume de vendas do comércio varejista registrou elevação de 0,6% em maio, em
relação a abril. Incorporado o resultado de maio, as vendas no varejo
aumentaram 6% nos primeiros cinco meses do ano, em relação ao período
correspondente de 2005, com destaque para os acréscimos registrados nos
segmentos móveis e eletrodomésticos, 10,3%; e hipermercados, supermercados,
produtos alimentícios e bebidas, 7,4%.
33.
Os
indicadores do comércio varejista na capital paulista, divulgados pela
Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e ajustados sazonalmente pelo Banco
Central, registraram, em junho, recuos mensais de 0,22% no número de consultas
ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e de 0,49% no relativo ao Usecheque.
No primeiro semestre do ano, esses indicadores registraram taxas de expansão de
3,4% e de 6,5%, respectivamente, ante o mesmo período de 2005.
34.
A taxa
de investimento da economia brasileira, medida pela relação entre a Formação
Bruta de Capital Fixo (FBCF) e o PIB, atingiu 20,4% do PIB em valores correntes
no primeiro trimestre de 2006, segundo o IBGE, maior percentual para o período
desde 2001. Houve aumento de 0,4 p.p. ante a taxa do primeiro trimestre de
2005. Em doze meses, a taxa de investimento atingiu 20%.
35.
Em
maio, tanto a produção doméstica de bens de capital como a fabricação de
insumos para a construção civil cresceram 1,8% em relação ao mês anterior,
considerados dados dessazonalizados. As importações de bens de capital
aumentaram 0,3%, conforme o índice de quantum calculado pela Fundação
Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), também com ajuste sazonal. No
ano, até maio, esses indicadores revelaram acréscimos respectivos de 6,6%, 5,3%
e 29,4%, em relação a igual período do ano anterior. Nesse período, a produção
de bens de capital para energia aumentou 40,2%, para a construção 19,2% e, para
uso misto, 11,7%, enquanto a produção de bens de capital para a agricultura
diminuiu 16,3%. Especificamente para uso industrial, a fabricação de
equipamentos seriados recuou 2,9%, e a de não seriados cresceu 7,7%, no mesmo
período.
36.
Segundo
dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção
da indústria brasileira cresceu 1,6% em maio, em relação ao mês anterior, patamar 1,2% superior ao recorde anterior da
série histórica, registrado em dezembro de 2005. Nos primeiros cinco meses de
2006, a expansão da produção industrial atingiu 3,3%, comparativamente ao mesmo
período de 2005, com a indústria de transformação crescendo 3%, e a extrativa,
10%.
37.
Considerando
as categorias de uso, registraram-se crescimentos mensais, segundo dados
dessazonalizados, na produção de bens intermediários, 1,9%; bens de capital,
1,8%; e de bens de consumo, 0,8%, com expansão de 0,4% na produção de bens
semiduráveis e não duráveis e queda de 0,3% na de bens duráveis. No acumulado
do ano, até maio, comparativamente ao mesmo período de 2005, todas as
categorias apresentaram expansão, sobressaindo as taxas de crescimento de 10,2%
na produção de bens de consumo duráveis e de 6,6% na de bens de capital.
38.
A
análise desagregada da produção industrial revelou que a produção de treze das
23 atividades aumentou em maio, com ênfase no desempenho dos segmentos veículos
automotores, alimentos e máquinas e equipamentos. As quedas mais intensas
localizaram-se nos segmentos produtivos de material eletrônico e equipamentos
de comunicação e outros produtos químicos.
39.
Estatísticas
da CNI também registraram continuidade no crescimento da atividade da indústria
de transformação em maio, embora em ritmo mais gradual. As horas trabalhadas na
produção evoluíram 0,1%, e as vendas industriais reais diminuíram 0,5%, em
relação ao mês anterior, consideradas as séries dessazonalizadas pelo Banco
Central. Nos primeiros cinco meses do ano, esses dois indicadores da atividade
industrial registraram acréscimos de 1,4% e 1,6%, respectivamente, ante igual
período de 2005. O nível de utilização da capacidade instalada alcançou 81,5%
em maio, com alta de 0,4 p.p em relação ao mês anterior, dados
dessazonalizados. Considerando a série sem ajuste sazonal, o nível de
utilização atingiu 82,3% em maio, mesmo patamar observado em maio de 2005.
40.
A
produção de autoveículos recuou 4% em junho, relativamente ao mês anterior,
conforme dados dessazonalizados pelo Banco Central, acumulando crescimento de
4,4% no primeiro semestre do ano, comparativamente ao mesmo período de 2005. No
mês, as vendas internas e as externas registraram quedas de 2,2% e 8,5%,
respectivamente. No primeiro semestre, as vendas internas subiram 8,6%,
enquanto as vendas externas recuaram 3,7%, em relação a igual período do ano
anterior.
41.
Outros
indicadores referentes ao desempenho industrial em junho sinalizaram
arrefecimento da atividade no mês, a exemplo das variações mensais negativas
relativas ao movimento de veículos pesados nas estradas com pedágio (índice
ABCR) e à expedição de papel ondulado, dados dessazonalizados.
42.
A
pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio–SP)
registrou redução de 0,1% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em julho,
em comparação ao mês anterior. Os dois componentes do ICC apresentaram
resultados distintos no mês: o Índice de Condições Econômicas Atuais (Icea)
aumentou 2,9%, enquanto as expectativas, captadas pelo Índice de Expectativas
do Consumidor (IEC), recuaram 1,8%. De acordo com a pesquisa da Federação do
Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio–RJ), em junho o Índice de
Expectativa do Consumidor (IEC) subiu 1,2% em relação ao mês anterior e 4,1%
ante o mesmo mês de 2005.
43.
Segundo
a Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV, que abrangeu 2.000 domicílios
das sete principais capitais do país, o ICC se manteve estável em junho, em
relação ao mês anterior, registrando-se melhora de 1,1% na avaliação da
situação presente e deterioração de 0,8% nas expectativas em relação aos
próximos seis meses.
44.
Ainda
segundo a FGV, de acordo com a prévia da Sondagem Trimestral da Indústria de
Transformação, o setor industrial está avaliando mais favoravelmente a
conjuntura dos negócios no início de julho, e as previsões para os próximos
meses estão mais otimistas do que as realizadas em julho de 2005. O conjunto de
informações referentes à situação presente ratifica a percepção de
reaquecimento da atividade industrial observado desde o início do ano, com
melhora no nível de demanda e maior adequação do nível dos estoques
industriais. As previsões para os próximos meses estão mais otimistas na maior
parte dos quesitos, com destaque para a melhora das perspectivas para o emprego
industrial e para a situação geral dos negócios.
45.
Em
relação ao emprego formal, ocorreu a criação de 198.837 novos postos de
trabalho em maio, distribuídos em praticamente todos os grandes setores de
atividade, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) do MTE. Após a dessazonalização da série, o índice de emprego
apresentou elevação mensal de 0,3%, com destaque para a expansão de 0,7% nas
contratações do setor de construção civil. No ano, até maio, foram criados 768
mil novos postos de trabalho, comparativamente a 771 mil em igual período de
2005.
46.
Segundo
a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE nas seis principais
regiões metropolitanas, a taxa de desemprego aberto atingiu 10,2% em maio,
situando-se 0,2 p.p. abaixo da taxa observada em abril. O recuo da taxa de
desemprego em maio refletiu o aumento da população ocupada (0,6%) em maior
proporção que o da População Economicamente Ativa (PEA), que atingiu 0,3% no
mês. A média da taxa de desemprego nos cinco primeiros meses do ano situou-se
em 10,1%, a menor para o período desde o início da nova série, em março de
2002.
47.
Ainda
segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas
alcançou R$1.027,80 em maio, com altas de 1,3% na comparação com abril de 2006
e de 7,7% em relação a maio de 2005. A massa salarial real, definida pelo
produto entre o rendimento médio real habitual e o número de ocupados, aumentou
1,9% no mês e 8,6% em doze meses.
48.
No
setor industrial, segundo o índice da CNI, ajustado sazonalmente pelo Banco
Central, o contingente de pessoal empregado cresceu 0,4% em maio, acumulando
expansões de 0,9% no ano e de 2% em doze meses.
49.
O
saldo das operações de crédito referencial para taxas de juros com recursos
livres apresentou aumento mensal de 0,7% em junho, acumulando variação de 22,7%
em doze meses. Em relação às operações com pessoas físicas, as taxas de
crescimento atingiram 1% no mês e 29,7% em doze meses, registrando-se, nessa
base de comparação, crescimentos de 31,8% e 34,2%, respectivamente, nas
operações de crédito pessoal e de aquisição de veículos. Em relação às
carteiras de pessoas jurídicas, as operações com recursos domésticos aumentaram
2,9% no mês e 21,7% em doze meses, enquanto as lastreadas em recursos externos,
evidenciando a apreciação do real e a liquidação de operações, recuaram 5,8% no
mês e elevaram-se 5,5% em doze meses.
50.
A taxa
média ativa de juros incidente sobre as operações de crédito continuou em queda
em junho, atingindo 43,2% a.a., 4,1 p.p. inferior ao patamar verificado em
junho de 2005. Nas operações com pessoas físicas, a taxa média atingiu 55,8%
a.a., ante 61,3% a.a. no mesmo mês de 2005, enquanto nas contratadas com
pessoas jurídicas registrou-se redução de 4,6 p.p., para 28,8% a.a.
51.
A taxa
de inadimplência alcançou 4,6% em junho, considerando-se as operações de
crédito com recursos livres com atraso superior a noventa dias, registrando
2,3% nas operações com pessoas jurídicas e 7,2% no segmento de pessoas físicas.
52.
A taxa
líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, situou-se em 5% em
junho, ante 8,2% em maio, resultado que refletiu quedas de 10% no número de
novos registros e de 3,1% no número de registros cancelados, no período. No
primeiro semestre de 2006, a taxa média de inadimplência atingiu 6,4%,
repetindo o resultado observado no mesmo período de 2005.
53.
Eventos
importantes no cenário econômico global, como ações de política monetária mais
restritivas que estão ocorrendo nas economias mais avançadas, associados à
divulgação de preços ascendentes do petróleo geraram nervosismo e volatilidade
nos mercados nas últimas semanas. Passado o momento mais crítico, em que
prevaleceram oscilações mais acentuadas nos preços dos ativos, os mercados
passaram a assumir uma posição mais cautelosa, com algumas correções seletivas
nas cotações, favorecendo os mercados emergentes com fundamentos considerados
mais sólidos.
54.
A
percepção de que há sinais de acomodação da atividade econômica nos Estados
Unidos, com inflação alta, mas sem sair do controle, como foi destacado no
último comunicado do Federal Reserve (Fed), contribuiu para reduzir a
volatilidade nos mercados. Todavia, persistem incertezas quanto aos próximos
movimentos da autoridade monetária norte-americana, especialmente porque eles
serão motivados pelos futuros indicadores econômicos que, no momento, apontam
para um crescimento em menor velocidade, mas com preços em alta.
55.
No
Japão e na Área do Euro as informações mais recentes sugerem que a recuperação
dessas economias está ganhando fôlego. No Japão, os empréstimos bancários
cresceram em junho no ritmo mais rápido em mais de uma década. A divulgação do
Tankan, que trouxe resultados positivos, sinalizou maiores gastos de
investimento. Na Área do Euro, por sua vez, o Banco Central Europeu (BCE) tem
manifestado que prossegue a expansão da economia da região, afirmando que a
evolução do nível de atividade está chegando perto do PIB potencial. Em ambas
as economias, há evidências de progressiva reversão da acomodação monetária.
Comércio exterior e reservas
internacionais
56.
No
primeiro semestre de 2006, o comércio exterior brasileiro continuou em
expansão, registrando novos recordes tanto nas exportações como nas
importações. A corrente de comércio atingiu US$102,3 bilhões, ante US$87,7
bilhões no primeiro semestre de 2005. No período, o superávit comercial atingiu
US$19,5 bilhões, US$113 milhões inferior ao registrado no mesmo período de
2005. Em julho, até a segunda semana (dez dias úteis), o saldo comercial atingiu
US$2,9 bilhões, resultado de US$6,8 bilhões de exportações e US$3,9 bilhões de
importações.
57.
As
exportações alcançaram US$11,4 bilhões em junho, novo recorde mensal. O valor
médio diário atingiu US$544,5 milhões, 17,4% superior ao observado em junho de
2005. As médias diárias das exportações de produtos manufaturados,
semimanufaturados e básicos atingiram US$293,5 milhões, US$83,7 milhões e
US$157,5 milhões, respectivamente, com acréscimos de 17,5%, 27% e 12,9% na
comparação com junho de 2005. Dentre os produtos básicos, o minério de ferro
foi o principal item da pauta de exportação em junho, ao somar US$790 milhões,
com crescimento de 20,6% na comparação com o mês equivalente de 2005. Entre os
manufaturados, assinale-se o desempenho das vendas externas de aviões, US$464
milhões no mês, com expansão de 96%, na mesma base de comparação. Houve aumento
generalizado nos embarques, particularmente de itens manufaturados com pequena
participação na pauta, comportamento que tem sido acompanhado pela ampliação de
mercados de destino, o que mostra a continuidade do processo de diversificação
das exportações brasileiras.
58.
As
importações somaram US$7,4 bilhões, com valor médio diário de US$350,1
milhões, 24,8% superior ao de junho de
2005. As compras externas registraram aumentos em todas as categorias de
produtos, com destaque para combustíveis e lubrificantes, 93,8%; bens de
consumo, 36,5%; e bens de capital, 21,9%; considerando-se as médias diárias.
59.
As
importações de matérias-primas e bens intermediários, que representam cerca de
metade das compras externas brasileiras, cresceram, respectivamente, 9,3% em
junho e 13,2% no primeiro semestre, comparativamente aos mesmos períodos de
2005.
60.
Ao
final de junho, as reservas internacionais situaram-se em US$62,7 bilhões, com
redução de US$ 710 milhões em relação
ao saldo do mês anterior.
Mercado monetário e operações de
mercado aberto
61.
No
período posterior à reunião do Copom de maio, a curva de juros futuros apresentou
queda significativa em toda a sua extensão. Entre 29 de maio e 17 de julho, as
taxas de 1, de 3 e de 6 meses declinaram 0,59 p.p., 0,67 p.p. e 0,77 p.p,
respectivamente, influenciadas pela decisão e pela ata do Copom, bem como pela
divulgação de índices de inflação corrente favoráveis e de expectativas de
inflação para 2006 abaixo do centro da meta. As taxas de 1, de 2 e de 3 anos
recuaram, respectivamente, 0,80 p.p., 0,63 p.p. e 0,57 p.p. Esse trecho da
curva de juros acompanhou, em grande medida, as mudanças no cenário externo,
elevando-se até meados de junho, período em que se acentuou a volatilidade das
bolsas de valores internacionais e das moedas dos países emergentes. Daí em
diante o movimento foi oposto e de maior amplitude, especialmente após o
comunicado do Fed referente à decisão do Federal Open Market Committee (FOMC)
de 29 de junho. A taxa real de juros medida pelo quociente entre a taxa nominal
de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses
recuou de 10,72%, em 29 de maio, para 9,75%, em 17 de julho.
62.
Em 30
e 31 de maio, o Banco Central leiloou contratos de swap cambial nos
quais assumia posição ativa em taxa de juros doméstica e passiva em variação
cambial. Com essas operações, que totalizaram US$798 milhões, resgatou
antecipadamente a maior parte dos contratos de swap cambial reverso que
venciam em 3 de julho. Em 17 de julho, o resgate líquido de instrumentos
cambiais acumulado no ano alcançava US$11,5 bilhões.
63.
Na
administração da liquidez no mercado de reservas bancárias, o Banco Central
manteve as operações compromissadas semanais de prazos de três e de cinco meses
e de rentabilidade prefixada, assim como as operações de nivelamento ao final
do dia, com prazo de até dois dias úteis. Além disso, entre 30 de maio e 17 de
julho, atuou em 33 oportunidades por meio de operações compromissadas de
curtíssimo prazo, todas destinadas a retirar recursos do sistema bancário. No
período, o saldo diário médio das operações de prazo de três e de cinco meses
alcançou R$63,1 bilhões, sendo R$52,3 bilhões em operações de cinco meses. As
operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo
diário médio tomador de R$27,4 bilhões.
64.
Com o
objetivo de reduzir o excesso de liquidez bancária previsto para o trimestre
subseqüente, o Banco Central realizou, em junho, três leilões de venda de
Letras do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em outubro de 2006, de sua
carteira, conjugada a compra de LTN de vencimento em julho de 2006 e, em julho,
três leilões de venda de LTN de vencimento em janeiro de 2007, também de sua
carteira, conjugada a compra de LTN de vencimento em outubro de 2006. O volume
financeiro do primeiro grupo de operações totalizou R$3,2 bilhões, e o do
segundo, R$3,8 bilhões.
65.
Entre
30 de maio e 17 de julho, o Tesouro Nacional captou R$35,6 bilhões mediante a
venda de títulos de remuneração prefixada, sendo R$34,0 bilhões com LTN de
vencimento em 2007, 2008 e 2009 e R$1,6 bilhão com Notas do Tesouro Nacional –
Série F (NTN-F) de vencimento em 2012 e 2014. As vendas de Notas do Tesouro
Nacional – Série B (NTN-B), em 28 de junho, alcançaram R$376 milhões, com
emissão de títulos de vencimento em 2009, 2011, 2015, 2024, 2035 e 2045. Na
mesma data, o Tesouro efetuou leilão de compra de NTN-B, adquirindo o
equivalente a R$332 milhões. Em junho, o Tesouro voltou a realizar leilões de
venda de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) – desde então, colocou R$16,4
bilhões em títulos de vencimento em 2009 e 2011.