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115ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 13 e 14/12/2005
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (13/12) e do 20º andar (14/12) do Edifício-Sede do Banco Central – Brasília – DF
 
Horário de início: 16h55 (13/12) e 16h30 (14/12)
Horário de término: 19h15 (13/12) e 19h55 (14/12)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Afonso Sant’Anna Bevilaqua
Alexandre Antonio Tombini
Alexandre Schwartsman
Antonio Gustavo Matos do Vale
João Antônio Fleury Teixeira
Rodrigo Telles da Rocha Azevedo
Sérgio Darcy da Silva Alves
 
Chefes de Departamento (todos presentes no dia 13)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Felipe de Castro Ribeiro – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antonio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
José Pedro Ramos Fachada – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
Marcelo Kfoury Muinhos – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 14) 
 
Demais participantes (presentes no dia 13)
Alexandre Pinheiro de Moraes Rego – Assessor Especial do Presidente
Alexandre Pundek Rocha – Consultor da Diretoria
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da Diretoria
Jocimar Nastari – Assessor de Imprensa
Katherine Hennings - Consultora da Diretoria
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da economia
 
1. Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou variação de 0,55%, recuando em relação aos 0,75% registrados em outubro, conforme se antecipava. A exemplo do que ocorreu em outubro, entretanto, a variação do IPCA em novembro acabou superando as expectativas de mercado prevalecentes por ocasião da última reunião do Copom. A desaceleração da inflação resultou, principalmente, da desaceleração dos preços monitorados e administrados por contrato, devido ao esgotamento do impacto causado pelo reajuste dos preços dos combustíveis ocorrido em setembro, e ocorreu a despeito da forte aceleração dos preços da alimentação, potencializada pela variação dos preços dos alimentos in natura. Para dezembro antecipa-se novo recuo da inflação medida pelo IPCA.
 
2. Em linha com o comportamento da inflação plena, as medidas de inflação subjacente registraram desaceleração em novembro. O núcleo por exclusão de monitorados e de alimentos em domicílio, e os núcleos por médias aparadas com suavização e sem suavização de itens preestabelecidos variaram, respectivamente, 0,27% 0,51% e 0,49% em novembro, ante 0,38%, 0,58% e 0,50% em outubro. Os valores relativos à inflação subjacente confirmam que, no passado recente, a variância da inflação plena tem sido dominada pela variância da inflação associada aos preços monitorados e aos preços dos alimentos. Levando em conta um horizonte mais longo, os núcleos ainda permanecem em patamares inferiores aos observados no início do ano, embora registrem, no caso das medidas calculadas pelo procedimento de médias aparadas, valores superiores àqueles consistentes com as metas de inflação. Nos últimos cinco meses, o núcleo por exclusão, o núcleo com suavização de itens preestabelecidos e o núcleo sem suavização variaram em média 0,32%, 0,48% e 0,38%, respectivamente, ante 0,59%, 0,62% e 0,49% no primeiro semestre de 2005. No que diz respeito aos valores acumulados em doze meses, houve continuidade em novembro, por todos os critérios considerados, do processo de redução da inflação subjacente que vem se registrando desde maio de 2005.
 
3. Em novembro, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) sofreu elevação de 0,33%, caindo quase à metade do valor registrado em outubro. Tal redução foi conseqüência da desaceleração, em intensidade muito maior, do Índice de Preços por Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), que aumentou 0,24% em novembro, ante 0,79% em outubro. Com os resultados de novembro, o IGP-DI acumula variação de apenas 1,16% ao longo do ano e de 1,68% nos últimos doze meses, ao passo que o IPA-DI acumula variações negativas de 0,83% e de 0,35%, respectivamente, em 2005 e em doze meses.
 
4. A desaceleração dos preços no atacado, em novembro, resultou da desaceleração nos preços agrícolas e, com muito mais intensidade, nos preços industriais. Em doze meses, o IPA agrícola mostra redução de 6,19%, e o IPA industrial, aumento de apenas 1,64%, o menor valor desde janeiro de 1999. De maneira geral, há evidências de acomodação consistente dos preços no atacado, com potenciais efeitos favoráveis sobre os preços ao consumidor ao longo dos próximos trimestres. Conforme destacado nas Notas de reuniões recentes do Copom, a intensidade de tais efeitos, bem como sua própria continuidade, dependerá das condições prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação
 
5. De acordo com a primeira estimativa para a variação do Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado no terceiro trimestre de 2005, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no fim de novembro, houve expansão de 1% em relação ao mesmo trimestre de 2004 e contração de 1,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior, considerando-se os efeitos sazonais. Dessa forma, interrompeu-se a série de oito trimestres consecutivos de crescimento do PIB que teve início no terceiro trimestre de 2003. Mesmo com a revisão do crescimento dessazonalizado do segundo trimestre de 1,4% para 1,1%, a base sobre a qual se deu a redução observada no terceiro trimestre manteve-se relativamente elevada. Com esse resultado, a expansão da economia em 2005 alcança 2,6%, em relação ao mesmo período de 2004.
 
6. Tanto a agropecuária quanto a indústria foram negativamente afetadas, com quedas na produção de 3,4% e 1,2%, respectivamente, enquanto a produção do setor de serviços se manteve estável. Pela ótica da demanda, houve redução de 0,9% na formação bruta de capital fixo e de 0,4% no consumo do governo, ao passo que o consumo das famílias e as exportações registraram expansões de 0,8% e 1,8%, respectivamente, enquanto as importações aumentaram 1,4%. Tal resultado é consistente com uma expansão da demanda agregada de 0,4% no trimestre, contra 2,2% no trimestre anterior, de acordo com os dados do IBGE dessazonalizados pelo Banco Central. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado a demanda apresentou crescimento de 2,4%, acumulando expansão de 3,1% em relação ao mesmo período de 2004 e 4% nos últimos 4 trimestres contra os 4 anteriores. A despeito da redução do investimento no trimestre, registrada após uma elevação de 4,7% no trimestre anterior, a continuidade da expansão do consumo das famílias e o crescimento das exportações líquidas indicam perspectivas favoráveis para a sustentação do crescimento da economia à frente. Tendo em vista o comportamento dos indicadores antecedentes e coincidentes da atividade econômica, espera-se que o resultado negativo observado no terceiro trimestre seja revertido e a economia retome sua trajetória de crescimento ao longo dos próximos trimestres.
 
7. A produção industrial se manteve estável em outubro em relação a setembro, levando-se em conta os efeitos sazonais, segundo dados divulgados pelo IBGE. A produção industrial registra crescimento de 3,4% em 2005, comparativamente ao mesmo período de 2004, e de 4,1% no período de doze meses encerrado em outubro. Desde junho, as taxas de crescimento alternam sinais positivos e negativos, mas, de modo geral, a produção industrial vem se mantendo em níveis historicamente elevados. A análise da série de médias móveis trimestrais também indicou redução da produção industrial em outubro, mas em magnitude inferior à registrada em setembro. Os indicadores antecedentes e coincidentes da série apontam recuperação da atividade industrial em novembro, tanto na série mensal dessazonalizada, quanto na série de médias móveis trimestrais.
 
8. Considerando-se a composição da produção industrial, observa-se comportamento diferenciado por parte das principais categorias de uso, com inversão de sinal em relação a setembro. A produção de bens de capital apresentou recuo de 3,9%; e a de bens intermediários se manteve relativamente estável, com aumento de apenas 0,1%. Já a produção de bens de consumo foi favorecida por incremento de 1,3%, com forte recuperação no setor de duráveis. Na série de médias móveis trimestrais, houve incremento na produção de bens de capital, redução na produção de bens de consumo e estabilidade na produção de bens intermediários. Ao contrário do que ocorreu em setembro, o setor de bens de consumo duráveis apresentou performance superior à do setor de bens de consumo semi e não duráveis. Ainda assim, este último acumula expansão de 5,1% em 2005 e de 5,3% nos últimos doze meses, seguindo trajetória compatível com o aumento na importância relativa da renda na sustentação do processo de crescimento. Por outro lado, apesar da performance recente ter sido menos dinâmica do que a registrada na maior parte do ano, a produção de bens de consumo duráveis acumula crescimento de 12,6% em 2005 e de 13,5% no período de doze meses terminado em outubro, com desempenho marcadamente superior à média global da indústria.
 
9. O mercado de trabalho continua apresentando desempenho positivo, evoluindo em compasso com o ambiente de maior previsibilidade macroeconômica e com os níveis historicamente elevados de atividade. Segundo pesquisa do IBGE, em outubro, a taxa de desocupação manteve-se estável em 9,6%. Em comparação aos números de outubro de 2004, a taxa de desocupação foi 0,9 ponto percentual inferior, e o contingente de ocupados, 2,1% superior. O poder de compra dos trabalhadores diminuiu em relação ao mês anterior, mas o valor estimado para outubro foi 1,8% superior ao estimado para outubro de 2004. No intervalo junho–outubro, o poder de compra do trabalhador foi, em média, 1,7% maior do que o registrado nos primeiros cinco meses de 2005, refletindo em parte o efeito positivo das menores taxas de inflação sobre o salário real. Até outubro, o emprego na indústria de transformação acumula crescimento de 4,8% e de 5,2%, respectivamente, em 2005 e em doze meses, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A massa salarial real na indústria de transformação acumula crescimento de 8,6% no ano e de 8,9% nos últimos doze meses. Esses dados evidenciam um processo, recorrente nos últimos meses, que alia aumento da quantidade de vagas à melhoria na qualidade do emprego industrial. Na ausência de dados mais atualizados, os indicadores antecedentes disponíveis sinalizam que o emprego formal, computado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), continua em trajetória de expansão, de modo que em 2005 será criado um número superior a 1,5 milhão de novas vagas.
 
10. As vendas no comércio varejista se mantiveram estáveis em outubro, segundo dados dessazonalizados do IBGE. Em relação a outubro de 2004, houve crescimento de 3,7%. Tal como em setembro, destacam-se os itens cujas vendas são mais sensíveis à renda e ao emprego, que tiveram desempenho positivo e contrabalançaram a performance negativa dos itens cujas vendas são mais sensíveis ao crédito. Nesse sentido, o comércio varejista continua mostrando uma mudança de composição em relação ao comportamento que vinha apresentando há meses. Por sua vez, a média móvel trimestral da série de vendas no comércio varejista também se manteve estável, permanecendo em torno do valor máximo registrado historicamente. As vendas acumulam crescimento de 4,8% em 2005, em comparação ao mesmo período de 2004. Os indicadores preliminares disponíveis para novembro sugerem que as vendas deverão retomar sua trajetória de crescimento. As perspectivas favoráveis para o comércio varejista nos próximos meses se apóiam, entre outros fatores, no desempenho do mercado de trabalho e em seus efeitos no crescimento da massa salarial, na expansão do crédito e na recuperação da confiança do consumidor.
 
11. De acordo com dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) na indústria de transformação aumentou em outubro. Esse movimento ocorre ao mesmo tempo em que os dados recentes relativos à produção e à absorção de bens de capital sugerem a ocorrência de um processo de maturação de investimentos realizados nos últimos anos. Como ressaltado em Notas das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento da demanda. Nesse sentido, o indicador de investimento representado pela absorção de bens de capital acumula, até outubro, expansão de 4,8% em 2005. Para esse resultado, contribuiu fortemente o aumento das importações de bens de capital, que até outubro registraram crescimento de 30,0% em volume, quando comparado ao mesmo período de 2004. Embora continuem se consolidando evidências de crescimento do investimento, o desempenho da oferta agregada nos próximos trimestres continua sendo importante para a definição da dinâmica prospectiva da inflação.
 
12. Em relação ao comércio exterior, os dados mais recentes confirmam que o desempenho em 2005 será superior ao do ano passado. Em novembro, as exportações acumuladas em doze meses alcançaram US$116,6 bilhões, com a maior contribuição para o crescimento sendo proporcionada pelos produtos manufaturados. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses atingiu a marca dos US$43,9 bilhões, com as importações somando US$72,7 bilhões. Em valor, as exportações cresceram 24%, em relação aos doze meses anteriores, enquanto as importações aumentaram 18,9%. As importações de bens de capital cresceram 17,5% em novembro na comparação com o mesmo mês de 2004, acumulando expansão de 27,5% em 2005. Assim, ao longo de 2005, a participação das importações de bens de capital no total de compras no exterior vem aumentando, em detrimento da participação de matérias-primas e intermediários. O bom desempenho dos saldos comerciais no período de doze meses encerrado em novembro proporcionou superávit em transações correntes de US$14,9 bilhões, equivalente a 2,0% do PIB. Embora a contribuição da demanda externa para a expansão da economia se mostre menor do que no passado recente, permanece positiva e superior ao que se antecipava no início deste ano.
 
13. No âmbito dos mercados financeiros internacionais, houve melhora em relação ao cenário considerado por ocasião da reunião de novembro do Copom, com indicações recentes de que o ciclo de elevação na taxa de juros básica nos EUA estaria prestes a ser concluído. Após oito anos, o prêmio de risco-Brasil registrou novo mínimo histórico, refletindo a melhora consistente nos fundamentos da economia brasileira, especialmente os fortes superávits comerciais, aliados à geração de superávits primários adequados e à redução consistente da inflação, que contribuíram sobremaneira para suavizar os efeitos de choques externos adversos sobre a economia doméstica. A melhora significativa dos fundamentos macroeconômicos no período recente possibilitou antecipar para o fim de 2005 o pagamento do total do saldo de 10,789 bilhões de Direitos Especiais de Saque (DES) - aproximadamente US$15,5 bilhões – referentes ao empréstimo tomado pelo país junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), cujo cronograma original de pagamento previa amortizações até 2008. A despeito de persistirem incertezas relevantes na economia mundial, como as preocupações acerca da evolução da inflação nos Estados Unidos e na Zona do Euro, o Copom permanece atribuindo baixa probabilidade a um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros internacionais. 
 
14. Os preços do petróleo no mercado internacional, após terem atingido recordes históricos em agosto, recuaram fortemente e se encontram hoje em patamares próximos aos que se encontravam no início do ano. A despeito do considerável recuo em relação aos valores máximos registrados, os preços ainda se mostram voláteis e permanecem em níveis elevados. Ainda assim, haja vista a elevação dos preços domésticos dos combustíveis implementada em setembro, o Copom continua trabalhando com um cenário que não considera alteração adicional nesses preços em 2005. Entretanto, dadas as incertezas que cercam a sua trajetória, os preços do petróleo no mercado internacional continuam a representar fator de risco para o comportamento futuro da inflação. De um lado, porque suas variações se transmitem à economia doméstica por intermédio dos seus efeitos sobre os preços de insumos derivados do petróleo; de outro, porque afetam as expectativas dos agentes econômicos.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
15. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
 
a) Em comparação aos valores considerados na reunião de novembro, as projeções de reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão tiveram elevação, passando, no caso da gasolina, de 7,6% para 8,0%, no acumulado para 2005, e de -0,9% para -0,3% para o gás de bujão no mesmo período;
 
b) Quanto aos reajustes das tarifas de telefonia fixa, mais uma vez não houve alteração nas projeções, permanecendo em 6,7% para 2005. Por sua vez, os reajustes projetados para as tarifas de energia elétrica residencial passaram de 7,8% no mês anterior, para 8,0% atualmente;
 
c) Em relação aos valores dos reajustes, em 2005, para o conjunto de itens administrados por contrato e monitorados, com peso de 30,4% no IPCA de novembro, o Copom elevou a projeção para 8,8%;
 
d) Tendo em vista a possibilidade de elaboração de projeções individuais para todos os componentes dos preços administrados, os reajustes projetados para esse grupo de preços para o ano de 2006 foi revisto de 4,9% na reunião do Copom de novembro para 4,6% atualmente;
 
e) A projeção para o spread de seis meses sobre a taxa Selic, seguindo especificação de um modelo VAR que utiliza Selic e swap em nível a partir dos valores vigentes nos dias que antecederam a reunião do Copom, parte de uma média de -90 p.b. no quarto trimestre de 2005 e alcança 26 p.b. no último trimestre de 2006.
 
16. Em relação à política fiscal, supõe-se o cumprimento da meta de superávit primário de 4,25% do PIB em 2005 e em 2006. São mantidas as demais hipóteses consideradas na reunião anterior.
 
17. Desde a reunião de novembro do Copom, houve elevação na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin), do Banco Central do Brasil, para a variação do IPCA em 2005, que passou de 5,52% para 5,68%. A mudança foi resultado da diferença verificada entre o valor de 0,40% para a mediana das expectativas para a inflação de novembro, coletadas na véspera da reunião do Copom daquele mês, e o valor efetivo de 0,55%. Para 2006, as expectativas se reduziram ligeiramente, de 4,55% para 4,50%, coincidindo pela primeira vez com a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Como mencionado em Notas de reuniões anteriores do Copom, esses desenvolvimentos sugerem que as decisões de política monetária dos últimos meses, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, estão contribuindo de forma importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico cada vez mais favorável em horizontes mais longos.
 
18. Para 2005, a projeção de inflação do cenário de referência, que pressupõe a manutenção da taxa Selic em 18,50% a.a. e da taxa de câmbio em R$2,25 ao longo de todo o horizonte de projeção, se elevou em relação à reunião de novembro e está acima de 5,1%. A projeção baseada no cenário de mercado, que incorpora as trajetórias da taxa Selic e da taxa de câmbio esperadas pelo mercado no período imediatamente anterior à reunião do Copom, igualmente aumentou em relação à reunião de novembro e também se encontra acima do objetivo de 5,1%. Para 2006, a projeção de inflação associada ao cenário de referência continua abaixo da meta estabelecida pelo CMN, mas se elevou em relação aos valores de novembro. Esta elevação deve-se à elevação da taxa de câmbio utilizada neste cenário, em relação à reunião anterior, combinada com a redução do swap de seis meses projetada pelo VAR a partir de uma taxa Selic mais baixa. Estes dois fatores mais do que compensaram a redução da inflação projetada decorrente da queda no PIB no terceiro trimestre de 2005 e do menor aumento esperado para os preços dos produtos administrados em 2006. Por outro lado, no cenário de mercado, a projeção apresentou ligeira queda, por causa, principalmente, das expectativas de menor desvalorização do Real ao longo de 2006. Todavia, a projeção do cenário de mercado para 2006 permanece acima da meta de 4,5%.
 
Implementação da política monetária
 
19. O Copom reafirma o diagnóstico, expresso nas Notas das últimas reuniões, de que tanto os resultados recentes da inflação como as projeções de inflação realizadas pelo Banco Central e pelos analistas do setor privado sugerem que, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, a postura de política monetária adotada desde setembro de 2004 vem contribuindo de maneira importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico cada vez mais favorável em horizontes mais longos. A atividade econômica deverá se recuperar nos próximos meses e continuar em expansão, em ritmo condizente com as condições de oferta, de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação. Além disso, a despeito da volatilidade que continua sendo observada nos mercados financeiros internacionais e do fato de os preços de petróleo ainda continuarem em níveis elevados, o cenário externo permanece favorável, particularmente no que diz respeito às perspectivas de financiamento para a economia brasileira. Assim, continua se configurando um cenário benigno para a evolução da inflação. Tal como na reunião de novembro, o Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir a consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se antecipam para o futuro.
 
20. O Copom avalia que a maior inflação registrada nos últimos dois meses segue sendo determinada em grande medida pelos efeitos do reajuste dos preços domésticos dos combustíveis implementado na primeira quinzena de setembro, bem como pela reversão parcial da dinâmica favorável dos preços dos alimentos observada em meses recentes e antecipada nas Notas das últimas reuniões do Comitê. Dada a natureza de tais pressões, espera-se que tenham caráter transitório, apresentando arrefecimento ao longo do tempo, sem que necessariamente observemos contaminação para horizontes mais longos. Cabe ressaltar, entretanto, que, embora a elevação da inflação em si fosse amplamente antecipada quando da reunião de setembro do Comitê, a magnitude em que ocorreu superou em muito as expectativas prevalecentes naquele momento. Dessa forma, o Copom continuará acompanhando atentamente, nos próximos meses, a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo, discriminando entre reajustes pontuais e reajustes persistentes ou generalizados de preços e adequando prontamente a postura da política monetária às circunstâncias, de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação até o momento sejam permanentes.
 
21. A convergência ininterrupta da inflação para a trajetória de metas e a resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura contribuirão para a manutenção do processo de redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O espaço para que observemos juros reais menores no futuro continuará se consolidando de forma natural como conseqüência dessa melhora de percepção. O Copom avalia que a atuação cautelosa da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de convergência da inflação para a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade continue se traduzindo em resultados efetivos, entretanto, é preciso que os indicadores prospectivos de inflação sigam apresentando elementos compatíveis com o cenário benigno que tem se configurado nos últimos meses. Dessa forma, a flexibilização gradual da política monetária não comprometerá as importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na preservação do crescimento econômico com geração de empregos e aumento da renda real.
 
22. Foi consensual entre os membros do Copom que, à luz do cenário considerado, o processo de flexibilização da política monetária iniciado na reunião de setembro de 2005 deveria ter continuidade. Dois membros do Comitê votaram por uma redução de 0,75 p.p. na taxa de juros básica, que em sua avaliação proporcionaria uma sinalização mais condizente com o atual balanço de riscos entre atividade e inflação. Já para a maioria dos membros do Copom uma redução de 0,5 p.p. seria a decisão adequada, dado que corresponderia melhor à velocidade ótima de implementação desse processo de flexibilização e contribuiria para aumentar a magnitude do ajuste total a ser implementado.
 
23. Diante disso, o Copom decidiu, por seis votos a dois, reduzir a meta para a taxa Selic para 18% ao ano, sem viés.
 
24. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltaria a se reunir em 17 de janeiro de 2006, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 13.821, de 31.10.2005.
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
25. O IPCA desacelerou em novembro, ao registrar variação de 0,55%, ante 0,75% em outubro. Com o resultado, o índice acumulou elevações de 5,31% no ano e de 6,22% nos últimos doze meses. A menor pressão dos preços monitorados foi o principal determinante para o arrefecimento da inflação no período, sobretudo em decorrência do menor impacto do reajuste dos combustíveis e das passagens aéreas. O aumento de preços do grupo monitorados passou de 1,62% em outubro para 0,85% em novembro, ou contribuições de 0,49p.p e 0,26p.p. para os resultados mensais, respectivamente. Os preços livres em novembro experimentaram aceleração – alta de 0,42% ante 0,38% em outubro - pressionados, principalmente, pelo grupo alimentação, em particular, pelos itens in natura, cuja variação passou de –2,21% em outubro para 9,67% em novembro.
 
26. O IGP-DI variou 0,33% em novembro, desacelerando ante a alta de 0,63% verificada no mês anterior. Ainda sob o efeito das variações negativas registradas por cinco meses, de maio a setembro, o indicador acumulou aumento de 1,16% no ano e de 1,68% nos últimos doze meses. Considerados os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) cresceu 0,57% no mês, ante a variação de 0,42% em outubro, destacando-se a aceleração na alta dos preços dos grupos alimentação e vestuário, e a desaceleração no grupo transportes. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) cresceu 0,28%, ante 0,19% em outubro. O IPA-DI, componente de maior peso do IGP-DI, desacelerou em novembro, com aumento de 0,24% após a elevação de 0,79% no mês anterior, e acumulou variações negativas de 0,83% no ano e de 0,35% em doze meses.
 
27. A menor variação dos preços no atacado em novembro refletiu, tanto a desaceleração dos preços industriais como itens agropecuários. A taxa mensal do IPA agrícola passou de 0,8% em outubro para 0,62% em novembro, refletindo, principalmente, o arrefecimento da alta de bovinos. Apesar disso, os preços de legumes e frutas, particularmente do tomate, batata inglesa, arroz em casca e cana-de-açúcar seguem pressionando, de modo destacado, o índice no atacado. O aumento dos preços industriais recuou de 0,78% em outubro para 0,13% em novembro, repercutindo a desaceleração dos preços dos combustíveis. Ressalte-se que outros segmentos importantes da indústria de transformação apresentaram variações negativas de preços, como metalúrgica, material elétrico, borracha e couros e peles. Considerando o IPA-DI segundo os três estágios de processamento, apenas os preços dos bens finais registraram tendência de alta, com variação de 0,88% em novembro contra 0,42% em outubro, principalmente pela pressão dos preços dos alimentos in natura. Os preços dos bens intermediários recuaram 0,21%, ante a alta de 1,03% em outubro e os preços das matérias-primas brutas subiram 0,29%, após elevação de 0,8% no mês anterior.
 
28. As medidas de núcleo do IPCA também acompanharam a desaceleração observada no índice geral em novembro. O núcleo de inflação para o IPCA calculado pelo método das médias aparadas com suavização de itens preestabelecidos situou-se em 0,51%, ante 0,58% em outubro, e totalizou 7,02% em doze meses. A mesma medida para o núcleo, calculada sem o procedimento de suavização de itens preestabelecidos, passou de 0,50% em outubro para 0,49% em novembro, com aumento acumulado de 5,64% em doze meses. O núcleo calculado pela exclusão de alimentos no domicílio e preços monitorados atingiu 0,27%, ante 0,38% no mês anterior. Em doze meses, essa medida acumulou variação de 5,94%.
 
29. O núcleo de inflação para o IPC-Br, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) pelo método das médias aparadas simétricas, atingiu 0,31% em novembro, ante 0,37% em outubro. O indicador acumulou expansões de 4,69% no ano e de 5,2% em doze meses.
 
30. O índice de difusão do IPCA, indicador da proporção de itens com variações positivas no resultado do mês, situou-se em 62,3% em novembro, ante 59,2% em outubro, configurando o terceiro mês consecutivo de alta, após declínio expressivo observado de maio a agosto. 
 
31. Para dezembro, espera-se continuidade do movimento de desaceleração inflacionária, tendo em vista o processo de esgotamento de reajustes de itens monitorados já concedidos, com impactos menores no último mês do ano - sobretudo energia elétrica. Ressalte-se, entretanto, que pressões advindas dos grupos vestuário e alimentação tendem a permanecer, influenciados por fatores sazonais.
 
Atividade econômica
 
32. O PIB registrou queda de 1,2% no terceiro trimestre de 2005, comparativamente ao observado no trimestre anterior, após ajuste sazonal, e crescimento de 1% relativamente ao verificado no mesmo período de 2004. Pela ótica da oferta, registraram-se quedas de 3,4% na agropecuária, 1,2% na indústria e 0,03% no setor de serviços, em relação aos níveis do segundo trimestre, na série dessazonalizada. Na mesma base de comparação, a desagregação por componentes da demanda mostrou expansão de 0,8% no consumo das famílias e queda de 0,4% no consumo do governo. O setor externo continuou apresentando desempenho favorável, com as exportações registrando expansão de 1,8% e as importações de 1,4%. A formação bruta de capital fixo (FBCF) recuou 0,9%, após o expressivo crescimento de 4,7% no trimestre anterior.
 
33. Conforme a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista em outubro variou 0,06% em relação ao verificado em setembro, após ajustamento sazonal. Com esse resultado, as vendas do varejo mantiveram praticamente o mesmo patamar pelo quarto mês consecutivo, situando-se no nível mais alto da série desde o seu início, em janeiro de 2000. A estabilidade dos últimos meses refletiu comportamentos distintos entre os segmentos do comércio. Enquanto os grupos hiper e supermercados e tecidos e vestuário mostraram crescimentos no último quadrimestre encerrado em outubro, ante o quadrimestre anterior, os segmentos de móveis e eletrodomésticos e combustíveis e lubrificantes apresentaram taxas negativas na mesma base de comparação.
 
34. No mercado automobilístico, as vendas das concessionárias mostraram expansão de 7,8% em novembro, após dois meses consecutivos em queda, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), com ajustamento sazonal efetuado pelo Banco Central. No ano, até novembro, o número de unidades vendidas aumentou 9,3% em relação ao de igual período de 2004.
 
35. Em relação aos indicadores de investimento, a produção doméstica de bens de capital e a fabricação de insumos da construção civil recuaram 3,9% e 1,2%, respectivamente, em outubro, em comparação aos níveis observados no mês anterior, após ajuste sazonal. No ano, até outubro, esses indicadores acumularam expansões respectivas de 3,2% e de 0,4%. As importações de bens de capital registraram crescimento em outubro, tendo o índice de quantum calculado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) registrado acréscimo de 0,6% em relação ao de setembro, após ajuste sazonal, e de 30% no acumulado do ano. Os financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para investimentos de médio e longo prazos, alcançaram R$33,8 bilhões no período de janeiro a outubro de 2005, superando em 6,5% o volume desembolsado no mesmo período de 2004.
 
36. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção industrial brasileira cresceu 0,1% em outubro, em relação à do mês anterior, após ajuste sazonal, resultado decorrente da expansão de 0,5% na produção extrativa mineral e de estabilidade na indústria de transformação. No ano, até outubro, a indústria acumulou expansão de 3,4%, resultado dos acréscimos de 3% na indústria de transformação e de 10,2% na produção extrativa.
 
37. A análise desagregada da produção industrial, considerando as séries sazonalmente ajustadas, revelou que treze das vinte e três atividades mostraram aumento da produção em outubro. Considerada por categorias de uso, a produção de bens de capital foi a única a registrar decréscimo mensal, de 3,9%, principalmente pelo comportamento adverso da produção de máquinas e equipamentos para fins industriais e comerciais. Destaque-se a expansão de 1,3% na produção de bens de consumo, pelos acréscimos de 2,8% e 0,5% nos níveis de produção de bens duráveis e de bens semi e não duráveis, respectivamente. A fabricação de produtos intermediários, de maior peso na composição da produção industrial, aumentou 0,1%, acumulando elevação de 1,1% no ano.
 
38. Estatísticas da CNI mostram que a atividade da indústria de transformação se estabilizou em outubro, após as quedas verificadas no terceiro trimestre do ano. As vendas industriais reais recuaram 0,2% e as horas trabalhadas na produção ficaram praticamente estáveis relativamente aos níveis observados no mês anterior, nas séries ajustadas sazonalmente pelo Banco Central. No ano, até outubro, esses dois indicadores da atividade industrial registraram acréscimos de 2,3% e de 5,3%, respectivamente. O nível de utilização da capacidade instalada alcançou 80,8% no mês, na série dessazonalizada, aumentando 0,2 p.p. em relação ao observado em setembro. Considerando a série sem ajuste sazonal, o nível de utilização de 81,8% situou-se 2,6 p.p. abaixo do verificado em outubro de 2004.
 
39. Indicadores setoriais apontaram a retomada da atividade fabril em novembro. A produção de automóveis atingiu 213 mil unidades, com expansão de 3,5%, na série ajustada sazonalmente pelo Banco Central.  O volume de expedição de papel ondulado também sinalizou recuperação da atividade, em novembro, após o ajuste sazonal.
 
Expectativas e sondagens
 
40. A pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) registrou elevação de 12% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em dezembro, em comparação ao nível de novembro, acumulando alta de 3,6% em 2005. Esse resultado mensal decorreu dos acréscimos de 10% no índice de condições econômicas atuais, que atingiu 127,5, patamar recorde da série, e de 13,2% no índice de expectativas do consumidor.
 
Mercado de trabalho
 
41. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas do País, a taxa de desemprego situou-se em 9,6% em outubro, mesmo percentual registrado em setembro. Esse resultado decorreu do comportamento estável da População Economicamente Ativa (PEA), 0,01%, e da ligeira queda, de 0,3%, no número de trabalhadores desocupados. Comparativamente ao nível observado em outubro de 2004, houve recuo de 0,9 p.p. na taxa de desemprego. No mês, foram criados 9 mil postos de trabalho e o número de trabalhadores ocupados manteve-se em 20,1 milhões, enquanto a PEA foi estimada em 22,2 milhões de pessoas. Segundo a mesma pesquisa, em outubro, o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas diminuiu 1,4%, queda explicada, em parte, pela alta da inflação no mês. Comparativamente ao rendimento observado em outubro de 2004, houve crescimento real de 1,8%.
 
42. No setor industrial, segundo os índices da CNI ajustados sazonalmente pelo Banco Central, a massa salarial real aumentou 0,3% em outubro, ante os níveis de setembro, enquanto o contingente de pessoal empregado ficou praticamente estável, 0,03%. No ano, até outubro, esses mesmos indicadores tiveram aumentos de 8,6% e 4,8%, respectivamente.
 
Crédito e inadimplência
 
43. Em novembro, o saldo das operações de crédito referenciais para as taxas de juros aumentou 2,4%. Nas operações com pessoas físicas, o saldo cresceu 2,7%, impulsionado principalmente pela expansão das operações de financiamento de veículos. Nas carteiras destinadas a pessoas jurídicas, o total das operações com recursos domésticos aumentou 3,9%, e o das operações referenciadas em moeda estrangeira recuou 2,3%.
 
44. A taxa média de juros incidente sobre essas operações de crédito declinou 1,1 p.p. em novembro,  ao atingir 47,1% a.a.,refletindo a queda na taxa básica de juros e o aumento da concorrência. Nas operações com pessoas físicas, a taxa média recuou 1,3 p.p., para 60,4% a.a., enquanto naquelas contratadas com pessoas jurídicas o recuo atingiu 1,0 p.p., para 32,4% a.a.
 
45. No sistema financeiro, a taxa de inadimplência passou de 4,0% em outubro para 4,2% em novembro, considerando-se as operações de crédito com recursos livres referenciais para taxas de juros com atraso superior a noventa dias. Nas operações com pessoas físicas, essa proporção passou de 6,5% em outubro para 6,7% em novembro, enquanto naquelas realizadas com pessoas jurídicas houve acréscimo de 0,1 p.p. em novembro, para 2%.  
  
46. A taxa líquida de inadimplência no comércio calculada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) manteve, em novembro, a mesma taxa observada no mês anterior, de 4,6%. Esse comportamento decorreu dos acréscimos de 1,1% no número de registros cancelados e de 1,2% no número de novos registros negativos no mês.
 
Ambiente externo
 
47. Superados os efeitos de primeira ordem dos furacões na América do Norte sobre os indicadores de preços e nível de atividade, a economia global recupera gradativamente as condições e tendências gerais de funcionamento vigentes antes daqueles desastres naturais. Esse fato é particularmente evidente nos Estados Unidos, onde o mercado de trabalho e as expectativas dos consumidores voltaram a mostrar sinais de maior vigor.
 
48. Embora o aumento das taxas de juros básicas na área do euro e a expectativa de prolongamento do processo gradualista de aperto monetário nos Estados Unidos reflitam as recentes elevações das projeções para a inflação, a relativa estabilidade das taxas de juros nos mercados financeiros internacionais no último mês reflete a avaliação de que o aumento das medidas de inflação deverá ser moderado e temporário.
 
49. A recuperação do ritmo de criação de emprego e de expansão da demanda doméstica nos Estados Unidos, a continuidade da melhoria das condições econômicas gerais no Japão, bem como os sinais de manutenção da expansão dos investimentos na Europa e a da robustez do crescimento econômico na China são sinais positivos quanto à possibilidade da manutenção, em nível elevado, da expansão da atividade econômica mundial em 2006.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
50. Em novembro, o comércio exterior brasileiro continuou em expansão, observando-se novos níveis recordes nos valores médios diários de exportações e importações. Considerando-se os saldos do comércio exterior, os resultados se constituíram em recordes históricos para meses de novembro, sendo que o superávit somou US$4,1 bilhões, acumulando US$40,4 bilhões no ano e US$43,9 bilhões em doze meses. Nos mesmos períodos, a corrente de comércio somou US$17,5 bilhões, US$174,4 bilhões e US$189,3 bilhões, respectivamente. Em dezembro, até a segunda semana (sete dias úteis), a balança comercial foi superavitária em US$1,3 bilhão.
 
51. As exportações alcançaram US$10,8 bilhões em novembro, registrando média diária de US$540 milhões, 32,2% superior ao observado em igual mês de 2004. Destaque-se o recorde histórico da média diária dos embarques de produtos manufaturados e semimanufaturados, US$295 milhões e US$73,9 milhões, respectivamente, com acréscimos de 26,4% e 16,7% na comparação com os valores médios registrados em novembro de 2004. Esse crescimento das exportações de manufaturados deveu-se, sobretudo, aos itens gasolina, máquinas e aparelhos para terraplanagem, fio máquina de ferro/aço, tratores, veículos de carga, aparelhos transmissores receptores, óleos combustíveis, laminados planos, automóveis de passageiros e autopeças. Entre os semimanufaturados, destacaram-se os acréscimos registrados em açúcar em bruto, óleo de soja em bruto, celulose, ferro-ligas, couros e peles e alumínio em bruto. O valor médio das exportações de produtos básicos cresceu 50,5% na mesma comparação, principalmente pelo aumento das vendas de soja em grão, petróleo em bruto, minério de ferro, farelo de soja e carne de frango. Em geral, o comportamento das exportações continuou combinando o efeito da elevação dos preços externos com o aumento das quantidades embarcadas, além da continuidade da diversificação da pauta e de países destinatários. 
 
52. As importações somaram US$6,7 bilhões em novembro, com acréscimo de 10,1% em termos de médias diárias, comparativamente a novembro de 2004. Todas as categorias de uso de produtos importados registraram expansão no período, destacando-se bens de consumo e bens de capital, com acréscimos respectivos de 29,1% e 17,3%. No ano, até novembro, observaram-se aumentos de 27,6% em bens de capital, de 23,1% em bens de consumo, de 15,2% em combustíveis e lubrificantes e de 13% em matérias-primas e bens intermediários, sobre os valores médios diários de igual período do ano anterior.
 
53. Ao final de novembro, as reservas internacionais, no conceito de liquidez, situaram-se em US$64,3 bilhões, com variação de US$4 bilhões em relação ao mês anterior. No conceito de reservas líquidas ajustadas houve crescimento de US$4,4 bilhões na mesma base de comparação, encerrando o mês de novembro em US$50,8 bilhões.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
54. Após a reunião do Copom de novembro, as taxas de juros futuros mantiveram o movimento descendente observado no período anterior, apresentando recuo mais acentuado após o dia 30 de novembro, com a divulgação do PIB do terceiro trimestre do ano abaixo do esperado. Também contribuíram para o recuo das taxas, a trajetória favorável da inflação corrente e de seus núcleos, a redução das expectativas de inflação para 2006, a continuidade do fluxo aplicador de investidores estrangeiros e a queda do risco país. Entre 23 de novembro e 14 de dezembro, as taxas de juros de um, de três e de seis meses cederam 0,40 p.p., 0,32 p.p. e 0,35 p.p., respectivamente, e as de um, de dois e de três anos 0,47 p.p., 0,68 p.p. e 0,66 p.p. A taxa real de juros medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses recuou de 11,78%, em 23/11, para 11,50%, em 14/12.
 
55. Com o objetivo de reduzir a exposição cambial do setor público, o Banco Central manteve a realização de leilões de swap cambial reverso, nos quais assume posição ativa em variação cambial e passiva em taxa de juros doméstica. No período de 24 de novembro a 14 de dezembro, foram realizados doze leilões, tendo sido contratado o equivalente a US$6,3 bilhões. Com isso, o resgate líquido acumulado de instrumentos cambiais em 2005 totalizou US$22,7 bilhões.
 
56. Entre as reuniões do Copom de novembro e de dezembro, o Tesouro Nacional captou R$17,2 bilhões com a venda de títulos de remuneração prefixada, sendo R$16,7 bilhões com Letras do Tesouro Nacional (LTN) de vencimento em 2006, 2007 e 2008, e R$0,5 bilhão com Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) de vencimento em 2010 e 2012. Os leilões de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) movimentaram o equivalente a R$771,5 milhões, com a venda de títulos de vencimento em 2009 e 2010. A venda de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) alcançou R$7,0 bilhões no período, com emissão de títulos de vencimento em 2007, 2008 e 2009.
 
57. Nas suas intervenções no mercado aberto, tendo como objetivo ajustar a liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central manteve as operações compromissadas semanais de prazos de três e de cinco meses e rentabilidade prefixada, assim como as operações de nivelamento ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. Além disso, atuou em dez oportunidades por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo, sendo que em seis delas para prover recursos e, nas demais, para retirar o excesso. O saldo diário médio das operações de três e de cinco meses alcançou R$49,1 bilhões. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, apresentaram saldo diário médio de R$0,8 bilhão, doador.
 
58. Dando prosseguimento à estratégia de redução antecipada do excedente de liquidez bancária previsto para o primeiro trimestre de 2006, o Banco Central realizou três leilões de venda de LTN de sua carteira, de vencimento em abril de 2006, conjugada a compra de LTN de vencimento em janeiro de 2006. O volume financeiro total dessas operações foi de R$4,4 bilhões.
 
59. Em novembro, o estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) aumentou 2,4%, atingindo R$960 bilhões, com a colocação líquida de R$10,0 bilhões em títulos. A parcela da dívida correspondente a títulos de rentabilidade prefixada aumentou para 26,9%, ante 24,5% no final de outubro.