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113ª Reunião

Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Sondagens e expectativas
Mercado de trabalho
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 18 e 19/10/2005
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (18/10) e do 20º andar (19/10) do Edifício-Sede do Banco Central – Brasília – DF
 
Horário de início: 16h55 (18/10) e 16h30 (19/10)
Horário de término: 19h15 (18/10) e 19h30 (19/10)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Afonso Sant’Anna Bevilaqua
Alexandre Antonio Tombini
Alexandre Schwartsman
Antonio Gustavo Matos do Vale
João Antônio Fleury Teixeira
Rodrigo Telles da Rocha Azevedo
Paulo Sérgio Cavalheiro
Sérgio Darcy da Silva Alves
 
Chefes de Departamento (todos presentes no dia 18)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Ivan Luís Gonçalves de Oliveira Lima – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Jose Antônio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
José Pedro Ramos Fachada – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
 
Demais participantes (presentes no dia 18)
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
(também presente no dia 19)
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
Flávio Pinheiro de Melo – Consultor da Diretoria
Jocimar Nastari – Assessor de Imprensa
 
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da economia
 
1. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 0,35% em setembro, dobrando em relação ao mês anterior. Mesmo com essa elevação, a média móvel trimestral da série permaneceu em patamar historicamente baixo, atingindo 0,26%, ante 0,64% em setembro de 2004. A aceleração da inflação não surpreendeu, haja vista que somente a elevação dos preços dos combustíveis, há muito antecipada pelos analistas, respondeu por mais de 40% da variação do IPCA. Esse efeito, associado a fatores pontuais e temporários, deve se intensificar no resultado de outubro. Uma evidência adicional de que o incremento do IPCA se deveu a pressões localizadas é a relativa estabilidade do índice de difusão em níveis historicamente reduzidos, 51,4% em setembro contra 48,4% em agosto, o terceiro mais baixo no período de câmbio flutuante. Os preços dos bens comercializáveis recuaram pelo quarto mês consecutivo. Da mesma forma, no quadrimestre encerrado em setembro, os bens não comercializáveis apresentaram inflação média mensal de 0,22%, contra 0,78% no quadrimestre imediatamente anterior. O conjunto dos preços livres permaneceu com variação próxima a zero pelo terceiro mês consecutivo. Já os preços monitorados e administrados por contrato registraram variação média de 0,57% no último quadrimestre, contra 0,71% no período fevereiro–maio. Como mencionado em Notas de reuniões anteriores do Copom, os preços dos alimentos, que apresentaram reduções em magnitude e duração pouco usuais ao longo dos últimos meses, contribuíram para a trajetória favorável dos preços ao consumidor observada recentemente. Cabe ressaltar, no entanto, que, na margem, essa contribuição está diminuindo.
 
2. A dinâmica recente das medidas de inflação subjacente também sugere acomodação em patamares inferiores aos verificados no início do ano. O núcleo por exclusão, o núcleo com suavização de itens preestabelecidos e o núcleo sem suavização tiveram elevação em setembro, apresentando variações de 0,30%, 0,51% e 0,34%, respectivamente. O menor crescimento observado no núcleo por exclusão, relativamente ao índice cheio, reflete o fato de que o aumento no IPCA em setembro deveu-se, em grande medida, à elevação nos preços dos combustíveis e à redução na queda dos preços dos alimentos, ambas ausentes daquela medida. No último quadrimestre, o núcleo por exclusão, o núcleo com suavização e o núcleo sem suavização variaram em média 0,32%, 0,45% e 0,30%, ante 0,66%, 0,64% e 0,52% no quadrimestre terminado em maio. Os resultados de setembro interromperam a trajetória de redução observada desde abril, mas, mesmo assim, a variação acumulada para as três medidas de núcleo nos últimos doze meses permanece em queda desde maio.
 
3. Em setembro, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve redução de 0,13%, aproximando-se do nível observado no início do ano. Trata-se da quinta redução consecutiva no índice, influenciada uma vez mais pelo declínio do Índice de Preços por Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), que registrou deflação de 0,28%. Com o resultado de setembro, o IGP-DI acumula variação de apenas 0,19% ao longo do ano e de 2,08% nos últimos doze meses. Já o IPA-DI, que também registrou cinco quedas consecutivas, acumula variação negativa de 1,84% em 2005 e positiva de apenas 0,22% em doze meses. Essa estabilidade do IPA-DI, pouco usual em períodos mais longos, reflete tanto o comportamento dos preços dos bens de consumo, exceto os duráveis, quanto o dos bens de produção. Em outra perspectiva, a estabilidade do IPA-DI deve ser atribuída à redução pouco usual do IPA agrícola, de 9,91% em doze meses, associada ao aumento de 3,89% no IPA industrial, também em doze meses, a menor elevação desde janeiro de 1999. Dados referentes ao IGP-10 de outubro mostram continuidade da queda do IPA agrícola, mas elevação do IPA industrial, pressionado principalmente pelo reajuste dos preços dos combustíveis. Nota-se que, tanto em 2005 como nos últimos doze meses, os índices gerais de preços registram variações inferiores às do IPCA. Aumentam, portanto, as evidências de acomodação consistente dos preços no atacado, com potenciais efeitos favoráveis sobre os preços ao consumidor ao longo dos próximos trimestres. Conforme destacado nas Notas de reuniões recentes do Copom, a intensidade de tais efeitos, bem como sua própria continuidade, dependerá das condições prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
4. Após a redução de 1,9% registrada em julho, de acordo com números revisados e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial voltou a aumentar em agosto e registrou crescimento dessazonalizado de 1,1%, ratificando a tendência sugerida pelos indicadores antecedentes e coincidentes da série. O resultado de agosto aproximou a produção industrial do índice recorde registrado em junho passado, trazendo para 4,3% o crescimento acumulado em 2005 e para 5,1% o crescimento acumulado nos últimos doze meses. Ao longo do ano, os valores mensais da série dessazonalizada intercalaram momentos de crescimento, estabilidade e redução, mas, de modo geral, a produção industrial vem se mantendo em níveis historicamente elevados. Essa avaliação é corroborada pela análise de uma série mais estável, de médias móveis trimestrais, que em agosto registrou o quinto mês consecutivo de crescimento e novo máximo histórico, 3,6% superior ao valor observado em agosto de 2004. Os indicadores antecedentes e coincidentes da série apontam queda da atividade industrial em setembro.
 
5. Considerando-se a composição da produção industrial, houve crescimento dessazonalizado em todas as grandes categorias de uso. A produção de bens de capital foi a que mais aumentou, 3,1%, seguida pela de bens de consumo e de bens intermediários, respectivamente, com aumentos de 1,3% e 0,1%. Na série de médias móveis trimestrais, houve estabilidade na produção de bens de capital e ligeira queda na produção de bens intermediários. A produção de bens de consumo aumentou 0,6%. Ao contrário de meses anteriores, o maior dinamismo nos bens de consumo esteve associado à produção de bens semi e não duráveis, que aumentou 1,6% em relação a julho, enquanto a produção de bens duráveis teve queda de 1,7%. A produção de bens de consumo semi e não duráveis acumula elevação de 6,4% em 2005 e de 5,7% nos últimos doze meses, numa tendência de expansão que reflete a maior importância relativa da renda na sustentação do processo de crescimento. Apesar da redução em agosto, a produção de bens de consumo duráveis aumentou 15,7%, tanto em 2005 quanto nos últimos doze meses, um desempenho marcadamente superior à média global da indústria.
 
6. O mercado de trabalho continuou a mostrar em agosto o bom desempenho observado neste ano, evoluindo em compasso com o ambiente de maior previsibilidade macroeconômica e com os níveis historicamente elevados de atividade. Segundo pesquisa do IBGE, a taxa de desocupação para agosto foi estimada em 9,4%, mantendo-se estável pelo terceiro mês consecutivo. Esse valor é dois pontos inferior à taxa registrada em agosto de 2004 e corresponde ao menor nível da série iniciada em outubro de 2001. Já a população ocupada aumentou 3,4% no acumulado do ano, em comparação ao mesmo período de 2004. Em agosto, teve continuidade o processo de recuperação do poder de compra dos trabalhadores, com o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas crescendo 3,7%, em relação a agosto de 2004, o maior incremento da série segundo esse critério de comparação, e de 4,7% contra maio deste ano, ilustrando o efeito positivo da queda da taxa de inflação sobre o salário real. Até agosto, o emprego na indústria de transformação acumula crescimento de 5,6% e de 5,9%, respectivamente, em 2005 e em doze meses, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A massa salarial real na indústria de transformação acumula crescimento de 8,9% no ano e de 9,5% nos últimos doze meses. Esses dados evidenciam a ocorrência de um processo que alia aumento da quantidade de vagas à melhoria na qualidade do emprego industrial. O emprego formal, computado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), também continua em trajetória de expansão. Com a criação de 189.458 postos de trabalho em setembro, a geração de emprego formal supera 1,4 milhão de novas vagas em 2005.
 
7. As vendas no comércio varejista diminuíram 0,4% em agosto, segundo dados dessazonalizados do IBGE. Esse resultado se deveu exclusivamente às vendas de tecidos, vestuário e calçados, haja vista que as demais atividades apresentaram variações positivas. A redução de 2,4% nas vendas de tecidos, vestuário e calçados em agosto se segue a uma expansão de 7,1% verificada em julho. Apesar da redução observada no resultado de agosto, a média móvel trimestral da série de vendas no comércio varejista cresceu 0,3%, registrando o quinto mês consecutivo de expansão. Destaca-se ainda que as vendas acumulam crescimento de 4,86% e 6,30%, respectivamente, em 2005 e em doze meses. Esse desempenho reflete, em grande medida, os desenvolvimentos favoráveis no mercado de trabalho, detalhados no parágrafo anterior, e o crescimento do crédito. A despeito da ausência de dados atualizados de maior abrangência, os indicadores disponíveis sugerem que as vendas permanecem com tendência de crescimento. Nesse sentido, para os meses seguintes as perspectivas são de fortalecimento do comércio varejista.
 
8. De acordo com dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) na indústria de transformação voltou a subir em agosto, atingindo 82%, ante 81,6% em julho. O desempenho confirma a avaliação de que a utilização da capacidade permanece em patamar historicamente elevado, embora os níveis observados em meses recentes sejam menores que os recordes atingidos no início do segundo semestre de 2004. Como ressaltado em Notas de reuniões anteriores do Copom, esse quadro pode ser conseqüência da maturação de investimentos realizados nos últimos anos, haja vista que os resultados recentes mostram o crescimento da produção industrial superando o crescimento da UCI. Em um ambiente em que persiste uma elevada UCI em termos históricos, a trajetória da inflação dependerá marcadamente dos desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento da demanda. Nesse sentido, o indicador de investimento representado pela absorção de bens de capital acumula, até agosto, expansão de 4,7% em 2005. Para esse resultado, contribuiu fortemente o aumento das importações de  bens de capital, que até agosto registraram crescimento de 30,2% em volume, quando comparado ao mesmo período de 2004. Embora estejam se consolidando evidências de crescimento do investimento, o desempenho da oferta agregada nos próximos trimestres continuará sendo um foco importante de preocupação em relação à dinâmica prospectiva da inflação.
 
9. No tocante ao comércio exterior, dados mais recentes confirmam que, em 2005, o desempenho será superior ao do ano passado. Em setembro, foi ultrapassada a marca de US$112 bilhões em exportações para um período de doze meses, com a maior contribuição para o crescimento vindo dos produtos manufaturados. Além disso, o saldo acumulado em doze meses ultrapassou a marca dos US$41 bilhões, com as importações somando US$72 bilhões. Em valor, as exportações cresceram 24,7%, em relação aos doze meses anteriores, enquanto as importações aumentaram 22,5%. Na margem, a expansão das exportações vem se desacelerando, o que também ocorre com as importações, a despeito da elevação significativa dos preços do petróleo, exceção feita às importações de bens de capital. Com efeito, as importações de bens de capital cresceram 31,9% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2004, acumulando expansão de 29,2% em 2005 e de 25,6% em 12 meses. Assim, ao longo de 2005 a participação das importações de bens de capital no total de compras no exterior vem aumentando, em detrimento da participação de matérias-primas e intermediários. De acordo com dados preliminares, o bom desempenho dos saldos comerciais no período de doze meses encerrado em setembro proporcionou superávit em transações correntes de US$13 bilhões, equivalente a 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Embora a contribuição da demanda externa para a expansão da economia se mostre menor do que no passado recente, ela permanece positiva e superior ao que se antecipava no início deste ano.
 
10. No âmbito dos mercados financeiros internacionais, a volatilidade permaneceu relativamente elevada, mas não houve alteração significativa em relação ao cenário considerado por ocasião da reunião de setembro do Copom. Na última semana de setembro, o prêmio de risco-Brasil chegou bastante próximo dos mínimos históricos, observados em 1997. Ao longo de outubro, porém, esse movimento foi parcialmente revertido, a despeito das perspectivas de melhora na classificação de risco dos títulos soberanos brasileiros, confirmadas posteriormente por duas agências especializadas. De fato, os efeitos desses desenvolvimentos favoráveis foram contrabalançados por preocupações acerca da evolução da inflação nos Estados Unidos, principalmente em função dos aumentos dos preços dos combustíveis. Como de hábito, as flutuações do risco-Brasil foram acompanhadas por movimentos similares da taxa de câmbio. Em uma perspectiva de curto prazo, as condições de liquidez e a estabilidade dos mercados passaram a responder mais de perto à evolução do quadro macroeconômico nos Estados Unidos e à possível resposta da política monetária do Federal Reserve (Fed). De maneira geral, os indicadores recentes sugerem que o Fed provavelmente irá prosseguir com sua política de aumento moderado nas taxas de juros. Um fator de preocupação adicional está associado aos desequilíbrios nas contas externas de algumas das principais economias mundiais e à possibilidade de que eventuais ajustes em suas trajetórias determinem grandes flutuações cambiais. Apesar desse quadro, no qual há incertezas relevantes e aumento na volatilidade de curto prazo, o Copom permanece atribuindo baixa probabilidade a um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros internacionais. 
 
11. Os preços do petróleo no mercado internacional, após terem registrado recordes históricos em agosto, vêm apresentando sinais de arrefecimento desde meados de setembro. Por outro lado, os preços da gasolina no mercado internacional se descolaram recentemente da trajetória dos preços do petróleo, atingindo níveis recordes em resposta aos prejuízos causados pelo furacão Katrina à estrutura de refino localizada no Golfo do México. Em ambos os casos, embora tenha havido recuo considerável em relação aos valores máximos, os preços continuam em níveis elevados e, conforme destacado nas Notas das últimas reuniões do Copom, teme-se que se sustentem por mais tempo em um nível acima do que vinha sendo prognosticado. No âmbito interno, a elevação dos preços dos combustíveis implementada em setembro, que provavelmente terá impacto significativo também sobre o IPCA de outubro, levou o Copom a trabalhar com um cenário para a evolução dos preços internos dos combustíveis que não considera outro aumento nos preços domésticos da gasolina em 2005. Ainda assim, dadas as incertezas que cercam a trajetória dos preços do petróleo no mercado internacional, a elevação dos preços continua a representar fator de risco para a trajetória futura da inflação, dado que se transmite à economia doméstica por intermédio dos seus efeitos sobre os preços de insumos derivados do petróleo, bem como sobre as expectativas dos agentes econômicos.
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
12. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
 
a) Em comparação aos valores considerados na reunião de setembro, as projeções de reajustes nos preços da gasolina foram mantidas em 7,5% para o acumulado de 2005, ao passo que as projeções de reajustes nos preços do gás de botijão foram aumentadas de -1,7% para -1,2% em 2005;
 
b) Em comparação aos valores considerados na reunião de setembro, os reajustes projetados para as tarifas de telefonia fixa e energia elétrica residencial não sofreram alterações para o acumulado em 2005, permanecendo em 6,7% e 7,6%, respectivamente;
 
c) Em comparação aos valores considerados na reunião de setembro, para o conjunto de itens administrados por contrato e monitorados, com peso de 29,9% no IPCA de setembro, o Copom manteve a projeção para o acumulado de 2005 em 7,8%;
 
d) Em comparação aos valores considerados na reunião de setembro, a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2006 foi reduzida, passando de 5,3% para 5,1%. Ampliou-se o número de itens projetados individualmente, possibilitando maior precisão nas projeções para 2006. Para os demais itens, as projeções permaneceram sendo estimadas pelo modelo de determinação endógena de preços administrados, que considera componentes sazonais, variações da taxa de câmbio, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP);
 
e) A projeção para o spread de seis meses sobre a taxa Selic, seguindo especificação de um modelo VAR que utiliza Selic e swap em nível a partir dos valores vigentes nos dias que antecederam a reunião do Copom, parte de uma média de -86 p.b. no quarto trimestre de 2005 e alcança 33 p.b. no último trimestre de 2006.
 
13. Em relação à política fiscal, supõe-se o cumprimento da meta de superávit primário de 4,25% do PIB em 2005 e em 2006. São mantidas as demais hipóteses consideradas na reunião anterior.
 
14. Desde a reunião de setembro do Copom, houve ligeira elevação na mediana das expectativas coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores do Banco Central do Brasil (Gerin) para a variação do IPCA em 2005, que passou de 5,19% para 5,24%. A mudança resultou essencialmente do fato de a coleta relativa a setembro não ter captado integralmente os efeitos dos reajustes nos combustíveis então ocorridos. Assim, apesar da incorporação do recente reajuste de combustíveis aos cenários de previsão, as expectativas permanecem próximas do objetivo de 5,1% perseguido pela política monetária para o ano. Para 2006, as expectativas tiveram redução mais significativa, passando de 4,8% para 4,6%, mas situam-se ainda ligeiramente acima da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Como mencionado em Notas de reuniões anteriores do Copom, esses desenvolvimentos sugerem que as decisões de política monetária dos últimos meses, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, estão contribuindo de forma importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico cada vez mais favorável em horizontes mais longos.
 
15. Para 2005, a projeção de inflação do cenário de referência, que pressupõe a manutenção da taxa Selic em 19,5% a.a. e da taxa de câmbio em R$2,25 ao longo de todo o horizonte de projeção, manteve-se constante em relação à reunião anterior do Copom, situando-se abaixo do objetivo de 5,1% para o ano. As projeções baseadas no cenário de mercado, que incorpora as trajetórias da taxa de câmbio e da taxa Selic esperadas pelos participantes de mercado no período imediatamente anterior à reunião do Copom, reduziram-se em relação ao mês anterior e agora coincidem com o objetivo de 5,1%. Para 2006, a projeção de inflação associada ao cenário de referência se reduziu, permanecendo abaixo da meta estabelecida pelo CMN. No cenário de mercado, a projeção manteve-se constante, acima da meta de 4,5%.
 
16. O Copom também considerou as projeções de inflação para horizontes situados entre dezembro de 2005 e dezembro de 2006, como os períodos de doze meses que se encerram em março de 2006, junho de 2006 e setembro de 2006. Trata-se de horizontes cujos resultados são mais sensíveis às decisões correntes de política monetária do que os do ano-calendário de 2005, sendo, ao mesmo tempo, períodos cobertos por projeções de inflação mais confiáveis do que as já disponíveis para o ano-calendário de 2006. As projeções do cenário de referência para os períodos de doze meses que se encerram em março de 2006, junho de 2006 e setembro de 2006 se encontram abaixo dos valores que dizem respeito a esses períodos na trajetória de metas obtida pela interpolação do objetivo de inflação de 5,1% para 2005 e da meta de 4,5% estabelecida pelo CMN para 2006.
 
Implementação da política monetária
 
17. O Copom reafirma o diagnóstico, expresso nas Notas das últimas reuniões, de que tanto os resultados recentes da inflação como as projeções de inflação realizadas pelo Banco Central e pelos analistas do setor privado sugerem que, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, a postura de política monetária adotada desde setembro de 2004 vem contribuindo de maneira importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico cada vez mais favorável em horizontes mais longos. A atividade econômica deverá continuar em expansão, mas em ritmo condizente com as condições de oferta, de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação. Além disso, a despeito do aumento observado recentemente na volatilidade nos mercados financeiros internacionais e do fato de os preços de petróleo ainda continuarem em níveis elevados, o cenário externo permanece favorável, particularmente no que diz respeito às perspectivas de financiamento para a economia brasileira. Assim, continua se configurando um cenário benigno para a evolução da inflação. Tal como na reunião de setembro, o Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir a consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se antecipam para o futuro.
 
18. O Copom avalia que a elevação da inflação no curto prazo está sendo determinada em grande medida pelos efeitos do reajuste dos preços domésticos dos combustíveis implementado na primeira quinzena de setembro, bem como pela reversão parcial da dinâmica favorável dos preços dos alimentos observada em meses recentes e antecipada nas Notas das últimas reuniões do Comitê. Tendo em vista que esses efeitos ainda não se esgotaram, é provável que continuem sendo captados nos indicadores de inflação a serem divulgados nas próximas semanas. Dada a natureza de tais pressões, espera-se que tenham caráter transitório, apresentando arrefecimento ao longo do tempo, sem que necessariamente observemos contaminação para horizontes mais longos. Entretanto, o Copom continuará  conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação até o momento sejam permanentes. Para tanto, acompanhará atentamente, nos próximos meses, a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo, discriminando entre reajustes pontuais e reajustes persistentes ou generalizados de preços e adequando prontamente a postura de política monetária às circunstâncias.
 
19. A convergência ininterrupta da inflação para a trajetória de metas e a resultante consolidação de um cenário de estabilidade macroeconômica duradoura contribuirão para a manutenção do processo de redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos. O espaço para que observemos juros reais menores no futuro continuará se consolidando de forma natural como conseqüência dessa melhora de percepção. O Copom avalia que a atuação cautelosa da política monetária tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de convergência da inflação para a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade continue se traduzindo em resultados efetivos, entretanto, é preciso que os indicadores prospectivos de inflação sigam apresentando elementos compatíveis com o cenário benigno que tem se configurado. Dessa forma, a flexibilização da política monetária não comprometerá as importantes conquistas dos últimos meses no combate à inflação e na preservação do crescimento econômico com geração de empregos e aumento da renda real.
 
20. Diante disso, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a meta para a taxa Selic para 19,0% a.a, sem viés. Tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária e os riscos associados aos cenários traçados em cada momento, o Comitê avalia que será necessário acompanhar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação até a sua próxima reunião para, só então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
 
21. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltaria a se reunir em 22 de novembro de 2005, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 12.631, de 29.10.2004.
 
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Inflação
 
22. O IPCA variou 0,35% em setembro, acumulando altas de 3,95% no ano e de 6,04% nos últimos doze meses. O crescimento do IPCA no mês decorreu principalmente do aumento de preços de itens monitorados, cujo grupo registrou variação de 0,92%, contribuindo com 0,28 p.p. para o resultado do mês. Nesse grupo, destacou-se a alta de 3,36% no preço da gasolina, que respondeu por 0,14 p.p. da variação mensal do IPCA. O conjunto de preços livres subiu 0,1% e, mais uma vez, a queda dos preços de alimentação e bebidas, de 0,25%, atenuou os impactos de aumentos ocorridos em outros itens.
 
23. O IGP-DI recuou 0,13% em setembro, registrando variação negativa pelo quinto mês consecutivo. O indicador acumulou altas de 0,19% no ano e de 2,08% nos últimos doze meses. Considerados os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) subiu 0,09% no mês, principalmente pelo efeito do aumento de 4,75% da gasolina. Os preços do grupo alimentação recuaram 1,03%, mantendo a tendência de queda dos últimos meses. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) cresceu 0,24%, refletindo acréscimos nos preços de materiais e serviços, e da mão-de-obra em Belém. O IPA-DI, componente de maior peso do IGP-DI, registrou queda pelo quinto mês consecutivo, de 0,28%, acumulando variação negativa de 1,84% no ano e aumento de 0,22% em doze meses.
 
24. Embora os preços no atacado tenham registrado novo recuo em setembro, observou-se desaceleração nessa tendência de queda, principalmente pela reversão na variação dos preços industriais. A variação negativa do IPA agrícola acentuou-se, -3,17% ante -2,47% em agosto, sobretudo pela intensificação das quedas dos preços de animais e derivados e de lavouras para exportação. Já os preços industriais subiram 0,67%, após quatro meses consecutivos de variações negativas, refletindo, sobretudo, a reversão nos preços do grupo química, alta de 2,94% em setembro, ante a queda de 0,67% em agosto, em razão da elevação dos preços dos combustíveis e de matérias plásticas. Outros segmentos importantes da indústria de transformação, como produtos alimentares e metalúrgica, continuaram com variações negativas de preços, embora de menor intensidade que no mês anterior. Considerando o IPA-DI segundo os estágios de processamento, observou-se reversão na tendência dos preços dos bens intermediários, com alta de 0,91%, desaceleração da queda dos preços de bens finais e aprofundamento da variação negativa dos preços de matérias-primas brutas, comparativamente aos resultados verificados no mês anterior.
 
25. Todas as medidas de núcleo para o IPCA acusaram elevação em setembro, comparativamente aos resultados do mês anterior. O núcleo de inflação para o IPCA calculado pelo método das médias aparadas com suavização de itens preestabelecidos situou-se em 0,51%, ante 0,36% no mês anterior, e totalizou 7,15% em doze meses. A mesma medida para o núcleo, calculada sem o procedimento de suavização de itens preestabelecidos, passou de 0,28% em agosto para 0,34% em setembro, com aumento acumulado de 5,78% em doze meses. O núcleo calculado pela exclusão de alimentos no domicílio e preços monitorados também subiu em setembro, atingindo 0,3%, ante 0,26% no mês anterior. Em doze meses, essa medida de núcleo do IPCA acumulou variação de 6,44%.
 
26. O índice de difusão do IPCA registrou elevação da proporção de itens com variações positivas em setembro, 51,4%, o terceiro mais baixo no período de flutuação do câmbio. 
 
27. O núcleo de inflação para o IPC-Br, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) pelo método das médias aparadas simétricas, atingiu 0,29% em setembro, ante 0,07% em agosto. O indicador acumulou expansões de 3,99% no ano e de 5,37% em doze meses.
 
28. Para outubro, espera-se aumento das taxas de inflação ao consumidor, ainda em decorrência do impacto do aumento dos preços dos combustíveis ocorrido em 10 de setembro. Outros itens com preços monitorados também devem contribuir para maior variação dos índices de preços, como planos de saúde e tarifa de água e esgoto. Destaque-se, também, a gradual reversão na tendência dos preços dos alimentos, depois de prolongado período de variações negativas.
 
Atividade econômica
 
29. Conforme a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o comércio varejista apresentou, em setembro, queda de 0,4% no volume de vendas. As categorias que fazem parte do indicador apresentaram variação positiva na mesma base de comparação, à exceção das vendas de tecidos, vestuário e calçados, com queda de 2,4% no mês. No ano, o indicador geral apresentou crescimento de 4,9% e, em 12 meses, de 6,3%.
 
30. Segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e ao sistema Telecheque recuaram respectivamente 0,6% e 2,5% em setembro, comparativamente às realizadas no mês anterior, na série dessazonalizada. No ano, até setembro, esses indicadores revelaram aumentos respectivos de 5,6% e 2,8%, quando comparados ao mesmo período do ano anterior.
 
31. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, passou de 4,7% em agosto para 4,9% em setembro, acumulando elevação de 13,4% no ano.
 
32. Em relação aos indicadores de investimento, a produção doméstica de bens de capital e a fabricação de insumos da construção civil aumentaram 3,1% e 0,5%, respectivamente, em agosto, na comparação com os níveis observados no mês anterior, após ajuste sazonal. No ano, até agosto, em comparação com o mesmo período de 2004, esses indicadores acumularam expansões respectivas de 2,7% e de 1%. Também as importações de bens de capital reagiram em agosto, com o índice de quantum calculado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) registrando acréscimos de 41,8% em relação a agosto de 2004 e de 30,2% no acumulado do ano. Os financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para investimentos de médio e longo prazos, alcançaram R$28,8 bilhões no período de janeiro a agosto de 2005, superando em 18,4% aqueles desembolsados no mesmo período de 2004.
 
33. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção industrial brasileira cresceu 1,1% em agosto, em relação à do mês anterior, após ajuste sazonal, resultado que reaproximou o patamar produtivo mensal do nível recorde atingido em junho. O crescimento mensal da produção industrial decorreu do aumento de 1,2% na indústria de transformação, enquanto a produção extrativa mineral recuou 0,3%. No ano, até agosto, a indústria acumulou expansão de 4,3%, resultado dos acréscimos de 4% na indústria de transformação e de 10,1% na produção extrativa.
 
34. A análise desagregada da produção industrial, considerando as séries sazonalmente ajustadas, revelou que 11 das 23 atividades mostraram aumento da produção em agosto, destacando-se fumo, farmacêutica, máquinas e equipamentos, refino de petróleo e produção de álcool como os setores com maior contribuição para o resultado positivo do mês. Excetuando a produção de bens de consumo duráveis, que registrou recuo mensal de 1,7%, todas as demais categorias de uso apresentaram expansão em agosto, comparativamente à queda generalizada ocorrida no mês anterior. A maior variação mensal foi verificada na produção de bens de capital, 3,1%. Destaque-se, ainda, o crescimento de 1,6% na produção de bens de consumo semi e não duráveis, atestando a crescente influência da demanda interna nos resultados gerais da indústria. A fabricação de bens intermediários, de maior peso na composição da produção industrial, cresceu 0,1%, acumulando elevação de 1,6% no ano, até agosto.
 
35. Estatísticas da CNI mostraram queda de 0,9% nas vendas reais e acréscimo de 0,2% nas horas trabalhadas na produção em agosto, em relação às do mês anterior, nas séries ajustadas sazonalmente pelo Banco Central. No ano, até agosto, esses dois indicadores da atividade industrial registraram acréscimos de 1,8% e de 6,2%, respectivamente. O nível de utilização da capacidade instalada alcançou 82% no mês, na série dessazonalizada, subindo 0,4 p.p. em relação ao observado em julho. Considerando a série sem ajuste sazonal, o nível de utilização de 82,9% ficou 1,2 p.p. abaixo do verificado em agosto de 2004.
 
36. Indicadores setoriais apontam queda no nível de atividade industrial em setembro. Dados relacionados à produção de automóveis, fluxo pedagiado de veículos em rodovias e carga de energia elétrica reforçam essa tendência.
 
Sondagens e expectativas
 
37. Pesquisa mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) registrou queda de 0,99% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em outubro, em comparação ao nível de setembro, como resultado da diminuição no índice de condições econômicas atuais (-3,28%) e elevação no índice de expectativas do consumidor (+0,41%).
 
38. A Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV captou elevação da confiança do consumidor em setembro, após três meses de queda. Comparativamente à pesquisa realizada no mês anterior, observou-se melhora em cinco dos oito principais quesitos da pesquisa, e piora em dois. Nos itens relacionados à situação presente, os resultados foram, em média, superiores aos de agosto, e naqueles referentes ao futuro, houve diminuição do pessimismo.
 
39. Segundo as informações coletadas pela FGV no início de outubro, para compor a prévia da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, os empresários indicaram uma melhora na avaliação do ambiente atual dos negócios e das perspectivas para os próximos meses, em comparação com os resultados da mesma pesquisa realizada em julho. Em relação à situação presente, houve melhora na percepção quanto à demanda global e dos níveis de estoques. As previsões para os próximos meses apontam continuidade da expansão da demanda doméstica, diminuição da demanda externa e maior contratação de mão-de-obra. 
 
Mercado de trabalho
 
40. O índice de emprego formal cresceu 0,4% em setembro, após ajuste sazonal, comparativamente ao de agosto, de acordo com informações do MTE. À exceção da agropecuária, todos os demais setores de atividade registraram expansão mensal do emprego. No agregado, comparativamente ao índice de setembro de 2004, observou-se expansão de 5,1% no nível de ocupação formal, resultante da criação líquida de 1.265 mil empregos no período, com acréscimos de 7,3% nos postos de trabalho no comércio, 5,6% nos serviços, 6% na construção civil e 4,2% na indústria.
 
41. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas do País, a taxa de desemprego permaneceu estável em agosto, pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 9,4% da População Economicamente Ativa (PEA). Comparativamente ao nível observado em agosto de 2004, houve queda de 2 p.p. na taxa de desemprego. O número de trabalhadores ocupados, estimado em 19,9 milhões, cresceu 0,4%, mesma proporção da expansão observada na PEA. Segundo a mesma pesquisa, em agosto continuou a recuperação do poder de compra do trabalhador. O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas, estimado em R$973,20, cresceu 0,7% em relação ao de julho, e 3,7% comparativamente ao de agosto de 2004.
 
42. No setor industrial, segundo os índices da CNI ajustados sazonalmente pelo Banco Central, a massa salarial real aumentou 0,5% em agosto, ante os níveis de julho, enquanto o contingente de pessoal empregado ficou estável. No ano, até agosto, esses mesmos indicadores tiveram aumentos de 8,9% e 5,6%, respectivamente.
 
Ambiente externo
 
43. Os mercados financeiros internacionais continuaram refletindo as incertezas relacionadas ao elevado preço da energia e aos efeitos do furacão Katrina sobre a economia mundial. Em relação à evolução das cotações do petróleo, embora se situassem, em meados de outubro, no patamar mais reduzido desde junho, permanecem significativamente elevadas, constituindo-se em fator de risco para o crescimento da economia mundial. Os efeitos do furacão Katrina, entretanto, deverão ter impacto restrito à economia americana, com desdobramentos sobre as economias dos demais países apenas no curto prazo.
 
44. A condução da política monetária nos Estados Unidos considera os efeitos das oscilações do produto no curto prazo sobre a inflação. Nesse sentido, as perspectivas são de novas elevações nas taxas de juros, uma vez que o balanço de riscos para o Fed vem pendendo para a inflação, e o desafio será manter sob controle as expectativas inflacionárias. A despeito de o Consumer Price Index (CPI) de setembro vir acima das expectativas de mercado, fortemente influenciado pelos preços da energia, o resultado favorável de seu núcleo poderá contribuir para a redução das incertezas quanto ao ritmo de elevação das taxas de juros, na medida em que sugere a inexistência de pressões disseminadas sobre os preços no país.
 
45. Nos demais países desenvolvidos, persiste a preocupação com a inflação, em linha com os altos patamares e a volatilidade dos preços do petróleo. No entanto, apesar da cautela referente a uma possível contaminação das expectativas inflacionárias de médio prazo, os juros não sofreram mudanças na Área do Euro e no Reino Unido. Na China, o PIB registrou expansão de 9,4% no 3º trimestre, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, enquanto os índices de preços ao consumidor e ao produtor vêm mostrando desaceleração.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
46. Em setembro, o comércio exterior brasileiro apresentou novamente resultados que se constituíram em recordes históricos em meses de setembro, mantendo a tendência de obtenção de novos patamares recordes nos valores acumulados no ano e em doze meses. No mês, o superávit somou US$4,3 bilhões, acumulando US$32,7 bilhões no ano e US$41,3 bilhões em doze meses. Nos mesmos períodos, a corrente de comércio somou US$16,9 bilhões, US$140,8 bilhões e US$184,6 bilhões, respectivamente. Em outubro, a balança comercial foi superavitária em US$1.722 milhões, nos nove primeiros dias úteis do mês. No mesmo período, as exportações e as importações cresceram 24,3% e 2,6%, respectivamente, ante os valores médios observados em igual período de 2004. 
 
47. As exportações alcançaram US$10,6 bilhões em setembro, registrando expansão de 19,2% sobre os valores médios diários observados em setembro de 2004. O valor das exportações de produtos manufaturados, de US$5,9 bilhões, constituiu-se em recorde histórico mensal para a categoria, com expansão de 21,9% em termos de média diária. Dentre os principais produtos da pauta, destacaram-se aparelhos transmissores e receptores, óleos combustíveis, máquinas e aparelhos para terraplenagem, veículos de carga, tratores, autopeças, automóveis de passageiros, aviões e motores para veículos. Destaque-se, também, dentre os produtos manufaturados, a ampliação de itens com pequena participação na pauta de exportação, mantendo o processo de diversificação das vendas externas. O aumento de 22,8% na venda de produtos básicos decorreu, principalmente, da expansão de 689% nas vendas de petróleo em bruto. As exportações de café em grão, carnes e minério de ferro também cresceram acima da variação média dos produtos básicos. Com relação aos produtos semimanufaturados, houve redução de 3,1%, comparativamente aos valores médios registrados em setembro de 2004, fundamentalmente em função do desempenho de óleo de soja, semimanufaturados de ferro e aço e ferro fundido.
 
48. As importações somaram US$6,3 bilhões em setembro, com acréscimo de 9,6% em termos de médias diárias, comparativamente ao mesmo mês de 2004. À exceção de matérias-primas e produtos intermediários, cujas compras recuaram 0,9%, as demais categorias de produtos importados registraram expansão no período, destacando-se bens de capital e bens de consumo, com acréscimos respectivos de 31,9% e 21,4%. No ano, até setembro, observaram-se aumentos de 29,2% em bens de capital, de 20,5% em bens de consumo, de 20,3% em combustíveis e lubrificantes e de 15,7% em matérias-primas e bens intermediários, considerados os valores médios diários de igual período do ano anterior.
 
49. Ao final de setembro, informações preliminares indicam que as reservas internacionais situaram-se em US$57 bilhões, um aumento de US$1,9 bilhão ante a posição registrada no final de agosto. As reservas líquidas ajustadas atingiram US$42,9 bilhões, com elevação de US$2,5 bilhões, na mesma base de comparação.
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
50. Desde a última reunião do Copom, as taxas de juros para prazos inferiores a um ano recuaram, influenciadas pelos bons resultados dos índices de inflação corrente e pela redução das expectativas de inflação. As taxas de mais longo prazo fizeram movimento inverso, reagindo à piora do cenário internacional: preocupações com a evolução da inflação norte-americana ocasionaram elevação das taxas das treasuries e volatilidade nas principais bolsas internacionais. Entre 14 de setembro e 19 de outubro, as taxas de 1, de 3 e de 6 meses cederam, respectivamente, 0,37 p.p., 0,42 p.p. e 0,27 p.p. A taxa de um ano permaneceu estável, e as taxas de dois e de três anos subiram 0,30 p.p. e 0,58 p.p., respectivamente. A taxa real de juros medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses elevou-se de 12,55%, em 14/9, para 12,64%, em 19/10.
 
51. No período de 15 de setembro a 19 de outubro, os pagamentos de instrumentos cambiais totalizaram US$252 milhões, levando a US$15,3 bilhões o resgate líquido acumulado em 2005.
 
52. Entre as reuniões do Copom de setembro e de outubro, o Tesouro Nacional captou R$30,3 bilhões em leilões de venda de títulos prefixados: R$29,3 bilhões mediante a venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN), de vencimento em 2006, 2007 e 2008 e R$1,0 bilhão com a colocação de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F), de vencimento em 2010 e 2012. Os leilões de venda de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), de vencimento em 2008 e 2009, movimentaram o equivalente a R$17,8 bilhões.
 
53. O Banco Central manteve suas operações compromissadas semanais com prazo de três meses e, a partir de outubro, passou a fazê-las também com prazo de cinco meses, o que viabiliza uma melhor distribuição de vencimentos. Além disso, fez operações compromissadas de curtíssimo prazo, das quais doze se destinaram a prover, e dez, a retirar reservas bancárias. Realizou, também, operações de nivelamento da liquidez ao final do dia. O saldo diário médio das operações de três e de cinco meses, que corresponde ao excesso de liquidez bancária esterilizado por essas operações, alcançou R$49,3 bilhões. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, apresentaram saldo diário médio de R$1,4 bilhão, tomador.
 
54. Com o objetivo de reduzir o excedente de liquidez bancária previsto para o quarto trimestre, o Banco Central realizou, em 14/9 e em 21/9, leilões de venda de LTN de sua carteira, de vencimento em janeiro de 2006, conjugada a compra de LTN de vencimento em outubro de 2005. O volume financeiro total dessas operações foi de R$3,8 bilhões. Com objetivo análogo, em 5/10 e em 13/10, vendeu LTN de vencimento em abril de 2006, recebendo em pagamento LTN de vencimento em janeiro de 2006. O volume financeiro total dessas operações foi de R$2,8 bilhões.
 
55. Em setembro, o estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) aumentou 1,3%, atingindo R$933 bilhões, devido à colocação líquida de R$2,1 bilhões em títulos e à apropriação de juros. A parcela da dívida correspondente a títulos de rentabilidade prefixada alcançou 25,8%, ante 23,9% no final de agosto.