Sumário
Data: 13 e 14/9/2005
Local: Sala de reuniões do 8º andar (13/9)
e do 20º andar (14/9) do Edifício-Sede do Banco Central – Brasília – DF
Horário de início: 16h55 (13/9) e 16h30 (14/9)
Horário
de término: 19h15
(13/9) e 19h30 (14/9)
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de
Campos Meirelles – Presidente
Afonso
Sant’Anna Bevilaqua
Alexandre Antonio Tombini
Alexandre Schwartsman
Antonio
Gustavo Matos do Vale
João
Antônio Fleury Teixeira
Rodrigo Telles da Rocha Azevedo
Paulo Sérgio Cavalheiro
Sérgio Darcy da Silva Alves
Chefes de Departamento (todos
presentes no dia 13)
Altamir
Lopes – Departamento Econômico
Ivan Luís
Gonçalves de Oliveira Lima – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Jose
Antônio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de
Pagamentos
José Pedro
Ramos Fachada – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
Marcelo
Kfoury Muinhos – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia
14)
Daso
Maranhão Coimbra – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Demais participantes (presentes no
dia 13)
Alexandre
Pundek Rocha – Consultor da Diretoria
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Chefe-Adjunto
do Departamento de
Estudos e Pesquisas
Katherine
Hennings – Consultora da Diretoria
Flávio
Pinheiro de Melo –
Consultor da Diretoria
Jocimar
Nastari – Assessor de Imprensa
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as
perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no
contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo governo para a inflação.
1.
A
variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto
confirmou as expectativas de continuidade do processo de acomodação da inflação
em níveis inferiores aos verificados nos meses iniciais de 2005. Com a taxa de
0,17% observada nesse mês, o trimestre junho–agosto registrou inflação média
mensal de 0,13% e acumulada de 0,40%, contra valores de 0,66% e de 1,98%,
respectivamente, no período março–maio. A mudança de patamar sugerida pelos
dados foi potencializada pela redução dos preços dos alimentos, em intensidade
superior à usual. Sem deixar de reconhecer o papel da queda dos preços dos
alimentos sobre o índice de inflação, cabe notar que a variação média de todos
os nove grupos do IPCA no período junho–agosto esteve abaixo da observada em
março–maio, exceção feita a despesas pessoais e comunicações. Os preços dos
bens comercializáveis recuaram no período junho–agosto, favorecidos pelo
comportamento da taxa de câmbio. Também a inflação dos bens não
comercializáveis apresentou redução de patamar nos últimos meses, caindo do
valor médio de 0,5% no trimestre março–maio para 0,2% no período junho–agosto.
Destaque-se ainda que o índice de difusão em agosto alcançou 48,4%, o menor
nível desde agosto de 1998, sinalizando que a redução das taxas de inflação não
se deve ao efeito de poucos produtos, mas a um comportamento disseminado dos
preços.
2.
O
recuo dos indicadores inflacionários foi visível não apenas na variação dos
índices de preços plenos, mas também nas respectivas medidas de inflação
subjacente. O núcleo por exclusão, o núcleo com suavização de itens
preestabelecidos e o núcleo sem suavização, que tiveram variação média de
0,56%, 0,66% e 0,55%, respectivamente, no trimestre terminado em maio,
registraram valores médios de 0,33%, 0,43% e 0,28% no trimestre findo em
agosto. Assim como no caso da inflação plena, os dados sugerem mudança de
patamar, embora em magnitude mais modesta. Essa conjectura é avalizada pela
análise das médias móveis trimestrais dos núcleos, que têm nos valores registrados
em agosto os mínimos históricos desde o início de 2001. Cabe ressaltar ainda
que, após oscilarem em torno de valores relativamente elevados nos cinco
primeiros meses do ano, as três séries de médias móveis vêm consistentemente se
deslocando para baixo.
3.
Em
agosto, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou
redução de 0,79%, a maior de quatro observadas consecutivamente. Uma vez mais,
esse comportamento foi bastante afetado pelo expressivo declínio do Índice de
Preços por Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), que no mês registrou
deflação de 1,04%, acompanhado de queda de 0,44% no Índice de Preços ao
Consumidor – Disponibilidade Interna (IPC-DI) e virtual estabilidade do Índice
Nacional do Custo da Construção (INCC) a 0,02%. Atualmente o IGP-DI está
posicionado em patamar inferior ao de janeiro de 2005, acumulando uma variação
de apenas 0,32% ao longo do ano. Por sua vez, o IPA-DI também registrou quatro
recuos no intervalo maio–agosto, acumulando variação de -1,57% em 2005. Esse
movimento pouco usual do IPA-DI reflete a redução tanto nos preços dos bens de
consumo, a despeito do aumento nos preços dos bens de consumo duráveis, quanto
nos preços dos bens de produção. Em outra perspectiva, a queda deve ser
atribuída à igualmente rara confluência de uma forte redução do IPA agrícola,
de 5,19% no ano, com a ligeira redução do IPA industrial, de 0,33%. As
estimativas disponíveis para setembro apontam continuidade dos movimentos de
retração tanto do IGP-DI quanto do IPA-DI: dados do Índice Geral de Preços –
Mercado (IGP‑M) para o primeiro decêndio de setembro assinalam o quinto
recuo em cinco meses, 0,56%, o maior da série histórica. Tanto em 2005 como nos
últimos doze meses, os índices gerais de preços registram variações inferiores
à do IPCA. Dessa forma, acumulam-se evidências de acomodação consistente dos
preços no atacado, com efeitos favoráveis sobre a variação dos preços ao
consumidor, incluindo os preços administrados do próximo ano. Conforme
destacado nas Notas de reuniões recentes do Copom, a intensidade de tais
efeitos nos próximos meses, bem como sua própria continuidade, dependerá das
condições prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços
em relação à trajetória futura da inflação.
4.
No
segundo trimestre de 2005, o crescimento da economia voltou a se acelerar,
confirmando o diagnóstico expresso no “Relatório de Inflação” de junho. A taxa
dessazonalizada de 1,4% em relação ao período imediatamente anterior, a oitava
taxa positiva consecutiva, elevou o resultado do semestre para 3,4% em relação
ao mesmo período de 2004. Os três setores foram positivamente afetados, em
especial a indústria, que cresceu 3,0% na comparação com o primeiro trimestre,
com serviços e agropecuária sendo contemplados, respectivamente, com taxas de
1,2% e 1,1%. A intensificação da atividade foi mais visível nos componentes da
demanda doméstica. Houve expansão de 4,5% na formação bruta de capital fixo,
após dois trimestres de redução; e de 0,9% no consumo das famílias, após um
trimestre de contração. As exportações de bens e serviços cresceram 2,6%, nono
resultado positivo em série; e as importações, 2,4%.A retomada do crescimento do consumo e do investimento privado fortalece
a perspectiva de que, no médio e longo prazos, esses componentes da demanda
agregada continuem como principais fatores de sustentação do crescimento da
economia. Os dados do primeiro trimestre de 2005 foram revisados pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam agora crescimento
dessazonalizado de 0,4% em relação ao último trimestre de 2004, em vez de 0,3%,
como inicialmente estimado. Tendo em vista o comportamento dos indicadores
antecedentes da atividade econômica, a continuidade do processo de crescimento
da economia deverá se confirmar ao longo dos próximos trimestres.
5.
A
produção industrial diminuiu 2,5% em julho, em termos dessazonalizados, na
comparação com junho, ratificando tendência sugerida pelos indicadores
antecedentes e coincidentes da série. A magnitude do movimento, porém, reflete
provavelmente a ocorrência muito rara de um número menor de dias úteis em julho
(21) do que em junho (22), decorrente de feriados móveis não considerados pela
metodologia de ajuste sazonal — feriado de Corpus Christi em maio em vez de junho
— e da incidência de cinco finais de semana em julho. Note-se, ademais, que
essa queda ocorreu após quatro aumentos consecutivos, sendo que, desde o final
de 2004, os valores mensais da série dessazonalizada intercalam momentos de
crescimento, estabilidade e redução, embora a tendência aponte para
crescimento. De fato, tal oscilação ocorre em momento no qual a produção
industrial, de modo geral, registra valores historicamente elevados. Essa
avaliação é corroborada pela análise de uma série mais estável, de médias
móveis trimestrais, que em julho registra o terceiro mês consecutivo com
crescimento e novo máximo histórico, 4,1% superior ao valor de julho de 2004.
Os indicadores antecedentes e coincidentes da série apontam para a retomada dos
aumentos da produção industrial em agosto e continuidade do crescimento na
série de médias móveis trimestrais.
6.
Considerando-se
a composição da produção industrial, todas as categorias de uso registraram
queda na série dessazonalizada. A produção de bens de capital, com redução de
7,6%, foi a que mais caiu, seguida pela redução de bens intermediários e de
bens de consumo, com retração de 1,9% e 1,7%, respectivamente. Assim como no
comportamento agregado da indústria, esses números estão contaminados pelas
alterações do calendário mencionadas no parágrafo anterior. No acumulado do
ano, o saldo é positivo, com a produção de bens de capital, de bens
intermediários e de bens de consumo crescendo, respectivamente, 2,6%, 1,8% e
8,2%. Além disso, com o desempenho de julho, as séries de médias móveis
trimestrais mostraram elevação de 0,4% para a produção de bens de capital, de
0,1% para a de bens intermediários e de 2,1% para a produção de bens de consumo
duráveis, atingindo, nos três casos, novos máximos históricos. No caso do último
grupo, o mais dinâmico no período recente, houve crescimento pelo sexto mês
consecutivo, acumulando expansão de 19,2% em relação a julho de 2004. Da mesma
forma, pelo critério das médias móveis trimestrais, para os bens semi e não
duráveis houve crescimento de 0,1%, a terceira taxa positiva em série, o mesmo
ocorrendo para a indústria em geral.
7.
O
mercado de trabalho tem evoluído em compasso com os níveis historicamente
elevados de atividade, com os números relativos a julho confirmando o bom
desempenho que vem se verificando ao longo do corrente ano. Segundo pesquisa do
IBGE, a taxa de desocupação para julho foi estimada em 9,4%, mesmo valor de
junho e o menor nível da série iniciada em outubro de 2001. A população ocupada
aumentou 3,4% no acumulado do ano, em comparação ao mesmo período de 2004. Em
julho, o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas cresceu 2,3%, no
confronto com o mês anterior, em parte reflexo da retração na variação nos
índices de preços ao consumidor e dos ganhos obtidos pelos trabalhadores em
negociações salariais. O emprego na indústria de transformação decresceu 0,2%
em julho, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
dessazonalizados pelo Banco Central, interrompendo a série de taxas positivas
iniciada em janeiro de 2004. Entretanto, ainda acumula crescimento de 6,0% e de
6,1%, respectivamente, em 2005 e em doze meses. A massa salarial real na
indústria de transformação subiu 0,8% em julho, acumulando crescimento de 9,0%
no ano e de 9,7% em doze meses, superando o crescimento do emprego e
sinalizando aumento do salário médio. Nota-se, portanto, a ocorrência de um
processo que alia aumento da quantidade de vagas à melhoria na qualidade do
emprego industrial. O emprego formal, computado pelo Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE), também continua em trajetória de expansão. Com a criação de
117.473 postos de trabalho em julho, a geração de emprego formal supera um
milhão de novas vagas em 2005 e 1,3 milhão em doze meses.
8.
Conforme
assinalam as Notas da última reunião do Copom, as vendas no comércio varejista
aumentaram 1,2% em junho, segundo dados dessazonalizados do IBGE, perfazendo
uma expansão acumulada de 4,6% em 2005, refletindo desenvolvimentos favoráveis
no mercado de trabalho e no mercado de crédito. Como em meses anteriores, e em
linha com o comportamento da produção industrial em meses recentes, o
crescimento foi liderado pelas vendas de móveis e eletrodomésticos, que
aumentaram 4,3% em junho. O comportamento favorável das vendas foi atestado
também pela revisão, divulgada pelo IBGE, dos dados referentes a maio, que
passaram a mostrar um crescimento dessazonalizado de 1,2%, ante os 0,4%
originalmente anunciados. Considerando o valor revisado, a média móvel
trimestral da série mostra crescimento de 0,9% em junho, em relação a maio. A
revisão dos dados de maio fez com que todas as atividades, com exceção de
tecidos, vestuário e calçados, passassem a registrar crescimento nos últimos
dois meses. No caso dos hiper e supermercados, a revisão dos dados de maio
transformou uma queda de 0,4% em elevação de 0,7%. A despeito da ausência de
dados mais atualizados sobre vendas, os indicadores disponíveis não antecipam
movimentos significativos em julho, em comparação a junho. Além disso, para os
meses seguintes, as perspectivas são de fortalecimento do comércio varejista
apesar de, em setembro, o índice de confiança do consumidor medido pela
Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) ter apresentado a
segunda redução consecutiva e o menor nível desde abril de 2004.
9.
De
acordo com dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, a utilização da
capacidade instalada na indústria de transformação voltou a cair em julho,
atingindo 81,8%, ante 82,7% em junho. Por sua vez, dados da FGV dessazonalizados
pelo Banco Central assinalam que o nível de utilização atingiu 84,7% em julho,
representando acréscimo marginal em relação à taxa de 84,2% observada em abril
passado. A despeito das pequenas variações em relação aos níveis imediatamente
anteriores, as duas séries mostram que a utilização da capacidade continua em
patamar historicamente elevado. A relativa estabilidade da UCI parece estar
associada à maturação de investimentos, dado que a produção industrial aumentou
no período. Como ressaltado em Notas das reuniões do Copom, a persistência de
elevada utilização da capacidade instalada acentua a dependência da trajetória
da inflação com relação a desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante
à ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento da
demanda. O indicador de investimento representado pela absorção de bens de
capital anota retração de 5,5% em julho, também afetado pelo problema de dias
úteis, mas com expansão de 3,8% no acumulado em 2005. Além disso, deve-se
considerar que os dados mensais de investimento tendem a apresentar certa
volatilidade, sendo mais apropriado o foco em medidas que capturem a sua
tendência. Evidências positivas nesse sentido são o crescimento da Formação
Bruta de Capital Fixo (FBCF) de 4,5% no segundo trimestre de 2005, em relação
ao primeiro, acumulando 8,6% nos últimos quatro trimestres contra 4,3% para o
PIB no mesmo período, e o aumento, já salientado nas Notas de agosto, de 28,3%
no volume das importações de bens de capital no acumulado até julho, quando
comparado ao mesmo período de 2004.
10.
No
tocante ao comércio exterior, os dados mais recentes confirmam que, em 2005, o
comércio com o resto do mundo terá desempenho superior ao do ano passado. O
saldo acumulado em doze meses até agosto pela primeira vez ultrapassou a marca
dos US$40 bilhões, com exportações atingindo US$111 bilhões e importações US$71
bilhões, ou seja, um volume de comércio de US$182 bilhões. Nos doze meses
encerrados em agosto, as exportações cresceram 25% em valor, em relação aos doze
meses anteriores, apresentando desaceleração no crescimento em termos
marginais, enquanto as importações aumentaram 23,9%. Na margem, a expansão das
importações também vem se desacelerando, a despeito da elevação significativa
dos preços do petróleo. Em contraponto, as importações de bens de capital
cresceram 41,3% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2004, e 24% nos
últimos doze meses, a maior taxa desde março de 1998. O bom desempenho dos
saldos comerciais no período de doze meses encerrado em agosto proporcionou
superávit em transações correntes de US$12,5 bilhões, equivalente a 1,8% do
PIB. Embora a contribuição da demanda externa para a expansão da economia se
mostre menor do que no passado recente, esta permanece positiva e superior ao
que se esperava no início deste ano.
11.
No
âmbito dos mercados financeiros internacionais, a volatilidade permaneceu
relativamente elevada, e não houve alteração significativa em relação ao
cenário considerado por ocasião da reunião de agosto do Copom. Parece prematura
qualquer avaliação a respeito dos efeitos do furacão Katrina sobre a economia
mundial, apesar da convergência das expectativas no sentido de que o
crescimento da economia norte-americana deverá ser temporariamente afetado. O
prêmio de risco-Brasil, no início de agosto, voltou a recuar e se aproxima dos
níveis mínimos históricos observados em outubro de 1997. Como seria natural
esperar no caso de uma grande economia emergente, que adota o regime de câmbio
flutuante, a redução do prêmio de risco-Brasil tem sido acompanhada por
movimentos similares da taxa de câmbio. As condições de liquidez e a
estabilidade dos mercados continuam sujeitas ao quadro macroeconômico nos
países industrializados, especialmente nos Estados Unidos, e à possível
resposta da política monetária do Federal Reserve (Fed) à sua evolução.
De maneira geral, os indicadores recentes sugerem perspectivas favoráveis no
sentido de que o Fed prossiga em sua política de aumento moderado nas taxas de
juros. Um fator de preocupação adicional está associado aos desequilíbrios nas
contas externas de algumas das principais economias mundiais e à possibilidade
de que eventuais ajustes em suas trajetórias determinem grandes flutuações
cambiais. Apesar desse quadro, no qual há incertezas relevantes, o Copom
continua atribuindo baixa probabilidade a um cenário de deterioração
significativa nos mercados financeiros internacionais.
12.
Os
preços do petróleo no mercado internacional, após terem registrado recordes
históricos em agosto, apresentaram alguns sinais de arrefecimento. Embora tenha
havido recuo considerável em relação aos valores máximos, os preços ainda
continuam em níveis elevados e, conforme destacado nas Notas da reunião do
Copom de agosto, um dos temores é de que se sustentem por mais tempo em um
nível acima do que vinha sendo prognosticado. Diante das incertezas que ainda
cercavam a trajetória dos preços do petróleo, aquele documento reconhecia que o
cenário central de trabalho para a evolução dos preços do petróleo vinha se
tornando progressivamente menos plausível e que, portanto, haviam aumentado
significativamente os riscos à sua concretização, riscos que poderiam se
materializar em uma elevação nos preços domésticos da gasolina em 2005. Essa
conjectura foi confirmada pelos aumentos recentes nos preços dos combustíveis.
Embora a elevação dos preços internacionais do petróleo continue a representar
fator de risco para a trajetória futura da inflação, dado que se transmite à
economia doméstica por intermédio dos seus efeitos sobre os preços de insumos
derivados do petróleo, bem como sobre as expectativas dos agentes econômicos, o
aumento recente nos preços dos combustíveis proporcionou maior segurança sobre
os desdobramentos internos futuros da dinâmica recente dos preços
internacionais do petróleo. Em particular, no cenário de referência com que
trabalha o Copom, não se considera outro aumento nos preços domésticos da
gasolina em 2005.
13.
Os
choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas
informações disponíveis. O cenário considerado nas simulações contempla as
seguintes hipóteses:
a) as projeções
para os reajustes totais nos preços da gasolina aumentaram em relação à reunião
anterior, passando de 0% para 7,5% para o acumulado de 2005. Por outro lado, as
projeções para o gás de botijão nesse período foram reduzidas de 0% para -1,7%;
b) os
reajustes projetados para as tarifas de telefonia fixa sofreram aumento de 0,6
p.p. para o acumulado em 2005, passando de 6,1% na reunião de agosto para 6,7%
na de setembro. As projeções para as tarifas de energia elétrica residencial
para 2005 foram reduzidas para 7,6%, em comparação com 8,2% projetado na
reunião de agosto;
c) considerando
todo o conjunto de itens administrados por contrato e monitorados, com peso de
29,8% no IPCA de agosto, o Copom aumentou a projeção para o acumulado de 2005
em 0,8 p.p., passando de 7,0% na reunião de agosto para 7,8% na reunião de
setembro;
d) a projeção
de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2006 foi
reduzida para 5,3%, em comparação com 5,7% da reunião do Copom passada. A
redução na projeção teve como base a queda acentuada dos IGPs e de suas
projeções doze meses à frente. Houve um acréscimo significativo nas informações
disponíveis em relação à reunião passada, possibilitando a projeção individual
de um maior número de itens desses preços para 2006. Para os demais itens, as
projeções permaneceram sendo estimadas pelo modelo de determinação endógena de
preços administrados, que considera componentes sazonais, variações cambiais,
inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP);
e) a projeção
para o spread de seis meses sobre a taxa Selic, seguindo especificação
de um modelo VAR que utiliza Selic e swap em níveis a partir dos valores
vigentes nos dias que antecederam a reunião do Copom, parte de uma média de -90
p.b. no terceiro trimestre de 2005 e alcança 34 p.b. no último trimestre de
2006.
14.
Em
relação à política fiscal, supõe-se o cumprimento da meta de superávit primário
de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2005 e 2006. São mantidas as demais
hipóteses consideradas na reunião anterior.
15.
Desde
a reunião de agosto do Copom houve nova redução na mediana das expectativas
coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores do Banco
Central do Brasil (Gerin) para a variação do IPCA em 2005, que passou de 5,40%
para 5,19%. Embora esse valor seja passível de revisão, em virtude de haver
captado apenas parcialmente os efeitos dos recentes reajustes nos preços dos
combustíveis, destaca-se que essa redução ocorreu pelo quarto mês consecutivo,
em parte devido à desaceleração não antecipada da inflação captada no IPCA de
agosto. Com isso, as expectativas se aproximaram ainda mais do objetivo de 5,1%
perseguido pela política monetária para o ano. Para 2006, as expectativas
diminuíram de 4,98% para 4,80%. Além disso, a distribuição de projeções tem se
deslocado em direção a um formato cuja moda se posiciona em torno da meta
estabelecida pelo CMN para o próximo ano. Como mencionado em Notas de reuniões
anteriores do Copom, esses desenvolvimentos sugerem que as decisões de política
monetária dos últimos meses, além de conter as pressões inflacionárias de curto
prazo, estão contribuindo de forma importante para a consolidação de um
ambiente macroeconômico cada vez mais favorável em horizontes mais longos.
16.
A
projeção de inflação do cenário de referência, que pressupõe a manutenção da
taxa Selic em 19,75% a.a. e da taxa de câmbio em R$2,35 ao longo de todo o
horizonte de projeção, apresentou redução em relação à reunião anterior do
Copom, situando-se abaixo do objetivo de 5,1% para o ano. A melhora deveu-se
fundamentalmente à surpresa positiva na inflação de agosto, ao alargamento do
hiato do produto e à reavaliação das estimativas de reajustes de alguns preços
administrados para o restante do ano, que contrabalançaram os efeitos adversos
do aumento nos preços da gasolina. As projeções baseadas no cenário de mercado,
que incorpora as trajetórias de câmbio e da taxa Selic esperadas pelo mercado
no período imediatamente anterior à reunião do Copom, situam-se acima do
objetivo de 5,1%, mas se reduziram em relação ao mês anterior. Para 2006, a
projeção de inflação associada ao cenário de referência se reduziu,
permanecendo abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional
(CMN). No cenário de mercado, houve também ligeira redução da projeção, mas
ainda mantendo-se acima da meta.
17.
O
Copom também considerou as projeções de inflação para horizontes situados entre
dezembro de 2005 e dezembro de 2006, como os períodos de doze meses que se
encerram em março de 2006, junho de 2006 e setembro de 2006. Trata-se de
horizontes cujos resultados são mais sensíveis às decisões correntes de
política monetária do que os do ano-calendário de 2005, sendo, ao mesmo tempo,
períodos cobertos por projeções de inflação mais confiáveis do que as já
disponíveis para o ano-calendário de 2006. As projeções do cenário de
referência para os períodos de doze meses que se encerram em março de 2006,
junho de 2006 e setembro de 2006 se encontram abaixo dos valores que dizem
respeito a esses períodos na trajetória de metas obtida pela interpolação do
objetivo de inflação de 5,1% para 2005 e da meta de 4,5% estabelecida pelo CMN
para 2006.
18.
O Copom reafirma o diagnóstico, expresso nas Notas
das últimas reuniões, de que os resultados recentes da inflação, bem como as
projeções de inflação realizadas pelo Banco Central e pelos analistas do setor
privado, sugerem que, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo,
a postura de política monetária adotada desde setembro de 2004 tem contribuído
de maneira importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico cada
vez mais favorável em horizontes mais longos. A atividade econômica deverá
continuar em expansão, mas em ritmo condizente com as condições de oferta, de
modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação. Além disso, o
cenário externo permanece favorável, particularmente no que diz respeito às
perspectivas de financiamento para a economia brasileira. Mesmo que os preços
internacionais do petróleo se mantenham nos níveis elevados dos últimos meses,
o recente reajuste do preço doméstico da gasolina reduziu um foco de incerteza
importante na construção de cenários para a evolução dos preços em 2005 e,
principalmente, em 2006. Assim, continua se configurando, de maneira cada vez
mais definida, um cenário benigno para a evolução da inflação. Tal como na
reunião de agosto, o Copom enfatiza que o principal desafio da política
monetária nesse contexto é garantir a consolidação dos desenvolvimentos
favoráveis que se antecipam para o futuro.
19.
No regime de metas para a inflação, a autoridade
monetária orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a
inflação futura, analisando diversos cenários alternativos para a evolução das
principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. A consolidação dos
desenvolvimentos favoráveis que vêm sendo observados para os principais índices
de preços deverá contribuir de forma importante para reduzir a incerteza em
relação ao comportamento futuro da inflação, tornando mais fácil tanto a
avaliação de cenários pela autoridade monetária quanto a coordenação de
expectativas dos agentes privados. Da mesma forma, a persistência de uma
postura mais ativa de política monetária em um contexto em que os indicadores
de atividade sugerem a manutenção da trajetória de crescimento da economia, e
uma parcela dos resultados favoráveis para a inflação de curto prazo responde a
fatores pontuais, que tendem a apresentar alguma reversão no futuro, poderá
fazer com que a inflação se aproxime de forma mais consistente dos objetivos
estabelecidos para horizontes mais curtos. Como conseqüência desse processo, as
expectativas para horizontes mais longos poderão ser afetadas de forma mais
duradoura, reduzindo sobremaneira os custos associados à convergência da
inflação para a trajetória de metas estabelecida para a atuação da autoridade
monetária.
20.
A convergência ininterrupta da inflação
para a trajetória de metas e a resultante consolidação de um cenário de
estabilidade macroeconômica duradoura contribuirão para a manutenção do
processo de redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo
nos últimos anos. O espaço para que observemos juros reais menores no futuro
continuará se consolidando de forma natural, como conseqüência dessa melhora de
percepção. O Copom avalia que a atuação cautelosa da política monetária tem
sido fundamental para aumentar a probabilidade de que a inflação convirja para
a trajetória de metas. Para que essa maior probabilidade continue se traduzindo
em resultados efetivos, entretanto, é preciso que os indicadores prospectivos
de inflação sigam apresentando elementos compatíveis com o cenário benigno que
tem se configurado. Dessa forma, a flexibilização da política monetária não
comprometerá as importantes conquistas dos últimos meses no combate à inflação
e na preservação do crescimento econômico com geração de empregos.
21.
Diante disso, o Copom decidiu, por unanimidade,
reduzir a meta para a taxa Selic para 19,50% a.a, sem viés, e acompanhar
atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação até a sua próxima
reunião para então definir os próximos passos na sua estratégia de política
monetária.
22.
Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê
voltaria a se reunir em 18 de outubro de 2005, para as apresentações técnicas
e, no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme
estabelecido pelo Comunicado 12.631, de 29.10.2004.
SUMÁRIO DOS
DADOS ANALISADOS PELO COPOM
23.
O IPCA registrou taxa de 0,17% em
agosto, acumulando variações de 3,59% no ano e de 6,02% nos últimos doze meses.
O crescimento do IPCA no mês decorreu exclusivamente do aumento de preços de
itens monitorados, cujo grupo registrou variação de 0,69%. O conjunto de preços
livres registrou recuo de 0,05%. Nesse grupo, destacou-se a queda dos preços de
alimentação e bebidas, de 0,73%, cujo efeito se sobrepôs aos impactos de
aumentos ocorridos em outros itens, no período.
24.
O IGP-DI recuou 0,79% em agosto,
registrando variação negativa pelo quarto mês consecutivo. No ano, o IGP-DI
acumulou variação de 0,32% e, nos últimos doze meses findos em agosto, de
2,71%. Considerados os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços ao Consumidor
– Brasil (IPC-Br) diminuiu 0,44% no mês, principalmente pela queda de 1,57% nos
preços do grupo alimentação, enquanto o INCC variou 0,02%. O IPA-DI, componente
de maior peso do IGP-DI, registrou queda pelo quarto mês consecutivo, -1,04%,
acumulando variação negativa de 1,57% no ano e aumento de 1,16% em doze meses.
25.
O novo recuo do IPA-DI em agosto
refletiu tanto a redução dos preços agrícolas como dos industriais. O
IPA-agrícola variou -2,47%, ante -1,6% em julho, sobretudo pela intensificação
da queda dos preços de animais e derivados. As taxas dos grupos legumes e
frutas e cereais e grãos novamente foram negativas no mês, após ligeira alta em
julho. O declínio dos preços industriais também se acentuou em agosto, -0,57%,
ante -0,38% em julho, principalmente pela reversão na variação do grupo
química, -0,67%, após alta de 0,26% no mês anterior. Outros segmentos
importantes da indústria de transformação, como produtos alimentares e
metalúrgica, continuaram com variações negativas de preços. Considerando o
IPA-DI segundo os estágios de processamento, as quedas de preços de 1,22% dos
bens finais e de 0,81% dos bens intermediários foram de maior magnitude que as
do mês anterior. Os preços das matérias-primas brutas recuaram 1,26%, após
queda de 1,7% em julho.
26.
O núcleo de inflação para o IPCA
calculado pelo método das médias aparadas com suavização de itens
preestabelecidos situou-se em 0,36%, ante 0,45% no mês anterior, e totalizou
7,2% em doze meses. A mesma medida para o núcleo, calculada sem o procedimento
de suavização de itens preestabelecidos, passou de 0,31% em julho para 0,28% em
agosto, com aumento acumulado de 5,82% em doze meses. O núcleo calculado pela
exclusão de alimentos no domicílio e preços monitorados também recuou em
agosto, atingindo 0,26%, ante 0,37% em julho. Em doze meses, essa medida de
núcleo do IPCA acumulou variação de 6,56%.
27.
O índice de difusão do IPCA mostrou, em
agosto, nova redução da proporção de itens com variações positivas, 48,4% ante
53,7% no mês anterior.
28.
O núcleo de inflação para o IPC-Br,
calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) pelo método das médias aparadas
simétricas, atingiu 0,07% em agosto, o menor resultado mensal desde novembro de
1998. No ano, o indicador acumulou variação de 3,69%, totalizando alta de 5,46%
em doze meses.
29.
Para
setembro, espera-se elevação das taxas de inflação em decorrência, sobretudo,
do aumento dos preços dos combustíveis ocorrido em 10 de setembro. Estima-se
que o reajuste concedido à gasolina tenha impacto direto de 0,32 p.p. sobre o
IPCA, divididos entre os resultados deste mês e de outubro.
30.
Segundo
a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o número de consultas ao Serviço de
Proteção ao Crédito (SPC) cresceu 1,1% em agosto, relativamente ao de julho, na
série dessazonalizada, enquanto as consultas efetuadas ao sistema Usecheque
diminuíram 1,9%. No ano, até agosto, esses indicadores revelaram aumentos de
5,7% e 3,5%, respectivamente, quando comparados aos do mesmo período do ano
anterior.
31.
Pesquisa
mensal da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP)
registrou declínio de 13,1% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em
setembro, em comparação ao nível de agosto, como resultado das quedas de 13,4%
e 12,7% no Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) e no Índice de Condições
Econômicas Atuais (Icea), respectivamente.
32.
Os
indicadores de investimento registraram queda em julho. A produção doméstica e
a importação de bens de capital diminuíram 7,6% e 1,6%, respectivamente, em
comparação aos níveis observados no mês anterior, após ajuste sazonal. A
produção de insumos da construção civil recuou 3,5%, também considerada a série
dessazonalizada. No ano, até julho, em comparação com o mesmo período de 2004,
esses indicadores acumularam expansões respectivas de 2,6%, 28,3% e 3,8%.
33.
Segundo
a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção industrial brasileira
caiu 2,5% em julho, em relação à do mês anterior, após ajuste sazonal. A retração
da produção em julho, após quatro meses consecutivos de crescimento, atingiu a
produção das indústrias de transformação, -1,9%, e extrativa, -1,1%. No ano,
até julho, a indústria acumulou expansão de 4,3%, resultado dos acréscimos de
4% na indústria de transformação e de 10,5% na produção extrativa. Deve-se
ressaltar que, em parte, a queda mensal observada na atividade industrial de
julho, deve-se à incidência do feriado de Corpus Christi em maio, ao invés de
em junho, neste ano. O efeito desse deslocamento não é compensado no processo
de dessazonalização adotado para a PIM e resultou na elevação do patamar
produtivo de junho (na série dessazonalizada).
34.
A
análise desagregada da produção industrial, considerando as séries sazonalmente
ajustadas, revelou que 20 das 23 atividades mostraram queda no mês. Por
categorias de uso, todos os segmentos registraram recuo em julho, destacando-se
as quedas de 7,6% na produção de bens de capital e de 5,9% na de bens de
consumo duráveis. A fabricação de bens intermediários, de maior peso no
resultado global da indústria, diminuiu 1,9%, e a de bens de consumo semi e não
duráveis, 0,8%.
35.
Estatísticas
da CNI mostraram quedas de 0,3% nas vendas reais e de 2,2% nas horas
trabalhadas na produção em julho, em relação às do mês anterior, nas séries
ajustadas sazonalmente pelo Banco Central. Em relação aos índices observados em
julho de 2004, as vendas reais diminuíram 2,9%, e as horas trabalhadas
aumentaram 2,8%. O nível de utilização da capacidade instalada alcançou 81,8% no
mês, na série dessazonalizada, recuando 0,9 p.p. em relação ao observado em
junho. Considerando a série sem ajuste sazonal, o nível de utilização de 81,7%
ficou 1,1 p.p. abaixo do verificado em julho de 2004. Registre-se que também as
variações mensais desses indicadores, nas séries dessazonalizadas, foram
parcialmente influenciadas pelo deslocamento do feriado de Corpus Christi.
36.
Indicadores
setoriais da indústria delinearam perspectiva favorável para a atividade fabril
em agosto. Nesse sentido, as variações da carga própria de energia elétrica,
dado do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a produção de
autoveículos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), e o número de pedágios efetuados por veículos pesados,
conforme o indicador da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias
(ABCR), apontaram, conjuntamente, recuperação da produção industrial no mês,
após ajuste sazonal
37.
O índice de emprego formal registrou
crescimento mensal de 0,4% em julho, após ajuste sazonal, de acordo com
informações do MTE. Comparativamente ao índice de julho de 2004, houve expansão
de 5,6% no nível de ocupação formal, resultante da criação líquida de 1.370 mil
empregos no período, com destaque para a expansão de 7,5% nos postos de
trabalho no comércio.
38.
Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego
(PME), realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas do País,
a taxa de desemprego ficou estável em 9,4% em julho, situando-se 1,8 p.p.
abaixo da observada em julho de 2004. A estabilidade da População
Economicamente Ativa (PEA) e o aumento de 0,5% no número de trabalhadores
desocupados explicam a manutenção da taxa de desemprego de junho e julho. O
número de trabalhadores ocupados manteve-se praticamente no mesmo patamar, com
redução de 18 mil postos de trabalho, ou -0,1%. Segundo a mesma pesquisa, o
rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas cresceu 2,3% em julho deste
ano, comparativamente ao registrado em junho, ao situar-se em R$967,18.
39.
No setor industrial, segundo os índices
da CNI ajustados sazonalmente pelo Banco Central, o contingente de pessoal
empregado caiu 0,2% e a massa salarial real aumentou 0,8% em julho, ante os
níveis de junho. Em relação aos patamares observados em julho de 2004, o
pessoal empregado e a massa salarial real evoluíram 3,9% e 9,3%,
respectivamente.
40.
O saldo das operações de crédito do
sistema financeiro com recursos livres cresceu 1,6% em agosto. Nas operações
com pessoas físicas, o saldo aumentou 3,4%, resultado, basicamente, do
comportamento das modalidades de crédito pessoal e aquisição de bens. Nas
carteiras destinadas a pessoas jurídicas, o total das operações com recursos
domésticos registrou incremento de 0,6%, enquanto o das operações referenciadas
em moeda estrangeira apresentou queda de 0,9%.
41.
A taxa média de juros incidente sobre
as operações de crédito com recursos livres subiu 0,3 p.p. em agosto. Nas
operações com pessoas físicas, a taxa média ficou estável em 64,4% a.a.,
enquanto naquelas contratadas com pessoas jurídicas, observou-se acréscimo de
0,2 p.p., para 33,2% a.a.
42.
No sistema financeiro, a taxa de
inadimplência relativa às operações de crédito com recursos livres situou-se em
7,6% em agosto, 0,1p.p. acima do registrado no mês anterior. Igual incremento
foi observado nas taxas dos créditos em atraso relativas às operações com
pessoas físicas, que se situou em 12,4%, e com pessoas jurídicas, em 3,6%.
43.
A taxa líquida de inadimplência no
comércio, calculada pela ACSP, passou de 4,2% em julho para 4,7% em agosto.
Esse resultado decorreu das expansões de 8,3% no número de novos registros e de
4,8% no número registros cancelados no mês.
44.
A economia mundial se mantém em
trajetória de crescimento sólido, porém arrefecido comparativamente a 2004. O
PIB dos Estados Unidos avançou 3,3%, em termos anualizados no segundo trimestre
de acordo com dados revisados. A forte contração nos estoques traz perspectivas
favoráveis para o período seguinte, à medida que aqueles forem recompostos.
Japão e Área do Euro seguem registrando nível de atividade menos aquecido, com
expectativas mais positivas para a economia japonesa, na qual o aumento da
participação do consumo doméstico sinaliza melhores possibilidades de sustentação
do crescimento econômico. Os principais riscos à continuidade do crescimento
global são a alta dos preços do petróleo, cujo impacto sobre expectativas de
consumidores já se faz sentir nas principais regiões econômicas, e a
possibilidade de reversão dos preços de imóveis, que se encontram em patamares
muito elevados em alguns países, como os Estados Unidos, em particular. Com
relação a este último aspecto, vale observar que os principais indicadores
referentes ao mercado imobiliário dos Estados Unidos, embora permaneçam em
níveis elevados, demonstram arrefecimento, conforme atesta a última versão do “Beige
Book”, compilação publicada pelos doze escritórios regionais do banco
central norte-americano.
45.
Os danos causados à economia
norte-americana pelo furacão Katrina adicionaram incerteza ao quadro econômico
ao final de agosto. Embora os efeitos de catástrofes desse tipo sobre a
economia agregada tendam a ser pouco expressivos, a região atingida responde
por parcela significativa das atividades de extração, refino e distribuição de
petróleo e derivados nos Estados Unidos. Nesse sentido, a decorrente restrição
de oferta trouxe pressão adicional às cotações do petróleo, podendo resultar em
pressões inflacionárias e conseqüentes efeitos sobre a renda disponível e sobre
a confiança dos consumidores. A possibilidade de que o Federal Open Market
Committe (Fomc) viesse a interromper sua seqüência de elevações da taxa
básica de juros, de modo a compensar possível impacto sobre o nível de
atividade, refletiu-se em acentuado recuo das taxas de juros dos títulos
públicos norte-americanos, comportamento seguido também pelos spreads
associados aos títulos de mercados emergentes. Porém, já nos primeiros dias de
setembro, as cotações do petróleo retrocederam e as taxas de juros dos títulos
do tesouro americano retornaram para próximo de seus patamares anteriores. Caso
sejam mantidas as tendências de retorno ao quadro que se apresentava antes da
passagem do furacão, aumenta a probabilidade de que a política monetária nos Estados
Unidos permaneça em seu curso de gradual retorno a uma postura neutra.
46.
O comércio exterior trouxe resultados
que reforçam a sustentabilidade observada nos últimos anos. Praticamente todos
os resultados se constituíram em novos recordes históricos no mês, no ano e
para o período de doze meses. No ano, o superávit alcançou US$28,3 bilhões e,
em doze meses, US$40,1 bilhões, com acréscimos respectivos de 29,4% e 28,6% em
relação aos respectivos períodos do ano anterior. Nos mesmos períodos, a
corrente de comércio somou US$123,8 bilhões e US$182,3 bilhões, configurando
expansões de 22,8% e de 26,1%, sobre os períodos anteriores equivalentes. Em
setembro, o saldo de US$1.381 milhões, apurado nos seis primeiros dias úteis do
mês, mostrou variações de 15,2% e de -5,3%, respectivamente, nas exportações e
importações, ante os valores médios observados em setembro de 2004.
47.
Em agosto, as exportações alcançaram
US$11,3 bilhões, cifra recorde histórica. A média diária teve expansão de
19,9%, comparativamente à de agosto de 2004. As vendas de produtos
manufaturados, de US$6 bilhões, constituíram recorde histórico mensal para a
categoria, tanto por elevação de preços quanto por ampliação significativa de
itens na pauta. Dentre os principais produtos, destacaram-se os aumentos de
receita nas vendas de aparelhos transmissores receptores, açúcar refinado,
laminados planos, veículos de carga, aviões, autopeças, tratores, automóveis de
passageiros e gasolina. As vendas de básicos e semimanufaturados foram recordes
para meses de agosto. O aumento de 23,8% na venda de produtos básicos decorreu,
principalmente, da expansão de 88,9% nas vendas de petróleo em bruto. As
exportações de café em grão, carnes e minério de ferro também cresceram acima
da média, entre os produtos do grupo.
48.
No ano, até agosto, merece destaque o
aumento para 54,7% da representatividade das exportações de produtos
manufaturados na pauta de exportações, ante 52,9% no mesmo período de 2004.
Além da continuidade da diversificação da pauta brasileira, observou-se
expansão das exportações para todas as regiões, com crescimento expressivo das
vendas para novos mercados.
49.
As importações ultrapassaram, pela
primeira vez, o patamar de US$7 bilhões e atingiram US$7,7 bilhões, com
acréscimo de 30,6%, em termos de médias diárias, comparativamente ao ocorrido
em agosto de 2004. Todas as categorias de produtos de importação registraram
expansão no mês, comparativamente ao resultado de agosto de 2004. No ano, até
agosto, observaram-se aumentos de 28,8% em bens de capital, 21,8% em
combustíveis e lubrificantes, 20,3% em bens de consumo, e 18,1% em
matérias-primas e bens intermediários, considerados os valores médios diários
de igual período do ano anterior.
50.
Ao final de agosto, as reservas
internacionais situaram-se em US$55,1 bilhões, aumento de US$388 milhões ante a
posição registrada no final de julho. As reservas líquidas ajustadas atingiram
US$40,4 bilhões, com redução de US$48 milhões, na mesma base de comparação.
51.
A
curva de juros manteve-se pressionada durante o período que sucedeu a reunião
do Copom de agosto, em conseqüência, principalmente, de incertezas no cenário
doméstico. A partir do início de setembro, as taxas futuras recuaram, reagindo
à queda dos índices de inflação corrente e das expectativas de inflação e à
divulgação dos dados da produção industrial de julho, que ficaram abaixo das
projeções. A redução das cotações do petróleo e do risco-país e a valorização do
real frente ao dólar também influenciaram favoravelmente a curva de juros em
setembro. Entre 17 de agosto e 14 de setembro, as taxas de 1, de 3 e de 6 meses
e as taxas de um ano cederam, respectivamente, 0,11 p.p., 0,10 p.p., 0,01 p.p.
e 0,05 p.p. As taxas de dois e de três anos caíram de forma bem mais acentuada,
a primeira 0,39 p.p. e a segunda 0,55 p.p. A taxa real de juros medida pelo
quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação para os
próximos doze meses manteve-se relativamente estável, passando de 12,54% para
12,53%.
52.
No
período de 18 de agosto a 14 de setembro, não houve colocação ou pagamento de
instrumentos cambiais, mantendo-se em US$15,1 bilhões o resgate líquido
acumulado em 2005.
53.
Entre
as reuniões do Copom de agosto e de setembro, o Tesouro Nacional captou R$16,2
bilhões em leilões de venda de títulos prefixados: R$15,8 bilhões mediante a
venda de LTN, de vencimento em 2006, 2007 e 2008, e R$388,4 milhões com a
colocação de NTN-F, de vencimento em 2010 e 2012. Os leilões de venda de LFT,
de vencimento em 2008 e 2009, movimentaram o equivalente a R$7,7 bilhões.
54.
Na
administração da liquidez, o Banco Central interveio no mercado monetário por
meio de quatro operações compromissadas prefixadas com prazo de três meses e de
operações compromissadas de curtíssimo prazo. Dentre estas últimas, nove se
destinaram a prover e cinco, a retirar reservas bancárias. Realizou, também,
operações de nivelamento da liquidez ao final do dia. O saldo diário médio das
operações de três meses, que corresponde ao excesso de liquidez bancária
esterilizado por essas operações, alcançou R$46,4 bilhões. As operações de
curtíssimo prazo, inclusive as de nivelamento, apresentaram saldo diário médio
de R$1,3 bilhão, doador.
55.
Com o
objetivo de reduzir o excedente de liquidez bancária previsto para o quarto
trimestre, o Banco Central realizou, em 17/8, 24/8, 31/8 e 8/9, leilões de
venda de LTN de sua carteira, de vencimento em janeiro de 2006, conjugada à
compra de Letras do Tesouro Naciona (LTN) de vencimento em outubro de 2005. O
volume financeiro total dessas operações foi de R$6,5 bilhões.
56.
Em
agosto, o estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) aumentou
0,6%, atingindo R$921bilhões. A apropriação de juros foi parcialmente compensada
pelo resgate líquido de R$7,8 bilhões. A parcela da dívida correspondente a
títulos de rentabilidade prefixada alcançou 23,9%, ante 22,4% no final de
julho.