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110ª Reunião

Sumário
Evolução recente da inflação
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Atividade econômica
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
Data: 19 e 20/7/2005
 
Local: Sala de reuniões do 8º andar (19/7) e do 20º andar (20/7) do Edifício-Sede do Banco Central – Brasília – DF
 
Horário de início: 16h30 (19/7) e 16h36 (20/7)
Horário de término: 19h (19/7) e 19h30 (20/7)
 
Presentes:
Membros do Copom
Henrique de Campos Meirelles – Presidente
Afonso Sant’Anna Bevilaqua
Alexandre Antonio Tombini
Alexandre Schwartsman
Antonio Gustavo Matos do Vale
João Antônio Fleury Teixeira
Rodrigo Telles da Rocha Azevedo
Sérgio Darcy da Silva Alves
 
Chefes de Departamento (todos presentes no dia 19)
Altamir Lopes – Departamento Econômico
Ivan Luís Gonçalves de Oliveira Lima – Departamento de Operações do Mercado Aberto
José Antônio Marciano – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
José Pedro Ramos Fachada – Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
Marcelo Kfoury Muinhos – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 20)
Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
 
Demais participantes (presentes no dia 19)
Alexandre Pundek Rocha – Consultor da Diretoria
Katherine Hennings – Consultora da Diretoria
João Batista Nascimento Magalhães – Assessor Especial do Presidente
Jocimar Nastari – Assessor de Imprensa
 
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
 
Evolução recente da inflação
 
1. Os indicadores de preços mostraram deflação em junho, quer se considerem os preços praticados no comércio varejista ou no atacado. Os resultados dos índices de preços ao consumidor foram influenciados, no período, principalmente pela retração dos preços dos alimentos, particularmente in natura, e dos combustíveis. No atacado, a variação negativa dos índices resultou da aceleração da queda dos preços industriais, enquanto os preços agrícolas continuaram em baixa, porém em menor intensidade que no mês anterior.
 
2. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de -0,02% em junho, ante 0,49% em maio, acumulando aumentos de 3,16% no primeiro semestre de 2005 e de 7,27% nos últimos doze meses. As principais contribuições para o resultado do mês vieram das quedas de 2,91% nos preços dos combustíveis e de 0,67% nos preços do grupo alimentação e bebidas, que contribuíram em conjunto com -0,31 p.p. para o resultado mensal do IPCA. O conjunto de preços livres considerados no cálculo do IPCA aumentou 0,04% em junho, comparativamente a 0,59% no mês anterior, e respondeu por 0,03 p.p. da variação do índice no período. Os preços monitorados e administrados por contrato recuaram 0,16%, após alta de 0,25% em maio, respondendo por -0,05 p.p. da variação do IPCA.
 
3. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou variação negativa de 0,45% em junho, após queda de 0,25% em maio, acumulando altas de 1,53% no primeiro semestre do ano e de 6,5% nos últimos doze meses. Considerados os componentes do IGP-DI, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br) recuou 0,05% no mês, ante a alta de 0,79% em maio, pela queda de preços nos itens alimentação e transportes. A elevação do Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) atingiu 0,76% em junho, ante 2,09% no mês anterior, sobretudo pela desaceleração na alta dos preços dos materiais e serviços, além do esvaziamento do impacto da elevação dos custos da mão-de-obra, que afetou o INCC em maio. O Índice de Preços por Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI) registrou variação negativa de 0,78% em junho, após redução de 0,98% em maio, acumulando alta de 0,16% no ano e de 5,97% em doze meses.
 
4. O recuo do IPA-DI em junho refletiu tanto redução dos preços agrícolas, como dos industriais. O IPA-agrícola recuou 0,98%, após queda de 2,76% em maio, em movimento que atingiu a maioria dos produtos que integram o índice. A intensificação da queda dos preços industriais, 0,71% em junho, ante 0,38% em maio, refletiu o comportamento dos preços de segmentos importantes da indústria de transformação, como produtos alimentares, química e metalúrgica. Considerando o IPA-DI segundo os três estágios de processamento, a tendência de queda de preços em junho abrangeu tanto os preços de bens finais, como de bens intermediários e de matérias-primas brutas. O recuo dos preços das matérias-primas brutas atingiu também aquelas de origem mineral, enquanto as de origem agropecuária continuaram em queda, porém com menor intensidade do que a observada em maio.
 
5. Os núcleos de inflação para o IPCA reduziram-se em junho. O núcleo calculado pelo método das médias aparadas com suavização de itens preestabelecidos situou-se em 0,49%, ante 0,65% no mês anterior, e totalizou 7,5% em doze meses. A mesma medida para o núcleo, calculada sem o procedimento de suavização de itens preestabelecidos, passou de 0,46% em maio para 0,26% em junho, com aumento acumulado de 6,38% em doze meses. O núcleo calculado pela exclusão de alimentos no domicílio e preços monitorados diminuiu de 0,57% em maio para 0,36% em junho. Em doze meses, essa medida de núcleo do IPCA acumulou variação de 6,96%.
 
6. O núcleo de inflação para o IPC-Br, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) pelo método das médias aparadas simétricas, atingiu 0,42% em junho, ante 0,73% em maio, totalizando alta de 5,89% em doze meses.
 
7. O índice de difusão do IPCA mostrou redução do número de itens que registraram variações positivas em junho, 61,7%, ante 65,8% no mês anterior. 
 
 
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
 
8. Os choques identificados e os impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
 
a) as projeções para os reajustes totais nos preços da gasolina e de gás de botijão para 2005 foram mantidas em valor igual ao da reunião anterior: 0%;
 
b) em relação às tarifas de telefonia fixa e de energia elétrica residencial, as projeções de reajustes para o acumulado em 2005 foram reduzidas entre as reuniões de junho e julho: a primeira passou de 8,6% para 6,5%, e a segunda, de 10,8% para 8,2%;
 
c) para o conjunto total de itens administrados por contrato e monitorados, com peso de 29,6% no IPCA de junho, o Copom reduziu sua projeção para 2005 em 0,3 p.p., passando de 7,3% na reunião de junho para 7% atualmente;
 
d) a projeção dos reajustes de todos os itens administrados por contrato e monitorados para 2006 foi mantida em 5,7%. Nessa projeção, alguns itens, para os quais já se dispõe de maiores informações em função dos reajustes para 2005 já terem ocorrido, foram projetados individualmente. Para os demais itens, as projeções continuam baseadas no modelo de determinação endógena de preços administrados, que considera componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP);
 
e) a projeção para o spread de seis meses sobre a taxa Selic, seguindo especificação de um modelo VAR que utiliza Selic e swap em níveis a partir dos valores vigentes nos dias que antecederam a reunião do Copom, parte de uma média de -50 p.b. no terceiro trimestre de 2005 e alcança 38 p.b. no último trimestre de 2006.
 
9. Em relação à política fiscal, supõe-se o cumprimento da meta de superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2005 e em 2006. São mantidas as demais hipóteses consideradas na reunião anterior.
 
10. A partir das hipóteses do cenário de referência, que incluem a manutenção da taxa de juros em 19,75% ao ano e da taxa de câmbio em patamar próximo ao que prevalecia na véspera da reunião do Copom (R$2,35), concluiu-se que as projeções de inflação estão acima do objetivo de 5,1% para 2005, mas abaixo do centro da meta em 2006. No cenário de mercado, que incorpora as trajetórias para a taxa de câmbio e para a taxa Selic esperadas pelos agentes do mercado na véspera da reunião do Copom, de acordo com os dados da pesquisa realizada pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) do Banco Central do Brasil, as projeções se encontram acima do objetivo de 5,1% para 2005 e acima da meta de 4,5% para 2006.
 
 
Implementação da política monetária
 
11. A inflação medida pelo IPCA recuou pelo segundo mês consecutivo em junho, após ter-se mantido em elevação entre janeiro e abril. A queda de 0,02% registrada no mês refletiu a deflação dos preços monitorados e dos preços dos bens comercializáveis, bem como a menor variação observada desde outubro de 2004 nos preços dos bens não-comercializáveis. A deflação de junho resultou da bem-sucedida confluência de dois eventos pouco freqüentes: o conjunto dos preços dos monitorados registrou redução em decorrência da queda nos preços dos combustíveis, em especial do álcool, e os preços livres se mostraram estáveis devido à forte queda dos preços dos alimentos, notadamente dos itens in natura
 
12. Os núcleos do IPCA registraram nova desaceleração em junho nos três critérios acompanhados pelo Copom – por exclusão ou por médias aparadas, com ou sem suavização. O índice com suavização foi novamente o que menos se desacelerou, refletindo o componente inercial implícito em sua construção, permanecendo com o maior valor acumulado em doze meses. O núcleo por exclusão, apesar de não levar em conta preços monitorados e de alimentos no domicílio, itens deflacionários em junho, foi o que apresentou a maior desaceleração. O núcleo sem suavização, por sua vez, foi o que apresentou a menor variação, tanto no total acumulado em 2005, quanto nos últimos doze meses. Com a  desaceleração dos dois últimos meses, essas medidas subjacentes de inflação começam a se aproximar de patamares compatíveis com a trajetória de metas.
 
13. O IGP-DI apresentou deflação pelo segundo mês consecutivo, registrando queda de 0,45% em junho. Esse comportamento deveu-se ao expressivo declínio do IPA-DI, que registrou deflação de 0,78% em junho e, em conseqüência, encontra-se atualmente em nível inferior ao verificado em fevereiro deste ano. Houve aceleração da queda dos preços industriais e desaceleração da queda dos preços dos produtos agrícolas. O novo recuo no Índice de Preços por Atacado (IPA) ocorreu a despeito da leve alta dos preços dos bens de consumo duráveis, refletindo a redução dos preços dos bens de consumo não-duráveis e dos bens de produção. Dados do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) para o segundo decêndio de julho indicam arrefecimento do recuo nos preços dos produtos industriais e, com mais intensidade, dos produtos agrícolas. Em todo caso, ao longo do segundo trimestre acumularam-se evidências de uma acomodação consistente de preços no atacado, com efeitos benéficos sobre a variação dos preços ao consumidor, que poderão se estender pelos próximos meses. Conforme destacado nas Notas de reuniões passadas do Copom, a intensidade do repasse, bem como sua própria continuidade, dependerá das condições prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.
 
14. A produção industrial cresceu 1,3% em maio, em termos dessazonalizados, em relação a abril, um resultado marcadamente superior ao antecipado por seus indicadores antecedentes e coincidentes. Essa variação fez com que a produção industrial atingisse novo máximo histórico, superando o nível alcançado em dezembro do ano passado. Trata-se da terceira alta mensal consecutiva, acumulando um crescimento de 2,8% no período fevereiro–maio. Em relação ao mesmo mês de 2004, a elevação foi de 5,5%, o que mantém uma seqüência de 21 meses de taxas positivas nesse tipo de comparação. Considerando-se uma série mais estável, de médias móveis trimestrais, o nível de produção também registrou elevação significativa em maio, após três meses de relativa estabilidade. Os indicadores antecedentes e coincidentes da série sinalizam para junho expansão da produção industrial similar à observada em maio. 
 
15. Em termos da composição da atividade industrial, todas as categorias registraram crescimento em maio, com o setor de bens de consumo duráveis exibindo o maior incremento, seguido pelo de bens de capital, ambos se recuperando das quedas registradas em abril. Da mesma forma, considerando-se as séries de médias móveis trimestrais, todas as categorias apresentaram crescimento, sugerindo expansão generalizada da indústria. Destaca-se que a produção de bens de capital apresentou o maior crescimento nesse critério, interrompendo uma série de três recuos. Na margem, ao longo do ano corrente, os bens de consumo duráveis, mais sensíveis ao crédito, repetidamente sustentaram forte desempenho, enquanto itens mais sensíveis à renda perderam dinamismo.
 
16. No mercado de trabalho, os números recentes ratificam o bom desempenho que se observa há vários trimestres. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação reduziu-se de 10,8% em abril para 10,2% em maio, a menor taxa do ano, dois pontos percentuais inferior ao valor registrado em maio de 2004. A população ocupada aumentou 1,24% em relação a abril, e 3,77% de janeiro a maio, em comparação com  igual período de 2004. Por outro lado, houve redução tanto da massa salarial, quanto do rendimento médio, em termos reais, associada possivelmente à elevação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acima do esperado pelos agentes. O emprego na indústria de transformação cresceu 0,1% em maio, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central, dando continuidade à trajetória de crescimento iniciada no primeiro trimestre de 2004. A massa salarial real na indústria de transformação subiu 0,9% em maio e acumula crescimento de 9,1% no ano. O emprego formal, computado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), também continua em trajetória de expansão. Com a criação de 195.536 postos de trabalho em junho, a geração de emprego formal totalizou quase um milhão de novas vagas em 2005, apesar da desaceleração no ritmo de expansão da atividade econômica em trimestres recentes.
 
17. As vendas no comércio varejista aumentaram 0,4% em maio, segundo dados do IBGE dessazonalizados pelo Banco Central, fazendo a expansão acumulada em 2005 alcançar 4,5%. Em linha com o comportamento observado da atividade industrial, o setor de móveis e eletrodomésticos apresentou a maior expansão no mês. Pelo critério de médias móveis trimestrais, houve crescimento das vendas no varejo, depois de três recuos consecutivos,  registrando-se patamar similar ao observado no início do ano, quando a série atingiu o seu máximo histórico. As vendas no setor de móveis e eletrodomésticos cresceram fortemente, enquanto os demais setores que compõem o indicador do comércio varejista registraram retração no volume. Em julho, o índice de confiança do consumidor medido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) apresentou crescimento de 0,2% em comparação ao nível de junho, e se situou em patamar 12,3% superior ao do mesmo mês de 2004.
 
18. De acordo com os dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, a utilização da capacidade instalada na indústria de transformação voltou a subir em maio, atingindo 81,8%. Recentemente, o indicador vem intercalando incrementos positivos e negativos, sinalizando uma possível acomodação num nível elevado de utilização da capacidade instalada em termos históricos, conforme ressaltado nas Notas das últimas reuniões do Copom, a despeito da expansão da produção industrial no período. Nesse contexto, a trajetória da inflação dependerá dos desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento da demanda. O indicador de investimento representado pela absorção de bens de capital registrou expansão acumulada de 2,6% no ano, até maio. A despeito das bases de comparação consideravelmente elevadas, após a forte expansão dos investimentos observada ao longo de 2004, o indicador sinaliza na margem um ritmo mais intenso de crescimento, determinado pelo aumento das importações líquidas e, principalmente, pela maior produção doméstica de bens de capital. Esta última acumulou crescimento de 2,7% no ano e de 10,9% nos doze meses terminados em maio. Embora pareça plausível que os sinais de recuperação do ritmo de investimento se consolidem, um foco importante de preocupação em relação à dinâmica prospectiva da inflação continuará sendo o desempenho da oferta agregada nos próximos trimestres.
 
19. No comércio exterior, os superávits expressivos se mantiveram em junho, quando se registrou o máximo da série histórica, reforçando perspectivas mais favoráveis que as anteriormente previstas para o ano. O saldo acumulado em 12 meses alcançou US$38,3 bilhões e supera em mais de US$2 bilhões a mediana das expectativas de mercado para 2005. Nos doze meses encerrados em junho, as exportações cresceram 28,1% em valor, em relação ao mesmo período de 2004. No mesmo critério de comparação, as importações se expandiram 26,9%, refletindo, em parte, a elevação dos preços do petróleo, apesar de a contribuição dessa commodity vir diminuindo. A despeito de exportações e importações terem-se expandido a taxas elevadas no primeiro semestre, na margem observa-se arrefecimento das taxas de crescimento. O bom desempenho dos saldos comerciais no período de doze meses encerrado em junho proporcionou superávit em transações correntes de US$12,5 bilhões, equivalente a 1,8% do PIB.  
 
20. No âmbito dos mercados financeiros internacionais, embora a volatilidade tenha permanecido alta, houve melhora em relação ao cenário considerado por ocasião da reunião de junho do Copom. Houve redução do prêmio de risco-Brasil e apreciação da moeda doméstica. No entanto, as condições de liquidez e a estabilidade dos mercados continuam sujeitas ao quadro macroeconômico nos países industrializados, especialmente nos Estados Unidos, e à possível resposta da política monetária do Fed à sua evolução. Um fator de preocupação adicional está associado aos desequilíbrios nas contas externas de algumas das principais economias mundiais e à possibilidade de que eventuais ajustes em suas trajetórias determinem grandes flutuações cambiais. Apesar desse quadro, no qual há incertezas relevantes, o Copom continua atribuindo baixa probabilidade a um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros internacionais.   
 
21. Os preços do petróleo, após um movimento localizado de alta no início de julho, recuaram fortemente nos dias que precederam a reunião do Copom, a despeito de ainda se posicionarem em patamares historicamente elevados. A elevação nos níveis e na volatilidade dos preços tem ocorrido em resposta a novas informações sobre condições de demanda, possíveis restrições à expansão na oferta por parte dos países produtores e estoques disponíveis nos principais países consumidores. Tal como em meses anteriores, as previsões sobre a trajetória futura dos preços do petróleo continuam marcadas por grande incerteza, o que levou o Comitê a manter em seu cenário básico a hipótese de que não haverá reajuste nos preços domésticos dos combustíveis em 2005. No entanto, no que diz respeito ao impacto dos preços internacionais sobre os preços domésticos, ainda que as elevações recentes não se traduzam em aumento no preço da gasolina, continuam representando um fator de risco para a trajetória futura da inflação por intermédio dos seus efeitos sobre os preços de insumos derivados do petróleo, bem como sobre as expectativas dos agentes econômicos. Apesar do recuo recente, os preços internacionais do petróleo continuam representando um risco importante para a trajetória futura da inflação.
 
22. Houve redução significativa na mediana das expectativas coletadas pela Gerin para a variação do IPCA em 2005, que passou de 6,21% para 5,66%. A redução ocorre pelo segundo mês consecutivo e reflete em grande parte a desaceleração não-antecipada da inflação captada no IPCA de junho. Além disso, as expectativas para a inflação de 2005 dão sinais de estarem sendo sensibilizadas de forma perceptível por desenvolvimentos favoráveis que contribuem para arrefecer as pressões inflacionárias, tais como a reavaliação das expectativas de mercado para a trajetória da taxa de câmbio e a postura mais restritiva de política monetária. As expectativas para a inflação doze meses à frente também diminuíram nas últimas semanas, mas o fizeram em medida menor do que a variação nas taxas esperadas para 2005. As expectativas para 2006 permaneceram estáveis em 5%. Como mencionado em Notas de reuniões anteriores do Copom, esses desenvolvimentos sugerem que a postura monetária adotada, além de conter as pressões inflacionárias de curto prazo, está contribuindo de forma importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos.
 
23. A projeção de inflação do cenário de referência, que pressupõe a manutenção da taxa Selic em 19,75% a.a. e da taxa de câmbio em R$2,35 ao longo de todo o horizonte de projeção, apresentou redução em relação ao divulgado no "Relatório de Inflação" de junho, mas ainda se situa acima do objetivo de 5,1% para o ano. Essa melhora deveu-se fundamentalmente à surpresa positiva na inflação de junho e à apreciação da taxa de câmbio. As projeções baseadas no cenário de mercado, que incorpora as trajetórias de câmbio e da taxa Selic esperadas pelo mercado no período imediatamente anterior à reunião do Copom, situam-se acima das projeções do cenário de referência, mas também se reduziram em relação ao apresentado no "Relatório de Inflação", pelas mesmas razões apontadas no caso do cenário de referência. Para 2006, a projeção de inflação associada ao cenário de referência se elevou marginalmente, mas permanece abaixo do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Já no cenário de mercado, houve aumento da projeção, que se manteve acima do centro da meta.
 
24. O Copom também considerou as projeções de inflação para horizontes situados entre dezembro de 2005 e dezembro de 2006, como os períodos de doze meses que se encerram em março de 2006, junho de 2006 e setembro de 2006. Trata-se de horizontes cujos resultados serão mais sensíveis às decisões correntes de política monetária do que os do ano calendário de 2005, sendo, ao mesmo tempo, períodos cobertos por projeções de inflação mais confiáveis do que as já disponíveis para o ano calendário de 2006. As projeções do cenário de referência para os períodos de doze meses que se encerram em março de 2006, junho de 2006 e setembro de 2006 se encontram abaixo dos valores que dizem respeito a esses períodos na trajetória de metas obtida pela interpolação do objetivo de inflação de 5,1% para 2005 e da meta de 4,5% estabelecida pelo CMN para 2006.
 
25. O Copom reafirma o diagnóstico, expresso nas Notas das últimas reuniões, de que os efeitos do ciclo de aumento da taxa de juros básica iniciado em setembro de 2004 continuam sendo sentidos tanto nos resultados recentes da inflação, como nas  projeções de inflação realizadas pelo Banco Central e pelos analistas do setor privado. A atividade econômica deverá continuar em expansão, mas em ritmo condizente com as condições de oferta, de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação. Além disso, o Copom avalia que houve uma melhora do cenário externo, não obstante a permanência de níveis elevados para os preços internacionais do petróleo. Dessa forma, vai-se configurando, de maneira mais definida, um cenário benigno para a evolução da inflação. Nesse contexto, a política monetária passa a se defrontar com o desafio de garantir a consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se antecipam para o futuro.  
 
26. Diante disso, o Comitê avaliou que a perspectiva de manutenção da taxa de juros básica por um período suficientemente longo de tempo no nível estabelecido em sua reunião de maio seria capaz de proporcionar condições adequadas para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas. Assim, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a meta para a taxa Selic em 19,75% a.a., sem viés. Evidentemente, na eventualidade de se verificar uma alteração no cenário prospectivo traçado para a inflação neste momento pelo Comitê, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias.              
 
27. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltaria a se reunir em 16 de agosto de 2005, para as apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado 12.631, de 29.10.2004.
 
 
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
 
Atividade econômica
 
28. O volume de vendas do comércio varejista apresentou crescimento de 0,4% em maio, em relação ao do mês anterior, após ajuste sazonal, segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, de abrangência nacional. Para esse resultado, contribuíram os acréscimos de 2,1% nas vendas de Móveis e eletrodomésticos e de 0,9% de Combustíveis e lubrificantes. O segmento Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, de maior peso na composição do resultado do comércio varejista, registrou queda de 0,4%, enquanto as vendas de Tecidos, vestuário e calçados recuaram 13%. Comparativamente ao dado de maio de 2004, observou-se expansão de 2,7% no volume de vendas, destacando-se o segmento de Móveis e eletrodomésticos, com acréscimo de 18,3%, que repercutiu com maior intensidade a ampliação do crédito. As vendas do segmento de Veículos e motos, partes e peças, que não integra a composição do índice geral, cresceram 1,8% no período. De janeiro a maio deste ano, o volume de vendas do comércio varejista aumentou 4,5% em relação ao verificado no mesmo período de 2004.
 
29. Indicadores do desempenho varejista sinalizaram relativa estabilidade para junho. Dados da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomercio RJ) mostraram crescimento de 0,3% nas vendas reais em junho, relativamente ao mês anterior, após ajuste sazonal. Segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) cresceram 1,1% em junho, relativamente a maio, na série dessazonalizada, enquanto aquelas efetuadas ao sistema Usecheque recuaram 0,8%. No primeiro semestre do ano, esses indicadores revelaram aumentos de 6,3% e 4,5%, respectivamente, quando comparados ao mesmo período do ano anterior.
 
30. Pesquisa mensal da Fecomercio SP registrou alta de 0,2% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em julho, em comparação ao nível de junho, como resultado da expansão de 1,1% no Índice das Condições Econômicas Atuais (Icea) e da queda de 0,3% no Índice de Expectativas do Consumidor (IEC).
 
31. Em relação aos indicadores de investimento, a produção de insumos da construção civil e a fabricação doméstica de bens de capital cresceram 0,8% e 3,4% em maio, respectivamente, em comparação aos níveis observados  no  mês anterior, após ajuste sazonal. A importação de bens de capital aumentou 5%, na mesma base de comparação. A expansão da fabricação doméstica de bens de capital mostrou desaceleração nos primeiros meses do ano, movimento que refletiu, em parte, o expressivo recuo da produção de máquinas e peças agrícolas. Após encerrar 2004 com crescimento de 19,7%, a produção da categoria apresentou variação de 2,7% no período de janeiro a maio de 2005, em relação à de igual período do ano anterior. A importação desses bens, por outro lado, mostrou tendência de aceleração, evidenciada pelo crescimento de 24,3% no ano até maio, ante a expansão de 10,2% registrada em 2004.
 
32. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, a produção industrial brasileira cresceu 1,3% em maio, em relação à do mês anterior, após ajuste sazonal, atingindo novo patamar recorde na série histórica. A produção da indústria extrativa aumentou 2%, alcançando o nível mais alto da série apurada pelo IBGE, principalmente, pelos sucessivos acréscimos das extrações de petróleo e minério de ferro no país. A produção da indústria de transformação cresceu 1,1%, no mesmo período. No ano, até maio, a indústria acumulou expansão de 4,7%, resultado dos acréscimos de 9,4% na produção extrativa e de 4,4% na indústria de transformação. 
 
33. A análise desagregada da produção industrial, considerando as séries sazonalmente ajustadas, revelou que 15 das 23 atividades mostraram crescimento no mês. Dentre esses, os acréscimos mais expressivos para o resultado geral ocorreram em refino de petróleo e produção de álcool, material eletrônico e equipamentos de comunicações, fumo, máquinas e equipamentos, bebidas e indústrias extrativas. As maiores contribuições negativas foram registradas nas indústrias de alimentos, metalurgia básica e perfumaria, sabões e produtos de limpeza. Todas as categorias de uso registraram expansão produtiva em maio, destacando-se os acréscimos de 3,7% na produção de bens de consumo duráveis e de 3,4% na de bens de capital. A fabricação de bens intermediários, de maior peso no resultado global da indústria, cresceu 0,8%, e a de bens de consumo semi e não duráveis, 0,6%.
 
34. Estatísticas da CNI mostraram recuo de 0,7% nas vendas reais e aumento de 0,5% nas horas trabalhadas na produção em maio, em relação às do mês anterior, nas séries ajustadas sazonalmente pelo Banco Central. Em relação aos índices observados em maio de 2004, as vendas reais recuaram 1,5%, e as horas trabalhadas cresceram 7,6%. O nível de utilização da capacidade instalada alcançou 81,8% em maio, na série dessazonalizada, aumentando 0,2%, comparativamente ao observado no mês anterior. Considerando a série sem ajuste sazonal, o nível de utilização de 82,3% ficou próximo ao verificado em maio de 2004, de 82,8%.
 
35. Os indicadores da atividade industrial apontam forte crescimento dessazonalizado para a produção em junho. Houve expansão da produção de autoveículos no mês, após ajuste sazonal, acumulando 15,8% no primeiro semestre de 2005. Também, a expedição de papelão ondulado, a carga de energia elétrica e o índice de pedágios de veículos pesados mostraram crescimento em junho, conforme dados dessazonalizados.   
 
Mercado de trabalho
 
36. O índice de emprego formal registrou crescimento mensal de 0,4% em maio, após ajuste sazonal, de acordo com informações do MTE. Comparativamente ao índice de maio de 2004, houve expansão de 6,1% no emprego formal, com a criação de 1.467 mil empregos líquidos no período. Por segmentos, os maiores crescimentos do emprego ocorreram no comércio e na indústria de transformação.
 
37. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas do país, a taxa de desemprego recuou de 10,8% em abril para 10,2% em maio, situando-se 2 p.p. abaixo da observada em maio de 2004. A redução mensal da taxa de desemprego decorreu do aumento no número de trabalhadores ocupados, 242 mil, e da queda de 5,1% no número de trabalhadores desocupados, 121 mil pessoas. Em termos absolutos, a População Economicamente Ativa (PEA) teve aumento de 121 mil pessoas e foi estimada em 22,1 milhões de pessoas. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real em maio deste ano manteve-se estável, comparativamente ao registrado em igual mês de 2004. Em relação ao observado em abril de 2005, entretanto, o rendimento real experimentou queda de 1,5%, o segundo recuo mensal consecutivo. Tal movimento deve-se, em parte, ao recrudescimento das taxas de inflação nesse período.
 
38. No setor industrial, segundo os índices da CNI ajustados sazonalmente pelo Banco Central, o contingente de pessoal empregado e a massa salarial real aumentaram respectivamente 0,1% e 0,9% em maio, ante os níveis de abril. Em relação aos patamares observados em maio de 2004, o pessoal empregado e a massa salarial real evoluíram 5,7% e 9,2%, respectivamente. No ano, até maio, comparativamente ao mesmo período de 2004, esses índices mostraram acréscimos respectivos de 6,5% e 9,1%.
 
Crédito e inadimplência 
 
39. O saldo das operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres aumentou 1,6% em junho. Nas operações com pessoas físicas, o saldo evoluiu 2,1%, principalmente pelo comportamento do crédito pessoal, dada a continuidade da expansão das operações consignadas em folha de pagamento, particularmente com aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nas carteiras destinadas a pessoas jurídicas, observou-se expansão de 1,9% no saldo das operações com recursos domésticos e recuo de 0,6% naquelas referenciadas em moeda estrangeira.
 
40. A taxa média de juros incidente sobre as operações de crédito com recursos livres recuou em junho. Nas operações destinadas a pessoas físicas, a taxa média diminuiu 1 p.p., passando para 64,7 % a.a., enquanto, naquelas contratadas com pessoas jurídicas, observou-se recuo de 0,3 p.p., para 33,4% a.a.
 
41. No sistema financeiro, a taxa de inadimplência recuou 0,4 p.p. em junho, considerando-se as operações de crédito com recursos livres, situando-se em 7,3%. Nas operações com pessoas físicas, a proporção de atrasos nas operações contratadas alcançou 12,2% em junho, 0,7 p.p. inferior à do mês anterior. Em relação aos créditos contratados com pessoas jurídicas, a taxa de inadimplência passou de 3,5% em maio para 3,4% em junho.
 
42. A taxa líquida de inadimplência no comércio, calculada pela ACSP, passou de 7,4% em maio para 5,1% em junho. Esse resultado decorreu da expansão de 2,9% no número de registros cancelados e da queda de 4% no número de novos registros no mês. No primeiro semestre, a taxa média de inadimplência subiu para 6,4%, ante a de 5,7% no mesmo período de 2004, sobretudo pela desaceleração dos registros cancelados, em face da menor propensão dos credores em oferecer prazos mais dilatados para regularizar a situação dos devedores.
 
Ambiente externo
 
43. Os indicadores da economia internacional recentemente divulgados evidenciam crescimento sustentável, em especial nos Estados Unidos e na China, e recuperação moderada na Área do Euro e Japão.
 
44. Nos Estados Unidos, os últimos dados de produção industrial, emprego, confiança do consumidor e vendas no varejo reforçam a percepção de que o nível de atividade da economia permanece aquecido, acima das previsões estabelecidas.
 
45. Na Área do Euro, a economia deu sinais de recuperação no primeiro trimestre do ano, crescendo 0,5% frente ao trimestre anterior e 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O grau de confiança dos empresários dos doze países que compartilham o euro subiu em junho pela primeira vez em nove meses, e o índice correlato da produção industrial se elevou, ajudado pela depreciação da moeda.
 
46. Os atentados terroristas em Londres não afetaram o ambiente econômico. O impacto inicial limitou-se aos mercados financeiros, em especial os bursáteis, mas foi prontamente absorvido, e os negócios voltaram a transcorrer normalmente. As bolsas européias registraram queda significativa no dia dos ataques, mas não houve efeitos mais fortes sobre os preços dos ativos nos Estados Unidos e nos mercados emergentes, que voltaram a se recuperar após o impacto inicial das notícias.
 
47. De maneira geral, o quadro inflacionário permanece sob controle. Nos Estados Unidos, o resultado do índice de inflação ao consumidor (CPI) referente ao mês de junho apresentou variação nula (0%), enquanto o índice de inflação ao produtor (PPI) ficou estável em junho na comparação mensal, apesar do alto preço internacional do petróleo. No Reino Unido, o índice de preços ao consumidor registrou alta de 2% em junho, ante junho do ano passado, 0,1 ponto percentual acima do previsto. Assim, não se vislumbra mudança nas posturas das políticas monetárias das principais economias.
 
48. No mercado de petróleo, as cotações permanecem elevadas, com grande volatilidade, em função, principalmente, das divulgações das estimativas de estoques do produto e derivados nos Estados Unidos, além das tensões geopolíticas nas regiões produtoras.
 
Comércio exterior e reservas internacionais
 
49. Os resultados do comércio exterior trouxeram novos valores recordes para meses de junho e para o período de doze meses encerrado em junho. No mês, a balança comercial registrou superávit recorde de US$4 bilhões. Em doze meses, o saldo comercial e a corrente de comércio, também recordes, alcançaram, respectivamente, US$38,3 bilhões e US$175,4 bilhões, representando acréscimos de 30,4% e 27,6% sobre o período anterior equivalente. Em julho, o saldo de US$2,7 bilhões apurado nos onze primeiros dias úteis do mês apresentou variações de 28% e de 10,6%, respectivamente, nas exportações e importações, ante valores médios observados em julho de 2004. 
 
50. As exportações alcançaram, pela primeira vez, o patamar de US$10,2 bilhões em junho, e apresentaram a segunda maior média diária já registrada, US$464 milhões, crescimento de 4,4%, comparativamente à de junho de 2004. Os embarques de manufaturados e semimanufaturados foram recordes para meses de junho, em decorrência tanto de aumento nas quantidades, como nos preços externos de importantes itens da pauta de exportação. O recuo das exportações de produtos básicos decorreu dos menores embarques de petróleo, de soja em grão e de farelo de soja, além da queda nas cotações internacionais do complexo soja. Dando continuidade à diversificação da pauta brasileira, observada nos últimos dois anos, outros produtos com pequena participação têm apresentado significativa ampliação de vendas. No primeiro semestre de 2005, destaque-se, ainda, a expansão das exportações para todas as regiões, mesmo para a Ásia, a despeito do recuo nas vendas para a China.
 
51. As importações atingiram US$6,2 bilhões, segundo maior valor mensal já registrado, representando acréscimo de 6,6%, em termos de médias diárias, comparativamente aos valores ocorridos em junho de 2004. Todas as categorias de produtos de importação registraram expansão, comparativamente ao resultado de junho de 2004. No primeiro semestre, houve  aumentos de 27,2% em bens de capital, 20,5% em bens de consumo, 18,3% em matérias-primas e bens intermediários e 17,3% em combustíveis e lubrificantes, considerados os valores de igual período do ano anterior. 
 
52. Ao final de junho, as reservas internacionais situaram-se em US$59,9 bilhões, redução de US$824 milhões ante a posição registrada no final de maio. As reservas líquidas ajustadas atingiram US$40,5 bilhões, com expansão de US$1,3 bilhão, na mesma base de comparação. 
 
Mercado monetário e operações de mercado aberto
 
53. No período posterior à reunião do Copom de junho, a curva de juros apresentou recuo em toda a sua extensão. Esse movimento deveu-se principalmente ao declínio dos índices de inflação ao consumidor, à deflação apontada pelos IGPs, à queda nas projeções de inflação, tanto para o ano de 2005, quanto para 12 meses à frente, e à apreciação do real. A combinação desses fatores levou a curva de juros a assumir inclinação negativa também nos prazos mais curtos, traduzindo a expectativa por parte do mercado de que o ciclo de relaxamento da política monetária deva começar proximamente. A redução das taxas de juros referentes aos prazos mais longos acompanhou a melhora do risco-país, tendo em vista um cenário externo no qual as condições de liquidez favoráveis às economias emergentes não parecem ameaçadas, a não ser pela volatilidade do preço do petróleo. Entre 15 de junho e 20 de julho, as taxas de um, de três e de seis meses, de um ano e de dois anos reduziram-se em 0,13 p.p, 0,27 p.p, 0,42 p.p, 0,25 p.p. e 0,19 p.p, respectivamente. A taxa real de juros medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação para os próximos doze meses recuou de 12,52% para 12,43%.
 
54. Em julho, o resgate líquido de instrumentos cambiais, incluídos os vencimentos de juros, foi de cerca de US$49 milhões. Em 2005, o resgate líquido acumulado, incluídos os vencimentos de juros, atingiu aproximadamente US$15,1 bilhões.
 
55. Entre as reuniões do Copom de junho e de julho, o Tesouro Nacional captou R$33,8 bilhões em leilões de venda de títulos de rendimento prefixado: R$33 bilhões mediante a venda de LTN de vencimento em 2006 e 2007 e R$798 milhões com a colocação de NTN-F de vencimento em 2010 e 2012. Os leilões de venda de LFT, de vencimento em 2008 e 2009, realizados em quatro ocasiões, movimentaram o equivalente a R$12,5 bilhões.
 
56. Na administração da liquidez, o Banco Central interveio por meio de operações compromissadas prefixadas semanais, com prazo de três meses, e de operações compromissadas de curtíssimo prazo, dezenove tomadoras e duas doadoras de recursos. Além disso, realizou operações de nivelamento da liquidez ao final do dia. O excesso de liquidez bancária esterilizado por operações com prazo de até trinta dias alcançou a média de R$12,7 bilhões e, por operações com prazo de três meses, a média de R$35,3 bilhões.
 
57. Com o intuito de reduzir o excedente previsto de liquidez bancária para o terceiro e para o quarto trimestres, o Banco Central realizou leilões de venda de LTN de sua carteira conjugada à compra de títulos de prazo mais curto a preço preestabelecido. Em 22/6, vendeu LTN de vencimento em outubro de 2005, recebendo em pagamento LTN resgatáveis em julho. Em 6/7, 13/7 e 20/7 fez operações da mesma natureza, que tiveram por objeto as LTN de vencimento em janeiro de 2006 e em outubro de 2005. O volume financeiro total dessas operações foi de R$7,4 bilhões.
 
58. Em junho, o estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) aumentou 2%, somando-se aos juros apropriados a colocação líquida de R$5,7 bilhões em títulos. A parcela da dívida exposta à variação cambial registrou nova redução, de 4,3%, no final de maio, para 4,1%, no final de junho, em conseqüência da apreciação cambial.