Ata da 215ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central do Brasil
19 e 20 de junho de 2018
Banco Central do Brasil
215ª Reunião do Copom
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Data: 19 e 20/6/2018
Local: Salas de reuniões do andar (19/6) e do 20º andar (20/6) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início e de término das sessões: 19/6: 10h05 11h41; 14h03 16h47
20/6: 14h 18h
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Carlos Viana de Carvalho
Carolina de Assis Barros
Maurício Costa de Moura
Otávio Ribeiro Damaso
Paulo Sérgio Neves de Souza
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 19/6)
Alan da Silva Andrade Mendes Departamento das Reservas Internacionais
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 20/6)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 19/6)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Daniela Pires Ramos de Alcântara Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão
de Riscos Corporativos (presente apenas na sessão matutina)
Edson Broxado de Franca Teixeira Chefe Adjunto do Departamento de Monitoramento do Sistema
Financeiro (presente apenas na sessão vespertina)
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secretário do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da
Diretoria (presente apenas na sessão matutina)
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabia Aparecida de Carvalho Chefe Adjunta do Departamento de Estudos e Pesquisas
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe do Departamento de Estatísticas
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
(presente apenas na sessão matutina)
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Presidente
Rogério Antônio Lucca Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
lvia Marques de Brito e Silva Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. A paralisação no setor de transporte de cargas no
mês de maio dificulta a leitura da evolução recente da
atividade econômica. Dados referentes ao mês de abril
sugerem atividade mais consistente que nos meses
anteriores. Entretanto, indicadores referentes a maio e,
possivelmente, junho deverão refletir os efeitos da
referida paralisação. O cenário básico contempla
continuidade do processo de recuperação da economia
brasileira, em ritmo mais gradual.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da indústria
e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo seguiu mais desafiador e
apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em
grande parte associados à normalização das taxas de
juros em algumas economias avançadas, produziu
ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como
resultado, houve redução do apetite ao risco em
relação a economias emergentes.
4. No curto prazo, a inflação deverá refletir os efeitos
altistas significativos e temporários da paralisação no
setor de transporte de cargas e de outros ajustes de
preços relativos. As medidas de inflação subjacente
ainda seguem em níveis baixos, inclusive os
componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à
política monetária.
5. As expectativas de inflação para 2018 e 2019
apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno
de 3,9% e 4,1%, respectivamente. As expectativas para
2020 situam-se em torno de 4,0%.
6. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do
Copom situam-se em torno de 4,2% para 2018 e de
3,7% para 2019. Esse cenário supõe, entre outras
hipóteses, trajetória de juros que encerra 2018 em
6,50% a.a. e 2019 em 8,0% a.a. e de taxa de câmbio que
termina 2018 em R$3,63/US$ e 2019 em R$3,60/US$.
Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços
administrados são de 7,2% para 2018 e de 4,6% para
2019.
7. No cenário com taxa de juros constante em 6,50%
a.a. e taxa de câmbio constante a R$3,70/US$
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, as
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A menos de menção explícita em contrário, esta atualização
leva em conta as mudanças ocorridas desde a reunião do
Copom em maio (214ª reunião).
projeções para a inflação do Copom situam-se em torno
de 4,2% para 2018 e 4,1% para 2019. Nesse cenário, as
projeções para a inflação de preços administrados são
de 7,4% para 2018 e de 4,8% para 2019.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
8. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
9. Por um lado, a (i) possível propagação, por
mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação
passada pode produzir trajetória prospectiva abaixo do
esperado.
10. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas
sobre a continuidade das reformas e ajustes
necessários na economia brasileira pode afetar prêmios
de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte
relevante para a política monetária. Esse risco se
intensifica no caso de (iii) continuidade da reversão do
cenário externo para economias emergentes. Esse
último risco se intensificou desde a reunião anterior do
Copom, enquanto diminuiu o risco de a inflação ficar
significativamente abaixo da meta no horizonte
relevante.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
11. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações disponíveis.
Dados referentes ao mês de abril sugerem atividade
mais consistente que nos meses anteriores. Entretanto,
a paralisação no setor de transporte de cargas no mês
de maio dificulta a leitura da evolução recente da
atividade econômica. Indicadores referentes a maio e,
possivelmente, junho deverão refletir os efeitos da
referida paralisação. A evolução da economia ao longo
dos meses de julho e agosto deve indicar com mais
clareza o ritmo da recuperação, que poderá se mostrar
mais ou menos intensa. O cenário básico do Copom
contempla continuidade do processo de recuperação
da economia brasileira, embora em ritmo mais gradual
que o estimado antes da referida paralisação.
12. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê ponderaram que o cenário se
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Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a
cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco
dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do
Copom.
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mantém mais desafiador. O cenário básico do Comitê
contempla normalização gradual da política monetária
nos países centrais. Há risco de um maior impacto desse
processo sobre economias emergentes, o que poderá
reforçar os ajustes em preços de ativos e volatilidade
nas condições financeiras no mercado internacional. Os
membros do Comitê mencionaram também a
intensificação dos riscos associados à continuidade da
expansão do comércio internacional, com possíveis
impactos sobre o crescimento global. Nesse contexto,
os membros do Copom voltaram a destacar a
capacidade que a economia brasileira apresenta de
absorver revés no cenário internacional, devido à
situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao
ambiente com inflação baixa no passado recente,
expectativas de inflação ancoradas e perspectiva de
recuperação econômica. Não obstante, os membros do
Copom ponderaram sobre os riscos gerados por
possível deterioração adicional do cenário para
economias emergentes num contexto de frustração
das expectativas sobre as reformas e ajustes
necessários na economia brasileira.
13. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação ao longo deste e dos próximos anos. Todos
concordaram que, no curto prazo, a inflação deverá
refletir os efeitos altistas significativos da paralisação
no setor de transporte de cargas e de outros ajustes de
preços relativos. O cenário básico antecipa que esses
efeitos devem ser temporários, constituindo ajuste de
preços relativos aos referidos choques.
14. Os membros do Comitê pontuaram que as diversas
medidas de inflação subjacente se situavam em níveis
baixos no passado recente e que um ajuste de preços
relativos em contexto com expectativas ancoradas
poderá acelerar a convergência da inflação para as
metas, sem constituir risco para a manutenção de sua
dinâmica favorável após concluídos esses ajustes.
Entretanto, julgaram que cabe acompanhar a evolução
da trajetória prospectiva da inflação no médio e longo
prazos, além da ancoragem das expectativas de
inflação.
15. O Comitê reiterou o entendimento de que, com
expectativas de inflação ancoradas, eventuais choques
que produzam ajustes de preços relativos devem ter
apenas seus efeitos secundários combatidos pela
política monetária. Destacou, também, que sua reação
a possíveis mudanças de preços relativos será simétrica,
ou seja, a política monetária seguirá os mesmos
princípios tanto diante de choques inflacionários (como
no caso de um choque externo que produza
depreciação cambial) quanto desinflacionários (como
no caso de um choque favorável nos preços de
alimentos). O Copom enfatiza que essa prescrição
requer manutenção do ambiente com expectativas
ancoradas.
16. Reiterado de que forma a política monetária deve
reagir a choques que produzam ajustes de preços
relativos, os membros do Comitê discutiram o grau de
repasse cambial na economia brasileira. Concluíram
que a intensidade do repasse depende de vários
fatores, como, por exemplo, do nível de ociosidade da
economia e da ancoragem das expectativas de inflação.
O Comitê acompanhará as diferentes medidas de
repasse cambial, tanto para a inflação quanto para
medidas de inflação subjacente.
17. Os membros do Comitê reiteraram o entendimento
de que a conjuntura econômica com expectativas de
inflação ancoradas, medidas de inflação subjacente em
níveis baixos, projeções de inflação um pouco abaixo da
meta para 2018 e 2019 e elevado grau de ociosidade na
economia prescreve política monetária estimulativa, ou
seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
Embora estimativas dessa taxa envolvam elevado grau
de incerteza, os membros do Comitê manifestaram
entendimento de que as atuais taxas de juros reais ex-
ante têm efeito estimulativo sobre a economia.
18. O Copom enfatiza que a continuidade do processo
de reformas e ajustes necessários na economia
brasileira é essencial para a queda da sua taxa de juros
estrutural, cujas estimativas serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
19. Os membros do Copom debateram, então, a
evolução do cenário básico e do balanço de riscos desde
sua reunião em maio (214ª reunião) e a decisão de
política monetária adequada tendo em vista essa
evolução.
20. Contemplaram os efeitos da paralisação no setor
de transporte de cargas sobre a conjuntura.
Concordaram que o cenário sico embute efeitos
temporários e significativos desse choque sobre
inflação e atividade econômica e que a leitura dos
próximos dados será contaminada por esses efeitos.
21. Os membros do Copom discutiram possíveis efeitos
mais perenes dos choques enfrentados pela economia
brasileira. Concordaram que, no curto prazo, deverá ser
mais difícil verificar se a evolução da economia segue
em linha com seu cenário básico para o médio e longo
prazos. Esse contexto reforça a importância de
acompanhar ao longo do tempo a evolução do cenário
básico e seus riscos e de avaliar a perenidade dos
efeitos dos choques sobre a inflação (i.e., seus efeitos
secundários) de forma a garantir que a conquista da
inflação baixa perdure, mesmo diante de choques
adversos.
22. Em relação ao balanço de riscos, por um lado,
avaliou-se que o risco baixista para a trajetória
prospectiva da inflação, decorrente do nível baixo de
inflação no passado recente, diminuiu. Por outro lado,
discutiu-se a importância da continuidade do processo
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de ajustes e reformas na economia brasileira para
mitigar o risco associado a deterioração do cenário para
economias emergentes num contexto de frustração
das expectativas sobre essas reformas e ajustes.
23. Ao fim das avaliações, todos os membros do Copom
concordaram com a decisão de manter a taxa Selic em
6,50% a.a. Em termos de sinalização futura, todos
concordaram que o maior nível de incerteza da atual
conjuntura recomenda se abster de fornecer indicações
sobre os próximos passos da política monetária.
24. Os membros do Copom reiteraram a importância
de reafirmar a atuação da política monetária
exclusivamente com foco na evolução das projeções e
expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da
atividade econômica. Choques de preços relativos
devem ser combatidos apenas no impacto secundário
que poderão ter na inflação prospectiva. Em particular,
reiteraram a importância de insistir na comunicação de
que não há relação mecânica entre choques recentes e
a política monetária.
25. Os membros do Comitê voltaram a reiterar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor transmite
a racionalidade econômica que guia suas decisões. Isso
contribui para aumentar a transparência e melhorar a
comunicação do Copom. Nesse contexto, voltaram a
ressaltar que os próximos passos na condução da
política monetária continuarão dependendo da
evolução da atividade econômica, do balanço de riscos
e das projeções e expectativas de inflação.
26. Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar
que a aprovação e implementação das reformas,
notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na
economia brasileira são fundamentais para a
sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros estrutural
da economia, com amplos benefícios para a sociedade.
27. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras iniciativas que visam aumento de
produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade
da economia e melhoria do ambiente de negócios.
Esses esforços são fundamentais para a retomada da
atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
28. Considerando o cenário básico, o balanço de riscos
e o amplo conjunto de informações disponíveis, o
Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da
taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende
que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço
de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com
a convergência da inflação para a meta no horizonte
relevante para a condução da política monetária, que
inclui os anos-calendário de 2018 e, principalmente, de
2019.
29. O Copom reitera que a conjuntura econômica
prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com
taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
30. O Comitê enfatiza que a continuidade do processo
de reformas e ajustes necessários na economia
brasileira é essencial para a manutenção da inflação
baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de
juros estrutural e para a recuperação sustentável da
economia.
31. O Copom entende que deve pautar sua atuação
com foco na evolução das projeções e expectativas de
inflação, do seu balanço de riscos e da atividade
econômica. Choques que produzam ajustes de preços
relativos devem ser combatidos apenas no impacto
secundário que poderão ter na inflação prospectiva
(i.e., na propagação a preços da economia não
diretamente afetados pelo choque). É por meio desses
efeitos secundários que esses choques podem afetar as
projeções e expectativas de inflação e alterar o balanço
de riscos. Esses efeitos podem ser mitigados pelo grau
de ociosidade na economia e pelas expectativas de
inflação ancoradas nas metas. Portanto, não há relação
mecânica entre choques recentes e a política
monetária.
32. Na avaliação do Copom, a evolução do cenário
básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da
taxa Selic no vel vigente. O Copom ressalta que os
próximos passos da política monetária continuarão
dependendo da evolução da atividade econômica, do
balanço de riscos e das projeções e expectativas de
inflação.
33. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de
Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de
Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de
Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e
Tiago Couto Berriel.