Ata da 214ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central do Brasil
15 e 16 de maio de 2018
Banco Central do Brasil
214ª Reunião do Copom
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Data: 15 e 16/5/2018
Local: Salas de reuniões do andar (15/5) e do 20º andar (16/5) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início e de término das sessões: 15/5: 10h08 12h16; 14h42 16h44
16/5: 14h 18h
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Carlos Viana de Carvalho
Carolina de Assis Barros
Maurício Costa de Moura
Otávio Ribeiro Damaso
Paulo Sérgio Neves de Souza
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 15/5)
Alan da Silva Andrade Mendes Departamento das Reservas Internacionais
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 16/5)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 15/5)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Daniela Pires Ramos de Alcântara Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão
de Riscos Corporativos
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secretário do Comi de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe do Departamento de Estatísticas
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Presidente
Rogério Antônio Lucca Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
lvia Marques de Brito e Silva Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação (presente somente na sessão
vespertina)
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. Os últimos indicadores de atividade econômica
mostram arrefecimento, num contexto de recuperação
consistente, mas gradual, da economia brasileira.
2. A economia segue operando com alto vel de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da indústria
e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo tornou-se mais desafiador e
apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em
grande parte associados à normalização das taxas de
juros em algumas economias avançadas, produziu
ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como
resultado, houve redução do apetite ao risco em
relação a economias emergentes.
4. O comportamento da inflação permanece favorável,
com diversas medidas de inflação subjacente em níveis
ainda baixos, inclusive os componentes mais sensíveis
ao ciclo econômico e à política monetária.
5. As expectativas de inflação para 2018 apuradas pela
pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,5%. As
expectativas para 2019 e 2020 situam-se em torno de
4,0%.
6. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do
Copom situam-se em torno de 3,6% para 2018 e de
3,9% para 2019. Esse cenário supõe, entre outras
hipóteses, trajetória de juros que encerra 2018 em
6,25% a.a. e 2019 em 8,0% a.a. e de taxa de câmbio que
termina 2018 e 2019 em R$3,40/US$. Nesse cenário, as
projeções para a inflação de preços administrados são
de 5,7% para 2018 e de 4,2% para 2019.
7. No cenário com taxa de juros constante em 6,50%
a.a. e taxa de câmbio constante a R$ 3,60/US$
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, as
projeções para a inflação do Copom situam-se em torno
de 4,0% para 2018 e 2019. Nesse cenário, as projeções
para a inflação de preços administrados são de 6,3%
para 2018 e de 4,4% para 2019.
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A menos de menção explícita em contrário, esta atualização
leva em conta as mudanças ocorridas desde a reunião do
Copom em março (213ª reunião).
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
8. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
9. Por um lado, (i) a possível propagação, por
mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação pode
produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado.
10. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas
sobre a continuidade das reformas e ajustes
necessários na economia brasileira pode afetar prêmios
de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte
relevante para a política monetária. Esse risco se
intensifica no caso de (iii) continuidade da reversão do
cenário externo para economias emergentes. Esse
último risco se intensificou desde o último Copom.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
11. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações disponíveis.
Concordaram ter havido arrefecimento, na margem, no
ritmo de atividade econômica. Esse movimento ocorre
em meio a processo de recuperação consistente, mas
em ritmo gradual, da economia brasileira. Nesse
contexto, entendem que, à medida que a atividade
econômica se recupera, a inflação tende a voltar
gradualmente para a meta. E reiteraram a visão de que,
em decorrência dos níveis atuais de ociosidade na
economia, revisões marginais na intensidade da
recuperação não levariam a revisões materiais na
trajetória esperada para a inflação.
12. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê ponderaram que o cenário se
tornou mais desafiador. O risco de normalização mais
acelerada nos níveis de taxas de juros em algumas
economias avançadas produziu ajustes em preços de
ativos e volatilidade nas condições financeiras no
mercado internacional. O cenário básico contempla
normalização gradual da política monetária nos países
centrais, mas depende da trajetória prospectiva da
inflação de preços e salários nessas economias. Os
membros do Comitê mencionaram também os riscos
geopolíticos e aqueles associados à continuidade da
expansão do comércio internacional, com possíveis
impactos sobre o crescimento global. Nesse contexto,
os membros do Copom voltaram a destacar a
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Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a
cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco
dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do
Copom.
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capacidade que a economia brasileira apresenta de
absorver revés no cenário internacional, devido à
situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao
ambiente com inflação baixa, expectativas ancoradas e
perspectiva de recuperação econômica. Não obstante,
os membros do Copom ponderaram sobre os riscos
gerados por possível continuidade da reversão do
cenário para economias emergentes num contexto de
frustração das expectativas sobre as reformas e ajustes
necessários na economia brasileira. Nesse contexto,
argumentam que, caso a evolução do cenário externo
venha a produzir mudanças de preços relativos, seu
impacto sobre a política monetária será delimitado por
seus efeitos secundários sobre a inflação (i.e. efeitos
sobre os preços da economia não diretamente
associados ao choque).
13. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação ao longo deste e dos próximos anos. Todos
concordaram que o comportamento da inflação
permanece favorável, com diversas medidas de inflação
subjacente em níveis ainda baixos, inclusive os
componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à
política monetária. Debateram também em que medida
suas trajetórias são compatíveis com a convergência da
inflação em direção às metas no horizonte relevante
para a política monetária. De um lado, a permanência
de medidas de inflação subjacente em patamares
baixos constitui risco baixista para a trajetória
prospectiva para a inflação. De outro lado, permanece
a expectativa de que a recuperação da atividade
econômica contribua para elevação da inflação
subjacente rumo às metas no horizonte relevante.
Além disso, persistem os riscos associados à
continuidade da reversão do cenário para economias
emergentes num contexto de frustração das
expectativas sobre as reformas e ajustes necessários na
economia brasileira. O Copom entende que a evolução
recente dessas dimensões em conjunto resultou em
mitigação do risco de postergação da convergência da
inflação rumo às metas.
14. Os membros do Comitê debateram ainda as
projeções condicionais de inflação em diferentes
cenários. No cenário com trajetórias para as taxas de
juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as
projeções apresentaram pequenos recuos em relação
às projeções produzidas à época da reunião do Copom
em março. No cenário com taxas de juros e câmbio
constantes, conforme detalhado no parágrafo desta
Ata, as projeções para 2018 e 2019 encontram-se em
torno de 4,0% um pouco acima dos níveis observados
no cenário mencionado anteriormente. O Copom
considera esses níveis confortáveis e, tendo em conta o
atual balanço de riscos, julga terem diminuído as
chances de a inflação permanecer abaixo da meta no
horizonte relevante.
15. O Comitê reiterou o entendimento de que, com
expectativas de inflação ancoradas, eventuais choques
que produzam ajustes de preços relativos devem ter
apenas seus efeitos secundários combatidos pela
política monetária. O Copom destaca que sua reação a
possíveis mudanças de preços relativos será simétrica,
ou seja, a política monetária seguirá os mesmos
princípios tanto diante de choques inflacionários (como
no caso de um choque externo que produza
depreciação cambial) quanto desinflacionários (como
no caso de um choque favorável nos preços de
alimentos).
16. Estabelecido de que forma a política monetária
deve reagir a choques que produzam ajustes de preços
relativos, os membros do Comitê discutiram o grau de
repasse cambial na economia brasileira. Concluíram
que a intensidade do repasse depende de vários
fatores, como, por exemplo, do nível de ociosidade da
economia e da ancoragem das expectativas de inflação.
O Comitê decidiu acompanhar as diferentes medidas
de repasse cambial tanto para a inflação quanto para
medidas de inflação subjacente.
17. Os membros do Comitê reiteraram o entendimento
de que a conjuntura econômica com expectativas de
inflação ancoradas, medidas de inflação subjacente em
níveis baixos, projeções de inflação abaixo da meta para
2018 e um pouco abaixo da meta para 2019 e elevado
grau de ociosidade na economia prescreve política
monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros
abaixo da taxa estrutural. Embora estimativas dessa
taxa envolvam elevado grau de incerteza, os membros
do Comitê manifestaram entendimento de que as
atuais taxas de juros reais ex-ante têm efeito
estimulativo sobre a economia. Ao longo do tempo,
esse estímulo deve contribuir para que a inflação
retorne para as metas.
18. O Copom entende que o processo de reformas e de
ajustes necessários na economia brasileira contribui
para a queda da sua taxa de juros estrutural. As
estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
19. Os membros do Copom debateram, então, a
evolução do cenário básico e do balanço de riscos desde
sua reunião em março (213ª reunião) e a decisão de
política monetária adequada tendo em vista essa
evolução.
20. Primeiramente, contemplaram a alternativa de
reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual
(p.p.), para 6,25% a.a., com o objetivo de mitigar o risco
de postergação da convergência da inflação rumo às
metas. Alguns fatores pesavam a favor dessa
alternativa, a saber: os níveis baixos de inflação e de
inflação subjacente e o ritmo gradual de recuperação
da economia e seu arrefecimento recente. Em seguida,
avaliaram manter a taxa Selic em 6,50% a.a. A favor
dessa opção, pesava a mudança no balanço de riscos
para a inflação em função do choque externo, que
reduziu as chances de a inflação permanecer abaixo da
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meta no horizonte relevante por meio de possíveis
impactos secundários na inflação. Isso tornou
desnecessária a mitigação de risco de convergência
demasiadamente lenta da inflação às metas. Pesando o
cenário básico e o balanço de riscos, o Comitê concluiu
que a decisão de manter a taxa de juros no atual
patamar era a mais apropriada.
21. Avaliou-se também o fato de que a comunicação
recente de membros do Copom parecia ter sido
interpretada por parte do blico como indicativa de
decisão na direção de uma redução adicional da taxa de
juros. Ao final, prevaleceu o entendimento de que focar
na melhor decisão possível dado o conjunto de
informações disponíveis no momento resulta, ao longo
do tempo, em maior credibilidade para a política
monetária.
22. O Comitê debateu a possível interpretação, por
agentes econômicos, de que a política monetária
estaria reagindo mecanicamente à evolução recente da
taxa de câmbio. Os membros do Comitê entendem que
pode haver impactos do choque externo na economia
brasileira, mas enfatizaram que é essencial entender
que a política monetária não reagirá a esses impactos
de forma automática, uma vez que suas implicações
para a política monetária dependem da forma como o
choque poderá se transmitir às expectativas, às
projeções de inflação e ao balanço de riscos.
23. Nesse contexto, os membros do Copom afirmaram
que o foco da política monetária será nos impactos
secundários sobre a inflação (ou seja, na propagação a
preços da economia não diretamente afetados pelo
choque) e que, em um contexto de expectativas de
inflação ancoradas, esses efeitos tendem a ser
mitigados pelo elevado grau de ociosidade na
economia.
24. Os membros do Copom enfatizaram ainda que a
sua comunicação deveria reafirmar a atuação da
política monetária exclusivamente com foco na
evolução das projeções e expectativas de inflação, do
seu balanço de riscos e da atividade econômica.
Choques externos devem ser combatidos apenas no
impacto secundário que poderão ter na inflação
prospectiva. Dessa maneira, concluíram que a ausência
de relação mecânica entre o cenário externo e a política
monetária e sua forma de atuação serão evidentes ao
longo do tempo, mas que deveriam ser explicitadas
pelo Copom nas suas comunicações oficiais.
25. Ao fim das avaliações, todos os membros do Copom
concordaram com a decisão de manter a taxa Selic em
6,50% a.a. Decidiram sinalizar ainda, para as próximas
reuniões, que, com projeções de inflação confortáveis
e o atual balanço de riscos, o Comitê vê como adequada
a manutenção da taxa de juros no patamar corrente.
26. Os membros do Comitê voltaram a reiterar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor transmite
a racionalidade econômica que guia suas decisões. Isso
contribui para aumentar a transparência e melhorar a
comunicação do Copom. Nesse contexto, voltaram a
ressaltar que os próximos passos na condução da
política monetária continuarão dependendo da
evolução da atividade econômica, do balanço de riscos
e das projeções e expectativas de inflação.
27. Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar
que a aprovação e implementação das reformas,
notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na
economia brasileira são fundamentais para a
sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros estrutural
da economia, com amplos benefícios para a sociedade.
28. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras iniciativas que visam aumento de
produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade
da economia e melhoria do ambiente de negócios.
Esses esforços são fundamentais para a retomada da
atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
29. Considerando o cenário básico, o balanço de riscos
e o amplo conjunto de informações disponíveis, o
Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da
taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende
que essa decisão reflete a mudança recente no balanço
de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com
a convergência da inflação para a meta no horizonte
relevante para a condução da política monetária, que
inclui os anos-calendário de 2018 e, em maior grau, de
2019.
30. O Copom reitera que a conjuntura econômica
prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com
taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
31. O Comitê enfatiza que o processo de reformas e
ajustes necessários na economia brasileira contribui
para a queda da sua taxa de juros estrutural. As
estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
32. Na avaliação do Copom, a evolução do cenário
básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou
desnecessária uma flexibilização monetária adicional
para mitigar o risco de postergação da convergência da
inflação rumo às metas. Para as próximas reuniões, o
Comitê como adequada a manutenção da taxa de
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juros no patamar corrente. O Copom ressalta que os
próximos passos da política monetária continuarão
dependendo da evolução da atividade econômica, do
balanço de riscos e das projeções e expectativas de
inflação.
33. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de
Carvalho, Carolina de Assis Barros, Maurício Costa de
Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de
Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e
Tiago Couto Berriel.