Ata da 213ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
20 e 21 de março de 2018
Banco Central do Brasil
213ª Reunião do Copom
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Data: 20 e 21/3/2018
Local: Salas de reuniões do 8º andar (20/3 e sessão matutina de 21/3) e do 20º andar (sessão vespertina
de 21/3) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil Brasília DF
Horário de início e término das sessões: 20/3: 14h33 17h54
21/3: 9h24 10h22; 14h00 18h00
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Maurício Costa de Moura
Otávio Ribeiro Damaso
Paulo Sérgio Neves de Souza
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 20/3 e na sessão
matutina de 21/3)
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente na sessão vespertina de 21/3)
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Geraldo Pereira Júnior Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 20/3 e na sessão matutina de 21/3)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Daniela Pires Ramos de Alcântara Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão
de Riscos Corporativos
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secretário do Comi de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe do Departamento de Estatísticas
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Presidente
Luis Gustavo Mansur Siqueira Chefe de Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e
Cidadania
Rogério Antônio Lucca Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade econômica
mostra recuperação consistente da economia
brasileira.
2. A economia segue operando com alto vel de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da indústria
e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo tem se mostrado favorável, na
medida em que a atividade econômica cresce
globalmente. Isso tem contribuído até o momento para
manter o apetite ao risco em relação a economias
emergentes.
4. O cenário básico para a inflação evoluiu de forma
mais benigna que o esperado nesse início de ano. O
comportamento da inflação permanece favorável, com
diversas medidas de inflação subjacente em níveis
baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo
econômico e à política monetária.
5. As expectativas de inflação para 2018 apuradas pela
pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,6%. As
expectativas para 2019 e 2020 situam-se em torno de
4,2% e de 4,0%, respectivamente.
6. Para a trajetória de preços administrados, que
compõe as projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 4,8%
em 2018 e 3,8% em 2019.
7. O cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre outras
hipóteses, taxas de câmbio de R$3,30/US$ e
R$3,39/US$ ao final de 2018 e de 2019,
respectivamente, e taxas de juros de 6,5% ao ano (a.a.)
ao final de 2018 e 8,0% a.a. ao final de 2019.
8. Sob essas hipóteses, as projeções de inflação do
Copom recuaram para em torno de 3,8% e 4,1% para
2018 e 2019, respectivamente.
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A menos de menção explícita em contrário, esta atualização
leva em conta as mudanças ocorridas desde a reunião do
Copom em fevereiro (212ª reunião).
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
10. Por um lado, (i) a possível propagação, por
mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação pode
produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado.
11. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas
sobre a continuidade das reformas e ajustes
necessários na economia brasileira pode afetar prêmios
de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte
relevante para a política monetária. Esse risco se
intensifica no caso de (iii) reversão do corrente cenário
externo favorável para economias emergentes.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
12. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações disponíveis.
Um membro mencionou sinais de pequeno
arrefecimento, na margem, no processo de
recuperação do crescimento econômico, mas outros
ponderaram que essas oscilações são naturais no atual
estágio do processo. Todos concluíram que a
recuperação da economia apresenta consistência.
Nesse contexto, entendem que, à medida que a
atividade econômica se recupera, a inflação tende a
voltar gradualmente para a meta. E reiteraram a visão
de que, em decorrência dos níveis atuais de ociosidade
na economia, revisões marginais na intensidade da
recuperação não levariam a revisões materiais na
trajetória esperada para a inflação.
13. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê reiteraram que a evolução da
economia global tem sido favorável, com crescimento
econômico bastante disseminado. surgem sinais de
que as condições no mercado de trabalho começam a
elevar os salários em algumas economias centrais.
também perspectiva de retorno das taxas de inflação
nessas economias para patamares mais próximos de
suas metas. Isso reforça o cenário de continuidade do
processo de normalização da política monetária nos
países centrais, o que deve ocorrer de maneira gradual
no cenário básico. Mas a trajetória prospectiva da
inflação de preços e salários pode tornar esse processo
mais volátil e produzir algum aperto das condições
financeiras globais. Houve o reconhecimento de que
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aumentaram os riscos associados à continuidade da
expansão do comércio internacional, devido a medidas
protecionistas, com possíveis impactos sobre o
crescimento global e a volatilidade das condições
financeiras. Nesse contexto, os membros do Copom
voltaram a destacar a capacidade que a economia
brasileira apresenta de absorver eventual revés no
cenário internacional, devido à situação robusta de seu
balanço de pagamentos e ao ambiente com inflação
baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de
recuperação econômica. Não obstante, os membros do
Copom voltaram a ponderar sobre o risco para a
economia brasileira de um revés nesse cenário
internacional benigno num contexto de frustração das
expectativas sobre as reformas e ajustes necessários na
economia brasileira.
14. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação ao longo deste e dos próximos anos. Todos
concordaram que a inflação evoluiu de forma mais
benigna que o esperado nesse início de ano.
15. O Comitê reiterou o entendimento de que, no caso
de eventuais ajustes de preços relativos decorrentes de
choques de oferta, com expectativas de inflação
ancoradas, a política monetária deve combater apenas
os efeitos secundários desses choques. O Copom
destaca que sua reação a possíveis mudanças de preços
relativos será simétrica, ou seja, a política monetária
seguirá os mesmos princípios tanto diante de choques
de oferta inflacionários quanto desinflacionários.
16. Os membros do Copom debateram o nível e a
trajetória da inflação. Avaliaram que diversas medidas
de inflação subjacente, inclusive os componentes mais
sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária,
situam-se em níveis baixos. Debateram também em que
medida suas trajetórias são compatíveis com a
convergência da inflação em direção à meta no
horizonte relevante para a política monetária. De um
lado, a permanência de medidas de inflação subjacente
em patamares baixos constitui risco baixista para a
trajetória prospectiva para a inflação. De outro lado,
permanecem a expectativa de que a recuperação da
atividade econômica contribua para elevação da
inflação subjacente rumo às metas no horizonte
relevante e os riscos associados a um revés no cenário
internacional num contexto de frustração das
expectativas sobre as reformas e ajustes necessários na
economia brasileira.
17. O Copom entende que a política monetária tem
que balancear essas duas dimensões, tendo em vista a
incerteza quanto às defasagens do impacto de
estímulos monetários na trajetória da inflação. Isso
envolve reagir para assegurar que a inflação convirja
para a meta numa velocidade adequada e ao mesmo
tempo garantir que a conquista da inflação baixa
perdure, mesmo diante de choques adversos. O Copom
reafirma que a política monetária tem flexibilidade
para reagir a riscos de ambos os lados.
18. Os membros do Comitê manifestaram o
entendimento de que a conjuntura econômica com
expectativas de inflação ancoradas, medidas de
inflação subjacente em níveis baixos, projeções de
inflação abaixo da meta para 2018 e em torno da meta
para 2019, e elevado grau de ociosidade na economia
prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com
taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Embora
estimativas dessa taxa envolvam elevado grau de
incerteza, os membros do Comitê manifestaram
entendimento de que as atuais taxas de juros reais ex-
ante têm efeito estimulativo sobre a economia.
19. O Copom entende que o processo de reformas e de
ajustes necessários na economia brasileira contribui
para a queda da sua taxa de juros estrutural. As
estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
20. Todos os membros do Copom concordaram que a
evolução da conjuntura, do cenário básico e do balanço
de riscos desde sua reunião em fevereiro (212ª reunião)
tornou adequada a redução da taxa Selic para
6,50% a.a.
21. Os membros do Comitê então debateram os
próximos passos na condução da política monetária.
Houve consenso que a evolução da conjuntura, do
cenário básico e do balanço de riscos desde a reunião
do Copom em fevereiro (212ª reunião) foi tornando
clara, ao longo do tempo, a necessidade de um ajuste
da política monetária em relação ao movimento que
havia sido sinalizado como mais provável na reunião
anterior. Parte desse ajuste pôde ser implementado
pela redução da taxa Selic para 6,5% a.a., que já estava
refletida nas projeções de analistas e na estrutura a
termo das taxas de juros. Entretanto, os membros do
Copom concluíram pela necessidade de tornar a
política monetária um pouco mais estimulativa. Essa
conclusão decorreu de dois fatores. Primeiro, o Copom
julgou que a dinâmica das diversas medidas de inflação
subjacente sinalizava maior risco de postergação da
convergência da inflação rumo às metas. Nesse
contexto, um estímulo monetário adicional mitigaria
esse risco. Segundo, o Comitê ponderou o fato de que,
mesmo com trajetória para a taxa Selic que
incorporava redução para o patamar de 6,50% a.a., as
perspectivas para inflação levando em conta
expectativas, projeções e avaliação de amplo conjunto
de informações apresentaram recuo no horizonte
relevante, principalmente para 2018. O Copom decidiu,
portanto, sinalizar que, para a próxima reunião, uma
flexibilização monetária moderada adicional se mostra
adequada sob a ótica atual. Tendo em vista o princípio
que norteia sua condução da política monetária, de
explicitar condicionalidades que julga relevantes, o
Comitê decidiu também comunicar que essa visão para
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a próxima reunião poderá se alterar e levar à
interrupção do processo de flexibilização monetária, no
caso dessa mitigação de riscos se mostrar
desnecessária.
22. O Comitê passou então a debater os passos
seguintes à próxima reunião, tendo em mente o
horizonte relevante para a condução da política
monetária àquela altura, que estará
majoritariamente concentrado no ano-calendário de
2019. Tendo em vista o cenário básico do Copom, o
balanço de riscos e as defasagens e incertezas
associadas ao processo de transmissão da política
monetária, o Comitê concluiu que, àquela altura,
deverá se mostrar apropriado interromper o processo
de flexibilização monetária. Dados os riscos que a
economia enfrenta e a incerteza quanto às defasagens
na transmissão da política monetária, o Comitê julga
que pode precisar de algum tempo para avaliar a
evolução da economia e sua reação aos estímulos
monetários implementados, tendo em vista o
horizonte relevante naquele momento. O debate
procedeu, então, em relação à forma de comunicar essa
visão para reuniões além da próxima. Alguns membros
manifestaram preferência por indicar que deverá ser
necessário aguardar algumas reuniões do Copom até
que se acumule informação suficiente para avaliar o
comportamento da economia. Outros argumentaram
não ver necessidade de se comprometer com essa
sinalização. Ao final, os membros do Copom concluíram
por comunicar que, para reuniões além da próxima,
salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico
e no balanço de riscos para a inflação, o Comitê vê como
adequada a interrupção do processo de flexibilização
monetária, visando avaliar os próximos passos.
23. Os membros do Comitê voltaram a reiterar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor transmite
a racionalidade econômica que guia suas decisões. Isso
contribui para aumentar a transparência e melhorar a
comunicação do Copom. Nesse contexto, voltaram a
ressaltar que os próximos passos na condução da
política monetária continuarão dependendo da
evolução da atividade econômica, do balanço de riscos,
de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do
ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
24. Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar
que a aprovação e implementação das reformas,
notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na
economia brasileira são fundamentais para a
sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros estrutural
da economia, com amplos benefícios para a sociedade.
25. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras iniciativas que visam aumento de
produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade
da economia e melhoria do ambiente de negócios.
Esses esforços são fundamentais para a retomada da
atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
26. Considerando o cenário básico, o balanço de riscos
e o amplo conjunto de informações disponíveis, o
Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa
básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 6,50%
a.a. O Comitê entende que esse movimento é
compatível com a convergência da inflação para a meta
no horizonte relevante para a condução da política
monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e, com
peso gradualmente crescente, de 2019.
27. O Copom entende que a conjuntura econômica
prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com
taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
28. O Comitê enfatiza que o processo de reformas e
ajustes necessários na economia brasileira contribui
para a queda da sua taxa de juros estrutural. As
estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
29. A evolução do cenário sico tornou adequada a
redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto
percentual nesta reunião. Para a próxima reunião, o
Comitê vê, neste momento, como apropriada uma
flexibilização monetária moderada adicional. O Comitê
julga que este estímulo adicional mitiga o risco de
postergação da convergência da inflação rumo às
metas. Essa visão para a próxima reunião pode se
alterar e levar à interrupção do processo de
flexibilização monetária, no caso dessa mitigação se
mostrar desnecessária. Para reuniões além da próxima,
salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico
e no balanço de riscos para a inflação, o Comitê vê como
adequada a interrupção do processo de flexibilização
monetária, visando avaliar os próximos passos, tendo
em vista o horizonte relevante naquele momento. O
Copom ressalta que os próximos passos da política
monetária continuarão dependendo da evolução da
atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis
reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das
projeções e expectativas de inflação.
30. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de
Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Maurício
Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio
Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.