Ata da 212ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
6 e 7 de fevereiro de 2018
Banco Central do Brasil
212ª Reunião do Copom
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Data: 6 e 7/2/2018
Local: Salas de reuniões do 8º andar (6/2) e do 20º andar (7/2) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil
Brasília DF
Horário de início e término das sessões: 6/2: 10h09 11h42; 14h04 17h16
7/2: 14h30 18h20
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Maurício Costa de Moura
Otávio Ribeiro Damaso
Paulo Sérgio Neves de Souza
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 6/2)
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 7/2)
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 6/2)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Daniela Pires Ramos de Alcântara Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão
de Riscos Corporativos
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secrerio do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe do Departamento de Estatísticas
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação
Luis Gustavo Mansur Siqueira Chefe de Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e
Cidadania
Rogério Antônio Lucca Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade econômica
divulgados desde a última reunião do Copom mostra
recuperação consistente da economia brasileira.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da indústria
e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo tem se mostrado favorável, na
medida em que a atividade econômica cresce
globalmente. Isso tem contribuído até o momento
para manter o apetite ao risco em relação a economias
emergentes, apesar da volatilidade recente das
condições financeiras nas economias avançadas.
4. O cenário básico de inflação tem evoluído, em boa
medida, conforme o esperado. O comportamento da
inflação permanece favorável, com diversas medidas
de inflação subjacente em níveis confortáveis ou
baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao
ciclo econômico e à política monetária.
5. As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa
Focus recuaram para em torno de 3,9% para 2018. As
projeções para 2019 e 2020 mantiveram-se em torno
de 4,25% e 4,0%, respectivamente.
6. Para a trajetória de preços administrados, que
compõe as projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 4,8%
em 2018 e 4,1% em 2019.
7. O cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre
outras hipóteses, taxas de câmbio de R$3,30/US$ e
R$3,40/US$ ao final de 2018 e de 2019,
respectivamente, e taxas de juros de 6,75% ao ano
(a.a.) ao final de 2018, elevando-se para 8,00% ao
longo de 2019.
8. Sob essas hipóteses, as projeções de inflação do
Copom para 2018 e 2019 permaneceram em torno de
4,2%.
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A menos de menção explícita em contrário, esta atualização
leva em conta as mudanças ocorridas desde a reunião do
Copom em dezembro (211ª reunião).
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
10. Por um lado, a combinação de (i) possíveis efeitos
secundários do choque favorável nos preços de
alimentos e da inflação de bens industriais em níveis
correntes baixos e da (ii) possível propagação, por
mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação
corrente pode produzir trajetória de inflação
prospectiva abaixo do esperado.
11. Por outro lado, (iii) uma frustração das
expectativas sobre a continuidade das reformas e
ajustes necessários na economia brasileira pode
afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação
no horizonte relevante para a política monetária. Esse
risco se intensifica no caso de (iv) reversão do corrente
cenário externo favorável para economias
emergentes.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
12. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações
disponíveis. Todos concordaram que a recuperação da
economia apresenta maior consistência. Nesse
contexto, entendem que, à medida que a atividade
econômica se recupera, a inflação tende a voltar para
a meta. E reiteraram a visão de que, em decorrência
dos níveis atuais de ociosidade na economia, revisões
marginais na intensidade da recuperação não levariam
a revisões materiais na trajetória esperada para a
inflação.
13. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê reiteraram que a evolução da
economia global tem sido favorável, com crescimento
econômico bastante disseminado. Já surgem sinais de
que as condições no mercado de trabalho começam a
elevar os salários em algumas economias centrais. Há
também perspectiva de retorno das taxas de inflação
nessas economias para patamares mais próximos de
suas metas. Isso reforça o cenário de continuidade do
processo de normalização da política monetária nos
países centrais, o que deve ocorrer de maneira
gradual, no cenário básico. Mas a trajetória
prospectiva da inflação de preços e salários pode
tornar esse processo mais volátil e produzir algum
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aperto das condições financeiras globais. Nesse
contexto, os membros do Copom voltaram a destacar
a capacidade que a economia brasileira apresenta de
absorver eventual revés no cenário internacional,
devido à situação robusta de seu balanço de
pagamentos e ao ambiente com inflação baixa,
expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação
econômica. Não obstante, os membros do Copom
voltaram a ponderar sobre o risco para a economia
brasileira de um revés nesse cenário internacional
benigno num contexto de frustração das expectativas
sobre as reformas e ajustes necessários na economia
brasileira.
14. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação ao longo deste e dos próximos anos e
concordaram que as perspectivas para a inflação têm
evoluído, em boa medida, conforme o esperado.
15. O Comitê avaliou a situação atual do setor de
geração de energia elétrica no país e os impactos das
alterações recentes nas bandeiras tarifárias em seu
cenário básico para a inflação. Debateu também a
evolução dos preços de combustíveis. Ambos os
preços passaram a apresentar maior volatilidade ao
longo do ano passado.
16. Em relação à política monetária, houve consenso
que, assim como no caso de outros eventuais ajustes
de preços relativos decorrentes de choques de oferta,
com expectativas de inflação ancoradas, a política
monetária deve combater apenas os efeitos
secundários desses choques. O Comitê reitera que sua
reação a possíveis mudanças de preços relativos,
como nos casos de alimentos e de eventuais reajustes
de tarifas de energia elétrica e de preços de
combustíveis, será simétrica, ou seja, a política
monetária seguirá os mesmos princípios tanto diante
de choques de oferta inflacionários quanto
desinflacionários.
17. Os membros do Copom debateram os níveis e a
trajetória da inflação, inclusive dos componentes mais
sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.
Avaliaram que algumas medidas de inflação
subjacente encontram-se em níveis confortáveis e
outras em veis baixos. Debateram também em que
medida suas trajetórias são compatíveis com a
convergência da inflação em direção à meta no
horizonte relevante para a política monetária. De um
lado, a permanência de medidas de inflação
subjacente em patamares baixos constitui risco
baixista para a trajetória prospectiva para a inflação.
De outro lado, permanece a expectativa de que a
recuperação da atividade econômica contribua para
elevação da inflação subjacente rumo à meta no
horizonte relevante.
18. O Copom reafirmou que a política monetária tem
flexibilidade para reagir a riscos para ambos os lados,
tanto ao risco de que efeitos secundários de choques
de oferta e propagação do nível corrente baixo de
inflação produzam inflação prospectiva abaixo do
esperado, quanto ao risco de um revés no cenário
internacional num contexto de frustração das
expectativas sobre as reformas e ajustes necessários.
19. Os membros do Comitê manifestaram o
entendimento de que a conjuntura econômica com
expectativas de inflação ancoradas, medidas de
inflação subjacente em níveis confortáveis ou baixos,
projeções de inflação um pouco abaixo da meta para
2018 e na meta para 2019, e elevado grau de
ociosidade na economia prescreve política monetária
estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da
taxa estrutural. Embora estimativas dessa taxa
envolvam elevado grau de incerteza, os membros do
Comitê manifestaram entendimento de que as atuais
taxas de juros reais ex-ante têm efeito estimulativo
sobre a economia.
20. O Copom entende que o processo de reformas e
de ajustes necessários na economia brasileira
contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural.
As estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
21. Todos os membros do Copom concordaram que a
evolução da conjuntura e do balanço de riscos desde
sua reunião em dezembro (211ª reunião) se deu, em
grande medida, como esperado e, dessa forma,
mostrou-se compatível com a redução da taxa Selic
para 6,75% a.a.
22. Os membros do Comitê então debateram o
próximo passo na condução da política monetária.
Focaram em avaliar sob que circunstâncias seria
apropriado interromper o processo de flexibilização
monetária e em que contexto haveria espaço para
uma flexibilização monetária moderada adicional na
reunião do Copom em março. De um lado, a
continuidade do ambiente com inflação subjacente
em níveis confortáveis ou baixos, com intensificação
do risco de sua propagação, abriria espaço para essa
flexibilização adicional. O mesmo ocorreria no caso de
alterações no balanço de riscos que resultem em
menor probabilidade de aumento de prêmios de risco
e consequente elevação da trajetória prospectiva da
inflação. De outro lado, a evolução da conjuntura em
linha com o cenário básico do Copom, a recuperação
mais consistente da economia e uma piora no cenário
internacional favoreceriam a interrupção do processo
de flexibilização.
23. Nesse contexto, os membros do Comitê
debateram o grau de liberdade a ser mantido na
comunicação sobre o próximo passo da política
monetária. Alguns membros manifestaram
preferência por elevado grau de liberdade,
favorecendo comunicação mais simétrica sobre o
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próximo passo, enquanto outros propuseram sinalizar
mais fortemente a possível interrupção do ciclo de
flexibilização monetária e manter liberdade de ação,
mas em menor grau. Todos concluíram ser apropriado
sinalizar que, caso a conjuntura evolua conforme o
cenário básico do Copom, a interrupção do processo
de flexibilização monetária parece adequada sob a
perspectiva atual. Mas avaliaram que cabia comunicar
que essa visão para a próxima reunião pode se alterar
e levar a uma flexibilização monetária moderada
adicional, caso haja mudanças na evolução do cenário
básico e do balanço de riscos.
24. Os membros do Comitê voltaram a reiterar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor
transmite a racionalidade econômica que guia suas
decisões. Isso contribui para aumentar a transparência
e melhorar a comunicação do Copom. Nesse contexto,
voltaram a ressaltar que os próximos passos na
condução da política monetária continuarão
dependendo da evolução da atividade econômica, do
balanço de riscos, de possíveis reavaliações da
estimativa da extensão do ciclo e das projeções e
expectativas de inflação.
25. Todos os membros do Comitê voltaram a
enfatizar que a aprovação e implementação das
reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de
ajustes na economia brasileira são fundamentais para
a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros estrutural
da economia, com amplos benefícios para a sociedade.
26. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras iniciativas que visam aumento
de produtividade, ganhos de eficiência, maior
flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de
negócios. Esses esforços são fundamentais para a
retomada da atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
27. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis,
o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da
taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para
6,75% a.a. O Comitê entende que esse movimento é
compatível com a convergência da inflação para a
meta no horizonte relevante para a condução da
política monetária, que inclui os anos-calendário de
2018 e, com peso menor e gradualmente crescente,
de 2019.
28. O Copom entende que a conjuntura econômica
prescreve política monetária estimulativa, ou seja,
com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
29. O Comitê enfatiza que o processo de reformas e
ajustes necessários na economia brasileira contribui
para a queda da sua taxa de juros estrutural. As
estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
30. A evolução do cenário básico, em linha com o
esperado, e o estágio do ciclo de flexibilização
tornaram adequada a redução da taxa básica de juros
em 0,25 ponto percentual nesta reunião. Para a
próxima reunião, caso o cenário básico evolua
conforme esperado, o Comitê vê, neste momento,
como mais adequada a interrupção do processo de
flexibilização monetária. Essa visão para a próxima
reunião pode se alterar e levar a uma flexibilização
monetária moderada adicional, caso haja mudanças na
evolução do cenário básico e do balanço de riscos. O
Copom ressalta que os próximos passos da política
monetária continuarão dependendo da evolução da
atividade econômica, do balanço de riscos, de
possíveis reavaliações da estimativa da extensão do
ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
31. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de
Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Maurício
Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio
Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.