Notas da 211ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
5 e 6 de dezembro de 2017
Banco Central do Brasil
211ª Reunião do Copom
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Data: 5 e 6/12/2017
Local: Salas de reuniões do andar (5/12) e do 20º andar (6/12) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início e término das sessões: 5/12: 9h04 11h56; 14h03 16h15
6/12: 14h30 18h20
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Maurício Costa de Moura
Otávio Ribeiro Damaso
Paulo Sérgio Neves de Souza
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 5/12)
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 6/12)
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 5/12)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secrerio do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe do Departamento de Estatísticas
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Presidente
Ricardo Eyer Harris Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação (presente somente na sessão vespertina)
Rogério Antônio Lucca Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Wagner Thomaz de Aquino Guerra Junior Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e
de Gestão de Riscos Corporativos
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade econômica
divulgados desde a última reunião do Copom mostra
sinais compatíveis com a recuperação gradual da
economia brasileira.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da indústria
e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo tem se mostrado favorável, na
medida em que a atividade econômica global vem se
recuperando sem pressionar em demasia as condições
financeiras nas economias avançadas. Isso contribui
para manter o apetite ao risco em relação a economias
emergentes.
4. O cenário básico de inflação tem evoluído, em boa
medida, conforme o esperado. O comportamento da
inflação permanece favorável, com diversas medidas
de inflação subjacente em níveis confortáveis ou
baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao
ciclo econômico e à política monetária.
5. As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa
Focus recuaram para em torno de 3,0% para 2017. As
projeções para 2018, 2019 e 2020 mantiveram-se em
torno de 4,0%, 4,25% e 4,0%, respectivamente.
6. Para a trajetória de preços administrados, que
compõe as projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 8% em
2017, 4,9% em 2018 e 4,2% em 2019.
7. O cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre
outras hipóteses, taxas de câmbio de R$3,25/US$,
R$3,30/US$ e R$3,37/US$ ao final de 2017, 2018 e de
2019, respectivamente, e taxas de juros de 7,00% ao
ano (a.a.) ao final de 2017 e 2018, elevando-se para
8,00% ao longo de 2019.
8. Sob essas hipóteses, as projeções de inflação do
Copom para 2017 e 2018 reduziram-se para
aproximadamente 2,9% e 4,2%, respectivamente.
Para 2019, as projeções permaneceram em torno de
4,2%.
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A menos de menção explícita em contrário, esta atualização
leva em conta as mudanças ocorridas desde a reunião do
Copom em outubro (210ª reunião).
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
10. Por um lado, a combinação de (i) possíveis efeitos
secundários do choque favorável nos preços de
alimentos e da inflação de bens industriais em níveis
correntes baixos e da (ii) possível propagação, por
mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação
corrente pode produzir trajetória de inflação
prospectiva abaixo do esperado.
11. Por outro lado, (iii) uma frustração das
expectativas sobre a continuidade das reformas e
ajustes necessários na economia brasileira pode
afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação
no horizonte relevante para a política monetária. Esse
risco se intensifica no caso de (iv) reversão do corrente
cenário externo favorável para economias
emergentes.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
12. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações
disponíveis. Todos concordaram que a economia
segue em trajetória de recuperação gradual, com
avanços no emprego mesmo nessa fase inicial do
processo. Essa conjuntura tem produzido elevação
das projeções de crescimento para o ano corrente e
para 2018, consistente com diagnóstico de que a
retomada mostra-se mais consolidada. Os membros
do Copom enfatizaram a visão de que, em decorrência
dos níveis atuais de ociosidade na economia, revisões
marginais na intensidade da recuperação não levariam
a revisões materiais na trajetória esperada para a
inflação.
13. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê reiteraram a evolução favorável
recente da economia global, com recuperação gradual
da atividade, sem que isso venha pressionando em
demasia as condições financeiras nas economias
avançadas. Reconheceram que a continuidade no
processo de normalização da política monetária nos
países centrais tornou as condições financeiras
globais marginalmente menos estimulativas, apesar
de, até o momento, o impacto nas economias
emergentes ter sido limitado. Nesse contexto, os
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membros do Copom voltaram a destacar a maior
capacidade que a economia brasileira apresenta de
absorver eventual revés no cenário internacional,
devido à situação robusta de seu balanço de
pagamentos e ao ambiente com inflação baixa,
expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação
econômica. Não obstante, os membros do Copom
ponderaram sobre o risco para a economia brasileira
de um revés nesse cenário internacional benigno num
contexto de frustração das expectativas sobre as
reformas e ajustes necessários na economia brasileira.
14. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação ao longo deste e dos próximos anos e
concordaram que as perspectivas para a inflação têm
evoluído, em boa medida, conforme o esperado.
15. O Comitê avaliou a situação atual do setor de
geração de energia elétrica no país e os impactos das
alterações recentes nas bandeiras tarifárias em seu
cenário básico para a inflação para o ano que vem. No
agregado, preços administrados têm constituído um
choque inflacionário. Na direção oposta, e em
magnitude substancialmente maior, a dinâmica de
preços de alimentos constitui choque desinflacionário
relevante. Com a perspectiva de redução de preços da
ordem de 5% no ano, o componente de alimentação
no domicílio medido pelo IPCA explica grande parte
do desvio da inflação em relação à meta de 4,5%
vigente para o ano corrente.
16. Em relação à política monetária, houve consenso
que, assim como no caso de outros eventuais ajustes
de preços relativos decorrentes de choques de oferta,
com expectativas de inflação ancoradas, a política
monetária deve combater apenas os efeitos
secundários desses choques. O Comitê reitera que sua
reação a possíveis mudanças de preços relativos,
como nos casos de alimentos e de eventuais reajustes
de tarifas de energia elétrica, será simétrica, ou seja, a
política monetária seguirá os mesmos princípios tanto
diante de choques de oferta inflacionários quanto
desinflacionários.
17. Os membros do Copom debateram os níveis e a
trajetória da inflação, inclusive dos componentes mais
sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.
Avaliaram que algumas medidas de inflação
subjacente encontram-se em níveis confortáveis e
outras em níveis baixos. Debateram também em que
medida suas trajetórias são compatíveis com a
convergência da inflação em direção à meta no
horizonte relevante para a política monetária.
18. O Copom reafirmou que a política monetária tem
flexibilidade para reagir a riscos para ambos os lados,
tanto ao risco de que efeitos secundários de choques
de oferta e propagação do nível corrente baixo de
inflação produzam inflação prospectiva abaixo do
esperado, quanto ao risco de um revés no cenário
internacional num contexto de frustração das
expectativas sobre as reformas e ajustes necessários.
19. Os membros do Comitê manifestaram o
entendimento de que a conjuntura econômica com
expectativas de inflação ancoradas, medidas de
inflação subjacente em níveis confortáveis, projeções
de inflação um pouco abaixo da meta para 2018 e
elevado grau de ociosidade na economia prescreve
política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de
juros abaixo da taxa estrutural. Embora estimativas
dessa taxa envolvam elevado grau de incerteza, os
membros do Comitê manifestaram entendimento de
que as atuais taxas de juros reais ex-ante têm efeito
estimulativo sobre a economia.
20. O Copom entende que o processo de reformas e
de ajustes necessários na economia brasileira
contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural.
As estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
21. O Comitê entende que, para uma dada estimativa
da extensão do ciclo de flexibilização monetária, o
ritmo de flexibilização depende do estágio do ciclo em
que a política monetária se encontra, sem que isso
necessariamente reflita mudanças no seu cenário
básico ou no balanço de riscos.
22. Todos os membros do Copom concordaram que a
evolução da conjuntura e do balanço de riscos desde
sua reunião em outubro (210ª reunião) se deu como
esperado e, dessa forma, mostrou-se compatível com
a redução da taxa Selic para 7,0% a.a.
23. Os membros do Comitê então debateram o
próximo passo na condução da política monetária. Por
um lado, avaliaram que diversas medidas de inflação
subjacente estão em níveis confortáveis ou baixos,
inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo
econômico e à política monetária, e refletiram sobre a
trajetória de inflação em direção à meta. Por outro
lado, refletiram sobre o risco de a atual conjuntura
inflacionária ser interrompida por uma frustração das
expectativas sobre a continuidade das reformas e
ajustes necessários na economia brasileira, em
particular em um contexto de reversão do corrente
cenário externo favorável para economias
emergentes.
24. Concluíram ser apropriado sinalizar que, caso a
conjuntura evolua conforme o cenário básico do
Copom, e em razão do estágio do ciclo de
flexibilização, uma nova redução moderada na
magnitude de flexibilização na próxima reunião
parece adequada sob a perspectiva atual. Mas
avaliaram que cabia advertir que essa visão é mais
suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus
riscos que nas reuniões anteriores.
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25. Os membros do Copom também avaliaram a
extensão do ciclo e a conveniência de uma sinalização
sobre os passos seguintes à próxima reunião. Houve
consenso em manter liberdade de ação, mas sinalizar
que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na
condução da política monetária.
26. Os membros do Comitê voltaram a reiterar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor
transmite a racionalidade econômica que guia suas
decisões. Isso contribui para aumentar a transparência
e melhorar a comunicação do Copom. Nesse contexto,
voltaram a ressaltar que o processo de flexibilização
continuará dependendo da evolução da atividade
econômica, do balanço de riscos, de possíveis
reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das
projeções e expectativas de inflação.
27. Todos os membros do Comitê voltaram a
enfatizar que a aprovação e implementação das
reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de
ajustes na economia brasileira são fundamentais para
a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros estrutural
da economia, com amplos benefícios para a sociedade.
28. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras iniciativas que visam aumento
de produtividade, ganhos de eficiência, maior
flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de
negócios. Esses esforços são fundamentais para a
retomada da atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
29. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis,
o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da
taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para
7,0% a.a., sem viés. O Comitê entende que a
convergência da inflação para a meta no horizonte
relevante para a condução da política monetária, que
inclui os anos-calendário de 2018 e 2019, é compatível
com o processo de flexibilização monetária.
30. O Copom entende que a conjuntura econômica
prescreve política monetária estimulativa, ou seja,
com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
31. O Comitê enfatiza que o processo de reformas e
ajustes necessários na economia brasileira contribui
para a queda da sua taxa de juros estrutural. As
estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
32. A evolução do cenário básico, em linha com o
esperado, e o estágio do ciclo de flexibilização
tornaram adequada a redução da taxa básica de juros
em 0,5 ponto percentual nesta reunião. Para a
próxima reunião, caso o cenário básico evolua
conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de
flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como
adequada uma nova redução moderada na magnitude
de flexibilização monetária. Essa visão para a próxima
reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do
cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores. Para
frente, o Comitê entende que o atual estágio do ciclo
recomenda cautela na condução da política
monetária. O Copom ressalta que o processo de
flexibilização continuará dependendo da evolução da
atividade econômica, do balanço de riscos, de
possíveis reavaliações da estimativa da extensão do
ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
33. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de
Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Maurício
Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio
Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.