Notas da 210ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
24 e 25 de outubro de 2017
Banco Central do Brasil
210ª Reunião do Copom
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Data: 24 e 25/10/2017
Local: Salas de reuniões do 8º andar (24/10) e do 20º andar (25/10) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início e término das sessões: 24/10: 10h41 12h25; 14h37 17h34
25/10: 14h30 18h20
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Maurício Costa de Moura
Otávio Ribeiro Damaso
Paulo Sérgio Neves de Souza
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 24/10)
Alan da Silva Andrade Mendes Departamento das Reservas Internacionais
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 25/10)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 24/10)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Edric Martins Ueda Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secretário do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente (presente apenas na sessão vespertina)
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Presidente
Luis Gustavo Mansur Siqueira Chefe de Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania
Renato Baldini Junior Chefe do Departamento de Estatísticas
Rogério Antônio Lucca Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Wagner Thomaz de Aquino Guerra Junior Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e
de Gestão de Riscos Corporativos
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade
econômica divulgados desde a última reunião do
Copom mostra sinais compatíveis com a recuperação
gradual da economia brasileira.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da
indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo tem se mostrado favorável, na
medida em que a atividade econômica global vem se
recuperando sem pressionar em demasia as
condições financeiras nas economias avançadas. Isso
contribui para manter o apetite ao risco em relação a
economias emergentes.
4. O cenário sico de inflação tem evoluído
conforme o esperado. O comportamento da inflação
permanece favorável, com diversas medidas de
inflação subjacente em níveis confortáveis, inclusive
os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e
à política monetária.
5. As expectativas de inflação apuradas pela
pesquisa Focus recuaram para em torno de 3,1% para
2017 e 4,0% para 2018. As projeções para 2019 e
2020 mantiveram-se em torno de 4,25% e 4,0%,
respectivamente.
6. Para a trajetória de preços administrados, que
compõe as projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 7,9%
em 2017, 5,1% em 2018 e 4,3% em 2019.
7. O cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre
outras hipóteses, taxas de câmbio de R$3,16/US$,
R$3,30/US$ e R$3,33/US$ ao final de 2017, 2018 e de
2019, respectivamente, e taxas de juros de 7,00% ao
ano (a.a.) ao final de 2017 e 2018, elevando-se para
8,00% ao longo de 2019.
8. Sob essas hipóteses, as projeções de inflação do
Copom mantiveram-se em torno de 3,3% para 2017 e
reduziram-se para aproximadamente 4,3% para
2018. Para 2019, as projeções estão em torno de
4,2%.
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A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião do Copom em setembro (209ª reunião).
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
10. Por um lado, a combinação de (i) possíveis efeitos
secundários do choque favorável nos preços de
alimentos e da inflação de bens industriais em níveis
correntes baixos e da (ii) possível propagação, por
mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação
corrente pode produzir trajetória de inflação
prospectiva abaixo do esperado.
11. Por outro lado, (iii) uma frustração das
expectativas sobre a continuidade das reformas e
ajustes necessários na economia brasileira pode
afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da
inflação no horizonte relevante para a política
monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iv)
reversão do corrente cenário externo favorável para
economias emergentes.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
12. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações
disponíveis. Todos concordaram que a economia
deve seguir em trajetória de recuperação gradual,
cujos sinais são perceptíveis, como, por exemplo, os
avanços observados no emprego, mesmo nessa fase
inicial do processo. Avaliaram que, à medida que a
recuperação avança, o crescimento do consumo
deveria abrir espaço para a retomada do
investimento. Debateram-se os dados mais suaves de
atividade referentes ao mês de agosto, mas também
a possibilidade de uma retomada mais forte à frente.
Os membros do Copom enfatizaram a visão de que,
em decorrência dos níveis atuais de ociosidade na
economia, revisões marginais na intensidade da
recuperação não levariam a revisões materiais na
trajetória esperada para a inflação.
13. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê reiteraram a evolução favorável
recente da economia global, com recuperação
gradual da atividade, sem que isso venha
pressionando em demasia as condições financeiras
nas economias avançadas. Reconheceram que a
continuidade no processo de normalização da
política monetária nos países centrais tornou as
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condições financeiras globais marginalmente menos
estimulativas, apesar de, até o momento, o impacto
nas economias emergentes ter sido limitado. Nesse
contexto, os membros do Copom voltaram a destacar
a maior capacidade que a economia brasileira
apresenta de absorver eventual revés no cenário
internacional, devido à situação robusta de seu
balanço de pagamentos e ao ambiente com inflação
baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de
recuperação econômica. Não obstante, os membros
do Copom ponderaram sobre o risco para a economia
brasileira de um revés nesse cenário internacional
benigno num contexto de frustração das
expectativas sobre as reformas e ajustes necessários
na economia brasileira.
14. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação ao longo deste e dos próximos anos e
concordaram que as perspectivas para a inflação têm
evoluído conforme o esperado.
15. O Comitê avaliou a situação atual do setor de
geração de energia elétrica no país e incorporou o
anúncio recente de reajuste de tarifas em seu cenário
básico para a inflação.
16. Em relação à política monetária, houve consenso
que, assim como no caso de outros eventuais ajustes
de preços relativos decorrentes de choques de
oferta, com expectativas de inflação ancoradas, a
política monetária deve combater apenas os efeitos
secundários desses choques. O Comitê reitera que
sua reação a possíveis mudanças de preços relativos,
como nos casos de alimentos e de eventuais
reajustes de tarifas de energia elétrica, será
simétrica, ou seja, a política monetária seguirá os
mesmos princípios tanto diante de choques de oferta
inflacionários quanto desinflacionários.
17. Os membros do Copom debateram os níveis e a
trajetória da inflação, inclusive dos componentes
mais sensíveis ao ciclo econômico e à política
monetária. Observaram que esses componentes
apresentam níveis confortáveis e uma trajetória
compatível com a convergência da inflação em
direção à meta.
18. O Copom avaliou que a política monetária tem
flexibilidade para reagir a riscos para ambos os lados,
tanto ao risco de que efeitos secundários de choques
de oferta e propagação do nível corrente baixo de
inflação produzam inflação prospectiva abaixo do
esperado, quanto ao risco de um revés no cenário
internacional num contexto de frustração das
expetativas sobre as reformas e ajustes necessários.
19. Os membros do Comitê manifestaram o
entendimento de que a conjuntura econômica com
expectativas de inflação ancoradas, medidas de
inflação subjacente em níveis confortáveis, projeções
de inflação ligeiramente abaixo da meta para 2018 e
elevado grau de ociosidade na economia prescreve
política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de
juros abaixo da taxa estrutural. Embora estimativas
dessa taxa envolvam elevado grau de incerteza, os
membros do Comitê manifestaram entendimento de
que as atuais taxas de juros reais ex-ante têm efeito
estimulativo sobre a economia.
20. O Copom entende que o processo de reformas e
de ajustes necessários na economia brasileira
contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural.
As estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
21. O Comitê entende que, para uma dada estimativa
da extensão do ciclo de flexibilização monetária, o
ritmo de flexibilização depende do estágio do ciclo
em que a política monetária se encontra, sem que
isso necessariamente reflita mudanças no seu
cenário básico ou no balanço de riscos.
22. Todos os membros do Copom concordaram que a
evolução da conjuntura e do balanço de riscos desde
sua reunião em setembro (209ª reunião) se deu como
esperado e, dessa forma, mostrou-se compatível com
a redução da taxa Selic para 7,5% a.a.
23. Os membros do Comitê então debateram o
próximo passo na condução da política monetária e o
ritmo de flexibilização adequado para o atual estágio
do ciclo. Concluíram que, caso a conjuntura evolua
conforme o cenário básico do Copom, e em razão do
estágio do ciclo de flexibilização, uma redução
moderada na magnitude de flexibilização na próxima
reunião parece adequada sob a perspectiva atual.
24. Os membros do Copom também avaliaram a
extensão do ciclo e a conveniência de uma sinalização
sobre os passos seguintes à próxima reunião. Houve
consenso em manter liberdade de ação e adiar
qualquer sinalização sobre as decisões futuras de
política monetária de forma a incorporar novas
informações sobre a evolução do cenário básico e do
balanço de riscos.
25. Os membros do Comitê voltaram a reiterar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor
transmite a racionalidade econômica que guia suas
decisões. Isso contribui para aumentar a
transparência e melhorar a comunicação do Copom.
Nesse contexto, voltaram a ressaltar que o processo
de flexibilização continuará dependendo da evolução
da atividade econômica, do balanço de riscos, de
possíveis reavaliações da estimativa da extensão do
ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
26. Todos os membros do Comitê voltaram a
enfatizar que a aprovação e implementação das
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reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de
ajustes na economia brasileira são fundamentais para
a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros
estrutural da economia, com amplos benefícios para
a sociedade.
27. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras iniciativas que visam aumento
de produtividade, ganhos de eficiência, maior
flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de
negócios. Esses esforços são fundamentais para a
retomada da atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
28. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa sica de juros em 0,75 ponto
percentual, para 7,50% a.a., sem viés. O Comitê
entende que a convergência da inflação para a meta
no horizonte relevante para a condução da política
monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e
2019, é compatível com o processo de flexibilização
monetária.
29. O Copom entende que a conjuntura econômica
prescreve política monetária estimulativa, ou seja,
com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
30. O Comitê enfatiza que o processo de reformas e
ajustes necessários na economia brasileira contribui
para a queda da sua taxa de juros estrutural. As
estimativas dessa taxa serão continuamente
reavaliadas pelo Comitê.
31. A evolução do cenário básico, em linha com o
esperado, e o estágio do ciclo de flexibilização
tornaram adequada a redução da taxa básica de juros
em 0,75 ponto percentual nesta reunião. Para a
próxima reunião, caso o cenário básico evolua
conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo
de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como
adequada uma redução moderada na magnitude de
flexibilização monetária. O Copom ressalta que o
processo de flexibilização continuará dependendo da
evolução da atividade econômica, do balanço de
riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da
extensão do ciclo e das projeções e expectativas de
inflação.
32. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de
Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Maurício
Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio
Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.