Notas da 209ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
5 e 6 de setembro de 2017
Banco Central do Brasil
209ª Reunião do Copom
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Data: 5 e 6/9/2017
Local: Salas de reuniões do 8º andar (5/9 e sessão matutina de 6/9) e do 20º andar (sessão vespertina de
6/9) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil Brasília DF
Horário de início e término das sessões: 5/9: 9h03 12h37
6/9: 9h05 9h56; 14h00 18h00
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 5/9 e na sessão
matutina de 6/9)
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente na sessão vespertina de 6/9)
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 5/9 e na sessão matutina de 6/9)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secrerio do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe do Departamento de Estatísticas
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Luis Gustavo Mansur Siqueira Chefe de Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e
Cidadania (presente apenas na sessão matutina de 6/9)
Maurício Costa de Moura Chefe de Gabinete do Presidente
Paulo Sérgio Neves de Souza Chefe do Departamento de Supervisão Bancária
Wagner Thomaz de Aquino Guerra Junior Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e
de Gestão de Riscos Corporativos
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade
econômica divulgados desde a última reunião do
Copom mostra sinais compatíveis com a recuperação
gradual da economia brasileira.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da
indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo tem se mostrado favorável, na
medida em que a atividade econômica global vem se
recuperando sem pressionar as condições financeiras
nas economias avançadas. Isso contribui para manter
o apetite ao risco em relação a economias
emergentes.
4. O comportamento da inflação permanece
bastante favorável, com diversas medidas de inflação
subjacente em nível baixo, inclusive os componentes
mais sensíveis ao ciclo econômico e à política
monetária.
5. As expectativas de inflação apuradas pela
pesquisa Focus subiram para em torno de 3,4% para
2017 e mantiveram-se em torno de 4,2% para 2018,
4,25% para 2019 e 4,0% para 2020.
6. Para a trajetória de preços administrados, que
compõe as projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 7,5%
em 2017 e 5,2% em 2018.
7. O cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre
outras hipóteses, taxas de câmbio de R$3,20/US$ e
R$3,35/US$ ao final de 2017 e de 2018,
respectivamente, e taxas de juros de 7,25% ao ano
(a.a.) ao final de 2017, 7,0% a.a. durante a maior parte
de 2018, terminando o ano em 7,50%.
8. Sob essas hipóteses, as projeções de inflação do
Copom recuaram para em torno de 3,3% para 2017 e
elevaram-se para aproximadamente 4,4% para 2018.
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A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião do Copom em julho (208ª reunião).
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. O cenário básico do Copom para a inflação envolve
fatores de risco em ambas as direções.
10. Por um lado, a combinação de (i) possíveis efeitos
secundários do contínuo choque favorável nos
preços de alimentos e da inflação de bens industriais
em níveis correntes baixos e da (ii) possível
propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo
de inflação corrente, inclusive dos componentes mais
sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária,
pode produzir trajetória de inflação prospectiva
abaixo do esperado.
11. Por outro lado, (iii) uma frustração das
expectativas sobre a continuidade das reformas e
ajustes necessários na economia brasileira pode
afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da
inflação no horizonte relevante para a política
monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iv)
reversão do corrente cenário externo favorável para
economias emergentes.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
12. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações
disponíveis. Todos concordaram com o diagnóstico
de que o processo de estabilização da economia se
consolidou. Concordaram também que a atividade
econômica deve seguir em trajetória de recuperação
gradual, cujos primeiros sinais já são perceptíveis.
Avaliaram que, à medida que a recuperação avança, o
crescimento do consumo deveria abrir espaço para a
retomada do investimento. Também ponderaram
que há sinais de recuperação do emprego mesmo
nessa fase do ciclo.
13. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê reiteraram a evolução favorável
recente da economia global, com recuperação
gradual da atividade, sem que isso venha
pressionando as condições financeiras nas economias
avançadas. Debateram os riscos associados ao
processo de normalização da política monetária em
economias centrais e aos rumos da economia chinesa,
com possíveis impactos sobre o apetite ao risco por
ativos de economias emergentes. Nesse contexto, os
membros do Copom voltaram a destacar a maior
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capacidade que a economia brasileira apresenta de
absorver eventual revés no cenário internacional,
devido à situação robusta de seu balanço de
pagamentos e ao ambiente com inflação baixa,
expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação
econômica. Não obstante, os membros do Copom
ponderaram sobre o risco para a economia brasileira
de um revés nesse cenário internacional benigno
num contexto de frustração das expectativas sobre
as reformas e ajustes necessários na economia
brasileira.
14. Os membros do Copom analisaram a trajetória da
inflação ao longo deste e dos próximos anos e
concordaram que as perspectivas para a inflação
continuam evoluindo de maneira favorável.
Considerando o cenário que supõe evolução das
taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus,
as projeções para a inflação acumulada em doze
meses situam-se em torno de 3,3% em dezembro de
2017. Nesse mesmo cenário, que supõe trajetória de
juros que encerra 2017 em 7,25%, cai para 7,0% no
início de 2018 e eleva-se para 7,5% ao final do ano, a
trajetória da inflação atinge 4,4% em dezembro de
2018.
15. Os membros do Comitê debateram a dinâmica
dos preços de alimentos, cujo comportamento
favorável persiste até o momento. Analisaram que
nos doze meses findos em agosto de 2017, o custo da
alimentação no domicílio medido pelo IPCA acumula
queda de 5,2%, em contraste com aumento de 9,4%
em 2016, o que representaria uma contribuição de
mais de dois pontos percentuais para a desinflação
ocorrida até agosto de 2017. Ponderaram que havia
expectativa de recuo da inflação de alimentos em
2017, quando comparada com a de 2016. Mas
concordaram que essa queda intensa dos preços de
alimentos constitui uma substancial surpresa
desinflacionária e responde por parcela relevante da
diferença entre as projeções de inflação para 2017 e
a meta de 4,5% vigente para esse ano.
16. Os membros do Comitê analisaram a perspectiva
para a evolução futura da inflação dos preços de
alimentos. Reiteraram a prescrição de que a política
monetária deve combater possíveis efeitos
secundários desse choque. Lembraram que as
projeções de inflação para 2018 (tanto as da pesquisa
Focus quanto as projeções condicionais do Copom),
embutem alguma normalização da inflação de
alimentos. Uma normalização mais lenta constitui
risco baixista para essas projeções.
17. Os membros do Copom debateram os níveis
baixos de inflação corrente, inclusive dos
componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à
política monetária. Observaram que esses níveis
baixos têm permitido uma recomposição do poder de
compra da população e contribuído para a retomada
da economia. Observaram também que a possível
propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo
de inflação corrente pode produzir trajetória de
inflação prospectiva abaixo do esperado. Não
obstante esse risco, os membros do Copom
ponderaram que a recuperação da economia atua no
sentido contrário, de gradualmente levar a inflação
em direção à meta ao longo de 2018.
18. O Copom avaliou que a política monetária tem
flexibilidade para reagir a riscos para ambos os lados,
tanto ao risco de que efeitos secundários do choque
de alimentos e propagação do nível corrente baixo de
inflação produzam inflação prospectiva abaixo do
esperado, quanto ao risco de possível impacto
inflacionário de um eventual revés do cenário
internacional num contexto de frustração das
expetativas com ajustes e reformas.
19. Os membros do Comitê manifestaram o
entendimento de que a conjuntura econômica com
expectativas de inflação ancoradas, medidas de
inflação subjacente em níveis baixos, projeções de
inflação ligeiramente abaixo da meta para 2018 e
elevado grau de ociosidade na economia prescreve
política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de
juros abaixo da taxa estrutural. Embora estimativas
dessa taxa envolvam elevado grau de incerteza, os
membros do Comitê manifestaram entendimento de
que as atuais taxas de juros reais ex-ante têm efeito
estimulativo sobre a economia.
20. O Copom entende que o processo de reformas,
como as recentes aprovações de medidas na área
creditícia, e de ajustes necessários na economia
brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros
estrutural. As estimativas dessa taxa serão
continuamente reavaliadas pelo Comitê.
21. O Comitê entende que, para uma dada estimativa
da extensão do ciclo de flexibilização monetária, o
ritmo de flexibilização depende do estágio do ciclo
em que a política monetária se encontra, sem que
isso necessariamente reflita mudanças no seu
cenário básico ou no balanço de riscos.
22. Todos os membros do Copom concordaram que a
evolução da conjuntura e do balanço de riscos desde
sua reunião em julho (20 reunião) mostrou-se
compatível com a redução da taxa Selic para
8,25% a.a.
23. Os membros do Comitê então debateram o
próximo passo na condução da política monetária.
Nesse contexto, avaliaram a conveniência de uma
sinalização sobre as possíveis magnitudes de
flexibilização na próxima reunião. Argumentaram
sobre a necessidade de manter flexibilidade para a
política monetária reagir a contento em caso de
mudanças no cenário básico e no balanço de riscos.
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Os membros também debateram o ritmo de
flexibilização adequada para o atual estágio do ciclo.
Concluíram por sinalizar de forma condicional que,
caso a conjuntura evolua conforme o cenário básico
do Copom, e em razão do estágio do ciclo de
flexibilização, uma redução moderada na magnitude
de flexibilização na próxima reunião parece
adequada sob a perspectiva atual.
24. Os membros do Copom também avaliaram a
conveniência de uma sinalização sobre os possíveis
passos seguintes à próxima reunião. Em particular,
debateram os custos e benefícios de um
encerramento gradual do ciclo. De forma geral, os
membros do Comitê concordaram que, tudo o mais
constante, benefícios em se promover
encerramento gradual de ciclos monetários. Um
processo gradual facilita a comunicação e permite o
acúmulo de mais evidências sobre o comportamento
da economia à época de encerramento do ciclo. Mas
concordaram que em alguns casos excepcionais a
necessidade de antecipação tempestiva do ciclo
pode trazer benefícios maiores que os de um
encerramento gradual. Avaliando as circunstâncias
atuais, o Copom julgou conveniente sinalizar que,
caso o cenário básico evolua conforme esperado no
momento, o Comitê antevê encerramento gradual do
atual ciclo de flexibilização monetária.
25. Os membros do Comitê voltaram a reiterar sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor
transmite a racionalidade econômica que guia suas
decisões. Isso contribui para aumentar a
transparência e melhorar a comunicação do Copom.
Nesse contexto, voltaram a ressaltar que o processo
de flexibilização continuará dependendo da evolução
da atividade econômica, do balanço de riscos, de
possíveis reavaliações da estimativa da extensão do
ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
26. Todos os membros do Comitê voltaram a
enfatizar que a aprovação e implementação das
reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de
ajustes na economia brasileira são fundamentais para
a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e
estável, para o funcionamento pleno da política
monetária e para a redução da taxa de juros
estrutural da economia, com amplos benefícios para
a sociedade.
27. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras iniciativas (como os recentes
anúncios de privatização e concessões) e
investimentos em infraestrutura que visam aumento
de produtividade, ganhos de eficiência, maior
flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de
negócios. Esses esforços são fundamentais para a
retomada da atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
28. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa básica de juros em um ponto
percentual, para 8,25% a.a., sem viés. O Comitê
entende que a convergência da inflação para a meta
de 4,5% no horizonte relevante para a condução da
política monetária, que inclui o ano-calendário de
2018, é compatível com o processo de flexibilização
monetária.
29. O Comitê entende que a conjuntura econômica
prescreve política monetária estimulativa, ou seja,
com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
30. O Comitê enfatiza que o processo de reformas,
como as recentes aprovações de medidas na área
creditícia, e de ajustes necessários na economia
brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros
estrutural. As estimativas dessa taxa serão
continuamente reavaliadas pelo Comitê.
31. O Copom ressalta que as condições econômicas
permitiram a manutenção do ritmo de flexibilização
monetária nesta reunião. Para a próxima reunião,
caso o cenário básico evolua conforme esperado, e
em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o
Comitê vê, neste momento, como adequada uma
redução moderada na magnitude de flexibilização
monetária. Além disso, nas mesmas condições, o
Comitê antevê encerramento gradual do ciclo. Não
obstante as perspectivas acima, o Copom ressalta
que o processo de flexibilização continuará
dependendo da evolução da atividade econômica, do
balanço de riscos, de possíveis reavaliações da
estimativa da extensão do ciclo e das projeções e
expectativas de inflação.
32. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.