Notas da 208ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
25 e 26 de julho de 2017
Banco Central do Brasil
208ª Reunião do Copom
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Data: 25 e 26/7/2017
Local: Salas de reuniões do 21º e andares (25/7) e do 20º andar (26/7) do Edifício-Sede do Banco
Central do Brasil Brasília DF
Horário de início e término das sessões: 25/7: 10h02 12h01; 14h30 17h08
26/7: 14h00 18h00
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento responsáveis por apresentações técnicas (presentes em 25/7)
André Barbosa Coutinho Marques Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos
Especiais (presente apenas na sessão vespertina)
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 26/7)
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 25/7)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Edson Broxado de Franca Teixeira Chefe-Adjunto do Departamento de Monitoramento do Sistema
Financeiro
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica ao Presidente
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe-Adjunto do Departamento Econômico
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Luis Gustavo Mansur Siqueira Chefe de Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e
Cidadania (presente apenas na sessão vespertina)
Maurício Costa de Moura Chefe de Gabinete do Presidente
Wagner Thomaz de Aquino Guerra Junior Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e
de Gestão de Riscos Corporativos
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade
econômica divulgados desde a última reunião do
Copom permanece compatível com estabilização da
economia brasileira no curto prazo e recuperação
gradual. O recente aumento de incerteza quanto ao
ritmo de implementação de reformas e ajustes na
economia impactou negativamente índices de
confiança dos agentes econômicos. No entanto, a
informação disponível sugere que o impacto dessa
queda de confiança na atividade tem sido, até o
momento, limitado.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da
indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. O cenário externo tem se mostrado favorável, na
medida em que a atividade econômica global tem se
recuperado gradualmente, sem pressionar as
condições financeiras nas economias avançadas. Isso
contribui para manter o apetite ao risco em relação a
economias emergentes. Além disso, houve
arrefecimento na possibilidade de mudanças de
política econômica em alguns países centrais.
4. O comportamento da inflação permanece
favorável com desinflação difundida, inclusive nos
componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à
política monetária. Até o momento, os efeitos de
curto prazo do aumento de incerteza quanto ao ritmo
de implementação de reformas e ajustes na
economia não se mostram inflacionários nem
desinflacionários.
5. As expectativas de inflação apuradas pela
pesquisa Focus recuaram para em torno de 3,3% para
2017 e para 4,2% para 2018 e encontram-se em torno
de 4,25% para 2019 e 4,0% para 2020.
6. Para a trajetória de preços administrados, que
compõe as projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 6,6%
em 2017 e 5,3% em 2018.
7. O cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre
outras hipóteses, taxas de câmbio de R$3,30/US$ e
R$3,43/US$ ao final de 2017 e de 2018,
1
A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião do Copom em maio (207ª reunião).
respectivamente, e taxas de juros de 8,00% ao ano
(a.a.) ao final dos dois períodos.
8. Sob essas hipóteses, as projeções de inflação do
Copom recuaram para em torno de 3,6% para 2017 e
4,3% para 2018.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. A incerteza sobre a velocidade do processo de
reformas e ajustes na economia (principalmente das
fiscais e creditícias) permanece como fator de risco
principal.
10. No cenário externo, apesar de favorável no
momento, permanecem os riscos associados ao
processo de normalização da política monetária em
economias centrais, a mudanças de política
econômica em algumas economias centrais, e à
possível redução do apetite ao risco por ativos de
economias emergentes.
11. A acentuada desinflação dos preços de alimentos
e de preços industriais pode ter efeitos secundários
(isto é, além do impacto direto) na inflação.
Notadamente, essa desinflação pode contribuir para
quedas adicionais das expectativas de inflação e da
inflação em outros setores da economia.
12. A retomada da economia pode ser mais (ou
menos) demorada e gradual do que a antecipada.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
13. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica à luz das informações
disponíveis. Todos concordaram que o processo de
estabilização da economia parece ter se consolidado.
Avaliaram também que, apesar de uma recuperação
gradual ser o mais provável, o ritmo de retomada da
atividade econômica ainda permanece incerto.
14. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê destacaram a evolução
favorável recente da economia global, com
recuperação gradual da atividade, sem que isso
venha pressionando as condições financeiras nas
economias avançadas. Debateram a permanência de
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riscos associados ao processo de normalização da
política monetária em economias centrais e aos
rumos da economia chinesa, com possíveis impactos
sobre o apetite ao risco por ativos de economias
emergentes. Ressaltaram que a economia brasileira
apresenta hoje maior capacidade de absorver
eventual revés no cenário internacional, devido à sua
situação mais robusta de balanço de pagamentos e
ao progresso no processo desinflacionário e na
ancoragem das expectativas.
15. Todos os membros do Comitê concordaram que
as perspectivas para a inflação m evoluído de
maneira favorável. Os membros do Comitê
analisaram a trajetória da inflação ao longo deste e
dos próximos anos. Considerando o cenário que
supõe evolução das taxas de juros e câmbio extraídas
da pesquisa Focus, as projeções para a inflação
acumulada em doze meses atingem valor mínimo no
terceiro trimestre do ano corrente e elevam-se nos
últimos meses do ano para em torno de 3,6% em
dezembro. Parte dessa diferença em relação à meta
de 4,5% para 2017 pode ser atribuída aos efeitos
primários do choque favorável nos preços de
alimentos. Esse cenário supõe trajetória de juros que
alcança 8,0% ao final de 2017 e 2018. Nesse cenário,
a trajetória da inflação atinge 4,3% em 2018.
16. Os membros do Comitê avaliaram os impactos
sobre a inflação de curto prazo do aumento recente
de PIS/Confins sobre preços de combustíveis. Estima-
se impacto total na inflação medida pelo IPCA de
aproximadamente 0,45 ponto percentual,
distribuídos entre os meses de julho e agosto, mas
com maior concentração em agosto. Parte desse
impacto estava contemplada nas projeções
condicionais do Copom. Debateram também o
impacto da mudança da bandeira tarifária de energia
elétrica de verde para amarela sobre a inflação do
mês de julho medida pelo IPCA, cuja estimativa é de
aproximadamente 0,15 ponto percentual. Todos
concluíram que essas oscilações pontuais em
particular dos reajustes de preços de combustíveis e
de energia elétrica, que têm sido mais voláteis não
têm implicação relevante para a condução da política
monetária.
17. Os membros do Comitê avaliaram os possíveis
impactos do aumento de incerteza sobre o ritmo de
reformas e ajustes na economia sobre a trajetória
prospectiva da inflação. Concluíram que a informação
disponível sugere impactos limitados até o
momento, tanto pelos canais inflacionários quanto
pelos desinflacionários.
18. Os membros do Copom avaliaram a extensão do
ciclo de flexibilização monetária, inclusive suas
implicações para as taxas de juros vigentes ao longo
de 2018. Essa extensão dependerá de fatores
conjunturais (evolução da atividade econômica, dos
demais fatores de risco mencionados acima e das
projeções e expectativas de inflação para 2018 e
2019), mas também das estimativas da taxa de juros
estrutural da economia brasileira. O Comitê entende
que a evolução do processo de reformas e ajustes
necessários na economia (principalmente das fiscais
e creditícias) é importante para a queda da taxa de
juros estrutural. As estimativas dessa taxa
naturalmente envolvem incerteza e continuarão a ser
reavaliadas pelo Comitê ao longo do tempo.
19. Os membros do Comitê reafirmaram o
entendimento de que, com expectativas de inflação
ancoradas, projeções de inflação ligeiramente abaixo
da meta para 2018 e elevado grau de ociosidade na
economia, o cenário básico do Copom prescreve
continuidade do ciclo de distensão da política
monetária. Esse entendimento já considera os atuais
riscos em torno do cenário básico e as estimativas de
extensão do ciclo.
20. O Comitê entende que, para uma dada estimativa
da extensão do ciclo, o ritmo de flexibilização
depende do estágio do ciclo em que a política
monetária se encontra, sem necessariamente refletir
mudanças no seu cenário básico ou no balanço de
riscos.
21. Todos os membros do Copom concordaram que,
a despeito do aumento de incerteza quanto ao ritmo
de implementação de reformas e ajustes na
economia, a evolução da conjuntura desde sua
reunião em maio (207ª reunião) mostrou-se
compatível com a redução da taxa Selic para
9,25% a.a.
22. Assim, os membros do Comitê debateram os
próximos passos na condução da política monetária.
Nesse contexto, avaliaram a conveniência de uma
sinalização sobre as possíveis magnitudes de
flexibilização na próxima reunião. As análises sobre a
conveniência de sinalização e a magnitude adequada
de flexibilização envolveram considerações sobre as
projeções de inflação e de atividade, as estimativas
de extensão e o atual estágio do ciclo, e os riscos em
torno do cenário e dessas estimativas, inclusive os
associados às perspectivas de reformas e ajustes na
economia.
23. Os membros do Comitê concordaram sobre a
importância de uma sinalização, mas reiteraram sua
preferência por explicitar condicionalidades sobre a
evolução da política monetária, o que melhor
transmite a racionalidade econômica que guia suas
decisões. Isso contribui para aumentar a
transparência e melhorar a comunicação do Copom.
24. Debateu-se a conveniência de se sinalizar
flexibilização adicional de mesma magnitude da
adotada nesta reunião, versus uma flexibilização
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208ª Reunião do Copom
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mais moderada. Concluíram por sinalizar, para a
próxima reunião do Copom, uma possível
flexibilização de mesma magnitude da adotada nesta
reunião, mas que dependerá da permanência das
condições descritas no cenário básico do Copom e de
estimativas da extensão do ciclo. De forma geral, a
magnitude da flexibilização continuará dependendo
da evolução da atividade econômica, do balanço de
riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da
extensão do ciclo e das projeções e expectativas de
inflação.
25. Os membros do Copom enfatizaram que o
ambiente com expectativas de inflação ancoradas
permitiria ao Comitê se concentrar em evitar
possíveis efeitos secundários de ajustes de preços
relativos que possam ocorrer ao longo do tempo. O
Copom entende que deve buscar identificar os
efeitos primários desses realinhamentos, aos quais a
política monetária não deve reagir. Essa política deve
concentrar-se, então, em possíveis efeitos
secundários de tais realinhamentos, que podem
contribuir para mudanças nas projeções e
expectativas de inflação.
26. Em função também do aumento da incerteza
recente, todos os membros do Comitê voltaram a
enfatizar que a aprovação e implementação das
reformas, notadamente as de natureza fiscal e
creditícia, e de ajustes na economia brasileira, são
fundamentais para a sustentabilidade da desinflação,
para o funcionamento pleno da política monetária e
para a redução da taxa de juros estrutural da
economia, com amplos benefícios para a sociedade.
27. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras reformas (como a recente
aprovação da reforma trabalhista) e investimentos
em infraestrutura que visam aumento de
produtividade, ganhos de eficiência, maior
flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de
negócios. Esses esforços são fundamentais para a
estabilização e a retomada da atividade econômica e
da trajetória de desenvolvimento da economia
brasileira.
D) Decisão de política monetária
28. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa básica de juros em um ponto
percentual, para 9,25% a.a., sem viés. O Comitê
entende que a convergência da inflação para a meta
de 4,5% no horizonte relevante para a condução da
política monetária, que inclui o ano-calendário de
2018, é compatível com o processo de flexibilização
monetária.
29. O Copom ressalta que a extensão do ciclo de
flexibilização monetária dependerá de fatores
conjunturais e das estimativas da taxa de juros
estrutural da economia brasileira. O Comitê entende
que a evolução do processo de reformas e ajustes
necessários na economia (principalmente das fiscais
e creditícias) é importante para a queda das
estimativas da taxa de juros estrutural. Essas
estimativas continuarão a ser reavaliadas pelo
Comitê ao longo do tempo.
30. O Copom ressalta que a manutenção das
condições econômicas, até este momento, a despeito
do aumento de incerteza quanto ao ritmo de
implementação de reformas e ajustes na economia,
permitiu a manutenção do ritmo de flexibilização
nesta reunião. Para a próxima reunião, a manutenção
deste ritmo dependerá da permanência das
condições descritas no cenário básico do Copom e de
estimativas da extensão do ciclo. O ritmo de
flexibilização continuará dependendo da evolução da
atividade econômica, do balanço de riscos, de
possíveis reavaliações da estimativa da extensão do
ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
31. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.