Notas da 207ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
30 e 31 de maio de 2017
Banco Central do Brasil
207ª Reunião do Copom
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Data: 30 e 31/5/2017
Local: Sala de reuniões do 21º andar (30/5) e do 20º andar (31/5) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início e término das sessões: 30/5: 10h02 12h00; 14h31 17h34
31/5: 14h00 18h00
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento (presentes em 30/5)
Alan da Silva Andrade Mendes Departamento das Reservas Internacionais
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 31/5)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro (presente
apenas na sessão matutina)
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
(presente apenas na sessão vespertina)
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 30/5)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Edson Broxado de Franca Teixeira Chefe-Adjunto do Departamento de Monitoramento do Sistema
Financeiro (presente apenas na sessão vespertina)
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secrerio do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fabio Araujo Chefe da Assessoria Econômica da Presidência
Fernando Alberto Sampaio Rocha Chefe-Adjunto do Departamento Econômico
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Luis Gustavo Mansur Siqueira Chefe de Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e
Cidadania (presente apenas na sessão vespertina)
Maurício Costa de Moura Chefe de Gabinete do Presidente
Wagner Thomaz de Aquino Guerra Junior Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e
de Gestão de Riscos Corporativos
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade
econômica divulgados desde a última reunião do
Copom permanece compatível com estabilização da
economia brasileira no curto prazo e recuperação
gradual ao longo do ano. A manutenção, por tempo
prolongado, de níveis de incerteza elevados sobre a
evolução do processo de reformas e ajustes na
economia pode ter impacto negativo sobre a
atividade econômica.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da
indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. Até o momento, o cenário externo tem se
mostrado favorável, na medida em que a atividade
econômica global mais forte tem mitigado os efeitos
de possíveis mudanças de política econômica nos
países centrais.
4. O comportamento da inflação permanece
favorável, com desinflação difundida inclusive nos
componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à
política monetária. É necessário acompanhar
possíveis impactos do aumento de incerteza sobre a
trajetória prospectiva da inflação.
5. As expectativas de inflação apuradas pela
pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,0% para
2017, situam-se ao redor de 4,4% para 2018 e
encontram-se em torno de 4,25% para 2019 e
horizontes mais distantes.
6. Para a trajetória de preços administrados, que
compõe as projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 6,1%
em 2017 e 5,5% em 2018.
7. O cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre
outras hipóteses, taxas de câmbio de R$3,25/US$ e
R$3,37/US$ ao final de 2017 e de 2018,
respectivamente, e taxas de juros de 8,50% ao ano
(a.a.) ao final dos dois períodos.
8. Sob essas hipóteses, a projeção de inflação do
Copom para 2017 situa-se em torno de 4,0%. A
projeção para 2018 nesse cenário encontra-se ao
redor de 4,6%. Ressalta-se que, neste momento, as
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A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião do Copom em abril (206ª reunião).
projeções condicionais do Copom envolvem maior
grau de incerteza.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. O Comitê entende como fator de risco principal o
aumento de incerteza sobre a velocidade do
processo de reformas e ajustes na economia. Isso se
tanto pela maior probabilidade de cenários que
dificultem esse processo, quanto pela dificuldade de
avaliação dos efeitos desses cenários sobre os
determinantes da inflação. Entre esses
determinantes, destacam-se a atividade econômica,
as expectativas de inflação, as estimativas da taxa de
juros estrutural e os preços de ativos financeiros
relevantes. Há outros riscos em torno do cenário
básico:
10. O cenário externo, apesar de favorável no
momento, apresenta considerável grau de incerteza
e pode dificultar o processo de desinflação.
11. A desinflação dos preços de alimentos e de
preços industriais pode ter efeitos secundários na
inflação. Notadamente, pode contribuir para quedas
adicionais das expectativas de inflação e da inflação
em outros setores da economia.
12. A atividade econômica sinais de estabilização
no curto prazo e perspectiva de recuperação, mas a
retomada da economia pode ser mais (ou menos)
demorada e gradual do que a antecipada.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
13. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica, à luz das estatísticas
disponíveis. Todos concordaram que os dados
recentes corroboram o cenário de estabilização e
perspectiva de retomada gradual da economia.
Entretanto, a manutenção, por tempo prolongado,
de níveis de incerteza elevados sobre a evolução do
processo de reformas e ajustes na economia pode ter
impacto negativo sobre a atividade econômica.
14. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê destacaram a evolução
favorável recente da economia global, a despeito das
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incertezas associadas a possíveis mudanças na
política econômica nos EUA, à evolução dos preços de
commodities, ao apetite ao risco por ativos de
economias emergentes e aos rumos da economia
chinesa. Ressaltaram ainda que a economia brasileira
apresenta hoje uma maior capacidade de absorver
eventual revés no cenário internacional, devido à sua
situação mais robusta de balanço de pagamentos e
ao progresso no processo desinflacionário e na
ancoragem das expectativas.
15. Todos os membros do Comitê concordaram que
as perspectivas para a inflação m evoluído de
maneira favorável. Os membros do Comitê
analisaram a trajetória da inflação ao longo deste e
dos próximos anos. Considerando o cenário que
supõe evolução das taxas de juros e câmbio extraídas
da pesquisa Focus, as projeções para a inflação
acumulada em doze meses permanecem abaixo da
meta de 4,5% ao longo de 2017. As projeções
atingem valor mínimo no terceiro trimestre do ano e
elevam-se nos últimos meses para valores ainda
abaixo da meta. Parte dessa diferença pode ser
atribuída aos efeitos primários do choque favorável
nos preços de alimentos. Esse cenário supõe
trajetória de juros que alcança 8,5% ao final de 2017
e 2018. Nesse cenário, a trajetória da inflação atinge
4,6% em 2018.
16. Os membros do Comitê avaliaram os impactos de
reajustes recentes de preços administrados (redução
dos preços de combustíveis e volta da bandeira verde
nos preços de energia elétrica) sobre a inflação de
curto prazo. Estima-se que esses reajustes devam
reduzir a inflação pelo IPCA de junho em
aproximadamente 0,3 ponto percentual. Todos
concluíram que essas oscilações pontuais não têm
implicação relevante para a condução da política
monetária.
17. Os membros do Comitê debateram possíveis
impactos do aumento de incerteza sobre a trajetória
prospectiva da inflação. Por um lado, consideram que
a manutenção, por tempo prolongado, de veis de
incerteza elevados sobre a evolução do processo de
reformas e ajustes na economia pode ter impacto
negativo sobre a atividade econômica e, portanto,
desinflacionário. Por outro lado, o impacto da
incerteza sobre a formação de preços e sobre as
estimativas da taxa de juros estrutural pode ter
direção oposta. De forma geral, os membros do
Comitê ressaltaram que, neste momento, as
projeções condicionais do Copom envolvem maior
grau de incerteza. Concluíram que não há relação
direta e mecânica entre o aumento de incerteza e a
política monetária e que a flexibilidade do regime de
metas para a inflação permite ao Comitê adequar a
política monetária aos possíveis cenários
prospectivos.
18. Os membros do Copom avaliaram a extensão do
ciclo de flexibilização monetária, inclusive suas
implicações para as taxas de juros vigentes ao longo
de 2018. Essa extensão dependerá da evolução da
atividade econômica, dos demais fatores de risco
mencionados acima e das projeções e expectativas
de inflação para 2018 e 2019, mas também das
estimativas da taxa de juros estrutural da economia
brasileira. O Comitê entende que o aumento recente
da incerteza associada à evolução do processo de
reformas e ajustes necessários na economia
brasileira dificulta a queda mais célere das
estimativas da taxa de juros estrutural e as torna mais
incertas. Essas estimativas naturalmente envolvem
incerteza e poderão ser reavaliadas pelo Comitê ao
longo do tempo.
19. Os membros do Comitê reafirmaram o
entendimento de que, com expectativas de inflação
ancoradas, projeções de inflação em torno da meta
para 2018 e um pouco abaixo da meta para 2017, e
elevado grau de ociosidade na economia, o cenário
básico do Copom prescreve continuidade do ciclo de
distensão da política monetária. Esse entendimento
já considera os atuais riscos em torno do cenário
básico e as estimativas de extensão do ciclo.
20. O Comitê entende que, para uma dada estimativa
da extensão do ciclo, o ritmo de flexibilização
depende do estágio do ciclo em que a política
monetária se encontra, sem necessariamente refletir
mudanças no seu cenário básico ou no balanço de
riscos.
21. Todos os membros do Copom concordaram que a
evolução da conjuntura desde sua reunião em abril
(206ª reunião) é compatível com a redução da taxa
Selic para 10,25% a.a.
22. Assim, os membros do Comitê debateram os
próximos passos na condução da política monetária.
Avaliaram qual seria o possível ritmo de flexibilização
adequado para a próxima reunião e a conveniência de
uma sinalização antecipada dessa possibilidade. As
análises sobre o ritmo adequado de flexibilização
envolveram considerações sobre as projeções de
inflação e de atividade, as estimativas de extensão e
o atual estágio do ciclo, e os riscos em torno do
cenário e dessas estimativas, inclusive os associados
às perspectivas de reformas e ajustes na economia.
Sobre a conveniência de sinalização, argumentou-se,
por um lado, que a incerteza em relação à evolução
do cenário básico (mais inflacionário ou
desinflacionário que o atual) e o balanço de riscos
recomendavam não conjecturar sobre possível ritmo
a ser adotado no futuro. Por outro lado, salientou-se
a necessidade, nesse momento, de oferecer
direcionamento e elementos para reduzir a incerteza
(e o escopo de possibilidades) sobre a trajetória
futura da política monetária. Os membros concluíram
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por sinalizar que uma redução moderada do ritmo de
flexibilização monetária deve se mostrar adequada
em sua próxima reunião, mas ressaltar que esse ritmo
continuará dependendo da evolução da atividade
econômica, do balanço de riscos, de possíveis
reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das
projeções e expectativas de inflação.
23. Os membros do Copom voltaram a enfatizar que
o ambiente com expectativas de inflação ancoradas
permitiria ao Comitê se concentrar em evitar
possíveis efeitos secundários de ajustes de preços
relativos que possam ocorrer ao longo do tempo. Isso
se aplica ao choque de oferta favorável nos preços de
alimentos e à dinâmica positiva nos preços de bens
industriais, mas também a potenciais realinhamentos
de preços relativos cujo impacto seja inflacionário. O
Copom entende que deve buscar identificar os
efeitos primários desses realinhamentos, aos quais a
política monetária não deve reagir. Essa política deve
concentrar-se, então, em possíveis efeitos
secundários de tais realinhamentos, que podem
contribuir para mudanças nas projeções e
expectativas de inflação.
24. Todos os membros do Comitê reenfatizaram que
a aprovação e implementação das reformas,
notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na
economia brasileira, incluindo aqueles referentes a
políticas creditícias e de natureza parafiscal, são
fundamentais para a sustentabilidade da desinflação,
para o funcionamento pleno da política monetária e
para a redução da taxa de juros estrutural da
economia, com amplos benefícios para a sociedade.
25. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras reformas e investimentos em
infraestrutura que visam aumento de produtividade,
ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia
e melhoria do ambiente de negócios. Esses esforços
são fundamentais para a estabilização e a retomada
da atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
26. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa básica de juros em um ponto
percentual, para 10,25% a.a., sem viés. O Comitê
entende que a convergência da inflação para a meta
de 4,5% no horizonte relevante para a condução da
política monetária, que inclui os anos-calendário de
2017 e, em maior grau, de 2018, é compatível com o
processo de flexibilização monetária.
27. O Copom ressalta que a extensão do ciclo de
flexibilização monetária dependerá, dentre outros
fatores, das estimativas da taxa de juros estrutural da
economia brasileira. O Comitê entende que o
aumento recente da incerteza associada à evolução
do processo de reformas e ajustes necessários na
economia brasileira dificulta a queda mais célere das
estimativas da taxa de juros estrutural e as torna mais
incertas. Essas estimativas continuarão a ser
reavaliadas pelo Comitê ao longo do tempo.
28. Em função do cenário básico e do atual balanço de
riscos, o Copom entende que uma redução moderada
do ritmo de flexibilização monetária em relação ao
ritmo adotado hoje deve se mostrar adequada em
sua próxima reunião. Naturalmente, o ritmo de
flexibilização continuará dependendo da evolução da
atividade econômica, do balanço de riscos, de
possíveis reavaliações da estimativa da extensão do
ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
29. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.