Notas da 206ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
11 e 12 de abril de 2017
Banco Central do Brasil
206ª Reunião do Copom
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Data: 11 e 12/4/2017
Local: Sala de reuniões do 21º andar (11/4) e do 20º andar (12/4) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início e término das sessões: 11/4: 10h13 12h09; 14h31 17h32
12/4: 14h00 18h01
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento (presentes em 11/4)
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 12/4)
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 11/4)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secretário do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da
Diretoria
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Fábio Araújo Chefe da Assessoria Econômica da Presidência
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete do Diretor de Regulação (presente apenas na
sessão matutina)
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete do Diretor de Política Monetária
Luis Gustavo Mansur Siqueira Chefe de Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e
Cidadania (presente apenas na sessão vespertina)
Maurício Costa de Moura Chefe de Gabinete do Presidente
Wagner Thomaz de Aquino Guerra Junior Chefe de Gabinete do Diretor de Assuntos Internacionais e
de Gestão de Riscos Corporativos (presente apenas na sessão vespertina)
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação. Material suplementar a estas Notas, com
indicadores da conjuntura econômica, está disponível no sítio do Banco Central do Brasil
(http://www.bcb.gov.br?COPOMMATSUP206).
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade
econômica divulgados desde a última reunião do
Copom permanece compatível com estabilização da
economia no curto prazo. A evidência sugere uma
retomada gradual da atividade econômica ao longo
de 2017.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da
indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. No âmbito externo, o cenário ainda é bastante
incerto. Entretanto, até o momento, a conjuntura
internacional tem mitigado os efeitos sobre a
economia brasileira de possíveis revisões de política
econômica em algumas economias centrais,
notadamente nos Estados Unidos. Há incerteza sobre
a sustentabilidade do crescimento econômico global
e sobre a manutenção dos níveis correntes de preços
de commodities.
4. Voltando à economia doméstica, a dinâmica da
inflação permanece favorável. O processo de
desinflação se difundiu e houve consolidação da
desinflação nos componentes mais sensíveis ao ciclo
econômico e à política monetária. Isso aumenta a
confiança de que a desinflação corrente terá efeitos
duradouros. A desinflação dos preços de alimentos
constitui choque de oferta favorável.
5. As expectativas de inflação apuradas pela
pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,1% para
2017, mantiveram-se ao redor de 4,5% para 2018 e,
para 2019 e horizontes mais distantes, encontram-se
ligeiramente abaixo de 4,5%.
6. Para a trajetória de preços administrados, que
compõe as projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 6,3%
em 2017 e 5,4% em 2018.
7. O cenário com trajetórias para as taxas de juros e
câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre
outras hipóteses, taxas de câmbio de R$3,23/US$ e
R$3,37/US$ ao final de 2017 e de 2018,
respectivamente, e taxas de juros de 8,50% ao ano
(a.a.) ao final dos dois períodos.
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A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião do Copom em fevereiro (205ª reunião).
8. Sob essas hipóteses, a projeção de inflação do
Copom para 2017 recuou em relação à divulgada nas
Notas da reunião do Copom em fevereiro (205ª
reunião), para em torno de 4,1%. A projeção para
2018 nesse cenário manteve-se ao redor de 4,5%.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. O alto grau de incerteza no cenário externo pode
dificultar o processo de desinflação.
10. Os próximos passos no processo de aprovação
das reformas fiscais envolvem apreciação de
reformas fundamentais para a sustentabilidade das
contas públicas, como é o caso da reforma da
previdência. Esse processo pode ser longo e envolve
incertezas. Essas reformas e outros ajustes
necessários na economia são relevantes para a
sustentabilidade da desinflação e para a redução da
taxa de juros estrutural.
11. A desinflação dos preços de alimentos constitui
choque de oferta favorável, que pode ter efeitos
secundários na inflação. Notadamente, pode
contribuir para quedas adicionais das expectativas de
inflação e da inflação em outros setores da economia.
12. A atividade econômica sinais de estabilização
no curto prazo, mas a recuperação da economia pode
ser mais (ou menos) demorada e gradual do que a
antecipada.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
13. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica, à luz das estatísticas
disponíveis. Todos concordaram que sinais
compatíveis com estabilização da economia no curto
prazo. A avaliação prospectiva do Comitê é de que
pequena melhora na perspectiva de retomada da
economia, em relação à reunião do Copom em
fevereiro (205ª reunião). Entretanto, os desafios para
a retomada da atividade econômica permanecem, e o
Comitê avalia que a recuperação da economia ao
longo de 2017 deverá ser gradual.
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14. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê destacaram as incertezas
associadas a possíveis mudanças na política
econômica nos EUA, à sustentabilidade do
crescimento da economia global, à manutenção dos
preços atuais de commodities e aos rumos da
economia chinesa. No entanto, acreditam que a
economia brasileira apresenta hoje uma maior
capacidade de absorver eventual revés no cenário
internacional, devido ao progresso no processo
desinflacionário e na ancoragem das expectativas.
15. Todos os membros do Comitê concordaram que
as perspectivas para a inflação evoluíram de maneira
favorável e, em boa parte, em linha com o esperado
desde a reunião do Copom em fevereiro (205ª
reunião). Os membros do Comitê analisaram a
trajetória de inflação ao longo deste e dos próximos
anos. Considerando o cenário que supõe evolução
das taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa
Focus, as projeções para a inflação acumulada em
doze meses permanecem abaixo da meta de 4,5% ao
longo de 2017. As projeções atingem valor mínimo no
terceiro trimestre do ano e elevam-se nos últimos
meses para valores ainda abaixo da meta. Parte dessa
diferença pode ser atribuída aos efeitos primários do
choque favorável nos preços de alimentos. Ainda sob
o cenário com taxas de juros e câmbio extraídas da
pesquisa Focus, a trajetória da inflação atinge a meta
de 4,5% em 2018.
16. Os membros do Comitê debateram os impactos
da revisão dos encargos relativos à usina de Angra III
sobre a inflação de curto prazo. Estima-se que a
revisão deva reduzir a inflação pelo IPCA de abril em
torno de 0,3 p.p., mas que o retorno das tarifas para
patamar similar ao anterior deva produzir efeito em
sentido contrário, e de magnitude similar, no IPCA em
maio (com impacto residual em junho). Todos
concluíram que essas oscilações grandes, pontuais e
atípicas não têm implicação relevante para a
condução da política monetária.
17. Os membros do Copom avaliaram a extensão do
ciclo de flexibilização monetária, inclusive suas
implicações para taxas de juros vigentes ao longo de
2018. Essa extensão dependerá da evolução da
atividade econômica, dos demais fatores de risco
mencionados acima e das projeções e expectativas
de inflação para 2018 e 2019, mas também das
estimativas da taxa de juros estrutural da economia
brasileira. Essas estimativas naturalmente envolvem
incerteza e poderão ser reavaliadas pelo Comitê ao
longo do tempo.
18. Os membros do Comitê reafirmaram o
entendimento de que, com expectativas de inflação
ancoradas, projeções de inflação em torno da meta
para 2018 e um pouco abaixo da meta para 2017, e
elevado grau de ociosidade na economia, o cenário
básico do Copom prescreve antecipação do ciclo de
distensão da política monetária.
19. Em relação ao ritmo de flexibilização ao longo do
ciclo, o Comitê entende que, para uma dada
estimativa de sua extensão, uma intensificação do
ritmo equivale a um maior grau de antecipação do
ciclo.
20. Todos os membros do Copom concordaram que a
evolução da conjuntura desde sua reunião em
fevereiro é compatível com a redução da taxa Selic
para 11,25% a.a. Todos também concordaram que
essa intensificação moderada em relação ao ritmo
das reuniões de janeiro e fevereiro mostra-se, no
momento, adequada.
21. Assim, os membros do Comitê debateram os
próximos passos na condução da política monetária.
Enfatizaram, de início, a condição fundamental de
que qualquer decisão futura seja compatível com
manutenção das projeções de inflação na meta nos
horizontes relevantes e com ancoragem das
expectativas de inflação. Debateram também, por
um lado, como a política monetária contribuiria para
o processo de estabilização e posterior retomada da
atividade econômica e, por outro lado, os efeitos
defasados que a política monetária pode ter sobre a
inflação para os próximos anos.
22. Os membros do Comitê ponderaram sobre o grau
de antecipação do ciclo desejado. Por um lado,
argumentaram que a evolução da conjuntura
econômica permitiria uma intensificação do ritmo
de flexibilização monetária maior do que a decidida
nessa reunião. Por outro lado, os membros do Copom
também argumentaram que, dado o caráter
prospectivo da condução da política monetária, a
continuidade das incertezas e dos fatores de risco
que ainda pairam sobre a economia tornaria mais
adequada a manutenção do ritmo imprimido nessa
reunião.
23. Os membros do Copom voltaram a enfatizar que
o ambiente com expectativas de inflação ancoradas
permitiria ao Comitê se concentrar em evitar
possíveis efeitos secundários de ajustes de preços
relativos que possam ocorrer ao longo do tempo. Isso
se aplica ao choque de oferta favorável nos preços de
alimentos. O Copom entende que deve buscar
identificar os efeitos primários desse choque de
oferta, aos quais a política monetária não deve reagir,
levando em conta as condições de demanda no setor.
A política monetária deve concentrar-se, então, em
possíveis efeitos secundários desse choque, que
podem contribuir para quedas adicionais das
expectativas de inflação e da inflação em outros
setores da economia.
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24. Todos os membros do Comitê enfatizaram que a
aprovação e implementação das reformas,
notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na
economia brasileira, incluindo aqueles referentes a
políticas creditícias e de natureza parafiscal, são
fundamentais para a sustentabilidade da desinflação,
para o funcionamento pleno da política monetária e
para a redução da taxa de juros estrutural da
economia, com amplos benefícios para a sociedade.
25. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras reformas e investimentos em
infraestrutura que visam aumento de produtividade,
ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia
e melhoria do ambiente de negócios. Esses esforços
são fundamentais para a estabilização e a retomada
da atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
26. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa sica de juros em um ponto
percentual, para 11,25% a.a., sem viés. Essa
intensificação moderada em relação ao ritmo das
reuniões de janeiro e fevereiro mostra-se, no
momento, adequada. O Comitê entende que a
convergência da inflação para a meta de 4,5% no
horizonte relevante para a condução da política
monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e,
com peso gradualmente crescente, de 2018, é
compatível com o processo de flexibilização
monetária.
27. O Copom entende que a extensão do ciclo de
flexibilização monetária dependerá das estimativas
da taxa de juros estrutural da economia brasileira,
que continuarão a ser reavaliadas pelo Comitê ao
longo do tempo, mas também da evolução da
atividade econômica, dos demais fatores de risco
mencionados acima e das projeções e expectativas
de inflação.
28. O Copom ressalta que o ritmo de flexibilização
monetária dependerá da extensão do ciclo
pretendido e do grau de sua antecipação, que por sua
vez dependerá da evolução da atividade econômica,
dos demais fatores de risco mencionados acima, e das
projeções e expectativas de inflação. O Comitê
considera o atual ritmo adequado, entretanto, a atual
conjuntura econômica recomenda monitorar a
evolução dos determinantes do grau de antecipação
do ciclo.
29. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.