Notas da 205ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
21 e 22 de fevereiro de 2017
Banco Central do Brasil
205ª Reunião do Copom
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Data: 21 e 22/2/2017
Local: Sala de reuniões do 21º andar (21/2) e do 20º andar (22/2) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início: 10h02 (21/2), 14h34 (21/2) e 14h00 (22/2)
Horário de término: 11h39 (21/2), 17h39 (21/2) e 18h20 (22/2)
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento (presentes em 21/2)
André Minella Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 22/2)
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
João Barata Ribeiro Blanco Barroso Departamento de Assuntos Internacionais
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 21/2)
Gustavo Ênio Falcão Freire Assessor de Imprensa
Eugênio Pacceli Ribeiro Chefe de Gabinete da Diretoria de Política Econômica
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete da Diretoria de Política Monetária
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos Secretário do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da
Diretoria
Luis Gustavo Mansur Siqueira Chefe de Gabinete da Diretoria de Relacionamento Institucional e
Cidadania (presente apenas na sessão vespertina)
Adalberto Felinto da Cruz Junior Secretário Executivo
Arnildo da Silva Correa Chefe Adjunto da Assessoria Econômica da Presidência
Ricardo Eyer Harris Chefe de Gabinete substituto da Diretoria de Regulação
Wagner Thomaz de Aquino Guerra Junior Chefe de Gabinete da Diretoria de Assuntos Internacionais e
de Gestão de Riscos Corporativos (presente apenas na sessão vespertina)
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação. Material suplementar a estas Notas, com
indicadores da conjuntura econômica, está disponível no sítio do Banco Central do Brasil
(http://www.bcb.gov.br?COPOMMATSUP205).
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205ª Reunião do Copom
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores de atividade
econômica divulgados desde a última reunião do
Copom mostra alguns sinais mistos, mas compatíveis
com estabilização da economia no curto prazo. A
evidência sugere uma retomada gradual da atividade
econômica ao longo de 2017.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da
indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. No âmbito externo, o cenário ainda é bastante
incerto. Entretanto, até o momento, a atividade
econômica global mais forte e o consequente
impacto positivo nos preços de commodities têm
mitigado os efeitos sobre a economia brasileira de
revisões de política econômica em algumas
economias centrais, notadamente nos Estados
Unidos. Há, também, incerteza sobre os rumos da
economia chinesa.
4. Voltando à economia doméstica, a inflação
apresenta dinâmica favorável, com sinais de menor
persistência no processo inflacionário. O processo de
desinflação é mais difundido e indica desinflação nos
componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à
política monetária. Isso aumenta a confiança na sua
continuidade. Houve ainda uma retomada na
desinflação dos preços de alimentos, que constitui
choque de oferta favorável. As expectativas de
inflação apuradas pela pesquisa Focus para 2017
recuaram para em torno de 4,4% e as expectativas
para 2018 e horizontes mais distantes permanecem
ancoradas, em torno de 4,5%.
5. Para a trajetória de preços administrados por
contrato e monitorados, que compõem as projeções
condicionais para a inflação produzidas pelo Copom,
projeta-se variação de 5,8% em 2017 e 5,3% em 2018.
6. O cenário de mercado supõe, entre outras
hipóteses, que as taxas de juros e câmbio seguirão as
trajetórias apuradas pela pesquisa Focus. Em
particular, supõe taxas de mbio de R$3,30/US$ e
1
A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião do Copom em janeiro (204ª reunião).
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O Comitê julga que, no contexto do processo de
flexibilização da política monetária em curso, essas
projeções com taxa de juros inalterada são pouco
informativas. Doravante, o Copom passará a divulgar nos
Comunicados e Notas de suas reuniões apenas as projeções
R$3,40/US$ ao final de 2017 e de 2018,
respectivamente, e taxas de juros de 9,50% ao ano
(a.a.) e 9,00% a.a. ao final dos mesmos períodos.
7. Sob essas hipóteses, a projeção de inflação do
Copom para 2017 recuou em relação à divulgada nas
Notas da reunião do Copom em janeiro (204ª
reunião), para em torno de 4,2%. A projeção para
2018 nesse cenário manteve-se ao redor de 4,5%.
8. As projeções no cenário com taxas de juros e
câmbio inalteradas (por todo o horizonte de
projeção) em 13,00% a.a. e R$3,10/US$,
respectivamente, encontram-se em torno de 3,8%
para 2017 e 3,3% para 2018
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.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. A retomada na desinflação dos preços de
alimentos constitui choque de oferta favorável, que
pode ter efeitos secundários na inflação.
Notadamente, pode contribuir para quedas
adicionais das expectativas de inflação e da inflação
em outros setores da economia.
10. O processo de aprovação das reformas fiscais
tem sido positivo. Os próximos passos envolvem
apreciação de reformas fundamentais para a
sustentabilidade das contas públicas, como é o caso
da reforma da previdência. Esse processo pode ser
longo e envolve incertezas.
11. A atividade econômica dá sinais de estabilização
no curto prazo, mas a recuperação da economia pode
ser mais (ou menos) demorada e gradual do que a
antecipada.
12. O alto grau de incerteza no cenário externo pode
dificultar o processo de desinflação.
condicionais para a inflação nos cenários que julgar
informativos de sua visão sobre a condução da política
monetária. No espírito de manter elevado grau de
transparência, o Copom continuará a reportar, nos
Relatórios de Inflação, projeções condicionais nos quatro
cenários que têm sido divulgados desde o Relatório de
Inflação do terceiro trimestre de 2016.
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C) Discussão sobre a condução da
política monetária
13. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica, à luz das estatísticas
disponíveis. Todos concordaram que há sinais mistos,
mas compatíveis com estabilização da economia no
curto prazo. A avaliação prospectiva do Comitê é de
que os riscos parecem mais equilibrados do que nos
últimos meses de 2016. Entretanto, os desafios para
a retomada da atividade econômica permanecem, e o
Comitê avalia que a recuperação da economia ao
longo de 2017 deve ser gradual.
14. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê destacaram a continuidade das
incertezas associadas a possíveis mudanças na
política econômica nos EUA e aos rumos da economia
chinesa. No entanto, acreditam que a economia
brasileira apresenta hoje uma maior capacidade de
absorver eventual revés no cenário internacional,
devido ao progresso no processo desinflacionário e
na ancoragem das expectativas.
15. Todos os membros do Comitê concordaram que
as perspectivas para a inflação evoluíram de maneira
favorável e, em boa parte, em linha com o esperado
desde a reunião do Copom em janeiro (204ª reunião).
O amplo conjunto de medidas de núcleo da inflação
acompanhado pelo Copom aponta para inflação em
níveis compatíveis com a meta de 4,5% para 2017 e
2018. As expectativas de inflação seguem ancoradas.
16. Os membros do Comitê reafirmaram o
entendimento de que, com expectativas de inflação
ancoradas, projeções de inflação na meta para 2018
e marginalmente abaixo da meta para 2017, e
elevado grau de ociosidade na economia, o cenário
básico do Copom prescreve antecipação do ciclo de
distensão da política monetária.
17. No que tange à extensão do ciclo, i.e., à redução
acumulada da taxa Selic ao cabo do processo de
flexibilização monetária, a discussão centrou-se em
duas dimensões distintas, ambas relevantes para sua
determinação. A primeira dimensão diz respeito à
taxa de juros estrutural da economia. Essa taxa
depende de fatores como crescimento da
produtividade da economia, perspectivas para a
política fiscal, qualidade do ambiente contratual e de
negócios, eficiência na alocação de recursos via
sistema financeiro e qualidade das políticas
econômicas. Suas estimativas invariavelmente
envolvem elevado grau de incerteza. Por essa razão,
avaliações sobre a taxa de juros estrutural da
economia necessariamente envolvem julgamento. O
Comitê julga que o redirecionamento da política
econômica pelo governo, com aprovação e
implementação das reformas fiscais, notadamente a
reforma da previdência, além de outras reformas e
ajustes necessários na economia, pode produzir uma
queda da taxa de juros estrutural da economia
brasileira. Nesse contexto, o Comitê continuará
reavaliando suas estimativas da taxa estrutural de
juros da economia ao longo do tempo. Essa dimensão
produz mudanças menos frequentes e mais
estruturais para a política monetária.
18. A segunda dimensão diz respeito a aspectos
conjunturais. O Comitê entende que suas estimativas
da extensão do ciclo de flexibilização monetária em
curso dependem não apenas da trajetória
vislumbrada para a taxa de juros estrutural da
economia, mas também da evolução da atividade
econômica, dos demais fatores de risco mencionados
acima, e das projeções e expectativas de inflação.
19. Em relação ao ritmo de flexibilização ao longo do
ciclo, o Comitê entende que, para uma dada
estimativa de sua extensão, uma intensificação do
ritmo equivale a um maior grau de antecipação do
ciclo. Alguns membros do Comitê ponderaram que
essa estimativa de extensão poderá ser revisada
também em função do grau de antecipação do ciclo.
20. Todos os membros do Copom concordaram que a
evolução da conjuntura desde a reunião do Copom de
janeiro era compatível com a redução da taxa Selic
para 12,25% a.a.
21. Assim, os membros do Comitê debateram os
próximos passos e manifestaram preferência por
manter maior grau de liberdade quanto às decisões
futuras, a serem tomadas em função da evolução do
cenário básico do Copom e dos fatores de riscos
apontados acima. Enfatizaram, de início, a condição
fundamental de que qualquer decisão futura seja
compatível com manutenção das projeções de
inflação na meta nos horizontes relevantes para a
condução da política monetária, e com ancoragem
das expectativas de inflação. Debateram também,
por um lado, como a política monetária contribuiria
para o processo de estabilização e posterior
retomada da atividade econômica e, por outro lado,
os efeitos defasados que a política monetária pode
ter sobre a inflação para o ano-calendário de 2018,
cujas projeções encontram-se em torno da meta de
4,5% tanto as apuradas pela pesquisa Focus, quanto
a projeção condicional do Copom no cenário de
mercado.
22. Os membros do Copom voltaram a enfatizar que
o ambiente com expectativas de inflação ancoradas
permitiria ao Comitê se concentrar em evitar
possíveis efeitos secundários de ajustes de preços
relativos que possam ocorrer ao longo do tempo. Isso
se aplica ao choque de oferta favorável nos preços de
alimentos. O Copom entende que deve buscar
identificar os efeitos primários desse choque de
oferta, aos quais a política monetária não deve reagir,
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205ª Reunião do Copom
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levando em conta as condições de demanda no setor.
A política monetária deve concentrar-se, então, em
possíveis efeitos secundários desse choque, que
podem contribuir para quedas adicionais das
expectativas de inflação e da inflação em outros
setores da economia.
23. Todos os membros do Comitê enfatizaram que a
aprovação e implementação das reformas,
notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na
economia brasileira são fundamentais para a
sustentabilidade da desinflação e para a redução de
sua taxa de juros estrutural, com amplos benefícios
para a sociedade.
24. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras reformas e investimentos em
infraestrutura que visam aumento de produtividade,
ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia
e melhoria do ambiente de negócios. Esses esforços
são fundamentais para a estabilização e a retomada
da atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
25. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa básica de juros para 12,25% a.a., sem
viés. O Comitê entende que a convergência da
inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante
para a condução da política monetária, que inclui os
anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente
crescente, de 2018, é compatível com o processo de
flexibilização monetária.
26. O Copom entende que a extensão do ciclo de
flexibilização monetária dependerá das estimativas
da taxa de juros estrutural da economia brasileira,
que continuarão a ser reavaliadas pelo Comitê ao
longo do tempo.
27. O Copom ressalta que uma possível
intensificação do ritmo de flexibilização monetária
dependerá da estimativa da extensão do ciclo, mas,
também, da evolução da atividade econômica, dos
demais fatores de risco e das projeções e
expectativas de inflação.
28. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.