Notas da 204ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
10 e 11 de janeiro de 2017
Banco Central do Brasil
204ª Reunião do Copom
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Data: 10 e 11/1/2017
Local: Sala de reuniões do 21º andar (10/1) e do 20º andar (11/1) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início: 10h37 (10/1), 14h31 (10/1) e 14h00 (11/1)
Horário de término: 12h30 (10/1), 17h49 (10/1) e 18h20 (11/1)
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento (presentes em 10/1)
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Eduardo José Araújo Lima Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 11/1)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Geraldo Pereira Júnior Departamento de Assuntos Internacionais
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
Luiz Donizete Felício Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 10/1)
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete da Diretoria de Regulação
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete da Diretoria de Política Monetária
Lucio Rodrigues Capelletto Secretário do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Luis Gustavo Mansur Siqueira Assessor Sênior da Diretoria de Relacionamento Institucional e Cidadania
(presente apenas na sessão vespertina)
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira Secretário Executivo
Maurício Costa de Moura Chefe de Gabinete da Presidência
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação. Material suplementar a estas Notas, com
indicadores da conjuntura econômica, está disponível no sítio do Banco Central do Brasil
(http://www.bcb.gov.br?COPOMMATSUP204).
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores divulgados
recentemente sugere que a atividade econômica
segue aquém do esperado, inclusive no último
trimestre de 2016, e que sua retomada deve ser ainda
mais demorada e gradual que a antecipada
previamente.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da
indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. No âmbito externo, o cenário é bastante incerto.
Essa incerteza decorre, dentre outros fatores, de
possíveis mudanças no rumo da política econômica
nos EUA e da retomada do processo de normalização
das condições monetárias pelo FOMC
2
. Entretanto,
até o momento, os efeitos do fim do interregno
benigno têm sido limitados.
4. Voltando à economia doméstica, a inflação
recente mostrou-se mais favorável que o esperado,
com sinais de um processo de desinflação mais
difundido. Há evidências de que esse processo tenha
atingido também componentes mais sensíveis ao
ciclo econômico e à política monetária. Com isso, a
inflação acumulada no ano passado medida pelo
IPCA
3
alcançou 6,3%, bem abaixo do esperado há
poucos meses e dentro do intervalo de tolerância da
meta para a inflação estabelecido para 2016. As
expectativas de inflação apuradas pela pesquisa
Focus para 2017 recuaram para em torno de 4,8% e
as expectativas para 2018 e horizontes mais
distantes permanecem ancoradas, em torno de 4,5%.
5. Para a trajetória de preços administrados por
contrato e monitorados, que compõem as projeções
condicionais para a inflação produzidas pelo Copom,
projeta-se variação de 6,0% em 2017 e 5,2% em 2018.
6. O cenário de referência supõe, entre outras
hipóteses, taxas de juros e câmbio inalteradas em
13,75% ao ano (a.a.) e R$3,25/US$, respectivamente,
por todo o horizonte de projeção. O cenário de
mercado utiliza as trajetórias para taxas de juros e
câmbio apuradas pela pesquisa Focus. Em particular,
supõe taxas de câmbio de R$3,45/US$ e R$3,50/US$
ao final de 2017 e de 2018, respectivamente, e taxas
1
A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
data de corte do Relatório de Inflação passado (9 de
dezembro de 2016).
de juros de 10,25% a.a. e 9,63% a.a. ao final dos
mesmos períodos.
7. As projeções condicionais do Copom recuaram em
relação às divulgadas no Relatório de Inflação
passado, que foram baseadas no conjunto de
informações disponíveis até 9 de dezembro de 2016.
Dentre outros fatores, os recuos nas projeções foram
influenciados por dados de inflação e atividade
econômica divulgados desde então. As projeções no
cenário de referência encontram-se em torno de
4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente.
no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4%
e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente. A
incorporação dos últimos dados sobre atividade
econômica ao conjunto de informação do Copom
contribuiu de forma importante para o recuo das
projeções condicionais de inflação.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
8. A inflação tem se mostrado mais favorável, o que
pode sinalizar menor persistência no processo
inflacionário. No entanto, o processo de desinflação
de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao
ciclo econômico e à política monetária requer
atenção contínua.
9. O processo contínuo de distensão do mercado de
trabalho e a desaceleração significativa da atividade
econômica podem produzir desinflação mais intensa
que a refletida nas expectativas de inflação medidas
pela pesquisa Focus e nas projeções condicionais
produzidas pelo Copom. A dinâmica mais favorável
da inflação no período recente mostra sinais de
desinflação mais difundida e a atividade econômica
aquém do esperado e a perspectiva de uma
recuperação mais demorada e gradual tendem a
reforçar esse processo.
10. Os passos no processo de aprovação das reformas
fiscais têm sido positivos até o momento, o que pode
sinalizar maior celeridade e probabilidade de
aprovação. Por outro lado, o processo é longo e
envolve incertezas.
11. O fim do interregno benigno para economias
emergentes pode produzir efeitos que dificultem o
processo de desinflação.
2
Federal Open Market Committee.
3
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
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C) Discussão sobre a condução da
política monetária
12. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica, à luz das estatísticas mais
recentes. Todos concordaram que as evidências
apontam nível de atividade aquém do que se
esperava nos últimos meses. Num contexto de
desafios para a retomada da atividade econômica,
isso contribuiu para consolidar a avaliação de que a
recuperação da economia deve ser mais demorada e
gradual que a antecipada previamente.
13. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê destacaram as incertezas
associadas a possíveis mudanças na política
econômica nos EUA e também ao fim do interregno
benigno que vigorou durante boa parte do ano
passado, tendo em vista que o processo de
normalização das condições monetárias nos EUA foi
reiniciado. Essas incertezas vêm alimentando um
aumento das taxas de juros de longo prazo nas
principais economias desenvolvidas, com impacto
sobre o custo de financiamento para economias
emergentes. No entanto, os efeitos do fim do
interregno benigno sobre preços de ativos têm sido
limitados até o momento, em particular para países
exportadores de commodities, que vêm
experimentando melhorias nos seus termos de troca.
Esse contexto reforça a avaliação dos membros do
Comitê de que não relação mecânica entre o
cenário externo e a política monetária.
14. Todos os membros do Comitê concordaram que
as condições explicitadas na reunião do Copom em
novembro (203ª reunião) para intensificação do
ritmo de flexibilização monetária estavam presentes.
A inflação evoluiu de forma favorável no período
recente, vindo abaixo do esperado. Com a evidência
de retomada do processo de desinflação, na margem,
dos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico
e à política monetária, o amplo conjunto de medidas
de núcleo da inflação acompanhado pelo Copom
aponta para inflação em níveis compatíveis com a
meta de 4,5% para 2017 e 2018. Além disso, as
evidências disponíveis reforçam a leitura de que as
expectativas seguem ancoradas. Esse conjunto de
fatores contribui para maior confiança nas projeções
de continuidade do processo de desinflação rumo à
meta. A economia tem operado em ritmo mais fraco
do que se esperava há alguns meses e divulgações
recentes continuaram a indicar atividade econômica
aquém do esperado na margem, mesmo após as
últimas revisões para o final de 2016. Os passos no
processo de encaminhamento de reformas fiscais
adicionais e de outros ajustes necessários na
economia continuam sendo positivos.
15. Os membros do Copom também concordaram
que, com expectativas de inflação ancoradas, e
projeções de inflação na meta para 2018 e
marginalmente abaixo da meta para 2017, o
desempenho da atividade econômica recomenda a
antecipação do ciclo de distensão da política
monetária. Essa estratégia permite contribuir para o
processo de estabilização e posterior retomada da
atividade econômica, sem que se desvie dos
objetivos de levar a inflação para a meta de 4,5% em
2017 e 2018. O Comitê passou então a avaliar
alternativas para antecipação do ciclo de distensão
monetária.
16. O Comitê avaliou reduzir a taxa básica de juros
para 13,25% e sinalizar uma intensificação adicional
do ritmo de flexibilização na reunião do Copom
seguinte, caso as condições permitissem. A favor
dessa opção pesava o benefício de acumular mais
evidências de consolidação do cenário básico do
Copom. Outro benefício seria uma maior suavização
da trajetória do instrumento de política monetária, o
que no longo prazo aumenta a sua previsibilidade.
17. No entanto, o Comitê avaliou que as condições
para reduzir a taxa básica de juros para 13% já nesta
reunião estavam presentes em função do processo
de desinflação mais disseminada e atividade
econômica aquém do esperado, em ambiente com
expectativas de inflação ancoradas. Essa decisão
contribuiria desde já para o processo de estabilização
e posterior retomada da atividade econômica, sem
que isso exigisse desvio em relação ao objetivo de
levar a inflação para a meta de 4,5% em 2017 e 2018.
Os membros do Comitê julgaram, também, que essa
decisão era compatível com sua comunicação, que
favorece explicitar condicionalidades econômicas
sobre a evolução da política monetária, o que melhor
transmite a racionalidade econômica que guia as suas
decisões. Na avaliação do Comitê, a evolução do
cenário prospectivo para a inflação e as evidências
sobre a evolução da atividade econômica colhidas
desde a reunião do Copom em novembro e o
Relatório de Inflação de dezembro (cuja data de corte
utilizada para as projeções condicionais de inflação
foi o dia 9 de dezembro) permitem uma redução da
taxa básica de juros maior do que a debatida pelo
Comitê em sua reunião em novembro. O caráter
condicional de sua comunicação sobre a condução da
política monetária permite aos agentes econômicos
ajustar suas expectativas com base em tais
evidências.
18. Os membros do Copom voltaram a enfatizar que
o ambiente com expectativas de inflação ancoradas
permitiria ao Comitê se concentrar em evitar
possíveis efeitos secundários de ajustes de preços
relativos que possam ocorrer ao longo do tempo.
19. Todos os membros do Comitê reiteraram que a
aprovação da emenda constitucional que permite
conter a expansão real dos gastos públicos é uma
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204ª Reunião do Copom
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contribuição importante para a economia brasileira.
Enfatizaram, ainda, a relevância de outras reformas
no âmbito fiscal para a continuidade do processo
desinflacionário em curso e para as perspectivas de
manutenção da inflação em torno da meta, com
benefícios para a sociedade.
20. Por fim, os membros do Copom destacaram a
importância de outras reformas e investimentos em
infraestrutura que visam aumento de produtividade,
ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia
e melhoria do ambiente de negócios. Esses esforços
são fundamentais para a estabilização e a retomada
da atividade econômica e da trajetória de
desenvolvimento da economia brasileira.
D) Decisão de política monetária
21. Considerando o cenário sico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa básica de juros para 13,00% a.a., sem
viés. O Comitê entende que a convergência da
inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante
para a condução da política monetária, que inclui os
anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente
crescente, de 2018, é compatível com intensificação
da flexibilização monetária em curso.
22. O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa
básica de juros para 13,25% e sinalizar uma
intensidade maior de queda para a próxima reunião.
Entretanto, diante do ambiente com expectativas de
inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual
cenário, com um processo de desinflação mais
disseminado e atividade econômica aquém do
esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo
de distensão da política monetária, permitindo o
estabelecimento do novo ritmo de flexibilização. A
extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de
flexibilização continuarão dependendo das
projeções e expectativas de inflação e da evolução
dos fatores de risco mencionados acima.
23. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.