Notas da 203ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
29 e 30 de novembro de 2016
Banco Central do Brasil
203ª Reunião do Copom
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Data: 29 e 30/11/2016
Local: Sala de reuniões do 21º andar do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil Brasília DF
Horário de início: 10h48 (29/11), 14h30 (29/11) e 14h00 (30/11)
Horário de término: 12h10 (29/11), 17h33 (29/11) e 18h20 (30/11)
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento (presentes em 29/11)
André Minella Departamento de Assuntos Internacionais
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Eduardo José Araújo Lima Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 30/11)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 29/11)
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete da Diretoria de Política Monetária
Lucio Rodrigues Capelletto Secretário do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Luis Gustavo Mansur Siqueira Assessor Sênior da Diretoria de Relacionamento Institucional e Cidadania
(presente apenas na tarde de 29/11)
Maurício Costa de Moura Chefe de Gabinete da Presidência
Paulo Marcelo Cavalcanti Muniz Chefe de Gabinete substituto da Diretoria de Regulação
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação. Material suplementar a estas Notas, com
indicadores da conjuntura econômica, está disponível no sítio do Banco Central do Brasil
(http://www.bcb.gov.br?COPOMMATSUP203).
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores divulgados desde a
última reunião do Copom sugere atividade
econômica aquém do esperado no curto prazo.
Houve reduções nas projeções para o PIB em 2016 e
2017 e interrupção no processo de recuperação dos
componentes de expectativas de índices de
confiança. Após ter interrompido uma longa
sequência de quedas no segundo trimestre, a medida
de investimento nas contas nacionais voltou a recuar
no terceiro trimestre.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
baixos índices de utilização da capacidade da
indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
3. Após os recuos dos indicadores de atividade
econômica relativos a agosto, a ausência de uma
reversão nos meses seguintes torna menos provável
o cenário em que esses movimentos refletiriam
oscilações naturais da atividade econômica em torno
de momentos de estabilização. Aumenta, portanto, a
probabilidade de que a retomada da atividade
econômica seja mais demorada e gradual que a
antecipada previamente.
4. No âmbito externo, o cenário apresenta-se
especialmente incerto. O aumento da volatilidade
dos preços de ativos indica o possível fim do
interregno benigno para economias emergentes. Há
elevada probabilidade de retomada do processo de
normalização das condições monetárias nos EUA no
curto prazo, bem como incertezas quanto ao rumo de
sua política econômica.
5. Voltando à economia doméstica, a inflação
recente mostrou-se mais favorável que o esperado,
em parte em decorrência da reversão da alta de
preços de alimentos, mas também com sinais de
desinflação mais difundida. Esses resultados
contribuíram para um recuo das expectativas
apuradas pela pesquisa Focus para a inflação medida
pelo IPCA
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para o ano corrente, que se situam em
torno de 6,7%. As expectativas de inflação apuradas
pela mesma pesquisa para 2017 recuaram para em
torno de 4,9% e as expectativas para 2018 e
horizontes mais distantes permanecem em torno de
4,5%.
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A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião do Copom de outubro de 2016.
6. Para a trajetória de preços administrados por
contrato e monitorados, que compõem as projeções
condicionais para a inflação produzidas pelo Copom,
projeta-se variação de 5,5% em 2016, 5,9% em 2017
e 5,3% em 2018.
7. O cenário de referência supõe, entre outras
hipóteses, taxas de juros e câmbio inalteradas em
14,00% ao ano (a.a.) e R$3,40/US$, respectivamente,
por todo o horizonte de projeção. O cenário de
mercado utiliza as trajetórias para taxas de juros e
câmbio apuradas pela pesquisa Focus. Em particular,
supõe taxas de câmbio de R$3,35/US$, R$3,40/US$ e
R$3,50/US$ ao final de 2016, 2017 e 2018,
respectivamente, e taxas de juros de 13,75% a.a.,
10,75% a.a. e 10,00% a.a. ao final dos mesmos
períodos.
8. As projeções do Copom para a inflação de 2016
nos cenários de referência e mercado recuaram para
em torno de 6,6%.
9. No horizonte relevante para a condução da política
monetária, as projeções condicionais do Copom
oscilaram em função de fatores com impactos
opostos. As projeções para 2017, nos cenários de
referência e mercado, situam-se em torno de 4,4% e
4,7%, respectivamente. Para 2018, as projeções
encontram-se em torno de 3,6% e 4,6%, nos cenários
de referência e mercado, respectivamente.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
10. Os sinais de uma pausa, na margem, no processo
de desinflação de alguns componentes do IPCA mais
sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária
persistem. A taxa de inflação desses componentes
tem recuado quando avaliada em períodos de doze
meses, mas a pausa persiste, na margem, em medidas
mensais de inflação subjacente ajustadas para
fatores sazonais. Isso poderia refletir uma maior
resiliência da inflação, a despeito do elevado nível de
ociosidade na economia.
11. Por outro lado, o processo contínuo de distensão
do mercado de trabalho e a desaceleração
significativa da atividade econômica tendem a
produzir desinflação que pode vir a ser mais intensa
que a refletida nas expectativas de inflação medidas
pela pesquisa Focus e nas projeções condicionais
produzidas pelo Copom. De fato, a dinâmica mais
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Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
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203ª Reunião do Copom
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favorável da inflação no período recente mostra
sinais de desinflação mais difundida. É, portanto,
razoável esperar que a atividade econômica aquém
do esperado no curto prazo e a perspectiva de uma
recuperação mais demorada e gradual reforcem esse
processo. Uma outra consequência provável dessa
conjuntura seria uma retomada mais célere do
processo de desinflação, na margem, dos
componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo
econômico e à política monetária a cuja pausa fez-se
referência acima.
12. Os passos no processo de aprovação das reformas
fiscais têm sido positivos até o momento, o que pode
sinalizar maior celeridade e probabilidade de
aprovação. Por outro lado, o processo é longo e
envolve incertezas. A redução da incerteza
potencializaria os efeitos da política monetária,
reduzindo os custos do processo desinflacionário ora
em curso.
13. O possível fim do interregno benigno para
economias emergentes pode produzir efeitos que
dificultem o processo de desinflação. É possível,
entretanto, que tais efeitos sejam mitigados por
movimentos favoráveis nos preços de commodities
com relevância para os termos de troca do país, o que
teria caráter estabilizador. Além disso, o fim do
interregno benigno pode implicar condições
financeiras externas mais apertadas, o que
adicionaria um componente desinflacionário. Não há,
portanto, relação direta entre o cenário externo e a
condução da política monetária.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
14. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica no curto prazo, à luz das
estatísticas mais recentes. Todos concordaram que,
após os indicadores referentes a agosto, a economia
seguiu mostrando sinais de fraqueza. Estatísticas
referentes a setembro e indicadores disponíveis para
outubro e novembro não mostraram reversão que
seria razoável esperar caso estivéssemos diante de
oscilações naturais da atividade econômica em torno
de momentos de estabilização. Isso aumenta a
probabilidade de que a retomada da atividade
econômica seja mais demorada e gradual que a
antecipada previamente.
15. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê destacaram os riscos associados
ao possível fim do ambiente relativamente benigno
para economias emergentes em vigor nos últimos
meses. Todos concordaram que o processo de
normalização das condições monetárias nos EUA
deve ser retomado no curto prazo e que o rumo de
sua política econômica tornou-se fonte de incerteza.
O Copom avaliou que parte dessa incerteza deverá se
dissipar nos próximos meses. Todos concordaram,
também, que até o fim do ano o Comitê poderá ter
uma avaliação mais precisa sobre os possíveis
impactos da retomada do processo de normalização
das condições monetárias nos EUA. Os membros do
Comitê ponderaram que, em ambiente com
expectativas de fortalecimento da atividade
econômica global, movimentos nos termos de troca
podem produzir efeitos mitigadores. Ponderaram,
ainda, que, caso uma mudança do cenário externo
venha a produzir mudanças de preços relativos, seu
impacto sobre a política monetária será delimitado
por seus efeitos secundários sobre a inflação. Em um
contexto de expectativas de inflação ancoradas,
esses efeitos tendem a ser mitigados pelo elevado
grau de ociosidade na economia.
16. O Comitê analisou suas projeções condicionais
para a inflação nos diversos cenários, o balanço de
riscos, o amplo conjunto de informações disponíveis,
e a evolução dos fatores enfatizados pelo Copom no
Comunicado de outubro (20 reunião). Nesse
contexto, o Copom julgou que a postura recente da
política monetária contribuiu para ancoragem das
expectativas e para que houvesse mais espaço para o
processo de flexibilização da política monetária. A
discussão passou, então, para o ritmo dessa
flexibilização.
17. Alguns membros do Comitê ponderaram que a
evolução favorável da inflação no período recente, os
passos positivos no processo de aprovação das
primeiras reformas fiscais e a piora nas perspectivas
de recuperação da atividade econômica
justificariam uma intensificação do ritmo de
flexibilização monetária nessa reunião. Outros
membros do Copom argumentaram que a evolução
de alguns componentes da inflação mais sensíveis à
atividade econômica e à política monetária
continuava indicando pausa, na margem.
Argumentaram, ainda, que as incertezas quanto ao
possível fim do cenário externo benigno para
economias emergentes deveriam diminuir até a
reunião do Copom em janeiro. A combinação desses
fatores recomendava aguardar até a próxima
reunião. Esses mesmos membros ponderaram,
entretanto, que é razoável esperar uma
intensificação do processo de flexibilização
monetária caso a atividade econômica não sinais
mais claros de retomada, posto que nesse caso as
projeções de inflação devem se reduzir. No final,
formou-se um consenso em aguardar até a próxima
reunião.
18. Os membros do Comitê debateram a trajetória de
preços administrados por contrato e monitorados e
os efeitos que os mesmos podem ter sobre o cenário
prospectivo para a inflação. Em particular, os
membros do Comitê mencionaram: (i) o impacto da
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mudança na política de preços de combustíveis
anunciada recentemente; (ii) possíveis reajustes nos
preços da energia elétrica ao longo de 2017, em
decorrência de recomposições tarifárias necessárias
para corrigir distorções de políticas passadas. Nesse
contexto, os membros do Copom voltaram a
enfatizar que o ambiente com expectativas de
inflação ancoradas permitiria ao Comitê se
concentrar em evitar possíveis efeitos secundários
desses ajustes de preços relativos.
19. Todos os membros do Comitê reconheceram os
avanços e os esforços para aprovação e
implementação dos ajustes necessários na economia,
notadamente no que diz respeito a reformas fiscais.
Os membros do Comitê enfatizaram que esses
esforços o fundamentais para a estabilização e o
desenvolvimento da economia brasileira. O Comitê
deve acompanhar atentamente esses esforços, uma
vez que têm reflexos importantes no processo de
desinflação.
20. O Comitê entende que o ritmo de flexibilização
monetária será calibrado levando em conta as suas
projeções de inflação e seus fatores determinantes,
de modo a perseguir uma trajetória que permita
cumprir a meta para a inflação para 2017 e 2018. O
Comitê avalia que atualmente não
incompatibilidade entre esses dois objetivos. As
projeções para ambos os anos melhoraram,
especialmente no cenário de mercado. Isso sugere
que pode haver mais espaço para flexibilização das
condições monetárias do que o percebido
anteriormente.
21. O Comitê discutiu os fatores condicionantes do
ritmo e magnitude da flexibilização monetária. Em
particular, destacou-se que o risco palpável de que
não ocorra uma retomada oportuna da atividade
econômica deve permitir intensificação do ritmo de
flexibilização monetária.
D) Decisão de política monetária
22. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa básica de juros para 13,75% a.a., sem
viés.
23. O Comitê entende que a convergência da
inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante
para a condução da política monetária, que inclui os
anos-calendário de 2017 e 2018, é compatível com
um processo gradual de flexibilização monetária.
24. A magnitude da flexibilização monetária e a
intensificação do seu ritmo dependerão das
projeções e expectativas de inflação e da evolução
dos fatores de risco mencionados acima. Nesse
sentido, o Copom destaca que o ritmo de desinflação
nas suas projeções pode se intensificar caso a
recuperação da atividade econômica seja mais
demorada e gradual que a antecipada. Essa
intensificação do processo de desinflação depende
de ambiente externo adequado. Não há, no entanto,
relação mecânica entre o cenário externo e a política
monetária.
25. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.