Notas da 202ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
18 e 19 de outubro de 2016
Banco Central do Brasil
202ª Reunião do Copom
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Data: 18 e 19/10/2016
Local: Sala de reuniões do 21º andar (18/10) e do 20º andar (19/10) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início: 10h09 (18/10), 14h38 (18/10) e 14h04 (19/10)
Horário de término: 12h03 (18/10), 18h28 (18/10) e 18h20 (19/10)
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento (presentes em 18/10)
Alan da Silva Andrade Mendes Departamento das Reservas Internacionais
André Minella Departamento de Assuntos Internacionais
Eduardo José Araújo Lima Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 19/10)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 18/10)
Cláudio Henrique de Araújo Coutinho Secretário Executivo Substituto
Edric Martins Ueda Assessor Sênior da Diretoria de Administração
Gustavo Ênio Falcão Freire Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete da Diretoria de Regulação
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete da Diretoria de Política Monetária
Lucio Rodrigues Capelletto Secretário do Comitê de Estabilidade Financeira e Consultor da Diretoria
Luis Gustavo Mansur Siqueira Analista da Diretoria de Relacionamento Institucional e Cidadania
(presente apenas na tarde de 18/10)
Maurício Costa de Moura Chefe de Gabinete da Presidência
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação. Material suplementar a estas Notas, com
análise da evolução recente de indicadores da conjuntura econômica, está disponível no sítio do Banco
Central do Brasil (http://www.bcb.gov.br?COPOMMATSUP202).
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. O conjunto dos indicadores divulgados desde a
última reunião do Copom sugere atividade
econômica um pouco abaixo do esperado no curto
prazo. Em particular, indicadores referentes a agosto
situaram-se abaixo do esperado.
2. A economia segue operando com alto nível de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
índices de utilização da capacidade da indústria e,
principalmente, na taxa de desemprego.
3. Oscilações no atual estágio do ciclo econômico são
comuns e provavelmente explicam os resultados
recentes. No seu conjunto, a evidência disponível é
compatível com estabilização recente da economia
brasileira. Índices de confiança, expectativas de
crescimento do PIB
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para 2017 apuradas pela
pesquisa Focus e o comportamento de prêmios de
risco e preços de ativos apontam para uma possível
retomada gradual da atividade econômica.
4. No âmbito externo, o cenário ainda apresenta
interregno benigno para economias emergentes,
refletido no comportamento dos preços de ativos.
No entanto, a dinâmica da economia global
permanece frágil, com incertezas quanto ao seu
crescimento. Além disso, manifestações recentes de
membros do FOMC
3
sinalizaram a possibilidade de
novos aumentos de juros ainda neste ano, gerando
incerteza sobre os efeitos de uma eventual retomada
do processo de normalização das condições
monetárias nos Estados Unidos.
5. Voltando à economia doméstica, a inflação
recente mostrou-se mais favorável que o esperado,
em parte em decorrência da reversão da alta de
preços de alimentos. Tais resultados contribuíram
para um recuo das expectativas apuradas pela
pesquisa Focus para a inflação medida pelo IPCA
4
para o ano corrente, que se situam em torno de 7,0%.
As expectativas de inflação apuradas pela mesma
pesquisa para 2017 recuaram para em torno de 5,0%,
e seguem acima da meta para a inflação, de 4,5%. As
expectativas para 2018 e horizontes mais distantes
se encontram em torno desse patamar.
6. Para a trajetória de preços administrados por
contrato e monitorados, que compõem as projeções
1
A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
data de divulgação do Relatório de Inflação de setembro de
2016.
condicionais para a inflação produzidas pelo Copom,
projeta-se variação de 6,2% em 2016, 5,8% em 2017
e 5,1% em 2018 mesmos números do Relatório de
Inflação (RI) mais recente.
7. O cenário de referência supõe, entre outras
hipóteses, taxas de juros e câmbio inalteradas em
14,25% ao ano (a.a.) e R$3,20/US$, respectivamente,
por todo o horizonte de projeção. O cenário de
mercado utiliza as trajetórias para taxas de juros e
câmbio apuradas pela pesquisa Focus. Em particular,
supõe taxa de câmbio de R$3,25/US$, R$3,40/US$ e
R$3,50/US$ ao final de 2016, 2017 e 2018,
respectivamente, e taxas de juros de 13,50% a.a.,
11,00% a.a. e 10,00% a.a. ao final dos mesmos
períodos.
8. As projeções do Copom para a inflação de 2016
nos cenários de referência e mercado recuaram
desde a divulgação do último RI e encontram-se em
torno de 7,0%.
9. No horizonte relevante para a condução da política
monetária, o comportamento das projeções em
relação ao RI mais recente variou conforme o cenário.
No cenário de referência, a projeção para 2017
recuou para aproximadamente 4,3%, enquanto que a
projeção para 2018 encontra-se em torno de 3,9%.
No cenário de mercado, a projeção para 2017
manteve-se praticamente inalterada em torno de
4,9% e a projeção para 2018 aumentou para
aproximadamente 4,7% ambas acima da meta para
a inflação para esses dois anos-calendário, de 4,5%.
B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
10. A experiência brasileira recente, com período
prolongado de inflação alta e expectativas acima da
meta, ainda pode reforçar mecanismos inerciais.
sinais de uma pausa recente no processo de
desinflação dos componentes do IPCA mais sensíveis
ao ciclo econômico e à política monetária, o que pode
sinalizar convergência mais lenta da inflação à meta.
Nesse contexto, uma maior persistência inflacionária
requer persistência maior da política monetária.
11. Por outro lado, o processo contínuo de distensão
do mercado de trabalho e a desaceleração
significativa da atividade econômica podem, a
princípio, produzir uma desinflação mais rápida (por
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Produto Interno Bruto.
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Federal Open Market Committee.
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Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
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exemplo, no setor de serviços) que a refletida nas
expectativas de inflação medidas pela pesquisa
Focus e nas projeções condicionais produzidas pelo
Copom.
12. O processo de aprovação e implementação dos
ajustes necessários na economia, inclusive de
natureza fiscal, apresenta-se, ao mesmo tempo,
como um risco e uma oportunidade para o processo
desinflacionário em curso. Os primeiros passos nesse
processo foram positivos, o que pode sinalizar maior
celeridade e probabilidade de aprovação. Por outro
lado, o processo é longo e envolve incertezas. A
redução da incerteza potencializaria os efeitos da
política monetária.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
13. Os membros do Comitê debateram a evolução da
atividade econômica no curto prazo, à luz das
estatísticas mais recentes, e concordaram que os
indicadores referentes a agosto situaram-se abaixo
do esperado. Entretanto, ponderaram que oscilações
dessa natureza tendem a ocorrer no momento de
estabilização. Em particular, após processo de
retração da atividade econômica como o observado
nos últimos dois anos, é provável que o processo de
estabilização envolva flutuações relevantes nesse
estágio do ciclo econômico. Nesse contexto, os
membros do Comitê concordaram que a evidência
disponível é compatível com estabilização recente da
economia brasileira e possível retomada gradual da
atividade econômica.
14. No que tange à conjuntura internacional, os
membros do Comitê destacaram a continuidade de
um ambiente relativamente benigno para ativos de
economias emergentes. Entretanto, permanecem as
incertezas quanto ao processo de normalização da
política monetária nos Estados Unidos. Todos os
membros do Comitê concordaram sobre a
necessidade de se monitorar o ritmo de normalização
da política monetária nos Estados Unidos e suas
possíveis implicações sobre a economia brasileira.
Também houve consenso sobre a permanência dos
riscos de médio e longo prazos no âmbito externo,
associados à fragilidade do nível de atividade
econômica global.
15. O Comitê analisou suas projeções condicionais
para a inflação nos diversos cenários. O Copom
concluiu que a evolução das projeções no cenário de
referência no horizonte relevante, que abrange os
anos-calendário de 2017 e 2018, indica haver espaço
para flexibilização gradual e moderada da política
monetária. Por outro lado, as projeções no cenário de
mercado sugerem haver limites para a magnitude
dessa flexibilização nesse mesmo horizonte.
16. Os membros do Copom ressaltaram que, além da
análise das projeções condicionais para a inflação, a
evolução favorável dos fatores enfatizados pelo
Copom no Comunicado de agosto (201ª reunião) abre
espaço para o início de um processo de flexibilização
gradual e moderada da política monetária.
17. Em relação à inflação corrente, os membros do
Comitê mencionaram os resultados favoráveis no
curto prazo e a queda das projeções para 2016. O
movimento de transmissão da queda dos preços de
alimentos do atacado para o varejo parece ter tido
continuidade, e não evidência de efeitos
secundários do choque de preços de alimentos sobre
outros preços na economia. Expectativas de inflação
para 2016 apuradas pela pesquisa Focus
apresentaram recuo compatível com essa avaliação.
18. As projeções condicionais para a inflação
produzidas pelo Copom supõem trajetória de preços
administrados por contrato e monitorados próxima à
utilizada no RI mais recente. Uma série de fatores
podem vir a produzir mudanças nessas projeções. Em
particular, os membros do Comitê mencionaram: (i) a
mudança na política de preços de combustíveis
anunciada recentemente; (ii) evidências de reduções
de preços de energia elétrica mais fortes que o
esperado em algumas regiões; (iii) possibilidade de
adiamento de reajustes de preços de transporte
urbano em algumas cidades; e (iv) risco de reajustes
acima do esperado nos preços da energia elétrica ao
longo de 2017, em decorrência, entre outros fatores,
de mudança de bandeira tarifária.
19. O Copom analisou a evolução da inflação de
serviços e seus componentes. Os membros do
Comitê destacaram o progresso obtido no processo
de desinflação desse componente do IPCA. Em
relação aos resultados mais recentes, os membros do
Copom argumentaram que a queda recente se deve,
em alguma medida, à reversão de movimento
anterior em itens mais voláteis, e à evolução de
componentes sensíveis à recente desinflação nos
preços de alimentos. Ao considerar diferentes
medidas com itens mais sensíveis ao ciclo econômico
e à política monetária, os membros do Comitê
concluíram que sinais de uma pausa recente no
processo de desinflação que vinha sendo observado
nesses componentes, considerados efeitos
sazonais. Ressaltaram, ainda, que a pausa se em
níveis cuja manutenção produziria trajetória de
desinflação em velocidade aquém da contemplada
no cenário básico do Copom. Esse cenário pressupõe
uma trajetória de queda gradual à frente. Dessa
forma, os membros do Comitê ressaltaram que é
necessário monitorar a retomada dessa trajetória.
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20. Todos os membros do Comitê reconheceram os
avanços e os esforços para aprovação e
implementação dos ajustes na economia,
notadamente no que diz respeito a reformas fiscais.
Os membros do Comitê enfatizaram que esses
esforços o fundamentais para a estabilização e o
desenvolvimento da economia brasileira. O Comitê
deve acompanhar atentamente esses esforços, uma
vez que têm reflexos importantes no processo de
desinflação. consenso no Comitê de que a
velocidade no processo de apreciação das propostas
de ajustes tem excedido as expectativas. Entretanto,
a natureza longa e incerta do processo sugere que há,
ao mesmo tempo, risco e oportunidade. Todos
concordaram que as implicações do processo de
ajustes na economia para a dinâmica da inflação
dependem não somente dos impactos de medidas de
curto prazo sobre a demanda agregada, mas também
da percepção de melhora da dinâmica das contas
públicas no médio e longo prazos.
21. O Comitê reafirmou seu objetivo de conduzir a
política monetária visando atingir a meta para a
inflação no horizonte relevante, que abrange os
anos-calendário de 2017 e 2018. Nesse contexto, o
Copom entende que o ritmo de flexibilização
monetária será calibrado, sempre levando em conta
as suas projeções de inflação e seus fatores
determinantes, de modo a perseguir uma trajetória
que permita cumprir a meta para a inflação para 2017
e 2018. O Comitê avalia, portanto, que atualmente
não há incompatibilidade entre esses dois objetivos.
22. O Comitê entende que, ao apresentar suas
projeções condicionais para a inflação e destacar
fatores que possam dar maior confiança no alcance
das metas, aumenta a transparência, reforça sua
comunicação e potencializa os efeitos da política
monetária.
23. Nesse contexto, os membros do Copom
discutiram ainda as implicações de explicitar
condicionalidades econômicas para o ritmo e para a
magnitude da flexibilização da política monetária
iniciada. O Comitê concluiu que condicionar a
evolução futura da política monetária a fatores
relevantes para a inflação transmite de maneira mais
adequada a racionalidade econômica que guia as suas
decisões.
D) Decisão de política monetária
24. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela
redução da taxa básica de juros para 14,00% a.a., sem
viés.
25. O Comitê entende que a convergência da
inflação para a meta para 2017 e 2018 é compatível
com uma flexibilização moderada e gradual das
condições monetárias. O Comitê avaliará o ritmo e a
magnitude da flexibilização monetária ao longo do
tempo, de modo a garantir a convergência da inflação
para a meta de 4,5%.
26. A magnitude da flexibilização monetária e uma
possível intensificação do seu ritmo dependerão de
evolução favorável de fatores que permitam maior
confiança no alcance das metas para a inflação no
horizonte relevante para a condução da política
monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e
2018. O Comitê destaca os seguintes fatores
domésticos: (i) que os componentes do IPCA mais
sensíveis à política monetária e à atividade
econômica retomem claramente uma trajetória de
desinflação em velocidade adequada; e (ii) que o
ritmo de aprovação e implementação dos ajustes
necessários na economia contribuam para uma
dinâmica inflacionária compatível com a
convergência da inflação para a meta. O Comitê
avaliará a evolução da combinação desses fatores.
27. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.