Notas da 201ª Reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central do Brasil
30 e 31 de agosto de 2016
Banco Central do Brasil
201ª Reunião do Copom
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Data: 30 e 31/8/2016
Local: Sala de reuniões do andar (30/8) e do 20º andar (31/8) do Edifício-Sede do Banco Central do
Brasil Brasília DF
Horário de início: 10h04 (30/8), 14h34 (30/8) e 14h01 (31/8)
Horário de término: 11h57 (30/8), 17h16 (30/8) e 18h00 (31/8)
Presentes:
Membros do Copom
Ilan Goldfajn Presidente
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Viana de Carvalho
Isaac Sidney Menezes Ferreira
Luiz Edson Feltrim
Otávio Ribeiro Damaso
Reinaldo Le Grazie
Sidnei Corrêa Marques
Tiago Couto Berriel
Chefes de Departamento (presentes em 30/8)
André Minella Departamento de Assuntos Internacionais
Ariosto Revoredo de Carvalho Departamento das Reservas Internacionais
Eduardo José Araújo Lima Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 31/8)
Flávio Túlio Vilela Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Gilneu Francisco Astolfi Vivan Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro
João Henrique de Paula Freitas Simão Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 30/8)
Edric Martins Ueda Assessor Sênior da Diretoria de Administração
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa
João André Calvino Marques Pereira Chefe de Gabinete da Diretoria de Regulação
Leonardo Martins Nogueira Chefe de Gabinete da Diretoria de Política Monetária
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira Secretário Executivo
Maurício Costa de Moura Chefe de Gabinete da Presidência
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para
a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas
fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação. Material suplementar a estas Notas, com
análise da evolução recente de indicadores da conjuntura econômica, está disponível no sítio do Banco
Central do Brasil (http://www.bcb.gov.br?COPOMMATSUP201).
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201ª Reunião do Copom
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A) Atualização da conjuntura
econômica e do cenário básico do
Copom
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1. Os indicadores divulgados desde a última reunião
do Copom forneceram evidências adicionais de
estabilização recente da atividade econômica. Em
particular, a medida de investimento nas contas
nacionais mostrou o primeiro aumento após dez
trimestres seguidos de queda. sinais de uma
possível retomada gradual da atividade econômica,
como os componentes de expectativas de índices de
confiança, expectativas de crescimento do PIB
2
para
2017 apuradas pela pesquisa Focus, e expansão da
atividade industrial.
2. A economia segue operando com nível elevado de
ociosidade dos fatores de produção, refletido nos
índices de utilização da capacidade da indústria e,
principalmente, na taxa de desemprego.
3. No âmbito externo, o cenário ainda apresenta
interregno benigno para economias emergentes,
refletido no comportamento dos preços de ativos.
No entanto, a dinâmica da recuperação da economia
global permanece frágil, com incertezas quanto ao
seu crescimento e riscos deflacionários em
importantes economias desenvolvidas. Além disso,
manifestações recentes de membros do FOMC
3
sinalizaram a possibilidade de novos aumentos de
juros no curto prazo, gerando incerteza sobre os
efeitos de uma eventual retomada do processo de
normalização das condições monetárias nos Estados
Unidos.
4. Voltando à economia doméstica, índices de
preços mostraram inflação acima das expectativas
no curto prazo, resultado de elevações de preços de
alimentos e, talvez, de maior persistência da
inflação. Tais resultados contribuíram para um
aumento adicional das expectativas apuradas pela
pesquisa Focus para a inflação medida pelo IPCA
4
para o ano corrente, que se situam em torno de
7,35%. Já para 2017, as expectativas de inflação do
IPCA reportadas na mesma pesquisa apresentaram
recuo adicional de aproximadamente 0,15 ponto
1
A menos de menção explícita em contrário, esta
atualização leva em conta as mudanças ocorridas desde a
reunião anterior do Copom.
2
Produto Interno Bruto.
3
Federal Open Market Committee.
4
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
5
O Copom utiliza o termo “projeções condicionais” para
enfatizar que as projeções nos cenários de referência e de
percentual (p.p.) desde a última reunião do Copom,
para em torno de 5,15%.
5. As projeções condicionais
5
nos cenários para a
inflação produzidos pelo Copom mantiveram-se
relativamente estáveis ou recuaram nos horizontes
relevantes
6
para a condução da política monetária.
6. Para o conjunto de preços administrados por
contrato e monitorados, projeta-se variação de 6,3%
em 2016, 0,3 p.p. abaixo do valor projetado na
reunião do Copom de julho. Para 2017, considera-se
variação de 5,8%, 0,5 p.p. acima do valor projetado
na última reunião. A revisão para 2017 deve-se
primordialmente às projeções para aumento de
tarifas de energia elétrica (7,7%) e ônibus urbano
(6,8%).
7. O cenário de referência supõe, entre outras
hipóteses, taxas de juros e câmbio inalteradas em
14,25% ao ano (a.a.) e R$3,20/US$, respectivamente,
por todo o horizonte de projeção. O cenário de
mercado utiliza as trajetórias para taxas de juros e
câmbio apuradas pela pesquisa Focus. Em particular,
supõe taxa de câmbio de R$3,29/US$ e R$3,45/US$
ao final de 2016 e 2017, respectivamente, e taxas de
juros de 13,75% a.a. e 11,25% a.a. ao final dos
mesmos períodos.
8. Para 2016, as projeções nos cenários de
referência e de mercado foram revisadas de
aproximadamente 6,75% para em torno de 7,3%.
Não obstante essa elevação, o cenário básico do
Comitê continua a contemplar desinflação na
economia brasileira nos próximos anos. Para 2017, a
desinflação até a meta de 4,5% ocorre sob as
hipóteses do cenário de referência. No cenário de
mercado, a projeção situa-se em torno de 5,1%. Não
obstante a desinflação neste cenário ocorrer em
velocidade aquém da perseguida pelo Comitê, esta
projeção recuou 0,2 p.p. em relação ao valor
projetado na reunião do Copom de julho. Um dos
fatores que contribuíram para essa redução foi a
evolução favorável das expectativas de inflação
apuradas pela pesquisa Focus.
mercado dependem de hipóteses para as trajetórias futuras
das taxas de juros e câmbio, dentre outras variáveis.
6
O Copom utiliza o termo “horizontes relevantes” para a
condução da política monetária para se referir ao período
de tempo até que uma alteração nas condições monetárias
implementada num dado momento produza o máximo
efeito estimado sobre a inflação. Dadas as incertezas
envolvidas nessas estimativas, esta expressão não deve ser
percebida como fazendo referência a um horizonte rígido.
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201ª Reunião do Copom
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B) Riscos em torno do cenário básico
para a inflação
9. Há riscos de curto prazo para a inflação no Brasil.
A elevação nos preços de alimentos persiste. Em
contrapartida, preços no atacado já mostram alguns
sinais de arrefecimento. Com a transmissão dos
preços do atacado para o varejo, é possível que
ocorra uma reversão desses preços ao consumidor,
diminuindo riscos de efeitos secundários desse
choque sobre outros preços na economia.
10. Adicionalmente, por um lado, períodos
prolongados de inflação alta e expectativas acima da
meta, como na experiência brasileira recente,
tendem a reforçar mecanismos inerciais e tornar o
processo de desinflação mais lento e custoso. Nesse
contexto, uma maior persistência inflacionária
requer persistência maior da política monetária. Por
outro lado, o processo contínuo de distensão do
mercado de trabalho e a desaceleração significativa
da atividade econômica podem, a princípio, produzir
uma desinflação mais rápida (por exemplo, no setor
de serviços) do que a refletida nas expectativas de
inflação medidas pela pesquisa Focus e nas
projeções condicionais produzidas pelo Copom.
11. O processo de implantação dos ajustes
necessários na economia, inclusive de natureza
fiscal, apresenta-se, ao mesmo tempo, como um
risco e uma oportunidade para o processo
desinflacionário em curso. Os riscos se
apresentariam caso houvesse percepção de que os
ajustes seriam abandonados ou postergados
significativamente. Nesse cenário, o processo
desinflacionário tenderia a ser mais lento,
aumentando os custos de levar a inflação para a
meta. Por outro lado, os ajustes necessários na
economia podem ser aprovados e implementados
de forma mais célere, permitindo ganhos de
confiança e queda das expectativas de inflação.
Nesse caso, a redução de incertezas potencializaria
os efeitos do ajuste monetário em curso.
C) Discussão sobre a condução da
política monetária
12. Os membros do Comitê concordaram que houve
melhora do cenário macroeconômico e que
indicadores recentes mostram evidências um pouco
mais claras de estabilização da economia brasileira.
Além disso, sinais de possível retomada gradual
da atividade econômica. Essa perspectiva é
corroborada pela melhora de indicadores
prospectivos da atividade econômica, de dados da
produção industrial e de investimento.
13. Em relação à inflação, os membros do Comitê
mencionaram os resultados acima do esperado no
curto prazo e o aumento das projeções para 2016.
Nesse sentido, ponderaram que a desinflação em
curso tem procedido em velocidade aquém da
almejada. Não obstante, todos concordaram que
houve progresso nas expectativas e projeções em
horizontes mais longos. Destacou-se o recuo das
medidas de expectativas de inflação apuradas pela
pesquisa Focus para 2017 e para horizontes mais
distantes, que já se encontram em torno da meta de
4,5%, e a queda das projeções para 2017 sob as
hipóteses do cenário de mercado.
14. No que tange à conjuntura internacional, alguns
membros do Comitê destacaram que o período
desde a última reunião do Copom de fato ofereceu
um ambiente relativamente benigno para ativos de
economias emergentes, que pode continuar.
Entretanto, o aumento recente das incertezas
quanto ao processo de normalização da política
monetária nos Estados Unidos eleva o risco de
interrupção desse interregno benigno. Nesse
contexto, todos os membros do Comitê
concordaram sobre a necessidade de se monitorar o
ritmo de normalização da política monetária nos
Estados Unidos e suas possíveis implicações sobre a
velocidade de convergência da inflação. Também
houve consenso sobre a permanência dos riscos de
médio e longo prazos no âmbito externo, associados
à fragilidade da recuperação da economia global. Em
algumas economias centrais, fatores não
econômicos ainda podem constituir eventos
improváveis, mas com impactos adversos
significativos.
15. Todos os membros do Comitê enfatizaram que
a continuidade dos esforços para aprovação e
implementação dos ajustes na economia,
notadamente no que diz respeito a reformas fiscais,
é fundamental para o desenvolvimento da economia
brasileira. O Comitê deve acompanhar atentamente
esses esforços, uma vez que têm reflexos
importantes no processo de desinflação. Não houve
consenso sobre a velocidade desses ajustes, o que
sugere que constituem, ao mesmo tempo, um risco
e uma oportunidade. Todos concordaram que as
implicações do processo de ajustes na economia
para a dinâmica da inflação dependem não somente
dos impactos de medidas de curto prazo sobre a
demanda agregada, mas também da percepção de
melhora da dinâmica das contas públicas no médio e
longo prazos. Os membros do Comitê ressaltaram
que o ajuste das contas públicas pode envolver
medidas com impactos diretos desfavoráveis sobre
a inflação, e que esse é um risco a ser monitorado.
16. O debate sobre o balanço de riscos para a
inflação focou, ainda, no grau de confiança na
desinflação em curso. Em horizontes mais próximos,
a ênfase foi na inflação acima do esperado no curto
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201ª Reunião do Copom
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prazo, e no aumento das projeções nos cenários
produzidos pelo Copom para o ano corrente. Em
horizontes mais longos, os membros do Comitê
debateram os impactos do nível de ociosidade na
economia. Em particular, destacaram as possíveis
implicações dessa conjuntura para a sensibilidade da
inflação de serviços à atividade econômica.
17. O Comitê discutiu ainda as implicações de
explicitar condicionalidades econômicas sobre a
evolução da política monetária, em contraste com a
comunicação vigente, cujo caráter poderia ser
entendido como temporal. O Comitê concluiu que,
para dadas condições monetárias, condicionar a
evolução futura da política monetária a fatores
relevantes para a inflação transmite melhor a
racionalidade econômica que guia as decisões do
Comitê. Isso contribui para aumentar a
transparência e melhorar a comunicação do Copom.
18. Todos os membros do Comitê demostraram
satisfação com o progresso nas perspectivas de
desinflação da economia brasileira nos horizontes
relevantes para a política monetária. Ao mesmo
tempo, demonstraram preocupação com as
expectativas de inflação para 2017 apuradas pela
pesquisa Focus e a projeção de inflação para o
mesmo ano sob as hipóteses do cenário de mercado,
ambas acima da meta de 4,5%.
D) Decisão de política monetária
19. Considerando o cenário básico, o balanço de
riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu por unanimidade pela
manutenção da taxa básica de juros em 14,25% a.a.,
sem viés.
20. O Comitê avalia que uma flexibilização das
condições monetárias dependerá de fatores que
permitam maior confiança no alcance das metas
para a inflação nos horizontes relevantes para a
condução da política monetária, em particular da
meta de 4,5% em 2017. O Comitê destaca os
seguintes fatores domésticos: (i) que a persistência
dos efeitos do choque de alimentos na inflação seja
limitada; (ii) que os componentes do IPCA mais
sensíveis à política monetária e à atividade
econômica indiquem desinflação em velocidade
adequada; e (iii) que ocorra redução da incerteza
sobre a aprovação e implementação dos ajustes
necessários na economia, incluindo a composição
das medidas de ajuste fiscal, e seus respectivos
impactos sobre a inflação. O Comitê avaliará a
evolução da combinação desses fatores.
21. O Comitê antecipa que a avaliação dos impactos
da evolução desses fatores sobre as perspectivas
para a inflação envolverá julgamentos sobre as
evidências disponíveis. Não fator que seja
determinante por si para as decisões de política
monetária. Em outras palavras, nenhum dos fatores
constitui condição necessária ou suficiente para uma
flexibilização das condições monetárias.
22. Votaram por essa decisão os seguintes membros
do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Anthero de
Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac
Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio
Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa
Marques e Tiago Couto Berriel.